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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

No que toca a animação, estou convencido...


"Coraline". "ParaNorman". E este novo trailer de "The Boxtrolls". A Laika está cá para as curvas. Finalmente um filme de animação que me aguça a curiosidade.


E já que falamos de animação, cá fica também o teaser do novo filme de Hayao Miyazaki ("Spirited Away", "Ponyo", "My Neighbour Totoro"), "The Wind Rises". 2014 promete.


Especial Animação: Sondagem - Studio Ghibli


A acompanhar os sete artigos dos nossos convidados para a nossa Semana de Apreciação à Animação, vamos ter outros artigos especiais dedicados ao tema, que se debruçarão sobre diversos componentes que fazem da animação dos géneros mais excitantes do cinema contemporâneo. Hoje é um dia dedicado aos Estúdios Ghibli, da rica animação japonesa e, como tal, vamos ter alguns artigos dedicados aos fantásticos filmes que nos proporcionaram.

Para encerrar definitivamente o dia dedicado aos estúdios Ghibli, pensei que seria interessante questionar os nossos visitantes sobre o quão familiarizados estão com os estúdios de animação nipónicos, uma vez que a maior parte das pessoas desconhece a existência de grande parte dos filmes do estúdio, conhecendo porventura um ou outro título de Miyazaki, mas pouco mais. Aqui ficam então as duas perguntas...

Resta-me só avisar que incluo o "Nausicaä of the Valley of the Wind" mesmo sabendo que ele antecede a existência do Studio Ghibli, sobretudo porque muita gente o considera dentro das produções dos estúdios e até porque para muitos foi esse o início do estúdio.



E já agora, a título de curiosidade...


Obrigado pela participação!

Especial Animação: Personagens do Cinema - Totoro

A acompanhar os sete artigos dos nossos convidados para a nossa Semana de Apreciação à Animação, vamos ter outros artigos especiais dedicados ao tema, que se debruçarão sobre diversos componentes que fazem da animação dos géneros mais excitantes do cinema contemporâneo. Hoje é um dia dedicado aos Estúdios Ghibli, da rica animação japonesa e, como tal, vamos ter alguns artigos dedicados aos fantásticos filmes que nos proporcionaram.


Uma das personagens mais inesquecíveis, o espírito Totoro, do filme "My Neighbor Totoro" de Hayao Miyazaki, veio a tornar-se um dos seres animados mais adorados pelo mundo inteiro (a ponto de no Japão se fazer fortunas com a merchandising baseada no tão popular ser) e seguramente isso não se deverá apenas ao seu aspecto redondo e fofinho - tipo peluche - mas também à sua enorme e contagiante alegria, ao seu grande carisma e à forma enternecedora como estabelece amizade com as duas crianças.

O contributo das palavras cheias de inteligência e elegância de Miyazaki também é grande no estabelecimento de Totoro como um animal de estimação, um companheiro de sonho. "My Neighbor Totoro" é uma viagem excitante à nossa infância, onde a magia, a emoção, a aventura e, claro, a imaginação à solta estavam sempre presentes, onde fantasmas, dragões, fadas, bruxas, feiticeiros, todos ganhavam vida. Totoro é a representação da inocência, da pureza e deste olhar diferente sobre a vida que todos temos escondido dentro de nós. E todos estes sentimentos e características estão mais do que nunca presentes no ente que Totoro personifica. 

 
Mágico, admirável, inocente e afável, contudo esquecendo a sua mais que profunda humanidade, Totoro é das personagens mais queridas de sempre do mundo do cinema, uma das maiores e melhores fantasias infantis para sempre capturadas em filme. Quem nunca viu não sabe o que perde. "My Neighbor Totoro" é uma viagem alucinante ao melhor e mais primitivo de nós. São duas horas que vale a pena perder à procura do senso de nostalgia inerente de situações evocativas da nossa infância, do nosso passado que já lá vai. E o melhor é que para voltarmos a este mundo perdido no tempo basta só reintroduzirmos o DVD e deixarmo-nos levar. Outra vez. Totoro está à nossa espera.


Especial Animação: GRAVE OF THE FIREFLIES (1988)



Poucos filmes vi eu na minha vida tão profunda e humanamente depressivos como este. E poucos filmes vi eu também com uma mensagem social anti-guerra tão vincada quanto realista.  Um dos primeiros filmes dos nipónicos Studio Ghibli, lançado no Japão a par com o decididamente mais alegre "My Neighbour Totoro" de Miyazaki, como forma de contrabalancear com o seu pesado dramatismo, "Grave of the Fireflies" é a obra definidora de Isao Takahata e, mais que tudo, é o filme que abriu novos horizontes no que é possível fazer com a animação contemporânea (abrindo caminhos para que filmes como "The Lion King", "Princess Mononoke", "The Iron Giant", "Toy Story", "Up!", entre outros, tenham podido abordar temas mais sérios, considerados antes impróprios em filmes para crianças).


"Grave of the Fireflies", baseado no romance semi-autobiográfico com o mesmo nome de Akiyuki Nosaka, conta uma história relativamente simples e directa de sobrevivência e persistência, relatando a história de dois irmãos, Seita e Setsuko, órfãos de pai e mãe, vítimas dos ataques americanos à população de Kobe durante a II Guerra Mundial. A história é contada em analepse, começando no momento em que Seita perece de fome e malnutrição. O empregado de limpeza da estação de comboio atira fora uma lata de rebuçados de cai das mãos de Seita, que continha cinzas e pequenos ossos. Deles surge o espírito de Seita e de Setsuko e uma nuvem de pirilampos e é a partir daqui que a narrativa retrocede no tempo, para nos dar a conhecer a sua história.


Não querendo adiantar grandes pormenores da história, Seita e Setsuko vêem-se privados da sua mãe quando esta é uma das vítimas de um ataque aéreo por avionetas americanas à região, falecendo dias depois por queimaduras múltiplas. Uma vez que o seu pai se encontra na Marinha, são deixados ao cuidado da sua tia. Esta tia é uma das personagens mais curiosas de todo o filme, uma vez que é através da mudança comportamental dela que Takahata nos permite ver como a sociedade, no geral, iria reagir a uma situação de crise, de fome, de pobreza, de guerra. A tia, outrora alegre e contagiante, vai ficando mais triste, com o sorriso cada vez mais cerrado e vai implicando cada vez mais com os dois sobrinhos que adoptou, até ao ponto de praticamente os expulsar de casa. Seita e Setsuko abandonam a casa da tia e improvisam um lar num abrigo anti-bomba abandonado. No entanto, aquilo que seria uma solução alegre para ambos os problemas torna-se um problema em si mesmo, quando as crianças, a passar cada vez mais fome e a ter de recorrer a meios cada vez mais desesperados para conseguir subsistir, descobrem que Setsuko está doente e que, com o final da guerra, o seu pai teria feito parte de um dos navios afundados. 


Extremamente gráfico e com um poder emocional de nos arrancar as entranhas e abraçar o coração, "Grave of the Fireflies" não é para todos. Trágico, deprimente e desprovido de qualquer sentimento positivo, é na sua mensagem anti-guerra que reside a sua riqueza. Ao retratar de forma tão dura, realista e pessimista as consequências negativas da guerra para a sociedade, o filme não procura ser sentimentalista ou melodramático - pretende, isso sim, mostrar as coisas como elas são. A realidade raramente é simpática. Este é um filme sobre a guerra, sobre a fome e a pobreza, sobre a sociedade e sobre a humanidade, que por acaso calhou ser animado. É um filme que não puxa pelas lágrimas; somos compelidos a jorrá-las, tal é a intensidade dramática do que testemunhamos no ecrã.

O filme perde tempo em alguns momentos soberbos, de uma beleza inqualificável, vitais para nos obrigar a reflectir e a meditar, para nos apaixonarmos pelas personagens e temermos pelo seu futuro, para sermos apanhados de surpresa pelo fim pesaroso e percebermos que é, afinal, aquele o fim de muitas famílias apanhadas em território de guerra.


E a relação tão bem caracterizada e estabelecida dos dois irmãos é, para mim, o grande ponto forte e força motriz do filme. A forma como Seita é repetidamente colocado à prova e a sua reacção difere em várias alturas durante o filme é sublime, além de que é verdadeiramente enternecedor - e, sabendo do final, absolutamente avassalador - ver como os dois se são bem e ver a forma como Seita protege Setsuko da realidade alinhando nas brincadeiras e criando uma espécie de mundo à parte só para ela, onde nada lhes acontece e onde tudo fica bem. Não tenho vergonha em admitir que foi um dos filmes que mais vontade me deu de chorar. Lágrimas de luto, de quem tem o seu coração partido pelo que vê suceder sem poder fazer nada. "Grave of the Fireflies" promete ser uma experiência emocional poderosa que vos vai perseguir para sempre. E é por isso, acima de tudo, que eu aconselho toda a gente a vê-lo. Vale a pena - mesmo que depois disso não consigam alegrar-se com nada por umas horas.

Deixo-vos ficar abaixo com o tema final da banda sonora.



Nota:
A

Ficha Técnica:
Ano: 1988
Realizador: Isao Takahata


Especial Animação: Pessoas da Década - Hayao Miyazaki

A acompanhar os sete artigos dos nossos convidados para a nossa Semana de Apreciação à Animação, vamos ter outros artigos especiais dedicados ao tema, que se debruçarão sobre diversos componentes que fazem da animação dos géneros mais excitantes do cinema contemporâneo. Hoje é um dia dedicado aos Estúdios Ghibli, da rica animação japonesa e, como tal, vamos ter alguns artigos dedicados aos fantásticos filmes que nos proporcionaram.

Aproveitando a coincidência de hoje ser terça-feira, ressuscitamos uma rubrica adormecida do blogue - que vai voltar a total funcionamento nas próximas semanas: a das Pessoas da Década. Nesta rubrica, como se lembram, discutimos as grande personalidades cinematográficas que se fizeram, que se valorizaram ou que se excederam nesta década passada, sejam actores, realizadores, compositores, fotógrafos, entre outros.


Era fácil imaginar qual a Pessoa da Década em foco, ainda por cima se tivermos a pista de estar relacionado com os estúdios Ghibli. Um homem que é parte indelével dos estúdios que ajudou a fundar, um homem com uma carreira de trinta anos de actividade, um homem que revolucionou a animação japonesa e que inventou novas formas de contar histórias através da animação, um homem que merecidamente venceu o Óscar em 2003 pelo filme já hoje abordado, "Spirited Away". É óbvio que o homem de que falamos é...



Hayao Miyazaki


Hayao Miyazaki, por muitos considerado o "Walt Disney do Japão", teve a sua primeira grande oportunidade quando conseguiu arranjar trabalho nos estúdios de animação Toei, nos anos 60. Aí trabalhou durante quase vinte anos tendo subido na hierarquia dos estúdios, tendo finalmente realizado o seu primeiro filme em 1979, "Lupin III". Com o moderado sucesso deste filme, Miyazaki conseguiu financiar o seu segundo projecto, uma ambiciosa história que eventualmente seria produzida em 1984, nos primórdios daquilo que seria o Studio Ghibli, intitulada "Nausicaä of the Valley of the Wind".
 

A sua grande amizade com Isao Takahata fez então com que ambos se lançassem na criação do seu próprio estúdio de animação e assim nasceu, em 1985, o Studio Ghibli. O primeiro filme produzido pelo Studio Ghibli foi de Miyazaki - "Castle in the Sky". Este filme, que é ainda hoje um dos filmes mais apreciados de sempre dos estúdios japoneses, marcou uma nova era na forma como se fazia animação na altura. "Grave of the Fireflies", de Takahata, lançado dois anos depois, veio só confirmar o que se previa: que estes dois senhores estavam cá para ficar.


A admiração internacional, contudo, só viria a chegar depois de 1997, quando os irmãos Weinstein adquiriram, através da sua subsidiária na Disney, os direitos de distribuição de "Princess Mononoke", o quinto filme de Miyazaki nos estúdios nipónicos (depois de "Castle in the Sky" viria "My Neighbour Totoro", "Kiki's Delivery Service" - o primeiro filme do Studio Ghibli lançado nos Estados Unidos, debaixo do acordo com a Disney - e "Porco Rosso") e que tinha sido um sucesso estrondoso, a ponto de se tornar, na altura, no filme mais rentável de sempre no Japão.


E assim entramos na década passada. Depois de um curto período de reforma, no qual Miyazaki decidiu ingressar para se focar mais na família, ele retorna ao Studio Ghibli com uma ideia tão original quanto bizarra - a de uma menina que vive num mundo espiritual e mágico no qual tem de aprender a sobreviver sozinha. Dessa ideia inicial brotou "Spirited Away", aquele que é, indiscutivelmente, o filme mais admirado de Miyazaki e da história dos estúdios. O filme, que venceu o Urso de Ouro em Berlim, viria a conseguir a qualificação para o Óscar de Melhor Filme Animado (por não ter cumprido o período de elegibilidade em 2001), que viria merecidamente a vencer. Retém, ainda hoje, uma impressionante nota de 94 no Metacritic e um resultado fabuloso de 97% no Rotten Tomatoes. Um filme propositadamente mais escuro e tenebroso, menos alegre e esperançoso e muito mais introspectivo e reflexivo, que representa a passagem da infância para a adolescência e que contém um comentário social muito vincado, "Spirited Away" é imperdível para qualquer pessoa (faz inclusive parte da lista do BFI dos "filmes que uma criança deve ver até perfazer 14 anos").


Apesar do facto de só o ter realizado "Spirited Away" esta década ser suficientemente merecedor para receber uma menção nesta lista, Miyazaki não parou por aqui e ainda nos presenteou mais duas vezes esta década com dois grandes filmes: em 2004 trouxe-nos o mágico e emocionante "Howl's Moving Castle", sobre uma rapariga transformada em bruxa, também nomeado para Óscar em 2005 e em 2008 o alegre e aventureiro "Ponyo", uma história baseada no conto original de Hans Christian Andersen da Pequena Sereia. Estes três títulos de enorme valor, a juntar a uma carreira brilhante, faz, portanto, com que Miyazaki seja de facto uma presença obrigatória na nossa lista de pessoas da década. 


Um génio, um visionário, uma lenda, Miyazaki será sempre alguém que não pára de inovar e surpreender naquilo que faz. Quase sozinho tornou a casa de animação japonesa numa força poderosa, capaz de lutar taco-a-taco com os dois grandes estúdios americanos e até de lhes vencer ocasionalmente. Mas mais do que isso, a animação de Miyazaki pauta-se pelos temas que aborda, pela forma como constrói a narrativa, pela forma rica e detalhada como caracteriza as suas personagens. As suas histórias não são só para crianças - e é isso, acima de tudo, que o faz estar anos-luz à frente das suas congéneres norte-americanas (que só recentemente se começaram a aperceber disso; por alguma razão Lasseter, Stanton e Docter são fãs de Miyazaki e do seu trabalho - também por aqui se explica parte do sucesso da Pixar).


[Disclaimer: Não detemos os direitos de nenhuma das fotos].


Especial Animação: A alma de SPIRITED AWAY (10º Aniversário)


Nesta semana especial, que abre o mês de festividades, pedimos a amigos próximos e colaboradores de outros blogues que nos ajudassem a abordar um dos nossos temas preferidos: a animação. Todos eles foram limitados a um máximo de dez imagens ou um vídeo para a sua tarefa. Sete dias, sete colaboradores, sete títulos que festejam este ano o início de uma nova década de vida. Muita diversão, emoção e magia é prometida. A ver se cumprimos. Para este segundo dia, um dos cinéfilos que mais admiro, o Pedro Ponte (Ante-Cinema), vem falar um pouco sobre um dos seus filmes animados favoritos, SPIRITED AWAY que festejou 10 anos de vida no passado dia 20 de Julho. Com ele vos deixamos:


Por mais que tentasse, nunca conseguiria encontrar outro filme que definisse melhor o estúdio Ghibli aos meus olhos. Assim como "Toy Story" será sempre a bandeira da Pixar e "The Lion King" da Disney, "Spirited Away" foi o primeiro filme de Hayao Miyazaki que vi e, como nos dois casos anteriores, dificilmente deixará de encapsular na perfeição o cinema desta majestosa força criativa. É, também, servindo na perfeição a intenção desta semana de aniversário do DPFP, um filme que vai muito além do estereótipo da Animação como entretenimento para crianças e nada mais. 
Vi este filme muito novo, havia deixado de o ser (criança) há pouco tempo, e falou-me quase que a um nível espiritual - tudo o que Chihiro estava a sentir, também já o tinha sentido. Nunca encontrara monstros, bruxas e deuses, mas já tinha sonhado e imaginado tudo isso. A essência do cinema de Miyazaki e da Ghibli está toda neste filme (como o estará em muitos outros, especialmente "Castle in the Sky" e "Princess Mononoke") precisamente porque nos faz facilmente voltar à capacidade infinita de imaginar da infância sem nunca deixar de fora os monstros e as criaturas que nos assustavam. É, aliás, um filme assustador, negro e repleto lições sobre crescimento, amor - seja ele pelos nossos pais, por um amigo ou por mais alguém - e coragem. 
A sequência acima, em que Chihiro apanha o comboio sozinha (mas nunca realmente sozinha), resume tudo isso na perfeição. Nos momentos definitivos das nossas vidas (quando nascemos, quando morremos, quando apanhamos um comboio sozinhos pela primeira vez) somos, por definição, seres isolados. Cabe-nos a nós prezar aqueles que amamos enquanto podemos, enquanto voltar para eles é uma possibilidade, e nunca deixar de imaginar, porque quando o fizermos perderemos toda a magia que um dia tivemos dentro de nós. Se um dia tiver filhos, este será um dos filmes que não dispensarei mostrar-lhes - mas apenas quando tiverem idade suficiente para ler legendas.

Agradeço ao Pedro por ter aceite o nosso convite!