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DIAL P FOR POPCORN

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O Rei e as Redes Sociais



Era para ter escrito há mais dias uma simples retrospectiva (se é isso que procuram, recomendo esta, esta e esta - e em particular esta que antecedeu os Óscares; quanto a críticas do espectáculo em si podem optar por aqui ou ali), nada de muito especial, em torno da mais recente cerimónia dos Óscares. Não sei porquê - talvez antecipando algumas reacções à minha crítica do THE KING'S SPEECH, talvez porque já sabia o frenesim que seria nos mídia a quererem comparar esse com THE SOCIAL NETWORK - mas preferi adiar por mais alguns dias o meu veredicto. E curioso é que este artigo que abaixo vos deixo é tudo menos uma retrospectiva (essa deixarei possivelmente para o retorno dessa mesma rubrica dentro de um mês). É um genuíno artigo de opinião. Porque me parece necessário. Porque estou farto de ver THE KING'S SPEECH e THE SOCIAL NETWORK lado a lado, numa luta sem fim. Porque o 2010 cinematográfico tem de ser enterrado e eu tenho de encontrar paz com a decisão da Academia. Porque acho que não falei do quanto eu gosto de THE SOCIAL NETWORK por aqui. Porque acho que metade das críticas que um e outro filme têm recebido são inteiramente injustas.

Vamos aos factos, primeiro que tudo: o que tivemos no passado domingo foi uma verdadeira chapada nos críticos no retorno à tradição. Um novo recorde para os livros da História. THE SOCIAL NETWORK ultrapassou a centena de prémios de críticos e fica para a história como o filme que mais prémios venceu sem conseguir levar também o Óscar. Fica para a história como o primeiro filme que os críticos unanimemente apoiaram (também tenho já a dizer: inexplicavelmente; existiram mais que dois grandes filmes este ano, sim?), a somar aos Globos e ao sempre estranhíssimos NBR, que os dois grandes indicadores do pulso da corrida aos Óscares - DGA e PGA - recusaram - tendência depois confirmada pela vitória óbvia de THE KING'S SPEECH nos SAG e nos BAFTA e nos Óscares.

 
Para este entusiasta dos Óscares, foi um dia triste. Nem precisava eu de ter dito no meu live blog o que achava desse erro - Steven Spielberg expressou-o melhor do que eu, ao desculpabilizar a Academia não só desta como de outras decisões igualmente polémicas: disse ele que mesmo os filmes que não vencessem estariam em boa companhia, nomeadamente a de CITIZEN KANE (que perdeu Melhor Filme para HOW GREEN WAS MY VALLEY), de BROKEBACK MOUNTAIN (que perdeu para CRASH), de NETWORK (que perdeu para ROCKY) e RAGING BULL (que perdeu para ORDINARY PEOPLE) - interessante que esqueceu outros companheiros como SEABISCUIT, THE BLIND SIDE e CHOCOLAT, mas nem vamos pegar nesses sob risco de ficar já enojado.


THE KING'S SPEECH é um filme que as pessoas gostam agora - amam até. É verdade. E por mim tudo bem. Não sou nada contra que as pessoas gostem do filme. Eu também gostei muito, como se vê pela minha crítica. O que temo é que, tal como no caso de SLUMDOG MILLIONAIRE, ou de GLADIATOR, ou de CHARIOTS OF FIRE, de ROCKY, de BRAVEHEART e de DANCES WITH WOLVES e dos supra-mencionados CRASH E ORDINARY PEOPLE, o tempo não lhe vá fazer justiça. Todos estes foram grandes filmes na sua altura, sem dúvida. Mas agora? Largamente esquecidos. Quase espanta alguém se lhe dissermos que todos estes venceram Melhor Filme. E eu lamento mas tenho quase a certeza absoluta que é assim que THE KING'S SPEECH vai ser lembrado.


Como um espaço em branco, como uma questão para a qual ninguém tem resposta, como um apagão colectivo da memória da Academia. É um grande filme agora? É. Será dentro de alguns anos? Não. 




Quanto a THE SOCIAL NETWORK... O tempo ser-lhe-á mais generoso. Será um exemplo perfeito de um filme com todos os elementos em igual nível de qualidade, todos a trabalhar juntos para criar uma extraordinária obra-prima. É o que acontece quando se junta um excelente realizador com excelentes editores, com excelentes compositores, com excelentes técnicos de som, excelente fotógrafo e um excelente argumentista - e arranjam um excelente elenco para interpretar e dar vida a papéis que nada têm a ver com os habituais estereótipos cinematográficos. Aqui temos um anti-herói a alcançar sucesso, um tipo simpático que é atraiçoado sem nada o fazer prever e um oportunista que vê em outros a possibilidade de poder ver a sua história de sucesso repetir-se. Não tenho qualquer dúvida que este será, dos dois, o filme mais lembrado.


Fora deste dueto, penso que teremos indubitavelmente mais filmes de 2010 que serão para sempre lembrados: TOY STORY 3 veio terminar uma época de ouro da Pixar em grande, encerrando a sua grande franchise com nota altíssima e com um filme tão ou mais amado que os seus dois antecessores. TRUE GRIT é mais um filme fabuloso a adicionar à riquíssima filmografia dos irmãos Coen. INCEPTION foi, diga-se, uma aposta bem ganha de Christopher Nolan, que se tornou, quase do dia para a noite, no realizador favorito do mundo. Os seus (poucos) detractores são imediatamente silenciados pelos inúmeros seguidores, devotos e fãs. BLACK SWAN e THE FIGHTER foram os passos que Darren Aronofsky e David O. Russell, respectivamente, precisavam para avançar na sua carreira. Filmes brilhantes, sólidos e interessantes, provaram o talento dos seus intérpretes e ao mesmo tempo do seu realizador mesmo com vários estúdios e distribuidoras a voltarem-lhes as costas. Tenho plena convicção que estes cinco filmes serão mais lembrados dentro de uma década que THE KING'S SPEECH. Plena convicção.




Voltando ao nosso dueto... Há que conhecer que desde que o projecto THE KING'S SPEECH foi anunciado que se sentiu que era inevitável que fosse esse o nosso vencedor de Melhor Filme deste ano (e como se viu também seria o veículo óptimo para Firth vencer o Óscar; só uma nota de rodapé: quantos anos se podem orgulhar de terem quatro interpretações tão boas a vencer? Não muitos...). E quando vimos o resultado final... Restou-nos ao menos contentarmo-nos com o facto de o filme ser muito melhor do que prometia. Não é inovador, não é original, não é nada que o cinema não tenha visto, não contribui por isso em nada para a história do cinema. É um bom filme, bem realizado, bem produzido, bem encenado e bem executado. Pode ser o filme favorito de muitas pessoas e, como disse na minha crítica, entende-se porquê. É uma história honesta e sincera de amor e amizade, de superação das dificuldades e da aceitação de si próprio. 

O engraçado é que a corrida - enquanto foi comandada pelos críticos - fugiu do controlo do Rei e caiu para o lado do plebeu. THE SOCIAL NETWORK foi amealhando prémio atrás de prémio e a tendência dos Oscarologistas, críticos e bloggers de cinema como eu próprio foi de pensar que pelo quarto ano consecutivo teríamos forte presença da opinião crítica nas decisões da Academia. Tristes de nós por pensarmos que temos alguma influência a esse nível. Contudo, as escolhas da Academia nos últimos anos foram realmente algo fora do comum. Algum dia há 20 anos a Academia teria optado por um filme de gangsters sombrio e desprovido de qualquer emoção e pulso, mesmo tendo ele sido realizado por Martin Scorcese (THE DEPARTED)? Por acaso alguém acha mesmo que há 20 anos a Academia teria entregue o prémio a um favorito da audiência, um feel good movie, produzido integralmente no estrangeiro e que havia começado a coleccionar prémios aqui e ali? E ainda por cima dar a SLUMDOG MILLIONAIRE oito (!) Óscares no total? E que tal a escolha de THE HURT LOCKER, um filme de guerra extremamente nada convencional e ainda por cima realizado por uma mulher, produzido com um orçamento reduzidíssimo? E a de NO COUNTRY FOR OLD MEN, um dos filmes mais estranhos da filmografia dos irmãos Coen, que não são também propriamente os melhores amigos da Academia? Num ano em que eles podiam perfeitamente ter caído no confortável e dar o prémio a mais um filme britânico que fez tudo bem (ATONEMENT) ou à surpresa indie do ano (JUNO)? Ou premiar uma obra-prima classicamente americana (THERE WILL BE BLOOD)?  Temos portanto três filmes profundamente depressivos sem final feliz e uma história sem uma mensagem directa e, claro, o "tubarão escondido" que era SLUMDOG MILLIONAIRE (cuja vitória, desde Setembro de 2008, nunca foi posta em causa). A única coisa que todos tinham em comum? Os seus realizadores, no topo da sua forma e a ganhar o tipo de respeito que normalmente augura prémios maiores. E é claro que com tantas boas decisões consecutivas, nós - os críticos - comecemos a sonhar que a Academia tenha mudado de gosto e opinião e tenha passado a escutar mais os críticos. 


É engraçado que no ano em que os críticos finalmente começam a parar de ter que pensar como a Academia para prever os vencedores dos Óscares, a Academia tenha decidido voltar aos hábitos antigos. Tinha de vir este THE KING'S SPEECH para nos provar o contrário. Afinal, a Academia ainda gosta de recorrer ao confortável e familiar de vez em quando. THE KING'S SPEECH é o típico filme britânico com actores consagrados que venceria mais de uma meia dúzia de Óscares seja hoje, seja há dez, vinte, cinquenta ou oitenta anos atrás. É um filme feito para ganhar Óscares e é exactamente isso que fez. Ainda assim, a corrida não lhe foi assim tão simpática como pode parecer. Sim, ganhou quatro Óscares, incluindo Filme, Realizador e Argumento. Todavia, perdeu o dobro. Oito. Entre esses oito perdeu dois que é um descaramento que não tenha vencido - Direcção Artística e Guarda-Roupa. E entre os quatro que ganhou há um que me tira mesmo do sério: Melhor Realizador.

Teremos que voltar a 2005-2006 e ao meu "ano negro" ou a 2002-2003 ou 1998-1999 para encontrar um precedente que se assemelhe a este. Estes foram anos em que aquele que era percebido como o favorito à vitória para Melhor Filme descarrilou e deixou fugir a vitória para outro. Ainda assim, nestes três casos, o realizador conceituado (que como falei acima era o critério major pelo qual se vinham pautando os últimos anos da Academia) acabou por vencer o prémio: Spielberg bateu Madden em 1998, Lee bateu Haggis em 2005 e Polanski bateu Marshall em 2002. Os novatos podiam levar Melhor Filme mas o Melhor Realizador ia para os grandes homens do leme. Então que raio se passou este ano?

O melhor ano para encontrar comparações com este é 2004-2005. Martin Scorcese, que nunca tinha vencido o prémio de Melhor Realizador apesar de ter uma carreira de mais de trinta anos de sucessivos grandes filmes, era mais do que favorito para vencer por THE AVIATOR... Até que Clint Eastwood chegou e ganhou os troféus principais para MILLION DOLLAR BABY, um filme que surgiu do nada e ao nada voltou. Não estou sequer a efectuar uma comparação entre Hooper e Eastwood - são de duas ligas diferentes. O exemplo que quis dar diz respeito a Scorcese/Fincher. Dois realizador largamente considerados favoritos à vitória, que toda a gente achava que venceriam mesmo que o seu filme perdesse. E perderam os dois. Esta derrota de Fincher é inexplicável - não dá sequer para colocar ao mesmo nível o que Fincher fez em THE SOCIAL NETWORK e o que Hooper fez em THE KING'S SPEECH. Qualquer um filmava THE KING'S SPEECH como Hooper o fez - até ele reconhece que é melhor director de actores que realizador. Ninguém - e repito ninguém - filmava THE SOCIAL NETWORK como David Fincher. Incompreensível. Valeu as vitórias mais do que merecidas em Edição, Banda Sonora e Argumento Adaptado para me aliviar a dor que a Academia me causou este ano.




Foi o ano que mais me custou assistir à cerimónia. Foi o ano que mais mágoa me deu o resultado final. E por muito mais que THE SOCIAL NETWORK fosse o meu favorito e o meu filme preferido do ano, eu lhe dedicaria à mesma todos os elogios que aqui lhe deixei. O facto de ele ser o meu favorito só piora mais as coisas. No fim de contas e como Sasha Stone diz, "o truque é não nos importarmos". No final do dia, os Óscares, tal como tudo que envolva escolhas, é uma decisão pessoal. E se para eles THE KING'S SPEECH é o melhor, que seja. Não o é para mim e isso é que conta.




Quanto a 2010... Pese algumas críticas deste ano ainda para publicar, considerem Óscares assunto encerrado cá no blogue, pelo menos por uns tempos. Venha 2011.





THE KING'S SPEECH (2010)





“If I am King, where is my power? […] They think that when I speak, I speak for them.”

THE KING’S SPEECH acabou por se tornar, sem querer, no filme que mais me custou falar desta temporada de prémios (daí ter adiado esta crítica por tanto tempo; é-me muito difícil abordar este filme sem ser tendenciosamente malicioso). Transformado num vilão tão pouco convencional, um filme que até apreciei bastante – não tanto quanto outros, já francamente mencionados de novo e de novo aqui pelo blogue, como já sabeis – que, por ser tudo aquilo que é, acaba por ser o inevitável vencedor da maior noite do ano, os Óscares e roubar essa distinção ao filme que além de me ter enriquecido mais este ano, mais intelectualmente significativo, mais exemplarmente executado, com maior potencial para ser considerado o “nosso” clássico moderno e que mais requisitos tem para ser um dos clássicos eternos da história do cinema, THE SOCIAL NETWORK. Funciona como THE BLIND SIDE no sentido que defende e parte dos mesmos temas e situações e porque o contributo cinematográfico que dá é quase nulo; é no entanto bem diferente deste porque a produção e o elenco em jogo são de todo um outro nível.

 
E digo que era um vencedor inevitável porquê? Porque THE KING’S SPEECH é aquilo que é – uma película honesta, directa e sincera sobre o valor da amizade e sobre a forma como esta pode surgir das circunstâncias mais imprevisíveis. Sobre o valor do triunfo sobre a adversidade e a desadequação. Sobre o que é estar na mó de baixo e reerguer-se. É um tema que diz respeito a todos nós, que a cada um despertará emoções e sentimentos diferentes, é reconfortante, é familiar, é afável e agradável e depois de o vermos sentimo-nos melhores pessoas. É verdade. É tudo aquilo que a Academia busca para ser um vencedor de Melhor Filme. Uma obra que apele a valores universais, ao poder da Humanidade e à sua capacidade de superação. Se é uma obra-prima? Longe disso. Também não me parece que o tente ser.

 
A cena que mais me diz a mim – de todo o filme – é a cena inicial. THE KING’S SPEECH principia com o discurso do Príncipe Albert – que mais tarde se tornaria Rei George VI (Colin Firth) – na abertura da exposição do Império Britânico no estádio de Wembley. O discurso desastroso é apenas o mais pequeno detalhe em que se repara na cena; os nossos olhos estão mais focados na panóplia de emoções que George demonstra num curto espaço de segundos – a raiva, a tristeza, o medo, a exasperação, o sofrimento, a redenção, uma expressão de completa agonia e miséria – e na expressão facial da sua mulher, aquela que viria a ser Rainha Elizabeth (Helena Bonham-Carter), encobrindo o pior sentimento que uma mulher pode manifestar pelo seu homem, a pena, através de uma falsa simpatia e encorajamento que na realidade escondem a sua revolta por não poder fazer mais por ele senão estar ao seu lado.

 
Elizabeth decide então pôr mãos à obra e procurar os serviços de Lionel Logue (Geoffrey Rush), um australiano que tenta desesperadamente ter o reconhecimento dos britânicos, um homem frustrado pelo seu insucesso como actor, que aplica a sua teatralidade nos exercícios de terapia da fala que realiza com os seus pacientes. O pano de fundo do filme, o que lhe confere textura e ressonância emocional, se quisermos, advêm daqui, da relação entre Logue e George, no início bastante acidentada dada a resistência inicial do Príncipe aos métodos ortodoxos do australiano, que começa a evoluir a partir do momento em que Logue se torna, para George, mais do que o seu médico, o seu confidente, o seu amigo de todas as horas e ambos abandonam as diferenças de hierarquia e poder que existem entre eles.

 
Eu admito que é francamente fácil enquadrar THE KING’S SPEECH como uma história simples mas poderosa de triunfo sobre as adversidades: afinal, é da história de um monarca que teve de ultrapassar um impedimento que o afligia e o inferiorizava para se tornar no líder que a Grã-Bretanha precisava na alvorada da II Guerra Mundial que estamos a falar. O seu discurso final, por tudo isto, seria sempre um agradável propulsor de alegria e êxtase na audiência que assiste ao filme. Que a história se torna muito mais do que isto é de agradecer a David Seidler, que não escrevendo um argumento tão intrinsecamente detalhado como Lisa Cholodenko ou tão imaginativo e complexo como Christopher Nolan ou tão expositivo como Mike Leigh consegue ainda assim pegar no maior desafio da vida deste homem e mostrar-nos que qualquer um de nós, face a algo que nos incomode, tem a obrigação de perceber que está dentro de nós a força para mudar a situação. A equipa de técnicos por detrás do filme está também de parabéns, seja o fotógrafo por optar por planos mais intimistas e profundos do que o que estamos habituados em outros filmes da realeza, seja a direcção artística por se ter divertido com certos cenários, seja o guarda-roupa com pormenores irrepreensivelmente correctos. 

 
E falta falar de Tom Hooper, o realizador que é conhecido por ser, acima de tudo, um mestre de actores. Nota-se aqui. As interpretações de Rush e Firth funcionam como uma só, sendo que me é impossível dissociar o mérito de um e de outro. Firth terá certamente tido o papel mais exigente – numa interpretação meticulosa, controlada, cuidada mas refrescante e sincera, que tem o condão de comunicar e mostrar imenso sem usar palavras – mas não terá sido fácil a Rush diminuir o nível habitual de força e desenfreio que pautam nas suas performances. O elenco secundário (Helena Bonham-Carter, Timothy Spall, Guy Pearce, Eve Best, Claire Bloom e Michael Gambon) também brilha por entre estas duas interpretações, mas são essas duas que essencialmente constroem o filme.

 
THE KING’S SPEECH resume-se, afinal, a isto: a uma relação muito especial entre dois homens, que serve de base a Hooper e a Seidler para nos contar a história de um tempo no passado em que um homem, que viria a tornar-se rei, sofria de uma complicação que o impedia de ser aquilo que dele era esperado. E foi precisa a amizade de outro homem, tão longe em termos nobres dele, para que ele percebesse que ele possuía todas as armas que necessitava para poder ultrapassar tal complicação. É um filme para todos, que agrada a todos, que nos toca e nos comove, que nos faz sentir que o ser humano é extraordinário na forma como encara e supera os desafios que a vida lhe traz.


Nota Final:
B+

Informação Adicional:
Realizador: Tom Hooper
Argumento: David Seidler
Elenco: Geoffrey Rush, Colin Firth, Helena Bonham-Carter, Guy Pearce, Michael Gambom, Claire Bloom, Eve Best, Timothy Spall
Banda Sonora: Alexandre Desplat
Fotografia: Danny Cohen
Ano: 2010

Trailer:

ÓSCARES 2011: Too much. WAY too much.

Se vencer, será talvez o vencedor mais pretensioso da última década. Grita tanto "Óscares!" que até dói. E, que é o que me dá pena, é um filme muito agradável. Mas com isto... não facilita na graciosidade. Ó Harvey Weinstein, era mesmo preciso? Já todos percebemos que regredimos doze anos de novo.

O Ano em Revista: Bandas Sonoras



A nossa Revisão do Ano começa hoje, aqui no DIAL P FOR POPCORN. E decidi começar, como há dias já tinha preconizado, com as Bandas Sonoras (num período menos poético e mais cerebral em que me encontro, música é do que preciso para manter minimamente viva a minha imaginação, o que explica a grande quantidade de artigos desse foro nos últimos tempos).


2010 foi um ano especialmente bom para bandas sonoras. Quase todos os grandes compositores do ramo trabalharam, quase todos entregaram bons trabalhos, uma boa parte deles conseguiu fazer dos melhores da sua carreira; outros que, com uma carreira recheada de êxitos, conseguiram voltar aos bons velhos tempos; e ainda outros que, na sua primeira aventura em composição para filmes, foram um sucesso estrondoso. Tivemos de tudo, este ano.

Depois de 2009 ter sido o ano da Mulher, como muitos o caracterizaram, 2010 foi, para mim, o ano das Bandas Sonoras, mesmo tendo as mulheres feito por merecer de novo o título este ano. Na minha cabeça, este foi um dos melhores anos de sempre nesse aspecto. Deixo-vos ficar, abaixo, com trechos daquelas que são as minhas favoritas composições do ano. Deixo-vos julgar por vós próprios.


L'ILLUSIONISTE, de Sylvain Chomet, foi uma experiência incrível. Não bastava ser um filme animado competente, com uma história inolvidável e compreensivelmente emocional, ainda Chomet tinha de compôr uma das mais lindas (quiçá a melhor) banda sonora do ano. Uma melodia inesquecível, a merecer destaque.


Se dissesse que me apaixonei perdidamente pela banda sonora de John Powell para HOW TO TRAIN YOUR DRAGON, também não estaria a mentir. Mantenho na minha cabeça que é a mais sólida composição musical, que serve na perfeição o filme e o eleva para maiores vôos, conseguindo ser harmoniosa, doce, subtil, imperial e arrepiante, tudo ao mesmo tempo. Mítica. Tal como o filme. Se juntarem a isto a ternurenta "Sticks & Stones" de Jónsi, o vocalista de Sigur Rós... Eu derreto-me.




É fácil desprezar a belíssima composição musical de Hans Zimmer para INCEPTION de Christopher Nolan como um conjunto de arranjos musicais bem feitos que impulsionam os momentos mais vibrantes do filme. É fácil desprezá-lo, sobretudo, porque de Zimmer já é isso que esperamos: uma banda sonora fascinante. O que me surpreende é que ele tenha conseguido manter-se original tanto tempo e, sem dúvida, este reaproveitamento que ele faz de "Je ne regrette rien" é brilhante. É fácil perdermo-nos nas explosões e estrondos sonoros típicos de um produto de Zimmer, mas o que surpreende aqui é de facto o ritmo e a tensão que ele imprime em trechos mais calmos como estes que vos deixo:



Outra banda sonora que me fascinou este ano foi o resultado da colaboração de Trent Reznor e Atticus Ross com David Fincher, para o seu THE SOCIAL NETWORK. Brilhante uso da electrónica, um som potente que se alia ao filme e cria um excelente pano de fundo à história, conferindo-lhe uma coolness e um ar de modernidade que era exactamente o que o filme precisava. Excelente trabalho, resultado espectacular.


Não é propriamente o melhor trabalho de Clint Mansell, mas ainda assim há que lhe dar os parabéns pela magistral interpretação, arranjo e mistura musical que fez com "Swan Lake" de Tchaikovsky para BLACK SWAN de Aronofsky. Que o filme resulte tão bem é testamento da qualidade do trabalho deste duo, juntos desde 2000. Transformou composições já de si virtuosas e graciosas em autênticas obras-primas musicais, com umas reviravoltas pelo meio que as tornam tão únicas, que conferem uma magia especial ao filme, convertendo este "Swan Lake" em particular no mais belo que já se viu.


Confissão (nada) surpreendente: estou mortinho para ver TRUE GRIT, dos irmãos Coen. Primeiro, porque conheço o livro e não acho que o filme de 1969 lhe seja particularmente fiel. Segundo, por causa de Jeff Bridges, Matt Damon e Josh Brolin. Terceiro, porque é um Coen Bros. e deles sai sempre algo interessante de discutir. E em último lugar, por Carter Burwell. Um dos maiores compositores a trabalhar no ramo, hoje em dia. E se o que eu ouvi é alguma indicação, eu diria que este será dos seus melhores trabalhos de sempre. A combinação do seu estilo musical muito próprio e do arranjo musical que fez nestes hinos protestantes resultou em pleno.


Quem me conhece sabe da minha verdadeira admiração por Alexandre Desplat. Acima de tudo, pelo trabalho tão diversificado, tão inspirado, tão peculiar e tão diferente de todos os outros que têm aparecido. Este ano, mais três excelentes bandas sonoras, das quais ressalvo estas duas. THE GHOST WRITER serve o filme de Polanski na perfeição e envolve-nos na trama como nenhuma outra o fez em 2010. Mantém-nos sempre na ponta do assento no cinema, à espera do que se passará a seguir. Uma grande banda sonora para um grande filme.


E como uma só não basta para Desplat, eis que, além de deixar a sua marca própria na franchise de Harry Potter, ainda veio compôr a banda sonora de um dos favoritos a vencer vários Óscares na cerimónia deste ano. A sua banda sonora para THE KING'S SPEECH pode não ser tão sonante nem tão portentosa como para o filme de Polanski, todavia é ainda assim uma bela composição, a aliar o imperial que se impõe a um filme sobre a realeza britânica com o leve e subtil que estabelece um ambiente caloroso e alegre que proporciona pano de fundo ideal à relação central do filme.



E, como seria de esperar, teríamos de chegar a Daft Punk e à magnífica banda sonora que compuseram para TRON: LEGACY. Mesmo que o filme não consiga igualar em qualidade a música, esta incursão do duo francês pelo cinema não pode nunca passar despercebida. Não conheço como se comporta a música dentro do filme, contudo o ritmo pulsante, épico, futurístico desta composição torna-a em algo muito especial e único que nos é apresentado este ano. Para ser saboreado com múltiplas audições.


John Adams é um génio musical. Isso não há dúvida. A sublime combinação da enorme qualidade da sua banda sonora com a fotografia magistral de Yorick Le Saux e a direcção firme de Luca Guadagnino transcendem o ecrã, deixando uma marca inapagável na nossa memória. Tilda Swinton pode ser o principal motivo que leve as pessoas ao cinema para ver I AM LOVE / IO SONO L'AMORE, mas estes três que apontei em cima, sobretudo a banda sonora de Adams, é que fica na nossa memória quando saímos dele. Absolutamente inesquecível. Grandiosa. Maravilhosa.


E temos agora aqui as duas escolhas mais desconhecidas - penso eu - da lista. MONSTERS, de Gareth Edwards, tem dividido as opiniões dos críticos. Eu adorei o filme. O que ficou na retina, sobretudo, além do brilhante resultado final da película, em termos de efeitos visuais e fotografia, quando consideramos o baixíssimo orçamento do filme, foi a monstruosa banda sonora de Jon Hopkins, que funciona em uníssono com a mensagem do filme. Música que nos deixa inquietos, desconfortáveis, mas ao mesmo tempo impressionados e interessados no que se passará a seguir. Excelente complemento ao poderio visual do filme.



Resta-me falar de mais uma das surpresas do ano (bem, em teoria é de 2009, mas só o descobrimos este ano no Ocidente). MOTHER, de Joon-Ho Bong, é todo ele uma impressionante película, com uma interpretação extraordinária de Kim Hye-Ja, contudo foi na banda sonora que a minha cabeça se focou quando vi o filme a primeira vez. Uma banda sonora tão atípica, a fazer-me lembrar a banda sonora de IN THE MOOD FOR LOVE, com uma batida romântica, inflamada, com um ritmo incandescente, melodramática q.b.


Esta revisão não podia, todavia, estar completa sem mencionar estes cinco outros títulos que ficaram comigo durante este ano. Podem não ser as melhores bandas sonoras para os seus filmes (como é o caso de NEVER LET ME GO e THE LAST AIRBENDER, cuja música não combina com o que se vê passar no ecrã), podem não ser o melhor trabalho do seu compositor (como é o caso de LET ME IN, uma excelente banda sonora de Giacchino, que tem passado despercebida no circuito de prémios; ou de TOY STORY 3 e Randy Newman) ou por uma razão ou por outra não constam da minha lista de "melhores" do ano (127 HOURS é uma boa questão; gosto da banda sonora mas há músicas dela que não me impressionam; SOMEWHERE tem uma das minhas bandas sonoras preferidas este ano, mas só um ou dois títulos são-me verdadeiramente queridos - como esta dos The Strokes que escolhi), não posso deixar de singularizar estas bandas sonoras do resto que se ouviu em 2010:



E vocês, que dizem de tudo isto? Terei perdido a cabeça com tanta música?

O ramo Musical da Academia e as Bandas Sonoras




Como já saberão por esta altura, as bandas sonoras originais de "Black Swan" (Clint Mansell), de "The Fighter" (Michael Brooks), de "The Kids Are All Right" e de "True Grit" (ambas de Carter Burwell) foram desqualificadas da corrida ao Óscar de Melhor Banda Sonora Original e teme-se que o mesmo ainda possa suceder com "Inception" (Hans Zimmer), o favorito da corrida e "The Social Network" (Trent Reznor & Atticus Ross).
 

Supostamente, a primeira foi desqualificada por uso excessivo das composições de Tchaikovsky para "Swan Lake", a segunda e a terceira por terem demasiadas canções não-originais e a última por se basear em hinos protestantes. Curioso é que Alexandre Desplat não tenha visto a sua banda sonora para "The King's Speech" desqualificada, quando o seu conteúdo é um reaproveitamento dos concertos para piano de Beethoven.

Isto leva-me à minha primeira pergunta: como é que a Academia acha possível que estas regras do ramo Musical ainda sejam válidas? Segundo a Academia,

"An original score is a substantial body of music that serves as original dramatic underscoring and is written specifically for the motion picture by the submitting composer."

Tudo bem. Mas então alguém que me explique como é que um filme que gira em torno do espectáculo de ballet para o qual Tchaikovsky escreveu "Swan Lake" não use as suas composições? É incrivelmente estúpido. Nem é por Mansell ser candidato de peso (que não o seria de qualquer forma; e o seu trabalho em "Black Swan" nem sequer é dos seus melhores), é pela injustiça de como o ramo Musical analisa esta categoria.

 

Outros casos recentes que me lembre que foram desqualificados: em 2007, a banda sonora de Johnny Greenwood, de longe uma das melhores da década, foi desqualificada por uso excessivo de música que ele não tinha escrito de propósito para o filme. Como se um artista agora fosse só profílico quando está sob contrato. Em 2008, a banda sonora de "The Dark Knight", tal como em 2005 a de "Batman Begins", foram arrumadas da corrida porque  Zimmer e Newton Howard, os responsáveis pelas bandas sonoras, detinham menos de 70% das composições. A decisão foi revogada em 2008, mas a banda sonora foi de qualquer forma ignorada. 

Outra situação curiosa ocorreu o ano passado, com a nomeação de Alexandre Desplat por "Fantastic Mr. Fox" (merecidíssima, apesar de tudo).  Menos de 70% das composições são dele, contudo a banda sonora foi elegível e foi nomeada. Por outro lado, a banda sonora de Karen-O e Carter Burwell para "Where The Wild Things Are", numa situação similar, foi arrumada.


E poderíamos continuar noite dentro a dar este tipo de exemplos. Caso para dizer: o ramo musical da Academia é no mínimo... controverso.

E nem peguemos na categoria de Melhor Canção Original e na regra dos 8,25 de pontuação que me volto a lembrar de 2008 ("O'Saya" é nomeado, "The Wrestler", o favorito, nem isso consegue) e fico doente.

Isto faz-nos perguntar, de facto, se não valerá de novo a pena voltar a fazer renascer a categoria de Melhor Banda Sonora Não-Original - a tal categoria que veio substituir, em conjunto com a Melhor Banda Sonora Original, as agora extintas Melhor Banda Sonora - Dramática e Melhor Banda Sonora - Comédia/Musical.


Bem, com este redesenho da corrida, é provável que esta categoria vá ser um verdadeiro desapontamento este ano, tendo em conta o material potencial e os nomeados que vão provavelmente aparecer no boletim de voto.

Neste momento, eu diria que Reznor e Ross, não sendo eliminados da corrida,  têm grandes possibilidades de ser nomeados (o que, há dois/três meses atrás, dir-se-ia impensável). Juntamente com Zimmer e Desplat (por "The King's Speech"), que devem estar seguros nas suas posições.

Depois temos vários candidatos aos dois últimos lugares, alguns deles terríveis, outros deles brilhantes (mas quase impossíveis de ver concretizados):


PREVISÃO - MELHOR BANDA SONORA ORIGINAL:

Seguros:
Hans Zimmer, INCEPTION
Alexandre Desplat, THE KING'S SPEECH

Prováveis:
Trent Reznor & Atticus Ross, THE SOCIAL NETWORK

Possibilidades Fortes:
A.R. Rahman, 127 HOURS
Rachel Portman, NEVER LET ME GO
Danny Elfman, ALICE IN WONDERLAND
John Powell, HOW TO TRAIN YOUR DRAGON
Alexandre Desplat, THE GHOST WRITER

Improváveis:
Daft Punk, TRON: LEGACY
Alexandre Desplat, HARRY POTTER AND THE DEATHLY HALLOWS, PART 1
James Newton Howard, THE LAST AIRBENDER
Elliot Goldenthal, THE TEMPEST
Jan Kaczmarek, GET LOW
Sylvain Chomet, L'ILLUSIONISTE
Michael Giacchino, LET ME IN
Gustavo Santaolalla, BIUTIFUL


Adorava que a Academia estivesse em dia inspirado e lhe saísse um THE GHOST WRITER e um HOW TO TRAIN YOUR DRAGON. Já nem digo TRON: LEGACY porque isso é (quase) impossível. Infelizmente, acho que o combo Portman/Elfman/Rahman é demasiado irresistível para recusarem e portanto dois deles voltarão ao Kodak Theatre.


Enfim. E agora perguntarem-me: quais os teus nomeados, se pudesses escolher?
Bem... Como toda a gente sabe, eu sou fanático por bandas sonoras. Mesmo. Fanático.  E escolher cinco nomeados é muito complicado. Nos meus prémios eu tenho dez. Cinco originais e cinco não-originais (adaptadas, se quiserem). Todavia, como este artigo já está grandito e eu ainda quero falar um pouco sobre isto, vou continuar este tópico noutra vez, contribuindo (ainda mais) para a proliferação musical que este blogue tem experienciado nos últimos dias.



Globos de Ouro 2011 - Comentários às Nomeações (Cinema)

Depois de revelados os nomeados, depois de ponderar neles, é tempo de fazer a minha apreciação. Peço desculpa por ter demorado tanto tempo, mas mais vale tarde que nunca.

Começamos pelas categorias de CINEMA:




Melhor Filme - Drama
BLACK SWAN
THE FIGHTER
INCEPTION
THE KING'S SPEECH
THE SOCIAL NETWORK

Comentário: Não há dúvida que são os títulos mais fortes e sonantes da temporada. A grande surpresa tem vindo mesmo a ser o forte pedigree de "Black Swan" para prémios, coisa que não adivinhava possível. Outra coisa que me surpreendeu foi a tripla nomeação de "127 Hours" noutras categorias, mas a sua ausência aqui e em Melhor Realizador. Foi estranho. E ficou, de resto, comprovado que "Inception" acabará por ser nomeado para Melhor Filme.

Vencedor: Um duelo a dois, possivelmente três ("Black Swan"): o factor coolness ("The Social Network" conta ainda com um bónus: Fincher merece há muito tempo vencer prémios) contra o factor história ("The King's Speech" é o típico filme que antigamente ganhava imensos prémios). Pelo menos nos Globos de Ouro, penso que ganha "The Social Network".

Melhor Actriz - Drama
Halle Berry em FRANKIE AND ALICE
Nicole Kidman em RABBIT HOLE
Jennifer Lawrence em WINTER'S BONE
Natalie Portman em BLACK SWAN
Michelle Williams em BLUE VALENTINE




Melhor Actor - Drama
Jesse Eisenberg em THE SOCIAL NETWORK
Colin Firth em THE KING'S SPEECH
James Franco em 127 HOURS
Ryan Gosling em BLUE VALENTINE
Mark Wahlberg em THE FIGHTER

Comentário: Diz muito da interpretação de Jennifer Lawrence o facto de em todos os prémios de críticos e depois nos Globos e nos SAG ela aparecer nomeada. Relembre-se, algo que em Novembro era tido apenas como possibilidade. As voltas que a corrida dá. Que a tantas anda que já tem quatro nomeadas consolidadíssimas, três delas aqui nomeadas em Drama: Nicole Kidman, Natalie Portman e a supra-mencionada Jennifer Lawrence. A partir daqui, temos várias hipóteses para ocupar o último lugar em branco e eu, admiravelmente, apoio a escolha dos Globos de Ouro: Michelle Williams. Esperemos que sim. Na categoria de Actor - Drama, também temos os mais que nomeadíssimos Firth e Franco, acompanhados  surpreendentemente também em todos os prémios até agora com nomeados revelados por Jesse Eisenberg (que eu julguei que iria ter uma difícil caminhada para a nomeação) e as outras duas escolhas dos Globos vão ter que lutar com Jeff Bridges e Robert Duvall pelos dois lugares que faltam. Sem dúvida que estas duas categorias são excelentes e poderiam repetir-se nos Óscares (trocando Berry por Bening, obviamente).

Vencedor: Não duvido nada que Natalie Portman e Colin Firth juntem o Globo aos inúmeros prémios que vêm vencendo.




Melhor Filme - Musical ou Comédia
ALICE IN WONDERLAND
BURLESQUE
THE KIDS ARE ALL RIGHT
RED
THE TOURIST

Comentário: Esta categoria - ou melhor, estas categorias - de Comédia/Musical são uma bela comédia. Será que podiam ficar pior? Não me parece. De roçar o ridículo, a ponto de dar a ideia que o júri só viu "The Kids Are All Right" e votou nos restantes pelos nomes ligados aos projectos. Só assim é que se explica termos numa categoria de Comédia três nomeados que não são comédias. É que desculpem lá mas "Red", "The Tourist" e "Alice in Wonderland" não são comédias. Nem muito menos musicais. Eu estava a prever que algo semelhante acontecesse, mas nunca previ tão má situação. E é que se eu achasse que eles não sabem votar... Mas quem vê os nomeados de 2008 e os de 2010 fica perplexo ao ver a comparação. Digo mais: consigo, assim de cabeça, nomear dez filmes que ficariam melhores nesta categoria que estes três escolhidos: "Greenberg", "Kick-Ass", "Easy A", "Made in Dagenham", "Four Lions", "Scott Pilgrim vs. the World", "Somewhere", "Morning Glory", "How Do You Know" e até o (supostamente) paupérrimo "Love and Other Drugs". Enfim.

Vencedor: Será um escândalo de épicas proporções se não virmos "The Kids Are All Right" levar embora o prémio.

Melhor Actriz - Musical ou Comédia
Annette Bening em THE KIDS ARE ALL RIGHT
Anne Hathaway em LOVE AND OTHER DRUGS
Angelina Jolie em THE TOURIST
Julianne Moore em THE KIDS ARE ALL RIGHT
Emma Stone em EASY A




Melhor Actor - Musical ou Comédia
Johnny Depp em ALICE IN WONDERLAND
Johnny Depp em THE TOURIST
Paul Giamatti em BARNEY'S VERSION
Jake Gyllenhaal em LOVE AND OTHER DRUGS
Kevin Spacey em CASINO JACK

Comentário: Nomear pessoas só pelo nome e star power é o que está a dar. Só assim se explica as nomeações de Angelina Jolie e Johnny Depp (este com dupla nomeação) a comungar com as nomeações dos seus filmes para Melhor Filme, "The Tourist" e (no caso de Depp) também "Alice in Wonderland". Uma desgraça. Curioso ainda que Gylenhaal e Hathaway tenham conseguido a nomeação mas o seu filme - que pelo menos é uma comédia - não. Mais uma evidência para o voto pelo nome, como já referi. A surpresa positiva: Emma Stone. Cá está o teu cartão de visita para a A-List. E foi um "Easy A". De resto, duas categorias mesmo fracas. Então não podiam ter poupado (pelo menos) uma nomeação de Depp e dá-la, sei lá, a Downey Jr, a Duvall, a Carrey, a Bateman, a Johnson... Sei lá, alguém. Qualquer coisa seria mais inspirada que isto.

Vencedor: Em termos de Actriz, Annette Bening deve ter isto no papo. Quanto a Actor... Lamento em afirmar, mas possivelmente teremos de engolir um sapo com a vitória de Johnny Depp por "Alice in Wonderland". Espero estar enganado.



Melhor Actriz Secundária
Amy Adams em THE FIGHTER
Helena Bonham Carter em THE KING'S SPEECH
Mila Kunis em BLACK SWAN
Melissa Leo em THE FIGHTER
Jacki Weaver em ANIMAL KINGDOM

Comentário: É um excelente sinal que Jacki Weaver tenha conseguido esta nomeação (ainda para mais com o que depois se passou nos SAG). Mila Kunis continua a vencer prémios por um papel que, parece-me, é bastante reduzido. Ainda para aí gente a mais a pensar com outras "cabeças". Adams, Bonham-Carter e Leo a confirmar indicações de que seriam as principais favoritas ao troféu e potencialmente serão nomeadas já carimbadas para os Óscares, não se sabendo é quem as acompanha. Para já, são estas duas senhoras (Weaver e Kunis) mais Hailee Steinfeld que têm a vantagem.

Vencedor: Pode ir para qualquer lado neste duelo a três. Cada uma tem apelos diferentes: uma distinção importante numa carreira em crescendo (Leo), um prémio a fazer relembrar bons velhos tempos (Bonham-Carter) ou a coroação de uma das actrizes mais cotadas em Hollywood no momento (Adams). A combinação de factores, para já, previlegia Melissa Leo.



Melhor Actor Secundário
Christian Bale em THE FIGHTER
Michael Douglas em WALL STREET: MONEY NEVER SLEEPS
Andrew Garfield em THE SOCIAL NETWORK
Jeremy Renner em THE TOWN
Geoffrey Rush em THE KING'S SPEECH

Comentário: Também aqui, aparte a "surpresa" Michael Douglas, nada de admirar. Quatro nomeados em potência, dois deles assegurados (Rush e Bale) e dois deles no bom caminho (Garfield e Renner). O último lugar deverá ser pertença de um destes cinco senhores: Bill Murray, Mark Ruffalo, Matt Damon, John Hawkes ou Ed Harris.

Vencedor: O início do ano adivinhava este confronto e de facto cá o temos: Bale vs Rush. A história diria Rush, mas as circunstâncias dão a vantagem a Christian Bale.


Melhor Realizador
Darren Aronofsky por BLACK SWAN
David Fincher por THE SOCIAL NETWORK
Tom Hooper por THE KING'S SPEECH
Christopher Nolan por INCEPTION
David O. Russell por THE FIGHTER

Comentário: Espera-se que todos os cinco repitam nos Óscares, com os quatro primeiros, à partida, confirmadíssimos de certeza no envelope. O quinto nomeado começa a desenhar-se com o nome de David O'Russell, mas ainda não devemos excluir, para já, senhores como Joel & Ethan Coen ou Danny Boyle.

Vencedor: Não me parece que haja volta a dar ao texto: é de David Fincher este troféu.

Melhor Argumento
Danny Boyle, 127 HOURS
Lisa Cholodenko & Stuart Blumberg, THE KIDS ARE ALL RIGHT
Christopher Nolan, INCEPTION
David Seidler, THE KING'S SPEECH
Aaron Sorkin, THE SOCIAL NETWORK

Comentário: Cinco argumentos que toda a gente espera ver nos nomeados para os Óscares. Aaron Sorkin será o vencedor de Melhor Argumento Adaptado, Christopher Nolan o provável receptor do de Melhor Argumento Original. De resto, este último terá entre os nomeados da sua categoria "The Kids Are All Right" e "The King's Speech", bem como "Toy Story 3", que acabou surpreendentemente arredado desta corrida (onde a Pixar tinha três nomeações consecutivas) por "127 Hours", que irá competir (e perder) com "The Social Network" entre Argumentos Adaptados.

Vencedor: "The Social Network" parece-me ser o provável sweeper deste ano.


 
Melhor Filme Estrangeiro
BIUTIFUL (México)
LE CONCERT (França)
THE EDGE (Rússia)
I AM LOVE (Itália)
IN A BETTER WORLD (Dinamarca)

Comentário: A elevada campanha por detrás de "I Am Love", que procurava trazer a Tilda Swinton uma nomeação como Melhor Actriz, acabou por fruir efeito mas nesta categoria. Também a intensiva campanha da TWC por detrás de "Le Concert" provou ter sucesso, com este filme francês e não o outro, vencedor em Cannes e provável nomeado nos Óscares ("Des Hommes Et Des Dieux") a garantir um lugar. Suzanne Bier também provou que tem pedigree para garantir nomeações só pelo respeito ao seu nome, a fazer "In a Better World" pontuar aqui. "The Edge" e "Biutiful" são filmes típicos de Óscares de Filme Estrangeiro que poderão muito bem repetir a receita nos prémios da Academia (embora me pareça que só o segundo vá).

Vencedor: "I Am Love" ou "Biutiful", eis a questão. Ou, se Harvey Weinstein ainda manda alguma coisa por aqueles lados, "Le Concert".



Melhor Filme Animado
DESPICABLE ME
HOW TO TRAIN YOUR DRAGON
L'ILLUSIONISTE
TANGLED
TOY STORY 3

Comentário: Se a Academia permitisse cinco nomeados, seriam estes. Agora, tendo só que escolher três, alguém entre "Tangled", "L'Illusioniste" e "How To Train Your Dragon" vai ter que ceder passagem. É que em "Toy Story 3" não se mexe.

Vencedor: "How To Train Your Dragon" é o melhor filme que a Dreamworks já produziu e seria a sua melhor hipótese de quebrar a hegemonia da Pixar... Não fosse o seu oponente o culminar de uma trilogia lendária e mágica nunca propriamente premiada pela Academia (sim, porque os Globos de Ouro deram-lhe o troféu de Melhor Filme - Comédia/Musical em 1999). Sim, é óbvio que "Toy Story 3" vai prevalecer.



Melhor Banda Sonora Original
Alexander Desplat, THE KING'S SPEECH
Danny Elfman, ALICE IN WONDERLAND
A. R. Rahman, 127 HOURS
Trent Reznor & Atticus Ross, THE SOCIAL NETWORK
Hans Zimmer, INCEPTION

Melhor Canção Original
“Bound to You” de BURLESQUE
“Coming Home” de COUNTRY STRONG
“I See the Light” de TANGLED
“There’s a Place for Us” de CHRONICLES OF NARNIA: THE VOYAGE OF THE DAWN TREADER
“You Haven’t Seen the Last of Me” de BURLESQUE


Comentário: Continua - e ainda bem - a moda de nomear Trent Reznor pela sua brilhante banda sonora original para "The Social Network". Impôs algum receio, até porque a electrónica não é bem aquilo que a Academia mais gosta, mas se o ramo musical foi pró-activo o suficiente para nomear e dar o prémio a Eminem, pode ser que este ano nova excepção se abra. De resto, só Elfman não vai repetir esta nomeação, sendo substituído nos Óscares por algum dos nomes habituais (Newton Howard, por exemplo) ou por um dos veteranos nunca nomeados (até me custa lembrar que os geniais Carter Burwell e Clint Mansell NUNCA foram nomeados para um Óscar) ou até podemos ter uma estreia surpresa (John Powell, anyone?). Na categoria de Melhor Música Original, continua também a moda de todos os anos incluirmos um artista consagrado entre os nomeados que depois não transita para a Academia (2008 - Bruce Sprinsteen, 2009 - U2): em 2010 será a vez de Carrie Underwood, na minha opinião. Parece-me que a balada portentosa de Cher em "Burlesque" está safa, até porque foi escrita por Diane Warren, previamente nomeada por seis vezes e também parece que "Country Strong" marcará presença: o que manda a confundir é por qual das músicas, porque as três já foram mencionadas e vão alternando entre prémios. Para já, a minha aposta recai na de Chris Martin, "Me and Tennessee", até porque é cantada em duo pelos protagonistas (um deles é um multi-vencedor de Grammys, a outra é uma anterior vencedora de um Óscar) e não esta "Coming Home". Os dois lugares da lista vão ser altamente disputados, com Randy Newman, a outra música de "Burlesque" e "If I Rise" de "127 Hours" em luta renhida para se juntar a "I See The Light" (Tangled) e "Shine", de John Legend, do documentário "Waiting For Superman", que parece ter sido encomendada para vencer o Óscar (embora não tenha sido nomeada aqui).

Vencedor: Como Desplat tem "The Tree of Life" a espreitar em 2011 e como Zimmer já venceu, que tal termos Trent Reznor a clamar vitória? Seria no mínimo interessante. Senão será Hans Zimmer o provável vencedor. Em termos de Música, "You Haven't Seen The Last of Me" parece a melhor aposta, seguida de perto por "I See A Light".




O Estado da Corrida aos Óscares: MELHOR ACTOR


Lembrei-me agora que ainda não começámos a discussão da corrida aos Óscares aqui no blogue. Portanto decidi que era hoje que lançava tal discussão, que será parte integrante de uma boa porção dos artigos neste blogue até à cerimónia dos Óscares, em Fevereiro.


Pretendia já ter opinado sobre a corrida por duas vezes (em Agosto, antes dos Festivais terem começado e em Setembro, no período pós-festival) mas a falta de tempo tornou impossível tal tarefa. Fá-lo-ei agora, na época de início de campanhas "For Your Consideration" e com a abertura oficial da temporada de Óscares (Oscar season) - o marco do início da abertura foi o início da data de envio de screeners para os membros da Academia - e "Animal Kingdom" foi o primeiro filme a ser enviado, um gesto audaz mas que poderá valer a Jacki Weaver uma nomeação. Mas já lá iremos.

Primeiro, avaliaremos o estado da corrida em finais de Agosto. Quando o último mês de Verão chegou ao fim, poucas coisas eram certas em termos de temporada de Óscares: Lesley Manville conseguiu segurar o buzz que gerou em Cannes, ao contrário de Javier Bardem que tem vindo a perder gás; Naomi Watts, Sean Penn e o seu "Fair Game" continuam a aparecer intermitentemente nos radares dos prognosticadores mais predominantes da blogosfera, mas os únicos a apostarem realmente neles têm sido os bloggers do Awards Daily (Sasha Stone escreveu há dias um artigo em que diz acreditar vivamente na nomeação de ambos para Actor e Actriz); Annette Bening, Mark Ruffalo e, em menor grau (não percebo bem porquê), Julianne Moore vão mantendo os rótulos de competidores principais na corrida desde que o filme abriu em Sundance, excelentemente acompanhados por Jennifer Lawrence de "Winter's Bone" que também estreou no festival - e pelo menos os dois primeiros esperam-se ver nomeados. Em termos de filmes, "Inception" e "Toy Story 3" confirmaram o buzz que detinham e, se bem que têm perdido protagonismo para outros filmes candidatos, como o (inesperado) tubarão "The Social Network", mantém toda a sua qualidade, base de fãs e solidez intactas.


No princípio de Setembro fomos apresentados a mais um Festival de Veneza. Dos grandes nomes de Veneza ("Somewhere", "Miral", "The Tempest", "Meek's Cutoff", "Black Swan" e "The Town") saíram três fortes incógnitas na corrida: "Black Swan", "The Town", "Somewhere". Qual será o resultado final da sua campanha? Não se sabe, é impossível prever. Têm condições para garantir algumas nomeações? Sem dúvida. A maior certeza que saiu deste Festival foi mesmo Natalie Portman. Uma interpretação arriscada num filme que será sem dúvida um dos destaques da temporada, quer para o bem, quer para o mal. Barbara Hershey, uma das actrizes secundárias da película, também foi gerando algum buzz que poderá capitalizar se alguns grupos de críticos decidirem apostar nela, sobretudo porque a categoria de Actriz Secundária é a mais difícil de ler dos últimos tempos. "Miral" e "Meek's Cutoff" conseguiram comprador no festival e vão ser distribuídos em 2011. Michelle Williams, no segundo, diz-se ser excepcional e uma grande candidata a uma nomeação no ano que vem.


Depois de Veneza, foi a vez do Colorado e o Festival de Telluride fazerem a sua estreia na temporada. Telluride trouxe-nos imensas novidades, incluindo um dos grandes favoritos à vitória, "The King's Speech", que conseguiu ondas de aplausos tanto aqui como mais tarde em Toronto, tendo vencido ambos os prémios. Além do filme de Tom Hooper, que tornou Colin Firth no favorito para vencer Melhor Actor (o que, a juntar ao buzz vindo do ano transacto por "A Single Man", parece provável), em Telluride estrearam mais dois filmes high-profile, "Never Let Me Go", cujas críticas não foram tão positivas quanto o potencial do filme adivinhava, e "127 Hours", de Danny Boyle, que subitamente se tornou num dos destaques da temporada, sendo recebido debaixo de críticas muito generosas mas ao mesmo tempo bastante intrigantes.


A maioria destes títulos também entrou no Festival de Toronto, que veio a seguir. As críticas foram iguais para todos os filmes acima mencionados; enquanto isso, "Another Year" foi consolidando o seu estatuto de "pequeno filme poderoso do ano" e veio cair na grande maioria das listas de Melhor Filme. Em Toronto estrearam ainda mais cinco grandes candidatos: "The Conspirator" (com críticas más, foi adiado para 2011); "Hereafter" e "Conviction" (esforços sólidos e críticas simpáticas mas nada que garantisse que temos neles candidatos) e "Rabbit Hole" e "The Way Back", estes sim fortes apostas. Ambos ganharam distribuidor com a sua presença no festival e vão assim estrear nesta temporada. Do primeiro o grande realce é obviamente da sua protagonista, Nicole Kidman, embora Dianne Wiest também seja, nesta altura, um dado quase adquirido entre as nomeadas na categoria de Actriz Secundária. Do segundo, sendo de Peter Weir, é difícil não imaginar coisa boa.

A chegar ao fim de Setembro começou o Festival de Nova Iorque, onde a grande maioria dos filmes de que já falámos também estreou e chegou aos cinemas o maior candidato da temporada: "The Social Network" de David Fincher, que juntou à adoração do público milhares de críticas radiantes e um buzz fervoroso. É complicado avaliar qual o nível de adulação que Fincher vai gozar quando chegar à altura de anunciar as nomeações mas é impossível descartar a grande mossa que este filme deverá fazer na cerimónia. De resto, no campo dos candidatos falta referir dois títulos que podem afirmar-se na corrida - "True Grit" e "The Fighter" - devido ao seu enorme pedigree mas que só saberemos o seu impacto quando estrearem em Dezembro. Até agora, pelo que se vê nos trailers, há potencial.



E é assim então que chegamos a Outubro e a este artigo. Durante os próximos dias vamos debater sobre cada categoria principal dos Óscares e vamos analisar quem são os competidores principais. Começamos por MELHOR ACTOR.


A categoria de Melhor Actor tem vindo, a pouco e pouco, a moldar-se. Nesta altura, dificilmente alguém deixará de fora os nomes de James Franco ("127 Hours") e Colin Firth ("The King's Speech") das suas previsões. Em teoria, o papel de Jeff Bridges em "True Grit", com os ingredientes certos, será com certeza nomeado e é por isso que também é considerado na grande maioria das previsões. Se Robert Duvall conseguir segurar um ano inteiro de buzz pela sua prestação em "Get Low", eu ficarei chocado, embora ache que é perfeitamente possível (Richard Jenkins fê-lo ainda há bem pouco tempo). Estou é a ter dificuldade em arranjar oposição com tanta coisa a favor como ele tem.
Talvez Mark Wahlberg mas "The Fighter" é um grande "se". Outro grande "se" é Sean Penn ("Fair Game"). As críticas em Cannes foram más para o filme mas excelentes para os interprétes. Mas estes vão precisar de uma campanha forte para o filme para conseguirem ter margem de manobra na luta pela nomeação. Possivelmente Paul Giamatti ("Barney's Version") mas o filme é pouco ambicioso. Kevin Spacey tem imenso buzz mas o papel é tão odioso... O mesmo se passando com Jesse Eisenberg ("The Social Network") que ainda por cima tem que lutar contra o facto de só ter 27 anos. E também não podemos ignorar nomes como Ryan Gosling, que recebeu elogios fantásticos pela sua interpretação em "Blue Valentine" como um dos dois membros de um casal cujo amor vemos florescer e depois aprodrecer, e Jake Gylenhaal ("Love and Other Drugs"), que está num dos filmes que se espera que seja uma das grandes surpresas do ano. E há que não esquecer que DiCaprio teve dois grandes papéis este ano, ambos bastante bons e pelos quais pode ser nomeado - "Inception" será menos provável que "Shutter Island", mas qualquer um dos dois pode ser opção. E há que não desprezar Javier Bardem ("Biutiful") que tem caído a pique nas previsões - se bem que Cannes já lá vai e "Biutiful" tem sido criticado a torto e a direito. Quase excluído da corrida - ou pelo menos assim parece - está Stephen Dorff ("Somewhere").

A minha aposta actual é, por ordem de probabilidade de ser nomeado:

(Nomeados)
(1) Colin Firth, The King's Speech
(2) James Franco, 127 Hours
(3) Jeff Bridges, True Grit
(4) Robert Duvall, Get Low
(5) Mark Wahlberg, The Fighter
(Candidatos Fortes)
(6) Javier Bardem, Biutiful
(7) Jesse Eisenberg, The Social Network
(8) Sean Penn, Fair Game
(Ameaças Mais Distantes)
(9) Ryan Gosling, Blue Valentine
(10) Paul Giamatti, Barney's Version


ÚLTIMA HORA: "True Grit", "The King's Speech", entre outros!

Bem, não é propriamente "última hora!" porque alguns destes trailers já têm algum tempo, mas como eu tenho vindo a adiar a sua publicação (pouco tempo livre...), juntei-os agora todos. Vão-me perdoar se já os tiverem visto noutros sítios. Peço desculpa pelo meu atraso em retornar ao blogue mas acho que já vou voltar a ter tempo para publicação regular.


"CASINO JACK"

"Casino Jack" é suposto ser plataforma de lançamento para Kevin Spacey voltar a ser nomeado para um Óscar. Tem todos os ingredientes necessários: filme biográfico, personagem histriónica, singular e bastante peculiar, história real pertinente no mundo actual e o filme parece ser bom. Contudo, eu não estou muito convencido.




"TRUE GRIT"

Outro que tem vindo a ganhar maior desconfiança da minha parte, dado todo o secretismo em volta da situação, é este remake de "True Grit" por parte dos irmãos Coen. Em teoria, tem tudo para dar certo: irmãos Coen + Jeff Bridges + Josh Brolin + Matt Damon + uma novata, Hailee Steinfeld, em quem recaem grandes expectativas (o filme depende todo dela), mas que para ter sido seleccionada de um casting de milhares tem que ter mostrado alguma coisa + Carter Burwell + Roger Deakins + western = novo sucesso à la "No Country for Old Men"? Veremos.




"THE KING'S SPEECH"

O filme mais criticamente aplaudido este ano, a par de "The Social Network", é este "The King's Speech", que vem fresquinho de vencer o Prémio do Público (People's Choice Award) em Toronto. Claro que nem sempre apoio da crítica + prémios do público em grandes festivais significa glória, mas sempre ajuda imenso, não é verdade? E o facto de ser britânico, de ter um realizador a subir na carreira, de ter um elenco com Firth (na shortlist para ganhar um Óscar a curto-prazo - provavelmente este ano), Rush (na shortlist para nova nomeação há muito tempo) e Bonham-Carter (na shortlist para nova nomeação desde 1999, até porque muitos verão com excelentes olhos esta fuga da filmografia Burton), de ser uma história real que envolve realeza do passado próximo e que é engraçada e interessante devem ser pontos bónus que deverão ajudar a que o filme seja mesmo o foco das atenções da temporada que se vem iniciando. Infelizmente, o trailer é uma mostra pobre das qualidades do filme, segundo o que tenho lido por aí.




"THE FIRST GRADER"

Este intrigou-me. Foi o segundo mais votado no Prémio do Público no Festival de Toronto, tendo perdido para o filme acima mencionado ("The King's Speech") e é uma história verídica inspiracional sobre um homem queniano que aos 84 anos de idade, no primeiro dia de educação primária gratuita do país, surge numa escola, pronto para ser um estudante. O realizador do filme é Justin Chadwick ("The Other Boleyn Girl"). Mesmo não sendo nada de especial, vou tentar deitar um olho a críticas que eventualmente surjam do filme para ver se vale a pena.



"SUPER 8"

O que tem de especial este "Super 8"? Kyle Chandler e Elle Fanning. Realização de J.J. Abrams. Produção de Steven Spielberg. Ficção científica. Sinopse interessante: desastre de comboio em 1979 com relatos de três pessoas que viram uma criatura desconhecida abandonar o local. Teaser trailer estupendo.


E deixo-vos por fim com um segundo trailer para o potencial blockbuster do realizador de "The Hangover", Todd Philips, "DUE DATE", com Downey, Jr. e Galifianakis, a estrear no Natal. Um segundo trailer, por sinal, bem mais engraçado que o primeiro: