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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

Algo novo, Sofia, fico à espera




Oh, Sofia. Começou tão bem a nossa relação, ao fazer da Kirsten Dunst uma das actrizes mais promissoras da sua geração (que ela viria a confirmar na vossa segunda colaboração, injustamente mal amada). Lá conseguiste a estatueta por um filme que, não importa o que fizeres mais na tua carreira, será para sempre lembrado e adorado. Nesse, além de mostrares ao que vinhas, pegaste numa actriz ensossa como a Scarlett e fizeste-nos pelo menos pensar, já lá vão dez anos, que ela conseguia ser uma actriz a sério. O problema foi que voltaste com tanta promessa e o que deste foi muito pouco. A variação entre temáticas e atmosfera dos teus filmes não mudou. Hollywood está à espera de ver que mais sabes fazer. Será desta? Ou teremos que aceitar de vez que Sofia Coppola, a filha do lendário Francis Ford Coppola, não herdou nem 10% da versatilidade do pai? Fico à espera, Sofia, fico à espera.

SOMEWHERE (2010)


Uma das grandes ausências da edição deste ano dos Oscars, o filme de Sofia Coppola que tanto prometia depois do prémio máximo no Festival de Toronto é, no final de contas, uma bela desilusão. Uma desilusão tão grande, que a Academia nem sequer conseguiu encontrar motivos para a levar à nomeação.

Eu não gostei. Respeito quem goste, mas não o consigo compreender. Penso que Sofia Coppola tentou dar um passo maior do que a sua perna e, de uma boa intenção, resultou um filme mal conseguido, onde o único momento em que despertei do transe em que fui embalado resultou de uma versão acústica da fantástica música dos The Strokes "I'll Try Anything Once". De resto, toda a banda sonora é bastante pobre (possivelmente, feito de modo propositado).


Johnny Marco (Stephen Dorff) é um bem sucedido actor de Hollywood, famoso e com resultados conseguidos. No entanto, a sua vida pessoal já teve dias melhores: É um pai divorciado que gasta as noites e o dinheiro em festas onde o álcool e o sexo estão sempre presentes. Bem, falando assim deste filme, até parece um filme com alguma acção.


Na realidade Somewhere é incrivelmente chato. É desconcertante de tão chato. E a pouca acção que Sofia lhe deu começa quando Cleo (Elle Fanning), filha de Johnny, aparece, e com este tem que ficar devido à súbita fuga da sua mãe. Juntos partilham momentos de cumplicidade, numa tentativa de recuperarem o tempo perdido. Em certa medida, é graças à sua filha que Johnny se reencontra. O vazio da sua vida, aos poucos começa a ser preenchido. Num final em aberto, Sofia Coppola deixa-nos a ideia de que o seu deprimido protagonista se transformou num homem novo. Mas isso, só Sofia o poderá dizer...


Nota Final: C


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Sofia Coppola
Argumento: Sofia Coppola
Ano: 2010
Duração: 97 minutos

LOST IN TRANSLATION (2003)


"Everyone wants to be found."

É um dos grandes filmes da década e dos que melhor retrata a cinzenta monotonia, no meu entender desesperante, em que se tornaram os dias da grande maioria dos seres que tentam sobreviver, um dia após o outro, nas metrópoles dos países desenvolvidos.


Tocou-me bastante e senti-o como um murro seco no estômago, um alerta que nos faz repensar o futuro que pretendemos e questionarmo-nos sobre aquilo que é o melhor para nós. A prova de que o dinheiro não compra tudo e de que o sucesso vem quase sempre acompanhado da infelicidade. Infelicidade essa que se materializa em Lost in Translation no papel de Bob Harris (Bill Murray), um famoso actor que viaja até Tokyo para realizar uma publicidade que lhe permitirá embolsar 2 milhões de dólares.


É aí que o espectador, aos poucos, vai conhecendo o homem solitário e infeliz por detrás do bem sucedido e admirado actor. No hotel conhece Charlotte (Scarlett Johansson) uma bonita e interessante jovem, com quem sente uma imediata empatia. Charlotte partilha com Bob a solidão e infelicidade dos dias: o seu marido, um fotógrafo muito ocupado, quase nunca está presente e aquilo que prometia ser um feliz e apaixonado casamento, torna-se então num simples e insignificante passar dos dias.


Lost in Translation foi o vencedor do Oscar para melhor argumento original em 2004 (juntamente com a nomeção para melhor direcção, melhor actor principal (Bill Murray enche o ecrã!) e melhor filme) e é a obra-prima de Sofia Coppola, a recente (e surpreendente) vencedora do Leão de Ouro na ultima edição do Festival de Veneza. Lost in Translation é um filme sobre o Século XXI, um filme que era actual em 2003, que é actual nos dias de hoje e que será actual daqui a 50 anos.


Nota Final: A-

Trailer:



Informação Adicional:
Realização: Sofia Coppola
Argumento: Sofia Coppola
Ano: 2003
Duração: 102 minutos.

UPDATE: "Somewhere" leva Golden Lion em Veneza!


E numa jogada surpreendente, é "SOMEWHERE", o novo filme de Sofia Coppola sobre a vida em Hollywood (e supostamente baseado em parte na vida com o seu pai, o renomado realizador Francis Ford Coppola), que leva o Leão de Ouro, prémio máximo do Festival de Veneza, para casa. Contrariando as expectativas e as previsões, que tinham escolhido "Black Swan", "Black Venus", "Silent Souls" e "Meek's Cutoff" como grandes favoritos, o filme foi "votado de forma unânime", segundo diz Tarantino, que ainda acrescenta que "o filme encantou-nos logo quando o vimos, mas com o tempo foi crescendo e crescendo nos nossos corações, na nossa análise, na nossa mente e nos nossos afectos". Portanto, nada de insinuar coisas pelo facto de ele ter namorado com Coppola no final dos anos 90. Contudo, não deixa de ser uma escolha nada consensual.

Quem também foi escolhido pelo júri e considerado escolhas algo controversas foram o Melhor Actor e a Melhor Actriz seleccionados pelos jurados do certame. Vincent Gallo chegou mesmo a ser apupado e assobiado. Ariane Labed foi algo completamente imprevisível, até porque todo o mundo apostava que uma das três grandes actrizes presentes em competição, Michelle Williams, Catherine Deneuve e Natalie Portman (todas com extraordinárias interpretações), fosse a vencedora. Bem, será de algum contentamento para "Black Swan" o prémio de Melhor Jovem vencido por Mila Kunis, diria eu. Já não é mau.

Confira a lista de prémios:

LEÃO DE OURO para Melhor Filme:
"Somewhere", by Sofia Coppola

LEÃO DE PRATA para Melhor Realizador:
Alex de la Iglesia for “Balada Triste de Trompeta”

PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI:
“Essential Killing” by Jerzy Skolimowsky

TAÇA VOLPI para Melhor Actor:
Vincent Gallo for “Essential Killing”

TAÇA VOLPI para Melhor Actriz:
Ariane Labed for “Attenberg”

OSELLA para Melhor Argumento:
Alex de la Iglesia for “Balada Triste de Trompeta”

PRÉMIO MARCELLO MASTROIANNI para Melhor Actor/Actriz Jovem:
Mila Kunis for “Black Swan"

OSELLA para Melhor Fotografia:
Mikhail Krichman for “Silent Souls”

LEÃO ESPECIAL:
Monte Hellman

PRÉMIO CINEMA EUROPEU:
“The Clink of the Ice”

LEÃOZINHO DE OURO (Golden Lion Club), prémio atribuído pelos jovens:
“Barney’s Version”

QUEER LION para Melhor Filme Gay:
“In the Future”


Mais prémios:

Prémio UNICEF:
"Miral" de Julian Schnabel

PRÉMIO CONTRAPONTO para Melhor Filme Italiano:

"20 Sigarette" de Aureliano

LEÃO DO FUTURO / Prémio Luigi de Laurentis:
"Cogunluk (Majority)" de Seren Yüce


Secção Horizonte (ORIZONTI) - Realizadores do Futuro:

FILME HORIZONTE:
"Verano de Goliat" de Nicolás Pereda

PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI:
"The Forgotten Space" de Noël Burch e Allan Sekula

MELHOR MÉDIA-METRAGEM:"Tse (Out)" de Roee Rosen

MELHOR CURTA-METRAGEM:
"Coming Attractions" de Peter Tscherkassky

MELHOR CURTA-METRAGEM VENEZA:
"The External World" de David O'Reilly

MENÇÃO ESPECIAL:"Jean Gentil" de Laura Amelia Guzmán e Israel Cárdenas