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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

[Couch]: Broadchurch

Regresso, após um interregno demasiado longo, forçado pelo trabalho e pela falta de tempo, a um local onde encontrei o enorme prazer de escrever sobre o que me entusiasma tanto dentro como fora do grande ecrã.

Afastei-me dos cinemas. Acima de tudo afastei-me das estreias, do barulho irritante das palhinhas a sugar o que resta nos gigantescos potes de açúcar liquido que vão alimentando e sustentando os cinemas comerciais. O preço do bilhete de cinema é abusivo, indigno e ridículo. E ouvindo há uns meses atrás o João Botelho, numa das entrevistas promocionais ao seu mais recente filme, Os Maias, quando este se queixava da degradação da sala de cinema (como espaço onde se produz e difunde arte), disse qualquer coisa como "hoje em dia, os grandes escritores americanos perceberam que os adultos que gostam de cinema, abandonaram as salas. Não se identificam com aquilo que se produz e o modo como o produto é exibido. E então começaram a produzir para televisão,  a produzir séries que são cinema puro". E a verdade, a dura e triste realidade, não andará longe disto. Hoje em dia todos os grandes actores de Hollywood procuram o seu espaço na televisão. A sua série. O seu Don Draper, o seu Tony Soprano, o seu Lorne Malvo, a sua Carrie Mathison. Procuram deixar a sua marca também no pequeno ecrã. E a qualidade sobe a cada ano, a oferta televisiva é cada vez maior e melhor.

Por isso inicio aqui, hoje, um conjunto de breves crónicas rotuladas de [COUCH], onde vos apresento algumas das séries que descobri ao longo do último ano e meio. E que me convenceram, me prenderam ao televisor e me deliciaram. Séries que fariam mais pela educação do nosso povo do que a televisão portuguesa fez nos últimos 30 anos. Séries que não merecem passar ao vosso lado.



Começo por vos apresentar Broadchurch, um drama duro, magnetizante e sufocante. Uma série que viu começar há poucos dias a sua segunda temporada, e que surpreendeu a televisão britânica com uma primeira temporada humilde e despretensiosa, dividida em oito episódios, passados na cidade costeira de Dorset, o local onde dois detectives, Alec Hardy (David Tennant, ex-Doctor Who) e Ellie Miller (Olivia Colman) vão procurar o homicida de Danny Latimer, uma criança de 11 anos que aparece morta na praia da pequena vila inglesa. Acontecimentos sucedem-se e a narrativa, construída de modo inteligente, vai-nos descascando lentamente novos factos, misturando teorias e ludibriando as personagens e os espectadores. Com uma maravilhosa banda-sonora da autoria de Olafur Arnalds, um piano com uma batida eletrizante vai alimentando a série, vai-lhe dando alma e prepara-nos a cada episódio para o derradeiro final.


[TRAILER] MISFITS - SEASON 4


Acaba de ser divulgado o teaser da próxima temporada da série britânica Misfits. Com uma nova remodelação no elenco, mantendo-se apenas Nathan Stewart-Jarrett (do elenco inicial) e Joseph Gilgun (que, na temporada passada, entrou para substituir o inesquecível Robert Sheehan), Misfits tem tudo para continuar a ocupar um lugar de destaque na grelha britânica. Com mais um grande desafio pela frente, a equipa de criação da série de super-heróis prova que não existem limites para as suas ideias e que, cada temporada é, literalmente, um novo desafio. Serão capazes de nos com as duas novas personagens? Ou será o princípio do fim da série? Em breve vamos descobrir.

BRITISH TV - SPACED


O British TV deixará de ser uma crónica mensal no Dial P for Popcorn. O tempo disponível já não é o de antigamente, o trabalho na faculdade aumentou e a disponibilidade para conhecer novas e admiráveis séries britânicas foi diminuindo. A isto, alia-se o facto de estar finalmente a dar alguma oportunidade a séries americanas (como, por exemplo, Breaking Bad) que me retiram tempo para a televisão britânica. Decidi, portanto, dar alguma liberdade a esta rubrica. Estará aqui no Dial P for Popcorn em situações mais pontuais, sem periodicidade, sem obrigatoriedade, quando eu descobrir algo que realmente me faça sentir extasiado, e que, no meu entender, seja digno de divulgação e reconhecimento globais.


A série de que hoje vos falo não me deixou particularmente entusiasmado. No entanto, reconheci-lhe qualidade, reconheci-lhe inovação e reconheci-lhe irreverência. SPACED foi a rampa de lançamento para um dos grandes nomes da comédia britânica na última década: Simon Pegg. Trata-se de um pequeno projecto, de apenas duas temporadas (num total de catorze episódios de trinta minutos), onde dois protagonistas partilham mais do que o próprio lar: partilham problemas, alegrias, angústias e vitórias. Tudo regado de um humor britânico clássico, negro, mordaz e corrosivo.


Tudo começa num pequeno café, onde Tim Bisley (Simon Pegg), um tremendo fan de banda desenhada, cruelmente rejeitado nas suas recentes relações amorosas e que vive uma vida pacata, envolto no seu mundo de vídeo-jogos e histórias de banda-desenhada, conhece Daisy Steiner (Jessica Hynes), uma depressiva jornalista e aspirante a colunista nas mais sofisticadas revistas femininas, que decide colocar um ponto final numa vida e relação falhadas. Num entusiasmo frenético, procura em vários jornais uma casa para habitar. Intrigado com a forma electrizante com que Daisy fala, gesticula e argumenta, Tim decide ajudá-la. Acabam a viver juntos, por conveniência, num modesto apartamento, onde misteriosos e intrigantes vizinhos os levam a experienciar situações que têm tanto de ridículo quanto de desnecessário.


Duas personagens totalmente dispares, sem nada em comum, numa mistura que, episódio após episódio, se vai tornando cada vez mais explosiva, revelando uma química improvável, entre dois seres que viviam distraidamente no seu próprio espaço. SPACED faz-se de rasgos, de motivações primárias de cada uma das personagens, que reinventam ocupações e problemas. SPACED representa uma nova geração que desperta, aos poucos, para os problemas de uma sociedade que se prepara para a viragem do século. Marcou a televisão britânica e, certamente, marcará o espectador que, tal como Tim e Daisy, experimentou uma revolução pessoal no fim dos anos 90.

BRITISH TV - Sherlock


Tenho vindo a adiar a escolha de Sherlock para a minha crónica da British TV desde o início da rubrica. É chegada a sua hora aqui no Dial P for Popcorn. A vitória nos BAFTA TV Awards na passada semana, na categoria de Melhor Série de Drama, bem como a vitória de Martin Freeman para Melhor Actor Secundário (à qual, penso justo juntar, a nomeação de Benedict Cumberbatch para Melhor Actor Principal), não podem ser ignoradas.


Justíssimo. Merecidíssimo. Sherlock é actualmente, com todo o mérito, uma das mais interessantes séries da televisão em Inglaterra. De uma inteligência invulgar e de uma originalidade viciante, a adaptação que Mark Gatiss e Steven Moffat (autor de Coupling e colaborador de Doctor Who) fizeram da obra Sir Conan Doyle é a prova viva de que a Inglaterra se sabe reinventar a cada ano que passa.


Sherlock Holmes (Benedict Cumberbatch) é uma personagem mesmo bem conseguida. Presunçoso, arrogante e detentor de uma auto-estima inabalável, sabe que é o melhor detective da Londres e que ninguém o consegue enganar. Viciado em quebra-cabeças e crimes misteriosos, utiliza de forma deliciosa o seu humor corrosivo para humilhar aqueles que considera insultuosamente inferiores, instalando a controvérsia entre os espectadores mais sensíveis. Pessoalmente, adoro o aproveitamento que fizeram da sua personagem, mesmo sendo perceptível que Benedict Cumberbatch não é um actor brilhante. Quanto a Martin Freeman (que tanto admiro pelo que fez em The Office), interpreta o papel do lendário médico John Watson, eterno companheiro de Sherlock e a única pessoa com paciência para aceitar com naturalidade o ego do caprichoso detective.


Muito distinto daquilo que Guy Ritchie fez na sua longa metragem, esta série é claramente resultado de cabeças inteligentes, que sabem pensar e criar com astúcia e perspicácia. Com apenas uma temporada (já exibida no canal 2 da RTP) de três episódios de noventa minutos, esta é uma série obrigatória para qualquer amante da investigação criminal. O futuro será seguramente brilhante para esta promissora série. E o BAFTA, um prémio que reconhece toda a sua qualidade.


BRITISH TV - Misfits

British TV é nova crónica mensal do Dial P for Popcorn. Tem como objectivo dar a conhecer séries britânicas, com a qualidade característica dos ingleses, local de inspiração e (fraco) plágio da Televisão Americana.

MISFITS


Como incondicional Fã da televisão britânica, e uma vez que o Jorge nos dá a conhecer uma enorme variedade de séries americanas, considerei importante, para o leitor, a criação de uma crónica mensal sobre séries britânicas. Mensal, para que o leitor tenha tempo de digerir e analisar cada uma das séries sobre as quais vou falar, espero que British TV se torne uma crónica do agrado de quem visita o blogue, permitindo a divulgação de séries de grande qualidade que, infelizmente, pouca divulgação têm em Portugal.

Esta não é a primeira vez que vos falo sobre a minha admiração pelos ingleses. Merlin, Black Adder, Only Fools and Horses e The Inbetweeners foram já por mim analisadas e aconselhadas. Qualquer uma delas é uma grande série, todas elas divertidas e originais.


E começo por uma escolha controversa. Uma escolha que fará torcer o nariz de muitos dos que estão agora a ler esta crónica. É uma escolha arriscada, pelo conteúdo (aparentemente) barato e escandalosamente explorado das histórias de super-heróis.



Sim, à primeira vista MISFITS é mais uma série sobre super-herois. Cinco miudos, aparentemente "normais", estão no sítio errado, à hora errada. Mas, a aparente banalidade de mais uma série sobre super-heróis, começa a ser posta em causa pelo peculiar facto de Nathan, Kelly, Simon, Curtis e Alisha se encontrarem a cumprir trabalho comunitário por distúrbios na sociedade: Roubos, drogas, vandalismo. Cinco jovens, sem uma beleza extrema e um carimbo de sex-symbols, numa representação adequada daquilo que é a sociedade moderna.



Arruaceiros, mal-educados, insurretos, são surpreendidos pela queda de um trovão que ao cair sobre eles altera radicalmente as suas vidas. Mas, em MISFITS os super-heróis não são carregados da surrealidade a que séries como Heroes nos habitou. Tudo acontece com calma, com naturalidade. Os poderes, embora irreais, são todos eles criados e adequados
a cada uma das personalidades, como uma extensão dos desejos mais profundos das personagens.


Mas os poderes e a acção foi o que menos me cativou nesta série. MISFITS é diferente pelo seu conteúdo. Pelo argumento fantástico de cada episódio, pelo sublime humor negro, pela naturalidade com que temas controversos como a gravidez, o sexo, a homossexualidade são abordados. Pela forma como as cenas são montadas e editadas. Tudo com uma carga de humor intensa, diversificada e inteligentíssima.



A juntar a isto, temos uma banda sonora fantástica. Possivelmente a melhor que vi até hoje numa série britânica. Variada, utiliza desde b-sides dos The Rapture, até Echo and the Bunnymen, Joy Division, LCD Soundsystem, Hot Chip, Klaxons, Metronomy, Kasabian, Justice, Adele, Damien Rice, Blur... Enfim, uma variedade enorme que enriquece a série a torna ainda mais especial.


Por fim, uma referência à grande estrela da série. Um protagonismo conseguido, não pela força do argumento, mas pela força de uma personalidade artística fantástica, um talento natural e uma piada espontânea: Robert Sheehan vai, naturalmente, ser uma grande estrela do cinema e da televisão. Nathan, a personagem que ele protagoniza é, sem dúvidas, a mais carismática de toda a série e aquela que mais empatia criará com o leitor.

Com seis episódios em cada temporada, num total de duas (a terceira temporada deverá chegar no final deste ano), MISFITS foi o vencedor do BAFTA de 2010 para Melhor Série de Drama. A juntar a todo o meu entusiasmo, MISFITS é a garantia de uma série divertida, irreverente, original e peculiar. O leitor não se arrependerá de a conhecer.


TRAILER

(Uma vez que não o consegui incorporar, fica aqui o link!)