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DIAL P FOR POPCORN

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Takeshi Kitano - KIKUJIRO (1999)



Mais uma obra-de-arte. Cada vez mais me convenço que um filme de Takeshi Kitano é sempre um filme marcante, único e incomparável.

Em Kikujiro somos confrontados com uma realidade distinta das relatadas nos dois filmes anteriores sobre os quais vos falei. Takeshi Kitano volta a realizar, escrever e protagonizar mais uma grande história, real e habitual, que aos olhos de muito certamente passará completamente despercebida.


Como já antes referi, Takeshi Kitano é um realizador sem preconceitos, sem falinhas mansas, sem floreados ou rodeios. Não nos conta histórias da carochinha e leva muito a sério o seu espectador. É um realizador que não gosta de perder nem de fazer perder tempo. E em Kikujiro temos mais uma boa prova disso.

O filme conta-nos a história de Masao, um rapaz que vive em Tokyo com a avó. Abandonado pela mãe (que acredita te-lo abandonado para lhe dar uma vida melhor) e órfão do seu pai, vê todos os seus colegas partirem em família para as tão aguardadas férias de verão. É na monotonia dos seus primeiros dias de férias, que decide aproveitar para visitar a sua mãe (que nunca viu a não ser apenas em fotos) em Toyohashi.


Ainda na cidade de Tokyo, e enquanto está a ser assaltado por um grupo de adolescentes, é ajudado por Kikujiro (Takeshi Kitano) e pela sua Mulher (um casal muito amigo da sua avó), que lhe devolvem o dinheiro que lhe iria ser roubado. Ao sabere dos planos do menino, a Sra. Kikujiro obriga o seu marido a acompanhar o rapaz nesta enorme e difícil jornada. Com cinquenta mil yenes partem para uma viagem que tem tudo para não correr como o esperado.

Kikujiro é uma criança em ponto grande, um homem que facilmente se deixa levar pela tentação dos seus vícios. Rapidamente perde todos os yenes que lhe haviam sido entregues pela mulher para os custos da viagem, em ridículas apostas de corridas de ciclistas. Alheio a todo este tipo de contrariedades, Masao segue sempre alegre, não deixando de sonhar com o dia em que verá a sua mãe. Numa espécie de Road-Trip de quem sabe fazer filmes, Takeshi Kitano vai-nos confrontando com algumas surpresas, principalmente no que toca à controversa personagem que desempenha neste filme.



Mais uma vez com uma banda-sonora constituída praticamente por uma única música, que vos aconselho vivamente a ouvir, somos embalados pelo som dos violinos que marcam os momentos mais intensos deste filme. Acho que a escolha é acertada e que é a forma ideal de ter o espectador sempre atento e em sintonía com o filme. Com Takeshi Kitano percebi que, uma banda sonora de uma única melodia, resulta, na grande maioria das vezes, muito melhor do que um conjunto de músicas quase sem relação com a história do filme. Quanto à banda-sonora, volto a atribuir A.


Nota Final: B+

Trailer:



Informação Adicional:
Realização: Takeshi Kitano
Argumento: Takeshi Kitano
Ano: 1999
Duração: 121 minutos

Takeshi Kitano - FIREWORKS (1997)


E em Fireworks, Takeshi Kitano "mostrou as suas garras"! Que filmaço! Desde a intensidade de todas as cenas até pose do próprio Takeshi Kitano (que escreve, realiza e actua como principal personagem) que se caracteriza por se expressar, quase sempre, por pequenos monossílabos imperceptíveis, escondendo um misterioso olhar por detrás dos seus óculos escuros.


Fireworks é um filme que ocorre, durante todo o tempo, em dois espaços temporais distintos que se misturam e envolvem, exigindo a atenção do espectador. No mais antigo, Yoshitaka Nishi (Takeshi Kitano) é parceiro de Horibe (Ren Ohsugi) e ambos são polícias distintos e admirados. Até que Horibe se envolve numa cena de tiroteio e fica paraplégico. Aí, somos transportados para o outro espaço temporal. Neste, ao qual podemos chamar de presente, Nishi já não é polícia e vive para a sua mulher tentando dar alguma luz à vida da mesma, a qual está em grande risco devido a uma doença terminal. Horibe, antes homem de família, é agora um homem abandonado e Nishi, com sentimentos de culpa vai dando-lhe uma mão e tentanto que a sua vida melhore.


Takeshi Kitano percebe os dramas sociais de uma forma tocante e expressa as suas ideias sem rodeios, com uma frieza e uma clarividência que deixam o espectador completamente sentido com os problemas das suas personagens e solidário com as suas dificuldades. Gostei imenso de Fireworks, um drama policial que tantas vezes se repete por esse mundo fora, onde os intervenientes são anónimos que sofrem e lutam em silêncio.


Nota Final: A-

Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Takeshi Kitano
Argumento: Takeshi Kitano
Ano: 1997
Duração: 103 minutos.

Takeshi Kitano - KIDS RETURN (1996)



Começo hoje as crónicas sobre alguns dos mais importantes filmes de Takeshi Kitano. Seleccionei os filmes entre 1996 e 2003, pois aparentam ser os anos de melhor produtividade deste grande realizador.
Hoje apresento-vos Kids Return, um filme que demonstra já algumas das qualidades que marcam os filmes de Takeshi Kitano: um realizador directo, duro, sem rodeios e capaz de abordar temas controversos e importantes na sociedade actual, sem qualquer problema em ferir susceptibilidades.


Kids Return é sobretudo um filme sobre falhados. Sobre aqueles sonhos que imaginamos em crianças mas que, por este ou aquele motivo, acabamos por não os conseguir concretizar. Sendo construído à volta de 2 personagens principais e uma outra (mais low-profile) que aparece a espaços, todas elas têm uma característica em comum: são pessoas influenciáveis, imaturas e irresponsáveis.


Masaru
e Shinji são dois adolescentes, amigos desde infância, que desistem de estudar e investem o seu tempo em pequenos assaltos a colegas e diabruras aos professores. No entanto, quando certo dia se preparavam para assaltar novamente 2 rapazes, estes reservam uma pequena surpresa a Masaru que é espancado por um jovem pujilista. Decidido a vingar-se, Masaru inicia as aulas de boxe e arrasta Shinji consigo. Ao perceber que não nasceu para o boxe, após ser derrotado num combate com Shinji, Masaru desaparece e deixa o seu amigo sozinho, tentando a sua sorte no mundo da máfia japonesa. Shinji, sem mais nada para fazer senão treinar, desenvolve as suas capacidades e aos poucos começa a dar mostras de ser um promissor pujilista. Mas, com Takeshi Kitano, o mundo é real e não há lugar para contemplações. É esse mundo que vos convido a descobrir.


Nota Final: B

Trailer:



Informações Adicionais:
Realização: Takeshi Kitani
Argumento: Takeshi Kitano
Ano: 1996
Duração: 107 minutos