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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

THE ADVENTURES OF TINTIN (2011)



Tenho que ser sincero. Tintin é um filme realmente engraçado, divertido, empolgante e cativante. Um "Two Thumbs Up!". Um sucesso. Não esperava admiti-lo, principalmente depois de saber que era Spielberg quem o iria realizar e depois de um trailer tão pouco convincente.


Mas, paradoxalmente, sempre desconfiei que Tintin me poderia surpreender. Em primeiro lugar, o trio de argumentistas que adaptaram a história de Hergé é bastante bom. Steven Moffat? Criador de Coupling, Sherlock e Doctor Who. Edgar Wright? Criador de Spaced, Shaun of Dead, Hot Fuzz e Scott Pilgrim. Joe Cornish? Criador do grande sucesso inglês do ano, Attack the Block. Em segundo lugar, porque as histórias de Hergé são, por si só, dotadas de um enorme potencial que, embora precisem de ser exploradas com alguma inteligência e sagacidade, podem facilmente garantir o sucesso de um filme. E por último porque foi depositada em Peter Jackson a tarefa de "criar" Tintin. E, algo que quero salientar, é a qualidade das imagens (em 2D) do filme. Graças às potencialidades da equipa de Jackson, o espectador tem a oportunidade de entrar dentro do desenho animado, de ver uma banda desenhada, no seu verdadeiro signficado, projectada numa película de cinema.


Por fim, a história, emocionante, consegue cativar o espectador sem grandes dificuldades. A cumplicidade de Tintin (Jamie Bell) e Milu é muito bem explorada, a personagem do Capitão Haddock (Andy Serkis) completamente hilariante e só fiquei com uma pontinha de desilusão devido às parcas aparições dos sempre divertidos irmãos Dupond e Dupont. Tudo gira à volta da miniatura de um barco que Tintin adquire numa feira de antiquidades por mera curiosidade. O assalto à sua casa, onde o pequeno barco é roubado, e a insistência de um estranho coleccionador em o adquirir, são o ponto de partida para mais uma aventura perigosa e atribulada desta personagem e do seu eterno companheiro.




Se quiser, Spielberg tem aqui uma mina de ouro para se encher de dinheiro para si e para as suas próximas quatro ou cinco gerações. Representar Tintin no cinema, com esta qualidade de imagem e efeitos especiais, é um sucesso garantido.

Nota Final:
A-/B+



Trailer:





Informação Adicional:

Realização:
Steven Spielberg
Argumento: Joe Cornish, Edgar Wright, Steven Moffat
Elenco: Jamie Bell, Daniel Craig, Andy Serkis, Nick Frost, Simon Pegg
Fotografia: Janusz Kaminski
Banda Sonora: John Williams
Ano:
2011
Duração:
107 minutos

BRITISH TV - Sherlock


Tenho vindo a adiar a escolha de Sherlock para a minha crónica da British TV desde o início da rubrica. É chegada a sua hora aqui no Dial P for Popcorn. A vitória nos BAFTA TV Awards na passada semana, na categoria de Melhor Série de Drama, bem como a vitória de Martin Freeman para Melhor Actor Secundário (à qual, penso justo juntar, a nomeação de Benedict Cumberbatch para Melhor Actor Principal), não podem ser ignoradas.


Justíssimo. Merecidíssimo. Sherlock é actualmente, com todo o mérito, uma das mais interessantes séries da televisão em Inglaterra. De uma inteligência invulgar e de uma originalidade viciante, a adaptação que Mark Gatiss e Steven Moffat (autor de Coupling e colaborador de Doctor Who) fizeram da obra Sir Conan Doyle é a prova viva de que a Inglaterra se sabe reinventar a cada ano que passa.


Sherlock Holmes (Benedict Cumberbatch) é uma personagem mesmo bem conseguida. Presunçoso, arrogante e detentor de uma auto-estima inabalável, sabe que é o melhor detective da Londres e que ninguém o consegue enganar. Viciado em quebra-cabeças e crimes misteriosos, utiliza de forma deliciosa o seu humor corrosivo para humilhar aqueles que considera insultuosamente inferiores, instalando a controvérsia entre os espectadores mais sensíveis. Pessoalmente, adoro o aproveitamento que fizeram da sua personagem, mesmo sendo perceptível que Benedict Cumberbatch não é um actor brilhante. Quanto a Martin Freeman (que tanto admiro pelo que fez em The Office), interpreta o papel do lendário médico John Watson, eterno companheiro de Sherlock e a única pessoa com paciência para aceitar com naturalidade o ego do caprichoso detective.


Muito distinto daquilo que Guy Ritchie fez na sua longa metragem, esta série é claramente resultado de cabeças inteligentes, que sabem pensar e criar com astúcia e perspicácia. Com apenas uma temporada (já exibida no canal 2 da RTP) de três episódios de noventa minutos, esta é uma série obrigatória para qualquer amante da investigação criminal. O futuro será seguramente brilhante para esta promissora série. E o BAFTA, um prémio que reconhece toda a sua qualidade.


BRITISH TV - Coupling

British TV é a crónica mensal do Dial P for Popcorn que tem como objectivo dar a conhecer séries britânicas, com a qualidade característica dos ingleses, local de inspiração e (fraco) plágio da Televisão Americana.


COUPLING


Para este mês escolhi uma série que se encontra entre as minhas cinco favoritas de todos os tempos. Não arrisco dizer que é a minha favorita da televisão britânica, pois são diversas e cheias de qualidade as que admiro, mas Coupling é a garantia de que o espectador vê uma série tremendamente inovadora, deliciosamente original e eternamente inconfundível. Não há, no mundo da televisão, nenhuma série como Coupling.



Baseada nas vidas de seis ninfomaníacos, Coupling é uma série que teoriza as relações, que satiriza os complexos masculinos e femininos, que desmonta ideias pré-concebidas sobre o sexo, a virilidade, o machismo e o feminismo. A forma como cada uma das personagens cria e expõe as suas hilariantes teorias torna-se viciante e cativa o espectador de tal forma, que garante que uma boa parte delas acabarão por se tornar inesquecíveis.


Começo por vos falar da minha personagem favorita. Jeff Murdoch (Richard Coyle) é a figura mais peculiar de toda a série. São da sua autoria alguns dos melhores momentos de toda a série e a sua ausência na quarta (e última) temporada faz-se notar e retira muita diversão e originalidade à série. Um solteiro sem sorte no amor, que procura a mulher da sua vida em qualquer pub de Londres e não se coíbe de encontrar justificações para todos os acontecimentos da sua vida. Uma personagem adorável, que nos leva da diversão à comoção, feita para cativar qualquer espectador.


Steve Taylor (Jack Davenport) e Susan Walker (Sarah Alexander) formam o único casal desta série. Juntos desde o primeiro episódio, permitem aos criadores da série introduzir de forma natural os habituais problemas de uma relação a dois, criando um divertido antagonismo em relação às aventuras das restantes personagens. Patrick Maitland (Ben Miles) representa a componente machista desta série. Um galã inveterado, um pedrador sexual, conhecido entre a as mulheres de Londres pelo seu famoso tripé que derrete o desejo de quem por ele se apaixona. Por último, Sally Harper (Kate Isitt) uma quarentona solteira e abandonada, carente de atenção e companhia e Jane Christie (Gina Bellman) uma jovem lunática e ligeiramente esquizofrénica, completam o elenco de luxo desta série.


Criado por Steven Moffat, um dos mais irreverentes génios da actualidade televisiva em Inglaterra, Coupling é uma das séries de culto da última década. Uma série que venero, que não me canso de ver, que será para sempre recordada como uma das mais originais criações sobre o amor, as relações e o sexo. Em Coupling não existem aqueles irritantes e dispensáveis preconceitos a que muitos dos iluminados gostam de atribuir a designação de tabus. E só por isso, já se torna diferente.



PS: Torna-se importante referir que em 2003 a Televisão Americana decidiu adaptar a série, criando um formato que se baseava no sucesso britânico. Foi um completo fracasso.