Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

Quando a Academia acerta (III)


Uma rubrica destinada a provar que apesar de algumas decisões questionáveis da Academia, o Óscar é, por mérito próprio, o prémio mais cobiçado pelo mundo do cinema. E quando a Academia acerta... Merece palmas também.


Adrien Brody | Vencedor, Melhor Actor 2002 - THE PIANIST

Ainda bem que a Academia não foi na cantiga dos outros prémios e optou por dar o Óscar à interpretação de uma carreira de Adrien Brody. O próprio Nicholson fez campanha contra si próprio ("About Schmidt") e foi pedindo em entrevistas que toda a gente votasse em Brody. A corrida estava ao rubro em início de 2003, com Nicholson e Day-Lewis na frente como claros favoritos (Nicholson levou o Globo de Ouro, Day-Lewis o SAG). Brody surgiu na reta final, com grande campanha do estúdio e de vários colegas - inclusive todos os companheiros de categoria - que fizeram questão de fazer campanha para Brody receber o Óscar. E Brody acabou por vencer, numa das maiores surpresas da cerimónia (a outra foi o Óscar de Melhor Realizador para Roman Polanski, esse que ninguém previu).

CARNAGE (2011)




Adaptado de uma peça de sucesso da Broadway, Carnage foi uma arriscada investida de Roman Polanski. Aquilo que vemos no ecrã é uma tentativa arrojada. Não é fácil pegar numa peça de teatro, ainda por cima tão redutora e simplista em cenários, e reproduzir um filme atraente para o espectador. O segredo? Claro, as interpretações. E são interpretações de um bom nível, em especial a das mulheres e em especial a de Kate Winslet que fazem a diferença, transformando Carnage num filme interessante, diferente e agradável.



Tudo começa com uma briga de crianças. O filho do casal Cowan agride o filho mais velho do casal Longstreet, e ambos os casais se reúnem para esclarecer o sucedido. Michael Longstreet (John C. Reilly) é um descontraído chefe de família num casamento feliz com a histérica Penelope Longstreet (Jodie Foster). Recebem na sua residência um casal em desarmonia, onde Alan (Christoph Waltz) se distancia, desde o princípio, da briga dos miúdos e se foca unicamente no seu telemóvel e nos seus problemas profissionais. Abandonada e carente, Nancy (Kate Winslet) vai-se descompondo, derrotada por todas as acusações e discussões do encontro.


Um filme que tem algumas dificuldades em ultrapassar as limitações de uma peça de teatro, acaba por levar a alguma impaciência por parte dos espectadores que sejam adeptos de filmes mais directos. Enrola um pouco e vive de uma história que, tal como um novelo, se vai desenrolando, lentamente, com pormenores e atitudes que são um requinte de representação, uma demonstração de qualidade e competência de um grupo de actores de elite, que se juntam para celebrar o currículo e a qualidade da carreira de Roman Polanski. Algo de novo, algo de diferente. Agradável.

Nota Final:
B


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Roman Polanski
Argumento: Yasmina Reza
Ano: 2011
Duração: 80 minutos









ÚLTIMA HORA: Trailer e Poster de CARNAGE



Baseado na peça "God of Carnage" de Yasmina Reza, vencedora do Tony para Melhor Peça, que foi aclamada criticamente por onde passou (tendo também Marcia Gay Harden vencido o Tony de Melhor Actriz pela sua interpretação na Broadway), "CARNAGE" é o novo filme do grande Roman Polanski, que reuniu os vencedores de Óscar Jodie Foster, Christoph Waltz, Kate Winslet e o nomeado para o Óscar John C. Reilly para interpretar os dois casais que se encontram uma tarde para discutir a indisciplina dos seus filhos e, pelo meio, abandonando o seu aspecto cuidado e civilizado e transformando o seu encontro numa chuva de insultos, agressões e discussões, decidem abordar várias questões, enfrentando os seus demónios pessoais e as suas fraquezas enquanto casais e enquanto educadores na nossa sociedade. Uma peça verdadeiramente tragico-cómica, que explora a ira e o desabafo enquanto meios de catarse e que faz uma análise sociológica bastante acutilante e pertinente, parece ser um desafio à altura de um dos maiores autores com que o cinema nos agraciou, um drama cheio de tensão mas igualmente entretido. Se vai ser candidato aos Óscares? Bem, é muito cedo para o dizer. Fiquem então com o trailer acabado de ser lançado na Twitch e com o poster, que já circula a Internet há alguns dias.


Entretanto, para mais imagens do filme, podem consultar este artigo do Split Screen. "CARNAGE" estreia nos Estados Unidos a 16 de Dezembro, com estreia mundial marcada para Setembro no Festival de Veneza.

CHINATOWN (1974)


"You've got a nasty reputation, Mr. Gittes. I like that."


Um dos mais emblemáticos filmes de Roman Polanski, que retrata uma misteriosa conspiração sobre o assassinato do engenheiro Hollis Mulwray (Darrell Zwerling), responsável pela construção de uma barragem que levou à seca da cidade de Los Angeles e que se encontrava em guerras intermináveis em tribunais contra agricultores, empresários e restantes habitantes. Um homem popular na cidade, controverso mas cuja reputação e capacidades eram amplamente reconhecidas.


Mas tudo começa quando o detective J. J. Gittes (Jack Nicholson) é contratado por Ida Sessions (Diane Ladd), que se faz passar por mulher de Mulwray, e que lhe pede para que descubra se o seu marido a está a enganar com outra mulher.

Ao iniciar a sua investigação, Gittes percebe que Mulwray é um homem misterioso, solitário e peculiar. Viaja por Los Angeles e perde-se junto à beira-mar, ficando horas parado a admirar a água. Este estranho comportamento não passa despercebido ao prespicaz Gittes que rapidamente se intriga por tal personagem. Como profissional de renome, rapidamente consegue descobrir o affair do engenheiro e termina o trabalho para o qual foi contratado.


É quando toda a história, por ele investigada, vai parar ao jornal da cidade que Gittes conhece a verdadeira Evelyn Mulwray (Faye Dunaway), uma mulher magoada com o seu comportamento deselegante (completamente alheio a Gittes, que por essa altura ainda tenta perceber como a sua informação havia parado na primeira página do jornal), que toda a história ganha os contornos de conspiração e mistério que a sustentam e a transformam num filme tão emocionante.

Poucos dias depois da notícia ser publicada, Hollis Mulwray aparece morto junto à barragem que construiu. Considerado pela polícia como um caso simples de suicídio, para Gittes toda a situação é, aos seus olhos, demasiado estranha para ser tão linear. Inicia então uma investigação, a mando de Evelyn Mulwray, e rapidamente começa a desfiar o enorme e complexo novelo que envolve a morte do engenheiro. Porque apareceu água salgada nos pulmões de Hollis Mulwray? Quem é Noah Cross, sócio de Mulwray e pai de Evelyn, e qual o seu interesse em descobrir a amante de Hollis?


Com o meu actor favorito de todos os tempos, Chinatown é, com perfeita naturalidade, um dos grandes clássicos do cinema. Jack Nicholson não sabe estar mal, e é uma pena que um dia o cinema tenha que sobreviver sem ele.


Nota Final:
A-

Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Roman Polanski
Argumento: Robert Towne
Ano: 1974
Duração:
130 minutos