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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

Para um calendário de TV mais salutar (I)



Pessoal, pelo meio de tanto artigo de cinema, decidi falar um pouco de televisão. Esta era uma espécie de rubrica em três partes que já queria há muito fazer, porque acredito haver por aí muita gente como eu, que além de bastante cinema consome imensas séries de televisão e mesmo que não vejam muitas séries, padecem seguramente deste sentimento familiar que por vezes me assome chamado: quando abdicar de uma série. 

É um problema sério, este, ainda para mais para quem vê muitas séries como eu. É que se nunca desistirmos de uma série mesmo que ela perca toda a qualidade que lhe reconhecia ("Weeds"), mesmo que ela seja uma sombra do que outrora foi ("Dexter") ou mesmo que a esquizofrenia seja tanta que já não há forma de voltar aos eixos ("Grey's Anatomy", "How I Met Your Mother"), o nosso calendário semanal, com a adição de séries em estreia esta temporada e com séries que descobrimos só agora mas que já andam por aí há alguns anos, fica uma situação um pouco complicada de gerir. Para isso cá estou, meus caros, para vos dar a minha opinião e para vos mostrar as decisões difíceis que fiz este ano em prol de limpar o meu próprio calendário, por assim dizer.

Comecemos então pelo início (como convém): quais das novas estreias devemos aproveitar?

Um bom ponto de partida é este magnífico quadro montado pelos especialistas em televisão do TVDependente (confiem que é uma grande ajuda para quem não quer espreitar os 30-40 pilotos que aparecem a cada temporada, para separar o trigo do joio e dar-nos margem suficiente de escolha), que ainda por cima é actualizado praticamente todas as semanas.

Para ordenar as coisas de forma mais simples, colocaria as novas estreias debaixo destes quatro tópicos:

GARANTIA DE QUALIDADE
"Last Resort"
"Nashville"
"Go On"


As únicas três pelas quais eu ponho as mãos no fogo. "Nashville" e "Last Resort" já deu logo para ver pelo piloto que são excelentes, têm continuado com qualidade e têm assegurado o apoio da ABC com a encomenda de mais episódios para ambas. "Go On" está a ter as melhores audiências da NBC para uma comédia em não sei quanto tempo e não é por causa de Matthew Perry (que já afundou duas séries, lembrem-se, uma inclusive na ABC na meia-hora pós-"Modern Family"), parece um tema já muito visto por aí e que até serve de base a outras séries (nota-se uma vibe de "Community", por exemplo) mas penso que é bom termos uma série de comédia que lide com temas mais sérios, mais profundos. A ver se a audiência continua para além deste ano.

SEM RESERVAS
"The Mindy Project"
"Elementary"


O meu problema com "The Mindy Project" é que adoro a Mindy Kalling mas nota-se que se está a tentar esforçar a mais para ser uma coisa que não é. Dos episódios já lançados, nota-se que sucede mais nuns que outros. Ainda assim e pese uma queda abrupta nas audiências, pelo menos esta temporada há-de ter. "Elementary" está de parabéns, é mais um procedural de qualidade da CBS com uns toques extra de boa escrita e boa representação (não chega ao patamar de excelência de "The Good Wife" mas é um bom exemplo do que a CBS sabe fazer com qualidade) e claro, optou por logo de início fugir a toda e qualquer comparação com a britânica "Sherlock" de Steven Moffat. Pontos bónus por isso. Aliás, pontos bónus extra por me fazer finalmente gostar do Johnny Lee Miller nalguma coisa!

GUARDO ALGUMAS PRECAUÇÕES
"Partners"
"The New Normal"
"Arrow"


Na verdade, só guardo precauções acerca de "Arrow" porque é da CW, mais nada. Parece entretenimento de qualidade e isso muitas vezes basta (e é muito melhor do que as ofertas habituais que vêm daquele canal). "Partners" está a tentar tanto mas tanto esticar o humor de "Will & Grace" de novo, mas meninos embora Michael Urie não perca nada para Sean Hayes, David Krumholtz não é Eric McCormack e não há uma Megan Mullally que vos safe (nem quero pegar na comparação Sophia Bush/Debra Messing senão choro!). Kohan e Mutchnick têm-se portado melhor depois do piloto (também era difícil, aquele piloto é horrendo, ao nível do piloto de "30 Rock" ou "The Big Bang Theory" em falta de piada) mas têm que subir o nível. Finalmente, onde começar com "The New Normal"? Ryan Murphy parece ter aperfeiçoado o estereótipo Sue Sylvester: a avô/Ellen Barkin é de longe a melhor parte da série. O casal gay mais a miúda tiram-me do sério. E claro, a escrita de Murphy e companhia fazem-me subir paredes. A série é divertida graças aos actores, mas as personagens são todas do além, seguramente, não existem neste mundo e as lições morais que tenta passar todo o santo episódio... Ryan, queres dar sermões, vira padre.

A RESPONSABILIDADE É VOSSA
"666 Park Avenue"
"Revolution"
"Vegas"
"Chicago Fire"
"Neighbours"


Nesta categoria estão as séries em que não passei do piloto. Com boa razão, garanto-vos. "Vegas" prometia tanto e desiludiu-me imenso. Como não sou homem de desistir à primeira, vou-lhe dar nova hipótese... Desde que a CBS não a cancele. O que, neste momento, me parece muito provável. Estoirar quase 10 milhões de audiência vindos do combinado "NCIS/NCIS: L.A." está ao alcance de poucos naquela estação. Até "CSI" e "The Mentalist" fizeram melhor. "The Mentalist"! "Revolution" tem tido das melhores audiências do ano (de novo, tal como com "Go On", estamos a falar da NBC portanto é quase milagroso este acontecimento) mas de história aquilo tem zero. Não me convenceu e não estou disposto a voltar atrás. O mesmo digo de "Chicago Fire", achei que Dick Wolf tinha evoluído alguma coisa desde os saudosos tempos de "Law and Order". Infelizmente, isso não aconteceu. Para ver drama de bombeiros, pego em episódios antigos de "Rescue Me", thank you very much. E por fim: "666 Park Avenue". O melhor elogio que lhe posso fazer é ela não ser tão in your face como "American Horror Story". Quem me conhece sabe do meu ódio por essa série (mini-série, desculpem) da FX. Para infortúnio de "666", ainda odeio mais esta nova série da ABC. Que desperdício do talento de Terry O'Quinn e Vanessa Williams. A Rachael Taylor e o Dave Annable, contudo, merecem. Credo, nunca vi tanta falta de jeito para representar. Já me tinha esquecido dos ataques psicóticos que o Justin Walker me dava no "Brothers and Sisters". Ah, saudades. Ou não.

A CAMINHO DO CANCELAMENTO
"Ben and Kate"
"Emily Owens, M.D."
"The Mob Doctor"
"Guys with Kids"
"Beauty and the Beast"


Lamento profusamente incluir aqui "Ben and Kate" mas uma série em horário nobre de luxo que me saca 0.9 de rating na demográfica-alvo e 3 milhões de audiências no geral na FOX, depois de "Raising Hope" e antes de "New Girl", não vai ter bom fim. E tenho pena, porque gosto bastante da série. Contudo, se a única forma de "Ben and Kate" se salvar é a FOX cancelar a outra série com números miseráveis que tem no canal, portanto a escolha sendo entre esta e "Raising Hope", peço desculpa, mas que fique a família Chance. O mais certo é as duas desaparecerem no próximo Outono. O resto não tenho pena nenhuma se for cancelado. Ainda me há a Mamie Gummer de explicar que raio a filha de uma senhora chamada Meryl Streep está a fazer a protagonizar uma "Grey's Anatomy" light na CW. "Guys with Kids" é horrendo, a NBC estava drogada quando aprovou a série. "Beauty and the Beast"... Bem, é mesmo série da CW, não há hipótese. "The Mob Doctor"... A próxima a juntar-se aos projectos com enorme sucesso da FOX como "Alcatraz", "Terra Nova" ou "The Chicago Code".

ENTRETANTO JÁ CANCELADAS
"Made in Jersey"
"Animal Practice"


Palmas a quem na NBC aprovou "Animal Practice". Deviam ter andado a espreitar demasiados episódios de "Episodes" (quem segue a série, percebe a piada). "Made in Jersey" não tinha maus números, mas quem segue o trabalho da CBS e de Nina Tassler sabe a exemplaridade na hora de assegurar o melhor funcionamento do calendário do canal. Não estava a funcionar, a resposta era medíocre, toca a cancelar que temos outras opções. Simples e fácil. Fox, ABC, aprendam. NBC... Um dia. Um dia.


Pronto. Isto tudo dito... Fiquei então no meu calendário para esta temporada com "Nashville", "Last Resort", "The Mindy Project", "Go On" e "Elementary". Vou espreitar "Ben and Kate" à espera de notícias de cancelamento e possivelmente, se tiver tempo, vou seguir "Partners" e, porque sou masoquista, talvez "The New Normal".

Amanhã trago-vos a parte 2, em que falo das séries de que não prescindo do meu calendário.

E vocês, que escolhas fizeram no vosso calendário quanto a novas séries?