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DIAL P FOR POPCORN

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Especial Animação: Melhores Vilões Disney

A acompanhar os sete artigos dos nossos convidados para a nossa Semana de Apreciação à Animação, vamos ter outros artigos especiais dedicados ao tema, que se debruçarão sobre diversos componentes que fazem da animação dos géneros mais excitantes do cinema contemporâneo. No dia de encerramento - e aproveitando que os últimos filmes abordados cá pelo blogue possuem, de facto, vilões memoráveis (Cruella, Ursula, Queen of Hearts) - propus-me a compilar num artigo aqueles que são, para mim, os dez maiores vilões do universo Disney.

Menção Honrosa:
Mother Gothel ("Tangled") 

 
Já expressei a minha admiração pela categoria que esta vilã tem por diversas vezes, como sabem. Não foi incluída nesta lista por uma simples razão: não posso compará-la com vilões que são memoráveis há já muito tempo. Daqui a uma década, reavaliando, talvez já seja justo contá-la nesta lista. Para já... fica de fora. Mas fiquem sabendo que se a tivesse colocado seria seguramente a #3.

#10:
(empate)
HADES ("Hercules")
YZMA ("The Emperor's New Groove")


 Não sendo propriamente estereotipados vilões maléficos, os neuróticos, vaidosos e egoístas Hades e Yzma conseguem ser, cada um à sua maneira, bastante manipuladores, melindrosos e malvados. Os mirabolantes esquemas que engendram, as patetices em que se envolvem mais os seus ridiculamente desajeitados ajudantes e as suas ambições desmedidas não nos deixam, felizmente, levá-los muito a sério, transformando-os em brilhantes antagonistas para os protagonistas dos seus respectivos filmes. Bónus: James Woods e Eartha Kitt conferem uma personalidade poderosa aos seus vilões através das suas características vozes e os toques de génio na entrega das falas revelam-se hilariantes.


#9:
QUEEN OF HEARTS ("Alice in Wonderland")

Desconcertante, rude e com a mania de ser o centro das atenções, a Rainha de Copas não é má per se; ela só gosta que lhe obedeçam. Ou isso... ou cortem-lhes a cabeça. Uma personagem tão peculiar quanto assustadora, psicótica, pomposa e colérica, a Rainha de Copas é uma das vilãs mais originais e estranhas que o universo Disney possui. Acaba por resultar num bom complemento à rebeldia e capacidade imaginativa de Alice, ao ser a primeira pessoa que lhe nega tais comportamentos e devaneios.

#8:
SCAR ("The Lion King")

Ao contrário dos vilões anteriores, Scar é realmente cruel. Alguém que não tem valores nem moral, alguém que atraiçoa tudo e todos - incluindo o irmão e o sobrinho - para chegar aonde quer. Intriguista, mentiroso, corrosivo, de um enganador porte físico, ar irónico e descontraído, Scar é não só o vilão mais fantástico que a Disney tem como também o mais porreiro. Ele é pura e simplesmente frio, desprovido de sentimentos. 
#7:
LADY TREMAINE ("Cinderella")


A vilã mais realista da Disney, Lady Tremaine é, por um lado, uma personagem bastante unidimensional. Por outro lado, funciona na perfeição para o que o filme precisa. Incorporando brilhantemente o estereótipo de madrasta má, Lady Tremaine é uma autêntica bruxa malévola, ambiciosa e sem escrúpulos. Abusiva, terrível e assustadora, de uma elegância e frieza letais, não queria tê-la pela frente, pois pelo que faz a Cinderela, nota-se que é capaz de tudo pelos seus objectivos.

#6:
GASTON ("Beauty and the Beast")


Como antagonista ao duo central de protagonistas em "Beauty and the Beast", Gaston personifica a mensagem principal que o filme quer passar, que a beleza interior é muito mais importante do que o se vê no exterior. Gaston é-nos descrito, numa fase inicial do filme, essencialmente como o homem perfeito, mas vai-nos sendo mostrado que Gaston perde largamente para o Monstro em termos de personalidade, de carácter e de bondade, num fio narrativo que caminha passo a passo com a progressão da relação entre Bela e o Monstro e a descoberta de que o Monstro, afinal, não é o mau da fita.  Gaston é que é. Vil, vulgar, rude, Gaston é uma alma perturbada.

#5:
CRUELLA DE VIL ("101 Dalmatians")


A vilã que mais odiamos amar, Cruella de Vil é uma personificação do mal até no nome. Sem qualquer remoso ou pingo de amabilidade, Cruella só vive para as peles, o seu único conforto, não se importando com nenhum ser vivo, seja pessoa ou animal, a não ser ela. Com um aspecto físico horrendo a combinar com o seu nome ameaçador e o seu semblante arrepiante, Cruella, é como o seu nome diz, verdadeiramente cruel e vil. Histriónica e até cómica (por vezes), icónica e memorável pela sua ferocidade e tenacidade, Cruella é, sem dúvida, uma das mais fenomenais criações da casa Disney.

#4 e #3:
JUDGE FROLLO ("The Honchback of Notre Dame")
EVIL QUEEN ("Snow White")

Sessenta anos separam estes dois lendários vilões Disney e a sua história entrecruza-se de várias formas. Ambos adoptaram o filho de alguém que desprezavam. Ambos se têm em demasiado elevada consideração. Ambos pagam, no final, pelas injustiças e maldades cometidas. E o mais curioso é que cada um, à sua maneira, considera que o que faz é justificado, tal a imersão no seu mundo à parte. Capazes de cometer os piores e mais desumanos actos (como ordenar a queima em praça pública de milhares de inocentes ou mandar matar alguém e arrancar o seu coração como prova), Frollo e a Evil Queen são dois espécimes inacreditáveis, que sucumbiram à corrupção e à sede de poder do mundo.

#2:
URSULA ("The Little Mermaid")


Ursula, a vilã da história, que assume a forma de um intimidativo polvo, que, ao contrário do que se possa pensar, não é só feia, temível e maléfica. É também detentora de um mordaz, negro sentido de humor, de um inesquecível egocentrismo e vaidade (uma verdadeira diva no sentido literal da palavra) e de uma impressionante imaginação que acompanha os seus malvados planos. Uma vilã versátil, que além de mal-intencionada é inteligente e criativa, Ursula é única no universo Disney. Completamente bipolar, miserabilista, vingativa e sedenta de poder, Ursula não olha a meios para atingir os fins, o que faz dela uma das vilãs mais perigosas da história dos estúdios.


#1:
MALEFICIENT ("Sleeping Beauty")

"You thought you could defeat me, the mistress of all evil!"
 
Nunca considerei mais ninguém para o meu lugar cimeiro. Uma vilã de impor respeito a vários dos vilões mencionados acima, quanto mais a meros humanos. O seu aspecto é, por si só, garantia suficiente de medo e susto, com a sua face esverdeada, o seu manto preto e roxo, os seus cornos e os seus lábios carnudos vermelhos. De uma elegância e sofisticação espantosas. A sua gargalhada gélida e maldosa, a sua voz imperial capaz de trespassar qualquer um, a impotência de todos os outros perante o seu óbvio poder e o medo que instiga são, de facto, características inolvidáveis daquela que é a maior vilã da Disney. Maleficient não é como os outros vilões, que agem por causa disto ou daquilo. Ela gosta de ser má. Ela gosta de ser vingativa. Ela gosta de ser o centro das atenções pelas razões erradas. Ela gosta que tenham medo dela. E isso faz uma diferença enorme. Ela é, numa só palavra, a epítome de todo o mal, uma assassina a sangue frio e tudo porque não foi convidada para uma festa.


Agora vocês: qual o vosso top-10 de vilões?

ÓSCARES 2011 - Comentário


Foi a primeira vez que vi uma cerimónia dos Óscares. Se há algo a que esta festa popular de auto-promoção me fez concluir, com o passar dos anos e das escolhas, é que quase sempre se esquece o melhor. Quase sempre a aparência é melhor do que o conteúdo.


E, mesmo sem nunca ter visto nenhuma cerimónia, já era esta a opinião que tinha. Depois de ter assistido (e perdido uma noite) à custa disto, reforço aquilo que sempre o disse: Os Óscares não passam de uma fútil auto-promoção de um povo que se considera o Rei do Mundo em tudo o que faz. Um povo que a nível do cinema, salvo raríssimas excepções, se limita a produzir em massa material que estupidifica e atrasa as pessoas deste mundo e, quando tenta um rasgo de intelectualidade, vai busca-lo aos países que realmente percebem do assunto.


A passadeira vermelha deu lugar a alguns dos momentos mais deprimentes e infelizes que já vi em televisão (A declaração de amor que Gwyneth Paltrow fez a Jay-Z foi digna de uma ida aos confins da Terra).

Dois momentos altos no meio de toda esta "cerimónia": A apresentação dos dez filmes a concurso na categoria de Melhor Filme, logo a começar. Quase que me enganavam. Não tivesse visto o resto dos Oscars e até julgaria estar perante uma das agradáveis bofetadas de luva branca da minha vida. Um segundo ponto alto, para o discurso de David Seidler: breve, sério, sem as lamúrias do costume mas com a emoção que um momento como estes representa para quem faz parte da indústria.


Conclusão: Uma vez que os Óscares são uma mera formalidade, uma entrega de prémios sem emoção, imprevisibilidade ou suspense à qual se junta o mau gosto de algumas escolhas/nomeações, esta terá sido a primeira e última vez que vi uma cerimónia de Óscares. E se a isto ainda lhe juntar os comentadores da TVI e as suas gaffes históricas, as quase 4 horas de cerimónia tornam-se numa tortura televisiva. E pronto, para o ano há mais.

ÚLTIMA HORA: Trailer de "The Fighter", de David O'Russell, surge online!


Cá estou eu de volta e em última hora para vos trazer o trailer do novo filme de David O'Russell, que se supõe ser um dos maiores candidatos a prémios no final do ano, "THE FIGHTER".


Com um elenco com nomes como Mark Wahlberg, Amy Adams, Christian Bale e Melissa Leo e pelo que dá para ver do trailer, parece mesmo que O'Russell conseguiu o filme perfeito para finalmente lhe concederem algum reconhecimento por uma carreira em crescendo.

Claro que obviamente este trailer também realça algumas coisas que mil filmes por ano também gabam ("a impressionante história verídica!", por exemplo) mas pelo menos parece algo diferente. Veremos.


Retrospectiva Óscares: 2006

Como sabem, a rubrica semanal "Retrospectiva dos Óscares" vai servir para fazer um pequeno balanço das cerimónias, do ano mais recente (2009) para trás, avaliando os seus pontos bons e as coisas mais fracas. Esta semana pegamos em 2006, portanto na cerimónia que teve lugar a 25 de Fevereiro de 2007.


2006

A Surpresa: a surpresa, essa, foi mesmo nos nomeados. Filmes de grande nome que foram deixados de fora da luta pela maioria das categorias, como "The Painted Veil" e "The Fountain", um dos favoritos dos críticos "Bobby" e um dos favoritos do público, o filme de estreia de Reitman, "Thank You For Smoking", todos foram ignorados. O choque foi mesmo no aparecimento, no dia do anúncio dos nomeados, de "Letters from Iwo Jima" na lista dos cinco candidatos a Melhor Filme, enquanto um filme que era tido como certo, "Dreamgirls", não constava (situação algo semelhante à de "The Dark Knight" em 2008). Além disso, muitas outras surpresas apareceram noutras categorias - a que mais me apetece relevar é a ausência de "Volver" para Melhor Filme Estrangeiro, que até hoje não consigo entender.


A Inclusão / A Exclusão: parece-me claramente que a inclusão mais significativa foi aquela que eu referi já acima, com "Letters from Iwo Jima", o filme complementar a "Flags of Our Fathers" do ano anterior, realizados ambos por Clint Eastwood, que não era suposto ter surgido na corrida, sendo falado maioritariamente em língua estrangeira e, apesar da crítica ter gostado bem mais deste do que do predecessor, os prémios que antecederam os Óscares não lhe tinham sido favoráveis, daí que foi com algum choque que as pessoas encararam a sua nomeação sobre um dos favoritos, "Dreamgirls", que tinha ganho vários prémios e conseguiu, mesmo assim, 8 nomeações e 2 vitórias.


A Vitória Mais Merecida: não há como fugir a isto: todo o mundo ficou satisfeito de ver finalmente Martin Scorcese levantar o troféu de Melhor Realizador. Para tal circunstância, até os produtores do evento trouxeram a cavalaria pesada para apresentar o momento: George Lucas, Steven Spielberg e Francis Ford Coppola vieram entregar o prémio ao amigo. E se muita gente acha que talvez não tenha sido o filme pelo qual ele mais merecia (alguns acham que devia ter ganho em 2004 por "The Aviator", quando Eastwood lhe roubou o prémio por "Million Dollar Baby", alguns até mais cedo... é capaz de ser, com o terceiro (futuramente, espero eu) de Meryl Streep, o Óscar mais devido de sempre) toda a gente concorda: it's about time!

A Vitória Mais Surpreendente: a maioria das categorias estavam decididas desde o início da corrida a sério aos Óscares, mas não há como entender como é que "Cars", sendo ainda assim um dos filmes mais fracos da Pixar, tenha perdido o Óscar para "Happy Feet" depois de ter ganho todos os precursores. Mas o filme sobre os pinguins dançantes lá conseguiu.

A Vitória Mais Significativa: a Academia podia ter escolhido outro vencedor, mas o facto que ela escolheu "An Inconvenient Truth" de Guggenheim, estrelado por Al Gore, simboliza qual a posição que toma no duelo Bush-Gore e, acima de tudo, funciona como um passo em frente dado pela indústria na luta por um meio ambiente melhor, como Gore bem frisou no discurso.


A Categoria Mais Renhida: se formos a ver as categorias com melhor qualidade de nomeados, essas serão a de Fotografia e a de Actriz. Helen Mirren tinha que ganhar (sabíamos disso desde o início) mas isso não invalida que ela seja, na minha opinião, a mais fraca das cinco nomeadas, pois na categoria estava uma impecável Kate Winslet em "Little Children", uma extraordinária Judi Dench em "Notes on a Scandal", uma transcendente Penélope Cruz em "Volver" e uma lendária Meryl Streep em "The Devil Wears Prada". Na de fotografia, excluindo talvez "The Black Dahlia", temos também quatro belíssimos nomeados: Pfister por "The Prestige", Lubezki por "Children of Men", Pope por "The Illusionist" e o vencedor, Navarro por "Pan's Labirynth". Se pegarmos na categoria mais renhida propriamente dita, essa é a de Actor Secundário, que falaremos mais abaixo em O Duelo da Noite.

A Desgraça: que esta semana também é O Pesadelo, pois não há assim grande coisa com que discorde, foi para mim a categoria de Melhor Filme Animado. Horrorosa. E é o melhor que lhe posso chamar. Dois filmes fraquíssimos ("Cars" e "Happy Feet") de estúdios com ofertas tipicamente mais interessantes, com a agravante da ausência da Walt Disney Pictures da corrida, nomeado normalmente certo e com o melhor filme, "Monster House", a não ser sequer tido em conta na corrida. Ganhou "Happy Feet", o que piora ainda mais a situação.


O Desnecessário e O Imerecido: não há assim nada que seja propriamente imerecido mas um segundo Óscar a Gustavo Santaolalla, à 2ª nomeação, mesmo que seja até compreensível, soa a algo desnecessário, se considerarmos que temos na categoria quatro outros nomeados extraordinários (Desplat, Navarrete, Glass e Newman) sem vitórias ainda. Também podemos falar da vitória de "The Departed" em Melhor Argumento Adaptado que, sem dúvida correcta, podia ter ido para "Borat", premiando a originalidade louca de Sascha Baron Cohen e companhia.

O Duelo da Noite: há dois com algum significado. O primeiro, Melhor Filme Animado, já foi falado acima, com "Happy Feet" a surpreender e a sobrepor-se a "Cars" na luta pelo prémio mais cobiçado (ficou "Cars" com a consolação de uma grande receita de bilheteira, a aclamação nos Annie Awards e mais prestígio para a Pixar). O segundo teve lugar na categoria de Melhor Actor Secundário. Eddie Murphy ("Dreamgirls") limpou uma boa parte dos prémios, deixando o resto maioritariamente para Alan Arkin ("Little Miss Sunshine"), tornando-se os dois candidatos principais à estatueta. Murphy tinha, à partida, a vantagem, mas o momento era todo de Arkin, que muitos pensavam já merecer ter ganho um Óscar. E na hora da verdade, foi mesmo o veterano que triunfou. Consolação para Murphy? Não houve nenhuma, a não ser que contemos as 2 vitórias de "Dreamgirls", incluindo uma para a colega Jennifer Hudson como Actriz Secundária.


Crítica Final: Uma boa noite em termos de vencedores (os quatro vencedores como Actores não são as minhas escolhas pessoais - essas seriam Streep, Gosling, Sheen e Blanchett - mas tendo em conta os nomeados e tendo em conta como foi a corrida para a cerimónia, agradeço aos Céus terem sido estes), interessante apresentador, uma cerimónia algo aborrecida, com o declínio agravado que se sabe dos últimos anos. Nota: B


Retrospectiva Óscares: 2007

Como sabem, a rubrica "Retrospectiva dos Óscares" vai servir para fazer um pequeno balanço das cerimónias, desde o ano mais recente (2009) para trás, avaliando os seus pontos bons e as coisas mais fracas. Depois da análise a 2009 e a 2008, pegamos em 2007, talvez o melhor ano da década.


2007



A Surpresa: na categoria mais confusa da noite, Tilda Swinton ("Michael Clayton") ganhou o prémio de Melhor Actriz Secundária, quando poucos o previam, pois na mesma categoria estava quem tinha limpo a maioria dos prémios (Cate Blanchett, "I'm Not There"), a veterana que estava a ganhar buzz na corrida depois de ganhar o SAG (Ruby Dee, "American Gangster), a favorita da corrida (Amy Ryan, "Gone Baby Gone") e a jovem que surgiu quase do nada com uma interpretação arrebatadora - e nós sabemos como a Academia gosta dessas - e, como o seu filme ganhou Globo de Ouro - Drama, se se confirmasse a sua vitória na cerimónia, podia ser que ela também saísse honrada (Saoirse Ronan, "Atonement"). E muito sinceramente, por muito que eu tenha gostado de Ronan e Blanchett, Swinton foi formidável em "Michael Clayton" e mereceu ganhar.


A Inclusão Mais Significativa: Tommy Lee Jones por "In The Valley of Elah", que deve ter beneficiado da exclusão de Hirsch, além de ter nome de respeito na indústria, ser trabalhador e de ter, além deste papel, um papel secundário relevante no eventual vencedor de Melhor Filme, "No Country for Old Men". Claramente que entre os dois papéis, a Academia iria cair para o de protagonista se pudesse e foi esse o caso.

A Exclusão Mais Significativa: Émile Hirsch e até "Into the Wild" no seu todo, inexplicavelmente maltratado pela Academia, apesar de ter bastante pedigree, um realizador estreante que tem nome no seio da AMPAS (Sean Penn), um elenco de peso e ter sido um dos filmes com melhores críticas do ano. Houveram mais exclusões (Angelina Jolie, outra que não se percebe o porquê da não nomeação, Ryan Gosling, entre outros) mas nenhuma tão horrorosa como esta.


O Mais Merecido: algumas nomeações alegraram-me ter acontecido, mas a de Laura Linney por "The Savages" foi sem dúvida a melhor notícia desse ano. Mais coisas merecidas: os quatro actores vencedores da cerimónia (Bardem, Cotillard, Swinton e Day-Lewis), se bem que Julie Christie também seria uma excelente vencedora, caso ganhasse.

O Mais Imerecido: algumas nomeações tiraram-me do sério. Cate Blanchett não faz rigorosamente nada senão gritar e parecer ofendida em "Elizabeth: The Golden Age", mas mesmo assim consegue arrumar Jolie ("A Mighty Heart") da lista dos nomeados - sorte que não foi Ellen Page a arrumada. Na categoria de Melhor Actor, é Tommy Lee Jones ("In The Valley of Elah") que arruma com Émile Hirsch e Ryan Goslingm já para nem falarmos de Johnny Depp ("Sweeney Todd"), que também esteve bastante abaixo da sua categoria. E na categoria de Melhor Actor Secundário, quem me explica qual o valor da interpretação de Phillip Seymour Hoffman em "Charlie Wilson's War"? Não vale nada. Nada.


O Desnecessário: Era completamente desnecessário ter dado Melhor Realizador, Melhor Argumento Adaptado e Melhor Filme a "No Country for Old Men". Podiam ter feito como em 1972 e repartido os prémios ("Cabaret" ganhou Melhor Realizador, "The Godfather" foi Melhor Filme, como devia ser). Mas não. Os Coen estavam destinados a limpar a cerimónia. Mas a verdade é que para mim o Melhor Argumento Adaptado foi o de "Atonement". E o Melhor Filme era "There Will Be Blood". E sim eu daria aos irmãos Coen o prémio de Melhor Realizador.

A Desgraça: darem o prémio de Melhor Direcção Artística a "Sweeney Todd". Que musical tão pobre. Que filme tão empobrecido de Tim Burton. Com quatro nomeados na categoria bem melhores.

O Pesadelo: "Bourne Ultimatum" ser o segundo maior vencedor da noite, atrás de "No Country for Old Men". Vão-me dizer que indubitavelmente tinha o melhor editor de som, o melhor misturador de som e a melhor edição? Sem comentários. É só por ser filme de acção, ter algum renome e ter sido um sucesso.


O Incompreensível: se já se sabia que "Persepolis", um dos melhores filmes animados de sempre, não iria conseguir derrotar "Ratatouille" como Melhor Filme Animado, por que razão não se tentou colocá-lo também como Melhor Filme Estrangeiro, que foi a categoria, em comparação, com os nomeados mais fracos dos últimos anos, vencida por (mais) um filme político, "The Counterfeiters". Com "Waltz With Bashir", foi ao contrário. A Academia tem cada uma de vez em quando...

A Melhor Vitória: Robert Elswitt, o fotógrafo de "There Will Be Blood". Tudo bem que isso significa que Roger Deakins (que tem múltiplas nomeações e zero vitórias e tinha duas nomeações em 2007, ambas meritórias) não tenha ganho mas a verdade é que o filme de Paul Thomas Anderson adquire muito do seu estatuto como clássico para a história à extraordinária qualidade da fotografia do filme. A outra grande vitória da noite foi na Melhor Canção Original. "Falling Slowly", de "Once", é tocante, profunda e melancólica.


O Duelo da Noite: foram vários, mas principalmente Melhor Actriz (Christie vs. Cotillard), Melhor Actriz Secundária (Dee vs. Ryan vs. Blanchett vs. Swinton vs. Ronan) e Melhor Filme e Melhor Realizador, que são os dois que vou abordar. "There Will Be Blood" teve 8 nomeações e ganhou 2 Óscares (Actor e Fotografia) e foi o grande perdedor da noite, ao ver fugir os três principais prémios - Argumento Adaptado, Filme e Realizador - para "No Country for Old Men", que juntou Actor Secundário a estes, ganhando 4 Óscares em também 8 nomeações. Estes dois foram, invariavelmente, os dois melhores do ano. A eles eu juntaria de facto os três companheiros nomeados para Melhor Filme, mais a animação "Ratatouille" e uns dois ou três filmes e comporia o meu top-10 de filmes do ano. Escusado será dizer que não concordo com o resultado deste duelo (como já referi acima).

Retrospectiva Óscares: 2008

Como sabem, a rubrica "Retrospectiva dos Óscares" vai servir para fazer um pequeno balanço das cerimónias, desde o ano mais recente (2009) para trás, avaliando os seus pontos bons e as coisas mais fracas. Depois da análise a 2009, pegamos em 2008, um ano bastante controverso.

2008


A Surpresa e A Inclusão Mais Notória: Richard Jenkins ("The Visitor") e Melissa Leo ("Frozen River") nunca foram tidos com real consideração ao longo de toda a corrida, mas na hora de contar os votos, não foram esquecidos e com todo o mérito conseguiram as suas primeiras nomeações. Pena que havia outros que deviam ter sido nomeados (Sally Hawkins é, para mim, o exemplo mais gritante) que não tiveram a mesma sorte, tendo sido trocados por nomes mais sonoros (como o casal Jolie-Pitt).



A Exclusão Mais Significativa: este ano dói-me particularmente por os meus quatro favoritos terem sido supremamente maltratrados em todas as categorias (salvo "The Dark Knight", que recebeu 8 nomeações, mas obviamente que nas categorias técnicas iria sempre safar-se bem - era nas grandes que merecia ter sido recompensado e não foi), mas acho que a maior dor foi mesmo a exclusão de Sally Hawkins ("Happy-Go-Lucky"), completamente injustificada.


O Mais Merecido: Heath Ledger ("The Dark Knight"). Nenhuma outra vitória da noite lhe chega aos pés. Uma lenda para a eternidade, é desta forma grandiosa, abismal como The Joker, que Heath Ledger deixou a sua última imagem no mundo.

O Mais Imerecido: todo e qualquer prémio ganho por "Slumdog Millionaire" e "The Curious Case of Benjamin Button". Não consigo perdoar nenhuma das vitórias por achar que existiam bem melhores candidatos para os prémios.

O Desnecessário: mais um ano volvido, mais uma nomeação para Óscar e mais uma derrota para Meryl Streep. É um problema crónico e que me irrita profundamente, como vão poder continuar a perceber em retrospectivas mais para trás. Claro que todo o mundo sabia que Winslet nunca iria perder o Óscar, sobretudo depois de na manhã das nomeações ter sido a sua interpretação por "The Reader" a escolhida pela Academia e como protagonista, não como actriz secundária. Mas numa categoria em que só Jolie era inferior... Magoa imenso esta vitória (que, já agora, devia ter vindo há mais tempo já. Tipo 2004.)

O Pesadelo: ou a surpresa mais desagradável que podia parecer, como se queira dizer. Já bastava não um, não dois, mas três filmes medíocres fazerem parte da lista dos 5 nomeados para Melhor Filme (só "Milk" se safa nesse ano) e ainda tinha a Academia de arruinar com todas as hipóteses de eu vir a gostar minimamente da lista de nomeados ao trocar "The Dark Knight" por "The Reader" (que é, para mim, superior a "Frost/Nixon" e a "Slumdog Millionaire" de qualquer forma). Uma tragédia que, de qualquer modo, devíamos ter adivinhado pelos Globos de Ouro. Mas... e mesmo se quisessem ir contrariamente ao desejo do grande público e pegar em algo mais pequeno e mais artístico, porque não acolher "Rachel Getting Married" ou "The Wrestler" em vez disso? Enfim. É que não percebo. Podendo ter uma lista tão diversificada com "Rachel Getting Married", "The Wrestler", "Milk", "The Dark Knight" e "Wall-E", por exemplo, ou até metendo lá para o meio um dos tubarões ("Benjamin Button" ou "Doubt"), foram escolher aquilo? Ao contrário de 2007, este não é um ano para grande orgulho.

A Desgraça e O Incompreensível: como é que uma canção tão extraordinária como "The Wrestler" de Bruce Springsteen nem sequer é nomeada, semanas depois de ter vencido o Globo de Ouro, nunca hei-de saber. Além disso, como é que é possível que todo um inteiro conjunto de pessoas tenha preferido dar o prémio a uma música indiana sem qualquer chama ("Jai-Ho") em vez de o darem à ternurenta canção final de Wall-E, "Down To Earth", é algo que ainda hoje me choca. E havia mesmo necessidade de nomear duas músicas indianas sem qualquer piada?



A Melhor Vitória: Sean Penn por "Milk". Não me entendam mal, eu adorei Mickey Rourke, mas Sean Penn foi absolutamente inacreditável como Harvey Milk. Ninguém (e friso o ninguém) apostava nele quando saiu para a imprensa que o novo projecto do Gus Van Sant o ia ter como protagonista (dada a sua reputação) e ele surpreendeu-nos a todos. Aqui só um parêntesis para Penélope Cruz, que me apanhou completamente desguardado com a sua interpretação em "Vicky Cristina Barcelona". Todo o diálogo do chinês e do "geenius" é fenomenal e a sua entrega às falas é estupenda.



O Duelo da Noite: a imprensa tentou criar o duelo "The Curious Case of Benjamin Button" vs. "Slumdog Millionaire" mas... alguém acreditava que a sensação indiana não ia limpar a cerimónia? Infelizmente... foi o que sucedeu. Oito (!) Óscares para um dos piores filmes que eu vi esta década. Inacreditável. E sabem o que é pior? É vir lá na caixa: "8 Academy Awards" - que é mais que filmes clássicos como "Schindler's List" e "The Godfather" têm. 


Notas Finais:
Qualidade da cerimónia - B+ (a ideia de trazer antigos nomeados para apresentar o prémio a novos nomeados foi bastante boa)

Qualidade dos nomeados - B-
Qualidade dos apresentadores (Hugh Jackman) - B+
Qualidade da transmissão (TVI) - F

Retrospectiva Óscares: 2009

Peço desculpa por só agora estar a pegar nesta rubrica que é originalmente de Domingo mas outros assuntos pendentes (Inception) obrigaram a que tivesse de deixar todo o meu blogging para hoje. Mas cá vamos então. Como sabem, a retrospectiva dos Óscares vai servir para fazer um pequeno balanço das cerimónias, desde o ano mais recente (2009) para trás, avaliando os seus pontos bons e as coisas mais fracas. E é precisamente por 2009 que começamos.


A Surpresa: várias, na grande maioria desagradáveis, mas a maior terá sido, sem dúvida, o feito de "Up!" - ser o primeiro filme animado a ser nomeado para Melhor Filme desde "Beauty and the Beast" (1991) e ser o segundo do género em toda a história da Academia não é para todos. E é bastante merecido.

A Inclusão Mais Notória: poderíamos fazer aqui relevância ao elevado número de filmes de pequena dimensão a fazer parte dos 10 nomeados, como Precious, A Serious Man e District 9, mas se formos a ver a maior inclusão foi mesmo a de Jeremy Renner como Melhor Actor. É que apesar de muitos acharem meritória e até mesmo possível, poucos queriam apostar em seu favor. O que é certo é que o eventual grande vencedor da noite acabou por conseguir dar um empurrãozinho ao seu actor na lista.

A Exclusão Mais Significativa: mas alguém estava à espera de tanto mau-trato ao "Nine" e ao "Invictus"? É que nunca imaginei. E então os dois grandes candidatos fora da principal categoria? Já para não falar do shut-out feito a "The Lovely Bones" também? O ano não estava a favor.


O Mais Merecido: Jeff Bridges, também conhecido por "The Dude" dada a imortalidade que essa sua interpretação adquiriu, venceu Melhor Actor por "Crazy Heart", um papel bem abaixo da qualidade do intérprete mas mesmo assim suficiente para gerar uma campanha bastante favorável à sua vitória. A noite dar-nos-ia ainda mais dois excelentes vencedores na forma de Mo'Nique e Christoph Waltz. Os três mereceram mesmo os prémios todos que ganharam.

O Mais Imerecido: há algumas vitórias que me irritaram, mas essas são mencionadas apropriadamente mais à frente. O vencedor mais imerecido (mas que não deixa de ser minimamente bom) foi "El Secreto de Sus Ojos", que criminalmente venceu uma categoria onde existiam três filmes como "Un Prophète", "The White Ribbon" e "La Teta Asustada".

O Desnecessário: já sabemos o quão slut a Academia consegue ser com algumas das suas estrelas e por muito mau que um filme seja, elas, só pelo poder do seu nome e o estilo do papel, aterram na lista à mesma. É claro que me estou a referir a Helen Mirren e a Morgan Freeman principalmente, mas também a Stanley Tucci, Matt Damon e Maggie Gylenhaal, que apesar de conseguirem a sua primeira nomeação (Damon venceu um Óscar mas como argumentista; como actor foi pela primeira vez nomeado) tiveram interpretações bastante más nos seus respectivos filmes.

O Incompreensível: se houve decisão mais idiota por parte da Academia... por muito excelente que tenha sido Cruz em "Nine"... Será que ninguém reparou numa das melhores interpretações do ANO, via Marion Cotillard? Enfim.


A Desgraça: já se passaram 27 anos desde que Meryl Streep venceu um Óscar (em 1982, por "Sophie's Choice"). Ainda assim, não se vê ninguém nos mídia que durante estes 27 anos tenha decidido fazer campanha para Streep vencer o seu terceiro. Contudo, estão sempre prontos a fazer campanha por qualquer actriz rasca que por aí ande que os espante. Mais um ano, mais uma nomeação para Streep, por uma brilhante interpretação como Julia Child em "Julie & Julia". Ela já não deve saber o que há-de fazer para ganhar outro, uma vez que viu o seu troféu fugir para Sandra Bullock, uma actriz abaixo do medíocre que conseguiu um papel mediano em "The Blind Side". E como se já não bastasse, ainda conseguiu sacar uma nomeação para Melhor Filme. Haverá justiça no mundo?


O Pesadelo: mas essa não foi a pior vitória da cerimónia. A pior foi mesmo a derrota de "Up in the Air" na categoria de Melhor Argumento Adaptado. Um argumento inteligente, adequado à situação que vivemos, com caracterizações das personagens estupendas e cheias de complexidade, perde para uma miséria de argumento que foi de longe (ao lado da edição - ironicamente, também aí "Up in the Air" não nomeado mas "Precious" sim) a parte mais fraca do filme "Precious". Geoffrey Fletcher subiu ao pódio no que devia ter sido o momento de Reitman (as confusões que ele o seu parceiro Sheldon Turner originaram devem ter custado caro).

A Melhor Vitória: Sem dúvida, "Logorama" para melhor curta-metragem animada. É brilhante.



O Duelo da Noite: "The Hurt Locker" vs. "Avatar" foi um duelo (fictício, quase) criado pela imprensa e criado pelos Globos de Ouro (que estupidamente decidiram vomitar prémios ao filme do sr. James Cameron, só porque fez 2 milhões de dólares...) com dois filmes medíocres a chegar à cerimónia como os favoritos. Já disse e repito, não premiar filmes que viram clássicos (casos mais recentes: There Will Be Blood em 2007, Rachel Getting Married em 2008, Up in the Air em 2009) é um erro do qual se arrependem mais tarde (todo o mundo fica chocado quando descobrem que filmes como Citizen Kane, Brokeback Mountain ou The Thin Red Line não ganhou o Óscar, por exemplo). Enfim, vamos ao duelo da noite - se é que houve duelo: como já era de prever, "The Hurt Locker" passeou-se pelo Kodak Theatre e levou 6 prémios, só perdendo coisas que obviamente não tinha capacidade de ganhar: Renner (Actor), a banda sonora e - o que mais estupidamente me chocou - a fotografia (onde é que "Avatar" tem fotografia se é tudo gerado por CGI?! De qualquer forma, esse prémio, se não fosse para Avatar, iria sempre para "Inglorious Basterds").


E pronto meus caros, é isto. Domingo temos a retrospectiva de 2008. Só deixar umas notas finais:


Qualidade da cerimónia - B
Qualidade dos nomeados - B
Qualidade dos apresentadores (Steve Martin e Alec Baldwin) - B-
Qualidade da transmissão (TVI) - F