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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

Previsões Óscares 2013 (I): Actor



MELHOR ACTOR

Falemos agora de melhor actor.  A categoria parece, para já, repleta de potenciais candidatos. A época de festivais deverá ajudar a separar os reais competidores de quem não veio para concorrer a sério. O campo parece promissor, com antigos vencedores, os veteranos, os habitués e o sangue novo à caça do prémio mais ambicionado do planeta. Vamos por partes.

Veteranos


Robert Redford (por "All is Lost" de J.C. Chandor) e Bruce Dern (por "Nebraska" de Alexander Payne) estiveram em destaque no festival de Cannes, tendo mesmo o último vencido o prémio de melhor interpretação masculina do certame. Tudo indica que ambos terão que ser levados a sério para vencer o troféu - tanto um como outro são muito queridos pela indústria e não obstante Dern nunca ter sido nomeado pela Academia apesar da sua longa carreira, Redford - que já tem Óscares (por "Ordinary People") - nunca venceu um Óscar por representação, sendo um dos maiores actores vivos. Uma corrida a dois que promete.


Antigos Vencedores


O duplo vencedor Tom Hanks espera imitar Denzel Washington o ano passado e também ele voltar às nomeações por "Captain Phillips" de Paul Greengrass. Também Forrest Whitaker, que não tem levantado grande entusiasmo na sua carreira depois da sua vitória em 2007, está de volta com "The Butler" de Lee  Daniels. E apesar de não haver grande confiança no projecto - aguardamos notícias de Toronto - Colin Firth é sempre alguém a ter em conta na corrida, desta feita por "The Railway Man".


Os Habitués


No topo da lista de actores com mais prestígio sem Óscar está Leonardo DiCaprio - algo que é inadmissível para alguns. Confesso que é um actor que me é indiferente - e precisa de mostrar novas facetas para levar o prémio. Depois de "Django Unchained" e "The Great Gatsby", esta colaboração mais colorida com Scorsese em "The Wolf of Wall Street" poderá finalmente trazer-lhe sucesso. Outro grande candidato - embora não seja habitual nas cerimónias, tem que ser considerado aqui, até porque já venceu um Óscar, se bem que noutra categoria - é Christian Bale, com duas possibilidades este ano - "American Hustle" de David O. Russell e "Out of the Furnace" de Scott Cooper. Qualquer um dos dois é uma boa aposta. Esperar para ver qual - se algum - será candidato a sério. Depois de ter sido provavelmente o segundo classificado da corrida do ano passado (ou pelo menos gosto de pensar que sim), Joaquin Phoenix volta este ano com mais duas películas: "Her" de Spike Jonze e "The Immigrant" de James Gray. Ambos os filmes parecem completamente desenquadrados com o tipo de filme que a Academia gosta de premiar mas seria qualquer coisa de sensacional se o actor conseguisse nova nomeação (talvez melhor sorte para o ano com "Inherent Vice"?). Depois temos a questão "The Monuments Men", o novo filme de George Clooney, que conta com um largo elenco mas que parece ser presidido pelo próprio ou por Matt Damon. Quando o filme for visto saberemos mais - inclusive se é para ser levado a sério - mas terá um protagonista declarado ou será como "Argo"? Finalmente, outros candidatos a considerar: Hugh Jackman e Jake Gylenhaal ("Prisoners"), Josh Brolin ("Labor Day" e "Oldboy") e Bradley Cooper ("Serena").


Sangue Novo


Quando se fala em sangue novo referimo-nos habitualmente a juventude. Contudo, da faixa etária mais jovem só duas possibilidades surgem à cabeça: Miles Teller por "The Spectacular Now" que não parece ter hipótese nenhuma e Michael B. Jordan, que protagoniza o êxito de Sundance "Fruitvale Station" e que pode alcançar uma nomeação fácil se (e é um grande se) o seu filme encantar o público como encantou a crítica - e os Weinstein fizerem uma campanha forte. No sangue novo quis incluir também gente que nunca foi nomeada (e que nalguns casos já devia ter sido) e que portanto poderá conseguir a primeira nomeação este ano. Falo de Michael Fassbender (por "The Counselor" de Ridley Scott), Chiwetel Elijofor (por "12 Years a Slave" de Steve McQueen), Steve Carell (por "Foxcatcher" de Bennett Miller), Idris Elba (por "Mandela: A Walk to Freedom"), Benedict Cumberbatch (por "The Fifth Estate" de Bill Condon), Oscar Isaac (por "Inside Llewyn Davis" dos irmãos Coen), James McAvoy (há muito à espera de uma nomeação, por "The Disappearance of Eleanor Rigby") e o rejuvenescido Matthew MacConaughey (por "Dallas Buyers Club" de Jean-Marc Vallée). Gostava de pensar que Mads Mikkelsen ("The Hunt") terá alguma hipótese - bem como Paul Rudd e Emile Hirsch ("Prince Avalanche") mas é mais fruto da minha imaginação que outra coisa. E que dizer do enigma Ben Stiller ("The Secret Life of Walter Mitty")?

De qualquer forma, aqui temos uma corrida interessante, com muitos candidatos. Arriscando uma lista de nomeados...


Previsão dos nomeados:
Christian Bale, "American Hustle" ou "Out of the Furnace"
Bruce Dern, "Nebraska"
Leonardo DiCaprio, "The Wolf of Wall Street"
Tom Hanks, "Captain Phillips"
Robert Redford, "All is Lost"


HOPE SPRINGS (2012)


Deve ser um prazer ter uma intérprete como Meryl Streep a protagonizar uma comédia. A actriz, profissional consumada, exímia no drama e na comédia, eleva qualquer material em que põe as mãos e transforma o que poderia ser uma comédia mediana em algo acima da média. Em "HOPE SPRINGS", mais uma vez a magia de Streep é palpável. Não está, desta vez, sozinha - encontra um oponente à altura em Tommy Lee Jones, rejuvenescido depois de um marasmo de carreira nos últimos anos. O filme é, basicamente, a colaboração dos dois. Tudo o resto é acessório. O realizador David Frankel teve uma decisão simples a tomar: deixá-los fazer o seu trabalho.


O filme começa com a constatação que a vida deste casal está por um fio. Kay (Streep) e Arnold (Jones) são um casal suburbano com problemas no casamento, como tantos outros. A convivência é estarrecedora, com poucas trocas de palavras e apenas gestos rotineiros pelo meio do seu dia-a-dia. E assim avança o tempo. Até que Kay, farta de se sentir solitária e menosprezada, finalmente se presta a dizer basta e sacrifica a sua vida pacata por um acto absolutamente radical - que poderá todavia mudar de uma vez por todas o seu casamento. É nesta primeira metade que é possível apreciar o quanto o talento de ambos os actores contribui para melhorar o filme: a raiva interna de Arnold por ser incapaz de acompanhar o novo estado de espírito de Kay e, ao mesmo tempo, o desespero de Kay por querer simultaneamente que o marido reaja e por estar cansada de esperar que este mude e a deixe de ignorar. Uma cena particularmente tocante ocorre quando o terapeuta - interpretado com uma classe e tranquilidade admiráveis por Steve Carell - lhes propõe um cenário sexual bastante distante do que é hábito do casal. O olhar enternecedor de Meryl, ao ver que Arnold a rejeita, transforma-se de repente num ar de autocomiseração, tristeza e vergonha que é impossível não querer saltar para a tela e, naquele momento, abraçá-la e dizer que tudo vai ficar bem.


Os dois protagonistas merecem elogios pela familiaridade e vulgaridade com que interpretam Kay e Arnold. Streep em particular é impressionante na forma como de novo (já cansa dizer isto) desaparece no papel desta comum e frágil mulher que só deseja voltar a ser amada pelo marido como antes. Perfeita na simbiose com Jones, cujo trabalho na segunda metade do filme é notável, ao ter que deixar a sua zona de conforto e divertir-se um pouco (algo incomum na maioria da filmografia de Tommy Lee Jones), pois para ganhar Kay de volta, Arnold vai ter de arriscar em situações que nunca julgou ser capaz de concretizar.


As sessões com o terapeuta (Carell) são indubitavelmente os momentos mais fortes do filme, particularmente nas primeiras sessões quando demasiadas verdades são lançadas para o ar e nenhum dos dois membros do casal está preparado para encarar a dura realidade que estão há demasiado tempo sem contactarem intimamente um com o outro. Altos e baixos, momentos de felicidade e melancolia, vão-nos informando do quanto este casal mudou com os anos. É nestes momentos que o filme larga o rótulo de comédia romântica e se torna algo mais. Não compensa por algumas partes do filme bem mais ridículas (todas as cenas com Elizabeth Shue são escusadas; e creio que só não foram editadas no final porque Shue é ainda um nome de respeito em Hollywood) mas seguramente que lá estão para nos lembrar, pelo menos numa apreciação geral, que o filme tenta fugir à maioria das convenções - e em parte o consegue. Uma nota ao terrível acompanhamento musical do filme, que rivaliza com "Chéri" na banda sonora mais inadequada que eu me lembro de ouvir num filme. É especialmente confrangedor ver cenas de aparente tristeza acompanhadas por música alegre e esperançosa. Amadorismo.


Incrivelmente especial e honesto, vincando com convicção as apreciações que tem a tecer sobre as dificuldades de um casamento, da intimidade e da sexualidade na flor da meia-idade, com duas interpretações gigantes de Jones e Streep, "HOPE SPRINGS" torna-se muito mais que uma simples comédia romântica. É um filme obrigatório para todos quantos pretendem completar a sua formação cinéfila de 2012. É um dos pequenos grandes filmes do ano. Sem ninguém (friso: ninguém) esperar que o fosse ser.


Nota:
B/B+ (8/10)

Informação Adicional:
Realização: David Frankel
Argumento: Vanessa Taylor
Elenco: Meryl Streep, Tommy Lee Jones, Steve Carell, Elisabeth Shue, Jean Smart
Ano: 2012
Música: Theodore Shapiro

Estreia da Semana (27/9)

Estamos finalmente a chegar à melhor época cinematográfica do ano. Depois de um doloroso percurso no deserto (com filmes tão maus que nem mereceram a nossa análise aqui no blogue), voltamos novamente àquela época febril das grandes estreias em catadupa, onde o leitor merece ser informado sobre o que realmente não pode perder.

A nossa escolha para esta semana vai para Seeking a Friend for the End of the World, uma comédia com Steve Carell, Keira KnightleyAdam Brody. Aqui ficam a capa e o trailer:



CRAZY, STUPID, LOVE. (2011)


"I'm going to help you rediscover your manhood. Do you have any idea where you could have lost it?"

Um filme que faz jus ao seu título. Cenas completamente estúpidas, momentos loucos e a emoção dos diversos amores do filme constroem mais um filme de domingo à tarde. Não justifica o bilhete de cinema que paguei para o ver, mas também não defrauda por completo. As poucas expectativas que tinha para o filme de Glenn Ficarra e John Requa era a sua nota sobrevalorizada do imdb.com (7,8). De resto, já sabia para o que ia e não fiquei totalmente desiludido. Houve momentos (sim, aqueles entediantes clichés cinematográficos deram-me cabo do juizo) em que me apeteceu levantar e mandar o filme passear. Mas, paradoxalmente, houve também meia dúzia de momentos surpreendentes e irracionalmente divertidos. Ri a bom rir, a ponto de esquecer os piores momentos do filme.


Emily Weaver (Julianne Moore) decide divorciar-se do derrotado e conformado Cal Weaver (Steve Carell), que descuidou o amor e o romance do seu casamento e se vê fora do seu lar com o peso da traição da sua esposa (segundo Emily, mais do que justa) com o seu colega de trabalho David Lindhagen (Kevin Bacon). Derrotado, vencido pela dor, começa a frequentar um bar onde as suas mágoas não passam despercebidas a um bem sucedido e sedutor Ryan Gosling, que, no meu entender, demonstrou algum desconforto num papel e numa personagem pouco habitual no seu currículo. Ryan Gosling é Jacob Palmer, um jovem que conquista uma mulher diferente todas as noites e que decide ajudar Cal a sentir-se um homem novo, a mudar a sua imagem e a ultrapassar a dor da separação. Nesta história, cabe ainda a jovem Hanna (Emma Stone), uma estudante de direito, empenhada e esforçada, que vive na ilusão de um casamento de sonho com o milionário Richard (Josh Groban).


Um elenco de óptima qualidade, que garante sólidas interpretações num filme com momentos demasiado maus. Esta montanha russa de emoções e de qualidade, forçam-me a cotar o filme com um C+, uma nota que não reflete a boa edição do filme. Vale a pena ver Crazy, Stupid, Love? Sim, mas só num domingo à tarde, em casa e sem que tenha de pagar para o ver.


Nota Final:
C+


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Glenn Ficarra, John Requa
Argumento: Dan Fogelman
Ano: 2011
Duração: 118 minutos

EMMY 2011: Actor e Actriz - Comédia


 

Melhor Actriz - Comédia


Edie Falco, "Nurse Jackie"
Tina Fey, "30 Rock"
Laura Linney, "The Big C"
Melissa McCarthy, "Mike & Molly"
Martha Plimpton, "Raising Hope"
Amy Poehler, "Parks & Recreation"

Quem ficou de fora: Embora não seja uma comédia, o trabalho de Toni Collette esta temporada foi superior ao de todas estas actrizes - se bem que devia ser premiado na categoria de drama, não aqui. Como o ano passado, as duas roubadas são Patricia Heaton ("The Middle") e Courteney Cox ("Cougar Town"). Se a primeira não me chateia, até porque tem três Emmys já, a segunda é de me trespassar o coração. Vinte anos a trabalhar na indústria, duas séries de sucesso (uma de imenso sucesso) e continua a ser das poucas grandes actrizes da televisão sem uma nomeação no seu currículo.

Quem devia ganhar:Amy Poehler,  que é absolutamente brilhante e inesquecível como Leslie Knope sem nunca chegar a ser insuportável, algo que o seu tipo de personagem tende a ser.

Quem vai ganhar: Não há sequer outra possibilidade (a haver seria um dos mais gigantescos upsets da história da Academia) além de Laura Linney que com o piloto da sua série apresenta a personagem, deixa-nos entrar nas suas emoções e na sua dor e permite-nos avaliar, em primeira mão, o seu enorme talento enquanto actriz. Se formos pelo episódio em si, seria Martha Plimpton ("Say Cheese") ou Amy Poehler ("Flu Season") a vencer. A nomeação de Edie Falco (escolheu "Rat Falls") e Tina Fey (optou por "Double Edged-Sword"), tendo em conta o seu pedigree na indústria, não surpreende ninguém, pois são comodidades tidas em muita consideração e finalmente um prémio curioso para Melissa McCarthy (escolheu "First Date"), esta nomeação, pelo high-profile que a actriz teve todo o Verão à custa da sua série, do seu papel em "Bridesmaids" e do facto de anunciar as nomeações deste ano. Tudo isto culminou na sua nomeação e eu, que me recordava com alegria dela em "Gilmore Girls", fico feliz.

Melhor Actor - Comédia:


Alec Baldwin, "30 Rock"
Louis C.K., "Louie"
Steve Carell, "The Office"
Johnny Galecki, "The Big Bang Theory"
Matt LeBlanc, "Episodes"
Jim Parsons, "The Big Bang Theory"

Quem ficou de fora: Não sei que mais tem Matthew Perry ("Mr. Sunshine") de fazer para voltar a se estabelecer na televisão. Similarmente, qual é o problema da Academia com Jeff McHale? E só mais uma coisa: Matt LeBlanc? A sério? E Stephen Mangan, o verdadeiro protagonista da série, mil vezes melhor? Não? Já nem falo de Zachary Levi ("Chuck")...

Quem devia ganhar: Jim Parsons ou Louis C.K., os únicos verdadeiros comediantes da categoria. Se formos pelo episódio e mesmo até pela temporada, eu diria que Steve Carell merece ganhar.

Quem vai ganhar: Desde o momento que Steve Carell anunciou o seu fim em "The Office" e submeteu para avaliação "Goodbye, Michael" que o Emmy é dele.

ÚLTIMA HORA: Trailer de 'CRAZY, STUPID, LOVE'


Lá chegaremos à nossa antevisão de 2011 e nessa altura colocarei os trailers que já andam por aí a circular. Contudo, este eu não podia deixar passar. Imediatamente me deixou convencido que vai ser dos destaques do ano (já para não falar do fabuloso elenco). Glenn Ficarra e John Requa realizam "Crazy, Stupid, Love", que conta com Emma Stone, Ryan Gosling, Marisa Tomei, Julianne Moore, Steve Carell e Kevin Bacon nos principais papéis e fala, de uma maneira muito geral, da nossa abordagem às relações. Falaremos dele mais tarde, mas por ora fica cá o trailer: