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DIAL P FOR POPCORN

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Falemos da Pixar (uma vez mais)


Amanhã vou ver "Monsters University". Um frio peculiar sobe-me à espinha sempre que penso nisso - já assim foi com "Brave" - porque a Pixar já não é tão infalível como outrora. O que será que vou encontrar? As críticas já vão dando um indício - um bom filme, todas o dizem, não dos melhores da Pixar mas dos mais entretidos. Já o antecessor, "Monsters, Inc." o fora. E definitivamente muito melhor que "Cars" ou "Cars 2", o que chega para me deixar descansado. Veremos no que dá.

Entretanto, lembrei-me de desenterrar, agora que estão volvidos três anos (!) desde a estreia de "Toy Story 3" e, antes de acrescentar a nota de "Monsters University" (em 2010 decidi acrescentar "Toy Story 3" à lista; talvez não o devesse ter feito, porque acho que a visualização mais recente influenciou algumas posições na lista), aproveito para rever as escolhas de então e actualizar a lista com "Brave" e "Cars 2".

Em 2010, o melhor filme da Pixar para mim era "Wall-E", seguido pelo então acabadinho de estrear "Toy Story 3" (que infamemente foi batido por "How To Train Your Dragon" para melhor filme animado desse ano cá nos DAFA) e por "Finding Nemo" e "Ratatouille". "Up", para muitos o melhor filme da Pixar, era o meu quinto favorito, com "Monsters, Inc" logo atrás. Na cauda vinham os óbvios "Cars" e "A Bug's Life", largamente considerados dos piores do estúdio, acompanhados um pouco acima por "Toy Story 2" e "The Incredibles". 

Em 2013...


#13 CARS 2 (Lasseter, 2011) [em 2010: -]
#12 CARS (Lasseter, 2006) [11]

Sem sombra de dúvida os únicos filmes da Pixar sobre os quais só tenho quase coisas negativas a dizer. Por sinal, a sua franchise mais lucrativa (boys will be boys e gostarão sempre de carros). A sequela, por sinal, inspira em mim cada sentimento mais odioso...

#11 A BUG'S LIFE (Lasseter e Stanton, 1998) [10]

Mediocridade. Um bom avanço tecnológico para a altura e o primeiro filme Pixar a criar um microcosmos. Pouco mais que isso. 

#10 TOY STORY 2 (Lasseter, Unkrich e Brannon, 1999) [9]

Merecia mais, mas é da trilogia aquele que menos aprecio. Uma pena, porque para muitos é o favorito. Talvez deva tentar uma nova visualização, afinal já não o vejo há uns bons anos. De qualquer forma, para mim 1999 em animação resume-se a "The Iron Giant". Um dos grandes filmes animados de sempre. De sempre.


#9 BRAVE (Chapman e Andrews, 2012) [-]

Não percebo o ódio. É por a Pixar tentar um conto de fadas, uma especialidade mais adequada à casa mãe Disney? É por ser uma rapariga? É porque decidem passar um filme todo com duas personagens, duas mulheres, se bem que uma delas é um urso? Não entendo. Talvez o Pixar com o melhor e mais complexo protagonista.

#8 UP (Docter, 2009) [5]

E pensar que já achei este o melhor filme da Pixar... Mentira, nunca achei O melhor. Mas sempre esteve nos meus mais cotados. O problema é que retira-se a sequência de "Married Life" que serve de prelúdio à narrativa e o que temos? Um filme muito oco, desengonçado e que não sabe que mais fazer quando a história mais importante do filme foi contada nos primeiros dez minutos. De qualquer forma, muito mérito para o primeiro filme da Pixar a introduzir um protagonista de certa idade. Um risco curioso.

#7 TOY STORY (Lasseter, 1995) [7]

O primeiro. O que abriu a porta à revolução. O filme que mudou a face da animação. Merecia estar mais alto, possivelmente merecia até o primeiro lugar, mas o meu apego é maior aos seis "clientes" acima.


#6 THE INCREDIBLES (Bird, 2004) [8]

Fazer um filme de superherói melhor do que qualquer um que se consiga produzir com actores reais? Podem apostar. E o único Pixar do qual eu gostava de ver uma sequela. O Brad Bird é um enorme cineasta. Edna Mole anyone?

#5 TOY STORY 3 (Unkrich, 2010) [2]

O filme que fecha a trilogia com chave de ouro (uma tristeza que tenham logo ressuscitado as personagens para uma curta; nem um ano durou a retirada!). Era impossível pedir algo mais perfeito.

#4 MONSTERS, INC. (Docter, Unkrich e Silverman, 2001) [6]

Não estaria tão alto não fosse ter apanhado uma transmissão televisiva há pouco tempo. Por acaso fiquei a ver. Não me lembrava de gostar tanto do filme, dos seus temas, da sua simplicidade, da sua ternura e felicidade. É um feito gigante de entretenimento, uma criação muito original e um mundo tão incrível, peculiar e fascinante que nos apresenta. Não tem a perfeição de "Toy Story 3" ou a imensidão de "Finding Nemo" mas é dos mais completos da Pixar.


#3 FINDING NEMO (Stanton, 2003) [3]

Antes de John Carter, eu achava impossível que Stanton fizesse um filme que não fosse impressionante. Errei. Ele também. Somos humanos. Mas as suas duas criações em singular para a Pixar são espantosas obras-primas tanto em escala, como em ambição, como em conteúdo. Vão tão além do que um filme animado se propõe a fazer que é um milagre que por duas vezes a Pixar lhe tenha confiado rédeas para fazer o que ele quis. Da primeira vez, saiu isto.


#2 RATATOUILLE (Bird, 2007) [4]

Bird, outra vez. O melhor Pixar. A todos os níveis. Combina tudo aquilo que a Pixar faz de melhor com o que o cinema de Bird tem de melhor. Extremamente original e divertido e refrescante sem forçar a piada fácil. Não é a minha escolha pessoal para melhor de sempre mas se a razão mandasse mais que o coração, este seria o topo da lista...


#1 WALL-E (Stanton, 2008) [1]

... Todavia estas listas são pessoais e o meu cunho pessoal tinha que se revelar nesta primeira escolha. "Define Dancing". "Wall-E" tem uma segunda parte muito pior que o seu primeiro acto, quase imaculado, é verdade. Não é imune a críticas - a maioria delas eu até as percebo. Mas aos detractores só tenho a perguntar: vocês estão a ver bem ao que é que Stanton e C.ª se propôs, os temas maiores que o filme cobre, o desafio que é para ele - e a Pixar - ter como protagonista (e principal atractivo para o seu público-alvo) um robô que não fala? Lightning in a bottle. A Pixar agora pode fazer as sequelas todas que quiser. Treze anos depois de "Toy Story", atingiu o seu pico criativo (pelo menos para já). Quando dentro de cinquenta anos se fizer uma retrospectiva do melhor cinema de animação de sempre, este (e "Ratatouille" e obviamente "Toy Story", penso eu) serão os três filmes da Pixar mais relembrados.

O perigo de ser número 1


Notícia antiga, eu sei, mas ainda não tinha sido discutida aqui no blogue, portanto cá estamos. 


Ao fim de cinquenta anos de reinado no topo da lista, a obra-prima de Orson Welles (discutível, eu sei) "Citizen Kane", universalmente considerado o melhor filme da história do cinema, é destronado na lista de 2012 da revista Sight & Sound. O novo número um da lista é, (pouco) surpreendentemente, "Vertigo" de Alfred Hitchcock, que há dez anos atrás tinha ficado a escassos cinco votos de ultrapassar "Citizen Kane". A lista dos realizadores, contabilizada à parte da lista dos críticos e também ela liderada anteriormente por "Citizen Kane", tem também um novo líder: "Tokyo Story" de Yasujiro Ozu (espero ansiosamente pelo lançamento da revista para depois cá discutir algumas listas, de Scorsese a Allen, de Mann - que adora "Avatar" a Del Toro).


De resto, a lista dos críticos sofreu pouquíssimas flutuações, algo estranho ainda por cima tendo em conta o aumento substancial no número de contribuidores para a lista deste ano, em relação à de 2002. "Battleship Potemkin" de Einsenstein dá lugar a "Man with a Movie Camera" de Vertov, da mesma época. O emparelhamento de "The Godfather" e "The Godfather: Part II" de Coppola, muito contestado aquando da lista anterior, foi desfeito e, com os votos separado, os críticos não chegaram a um consenso em relação a um dos filmes e, por isso, abandonam a lista por troca com "The Searchers", por muitos considerado o melhor filme de John Ford e John Wayne. Finalmente, "The Passion of Joan of Arc" de Dreyer retorna à lista depois de ter aparecido pela última vez na lista de 1992. Infelizmente, o excelente "Singin' in the Rain" de Gene Kelly é empurrado, assim, para fora dos dez primeiros. "2001: A Space Odyssey" de Kubrick é o filme mais recente da lista, datado de 1968, uma lista que em comparação com a de 2002 até regrediu em idade média das películas nos dez primeiros lugares, com o maior número de filmes mudos desde a primeira lista, de 1952. Nos primeiros cinquenta lugares encontram-se apenas dois filmes do novo século e entre eles não está a escolha que muitos apontavam ("There Will Be Blood") como certa: "In the Mood for Love" e "Mulholland Drive" foram as duas escolhas.


Começo desde logo por afirmar que eu sou um acérrimo defensor de "Citizen Kane" como melhor filme da história do cinema. Não propriamente pela sua qualidade (que tem), pela revolução que provocou na época (que de facto provocou) ou pelo estatuto de obra-prima que adquiriu ao longo dos anos (que é merecido), mas porque é, para mim, um exemplo perfeito daquilo que o nosso ideal de cinema deve ser e é, acima de tudo, uma introdução mais que especial aos aprendizes cinéfilos que têm em "Citizen Kane" um fio condutor para o que cinema de qualidade deve ser e a partir deste adquirir o gosto pela sétima arte. "Citizen Kane" mostra o melhor que o cinema tem para oferecer, mantendo-se como um clássico incontestável com pinceladas de modernismo e vibrante estilo e estética. Contudo, há também vantagens em "Citizen Kane" deixar de ser o número um. O consenso em torno do seu rótulo de "melhor filme de sempre" estava a começar a atingir níveis de saturação. Toda a gente sabe que é um dos filmes mais influentes do cinema moderno, toda a gente reconhece o seu valor e qualidade - mas cada vez mais surge mais gente que não percebe o que tem "Citizen Kane" de tão especial para ser colocado em tão alto pedestal, em tão alto nível de sacrilégio e santificação. Idealmente, trocaria este por "2001: A Space Odyssey", que é para mim (um cinéfilo ainda em treino) a obra mais transcendente e imaculadamente perfeita que o cinema me apresentou. Apesar da lista soar a antiga, qualquer um destes dez filmes merece o seu lugar. São películas revolucionárias, que quebraram convenções e ideologias do que o cinema é suposto ser. São adorados e glorificados por alguma razão, ainda que me custe ver gente como Allen, Almodovar, Altman, Buñuel, Bertolucci, Cassavetes, Coppola, Fassbinder, Haneke, Kieslowski, Malick, Ophuls, Powell e Pressburger, Polanski, Resnais, Ray, entre outros, sem um filme sequer nos cinquenta primeiros lugares (não que eu não ache que Godard não mereça as quatro presenças na lista, mas seguramente que outros grandes realizadores poderiam ocupar o lugar de um ou dois desses).


É, então, em "Vertigo" que recai o peso de ser considerado o melhor filme de sempre. E é uma opção que merece bastante admiração da minha parte. "Vertigo" era um dos filmes favoritos de Hitchcock, sem dúvida um dos maiores cineastas da história do cinema. Fora muito mal recebido na altura, tendo levado até à disrupção da frutífera colaboração entre James Stewart e Alfred Hitchcock, que nunca mais fariam outro filme juntos. Foi subindo de reputação com o tempo, com repetidas visualizações e após surgir em 11º lugar na lista de 1972, foi ganhando mais admiradores e mais votos e, em 2002, parecia já que o futuro primeiro lugar lhe pertenceria. É hoje em dia largamente considerado o trabalho mais completo, mais maduro, mais inteligente e mais pessoal de Hitchcock e, por isso, a sua obra-prima. 

Uma escolha popular para número 1, com certeza. Aliando à sua habitual atmosfera de mistério e suspense temas mais românticos de obsessão e paranóia na busca da perfeição, do ideal, de uma realidade que já não existe (e talvez nunca tenha existido), "Vertigo" é o ideal representante da relação de Hitchcock com a sua arte e de nós próprios com o cinema, que com os filmes também somos observadores, perseguidores de mil histórias sem fim na busca que o mundo que vive na nossa imaginação e na tela comungue com o mundo real e se funda num só. Em última instância, a fantasia nunca alcança a realidade. Longe de ser um filme perfeito, "Vertigo" acaba por ser o filme ideal para um crítico de cinema, uma escolha emocional baseada na nossa própria relação intoxicante com os filmes e com o cinema. Um filme para sonhadores, um filme que seduz e encanta e nos faz perder, vezes sem conta.


O tempo dirá se esta mudança será para manter. Para já, tem dois grandes benefícios: muitos irão reapreciar o cânone que o enorme Alfred Hitchcock deixou para trás e irão redescobrir pérolas como o brilhante "Psycho" (o meu Hitchcock favorito), "Rear Window", "North by Northwest", "Rebecca", "The 39 Steps", "Rope", "Dial M For Murder", entre muitos outros. E o outro grande benefício é que fará também muitos espreitar de novo "Citizen Kane", agora sem o peso - e o pó acumulado - de ser a maior obra-prima desta sétima arte e poderão também encontrar novos detalhes, novas cenas, novas nuances que os encantem de novo e façam regressar o amor que nutrem por este filme.

Actividades do CCOP


O Círculo de Críticos Online Portugueses (CCOP) - do qual eu e o João fazemos parte - tem andado ocupado nos últimos tempos com listas especiais, que abordaram três dos maiores realizadores americanos da era moderna: Martin Scorsese, Woody Allen e (acabado de publicar) Ridley Scott.


Espero que tenham gostado tanto quanto eu de ver as pequenas nuances e flutuações de cada top e de compararem com os vossos favoritos pessoais. Posso dizer que fiquei bastante satisfeito com o resultado no top do Ridley Scott, com os meus favoritos (apesar de não na ordem em que votei neles - na minha lista, "Alien" continuaria o primeiro lugar, mas os outros dois trocariam) a figurarem todos no pódio - naturalmente, diria eu, uma vez que são os três filmes de Ridley Scott que reconheço estarem acima da mediocridade habitual dos seus restantes trabalhos (assumo, de qualquer forma, que é um realizador com o qual estou, ainda, pouco familiarizado).


Já no caso de Woody Allen (aviso já que não sou um fervoroso fã dos seus filmes mais recentes, pelo que me considero mais um admirador confesso do que propriamente um devoto seguidor), fiquei satisfeito por ver a minha campanha positiva em relação a três filmes que considero serem a nata da filmografia de Woody Allen - "Hannah and Her Sisters", "Bullets over Broadway" e "The Purple Rose of Cairo" - que são habitualmente postos de lado nestes tops em detrimento dos mais óbvios (mas sim, não menos merecedores) "Annie Hall" e "Manhattan" (fiquei contente por ver os três entre as dez melhores obras - tecnicamente, "Bullets" não é uma das dez melhores, mas está, por empate de vários filmes, no décimo lugar). Devo dizer que achei surpreendente "Interiors" pontuar tão alto, porque não pensava que conseguisse tão boas notas (foi o meu sexto favorito, com nota 9, ainda assim) de toda a gente. Uma frustração pessoal: o exageradamente amado "Midnight in Paris" figurar no top-10. Não consigo entender. Pode ser embirração minha. 


Finalmente, o top que, para mim, mais gozo me deu desvendar: o do inigualável Martin Scorsese. Uma surpresa enorme ver "Hugo" no quinto lugar (a nota não surpreende, dado que é a mesma que lhe tínhamos atribuído num dos tops mensais) e mesmo obras menores como "The Departed" e o ambíguo "Shutter Island" entre as dez mais pontuadas. O dois primeiros lugares do pódio são, para mim, indiscutíveis, sendo "Raging Bull" e "Taxi Driver" duas das obras mais influentes do cinema americano dos últimos cinquenta anos. Já o terceiro lugar merece discussão. Não me entendam mal, eu gosto muito do "Goodfellas" - só acho que "The King of Comedy", "Cape Fear" ou "New York, New York" são melhores (aliás, a todos dei melhor pontuação até que a "Raging Bull", embora perceba que este último é sempre uma escolha óbvia para melhor quando se fala de Scorsese). Para a boa nota de "Goodfellas" pode ter contribuído ter sido um dos quatro filmes que toda a gente do painel viu.

E vocês, já foram espreitar o trabalho do CCOP? Que pensam destas listas?

Grandes Posters: Edição Musicais


Uma vez que nas últimas semanas revi "Moulin Rouge!", "West Side Story" e ainda "An American in Paris" para o nosso mês especial de celebração e depois de constatar o quão bem executados estão os posters dos três para a época em que se encontram e sobretudo para o tipo de audiência-alvo que buscam,  decidi fazer uma pequena pesquisa pelos posters da maioria dos grandes musicais da história do cinema e avaliar a sua qualidade. Decidi aproveitar esta ideia, já que me dei ao trabalho, para ressuscitar uma velha rubrica cá do blogue e foi assim que este artigo teve origem. Deixo-vos abaixo as minhas selecções para os melhores vinte posters de filmes musicais:

#20-18:


O enorme espaço em branco em "Hello, Dolly!" tira-me do sério, compensado contudo pela forma inteligente de vender o filme: a sua grande estrela (Barbra Streisand) em destaque e com um dos chapéus mais mirabolantes - e cativantes - de que há memória. Outro que sabe bem vender o produto é o poster de "Nine" que apesar de feio e tosco tem no poder dos nomes do elenco a sua grande vantagem. Difícil é não querer assistir a um filme com Day-Lewis, Cruz, Hudson, Loren, Dench, Kidman e Cotillard. Para a época, penso que a Disney fez um bom trabalho com "Mary Poppins", ilustrando bem a sensação de felicidade, de "estar nas nuvens" que o filme nos transmite, dando a entender também que esta senhora, de nome Mary Poppins, é especial.

#17-15:

 
"New York, New York" é um musical muito peculiar e o poster sabe vender bem essa atmosfera meio mística e especial. O único senão que lhe posso apontar é a grande porção de espaço vazio a preto que, hoje em dia, arruina muitos posters modernos. O de "Sound of Music" está irrepreensível, focando-se no que interessa: a sua grande estrela, Julie Andrews; o ar musical; e as colinas. O de "An American in Paris", contudo, é ainda melhor - dá ou não dá vontade de saltar para o poster e dançar nas ruas de Paris?

#14-12:



Um poster divertido é o que se pede para promover "Funny Girl" e, de facto, a imagem estilizada é promissora. A grande quantidade de espaço vazio preto peca por ser excessiva mas, neste caso, funciona bem para reforçar a imagem portanto eu vou deixar passar. Um bom uso do preto pode ser encontrado no poster de "The Rocky Horror Picture Show" que depois contém uma imagem central que vende bem o filme, irreverente, atraente, diferente. Finalmente, "Sweeney Todd". Que grande poster. Completamente Tim Burton.

#11-9:


Hesitei em colocar "Singin' in the Rain" tão alto mas a verdade é que para um poster dos anos 50 este conceito resulta excepcionalmente bem. Alegre, colorido e envolvente, a imagem com o trio à chuva contagia-me e faz-me desejar fazer o mesmo. Cumprindo assim tão eficientemente a sua missão e não alienando nenhuma pessoa que desgoste de musicais, merece esta posição alta. O estilizado, bonito e com belíssimo uso de cor poster de "Dreamgirls" quase que não merece o filme que promove. Dá ideia de um filme completamente diferente. Um bom trabalho. O poster de "Love Songs" tem três grandes elementos que o fazem funcionar: o trio de atraentes protagonistas; a cor e o tom; o desenho de Paris e pela frente o título do filme, brilhantemente executado. Promove tão bem o filme sem contar bem o que nele se passa.

#8-6:


Perfeito a capturar o ambiente e a atmosfera dos anos 20 e a segurar o seu público-alvo mostrando, através das roupas das protagonistas, do efeito risqué do título do filme e do poder dos três grandes nomes envolvidos, o poster de "Chicago" resultou muito bem. Já o poster de "Hedwig and the Angry Inch" é um caso bastante particular. Este não é um filme fácil de promover ou sequer de explicar. É preciso tê-lo visto para se compreender. Ainda assim, penso que a equipa de marketing trabalhou imensamente bem na concepção do poster, optando por escolher a melhor forma de promover o filme: uma enorme imagem da chocante personagem principal do filme. "Dancer in the Dark" poderia só ter os nomes de Björk, Catherine Deneuve e especialmente de Lars von Trier para ser relevante, mas só o facto de terem arriscado numa imagem tão arrojada e pouco relacionada com a temática principal do filme - a personagem parece que está a flutuar no ar, numa leveza de espírito, conduzida pela música, como que hipnotizada - merece pontos bónus.

#5-3:


"West Side Story" tem um poster absolutamente fascinante. Uma cor diferente e forte mas que resulta muito bem em contraste com o preto do título, também este num tipo de letra arrojado. Gosto muito ainda do pequeno pormenor das escadas da varanda e os dois amantes a branco. Lindo. "My Fair Lady" tem vários posters, alguns óbvios (como aquele todo a branco apenas com a cabeça gigante de Audrey Hepburn ao centro) e alguns, como este, estranhos mas belos. Também tem Audrey e Rick Harrison em destaque mas fá-lo de forma subtil, encantada, bonita. O resultado final é esta espécie de pintura romântica, de cores claras e suaves. Fantástico. O poster de "Moulin Rouge!", para mim, define-se em apenas três palavras: mágico, apaixonante, estonteante. Aliás, a colecção inteira dos posters merecia um artigo especial só dedicado a elas. São todos óptimos.
#2:


Um dos poucos casos em que o preto trabalha em benefício da arte, o poster de "All That Jazz" (que apresenta uma variante em vermelho também muito interessante) vende o filme apenas com o título e nada mais. Aquela tag é, além disso, fenomenal. Um musical de Bob Fosse, chamado "All That Jazz" (reminiscente da música do seu musical "Chicago", o que nos indica que podemos estar perante uma semi-autobiografia) e o título em lâmpadas. Que mais é preciso dizer? Luzes, câmara... It's show time!
#1:


Havia posters mais bonitos. Havia posters mais artísticos. Mas mais ousados e originais que este... duvido. Life is a "Cabaret", Sally Bowles em festa no topo. O texto em arco-íris em contraste com fundo preto faz o resto. Brilhante, festivo, atraente.

Passo-vos agora a palavra: quais destes posters vos chamaram à atenção?

Os Melhores de 2010, por Jorge Rodrigues

Ainda nem a meio vamos dos prémios que tenho andado a atribuir aos melhores do ano passado (espero tê-los concluído nos próximos dias) - os Dial A For Awards (DAFA) 2010; contudo, uma vez que já passou da altura de vos revelar quais são, para mim, os melhores filmes de 2010, vou fazê-lo - mas ordenados alfabeticamente. Assim retém-se o suspense para quando revelar as minhas categorias de Melhor Filme.


Finalistas:

Esta lista de filmes que aqui segue são de filmes que gostei muito mas que não consegui incluir entre os meus vinte melhores. "Exit Through The Gift Shop" poderia ser um dos vinte, mas optei por não incluir documentários porque penso que a minha avaliação deles é muito subjectiva e nunca os sei comparar bem com longas-metragens. O mesmo tenho a dizer, em menor grau, de "Last Train Home", "Wasteland", "Gasland", "Joan Rivers: A Piece of Work", "Restrepo", "Inside Job" e "Catfish". "Biutiful", "Copie Conforme", "The Edge", "In A Better World" , "Dogtooth" e "Incendies" são todos filmes estrangeiros que apreciei bastante, cada um à sua maneira, mas que também não têm qualidade suficiente para eu os colocar dentro dos meus vinte melhores. Também "Fish Tank" e "Winter's Bone" ficaram perto de entrar na lista, mas no fim de conta eu percebi que o meu amor pelos seus intérpretes é bem maior do que o filme no seu todo. Ainda assim, das melhores surpresas que o ano me trouxe. Uma obra-prima visual, "I Am Love" falha um pouco a nível da sua história, mas tem em Tilda Swinton um timoneiro de excelência. Assim, também neste caso optei por premiar a intérprete e os aspectos técnicos em prol do filme em si. "Kick-Ass" também ficou perto, mas no caso de Matthew Vaughn a verdade é que não fiquei tão enfeitiçado como outros. Gostei do que vi, mas esperava mais. Dos melhores eu espero sempre mais. O mesmo posso dizer de "Made in Dagenham", "Somewhere" e de "Never Let Me Go", que também têm diversos aspectos merecedores de elogio mas outros bem em défice. E finalmente: "The King's Speech". Era o meu #21 da lista. Foi difícil cortá-lo. Mas tive de o fazer. É deste modo que vos apresento... 


Os meus melhores filmes de 2010:
(ordenados alfabeticamente)


ANIMAL KINGDOM (r. Michod)

Uma história fascinante, personagens frescos e originais, uma família que impõe respeito e tresanda a segredos e traições. Um filme irreverente, belíssimo e um grande começo para David Michod. Jacki Weaver entrega-se por completo a 'Smurf' Cody, a matriarca desta horripilante família, um monstro com cara angelical, uma mulher que não é de confiança, uma predadora incessante. Uma formidável descoberta.

ANOTHER YEAR (r. Leigh)

Por esta altura, já estamos habituados a que tudo o que Mike Leigh faça, faça bem. Este "Another Year" volta a trazer-nos uma proeminente interpretação feminina, por uma actriz até então pouco conhecida do grande público. Lesley Manville incendeia a tela - e o espectador fica-lhe eternamente grato.
 
BLACK SWAN (r. Aronofsky)

Finalmente, um Aronofksy que vem rivalizar, em termos de popularidade, com a sua indiscutível obra-prima, "Requiem for a Dream". Sem atingir o nível deste, contudo, "Black Swan" é do mais envolvente que esteve nas salas de cinema este ano; brilhante, ousado, invulgar, com uma Natalie Portman em topo de forma, foi um prazer de ver, escutar, sentir. Vibrante, trágico, aterrorizador, louco e tóxico, "Black Swan" é imperdível.

BLUE VALENTINE (r. Cianfrance)

Mexe com as nossas emoções em sítios muito pessoais, põe-nos face a face com uma situação que decerto todos já passámos. Williams e Gosling formam um par inesquecível - que espero que se repita no futuro. Um filme surpreendente - pela positiva, claro.



FOUR LIONS (r. Morris)

Já é costume sermos todos os anos maravilhados por uma pérola cómica britânica. Depois do fabuloso "In The Loop" em 2009, este ano trouxe-nos o primeiro trabalho de Chris Morris, "Four Lions". Irreverente, irrepreensível, sem medo de desafiar convenções ou fazer troça de pré-conceitos, é uma obra-prima de desatar a rir.

HOW TO TRAIN YOUR DRAGON (r. Sanders, DuBois)

Qual não foi a minha surpresa quando me vi irremediavelmente apaixonado por este filme? Integralmente dedicado a despertar o nosso amor pelos nossos próprios animais domésticos, "How To Train Your Dragon" é mesmo o melhor filme que a Dreamworks já produziu para rivalizar com a Pixar. Inteligente, carinhoso, bonito, com cenas de acção impressionantes e muito bem executadas, com uma banda sonora de sonho, é um filme animado a sério, não só para os amantes da animação mas para todos aqueles que pretendem um grande filme.

INCEPTION (r. Nolan)

Neste momento, penso que Hollywood já aprendeu a lição: querem um blockbuster inteligente que não tem medo de desafiar a sua audiência? Chamem o Christopher Nolan. Depois de consolidar o seu valor como um mestre contador de histórias depois da sua estreia com "Memento" e depois de revitalizar de forma extraordinária uma franchise que estava em águas mortas, eis que a sua grande oportunidade de realizar algo que ele queria surge: e ele acerta em cheio. "Inception" é, em suma, uma ideia francamente original, brilhantemente explorada por um dos senhores da sétima arte no momento.

L'ILLUSIONISTE (r. Chomet)

Por vezes, a beleza das coisas está no quão singelo um momento consegue ser capturado. Chomet já o fez antes em "Les Triplets de Belleville" e volta a realizá-lo em "L'Illusioniste". Os últimos momentos do filme, em que seguimos um desapegado mágico sem nada que o prenda à sua vida antiga deixar tudo e todos e partir com fim incerto, abandonando assim subitamente a arte que tanto promoveu por tantos anos, são de trespassar o coração com uma faca. O resto do filme não é igualmente fácil de engolir - uma incrível metáfora de como tudo na vida, inclusive os gostos e as pessoas, mudam; só Chomet é que não muda o seu modo tão pouco usual de fazer animação. Um filme mais para adultos do que para crianças, mas que irá pôr todos, de igual modo, a chorar.



 LOLA (r. Mendoza)

Uma história de luta, de sobrevivência, "Lola" é mais uma peça inolvidável que Brillante Mendoza nos traz. A história de duas avós a combater para defender os seus netos é do mais precioso e enternecedor (e também triste, diga-se) que 2010 nos ofereceu. As feridas profundas nunca fecham - e a nossa mente, depois de ver este filme, também não.

MONSTERS (r. Edwards)

Fiquei estupefacto ao ver este filme. Fiquei chocado como um realizador estreante, com apenas 500,000 $ de orçamento e dois actores, decidiu filmar ilegalmente em vários países um filme artístico de ficção científica e ainda editá-lo, tratar da sua fotografia e direcção artística e pagar integralmente os custos extra de produção e ter isto como resultado. Um mundo rica e vividamente criado (uma experiência sensorial levada ao extremo), com personagens complexas e completas, que aborda uma história fascinante. Bónus: uma das melhores bandas sonoras do ano, a cargo de Jon Hopkins.


RABBIT HOLE (r. Cameron Mitchell)

Ao contrário do que meio mundo pensa, a melhor interpretação feminina do ano não está em "Black Swan". Infelizmente, como em tudo na carreira de Nicole Kidman, a sua interpretação em "Rabbit Hole" junta-se a mais uma daquelas dela que são impressionantes e inesquecíveis mas que aparentemente não são boas o suficiente para merecerem ser devidamente premiadas. Que o elenco secundário a suporte de tão brilhante forma é só mais um testemunho à qualidade que o fantástico John Cameron Mitchell juntou para o filme mais invulgar da sua filmografia até agora. Um primor. Um dos melhores filmes do ano. E que lida com um dos piores assuntos da vida humana da melhor maneira possível - a honesta.

SCOTT PILGRIM vs THE WORLD (r. Wright)

Sinceramente, depois de "Hot Fuzz" e "Scott Pilgrim vs. The World", como é que Edgar Wright não tem todos os estúdios a bater-lhe à porta e a oferecer-lhe mundos e fundos? Um realizador sempre à procura de se reinventar, buscou inspiração na banda desenhada canadiana de sucesso internacional e disto resultou o filme mais distinto, original e inventivo que eu alguma vez vi. Com algumas falhas? Decerto. Incrível de qualquer forma? Sem dúvida.



TANGLED (r. Howard, Greno)

Não era suposto eu ter gostado tanto deste novo conto de fadas da Disney, mas enfim, cá o temos. A fugir às antiquadas convenções sobre princesas em perigo, ousa ser diferente e mais divertido, com dois dos melhores parceiros de aventura que uma história destas podia ter - Maximus e Pascal - e com uma das cenas mais belas de sempre da animação e do cinema, a rivalizar com a cena da dança de "Beauty and the Beast", o clamor de Ariel em "The Little Mermaid", a introdução de "The Lion King" ou a definição da dança em "Wall-E" (estou a falar da cena das lanternas, claro), "Tangled" cumpriu o seu grande propósito: encantar.

THE FIGHTER (r. O. Russell)

Repleto de coração e humanidade num filme que fala de força e perseverança (atributos de qualquer bom filme de boxe), este está mais preocupado em focar-se nas pessoas do que no desporto em si. Ainda bem. Não dá para seleccionar só um momento deste filme que mais parece um documentário, tal é o realismo criado nas situações e nas relações. Uma enorme interpretação de Christian Bale, auxiliado por um nobre elenco de grandes actores, proporciona-nos uma das mais interessantes surpresas do ano.

THE GHOST WRITER (r. Polanski)

Como que a mostrar que o mestre do drama, Roman Polanski, está de volta, "The Ghost Writer" é, de longe, o trabalho recente que mais próximo fica das suas obras-primas dos anos 70, como "Chinatown" e "Rosemary's Baby". Uma obra estrategicamente explorada, explorada até à exaustão do mínimo detalhe, com memoráveis e sinistros cenários, que avança de forma intrigante mas excitante para um fim absolutamente tremendo: um último grande acto, uma demonstração do que vinha sendo, desde o início, inevitável: o Fantasma não é mais do que isso, uma sombra, um vulto; tão importante é que facilmente se prescinde dele. E foi isso que Polanski fez.

THE KIDS ARE ALL RIGHT (r. Cholodenko)

Um filme que surpreende pela sua familiaridade, pela generosidade com que aborda os defeitos das nossas complicadas personagens e pela forma fácil como nos proporciona uma agradável e satisfatória resolução emocional ao mesmo tempo que não foge a mostrar-nos quão adversas as circunstâncias da vida podem ser. Um elenco notável, uma realização cuidada e talentosa e uma história intrincada, pessoal e muito divertida. Uma excelente combinação.



THE SOCIAL NETWORK (r. Fincher)

"The Social Network" é, para mim, a epítome de tudo aquilo que um grande filme representa. Nos seus melhores momentos, explora quem somos enquanto pessoas, a forma como nos interrelacionamos e a forma como hoje em dia deixámos a socialização para o meio digital e que explora, particularmente, como o criador desta ferramenta magnífica que nos aproximou dos nossos amigos optou por se afastar dos dele. É um filme que usa a sua curiosidade pela tecnologia para contar uma história nada ou praticamente nada relacionada com o desenvolvimento tecnológico. As suas personagens são diferentes das de qualquer mero filme; não são movidas por um objectivo vulgar, como dinheiro ou vingança ou ganância - o seu objectivo é escapar à mediocridade, ficar na história graças à sua ideia genial, buscar a aceitação do mundo. Isto não seria possível se toda a equipa por trás, do realizador ao argumentista, dos compositores aos editores, não estivesse a trabalhar no topo da sua forma. É, por isso, que "The Social Network" é muito mais do que um simples filme; é um clássico dos tempos modernos, um ensaio exemplar da vida dos nossos dias.

TOY STORY 3 (r. Unkrich)

Em "Toy Story 3", uma história que esteve mais de dez anos em gestação culmina não explosivamente, carregada de grandes efeitos especiais ou através de uma enorme batalha, mas da forma mais perfeita que se poderia esperar: numa expressão perfeita de amor e carinho. O filme coloca os nossos conhecidos heróis em risco atrás de risco, fá-los atravessar a sua própria jornada de sofrimento e dúvida para no fim nos arrancar as entranhas e fazer-nos sentir pena e compaixão de objectos inanimados como estes brinquedos. Nunca pensei sentir-me assim. Nunca pensei que poderia manifestar estes sentimentos para com algo que não é humano; pior - para com algo que não é humano e que está no grande ecrã. Mas sentimos. E choramos. E arrepiamo-nos. E ficamos com um grande buraco no sítio onde o nosso coração costuma estar quando nos temos que despedir para sempre. Woody, Buzz, vocês são eternos. São mais do que brinquedos, mais do que personagens. Fazem o meu coração querer explodir do meu peito. São companheiros na minha jornada, na minha vida, como que a lembrar-me de maravilhosos tempos que já lá vão.

TRUE GRIT (r. irmãos Coen)

Um western puro, bem escrito, bem realizado, bem fotografado e bem editado, como já é apanágio. A juntar a isto, está uma infusão do familiar humor e ironia sarcástica que os irmãos Coen emprestam ao fabuloso romance de Charles Portis, transformando uma história curiosa de perseguição e vingança numa aventura épica ímpar, que nos relembra o quão divertido pode ser um western se bem feito, mas que também nos mostra as verdadeiras consequências de uma disputa sangrenta. Bónus: excelentes interpretações dos protagonistas Jeff Bridges, Matt Damon e Hailee Steinfeld (esta, um belo achado; a ver no que dá a seguir).

WHITE MATERIAL (r. Denis)

Isabelle Huppert como força indomável. Claire Denis, uma das maiores e melhores realizadoras da actualidade, tem de novo em suas mãos um portentoso argumento e espreme-o ao máximo. Não é tão desconcertante como "Beau Travail" ou tão desconfortável como "35 Shots of Rum", contudo é um filme magnífico por si só. Paisagens apaixonantes, mensagem apolítica, enigmática e bizarra película. Mesmo pairando a sensação de perigo eminente e revolução, Isabelle Huppert aí continua, firme, serena e impávida, como se nada a deitasse abaixo. Um filme extraordinário. Uma interpretação prestigiosa.


E agora é com vocês, caros leitores... Que filmes vos impressionaram? Que filmes pensam que deixei escapar? Que filmes acham que não lhes foi dado o merecido valor?

Revisão da Década e Top Filme: Biográficos (2000-2009)

E hoje é domingo, portanto dia de mais um Top Filme. 

Aproveitando a onda e uma vez que ainda andamos em revisão de temporada e de década - e já que ainda há uns tempos falámos disto no nosso grupo do Facebook, cá vai a minha lista com os meus dez filmes biográficos favoritos.

Menção Honrosa:
PERSEPOLIS (2007)
Só porque é autobiográfico, não propriamente biográfico. Uma obra fascinante.


#10:


MARIE ANTOINETTE (2005)
O filme menos amado de Sofia Coppola. Possivelmente, no entanto, o mais atrevido e original.


#9:


MAR ADENTRO (2004)
Uma lição de vida para todo o sempre. Uma luta que nos serve de exemplo.


#8:


THE AVIATOR (2004)
Aquele que muitos consideram ser o melhor filme de Martin Scorcese em mais de uma década.


#7:


 CONTROL (2007)
Sam Riley mergulha fundo na personalidade, no físico e no talento puro que é Ian Curtis.


#6:


BRIGHT STAR (2009)
Despercebido ou desprezado, um romance belíssimo pela mão da mestre Jane Campion.


#5:
 

KINSEY (2004)
Liam Neeson, Laura Linney e Peter Sarsgaard em topo de forma. Alfred Kinsey nunca pareceu tão interessante.


#4:



INTO THE WILD (2007)
Um filme que não deixa ninguém indiferente.


#3:


HUNGER (2008)
Depressivo mas reflexivo, um filme que nos marca.


#2: 


MILK (2008)
Irrepreensivelmente filmado, realizado, editado, extraordinariamente actual e pertinente.


#1:


THE ASSASSINATION OF JESSE JAMES BY THE COWARD ROBERT FORD (2007)
Uma eulogia lindíssima, uma dedicatória fabulosa a um dos maiores fora-da-lei do seu tempo.



E para vocês, quais são os melhores filmes biográficos da década?

Dial P For Popcorn nas iniciativas de outros blogues

Começo este artigo por congratular a nossa blogosfera. Depois dos TCN Blog Awards reunirem imensa gente de todos os cantos do país, depois de criarmos uma espécie de grupo organizado nas redes sociais (Facebook), eis que florescem a grande ritmo várias iniciativas inter-blogues. Somos realmente grandes.

Nós, por cá, temos tentado também entrar um pouco mais nesse campo das colaborações e iniciativas, esperando que os nossos leitores apreciem a opinião e a escrita de outros bloggers e cinéfilos também e tentando também dar a conhecer o nosso blogue a outros bloggers portugueses a quem o nosso nome não lhes é familiar.

É com muito orgulho portanto que aceitamos convites para participar em iniciativas de outros blogues. Depois de já ter mencionado a nossa participação nos Prémios Blockbusters 2010 do Blog Blockbusters, aqui vos deixo mais duas participações nossas que eu recomendo que visitem, não só o nosso artigo mas todos os artigos da iniciativa (valem a pena):


(imagem: cortesia do Split Screen Blog) 
 
  • No Split Screen Blog, para comemorar a estreia de "Tangled" nos cinemas portugueses, uma série de cinéfilos foi convidada a deixar a sua lista dos seus dez filmes Disney favoritos - aqui fica a minha lista.

(imagem: cortesia de Cinema's Challenge Blog)



  • No Cinema's Challenge iniciou-se uma nova rubrica intitulada "Um Grande Actor, Um Último Grande Filme", que envolve que nós escolhamos dois actores de outros tempos e os aplicássemos em papéis do cinema moderno. Cá estão as minhas duas escolhas (Judy Garland em "Chicago"; Montgomery Clift em "Before Sunrise/Before Sunset".
  

Duas iniciativas que vale a pena estreitar. 

Walt Disney, 50 filmes depois - um top diferente do habitual

Para comemorar a estreia de "Tangled", a 50ª longa-metragem dos estúdios Walt Disney, não há melhor sítio a parar que na iniciativa do Split Screen, que encorajou vários bloggers e cinéfilos a deixarem a sua lista dos seus dez filmes preferidos da Disney.



Eu, porém, a continuar na senda musical dos últimos dias (ainda virá mais um artigo a respeito de bandas sonoras mais daqui a pouco), decidi compilar um top consideravelmente diferente: em vez de analisar, classificar, ou listar os cinquenta filmes da Disney por ordem de preferência, vou optar por fazer uma lista.

A minha lista, contudo, não será dos filmes. Será das músicas. Colocando cinco músicas por dia, chegaremos a dia 31 de Dezembro com as minhas cinquenta músicas preferidas do universo Disney.



Primeiro, queria pedir-vos um favor: não julguem a lista nem a levem demasiado a sério. Acaba por ser uma escolha muito pessoal e, quando assim é, é sempre bem feito. Estamos a falar de músicas que nos dizem a todos coisas diferentes, que nos transportam para outro mundo, que nos ensinaram e nos acompanharam ao longo do nosso crescimento. 

Queria pedir-vos ainda outra coisa: que me vão apontando, ao longo dos dias, sugestões de músicas que eu possa talvez ter esquecido e que vocês gostavam que incluísse na lista. Agradecia o máximo de sugestões possíveis (tentem não pensar nas mais óbvias, daquelas que indubitavelmente eu teria na lista).


"AS MINHAS CINQUENTA MÚSICAS DISNEY FAVORITAS"
by Jorge Rodrigues
 

#50-46 | #45-41 | #40-36 | #35-31 | #30-26
#25-21 | #20-16 | #15-11 | #10-6 | #5-1




50."Where Do I Go From Here", POCAHONTAS 2

Uma interpretação portentosa de Bedard transforma o que podia ser mais uma balada entediante numa melodia delicada e harmoniosa que dá início à nova viagem de Pocahontas.

Versão Original:


Versão Portuguesa (voz: Lúcia Moniz):



 
49. "When We're Human", THE PRINCESS AND THE FROG


Se há coisa que THE PRINCESS AND THE FROG se pode orgulhar, é de ser dos contos de fada mais alegres do universo Disney. "When We're Human" marca a passagem para o segundo acto do filme, quando Naveen e Tiana resolvem a sua discórdia e decidem procurar quem os ajude a voltar a ser humanos. O soul e o jazz fundem-se nesta maravilhosa melodia.

Versão Original:


Versão Portuguesa (voz: Nayma, Angélico Vieira, Pedro Pereira): AQUI




48. "Whistle While You Work", SNOW WHITE AND THE SEVEN DWARFS


Uma inspirada canção de trabalho (a quem "Happy Working Song" de ENCHANTED vai buscar muito), dá o mote para uma das melhores cenas da primeira longa-metragem da Disney. Snow White é encantadora, assim como todos os animais que a acompanham.

Versão Original:


Versão Portuguesa do Brasil (a que a minha geração conheceu):





47. "We Are One", THE LION KING 2

Bem melhor em português que em inglês, uma música interessante sobre o espírito familiar e a necessidade dos mais novos construir a sua vida independente dos mais velhos, mas sempre com o seu apoio. Uma bela lição.

Versão Original:


Versão Portuguesa (voz: Telmo Miranda):




46. "God Help The Outcasts", THE HUNCHBACK OF NOTRE DAME

Parece uma música típica dos grandes musicais de outros tempos, uma música mais Broadway que musical Disney, imperial mas ternurenta, frágil mas poderosa, um clamor de desespero que nos trespassa o coração.

Versão Original:


Versão Portuguesa:



Que vos parece isto tudo? Deixem a vossa opinião.

Takeshi Kitano - KIKUJIRO (1999)



Mais uma obra-de-arte. Cada vez mais me convenço que um filme de Takeshi Kitano é sempre um filme marcante, único e incomparável.

Em Kikujiro somos confrontados com uma realidade distinta das relatadas nos dois filmes anteriores sobre os quais vos falei. Takeshi Kitano volta a realizar, escrever e protagonizar mais uma grande história, real e habitual, que aos olhos de muito certamente passará completamente despercebida.


Como já antes referi, Takeshi Kitano é um realizador sem preconceitos, sem falinhas mansas, sem floreados ou rodeios. Não nos conta histórias da carochinha e leva muito a sério o seu espectador. É um realizador que não gosta de perder nem de fazer perder tempo. E em Kikujiro temos mais uma boa prova disso.

O filme conta-nos a história de Masao, um rapaz que vive em Tokyo com a avó. Abandonado pela mãe (que acredita te-lo abandonado para lhe dar uma vida melhor) e órfão do seu pai, vê todos os seus colegas partirem em família para as tão aguardadas férias de verão. É na monotonia dos seus primeiros dias de férias, que decide aproveitar para visitar a sua mãe (que nunca viu a não ser apenas em fotos) em Toyohashi.


Ainda na cidade de Tokyo, e enquanto está a ser assaltado por um grupo de adolescentes, é ajudado por Kikujiro (Takeshi Kitano) e pela sua Mulher (um casal muito amigo da sua avó), que lhe devolvem o dinheiro que lhe iria ser roubado. Ao sabere dos planos do menino, a Sra. Kikujiro obriga o seu marido a acompanhar o rapaz nesta enorme e difícil jornada. Com cinquenta mil yenes partem para uma viagem que tem tudo para não correr como o esperado.

Kikujiro é uma criança em ponto grande, um homem que facilmente se deixa levar pela tentação dos seus vícios. Rapidamente perde todos os yenes que lhe haviam sido entregues pela mulher para os custos da viagem, em ridículas apostas de corridas de ciclistas. Alheio a todo este tipo de contrariedades, Masao segue sempre alegre, não deixando de sonhar com o dia em que verá a sua mãe. Numa espécie de Road-Trip de quem sabe fazer filmes, Takeshi Kitano vai-nos confrontando com algumas surpresas, principalmente no que toca à controversa personagem que desempenha neste filme.



Mais uma vez com uma banda-sonora constituída praticamente por uma única música, que vos aconselho vivamente a ouvir, somos embalados pelo som dos violinos que marcam os momentos mais intensos deste filme. Acho que a escolha é acertada e que é a forma ideal de ter o espectador sempre atento e em sintonía com o filme. Com Takeshi Kitano percebi que, uma banda sonora de uma única melodia, resulta, na grande maioria das vezes, muito melhor do que um conjunto de músicas quase sem relação com a história do filme. Quanto à banda-sonora, volto a atribuir A.


Nota Final: B+

Trailer:



Informação Adicional:
Realização: Takeshi Kitano
Argumento: Takeshi Kitano
Ano: 1999
Duração: 121 minutos

Takeshi Kitano - FIREWORKS (1997)


E em Fireworks, Takeshi Kitano "mostrou as suas garras"! Que filmaço! Desde a intensidade de todas as cenas até pose do próprio Takeshi Kitano (que escreve, realiza e actua como principal personagem) que se caracteriza por se expressar, quase sempre, por pequenos monossílabos imperceptíveis, escondendo um misterioso olhar por detrás dos seus óculos escuros.


Fireworks é um filme que ocorre, durante todo o tempo, em dois espaços temporais distintos que se misturam e envolvem, exigindo a atenção do espectador. No mais antigo, Yoshitaka Nishi (Takeshi Kitano) é parceiro de Horibe (Ren Ohsugi) e ambos são polícias distintos e admirados. Até que Horibe se envolve numa cena de tiroteio e fica paraplégico. Aí, somos transportados para o outro espaço temporal. Neste, ao qual podemos chamar de presente, Nishi já não é polícia e vive para a sua mulher tentando dar alguma luz à vida da mesma, a qual está em grande risco devido a uma doença terminal. Horibe, antes homem de família, é agora um homem abandonado e Nishi, com sentimentos de culpa vai dando-lhe uma mão e tentanto que a sua vida melhore.


Takeshi Kitano percebe os dramas sociais de uma forma tocante e expressa as suas ideias sem rodeios, com uma frieza e uma clarividência que deixam o espectador completamente sentido com os problemas das suas personagens e solidário com as suas dificuldades. Gostei imenso de Fireworks, um drama policial que tantas vezes se repete por esse mundo fora, onde os intervenientes são anónimos que sofrem e lutam em silêncio.


Nota Final: A-

Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Takeshi Kitano
Argumento: Takeshi Kitano
Ano: 1997
Duração: 103 minutos.