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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

SIDE EFFECTS (2013)


Fui ao cinema depois de uma prolongada ausência. Mais voltado para os livros e com uma penosa seca cinematográfica até Outubro, confesso-me com pouca paciência para a 7.ª Arte. No entanto, com saudades da cadeira, da sala, do grande ecrã, obriguei-me a escolher um filme e arrastei-me até ao centro comercial sem grandes expectativas. Depois de Magic Mike, fiquei na dúvida se Steven Soderbergh ainda teria algo de refrescante para oferecer, algo que me recordasse estar a ver o novo filme do realizador do espectacular Traffic. O elenco atraiu-me. Bem, (e que a minha Rita me perdoe) Rooney Mara atraiu-me. Está ainda longe de tudo daquilo que nos vai mostrar (Millenium 1 foi obviamente brutal, mas acredito que conseguirá ainda melhor) e em Side Effects volta a demonstrar uma qualidade e uma consistência invulgares para a sua idade e para a sua experiência.


O argumento do filme é um belo pedaço de história. E uma ideia criativa, rebuscada e bem trabalhada. Começamos com um bem-vestido Jude Law, no papel o sofisticado e bem sucedido psiquiatra Jonathan Banks, que numa atarefada noite de trabalho, recebe na urgência do Hospital uma jovem com um traumatismo provocado por um insólito acidente. Emily Taylor (Rooney Mara) acabara de tentar suicidar-se ao embater propositadamente com o seu carro contra a parede de um estacionamento subterrâneo. Intrigado com a situação e interessado em rechear a sua carteira de clientes, Dr. Banks convida-a a visitar o seu consultório uns dias mais tarde.


Conhece então a sua história. Emily, já com um historial psiquiátrico de relevo (visitara, com frequência, a psiquiatra Victoria Siebert (Catherine Zeta-Jones) alguns anos antes), é uma jovem que vive um momento conturbado na sua vida. O seu marido tinha sido recentemente libertado de 4 anos de prisão e, a necessidade de se adaptar e de se reajustar à sua nova realidade depois de vários anos de saudade, solidão e dor, pareciam demasiado fortes, demasiado pesados para a sua bagagem. Aconselhado por Dr. Siebert, Dr. Banks prescreve a Emily um novo anti-depressivo, altamente publicitado e com francos e públicos sucessos. No entanto, tudo se altera quando Emily começa a manifestar alguns inesperados efeitos secundários que, num ápice, transformam a paradisíaca rotina de Jonathan Banks, num desesperante beco sem saída. Efervescente, surpreendente e muito bem construído, Side Effects é toda uma surpresa. Do princípio ao fim. Aconselho-o ao leitor.

Nota Final: 
(7/10)


Trailer:



Informação Adicional:
Realização: Steven Soderbergh
Argumento: Scott Z. Burns
Ano: 2013
Duração: 106 minutos

CONTAGION (2011)






"It's figuring us out faster than we're figuring it out."

Começo por dizer que Steven Soderbergh é dos realizadores americanos que mais admiro. Só ele para construir uma carreira que alterna entre filmes de largo orçamento, produzidos pelos grandes estúdios de Hollywood, e pelos pequenos filmes independentes que, numa fase inicial, lhe ditaram o futuro na profissão. Durante uns tempos, Soderbergh tentou conciliar ambos, realizando dois filmes no espaço de um ano e lançando-os quase ao mesmo tempo. De repente, cansou-se e parou. E o mundo do cinema despedia-se não só de um dos seus autores mais profícuos, mas também um dos mais irreverentes e talentosos. E se bem que ele nunca há de voltar aos níveis de genialidade atingidos com o seu auspicioso início "Sex, Lies and Videotape", vencedor da Palma de Ouro em Cannes em 1998, é sempre bom tê-lo de volta ao que melhor faz: filmes. E 2011 oferece-nos dois filmes dele, ainda por cima.

O primeiro desses a ser lançado é este "CONTAGION", que reúne um elenco impressionante de brilhantes e talentosos actores para contar a história de como uma simples infecção viral pode provocar, de forma estrondosa, uma revolução no mundo inteiro, na tentativa de mostrar que, ao contrário do que muitos pensam, o real perigo do fim do mundo pode não estar em terramotos ou dilúvios ou outros desastres naturais, mas sim numa pandemia microbiológica multirresistente, capaz de ceifar a vida a milhões de pessoas enquanto semeia o pânico e a guerra entre pessoas, entre nações, entre o mundo.



A narrativa de "Contagion" é algo que já foi contado várias vezes, por diversas perspectivas, mas sempre da mesma forma. O que faz o filme de Soderbergh tão diferente dos outros (para melhor) é o facto de abordar a situação do ponto de vista de cada personagem, da forma menos sensacionalista e mais realista possível. O filme parece funcionar até como uma espécie de documentário, tal é a sua vontade de ser levado a sério e a sua precisão a nível científico (algo que é de louvar). Comporta-se como um thriller adulto que tenta fazer passar uma amálgama de mensagens, algumas políticas, outras sociais, acerca da forma como a sociedade actual reage a este tipo de acontecimento. Procura ser minimamente assustador e impressionante. Contudo... a não ser que seja um verdadeiro misofóbico (que tem horror a germes) - que eu sou, já agora - penso que não deve recear ver este filme. Se os germes o assustam... Bem, prepare-se. O filme não ajuda nada.



O filme abre então com a chegada de Beth Emhoff (Gwyneth Paltrow) a casa, onde encontra o seu marido Mitch (Matt Damon) e o seu filho Clark, já visivelmente debilitada e doente depois de uma visita de negócios a Hong Kong. A sua doença, aparentemente, não é um caso isolado, pois acontece o mesmo a uma top model ucraniana de regresso a Londres, um empregado de mesa chinês e um homem de negócios japonês. Partindo destas primeiras pessoas infectadas, a película observa o desenrolar cronológico da progressão do vírus, apresentando-nos, além de mais indivíduos que contraem a doença, o grupo de pessoas responsáveis por parar a proliferação da infecção, entre eles médicos - Dr. Orantes, especialista da OMS (Marion Cotillard), Dr. Mears (Kate Winslet), Dr. Hextall (Jennifer Ehle), Dr. Eisenberg (Demetri Martin), Dr. Sussman (Elliot Gould) e Dr. Cheever (Lawrence Fishburne), responsáveis do CDC - e figuras governamentais (Bryan Cranston, Enrico Colantoni) e ainda nos introduz uma questão pertinente sob a forma de Alan Krumwiede (Jude Law), um oportunista blogger australiano que pretende lucrar com a crise e que cria teorias da conspiração em que menciona documentos que teriam sido ocultados pelo governo acerca do vírus e do seu tratamento.



Algo a admirar em "Contagion" é a forma surpreendentemente vivaz e empolgante com que se desenrola o filme, não deixando lugar para o aborrecimento durante as suas quase duas horas de duração. Também há que elogiar Soderbergh por nunca deixar que a história de uma das personagens se sobreponha às outras, dando tempo a todas sem nunca permitir que uma ganhe proeminência. Claro que o elenco é seu aliado, pois tanta gente com talento nunca poderia dar mau resultado. Não há um ponto fraco, tal como não há (por razões óbvias, como já expliquei) ninguém que se destaque. Scott Z. Burns e Steven Soderbergh mantêm o argumento o mais simples, plausível e directo possível, sendo que o único detalhe que me recorde incomodar-me é o facto de praticamente nenhuma das personagens ter grande profundidade - algo que neste tipo de filme não choca ninguém também, por isso penso que esse será um mal menor. A banda sonora electrizante de Cliff Martinez, a edição impecável de Stephen Mirrione e a fotografia sumptuosa - a cargo do próprio Soderbergh - ajudam a manter as coisas interessantes.



O final deixa as coisas irremediavelmente resolvidas e, com tantas personagens para nos despedirmos e vermos a sua história ser encerrada, permite-se entrar em alguns clichés desnecessários e que teriam ficado melhor fora do ecrã mas, ainda assim, é um dos filmes imperdíveis do ano e uma fonte de entretenimento garantido, mais não seja porque o seu objectivo é maior do que contar uma simples história: "Contagion" tenta colocar-nos a discutir e a questionar tudo aquilo que nos foi mostrado.


Nota Final:
B

Informação Adicional:

Realização: Steven Soderbergh
Argumento: Scott Z. Burns
Elenco: Marion Cotillard, Bryan Cranston, Matt Damon, Jennifer Ehle, Lawrence Fishburne, Jude Law, Demetri Martin, Gwyneth Paltrow, Kate Winslet
Fotografia: Steven Soderbergh
Banda Sonora: Cliff Martinez
Ano: 2011


Trailer:

TEMPORADA 2011/2012 - Outubro/Novembro





Não é habitual, da minha parte, fazer este tipo de projecções e comentários prévios sobre filmes (deixo-o sempre para o Jorge que tem um conhecimento muito mais variado sobre estas áreas), mas a qualidade dos cinemas nos últimos meses tem sido tão baixa, tão ridiculamente baixa, que dei por mim a desejar que meses como Agosto, Setembro e até grande parte de Outubro, desaparecessem do calendário cinematográfico. A realidade das salas de cinema em Portugal é triste. Há muito, muitíssimo cinema de grande qualidade entre Novembro e Março (a altura dos "grande prémios"), que acabamos por não ver películas dignas das palavras "Filme" e "Cinema" nas grandes salas. Lixo, é quase tudo o que nos é impingido durante mais de metade do ano e que leva, até, a que o nosso blogue tenha menos movimento.




Dito isto, passo então a revelar-vos aqueles que são os filmes que mais quero ver num futuro próximo. Não vos poderei dar grande opinião sobre eles, nem falar com certezas se será ou não um grade sucesso. Aliás, muitas destas descobertas são me dadas a conhecer pelo Jorge, que começa a preparar a saga dos Oscars por esta altura do ano.



Assim sendo, em Outubro, teremos nos cinemas o conturbado Contagion, de Soderbergh, que contará com a participação de um bom elenco (Matt Damon, Kate Winslet, Marion Cotillard e John Hawkes) num intenso drama sobre o contágio descontrolado de uma epidemia. Pessoalmente, e depois de ter visto o trailer, acho que haverá algum potencial desperdiçado numa ideia, à partida, interessante.


Submarine, também com estreia prevista para dia 13, é um dos grandes filmes do mês. Já vos falei aqui sobre ele recomendo-vos vivamente a darem-lhe uma vista de olhos na sala de cinema, onde a banda sonora de Alex Turner vai garantir um envolvimento e uma tensão proporcionais à história do filme. Por último, sou ainda capaz de dar uma oportunidade a Sangue do Meu Sangue, de João Canijo, já que, do pouco que li sobre o filme, existem críticas bastante boas, relativas não só à qualidade do filme, como também à interpretação de Rita Blanco.


Em Novembro, dias mais felizes nos esperam! (A mim, a si e às bilheteiras das salas de cinema). Se todos os meses fossem como os de Novembro, certamente a minha carteira estaria bem mais vazia e o blogue bem mais activo. Começamos logo em grande! 50/50 de Jonathan Levine, um dos filmes que mais quero ver este ano (e que arrisco, sem medo, vai certamente ser um dos sucessos do ano), conta com Joseph Gordon-Levitt ("Adam") e Seth Rogen ("Kyle") numa comédia dramática sobre a luta do jovem Adam contra um tumor cerebral. O trailer não me desiludiu e deixou-me ainda com mais vontade de estar nas salas de cinema no dia 3 de Novembro.


Para a semana de 10 de Novembro, o leitor vai poder contar com a estreia de The Ides of March de e com George Clooney, sobre o qual o Jorge já vos falou aqui no Dial P for Popcorn. A nota de imdb.com não é muito positiva, mas gostei do trailer e a participação de Ryan Gosling, Philip Seymour Hoffman e Evan Rachel Wood, obrigam-me a vê-lo no cinema. Espero, sinceramente, sair de lá surpreendido e satisfeito. Não gosto de me guiar por opiniões prévias nem por notas do imdb.com (tirando, claro, casos de notas escandalosamente fracas), mas The Ides of March parece mais um caso de um hype que passou ao lado do sucesso. A confirmar dia 10.


Dia 17 de Novembro, nova visita ao cinema. Pedro Almodóvar, os seus diálogos, as suas personagens e os seus dramas são uma das razões pelas quais eu gosto tanto de cinema. Vou marcar presença na estreia de La Piel que Habito e do seu Antonio Banderas versão cirurgião plástico. Sei pouco sobre o filme, mas sei que é de Almodóvar. E isso, para mim, é o suficiente.




Para a última semana de Novembro fica reservado um dos mais fortes candidatos, segundo o que o Jorge me informou, para a próxima edição da fantochada dos Oscars (onde um filme do Spielberg sobre um cavalo (Sim! Um Cavalo!!!) e uma Sandra Bullock novamente "vestida" de super-mãe trágica, se apresentam na frente do batalhão para arrebatarem os prémios principais. Os anos passam mas a "qualidade" da Academia mantém-se), e que é também um dos filmes que aguardo com mais expectativas.




E, no caso de A Dangerous Method, de David Cronenberg as expectativas são as mais altas. Em primeiro lugar, porque o Jorge só me falou bem sobre ele. Em segundo, porque não é todos os dias que se juntam, num mesmo filme, Viggo Mortensen, Michael Fassbender e Vincent Cassel. Em terceiro, porque nenhum trailer me deixou tão intrigado, desconcertado e impaciente como este. E, por último, porque é David Cronenberg, o mesmo de A History of Violence e Eastern Promises (ninguém coloca o Mortensen a tão grande nível como ele) o criador desta história que envolve Carl Jung, Sigmund Freud e a Psicopatologia. Certamente, um dos grandes filmes de 2011!




Termino a Primeira Parte desta rudimentar previsão sobre os melhores filmes a ver nos cinemas durante os próximos tempos, e reservo o regresso da crónica para meados do mês de Novembro. Não adianta juntar tudo numa aborrecida e interminável crónica e falar-lhe já de filmes que só poderá ver em Fevereiro ou Março de 2012. Oportunamente, com tempo, saberá o que de melhor vai poder ver nas salas de cinema.

Personagens do Cinema - Ernesto Che Guevara


“It's a sad thing not to have friends, but it is even sadder not to have enemies.”


Uma interpretação emocionante, das mais surpreendentes e aterradoras da década passada, é a eleita para a minha crónica das Personagens do Cinema do mês de Maio. (Tanto eu como o Jorge voltamos a estar afogados em exames e trabalho da Faculdade e o blogue vai acabar por sofrer um pouco com isso. No entanto, continuaremos, o mais assiduamente possível, por aqui.)



A monumental Biopic que Benicio del Toro (um dos meus actores favoritos, dentro da sua geração) e Soderbergh construíram, rapidamente ocupou o seu lugar entre os destaques do ano de 2008 e, sem surpresas, instalou a polémica que desde sempre se associou à figura de Guevara. Não fossem os Estados Unidos a capital da distribuição mundial do cinema mainstream e talvez o papel deslumbrante que Del Toro interpreta neste longo filme tivesse um reconhecimento popular digno do seu assombro trabalho.


Num argumento que demorou vários anos a preparar, com uma investigação minuciosa por parte do próprio Benicio del Toro (e depois de Terrence Malick ter abandonado o projecto na sua fase mais precoce), Soderbergh orientou a criação do mais real documentário sobre os anos mais importantes da vida do lendário guerrilheiro argentino. Devido à dimensão de um argumento trabalho ao mais ínfimo pormenor, a divisão do filme em duas partes revelou-se uma decisão acertada, não só para a exploração cinematográfica das cenas mais marcantes da vida de Ernesto Guevara, como também para uma melhor receptividade do público em geral.


A sua interpretação em Che, valeu a Benicio Del Toro o prémio de Melhor Actor no Festival de Cannes em 2008, o ponto alto de uma carreira marcada por interpretações que demonstram um valor único, mas que rapidamente são apagadas com papéis medíocres em filmes que não se dignam a esse nome. Na personagem da sua vida, no papel para o qual nasceu, Benicio subiu ao patamar dos melhores. E é por isso que está entre as Personagens do Cinema.