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DIAL P FOR POPCORN

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ENTOURAGE - THE FINAL SEASON



Tudo fica bem, quando acaba bem. Assim se pode resumir a oitava e última temporada de uma das séries que mais marcaram a minha adolescência. A irreverência que Entourage trouxe até à HBO em 2004 transformaram-na, rapidamente, num dos maiores sucessos da estação televisiva, criando um grupo de fans muito aguerridos, que nunca abandonaram a série, mesmo quando esta (durante a quinta e a sexta temporada) esteve pelas ruas da amargura.


Depois de uma consistente sétima temporada, Entourage acaba muito bem. Gostava de poder dizer que acaba em grande, mas diversas incongruências no seu argumento (que o leitor terá que descobrir durante os oito episódios) forçam-me a analisar Entourage como um crítico e não como um grande fan. Nesta oitava temporada, Vincent Chase (Adrian Grenier) sai da clínica de desintoxicação, para onde foi atirado no final da temporada passada, e regressa um homem novo, revitalizado e cheio de projectos e ideias. A esta nova vida da grande estrela de cinema, junta-se a série Johnny Bananas protagonizada pelo sempre hilariante Johnny Drama (Kevin Dillon), o divórcio de Ari Gold (a grande estrela de toda a série), o enguiço Eric Murphy-Sloan e as várias ideias milionárias de Turtle.


A última temporada de Entourage serve para resolver quase todos os problemas que se arrastaram ao longo de oito temporadas. No entanto, ficam várias dúvidas para esclarecer numa nona temporada (que não acredito que aconteça) ou, quem sabe, no tão aguardado filme sobre a série que sairá nos próximos anos. A única garantia que os fans têm é que a última temporada de Entourage não os deixou ficar mal. Doug Ellin bem que poderia sacar outro coelho da cartola. Rapidamente.

Último Artigo de 2010!



Bem, por esta altura de resoluções de ano novo, de recordação do bom que tivemos em 2010, das memórias bem passadas deste ano que hoje finda e dos sonhos e desejos para o ano que aí vem, é costume fazer-se uma espécie de revisão de ano. 

Em termos cinematográficos, esta vai ser feita ao longo do mês de Janeiro. Já começámos com as bandas sonoras, seguir-se-ão os posters, as melhores cenas, entre outras coisas, culminando no anúncio dos nomeados para os nossos prémios em início de Fevereiro. Optamos por Fevereiro porque assim nos permite incluir todos os títulos da temporada cinematográfica de 2010.

Para fechar 2010, deixo cá os meus agradecimentos:





Não sei muito bem como caracterizar o cinema em 2010. Por um lado, parece um ano mau. Não tivemos um número elevado de filmes que nos deixassem verdadeiramente surpreendidos. Por outro lado, é capaz de ser dos anos que mais filmes adorei (também porque talvez foi o ano em que vi mais filmes; vamos em 104 e ainda não vi tudo o que queria de 2010). Portanto, tivemos menos filmes que me deixassem completamente siderado, mas um número maior de filmes que admirei do que, por exemplo, 2009.



Tenho que agradecer a várias pessoas por esse feito: agradecer a Danny Boyle (127 HOURS) e a Darren Aronofsky (BLACK SWAN) por continuarem a proporcionar experiências sempre interessantes de discutir e de conseguir retirar, desta vez, interpretações inesquecíveis dos seus actores (como, de resto, já haviam feito no passado). E a Gaspar Noé (ENTER THE VOID) que nunca pára de surpreender.


Agradecer a Christopher Nolan (INCEPTION) por conseguir o que poucos realizadores atingiram: ser mainstream mas manter o núcleo da sua essência como realizador, proporcionando sempre filmes culturalmente estimulantes, inteligentes e poderosos, sem nunca perder senso do que é um filme para as massas.



Agradecer também a realizadores consagrados da nossa praça que nunca desistem de procurar fazer melhor do que da última vez, como Joel e Ethan Coen (TRUE GRIT), como Alejandro Innaritú (BIUTIFUL), como Sofia Coppola (SOMEWHERE), que mantêm-se dentro do seu "niche" de alta qualidade e nos produzem obras de inegável valor.


2010 também nos trouxe uma boa quantidade de realizadoras femininas de quem vale a pena (continuar a) falar: Debra Granik (WINTER'S BONE) e Lisa Cholodenko (THE KIDS ARE ALL RIGHT) começaram por fazer um estrondoso sucesso em Sundance, de onde partiu um buzz estridente que ainda hoje, vários meses depois, em plena campanha de Óscares, se sente. Mas não só. Rubba Nada foi uma refrescante lufada de ar fresco este Verão, Claire Denis (WHITE MATERIAL) continuou a destacar-se como uma das melhores realizadoras do ramo, Nicole Holofcener (PLEASE, GIVE) veio tarde mas a tempo de ver o seu filme ser coroado com moderado sucesso.



2010 também viu realizadores emergentes continuarem a subir na carreira, como o actor-virado-realizador Ben Affleck que consolidou o seu trabalho anterior com este THE TOWN, ou como John Cameron Mitchell que com RABBIT HOLE conseguiu, com sucesso, excelentes críticas para um filme em tudo diferente dos seus dois anteriores, ou Paul Greengrass que continuou a sua parceira bem-sucedida com Matt Damon em GREEN ZONE, ou Matthew Vaughn que nos trouxe uma abordagem diferente aos super-heróis com KICK-ASS, ou Noah Baumbach cujo estilo de escrita e relato nos continua a impressionar, desta vez com GREENBERG, ou mesmo David O'Russell que chega finalmente ao topo da lista dos melhores realizadores com THE FIGHTER, Tom Hooper que continua em crescendo com o seu THE KING'S SPEECH (novos projectos ambiciosos virão ter com ele, de certeza), Mark Romanek que com NEVER LET ME GO veio confirmar tudo aquilo que One Hour Photo já nos tinha mostrado, ou o também britânico Nigel Cole que nos ofereceu uma comédia tão pouco convencional como MADE IN DAGENHAM, na linha do que vem fazendo.  E também relembrar Rodrigo Cortés que nos trouxe um filme muito curioso, chamado BURIED, que nos apresentou um Ryan Reynolds como nunca tínhamos visto. Não esquecer ainda aqui o sr. Anton Corbjin que com THE AMERICAN provou que está cá para as curvas, como se costuma dizer, depois do bem-sucedido biopic de Ian Curtis em 2007. E, para fim, deixei o melhor dos realizadores emergentes: Edgar Wright e o seu SCOTT PILGRIM VS. THE WORLD, que quebraram barreiras impossíveis a nível visual e a nível humorístico.



E 2010 trouxe também novos grandes realizadores como Derek Cianfrance (BLUE VALENTINE) ou Gareth Edwards (MONSTERS) que ficam na retina para os tempos que vêm.

E não podemos esquecer que, pelo terceiro ano seguido, temos a Animação em grande, com quatro títulos brilhantes e únicos, cada um à sua maneira: L'ILLUSIONISTE o mais artístico e detalhado, TANGLED o mais fofinho e divertido, no retorno à boa velha forma da Disney, HOW TO TRAIN YOUR DRAGON o mais enriquecedor, tornando-se o filme mais bem criticado de sempre da Dreamworks e TOY STORY 3, que fecha com chave de ouro a mais bela e mais criticamente aclamada trilogia de sempre. E fora destes ainda tivemos bons filmes animados na forma de DESPICABLE ME e IDIOTS AND ANGELS.



Os documentários de 2010 também merecem o seu destaque, com EXIT THROUGH THE GIFT SHOP na cabeceira, um dos filmes mais originais que tive o prazer de ver este ano. Além deste, INSIDE JOB deitou um olhar importantíssimo nos "criadores" da crise financeira actual, JOAN RIVERS: A PIECE OF WORK é um estudo comportamental interessante de uma das mulheres mais conhecidas e bem-sucedidas dos mídia norte-americanos, RESTREPO e LAST TRAIN HOME impressionaram desde logo pelos temas que ostentam, de vital discussão hoje em dia e são, cada um à sua maneira, geniais na forma como nos abordam e nos tentam mudar a mentalidade.



Por cá, temos de agradecer a Raúl Ruiz pela mini-revitalização que fez do cinema português por território nacional, tornando o seu MISTÉRIOS DE LISBOA um inesperado sucesso. Além deste, também EMBARGO, O FILME DO DESASSOSSEGO, o habitual Manoel de Oliveira (O ESTRANHO CASO DE ANGÉLICA), NE CHANGE RIEN, JOSÉ Y PILAR e MORRER COMO UM HOMEM foram desafios interessantes para o espectador português apreciar. Há que dar parabéns aos esforços de dois grandes homens do nosso cinema, Fernando Fragata  CONTRALUZ) e António Pedro Vasconcelos (A BELA E O PAPARAZZO), pela tentativa de transformarem a visão do português para o seu cinema, com dois filmes claramente mais comerciais, mais "mainstream", do que o habitual. É um esforço digno de louvar.


E não podemos esquecer a panóplia de grandes filmes estrangeiros que o ano nos trouxe, a começar no vencedor do Óscar EL SECRETO DE SUS OJOS, passando pelos franceses UN PROPHÈTE e DES HOMMES ET DES DIEUX, chegando ao filipino LOLA, não olvidando os Kiarostami SHIRIN e COPIE CONFORME, o novo de Haneke, THE WHITE RIBBON, entre outros. Muito bom cinema estrangeiro que cá nos chegou.




E só nos falta, por fim, agradecer aos actores. Que este ano se transcenderam verdadeiramente. Natalie Portman e James Franco que explodiram nos seus papéis, Ryan Gosling e Michelle Williams que formaram um duo electrizante, Kristen Stewart e Dakota Fanning que provaram que afinal têm um lugar a ocupar em Hollywood, ao lado da irmã de Dakota, Elle Fanning, que foi surpreendentemente encantadora no novo filme de Coppola, ao lado do renascido Stephen Dorff, e de Saoirse Ronan, que se destacou num elenco recheado de grandes glórias de Hollywood



Ainda bem que grandes estrelas como Colin Firth, Annette Bening, Julianne Moore, George Clooney, Geoffrey Rush, Nicole Kidman, Mark Wahlberg, Naomi Watts, Sean Penn, Jeff Bridges, Robert Duvall, Sissy Spacek, Sally Hawkins, Patricia Clarkson, Stanley Tucci, Amy Adams, Melissa Leo, Christian Bale, Emily Blunt, Mark Ruffalo, Sam Rockwell, Ewan McGregor, Leonardo DiCaprio,  Matt Damon, Josh Brolin, Colin Farrell, Ed Harris, Kevin Spacey, Hilary Swank e tantos outros andam por cá para mostrar aos novatos como Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Carey Mulligan, Chloe Moretz, Aaron Johnson, Michael Cera, Jim Sturgess, Jennifer Lawrence, Emma Stone, Katie Jarvis e Cª como é que se faz.

Há que bater palmas a grandes estrelas como Jacki Weaver, Javier Bardem, Noomi Rapace e Tilda Swinton que mesmo sendo estrangeiros em filmes estrangeiros conseguem buzz e aclamação crítica para ganhar prémios do outro lado do Atlântico.



E congratular o retorno de nomes femininos importantes do cinema como Gwyneth Paltrow, Reese Witherspoon e Julia Roberts que têm estado afastadas de grandes produções há muito tempo. E ter-lhes sido oferecido um filme a cada uma para estrelarem é um enorme sinal de confiança quer no seu talento, quer na sua qualidade enquanto estrelas.
Depois de analisado tudo isto, tenho que admitir que, de facto, 2010 não foi mau. Não foi nada mau não senhor. Que 2011 seja pelo menos tão bom.

Em termos pessoais, só temos a agradecer a vossa preferência. Nunca, mas mesmo nunca, nos passou pela cabeça o nível de aceitação global que tivemos, quer em termos de fãs, quer em termos de blogosfera. Apenas cinco meses depois de termos criado o DIAL P FOR POPCORN, contarmos com mais de 300 fãs, mais de 12500 visitantes diferentes e um prémio prestigiante votado por todos vós, é algo que normalmente só em sonhos é que acontece. Por tudo isto, muito obrigado. Sem vocês, nada do que nos tem acontecido seria possível.

Que tenham um bom fim-de-ano e que 2011 nos traga grandes e inovadores projectos! E que o blogue continue a crescer convosco.




Revisão da Televisão em 2010: Parte 4

A nova temporada televisiva já começou há quase dois meses, daí que eu precise mesmo de arrumar com a minha revisão das temporadas das séries em 2010.

Vamos à quarta e última parte da minha revisão (partes anteriores em #31-40, #30-21 e #20-11 e este, #10-1) Espero que deixem ficar a vossa opinião.



10. PARKS AND RECREATION

Temporada: 2
Nota: B+

Crítica: Depois de uma primeira temporada interessante, a comédia que era suposto ser um parente pobre de "The Office" deu um salto substancial em qualidade. Muito mais engraçada, muito mais madura, com piadas muito mais eficientes e muito menos ilógicas, como algumas das storylines do ano transacto. E enquanto Leslie Knope (Amy Poehler) continuou nos seus devaneios do costume, as verdadeiras estrelas do show apareceram, desculpe-me Tom (Aziz Ansari) que parece ser de quem toda a gente gosta, são April (Aubrey Plaza) e Ron (Nick Offerman), que é uma versão bastante mais aprimorada do sr. Michael Scott. Parabéns a uma série que consegue ter tanta riqueza e extrair tão bom potencial para histórias a partir dos seus personagens secundários como esta. Estaria mais alto não fosse o facto de ainda assim continuar a ter alguns episódios em que escapa para a piada fácil.

Melhor Episódio: Um empate entre "Sweetums" e "The Stakeout" (2.15 e 2.02, B+).
Quem sobressaiu: Aubrey Plaza. Tudo o que ela disse esta temporada foi mágico.


9. THE GOOD WIFE

Temporada: 1
Nota: B+


Crítica: Se alguém me dissesse que um drama legal muito subtil e ligeiro se fosse tornar na minha série favorita das que estreou na nova temporada, não acreditaria. Mas foi de facto verdade. "The Good Wife" ganhou-me a pouco e pouco e agora é a série que mais falta me faz durante a semana. "Modern Family" é de longe a série que eu mais gostei de acompanhar o ano passado, mas esta é que se tornou das minhas favoritas. Excelentes casos, brilhante a forma como captura o ambiente dos tribunais e ao mesmo tempo tece bem a dicotomia entre a vida profissional e a outra vida, a pessoal, a privada e impecável ao explorar a bipolaridade das personagens, nunca nos emburrecendo, nunca nos tomando como garantidos, sempre surpreendendo sem recorrer a clichés ou a jogadas duplas, como tão frequente é ver neste tipo de séries. E nem vamos falar do valor incalculável deste elenco. Josh Charles e Chris Noth têm pura e simplesmente os papéis de uma vida, Archie Panjabi já levou o Emmy e Christine Baranski é grande candidata a levar o próximo, ainda por cima se continuar assim. E depois disso temos Julianna Margulies. Que interpretação soberba. Sabe quando deve deixar a sua personagem falar por si, sabe quando usar as expressões faciais, sabe quando deve subir o tom e descê-lo. É impressionante. Foi-lhe roubado um Emmy este ano, mas em 2011 não lhe escapa.


Melhor Episódio: "Boom" (1.19, B+) e "Unplugged" (1.21, B+).

Quem sobressaiu: Todos excelentes, mas Julianna Margulies é a MVP da série.


8. FRIDAY NIGHT LIGHTS


Temporada: 4
Nota: A-/B+


Crítica: Que há a dizer de "Friday Night Lights" que ainda já não foi dito? Que é capaz de ser o melhor drama da televisão norte-americana? Sim. Que tem um dos melhores elencos em televisão? Sim. Que tem argumentistas fantásticos que conseguem aliar o drama ao inspiracional e a geniais momentos de comédia? Sim. Que tem em Kyle Chandler e em Connie Britton dois dos melhores actores da sua faixa etária? Sim. Que apesar de falar primariamente em futebol americano pouquíssimo do interesse da série reside no desporto em si? Sim. Que quem vir "The Son", do ano passado, e não passar a seguir a série religiosamente é porque não tem coração? Obviamente. Acho que já disse tudo, portanto.

 
Melhor Episódio: "The Son" (4.05, A) é o melhor episódio dramático do ano passado, só a par do season finale de Mad Men e Breaking Bad.

Quem sobressaiu: Connie Britton continua, ao fim de quatro temporadas, simplesmente espectacular.


7. LOST


Temporada: 6
Nota: A-/B+

Crítica: Esta nota é capaz de ser um pouco alta demais para uma temporada tão confusa e incerta como esta última de "Lost" foi, mas a verdade é que a série terminou em grande, diga-se o que se quiser dizer do episódio final, que iria sempre causar imensa controvérsia. Uns optam por dizer que foi dos piores finais da história, eu opto por dizer que achei o final perfeito e totalmente condizente com o rumo que a série tomou. "Lost" nunca foi apenas uma série de mitologia, nunca foi apenas uma série de ficção científica. "Lost" sempre foi uma série que se focou nas pessoas, focou-se em explorá-las, focou-se em mostrar o seu lado bom e o seu lado mau e focou-se em tentar expô-las a situações que testassem a sua personalidade. Claro que foi fascinante ver algumas questões finalmente resolvidas mas para mim o mais importante foi ver que o desígnio final para as personagens era justo e assentava bem no que tínhamos vindo a conhecer de cada um deles. Admito que me veio lágrimas aos olhos no final. No fim de contas, estamos a falar da série mais icónica da nossa década, da nossa geração até, a terminar.


Melhor Episódio: Vários ao longo da temporada, mas só para ser teimoso, vou realçar o final ("The End: Part 1 and 2", A-).
Quem sobressaiu: Terry O'Quinn. Assombroso.



6. CHUCK


Temporada: 3
Nota: A-/B+


Crítica: Peço desculpa por dizer já isto, mas para quem não gosta de "Chuck", não vale a pena sequer tentar compreender esta nota. Esta é uma nota de uma pessoa que se diverte imenso todas as semanas ao seguir as desaventuras do sr. Chuck Bartowski e Cª. Tenho pena que com esta série só tenha percebido o seu valor muito mais tarde do que a maioria das pessoas. Ainda bem, contudo, que eu ainda cheguei a tempo. A terceira temporada de "Chuck" foi a mais forte até agora, parece-me a mim. Finalmente o nosso herói é treinado para ser espião, finalmente obtivemos uma resolução quanto à relação entre Chuck e Sarah, finalmente Morgan serve para mais do que comic relief e finalmente Ellie e Awesome têm uma participação mais activa na série. A única coisa que não gostei nesta temporada foi a adição de Brandon Routh como o super-espião Shaw. Admito, surpreendeu-me pela positiva inicialmente, todavia com o andar das coisas e as complicações que ele foi aos poucos inserindo na relação de Chuck e Sarah e no treino de Chuck foram demovendo-me da minha apreciação inicial. E depois aqueles seis últimos episódios, com a sua dupla face mostrada... Não há paciência. Foram momentos difíceis para mim sempre que ele surgia no ecrã. De resto, foi um ano bastante bom para a equipa de "Chuck", que manteve as audiências minimamente altas e conseguiu uma renovação completa de 24 episódios. Not bad.


Melhor Episódio: Para mim, "Chuck vs. the Mask" (3.07, B+).
Quem sobressaiu: Acho que esta foi, até agora, a melhor temporada de Joshua Gomez.

 
5. SONS OF ANARCHY

Temporada: 2
Nota: A-


Crítica: É mesmo uma pena que pouca gente dê valor a "Sons of Anarchy", um dos melhores dramas da televisão por cabo nos EUA. É uma série que não respeita convenções e que pisa a linha do inaceitável vezes demais, mas a verdade é que não há outra coisa como ela. Faz-me lembrar algo do género de "Rescue Me", mas mais pesado ainda. Abordar de forma tão brusca e poderosa uma violação, como fez a série o ano passado, não é para todos (viu-se pelo episódio de "Private Practice" esta semana). Felizmente, conta com um elenco fabuloso e com um grupo de argumentistas com muito talento para contar histórias. O que me admira é a falta de amor que os prémios como os Emmy têm pela série. É que por exemplo Katey Sagal teria ganho um Emmy de caras. E já agora, lembram-se de uma série fantástica que passava há uns anos na televisão, chamada "The Shield", que também não tinha sucesso com os Emmy? Pois é, adivinhem quem era o argumentista principal dessa série? O criador desta.


Melhor Episódio: "So" (2.01, A-) e "Service" (2.11, A-).
Quem sobressaiu: Katey Sagal. Aquela cena da violação ainda me está gravada na memória.


4. DEXTER

Temporada: 4
Nota: A-


Crítica: Quando pensamos que "Dexter" não consegue ficar melhor, eis que os argumentistas sobem o nível mais uma vez e nos presenteiam com a melhor temporada da história da série. Uma temporada verdadeiramente excitante, com a adição acertada do extraordinário John Lithgow - finalmente um nemesis à altura de Dexter Morgan - e com um final tão espectacular quanto chocante. Quem poderia prever que seria aquele o destino de Rita? A minha única crítica - e que é recorrente, já não é de agora - é a série não ter mais ninguém com o mínimo interesse, à excepção de Dexter, claro. Não é por culpa dos actores, pois estes desempenham bem os seus papéis. Acho mesmo que é por culpa das personagens e das suas caracterizações, que as tornam muito unidimensionais, além do pouco material que têm os actores secundários para trabalhar.




Melhor Episódio: O final seria óbvio, mas "Hungry Man" é capaz mesmo de ser o melhor (4.09, A).
Quem sobressaiu: John Lithgow e Michael C. Hall.




3. BREAKING BAD


Temporada: 3
Nota: A


Crítica: O primeiro A da minha lista vai para esta brilhante e inovadora série que desafia toda a espécie de lógica ou lei. Não basta dizer só que é inteligente, bem escrita, bem interpretada e interessante. Não. Esta terceira temporada rebentou com todos os fusíveis. Foi excepcional e não houve um episódio que não me tivesse deixado de boca aberta. Ainda por cima, este elenco é fantástico - Bryan Cranston, Anna Gunn e Aaron Paul, o núcleo duro da série, são geniais e todos mereciam um Emmy (só a mulher não levou um Emmy para casa - nem sequer foi nomeada; Paul ganhou o seu primeiro este ano, Cranston vai no terceiro consecutivo) e tem uma química explosiva e é maravilhoso presenciar a transformação que as personagens vêm vindo a sofrer. Finalmente, só uma palavra de apreço para a AMC: obrigado pela boa televisão que nos tem dado. "Mad Men", "Rubicon", "Breaking Bad" e "The Walking Dead"? Obrigado.

Melhor Episódio: o final de temporada, "Full Measure" (3.13, A).
Quem sobressaiu: Aaron Paul ser destacado era merecido, mas como "Peekaboo" já foi a temporada passada, é Bryan Cranston que para mim foi o melhor da série.


2. MODERN FAMILY

Temporada: 1
Nota: A

Crítica: Que lufada de ar fresco foi "Modern Family" no panorama de séries com base situacional (as tais sitcoms)! Um elenco irrepreensível e indubitavelmente talentoso, histórias originais, frescas, bem elaboradas e exploradas (e, muito importante, absolutamente engraçadas), uma direcção cuidada, que deve ter sido crucial para obter tão bons resultados em termos de timing comédico e pronunciação de falas não de um, ou de dois, mas de quatro actores infantis, e uma série que não teve medo de lidar com preconceitos (tem gays; tem estrangeiros; tem um casamento com uma diferença de idades grande) e que vincou bem o seu lugar na temporada televisiva de 2009-2010. Foram tantos e tão saborosos os momentos que me proporcionou que nem dá sequer para singularizar dez, quanto mais só um ou dois. "Modern Family" não promete. Chegou, viu e venceu. Tão simples quanto isso.

Melhores Episódios: Não dá para pegar só num. O piloto, "Fifteen Percent", "Moon Landing", "Fears", "Family Portrait" são alguns que destaco (1.01, 1.14, 1.15, 1.16, 1.24, todos A-).
Quem sobressaiu: Ty Burrell, Sofia Vergara e Eric Stonestreet. Que três.


1. MAD MEN


Temporada: 3
Nota: A+

Crítica: Bem sei que não se deve falar em perfeição porque normalmente esse é um objectivo inatingível, mas a terceira temporada de "Mad Men" foi, sem dúvida, perfeita. Treze episódios fortíssimos, um estilo de escrita ímpar por parte de Weiner e Cª, storylines que mudaram (bem) um pouco o rumo da série e abordam de tudo um pouco, de divórcios a gravidezes a casamentos apresentando-nos sempre mais e mais camadas de complexidade destas personagens que aprendemos a tanto respeitar, um elenco extraordinário, onde não há um ponto fraco - e onde Moss, Hamm e Jones brilham acima de todos os restantes - e uma maravilhosa exploração do dia-a-dia, do ambiente, da história dos anos 60 tornam esta na melhor série dos últimos anos e muito provavelmente na série da década, lado a lado com "The Sopranos", "The Wire" e "Six Feet Under". E se dúvidas haviam da magnitude do calibre de Mad Men, esta temporada deve tê-las aniquilado todas. Esta vai ser uma série que vai ganhar o Emmy de Melhor Drama até ao dia em que decidir terminar.

Melhor Episódio: o trio final, "The Gypsy and The Hobo", "The Grown-Ups" e o soberbo final "Shut the Door, Have a Seat" (3.11, 3.12, 3.13, todos A), a juntar ao espectacular "Guy Walks Into Advertising Agency" (3.06, A-).
Quem sobressaiu: January Jones e Jon Hamm.



E cá está a minha revisão da temporada televisiva passada concluída. Espero que tenham gostado e que não vos tenha maçado muito. Alguma sugestão a como fazer a análise da temporada vindoura será bem-vinda. E obviamente que peço desculpa por ter-me demorado tanto em voltar à escrita no blogue.



Revisão da Televisão em 2010: Parte 3

A nova temporada televisiva já começou e eu preciso mesmo de arrumar com a minha revisão das temporadas das séries em 2010. Vou então proceder à revisão das séries que vi em 2010 de seguida, em quatro posts (já disponível: #31-40 e #30-21; falta #1-10). Espero que deixem ficar a vossa opinião.


#20. BORED TO DEATH


Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: Ia dizer que era o melhor novo produto da HBO o ano passado mas esqueci-me de "Treme". Bem, posso dizer que é uma das melhores comédias do ano e uma refrescante surpresa. Humor negro q.b. (uma versão mais leve do humor típico de "It's Always Sunny in Philadelphia" e "Curb Your Enthusiasm") que tem realmente piada. Jason Schartzman, Zack Galifianakis e Ted Danson. Três personagens tresloucados, cada um pior que o outro. De que fala a série? De tanta coisa, mas principalmente relata as histórias de um escritor frustrado que decide embarcar na bizarra carreira de investigador privado. Com consequências imprevisíveis (e hilariantes), claro. A única desvantagem: só oito episódios. Mas foi renovada (e já estreou, aliás).

Melhor Episódio: "The Case of the Stolen Sperm" (1.07, B+).
Quem sobressaiu: Parece uma das estrelas do momento e tornou-se fácil referi-lo, mas de facto Zack Galifianakis evoluiu muito desde os dias de "True Calling" e esta personagem é de facto um espanto à custa dele.

#19. COUGAR TOWN



Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: Nunca esperaria eu que depois do fenómeno que é "Modern Family" viesse outra série com tanta qualidade como "Cougar Town" e uma interpretação comédica tão estupenda como a de Courteney Cox como a mãe divorciada e quarentona que tem que suportar os amigos malucos, o marido infantil e o filho único tão peculiar e que para piorar as coisas é tão doida como eles, Jules Cobb. A série começou mal, com uns cinco-seis episódios a gozar com o facto de Jules ter envelhecido, mas levantou-se depressa e logo que começou a focar-se mais no facto de Jules se encontrar agora, vinte anos depois, a descobrir de facto a vida, a série melhorou imenso. Diria até que nem parece a mesma. E este B+ poderia bem ser um B se eu fosse muito racional, mas "Cougar Town" não é racional. É divertido, é uma série que se pode ver com amigos, é uma série para apreciar, com o seu leve (e nada subtil) jeito de fazer rir.

Melhor Episódio: São tantos, mas "Finding Out" (1.24, B+) resume tudo aquilo que é Cougar Town: emoção, alma e amor.
Quem sobressaiu: Courteney Cox e Busy Phillips. É um empate. São as duas brilhantes. E já agora, um recado para a Academia: seis anos depois e mesmo assim ainda não há nomeação para Cox? Incrível.


#18. JUSTIFIED


Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: Além da excelência no diálogo, além das incrivelmente profundas caracterizações das personagens, além das magníficas escolhas de casting (Olyphant é perfeito para o protagonista Raylan, Carter e Searcy são excepcionais nos seus respectivos papéis também), além da história em si ser sensacional e sobretudo além da direcção, da fotografia, da música e da realização serem extremamente cuidadas, há só a dizer mais uma coisa: é uma série com a marca FX. Sim, a estação que nos trouxe "The Shield" e que hoje em dia nos dá "Sons of Anarchy". Portanto, selo de qualidade indiscutível.

Melhor Episódio: O piloto foi absolutamente sensacional (1.01, A).
Quem sobressaiu: Há séries que são brilhantes pura e simplesmente por causa do protagonista. É o caso desta. Timothy Olyphant foi roubado de uma nomeação nos Emmy este ano. Continuará a ser?


#17. FRINGE


Temporada: 2
Nota: B+

Crítica: Quem acompanha "Fringe" desde o início sabe que esta série não é nada convencional, sabe que se tem que ser mesmo fã e confiar nos argumentistas e sabe que se tem que ter paciência. Felizmente, a série contém tanto detalhe e tantas pequenas pérolas escondidas que é um prazer segui-la. Mais uma temporada volvida, de novo um início péssimo mas com melhorias evidentes no pós-ano Novo. Os novos segredos descobertos, as incursões pelo mundo alternativo e as novas referências mitológicas introduzidas são fascinantes e espera-se que ainda continue tanto por descobrir. Novamente temos John Noble brilhante mas Joshua Jackson e Anna Torv sofríveis e não me venham dizer que a culpa é dos personagens - os actores é que não têm, pura e simplesmente, qualidade suficiente para os papéis. E outra coisa que me irritou na série este ano: a constante angariação de fãs de outras séries de culto e de ficção científica (a Ana Alexandre fala disso mesmo na sua crítica no Split-Screen, se não me engano). "Fringe" é "Fringe", não é "X-Files" e não é "Torchwood".

Melhor Episódio: O trio final de episódios: "Northwest Passage" e o duplo episódio "Over There" (1.21, 1.22, 1.23, B+).
Quem sobressaiu: Mas haverá dúvidas que John Noble também já merecia alguma espécie de consideração? Será que algum dia os Emmy vão abrir-se para esta série?



#16: WHITE COLLAR


Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: A USA tem-me surpreendido com algumas das séries que escolhe produzir. "Burn Notice", "Covert Affairs", "Royal Pains", "Psych" e "Monk têm todas qualidades que as recomendam mas todas elas têm algo que eu não consigo deixar passar. Esse não é o caso com esta "White Collar", que tem sido transmitido insistente e repetidamente pela FOX portuguesa. A problemática relação entre o criminoso (que decide negociar com a polícia a sua prisão, oferecendo em troca a prisão de vários colegas criminosos e alguns  cúmplices) Neal Caffrey e o duro polícia Peter Burke, duas pessoas tão diferentes em personalidade e em abordagem à vida, é entretidíssima. Caffrey tem um carisma e Burke tem uma rudeza que dão um certo charme a ambas as personagens. Este jogo do gato e do rato podia esgotar-se rápido e tornar-se aborrecido, é verdade, mas a escrita e sobretudo o aparecimento de novas personagens não deixa isso acontecer. Uma temporada curiosamente bastante agradável de seguir e uma segunda temporada que promete (e que volta em Janeiro de 2011).

Melhor Episódio: Os episódios a meio da temporada, "Free Fall" e "Hard Sell" (1.07 e 1.08, B+).
Quem sobressaiu: Se bem que na segunda temporada esteve abaixo das expectativas, nesta temporada, Matthew Bomer foi demais.



#15: TREME


Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: Lembram-se do nome David Simon? Não? Mas talvez se lembrem da sua última série, "The Wire", que é reconhecida como a melhor série dramática de sempre da televisão? Pois. Ele este ano voltou à HBO com "Treme" e qual foi o resultado? O mesmo de "The Wire". Aclamada pela crítica, passou despercebida pelo público em geral e os Emmy olharam-na de lado, dando-lhe pouquíssimas nomeações e em categorias que quase não interessam. E, a comparação que mais me dói, é uma série quase tão boa como "The Wire" era. "Treme" conta a história de Nova Orleães no pós-furacão Katrina. Mas mais do que contar a história da cidade, conta a história de pessoas, pessoas normais como nós, pessoas que foram profundamente afectadas pela tragédia. E no meio disto tudo cria uma série sensacional de seguir e experienciar. Pena que pouca gente tenha notado.

Melhor Episódio: O piloto e o final, "I'll Fly Away" (1.01 e 1.10, A- ambos).
Quem sobressaiu: O elenco é que importa, mas tenho que realçar Khandi Alexander, tão longe dos seus dias de CSI (e tão merecedora de um Emmy... mas claro que nem nomeada foi) e John Goodman, tão diferente das personagens que ele costuma interpretar (e tão merecedor de um Emmy... mas claro que nem nomeado foi) .



#14. BETTER OFF TED


Temporada: 2
Nota: B+

Crítica: A melhor comédia do ano que ninguém viu. É, de facto, a melhor definição que podia dar à série. Interessante, divertida, cerebral, com um humor bastante peculiar (não chega a ser humor negro mas é humor intelectual, sem dúvida), uma comédia com cabeça, tronco e membros, com um elenco bestial, liderados pelos fabulosos Jay Harrington e Portia De Rossi, ambos fenomenais (em interpretações que mereciam Emmy, pois são incrivelmente melhores que os actuais vencedores, Parsons e Falco) e com uma escrita que muitos argumentistas sonhavam possuir, "Better Off Ted" tinha tudo para dar certo. Então, por que razão não resultou? Bem: o horário não ajudava; as audiências não eram boas; e a ABC não tem paciência para comédias inteligentes; e o público também não. Enfim.

Melhor Episódio: A série não chegou a acabar (faltavam 2 episódios para o fim) portanto não sei bem se seria a minha escolha, mas dos que foram transmitidos, "Lust in Translation" (2.10, A-) é o melhor. 
Quem sobressaiu: Portia De Rossi está uma grande comediante, coisa que se adivinhava desde "Ally McBeal" mas ninguém queria apostar.



#13. GLEE

Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: De vez em quando, surge na televisão uma série que põe toda a gente maluca. Foi assim com "Arrested Development", foi assim com "The Sopranos", foi assim com "Friends", com "Cheers" e por aí fora. E foi assim também que começou o fenómeno à escala mundial conhecido por "Glee", que curiosamente retrata a vida de um grupo de estudantes do coro escolar, apropriadamente (ou não) definidos como "a classe mais baixa da grande cadeia alimentar que é o ensino secundário" por Sue Sylvester, a horrorosa, rude e histriónica treinadora da claque do liceu. O que há em "Glee" para não se gostar? Alegria contagiante, grandes números musicais, personagens com os quais todos nos sentimos ligados, seja por que razão for (todos já fomos menosprezados e maltratados por alguém superior, não é verdade?) e diversão pura às mãos de Jane Lynch, que interpreta a maldosa treinadora da claque que acima já referimos. Além da série ser toda ela muito cómica, completamente abismal nalgumas histórias e de ter que ser vista de forma muito especial, porque algumas das coisas que lá ocorrem nunca se passariam da mesma forma na realidade. Mas porque é "Glee", a gente aguenta.

Melhor Episódio: O meu principal problema com "Glee" é o declínio que a série sofreu desde o seu trio inicial de episódios, o piloto (1.01, B+), "Showmance" (1.02, A-) e "Acafellas" (1.03, B+), embora "Vitamin D" (1.06, B+) tenha estado perto.
Quem sobressaiu: Esta é claramente uma série que dá primazia ao elenco, mas Jane Lynch é a grande estrela (Lea Michele seria uma boa segunda escolha, não fosse pelo facto da sua personagem estar a tornar-se completamente detestável).


#12. TRUE BLOOD

Temporada: 2
Nota: B+

Crítica: Alan Ball é um Deus. Consegue ser brilhante em termos de escrita, dinamismo e aproximação à história quer pegue em famílias aparentemente perfeitas à superfície mas que estão na verdade à beira do abismo, famílias à beira da ruína que cuidam de uma funerária ou vampiros amorais e hiperssexualizados que espalham o pânico no tranquilo deserto texano. "True Blood" não pode nunca ser levado muito a sério como drama, mas com certeza não é também essa a sua intenção. É uma série para se saborear, de uma tremenda qualidade, é certo, mas cujo objectivo é que os espectadores se envolvam, se deixem levar, se deixem contagiar. E não é uma série para todos. Depois de uma primeira temporada fantástica e de um final estrondoso, esta segunda temporada correspondeu às expectativas gigantes dos seus fãs (nos quais me incluo) com histórias fascinantes e com alguns desenvolvimentos que não estava nada a prever. Claro que quem é fã já viu a terceira temporada toda, mas isso fica para discussão daqui a mais algum tempo, sim?

Melhor Episódio: "Never Let Me Go" e "Release Me" (1.06 e 1.07, B+ ambos).
Quem sobressaiu: Deborah Ann Wool. Assustadora.


#11. COMMUNITY


Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: Que bela surpresa me reservou a NBC no seu famoso line-up de quinta-feira, que é como se sabe o lugar das suas comédias de excelência (das quatro, só uma, a que tem mais fãs, "The Office", é que eu não suporto; as outras são todas minhas predilectas). Desconfiei desta série desde o momento em que vi a (pouca) publicidade que ela teve, mas sem qualquer razão. "Community" é, em poucas palavras, genialidade e entretenimento. Todos os personagens parecem frescos, bem desenvolvidos e com capacidade para crescimento. Todos os argumentos parecem extremamente bem pensados e são o sonho de qualquer fã de cinema, de BD, de televisão e até de literatura, com inúmeras referências culturais, coisa que me agrada numa série. E mesmo o intelectualismo comédico presente é logo rebaixado pela comédia física o mais marada possível. É uma série com um elenco de luxo, com um criador que sabe do que fala (até porque é a sua história de vida) e com uma equipa de roteiristas que sabe o que faz. E uma emissora que soube ter paciência para ver a série evoluir e florescer.

Melhor Episódio: Não há forma de eu fugir ao episódio da guerra de paint-ball, pois não? Óbvio - "Modern Warfare" (1.23, A).
Quem sobressaiu: Alison Brie, Chevy Chase ou Danny Pudi, façam vocês a escolha. Para mim, os três são bestiais.

Revisão de Televisão em 2010: Parte 2

A nova temporada televisiva já começou e eu preciso mesmo de arrumar com a minha revisão das temporadas das séries em 2010. Vou então proceder à revisão das séries que vi em 2010 de seguida, em quatro posts (já disponível: #31-40;  ainda para vir: #11-20 e #1-10). Espero que deixem ficar a vossa opinião.






#30. UGLY BETTY

Temporada: 4
Nota: B

Crítica: Sinto-me tão triste e ao mesmo tempo tão aliviado que esta série tenha acabado. Triste, primeiro, porque são personagens às quais me habituei, que me fizeram rir imenso desde o primeiro episódio, personagens com as quais me identifico, que ao contrário de outras séries sempre exibiram de peito aberto os seus defeitos e sempre demonstraram as suas qualidades. Mas aliviado que a série vá antes de entrar no declínio, antes de perder todas as qualidades que lhe eram reconhecidas. E contente sobretudo porque encerrou bem a grande parte das histórias que tinha para contar. A Betty deixou de ser feia, mas é a "Ugly" Betty e não propriamente a nova, melhorada Betty, que vai ficar na minha memória para sempre.

Melhor Episódio: "All the World's a Stage", o quarto a contar do fim (4.16, B+).
Quem sobressaiu: Vanessa Williams foi de tudo na sua última temporada e se dependesse de mim, ela levava o Emmy este ano (porque ainda vamos ter mais três anos de Jane Lynch a fazer o mesmo que fez este), mas tenho mesmo que escolher Michael Urie, porque surpreendeu-me imenso.



#29. PARTY DOWN

Temporada: 2
Nota: B

Crítica: Outra série que foi cancelada a meio do ano e que não devia ter sido (a outra foi "Better Off Ted"). Uma comédia inteligente, sofisticada, de jeito algum para todos os gostos mas isso era o que a tornava tão especial. Jane Lynch partiu e a série ressentiu-se ainda mais do que já tinha mostrado na primeira temporada, não em termos qualitativos mas sim em termos de audiências e o Starz optou por cancelar. Lamentamos, até porque esta pequena série sobre Hollywood wannabees que em vez de continuarem a sua carreira como actores viram empregados de 'catering' começava a tornar-se um dos meus prazeres semanais. Contudo, o talento comédico e brilho mostrado por Lizzy Caplan, Adam Scott e Ken Marino serão certamente aproveitados por outras séries num futuro muito próximo.

Melhor Episódio: Empate técnico entre "Joel Munt's Big Deal Party!" (2.08, B+) e "Costance Carmell Wedding", o final de temporada (2.10, A-).
Quem sobressaiu: Lizzy Caplan e Adam Scott estavam ambos maravilhosos.



#28. DESPERATE HOUSEWIVES

Temporada: 6
Nota: B

Crítica: Uma temporada muito confusa e com poucos episódios de qualidade. Felizmente, há tanto a acontecer ao mesmo tempo que por vezes nem reparamos que o episódio entra em declínio artístico. Não foi uma boa temporada de "Desperate Housewives" e até devia ser mais B- do que B. Mas como o meu C+ para "Entourage" foi de castigo pela queda substancial e progressiva de qualidade, também o meu B aqui é uma espécie de incentivo pela melhoria clara de nível entre as últimas duas temporadas e esta. Claro que não se pode pedir que Marc Cherry volte aos bons velhos tempos da primeira temporada, mas melhorar ainda um pouco mais é possível. Pode ser que com a chegada iminente de Vanessa Williams (realmente, conseguiam pensar num follow-up melhor a Wilhelmina Slater que este?) as coisas aqueçam. De resto, uma temporada em que só Hatcher e Longoria é que parece terem aparecido para trabalhar, pois Huffman e Cross não tiveram uma única história de jeito para brilhar, com muito menos drama que o costume e com vizinhos novos muito mais animados (Drea de Matteo foi uma excelente adição que infelizmente já se vai embora).

Melhor Episódio: "The Coffee Cup" (6.08, B+) é o melhorzinho.
Quem sobressaiu: Eva Longoria Parker fez-me rir quase sempre que surgia no ecrã.



#27. 30 ROCK

Temporada: 4
Nota: B

Crítica: Grandes séries também sofrem de problemas de manutenção de qualidade e era óbvio que mais cedo ou mais tarde "30 Rock" também passaria por isso. Esta quarta temporada correu bem longe do desejável, com episódios fantásticos e episódios horrorosos, com convidados excepcionais (Hamm, Sheen, Banks) e com convidados dispensáveis (Jackson, Moore), mais iô-iô a série que o próprio Tracy Jordan. Mas também se tem que dizer uma coisa: "30 Rock", mesmo longe do seu melhor, providencia ainda muito mais divertimento que 60-70% das séries que para aí andam.

Melhor Episódio: A sequência final de episódios do fim de temporada seria uma boa escolha, mas o duo de episódios a seguir ao Ano Novo, "Klaus and Greta" e "Black Night Attack" (com Jenna Maroney a fazer audição para "Gossip Girl") foram ambos sensacionais e a melhor forma de eu recuperar fé nesta grande série (4.09 e 4.10, B+/B+)
Quem sobressaiu: Tina Fey. "Tina, Tina, Tina", como Baldwin teria referido.



#26. UNITED STATES OF TARA

Temporada: 2
Nota: B

Crítica: Tenho que começar por dizer desde já que me custa definir aquilo que eu tanto aprecio em "United States of Tara". A protagonista é absolutamente irritante. A família tem incontáveis defeitos. A irmã é insuportável. A maioria das histórias tem um pano de fundo ridículo (Diablo Cody, devolve esse Óscar!). Ainda assim, fico sempre fascinado com o decorrer das coisas. Toni Collette faz maravilhas com um papel tão tridimensional que nas mãos de outra actriz poderia parecer uma caricatura tão baratucha quanto estereotipada. Keir Gilchrist e Brie Larson formam uma dupla de filhos extraordinária e se eu mandasse ambos teriam nomeações para os Emmy. E não posso esquecer Rosemarie DeWitt. É a segunda variação de irmã que eu a vejo interpretar (a primeira eu já adorei, em "Rachel Getting Married") e as duas não podiam ser mais diferentes, o que só prova que a actriz tem mérito na análise da personagem que faz. Tudo considerado, uma temporada mais fraca que a anterior e muito mais dramática (o que me leva a ficar irritado ainda mais cada vez que falam dela como comédia, que não o é) e onde a unidade familiar foi o grande foco.

Melhor Episódio: sem qualquer dúvida, "Torando!" (2.06, B+). Cerca de uma dezena de pessoas presas numa cave e cinco são a mesma pessoa? Demais.
Quem sobressaiu: Toni Collette é sempre o óbvio, mas vou dizer Keir Gilchrist. Adorei cada minuto da sua interpretação.



#25. NURSE JACKIE

Temporada: 2
Nota: B/B+

Crítica: Se a primeira temporada do The Edie Falco Show já me tinha impressionado, a segunda tirou-me o chão debaixo dos meus pés. Tão imprevisível, tão séria quanto divertida, tão aplicável ao nosso quotidiano, a série sobre esta enfermeira tão fora do vulgar cresceu no seu segundo ano e muito se deve ao grande desenvolvimento dado aos personagens secundários, em especial à Dr. O'Hara (Eve Best), a Zoey (Merritt Wever) e ao Dr. Cooper (Peter Facinelli). Não é por nada, mas Holland Taylor ser nomeada para um Emmy e uma destas senhoras não é um verdadeiro sacrilégio. De resto, "Nurse Jackie" nunca foi uma comédia nem Edie Falco está a interpretar comicamente (como muito bem disse no seu discurso de vencedora do Emmy) mas a verdade é que a série doseia muito bem o dramático com o cómico e nunca cai no exagero para uma série do tipo (coff Grey's Anatomy coff) por isso merece os meus parabéns.

Melhor Episódio: Parece cliché dizer este mas eu gostei muito dos três episódios finais, em particular do final de temporada, "Years of Service" (2.12, A-).
Quem sobressaiu: Merritt Wever. Não há sequer discussão.


#24. THE BIG BANG THEORY

Temporada: 3
Nota: B/B+

Crítica: Não me entendam mal, eu adoro estes nerds/geeks. Aliás, considero o Dr. Sheldon Cooper uma das melhores invenções que a CBS alguma vez já nos trouxe, tal como Barney Stinson. Além disso, choca-me que alguém que produz e escreve os guiões de "Two and a Half Men" possa ao mesmo tempo criar algo tão genuíno e especial como "The Big Bang Theory". Contudo, não acho (e nunca achei) a série assim tão brilhante como alguns a postulam. Sim, Jim Parsons é excelente, mas isso já sabemos nós há dois anos. Sim, a série é uma comédia bastante divertida e consistentemente engraçada, cheia de referências a jogos, filmes e séries de televisão que deliciam os fãs mais hardcore da ficção científica. Ainda assim, não é suficiente. Dito isto, são sempre 20 minutos que adoro passar cada semana com estas personagens.

Melhor Episódio: O óbvio seria dizer "The Pants Alternative" ou "The Maternal Congruence", mas vou pegar em "The Precious Fragmentation" (3.17, B+).
Quem sobressaiu: Jim Parsons, a estrela da série.



#23. HUMAN TARGET

Temporada: 1
Nota: B/B+

Crítica: Como descrever uma série de acção pura com tanta qualidade como "Human Target"? E que consegue ser tão diferente da outra grande série de acção que curiosamente termina na FOX quando esta começa, "24"? Talvez comece pelo facto da série só ter tido 12 episódios, condensando a acção. Talvez seja pelo facto de Mark Valley nos apresentar uma interpretação surpreendentemente fabulosa, muito superior à de Kiefer Sutherland. E também terá a ver com um elenco de suporte extraordinário. E além de ser um drama de acção de elevado quilate, tem histórias interessantes e diversificadas semana após semana. Parabéns ainda a quem criou aquele genérico fenomenal. E antes que a FOX portuguesa (e a AXN, adivinha-se) gaste todo o seu tempo em promoção desta série quando ela para cá vier, que todo o mundo se lembre que eu já cá a elogiava quando pouca gente a conhecia.

Melhor Episódio: todos foram bons, embora para mim "Rewind" (1.02, B+) tenha sido o melhor de todos.
Quem sobressaiu: um chorrilho de actores convidados de grande qualidade e, claro, Mark Valley, num papel que parece ter sido criado para ele.



#22. DAMAGES

Temporada: 3
Nota: B/B+

Crítica: Uma série complicada de nos deixar excitados mas que na verdade é sempre de uma qualidade incontestável (agora suplantada, na minha opinião, por "The Good Wife") é "Damages" e foi com muito entusiasmo que aplaudi a compra de uma nova temporada da série pela DirecTV, que já havia salvo "Friday Night Lights" de um fim prematuro. Patty Hewes foi visceralmente rude e feroz esta temporada, mais do que em qualquer uma das outras duas, mostrando uma crueldade só a par com a vulnerabilidade que também exibiu nalguns dos episódios. Close no seu melhor, portanto. Rose Byrne manteve a consistência na sua Helen e, não sendo, como de costume, um dos destaques de cada episódio, é sempre uma interpretação confortante, de carisma e brilho assegurado, se bem que sempre a perder para Close em protagonismo. O terceiro MVP da temporada foi Martin Short, finalmente um rival à altura de Close, que jogou muito bem com a sua caracterização low-profile, cuidada, numa primeira instância da temporada e que depois aproveitou bem a reviravolta da sua personagem para mostrar todo o seu talento. Uma temporada de altos e baixos, com alguns episódios para os quais eu tinha grandes expectativas a falhar ("Your Secrets Are Safe" sendo o mais flagrante) e alguns que me apanharam de surpresa (o final de temporada, que seria um final adequado à série, tivesse ela acabado), mas no fim de contas, um drama bastante bom com uma interpretação monstruosa da sua protagonista (que perdeu o Emmy este ano).

Melhor Episódio: "The Next One's Gonna Go In Your Throat" (3.13, B+), o último episódio desta temporada.
Quem sobressaiu: Martin Short ou Glenn Close, escolham vocês. Provavelmente o primeiro.


#21. CALIFORNICATION

Temporada: 3
Nota: B/B+

Crítica: Não há outra série igual a "Californication". Não há, é escusado. Esta terceira temporada foi uma melhoria significativa em relação a uma segunda muito cinzenta que quase me levou a desistir da série depois daquela formidável primeira temporada. O nosso anti-herói Hank passou realmente um bom bocado este ano, levando para a cama (quase) todo o rabo de saias que lhe apareceu pela frente e conduzindo obviamente a break-ups hilariantes. Que o homem é um íman sexual, isso não se discute. O que me interessa discutir - e que espero ser o ponto de partida para a quarta temporada - é que o homem lá dentro está em cacos e que esta promiscuidade não pode durar para sempre. Nem a filha deixa. Todavia, foi realmente divertido ver as peripécias de Hank como professor (em mais que uma maneira, se é que me entendem). David Duchovny à parte, o que realmente saltou à vista esta temporada foram as interpretações dos convidados, desde Peter Gallagher a Kathleen Turner. Excelentes, todos eles, ajudando a colocar esta série de novo no topo.

Melhor Episódio: a dupla "So Here's The Thing" e "The Apartment" (3.07 e 3.08, A-/B+).
Quem sobressaiu: eu sou tendencioso para Peter Gallagher depois de The O.C., portanto vou dizer... Diane Farr. Ou Kathleen Turner.

Revisão da Televisão em 2010: Parte 1

Para entrar na nova temporada televisiva que está quase a começar (e eu estou consciente do facto de várias séries - algumas que eu sigo - já se encontrarem em exibição, mas essas já contam para a nova temporada, não para a que encerrou com a entrega dos Emmys) eu preciso de arrumar com a minha revisão das temporadas das séries em 2010. Vou então proceder à revisão das séries que vi em 2010 de seguida, em quatro posts (#31-40, #21-30, #11-20 e #1-10). Espero que deixem ficar a vossa opinião.




#40. ENTOURAGE

Temporada: 6
Nota: C+

Crítica: Parece mesmo que eles deixaram de tentar contar histórias interessantes, não é? E parece que o tempo de "Entourage" está a chegar ao fim. Até Ari Gold parece já não ter a piada de outros tempos (claro que Jeremy Piven continua a dar boas prestações nesse papel, mas não é isso que aqui se discute). Algumas storylines que demoraram muito tempo a encontrar resolução, Vincent e a sua habilidade para não fazer nada chegaram mesmo a tirar-me do sério em mais que uma ocasião e a falta de interesse que se vem agravando nos personagens secundários da série, excepção feita a Ari, é gritante. Graças a Deus que a 7ª temporada tem-me parecido melhor senão teria feito o funeral de vez. E ainda bem que 2011 será o último ano.

Melhor Episódio: Não é que haja muitos para escolher, por isso vou com "Berried Alive" (6.10, B/B+).
Quem sobressaiu: Jeremy Piven



#39. GOSSIP GIRL

Temporada: 3
Nota: C+

Crítica: Alguém que me recorde como é possível eu ter gostado desta série antes, por favor, que eu estou a precisar que me relembrem. Personagens gastas, histórias mil vezes contadas na série, discussões intermináveis que acabam sempre com o resultado mais previsível, algumas storylines de me pôr a arrancar cabelos (já todo o mundo sabe que Serena é burra, mas tanto?) e só se safa mesmo a interpretação de Meester no meio da confusão. Quarta temporada que não aguardo, isso é certo. Só se as coisas melhorarem muito.

Melhor Episódio: De longe, "The Treasure of Serena Madre" (3.11, A-). Nunca me tinha rido tanto num drama.
Quem sobressaiu: Leighton Meester


#38. HOW I MET YOUR MOTHER

Temporada: 5
Nota: B-

Crítica: Talvez esta série não merecesse um lugar tão baixo no meu ranking, mas o facto de ser uma série tão querida por mim e tão bem explorada nas suas duas-três primeiras temporadas e depois ter tal declínio na sua quarta temporada (B-), seguida desta terrível quinta, não me podem culpar de ter agido de forma raivosa e decidir castigar a série. O claro substituto de "Friends" era, até 2008, inteligente, sensível, divertido, genialmente absurdo, criou uma personagem lendária (Barney Stinson) e deu-nos uma série que vale a pena ver e rever várias vezes. No pós-2008, veio o desastre, que atingiu novas proporções esta temporada: nada tinha seguimento, nada fazia sentido a maioria das vezes e se algum episódio era de todo engraçado era mais pelo talento do elenco do que pela escrita dos argumentistas. Salvou-se, uma vez mais, Neil Patrick Harris.

Melhor Episódio: Declaro um empate entre "The Playbook" e "The Perfect Week" (5.08 e 5.14, ambos B+). Desta temporada só gostei de mais dois episódios ("Girls vs. Suits" e "Rabbit or Duck") - mas é claro que me ri com mais alguns.
Quem sobressaiu: Neil Patrick Harris




#37. BROTHERS & SISTERS

Temporada: 6
Nota: B-

Crítica: Esta série tem tido temporadas substancialmente mais fracas a cada ano que passa e este ano ela atingiu novo nível de ridículo por vezes, com episódios autenticamente saídos de uma novela mexicana. Não obstante isto, há que dar valor aos episódios que realmente mostram o excelente drama que Brothers & Sisters é. Esta foi uma temporada marcada por vários rombos em todas as personagens mas também com alguns momentos de felicidade, que assentou fundamentalmente em quatro grandes linhas narrativas: a doença de Kitty, a falência da Ojai Foods, a entrada de Luc na vida dos Walkers e o casamento de Justin e Rebecca. E não vamos esquecer aquele glorioso sprint final, com vários episódios de muito boa qualidade, com demasiadas storylines suculentas que, para os fãs da série que visitem e não queiram ver spoilers, não vamos relevar. Com a saída de vários actores principais da série, não lhe abono bom futuro e isto, somado ao facto de ter sido uma temporada algo medíocre, leva-me a não querer ver mais.

Melhor Episódio: Ou "Lights Out" (6.23, B/B+) ou "Nearlyweds" (6.10, B/B+)
Quem sobressaiu: Calista Flockhart



#36. WEEDS

Temporada: 5
Nota: B-

Crítica: Uma temporada mediana, a fugir muito ao que "Weeds" já foi noutros tempos (basicamente, a melhor comédia da televisão), com a grande maioria das histórias a serem completamente disparatadas e sem sentido nenhum e a grande parte das revelações e reviravoltas desta temporada a serem desvendadas de forma tão descolorida que até me deixou pena. Uma diferença algo interessante para a abertura da 6ª temporada, ao contrário do que foi feito em temporadas anteriores, foi terem deixado um cliffhanger, ou seja, terminaram a temporada no meio da acção - claro que para quem já está a acompanhar a 6ª temporada, que está a decorrer já nos Estados Unidos, já estará inteirado do que se passou depois. E algo que me chocou esta temporada foi mesmo o facto que eu não consogo simpatizar mais com Nancy Botwin. Ridículo. Ela, que noutros tempos eu chamaria de anti-herói, agora é pura e simplesmente estúpida e desgovernada. Não tem rumo na vida e volta sempre a erros passados. Não há pachorra.

Melhor Episódio: "Su-su-sucio" (5.03, B+) é aquele que me vem logo à cabeça.
Quem sobressaiu: Mary Louise Parker parece-me a escolha óbvia, embora eu ache que desde há dois anos para cá é Justin Kirk que é o MVP.


#35. GREY'S ANATOMY

Temporada: 6
Nota: B/B-

Crítica: Das séries todas da lista, foi a que teve a temporada mais errática. Começou pessimamente, depois lá encontrou o seu ritmo com dois episódios sucessivos brilhantes ("I Saw What I Saw", contado por perspectivas diferentes e "Give Peace a Chance", um episódio inteiro focado em Derek), voltou a cair ligeiramente nos episódios seguintes e só voltou a recuperar lá para o final, especialmente com o duplo episódio de final de temporada, que definitivamente iria para o meu top-10 de episódios de drama do ano inteiro de televisão. Agora o meu problema é que tanta irregularidade, tanta personagem a entrar e a sair, o drama com Heigl, os problemas na maioria dos episódios e algumas storylines ridículas tornam insuportável que eu consiga defender mais esta série. Não dá.


Melhor Episódio: O duplo episódio do final da temporada, em particular a primeira parte, "Sanctuary" (6.23, A-).
Quem sobressaiu: Patrick Dempsey



#34. NCIS: LOS ANGELES

Temporada: 1
Nota: B/B-

Crítica: Suponho que tenha que agradecer a Daniela Ruah por me ter levado a ver esta série. É que eu tenho alergia a C.S.I. e aos seus spin-offs e o mesmo se passa com este NCIS. Eu não queria ver a série. Só a vi por causa dela. E tenho que admitir que a série não é nada daquilo que eu inicialmente pensava. Inteligente por vezes, engraçada, divertida, nada parecida com aqueles policiais que tanto correm pela televisão (que já viu de tudo no género, desde "The Closer" até "Saving Grace"), boa química entre os actores (LL Cool J com boa interpretação, veja-se só!) e boa prestação do elenco - especialmente Linda Hunt (como é óbvio). Argumentos diversos e interessantes permitem que nunca se torne aborrecida e eu provavelmente voltarei a acompanhar esta série, este guilty pleasure, se assim o quisermos caracterizar, ainda não sei se durante o ano ou se a vejo toda depois do final da temporada.

Melhor Episódio: Tem vários que eu apreciei bastante, como "Callen, G." (1.24, B+) ou "Blood Brothers" (1.18, B+) ou então "Hand-to-Hand" (1.19, B+).
Quem sobressaiu: Poderia dizer Chris O'Donnell, mas a verdadeira estrela da companhia é a pequena Linda Hunt.


#33. PARENTHOOD

Temporada: 1
Nota: B

Crítica: Foi uma temporada pequena demais para avaliar em profundidade o valor da série, mas do que vi, gostei muito. Uma série que parecia ser para preencher buracos no calendário semanal da NBC (como "Cougar Town" também parecia fazer na ABC, a dar depois de "Modern Family") começou intermintentemente mas melhorou substancialmente por volta do quinto episódio, com um elenco impressionante, especialmente os jovens e que consegue crescer para um drama de qualidade substancial que é um mimo de seguir todas as semanas. Como volta a surgir só na mid-season, se poucos pilotos da nova temporada me excitarem, voltarei a esta série. Se não, só no Verão. De qualquer forma, para quem gosta de dramas familiares, é um must-see. E Lauren Graham num papel que era parecido com o de "Gilmore Girls", mas que se tornou completamente distinto. E Peter Krause numa personagem nada parecida com a sua de "Six Feet Under".

Melhor Episódio: Muitos episódios de grande nível, mas não posso deixar de escolher o querido final de temporada, "Lost and Found" (1.13, B+).
Quem sobressaiu: Como não podia deixar de ser, as duas grandes estrelas do programa, Lauren Graham e Peter Krause; ambos deviam ter sido nomeados para Emmy.



#32. HOUSE

Temporada: 6
Nota: B

Crítica: Mais uma temporada algo estranha para "House, M.D.", que começa de novo muito bem - com um episódio excepcional ("Broken"), que em situação normal deveria ter dado finalmente o Emmy a Hugh Laurie, tal a interpretação extraordinária durante as duas horas de episódio - e depois perde vapor a meio da temporada, de tal forma que os últimos cinco episódios são quase insuportáveis de tolerar (se bem que termina em alta - o final é fenomenal também). O que me tocou mais esta temporada foi a partida de Cameron (Jennifer Morrison), mesmo se o episódio em que ela partiu foi fraco e mesmo se a sua partida é algo injustificada. Foi um momento fulcral da temporada e a actriz e Laurie venderam-no bastante bem. De resto, as interpretações do elenco secundário foram dolorosas, excepção feita a Lisa Edelstein (Cuddy), claro está, pois as suas personagens parecem, ao fim de seis anos, estarem verdadeiramente gastas. O romance entre House e Cuddy será um ponto de partida interessante para a sétima - provavelmente a penúltima - temporada de "House, M.D.".

Melhor Episódio: o primeiro logo, "Broken" (6.01 e 6.02, A-), com uma interpretação genial do protagonista (A+).
Quem sobressaiu: custa-me dizer isto, até porque eu estive quase a pôr Lisa Edelstein, mas Hugh Laurie foi (uma vez mais) o melhor em campo a temporada quase toda.


#31. HUNG

Temporada: 1
Nota: B

Crítica: Até me parece mal estar a redigir a minha crítica à primeira temporada de "Hung" quando já sei tanta coisa que se passou a seguir (fruto da segunda temporada estar a terminar na HBO - acaba para a semana), mas é assim, que se pode fazer? Alexander Payne criou uma série originalíssima que funciona como bom complemento a "Entourage" e que, não sendo uma comédia animadíssima, como o seu parceiro de domingo, é talvez a melhor comédia das duas. Tem um tipo especial de drama e humor seco, humor negro, que poucas séries conseguem explorar hoje em dia e tem dois protagonistas absolutamente especiais. Jane Adams e Thomas Jane têm finalmente os papéis que precisavam para aumentar um pouco o nível das suas carreiras e tenho que dizer que lhes assentam que nem uma luva. A série, por ser chancela da HBO, tem apenas dez episódios por temporada, o que lhe assenta bem, pois se fosse de canal público, além das implicâncias que teria à custa do sexo todo e da linguagem inapropriada, gastar-se-ia rápido em temporadas de mais de 20 episódios. Provavelmente não vai passar da terceira temporada (para a qual já foi renovada), mas "Hung" é excelente e vou seguir enquanto durar, com certeza.

Melhor Episódio: "A Dick and A Dream or Fight the Honey", o final de temporada (1.10, B+). 
Quem sobressaiu: qualquer um dos dois protagonistas, mas sem dúvida que em mim Jane Adams foi quem me deixou maior impressão.