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DIAL P FOR POPCORN

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ESPAÇO DE CULTO: Julianne Moore


ESPAÇO DE CULTO é uma rubrica do Dial P For Popcorn que se dedica semanalmente a valorizar, a idolatrar, a adorar uma das nossas actrizes favoritas, tanto pelo seu aspecto físico, como pela sua filmografia.


Quatro nomeações para os Óscares da Academia. Extraordinárias interpretações em "[safe]", "Boogie Nights", "Far From Heaven", "The Hours", "Magnolia", "The Kids Are All Right", "The End of the Affair", "Blindness","Vanya on 42nd Street" e "Saving Grace", todas dignas de um Óscar, ao qual se junta a sua inolvidável Sarah Palin em "Game Change". Aparece ainda em "A Single Man", "Crazy, Stupid, Love", "Children of Men", "The Big Lebowski", "Hannibal", "I'm Not There", "The Fugitive", "The Hand that Rocks the Craddle", "Shipping News", "Cookie's Fortune" e "Psycho" de van Sant. Uma filmografia que qualquer actor ou actriz em Hollywood gostaria de possuir.


Uma das maiores beldades do mundo do cinema, conhecida pela sua beleza rara e pelo magnífico cabelo ruivo que lhe cai sobre os ombros, bem como pelo seu incomensurável talento. Uma actriz hábil e versátil, instintiva e corajosa, que desaparece completamente na personagem que interpreta, que sente todas as emoções à flor da pele e fá-las passar ao telespectador. Que ela ainda não tenha recebido um prémio major da indústria - seja um Tony, um Emmy, um Globo de Ouro ou um Óscar - é uma das maiores injustiças. Uma actriz sem nada mais a provar, JULIANNE MOORE continua a mostrar, ano após ano, mesmo aos cinquenta e dois anos, por que razão é considerada uma das maiores actrizes da indústria e, diria até, de sempre.


A primeira vez que a vi foi, como para muitos outros da minha geração, em "The Hours". Já aí a sua ferocidade e sagacidade me impressionaram e a forma desconcertante como Laura Brown disfarça toda uma vida aparentemente feliz quando por dentro sofre de uma depressão gravíssima e que a faz ponderar o suicídio deixaram uma marca inesquecível no meu eu adolescente. Mas foi só quando peguei em "Boogie Nights", "Far From Heaven" e "[safe]" que me apercebi do quão especial e formidável esta actriz é. Um verdadeiro camaleão, que alterna entre estilos e personagens tonalmente muito diferentes com uma facilidade e uma panache incríveis. Ter-lhe-ia dado já três Óscares (em 2002 por "Far From Heaven", em 1997 por "Boogie Nights" e em 1995 por "[safe]" - para mim as suas melhores interpretações) e é-me incompreensível que a Academia tenha decidido reparar a asneira de 2001 ("roubando" a Nicole Kidman um Óscar que ela dela por "Moulin Rouge!") com mais uma asneira em 2002 ("roubando" a Moore o Óscar para dar a uma interpretação que é a terceira melhor do seu próprio filme - Streep e Moore são superiores a Kidman em "The Hours"). Eu culpo o nariz, claro. E o facto de Julianne Moore fazer tudo parecer fácil e sem esforço.


Esperemos que o Emmy e o Globo de Ouro por "Game Change" ao menos não escapem.
E agora vocês: qual é a vossa interpretação favorita de Julianne Moore?

O ramo Musical da Academia e as Bandas Sonoras




Como já saberão por esta altura, as bandas sonoras originais de "Black Swan" (Clint Mansell), de "The Fighter" (Michael Brooks), de "The Kids Are All Right" e de "True Grit" (ambas de Carter Burwell) foram desqualificadas da corrida ao Óscar de Melhor Banda Sonora Original e teme-se que o mesmo ainda possa suceder com "Inception" (Hans Zimmer), o favorito da corrida e "The Social Network" (Trent Reznor & Atticus Ross).
 

Supostamente, a primeira foi desqualificada por uso excessivo das composições de Tchaikovsky para "Swan Lake", a segunda e a terceira por terem demasiadas canções não-originais e a última por se basear em hinos protestantes. Curioso é que Alexandre Desplat não tenha visto a sua banda sonora para "The King's Speech" desqualificada, quando o seu conteúdo é um reaproveitamento dos concertos para piano de Beethoven.

Isto leva-me à minha primeira pergunta: como é que a Academia acha possível que estas regras do ramo Musical ainda sejam válidas? Segundo a Academia,

"An original score is a substantial body of music that serves as original dramatic underscoring and is written specifically for the motion picture by the submitting composer."

Tudo bem. Mas então alguém que me explique como é que um filme que gira em torno do espectáculo de ballet para o qual Tchaikovsky escreveu "Swan Lake" não use as suas composições? É incrivelmente estúpido. Nem é por Mansell ser candidato de peso (que não o seria de qualquer forma; e o seu trabalho em "Black Swan" nem sequer é dos seus melhores), é pela injustiça de como o ramo Musical analisa esta categoria.

 

Outros casos recentes que me lembre que foram desqualificados: em 2007, a banda sonora de Johnny Greenwood, de longe uma das melhores da década, foi desqualificada por uso excessivo de música que ele não tinha escrito de propósito para o filme. Como se um artista agora fosse só profílico quando está sob contrato. Em 2008, a banda sonora de "The Dark Knight", tal como em 2005 a de "Batman Begins", foram arrumadas da corrida porque  Zimmer e Newton Howard, os responsáveis pelas bandas sonoras, detinham menos de 70% das composições. A decisão foi revogada em 2008, mas a banda sonora foi de qualquer forma ignorada. 

Outra situação curiosa ocorreu o ano passado, com a nomeação de Alexandre Desplat por "Fantastic Mr. Fox" (merecidíssima, apesar de tudo).  Menos de 70% das composições são dele, contudo a banda sonora foi elegível e foi nomeada. Por outro lado, a banda sonora de Karen-O e Carter Burwell para "Where The Wild Things Are", numa situação similar, foi arrumada.


E poderíamos continuar noite dentro a dar este tipo de exemplos. Caso para dizer: o ramo musical da Academia é no mínimo... controverso.

E nem peguemos na categoria de Melhor Canção Original e na regra dos 8,25 de pontuação que me volto a lembrar de 2008 ("O'Saya" é nomeado, "The Wrestler", o favorito, nem isso consegue) e fico doente.

Isto faz-nos perguntar, de facto, se não valerá de novo a pena voltar a fazer renascer a categoria de Melhor Banda Sonora Não-Original - a tal categoria que veio substituir, em conjunto com a Melhor Banda Sonora Original, as agora extintas Melhor Banda Sonora - Dramática e Melhor Banda Sonora - Comédia/Musical.


Bem, com este redesenho da corrida, é provável que esta categoria vá ser um verdadeiro desapontamento este ano, tendo em conta o material potencial e os nomeados que vão provavelmente aparecer no boletim de voto.

Neste momento, eu diria que Reznor e Ross, não sendo eliminados da corrida,  têm grandes possibilidades de ser nomeados (o que, há dois/três meses atrás, dir-se-ia impensável). Juntamente com Zimmer e Desplat (por "The King's Speech"), que devem estar seguros nas suas posições.

Depois temos vários candidatos aos dois últimos lugares, alguns deles terríveis, outros deles brilhantes (mas quase impossíveis de ver concretizados):


PREVISÃO - MELHOR BANDA SONORA ORIGINAL:

Seguros:
Hans Zimmer, INCEPTION
Alexandre Desplat, THE KING'S SPEECH

Prováveis:
Trent Reznor & Atticus Ross, THE SOCIAL NETWORK

Possibilidades Fortes:
A.R. Rahman, 127 HOURS
Rachel Portman, NEVER LET ME GO
Danny Elfman, ALICE IN WONDERLAND
John Powell, HOW TO TRAIN YOUR DRAGON
Alexandre Desplat, THE GHOST WRITER

Improváveis:
Daft Punk, TRON: LEGACY
Alexandre Desplat, HARRY POTTER AND THE DEATHLY HALLOWS, PART 1
James Newton Howard, THE LAST AIRBENDER
Elliot Goldenthal, THE TEMPEST
Jan Kaczmarek, GET LOW
Sylvain Chomet, L'ILLUSIONISTE
Michael Giacchino, LET ME IN
Gustavo Santaolalla, BIUTIFUL


Adorava que a Academia estivesse em dia inspirado e lhe saísse um THE GHOST WRITER e um HOW TO TRAIN YOUR DRAGON. Já nem digo TRON: LEGACY porque isso é (quase) impossível. Infelizmente, acho que o combo Portman/Elfman/Rahman é demasiado irresistível para recusarem e portanto dois deles voltarão ao Kodak Theatre.


Enfim. E agora perguntarem-me: quais os teus nomeados, se pudesses escolher?
Bem... Como toda a gente sabe, eu sou fanático por bandas sonoras. Mesmo. Fanático.  E escolher cinco nomeados é muito complicado. Nos meus prémios eu tenho dez. Cinco originais e cinco não-originais (adaptadas, se quiserem). Todavia, como este artigo já está grandito e eu ainda quero falar um pouco sobre isto, vou continuar este tópico noutra vez, contribuindo (ainda mais) para a proliferação musical que este blogue tem experienciado nos últimos dias.



Globos de Ouro 2011 - Comentários às Nomeações (Cinema)

Depois de revelados os nomeados, depois de ponderar neles, é tempo de fazer a minha apreciação. Peço desculpa por ter demorado tanto tempo, mas mais vale tarde que nunca.

Começamos pelas categorias de CINEMA:




Melhor Filme - Drama
BLACK SWAN
THE FIGHTER
INCEPTION
THE KING'S SPEECH
THE SOCIAL NETWORK

Comentário: Não há dúvida que são os títulos mais fortes e sonantes da temporada. A grande surpresa tem vindo mesmo a ser o forte pedigree de "Black Swan" para prémios, coisa que não adivinhava possível. Outra coisa que me surpreendeu foi a tripla nomeação de "127 Hours" noutras categorias, mas a sua ausência aqui e em Melhor Realizador. Foi estranho. E ficou, de resto, comprovado que "Inception" acabará por ser nomeado para Melhor Filme.

Vencedor: Um duelo a dois, possivelmente três ("Black Swan"): o factor coolness ("The Social Network" conta ainda com um bónus: Fincher merece há muito tempo vencer prémios) contra o factor história ("The King's Speech" é o típico filme que antigamente ganhava imensos prémios). Pelo menos nos Globos de Ouro, penso que ganha "The Social Network".

Melhor Actriz - Drama
Halle Berry em FRANKIE AND ALICE
Nicole Kidman em RABBIT HOLE
Jennifer Lawrence em WINTER'S BONE
Natalie Portman em BLACK SWAN
Michelle Williams em BLUE VALENTINE




Melhor Actor - Drama
Jesse Eisenberg em THE SOCIAL NETWORK
Colin Firth em THE KING'S SPEECH
James Franco em 127 HOURS
Ryan Gosling em BLUE VALENTINE
Mark Wahlberg em THE FIGHTER

Comentário: Diz muito da interpretação de Jennifer Lawrence o facto de em todos os prémios de críticos e depois nos Globos e nos SAG ela aparecer nomeada. Relembre-se, algo que em Novembro era tido apenas como possibilidade. As voltas que a corrida dá. Que a tantas anda que já tem quatro nomeadas consolidadíssimas, três delas aqui nomeadas em Drama: Nicole Kidman, Natalie Portman e a supra-mencionada Jennifer Lawrence. A partir daqui, temos várias hipóteses para ocupar o último lugar em branco e eu, admiravelmente, apoio a escolha dos Globos de Ouro: Michelle Williams. Esperemos que sim. Na categoria de Actor - Drama, também temos os mais que nomeadíssimos Firth e Franco, acompanhados  surpreendentemente também em todos os prémios até agora com nomeados revelados por Jesse Eisenberg (que eu julguei que iria ter uma difícil caminhada para a nomeação) e as outras duas escolhas dos Globos vão ter que lutar com Jeff Bridges e Robert Duvall pelos dois lugares que faltam. Sem dúvida que estas duas categorias são excelentes e poderiam repetir-se nos Óscares (trocando Berry por Bening, obviamente).

Vencedor: Não duvido nada que Natalie Portman e Colin Firth juntem o Globo aos inúmeros prémios que vêm vencendo.




Melhor Filme - Musical ou Comédia
ALICE IN WONDERLAND
BURLESQUE
THE KIDS ARE ALL RIGHT
RED
THE TOURIST

Comentário: Esta categoria - ou melhor, estas categorias - de Comédia/Musical são uma bela comédia. Será que podiam ficar pior? Não me parece. De roçar o ridículo, a ponto de dar a ideia que o júri só viu "The Kids Are All Right" e votou nos restantes pelos nomes ligados aos projectos. Só assim é que se explica termos numa categoria de Comédia três nomeados que não são comédias. É que desculpem lá mas "Red", "The Tourist" e "Alice in Wonderland" não são comédias. Nem muito menos musicais. Eu estava a prever que algo semelhante acontecesse, mas nunca previ tão má situação. E é que se eu achasse que eles não sabem votar... Mas quem vê os nomeados de 2008 e os de 2010 fica perplexo ao ver a comparação. Digo mais: consigo, assim de cabeça, nomear dez filmes que ficariam melhores nesta categoria que estes três escolhidos: "Greenberg", "Kick-Ass", "Easy A", "Made in Dagenham", "Four Lions", "Scott Pilgrim vs. the World", "Somewhere", "Morning Glory", "How Do You Know" e até o (supostamente) paupérrimo "Love and Other Drugs". Enfim.

Vencedor: Será um escândalo de épicas proporções se não virmos "The Kids Are All Right" levar embora o prémio.

Melhor Actriz - Musical ou Comédia
Annette Bening em THE KIDS ARE ALL RIGHT
Anne Hathaway em LOVE AND OTHER DRUGS
Angelina Jolie em THE TOURIST
Julianne Moore em THE KIDS ARE ALL RIGHT
Emma Stone em EASY A




Melhor Actor - Musical ou Comédia
Johnny Depp em ALICE IN WONDERLAND
Johnny Depp em THE TOURIST
Paul Giamatti em BARNEY'S VERSION
Jake Gyllenhaal em LOVE AND OTHER DRUGS
Kevin Spacey em CASINO JACK

Comentário: Nomear pessoas só pelo nome e star power é o que está a dar. Só assim se explica as nomeações de Angelina Jolie e Johnny Depp (este com dupla nomeação) a comungar com as nomeações dos seus filmes para Melhor Filme, "The Tourist" e (no caso de Depp) também "Alice in Wonderland". Uma desgraça. Curioso ainda que Gylenhaal e Hathaway tenham conseguido a nomeação mas o seu filme - que pelo menos é uma comédia - não. Mais uma evidência para o voto pelo nome, como já referi. A surpresa positiva: Emma Stone. Cá está o teu cartão de visita para a A-List. E foi um "Easy A". De resto, duas categorias mesmo fracas. Então não podiam ter poupado (pelo menos) uma nomeação de Depp e dá-la, sei lá, a Downey Jr, a Duvall, a Carrey, a Bateman, a Johnson... Sei lá, alguém. Qualquer coisa seria mais inspirada que isto.

Vencedor: Em termos de Actriz, Annette Bening deve ter isto no papo. Quanto a Actor... Lamento em afirmar, mas possivelmente teremos de engolir um sapo com a vitória de Johnny Depp por "Alice in Wonderland". Espero estar enganado.



Melhor Actriz Secundária
Amy Adams em THE FIGHTER
Helena Bonham Carter em THE KING'S SPEECH
Mila Kunis em BLACK SWAN
Melissa Leo em THE FIGHTER
Jacki Weaver em ANIMAL KINGDOM

Comentário: É um excelente sinal que Jacki Weaver tenha conseguido esta nomeação (ainda para mais com o que depois se passou nos SAG). Mila Kunis continua a vencer prémios por um papel que, parece-me, é bastante reduzido. Ainda para aí gente a mais a pensar com outras "cabeças". Adams, Bonham-Carter e Leo a confirmar indicações de que seriam as principais favoritas ao troféu e potencialmente serão nomeadas já carimbadas para os Óscares, não se sabendo é quem as acompanha. Para já, são estas duas senhoras (Weaver e Kunis) mais Hailee Steinfeld que têm a vantagem.

Vencedor: Pode ir para qualquer lado neste duelo a três. Cada uma tem apelos diferentes: uma distinção importante numa carreira em crescendo (Leo), um prémio a fazer relembrar bons velhos tempos (Bonham-Carter) ou a coroação de uma das actrizes mais cotadas em Hollywood no momento (Adams). A combinação de factores, para já, previlegia Melissa Leo.



Melhor Actor Secundário
Christian Bale em THE FIGHTER
Michael Douglas em WALL STREET: MONEY NEVER SLEEPS
Andrew Garfield em THE SOCIAL NETWORK
Jeremy Renner em THE TOWN
Geoffrey Rush em THE KING'S SPEECH

Comentário: Também aqui, aparte a "surpresa" Michael Douglas, nada de admirar. Quatro nomeados em potência, dois deles assegurados (Rush e Bale) e dois deles no bom caminho (Garfield e Renner). O último lugar deverá ser pertença de um destes cinco senhores: Bill Murray, Mark Ruffalo, Matt Damon, John Hawkes ou Ed Harris.

Vencedor: O início do ano adivinhava este confronto e de facto cá o temos: Bale vs Rush. A história diria Rush, mas as circunstâncias dão a vantagem a Christian Bale.


Melhor Realizador
Darren Aronofsky por BLACK SWAN
David Fincher por THE SOCIAL NETWORK
Tom Hooper por THE KING'S SPEECH
Christopher Nolan por INCEPTION
David O. Russell por THE FIGHTER

Comentário: Espera-se que todos os cinco repitam nos Óscares, com os quatro primeiros, à partida, confirmadíssimos de certeza no envelope. O quinto nomeado começa a desenhar-se com o nome de David O'Russell, mas ainda não devemos excluir, para já, senhores como Joel & Ethan Coen ou Danny Boyle.

Vencedor: Não me parece que haja volta a dar ao texto: é de David Fincher este troféu.

Melhor Argumento
Danny Boyle, 127 HOURS
Lisa Cholodenko & Stuart Blumberg, THE KIDS ARE ALL RIGHT
Christopher Nolan, INCEPTION
David Seidler, THE KING'S SPEECH
Aaron Sorkin, THE SOCIAL NETWORK

Comentário: Cinco argumentos que toda a gente espera ver nos nomeados para os Óscares. Aaron Sorkin será o vencedor de Melhor Argumento Adaptado, Christopher Nolan o provável receptor do de Melhor Argumento Original. De resto, este último terá entre os nomeados da sua categoria "The Kids Are All Right" e "The King's Speech", bem como "Toy Story 3", que acabou surpreendentemente arredado desta corrida (onde a Pixar tinha três nomeações consecutivas) por "127 Hours", que irá competir (e perder) com "The Social Network" entre Argumentos Adaptados.

Vencedor: "The Social Network" parece-me ser o provável sweeper deste ano.


 
Melhor Filme Estrangeiro
BIUTIFUL (México)
LE CONCERT (França)
THE EDGE (Rússia)
I AM LOVE (Itália)
IN A BETTER WORLD (Dinamarca)

Comentário: A elevada campanha por detrás de "I Am Love", que procurava trazer a Tilda Swinton uma nomeação como Melhor Actriz, acabou por fruir efeito mas nesta categoria. Também a intensiva campanha da TWC por detrás de "Le Concert" provou ter sucesso, com este filme francês e não o outro, vencedor em Cannes e provável nomeado nos Óscares ("Des Hommes Et Des Dieux") a garantir um lugar. Suzanne Bier também provou que tem pedigree para garantir nomeações só pelo respeito ao seu nome, a fazer "In a Better World" pontuar aqui. "The Edge" e "Biutiful" são filmes típicos de Óscares de Filme Estrangeiro que poderão muito bem repetir a receita nos prémios da Academia (embora me pareça que só o segundo vá).

Vencedor: "I Am Love" ou "Biutiful", eis a questão. Ou, se Harvey Weinstein ainda manda alguma coisa por aqueles lados, "Le Concert".



Melhor Filme Animado
DESPICABLE ME
HOW TO TRAIN YOUR DRAGON
L'ILLUSIONISTE
TANGLED
TOY STORY 3

Comentário: Se a Academia permitisse cinco nomeados, seriam estes. Agora, tendo só que escolher três, alguém entre "Tangled", "L'Illusioniste" e "How To Train Your Dragon" vai ter que ceder passagem. É que em "Toy Story 3" não se mexe.

Vencedor: "How To Train Your Dragon" é o melhor filme que a Dreamworks já produziu e seria a sua melhor hipótese de quebrar a hegemonia da Pixar... Não fosse o seu oponente o culminar de uma trilogia lendária e mágica nunca propriamente premiada pela Academia (sim, porque os Globos de Ouro deram-lhe o troféu de Melhor Filme - Comédia/Musical em 1999). Sim, é óbvio que "Toy Story 3" vai prevalecer.



Melhor Banda Sonora Original
Alexander Desplat, THE KING'S SPEECH
Danny Elfman, ALICE IN WONDERLAND
A. R. Rahman, 127 HOURS
Trent Reznor & Atticus Ross, THE SOCIAL NETWORK
Hans Zimmer, INCEPTION

Melhor Canção Original
“Bound to You” de BURLESQUE
“Coming Home” de COUNTRY STRONG
“I See the Light” de TANGLED
“There’s a Place for Us” de CHRONICLES OF NARNIA: THE VOYAGE OF THE DAWN TREADER
“You Haven’t Seen the Last of Me” de BURLESQUE


Comentário: Continua - e ainda bem - a moda de nomear Trent Reznor pela sua brilhante banda sonora original para "The Social Network". Impôs algum receio, até porque a electrónica não é bem aquilo que a Academia mais gosta, mas se o ramo musical foi pró-activo o suficiente para nomear e dar o prémio a Eminem, pode ser que este ano nova excepção se abra. De resto, só Elfman não vai repetir esta nomeação, sendo substituído nos Óscares por algum dos nomes habituais (Newton Howard, por exemplo) ou por um dos veteranos nunca nomeados (até me custa lembrar que os geniais Carter Burwell e Clint Mansell NUNCA foram nomeados para um Óscar) ou até podemos ter uma estreia surpresa (John Powell, anyone?). Na categoria de Melhor Música Original, continua também a moda de todos os anos incluirmos um artista consagrado entre os nomeados que depois não transita para a Academia (2008 - Bruce Sprinsteen, 2009 - U2): em 2010 será a vez de Carrie Underwood, na minha opinião. Parece-me que a balada portentosa de Cher em "Burlesque" está safa, até porque foi escrita por Diane Warren, previamente nomeada por seis vezes e também parece que "Country Strong" marcará presença: o que manda a confundir é por qual das músicas, porque as três já foram mencionadas e vão alternando entre prémios. Para já, a minha aposta recai na de Chris Martin, "Me and Tennessee", até porque é cantada em duo pelos protagonistas (um deles é um multi-vencedor de Grammys, a outra é uma anterior vencedora de um Óscar) e não esta "Coming Home". Os dois lugares da lista vão ser altamente disputados, com Randy Newman, a outra música de "Burlesque" e "If I Rise" de "127 Hours" em luta renhida para se juntar a "I See The Light" (Tangled) e "Shine", de John Legend, do documentário "Waiting For Superman", que parece ter sido encomendada para vencer o Óscar (embora não tenha sido nomeada aqui).

Vencedor: Como Desplat tem "The Tree of Life" a espreitar em 2011 e como Zimmer já venceu, que tal termos Trent Reznor a clamar vitória? Seria no mínimo interessante. Senão será Hans Zimmer o provável vencedor. Em termos de Música, "You Haven't Seen The Last of Me" parece a melhor aposta, seguida de perto por "I See A Light".




THE KIDS ARE ALL RIGHT (2010)


Os miúdos estão bem. Arriscaria dizer, os miúdos e os graúdos estão bem. "The Kids Are All Right” é um retrato fascinante das famílias dos tempos modernos, uma das melhores comédias do cinema independente americano que há já algum tempo precisava de um filme como este: desinibido, leve, inconvencional, alegre, reconfortante, divertido, agradável, inteligente, bem-humorado, enquanto lida com problemas sérios do mundo actual como a disfuncionalidade da unidade familiar, o casamento homossexual, a inseminação artificial, as falhas nas relações interpessoais e o crescimento e a partida para a universidade.


Lisa Cholodenko é, de facto, uma brilhante observadora das relações e das pessoas. Especialmente dotada em colocar à prova as suas personagens perante situações onde elas não se sentem confortáveis, a realizadora consegue explorar a humanidade, emoção e a racionalidade por detrás de cada tipo de pessoa, nunca fornecendo uma visão redutora do que se passa com elas e expondo as suas imperfeições bem a nu. A forma fabulosa como ela consegue transformar a nossa visão de casamento e união, passando-nos a mensagem de que neste caso a relação errada é a heterossexual, não deve passar despercebida.

 
A história de “The Kids Are All Right” decorre em Los Angeles, onde uma família composta por duas mães lésbicas, Jules e Nic (Julianne Moore e Annette Bening) e pelos seus dois filhos, obtidos através de inseminação artificial, Laser e Joni (Josh Hutcherson e Mia Wasikowska) se vê confrontada com a entrada na sua unidade familiar do pai biológico dos jovens, Paul (Mark Ruffalo), após Joni, que acaba de completar dezoito anos e está de partida para a universidade, ter feito a vontade ao irmão mais novo de descobrir a identidade do seu verdadeiro pai.


Ao saber dos encontros secretos com o pai, ambas as mães ficam reticentes em permitir-lhe entrada na sua vida, mas decidem estabelecer contacto com ele de qualquer forma. Paul dá-se genuinamente bem com os dois miúdos e com Jules (Moore), com quem se sente completamente à vontade. Já Nic (Bening), a ganha-pão da família, uma bem-sucedida, determinada e controladora médica com queda para o dramatismo e para a ingestão de largas quantidades de vinho e que vem negligenciando a sua companheira, muito mais aventureira, despachada e relaxada, vem gerindo a sua neurose disparando palavras ríspidas em todas as direcções e deixando a restante família, em particular Jules, numa pilha de nervos. A ida de Joni para a universidade vem complicar ainda mais as coisas, com as mães a terem problemas de comunicação com a filha, que nem sempre as compreende e vice-versa.


O distanciamento entre as duas mães e a contínua aproximação de todos menos Nic a Paul vem criar uma rotura na unidade familiar que se torna difícil de reparar, oferecendo inevitáveis mas nem sempre agradáveis surpresas, inúmeros conflitos e mal-entendidos e complicando a história de mil e uma divertidas maneiras.


Um filme com excelente argumento e uma cuidadosa realização, acompanhado de excelentes interpretações, em particular de Julianne Moore e Annette Bening, com material aqui para mostrar variadas nuances e oferecer-nos das melhores interpretações da sua carreira, complexas, mágicas e magnetizantes, de nos fazer chorar a rir e de nos fazer chorar por nos partir o coração, conseguindo transmitir pela sua linguagem corporal e expressão facial tanta cumplicidade, tantos segredos e tantas cicatrizes, próprias de um casamento de 20 anos, ambas merecedoras de atenção nos prémios de fim-de-ano, e de Mark Ruffalo, uma performance surpreendentemente relaxada, 100% dentro da natureza da sua personagem, nunca esquecendo porém também o papel dos miúdos na história, pois Hutcherson e Wasikowska são sem dúvida dois dos melhores jovens a trabalhar em Hollywood hoje em dia. Um filme irresistível para qualquer fã de comédia bem feita, para qualquer fã de filmes familiares e em especial para fãs dos actores, a trabalhar aqui no topo da sua forma.

Nota Final:
A-

Trailer:


Informação Adicional:
Realização: Lisa Cholodenko
Argumento: Stuart Blumberg, Lisa Cholodenko
Elenco: Annette Bening, Julianne Moore, Mark Ruffalo, Josh Hutcherson, Mia Wasikowska
Fotografia: Igor Jadue-Lillo
Banda Sonora: Carter Burwell, Nathan Larson, Craig Wedren