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DIAL P FOR POPCORN

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THE AVENGERS (2012)



Começo este artigo por agradecer a Joss Whedon. Sem ele, "THE AVENGERS" nunca teria sido o filme que é, divertido, inteligente e leve, que consegue entrelaçar várias histórias e várias personagens e dar uma voz singular a cada uma delas. Este era o grande sarilho para os quadros superiores da Marvel: como juntar, num filme de míseras duas horas, seis dos maiores super-heróis do seu universo e assegurar que todos participariam na narrativa de forma importante e equitativa, agradando aos actores que interpretariam os papéis (todos actores com algum nome e que, depois de protagonizarem, na maioria dos casos, o seu próprio filme, teriam que partilhar o estrelato e as principais cenas do filme com outros) e aos fãs que há muitos anos desejavam ardentemente um filme que juntasse a equipa maravilha da S.H.I.E.L.D.


Arrisco-me a dizer que Joss Whedon não só superou as expectativas iniciais de toda a gente, como o fez com incrível estilo e classe. "THE AVENGERS" não está, obviamente, na mesma liga da trilogia de Christopher Nolan e nem tem que estar. São filmes diferentes, com objectivos diferentes e com personagens e alvos diferentes. "THE AVENGERS" é, tal como os filmes da Marvel que o sucederam ("Iron Man" e "Iron Man 2", "Thor", "Captain America: First Avenger") um produto de entretenimento, mais preocupado por ocupar o espectador com deliciosas cenas de acção e efeitos especiais e com diálogo bem-disposto, bem-humorado e inteligente do que propriamente em entrar em considerações sobre a situação económica e político-social. A acção é mais fácil de seguir, o argumento é bem mais simples e, por isso, complica menos e torna-se mais agradável de acompanhar e degustar e "THE AVENGERS", como filme Marvel que é, também incorpora a energia contagiante que os seus antecessores também possuem.


A grande vantagem deste "THE AVENGERS" é sem dúvida o seu forte elenco, com personagens bem formados, com personalidades bem vincadas e curiosas, interpretados todos por actores bastante capazes. É também um elenco bastante equilibrado, com todos a terem a sua oportunidade de brilhar em diferentes momentos do filme, com várias interacções inesperadas que por várias vezes me arrancaram gargalhadas e com todas as personagens a terem motivações e narrativas próprias, desenvolvidas em simultâneo com bastante sucesso por Whedon. The Hulk (Ruffalo) é quem merece mais aplausos, tal o upgrade que Whedon faz em relação aos filmes que a personagem integrou anteriormente - e é dele a cena mais cómica do filme, um pequeno momento de brilhantismo de comédia física de Ruffalo, indubitavelmente criação da mente experiente e sagaz de Whedon, que se fartou de originar momentos destes nos vários anos que passou na televisão como criador de uma das séries mais injustiçadamente tratadas de sempre, "Buffy the Vampire Slayer". O outro grande triunfo de Whedon neste elenco é, para mim, o tratamento que ele dá a Romanoff (Johansson), dando-lhe muito mais que fazer aqui do que ela teve em "Iron Man 2", continuando a lista de grandes personagens femininas criadas por Whedon. De resto, o elenco funciona - seja porque Whedon manteve o carácter-base da personagem e a sua essência - Tony Stark (Downey Jr. igual a si mesmo), seja porque foi exímio na continuidade dos eventos de "Thor", reciclando o vilão Loki para a sequela (Hiddleston merecia claramente regressar ao papel) e continuando a sua titânica rivalidade com o irmão Thor (Hemsworth) e pegando no Tessaract que foi encontrado por Captain America (Evans) em "First Avenger".


O filme arrasta-se um pouco na primeira hora e meia, com alguns momentos enferrujados e com uma cena inicial bastante problemática, mas compensa com um último ato a todo o vapor, com uma gigante - e quase contínua - cena de acção que combina o que de melhor sabem fazer os seis heróis e que reúne todos num extasiante clímax que termina com a primeira grande vitória do maior grupo de heróis da Terra ("Earth's mightiest heroes!") e nos deixa a salivar para o que Whedon e Cª nos trarão a seguir. Espero que seja tão satisfatório e completo como este filme que apesar de nunca alcançar níveis de excelência, mais do que compensa o nosso investimento nele pela sensação inesquecível de estar a testemunhar algo tido como impossível por qualquer amante de banda desenhada: agrupar vários heróis de um universo - e criar um filme digno do talento e força combinada deles todos. "THE AVENGERS" é esse filme e a alegria que Whedon - confesso comic book geek - passa através do ecrã é indesmentível e impagável.


Nota:
B


Informação Adicional:
Realização: Joss Whedon
Argumento: Joss Whedon, Zak Penn
Elenco: Robert Downey, Jr., Mark Ruffalo, Chris Evans, Chris Hemsworth, Tom Hiddleston, Jeremy Renner, Scarlett Johansson, Stellan Skarsgaard, Cobie Smulders, Samuel L. Jackson, Clark Gregg
Música: Alan Silvestri
Fotografia: Seamus McGarvey
Ano: 2012


Grandes Posters


O detalhe, a cor, o brilho, a expressão na cara da Scarlett Johansson, tão demonstrativa da solidão da sua personagem, o dinossauro gigante, o choque de culturas - que se vê pela confusão que se percebe das ruas de Tóquio... E nem vou pegar na magnífica tagline, "Everybody wants to be found", que se aplica tão bem ao filme e que é tão verdadeira para a vida real também. Este é dos meus posters favoritos, pelo muito que o poster quer transmitir e pela singularidade da reacção de cada um de nós ao poster.

LOST IN TRANSLATION (2003)


"Everyone wants to be found."

É um dos grandes filmes da década e dos que melhor retrata a cinzenta monotonia, no meu entender desesperante, em que se tornaram os dias da grande maioria dos seres que tentam sobreviver, um dia após o outro, nas metrópoles dos países desenvolvidos.


Tocou-me bastante e senti-o como um murro seco no estômago, um alerta que nos faz repensar o futuro que pretendemos e questionarmo-nos sobre aquilo que é o melhor para nós. A prova de que o dinheiro não compra tudo e de que o sucesso vem quase sempre acompanhado da infelicidade. Infelicidade essa que se materializa em Lost in Translation no papel de Bob Harris (Bill Murray), um famoso actor que viaja até Tokyo para realizar uma publicidade que lhe permitirá embolsar 2 milhões de dólares.


É aí que o espectador, aos poucos, vai conhecendo o homem solitário e infeliz por detrás do bem sucedido e admirado actor. No hotel conhece Charlotte (Scarlett Johansson) uma bonita e interessante jovem, com quem sente uma imediata empatia. Charlotte partilha com Bob a solidão e infelicidade dos dias: o seu marido, um fotógrafo muito ocupado, quase nunca está presente e aquilo que prometia ser um feliz e apaixonado casamento, torna-se então num simples e insignificante passar dos dias.


Lost in Translation foi o vencedor do Oscar para melhor argumento original em 2004 (juntamente com a nomeção para melhor direcção, melhor actor principal (Bill Murray enche o ecrã!) e melhor filme) e é a obra-prima de Sofia Coppola, a recente (e surpreendente) vencedora do Leão de Ouro na ultima edição do Festival de Veneza. Lost in Translation é um filme sobre o Século XXI, um filme que era actual em 2003, que é actual nos dias de hoje e que será actual daqui a 50 anos.


Nota Final: A-

Trailer:



Informação Adicional:
Realização: Sofia Coppola
Argumento: Sofia Coppola
Ano: 2003
Duração: 102 minutos.