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DIAL P FOR POPCORN

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"12 Years A Slave" de Steve McQueen candidata-se a filme do ano


Steve McQueen é um dos mais brilhantes realizadores da nova geração, com os seus dois primeiros filmes, "Hunger" e "Shame", a transformá-lo num dos mais excitantes artistas a seguir no cinema moderno e a converter a sua musa, o alemão Michael Fassbender, num dos actores mais importantes dos últimos anos em Hollywood. Tem sido até agora ignorado pelas principais cerimónias de prémios, o que se percebe em parte pelo conteúdo difícil de digerir das suas duas películas (que também penalizou as fantásticas interpretações do seu protagonista). 

A maré de azar parece estar a mudar, pelo que o trailer do seu novo filme, "12 Years A Slave", indicia. Reunindo-se com a sua estrela (Fassbender), reabilitando (possivelmente) a carreira de um dos maiores actores afroamericanos deste século (Chiwetel Elijofor) e completando um elenco muito sólido com consumados profissionais (Brad Pitt, Paul Dano, Paul Giamatti, Scott McNairy, Garrett Dillahunt, Michael Kenneth Williams, Alfre Woodward e Sarah Paulson, entre outros), McQueen decide pegar no tema da escravatura no final do século XIX, o qual "Django Unchained",  o multi-nomeado aos Óscares o ano passado, também abordou.


Cá fica o primeiro grande trailer do ano. Muita promessa, muita expectativa, a confirmar em Veneza ou nos festivais de Outono (Telluride e Toronto).

REALIZADORES/PERSONAGENS DO CINEMA: STEVE MCQUEEN E BOBBY SANDS



Pela primeira vez junto duas das minhas crónicas favoritas numa só. É uma crónica de comemoração, onde presto homenagem a duas das figuras mais brilhantes do cinema em 2011. Sim, a crónica dos Realizadores (em especial essa) serve para homenagear os grandes nomes da realização, é verdade. Nomes com história, com currículo, com filmes suficientes para garantir um lugar entre os melhores e mais marcantes de sempre. Steve McQueen pode não ser ainda tão grande como foram Stanley Kubrick, Alfred Hitchcock, Ingmar Bergman ou Fritz Lang. Mas, verdade seja dita, está numa posição muito privilegiada para fazer parte deste clube de elite.


Quanto a Michael Fassbender, pouco mais há a dizer. Bobby Sands é a mais importante personagem da sua carreira até ao momento (e certamente uma das mais marcantes de todo o seu currículo). Estamos a falar de um actor que conseguiu, em X-Men: First Class, transformar Magneto numa grande personagem. E quando pensamos nisto e olhamos para Bobby Sands, um revolucionário da Irlanda do Norte enclausurado numa prisão sem regras, disposto a morrer pelos seus direitos como prisioneiro político, percebemos a dimensão daquilo que lhe foi posto em mãos.


Estamos a falar de um filme que, a nível técnico, não é tão bem conseguido quanto o foi Shame. Aí, Steve McQueen está melhor. Aprendeu com alguns erros cometidos em Hunger e mostrou uma evolução consistente e admirável. Mas Fassbender mostra porque é que faz as delicias dos amantes do cinema. É uma máquina de representação. A intensidade, a entrega, a concentração, o profissionalismo, actualmente não têm igual. É o melhor actor em actividade. Não sabe fazer mal. Em Hunger, um filme que nos transporta para o inicio da década de 80, altura dos violentos conflitos entre a Irlanda do Norte e a tirana Margaret Thatcher, vivemos o ambiente duro e cruel de uma prisão onde eram calados os presos políticos, os homens que mobilizavam as massas e que, com coragem, desafiavam o sistema e as regras.


É um filme duro. Não se vê com o pacote de pipocas à frente, nem num ambiente festivo. Baseado em factos reais, é uma mensagem sobre a bravura e a coragem de homens que lutaram pelos seus ideais e pelo seu orgulho. Arrojado em todos os aspectos técnicos, com um fantástico take de quase vinte minutos onde Fassbender mostra a sua classe, Hunger foi o primeiro passo de um imberbe Steve McQueen. Com um estilo muito próprio, McQueen é um dos mais promissores realizadores dos nosso dias. E Twelve Years a Slave, esperado para 2013, é já um dos filmes mais aguardados do próximo ano.

O MELHOR DE 2011 - PRÉMIOS INDIVIDUAIS

O meu atraso na publicação destas listas é justificável. Tal como no ano passado, optei por fazer uma reunião tendo por base o ano em que os filmes aparecem identificados no site IMDb. Sendo assim, e como alguns dos melhores filmes do ano só estreiam em Portugal na altura dos Oscars, as minhas listas surgem um pouco mais tarde.

Pela primeira vez, arrisco-me nos prémios individuas (A lista com os Melhores Filmes será publicada amanhã.). De forma tímida, apenas com cinco categorias. Há sempre filmes que não tenho oportunidade de ver e não gosto de ser injusto. Mas penso que fiz uma escolha séria e ponderada e que aqui estão realmente aqueles que, para mim, foram os melhores em 2011. Pode ser que em 2012, com mais experiência (tanto cinematográfica como blogosférica, me consiga atrever a algo mais arrojado como são, por exemplo, os Dial A for Awards do Jorge. Posto isto, os vencedores de 2011 são:


Melhor Actor: Michael Shannon (Take Shelter)






Melhor Actriz: Meryl Streep (Iron Lady)






Melhor Realizador: Steve McQueen (Shame)






Revelação Masculina do Ano: Michael Fassbender (Shame, A Dangerous Method, X-Men: First Class)






Revelação Feminina do Ano: Jessica Chastain (Take Shelter, The Tree of Life, The Help)


SHAME (2011)



Honra lhe seja feita. Shame não é um filme para meninos. Estamos numa Nova Iorque contemporânea. Onde o rebuliço dos dias arrasta milhões, de um lado para o outro, numa azáfama e numa rotina diabólica, que destrói relações e promove a solidão e a desintegração social. Brandon Sullivan (Michael Fassbender) é um homem perdido. Vive na ilusão das suas inúmeras companheiras sexuais, da pornografia cibernética, das fugazes relações de uma noite. Mas a adrenalina e o calor de mais um encontro sempre desaparecem com o nascer do sol, e mais um infeliz, cinzento e solitário dia aparece.


A viver sozinho no seu apartamento nova-iorquino, Brandon recebe a inesperada visita da sua irmã Sissy (Carey Mulligan), uma aspirante e promissora cantora, que se revela uma personagem completamente distinta e paradoxal daquilo que é Bradon: carente, dependente, a viver intensamente cada momento e cada relação. Enquanto, sabiamente, o magistral Steve McQueen cria uma cápsula que envolve, protege e esconde o íntimo de Brandon , a encantadora Sissy é uma personagem inocente, que se abre perante o espectador e nos dá a conhecer aquilo que é, sem sombras, sem máscaras, sem fantasias.


Mas o maior elogio de todo o filme vai directamente para Steve McQueen. O seu trabalho é sublime. E se Shame não funcionaria sem o carisma e a intensidade com que Fassebender se entrega à personagem, seria também um enorme fracasso na mão de 99% dos realizadores em actividade. É preciso ser-se um mestre, é preciso ser-se muito muito bom, para se criar um ambiente, uma envolvência, um clima que, por si só, catapultam uma personagem. A banda-sonora é irrepreensível e (igualmente) surpreendente. É uma das melhores deste ano. Tal como filme. Shame não desiludiu. Mas, repito, não é um filme para meninos. E é um filme que merece (e necessita) da compreensão do espectador. Tudo o que acontece, sem pudor, faz parte de uma história maior. De um revelação pura, dolorosa e real.


Nota Final:
A-



Trailer:





Informação Adicional:
Realização: Steve McQueen
Argumento: Abi Morgan e Steve McQueen
Ano: 2011
Duração: 101 minutos