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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

Interessados no Capitão Phillips?



Confesso que este segundo trailer me deixou mais intrigado. "Captain Phillips" é, como saberão, um thriller de acção protagonizado por Tom Hanks (duplo vencedor do Óscar de Melhor Actor) e realizado por Paul Greengrass (que realizou um dos meus filmes favoritos da última década, "United 93") que narra a história verídica do capitão Richard Phillips e do assalto ao seu navio por piratas da Somália. 

O filme é distribuído cá em Portugal pela Warner Brothers e chega aos nossos cinemas dia 17 de Outubro.

Previsões Óscares 2013 (I): Actor



MELHOR ACTOR

Falemos agora de melhor actor.  A categoria parece, para já, repleta de potenciais candidatos. A época de festivais deverá ajudar a separar os reais competidores de quem não veio para concorrer a sério. O campo parece promissor, com antigos vencedores, os veteranos, os habitués e o sangue novo à caça do prémio mais ambicionado do planeta. Vamos por partes.

Veteranos


Robert Redford (por "All is Lost" de J.C. Chandor) e Bruce Dern (por "Nebraska" de Alexander Payne) estiveram em destaque no festival de Cannes, tendo mesmo o último vencido o prémio de melhor interpretação masculina do certame. Tudo indica que ambos terão que ser levados a sério para vencer o troféu - tanto um como outro são muito queridos pela indústria e não obstante Dern nunca ter sido nomeado pela Academia apesar da sua longa carreira, Redford - que já tem Óscares (por "Ordinary People") - nunca venceu um Óscar por representação, sendo um dos maiores actores vivos. Uma corrida a dois que promete.


Antigos Vencedores


O duplo vencedor Tom Hanks espera imitar Denzel Washington o ano passado e também ele voltar às nomeações por "Captain Phillips" de Paul Greengrass. Também Forrest Whitaker, que não tem levantado grande entusiasmo na sua carreira depois da sua vitória em 2007, está de volta com "The Butler" de Lee  Daniels. E apesar de não haver grande confiança no projecto - aguardamos notícias de Toronto - Colin Firth é sempre alguém a ter em conta na corrida, desta feita por "The Railway Man".


Os Habitués


No topo da lista de actores com mais prestígio sem Óscar está Leonardo DiCaprio - algo que é inadmissível para alguns. Confesso que é um actor que me é indiferente - e precisa de mostrar novas facetas para levar o prémio. Depois de "Django Unchained" e "The Great Gatsby", esta colaboração mais colorida com Scorsese em "The Wolf of Wall Street" poderá finalmente trazer-lhe sucesso. Outro grande candidato - embora não seja habitual nas cerimónias, tem que ser considerado aqui, até porque já venceu um Óscar, se bem que noutra categoria - é Christian Bale, com duas possibilidades este ano - "American Hustle" de David O. Russell e "Out of the Furnace" de Scott Cooper. Qualquer um dos dois é uma boa aposta. Esperar para ver qual - se algum - será candidato a sério. Depois de ter sido provavelmente o segundo classificado da corrida do ano passado (ou pelo menos gosto de pensar que sim), Joaquin Phoenix volta este ano com mais duas películas: "Her" de Spike Jonze e "The Immigrant" de James Gray. Ambos os filmes parecem completamente desenquadrados com o tipo de filme que a Academia gosta de premiar mas seria qualquer coisa de sensacional se o actor conseguisse nova nomeação (talvez melhor sorte para o ano com "Inherent Vice"?). Depois temos a questão "The Monuments Men", o novo filme de George Clooney, que conta com um largo elenco mas que parece ser presidido pelo próprio ou por Matt Damon. Quando o filme for visto saberemos mais - inclusive se é para ser levado a sério - mas terá um protagonista declarado ou será como "Argo"? Finalmente, outros candidatos a considerar: Hugh Jackman e Jake Gylenhaal ("Prisoners"), Josh Brolin ("Labor Day" e "Oldboy") e Bradley Cooper ("Serena").


Sangue Novo


Quando se fala em sangue novo referimo-nos habitualmente a juventude. Contudo, da faixa etária mais jovem só duas possibilidades surgem à cabeça: Miles Teller por "The Spectacular Now" que não parece ter hipótese nenhuma e Michael B. Jordan, que protagoniza o êxito de Sundance "Fruitvale Station" e que pode alcançar uma nomeação fácil se (e é um grande se) o seu filme encantar o público como encantou a crítica - e os Weinstein fizerem uma campanha forte. No sangue novo quis incluir também gente que nunca foi nomeada (e que nalguns casos já devia ter sido) e que portanto poderá conseguir a primeira nomeação este ano. Falo de Michael Fassbender (por "The Counselor" de Ridley Scott), Chiwetel Elijofor (por "12 Years a Slave" de Steve McQueen), Steve Carell (por "Foxcatcher" de Bennett Miller), Idris Elba (por "Mandela: A Walk to Freedom"), Benedict Cumberbatch (por "The Fifth Estate" de Bill Condon), Oscar Isaac (por "Inside Llewyn Davis" dos irmãos Coen), James McAvoy (há muito à espera de uma nomeação, por "The Disappearance of Eleanor Rigby") e o rejuvenescido Matthew MacConaughey (por "Dallas Buyers Club" de Jean-Marc Vallée). Gostava de pensar que Mads Mikkelsen ("The Hunt") terá alguma hipótese - bem como Paul Rudd e Emile Hirsch ("Prince Avalanche") mas é mais fruto da minha imaginação que outra coisa. E que dizer do enigma Ben Stiller ("The Secret Life of Walter Mitty")?

De qualquer forma, aqui temos uma corrida interessante, com muitos candidatos. Arriscando uma lista de nomeados...


Previsão dos nomeados:
Christian Bale, "American Hustle" ou "Out of the Furnace"
Bruce Dern, "Nebraska"
Leonardo DiCaprio, "The Wolf of Wall Street"
Tom Hanks, "Captain Phillips"
Robert Redford, "All is Lost"


CLOUD ATLAS (2012)



 "CLOUD ATLAS". Uma experiência massiva, composta por seis histórias envolventes e excitantes que juntas passam uma mensagem poderosa sobre a existência da humanidade para lá das suas limitações. Um trabalho superior de composição (realização, edição, fotografia, produção artística, música) a todos os níveis, um argumento fluído e florido, que estabelece inúmeras conexões entre passado e futuro e liga as seis narrativas, e um conjunto magistral de actores que assumem uma verdadeira metamorfose de história para história interpretando os diversos personagens de cada um dos enredos, alterando aspecto facial, raça e até espécie. Um filme que pega na existência de cada um de nós e nos mostra como todos fazemos parte de um plano maior. Uma produção magnífica e titã, com um cuidado especial dedicado a cada frame.


Isto era o que eu gostava de poder dizer sobre "Cloud Atlas". E foi isto que muitos viram no filme. O que eu vi foi um exercício medíocre e banal de pseudo-intelectualismo, em que se trocam noções bacocas de religião, de misticismo, de espiritualidade e filosofia, ao mesmo tempo que se tenta buscar uma falsa pretensão de superioridade (do género "cá está uma mensagem importante; e agora outra; e agora outra; todo o filme são mensagens importantes que vocês não vão perceber mas no final nós dizemos algo como o passado, presente e futuro se interligam e a humanidade existe toda num contínuo e vocês ficam maravilhados" que o filme nunca faz por merecer). O que muitos entendem por visão audaciosa de Tom Twyker (o quanto eu gosto de "Run Lola Run" não compensa investir neste filme) e dos irmãos Wachowski é para mim pura e simples arrogância, auxiliada pelo diálogo mais primitivo possível. Acham que estão a produzir uma obra-prima, bem longe da compreensão de meros humanos, cinéfilos de ocasião, que se juntam de quando em vez para ver um filme e só gostam é de filmes de digestão fácil. Já aconteceu o mesmo com a saga The Matrix. Depois do primeiro filme, só engodo. E parece que os hábitos morrem tarde com os Wachowski (a eles se junta Shyamalan; mas não é justo trazer o nome desse à baila, só porque posso). 


Imaginativo? Transcendente? Digam mais: impressionante, surpreendente. De transcendente só têm Ben Whishaw e Doona Bae, com interpretações bem acima do nível do filme (mereciam mais, bem mais que o Jim Sturgess mascarado de coreano do futuro e o James D'Arcy como amante). Num pormenor lhes dou valor: as sequências conseguem ser todas interessantes e diferentes umas das outras e sim merecem louvores pelo estilo e pela ambição e por o filme nunca ser aborrecido (algo miraculoso, tendo em conta a sua enorme duração), mas a atenção dispersa-se rápido quando aquele ótimo* trabalho de caracterização e maquilhagem - mais o overacting (céus, e que overacting!) vem ao de cima. Halle Berry, por exemplo, tão bela e competente na sequência que protagoniza - em que personifica uma jornalista em investigação nos anos 70 - aparece de forma tão bizarra noutras narrativas. Tom Hanks mascarado de velho profeta (Old Zachary) com a cara toda tatuada? Não? E que tal Tom Hanks numa versão macabra de Mr. T? Não também? Talvez prefiram Tom Hanks versão médico asqueroso num navio no Pacífico no século XIX? E que tal Hugh Grant irmão de Jim Broadbent? Também não? São esquisitos. Tira-me do sério o calibre de actores que esta fita desperdiça (a Susan Sarandon pá, a Susan Sarandon está nisto também!).


Assumo que o livro funcione melhor, livro esse que era considerado impossível de filmar. É confrangedor ver material com tanta potência na mão de gente tão cabeçuda, por isso acredito que muitos prefiram o livro à mesma. Ou melhor, que ele continuasse impossível de filmar. Eu acredito veementemente que no meio desta confusão toda estará um filme coeso e com ideias firmes e bem exploradas, que consiga de alguma forma ligar seis narrativas, abraçando a diversidade de estilos e versatilidade de géneros cinematográficos que tentavam projectar, sem ter de circular a um ritmo frenético e sem nos deixar investir em qualquer uma das seis narrativas (pelo menos eu não o consegui fazer; demasiado errático e histriónico para me deixar sentir qualquer emoção e ligação às personagens). 


Bem, talvez o filme impressione espectadores que vão à procura de menos substância e mais espectáculo. Tenho a certeza que muitos vão adorar o filme. Muitos o irão colocar (como fizeram) na sua lista de melhores do ano. Da mesma forma que "Life of Pi" para mim funcionou e para outros não. Confesso, não sou o público-alvo deste filme mas sei admitir, dou a mão à palmatória, "Cloud Atlas" nesse nível (pelo menos) espanta. É um enorme feito conseguir cumprir uma produção desta magnitude e há coisas aqui a que tenho de dar valor. O problema é quando, no fim, a qualidade não iguala a quantidade. Salva-se a bela banda sonora (lá está, parece o pesadelo do "The Last Airbender" do Shyamalan de novo; e cá estou eu a voltar a chamar à baila o triste do M. Night).

Nota:
C+ (5,5/10)

Informação Adicional:
Realização: Tom Twyker, Lana e Andy Wachowski
Argumento: Tom Twyker, Lana e Andy Wachowski
Elenco: Tom Hanks, Halle Berry, Hugh Grant, Ben Whishaw, Jim Sturgess, Doona Bae, Susan Sarandon, Jim Broadbent, James d'Arcy, Keith David, Hugo Weaving
Fotografia: Frank Griebe, John Toll
Música: Tom Twyker, Johnny Klimek, Reinhold Heil
Ano: 2012


Grandes Melodias do Ecrã (I)



"Streets of Philadelphia" - PHILADELPHIA (1993) - Bruce Springsteen
Vencedor do Óscar para Melhor Canção Original



Alguém tem dúvidas que se este filme e esta música fossem lançados nos últimos dez anos, não só Bruce Springsteen não teria ganho o Óscar como eu aposto bom dinheiro que nem sequer nomeado era? (a prová-lo está a incompreensível falha da Academia em nomear "The Wrestler" em 2007). Tempos loucos.


Uma achega final: por muito mal que eu diga de Tom Hanks, considero esta interpretação dele uma das maiores interpretações de sempre (compensa largamente o meu ódio por "Forrest Gump"). O que não vale ter Jonathan Demme a realizador (ver ainda: Anne Hathaway, Michelle Pfeiffer e Anthony Hopkins).