Pela primeira vez junto duas das minhas crónicas favoritas numa só. É uma crónica de comemoração, onde presto homenagem a duas das
figuras mais brilhantes do cinema em
2011. Sim, a crónica dos
Realizadores (em especial essa) serve para homenagear os grandes nomes da realização, é verdade. Nomes com história, com currículo, com filmes suficientes para garantir um lugar entre os melhores e mais marcantes de sempre.
Steve McQueen pode não ser ainda tão grande como foram
Stanley Kubrick,
Alfred Hitchcock,
Ingmar Bergman ou
Fritz Lang. Mas, verdade seja dita, está numa posição muito privilegiada para fazer parte deste clube de elite.
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Quanto a
Michael Fassbender, pouco mais há a dizer.
Bobby Sands é a mais importante personagem da sua carreira até ao momento (e certamente uma das mais marcantes de todo o seu currículo). Estamos a falar de um actor que conseguiu, em
X-Men: First Class, transformar
Magneto numa grande personagem. E quando pensamos nisto e olhamos para
Bobby Sands, um revolucionário da Irlanda do Norte enclausurado numa prisão sem regras, disposto a morrer pelos seus direitos como prisioneiro político, percebemos a dimensão daquilo que lhe foi posto em mãos.
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Estamos a falar de um filme que, a nível técnico, não é tão bem conseguido quanto o foi
Shame. Aí,
Steve McQueen está melhor. Aprendeu com alguns erros cometidos em
Hunger e mostrou uma evolução consistente e admirável. Mas
Fassbender mostra porque é que faz as delicias dos amantes do cinema. É uma máquina de representação. A intensidade, a entrega, a concentração, o profissionalismo, actualmente não têm igual. É o melhor actor em actividade. Não sabe fazer mal. Em
Hunger, um filme que nos transporta para o inicio da década de 80, altura dos violentos conflitos entre a Irlanda do Norte e a tirana
Margaret Thatcher, vivemos o ambiente duro e cruel de uma prisão onde eram
calados os presos políticos, os homens que mobilizavam as massas e que, com coragem, desafiavam o sistema e as regras.
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É um filme duro. Não se vê com o pacote de pipocas à frente, nem num ambiente festivo. Baseado em factos reais, é uma mensagem sobre a bravura e a coragem de homens que lutaram pelos seus ideais e pelo seu orgulho. Arrojado em todos os aspectos técnicos, com um fantástico take de quase vinte minutos onde
Fassbender mostra a sua classe,
Hunger foi o primeiro passo de um
imberbe Steve McQueen. Com um estilo muito próprio, McQueen é um dos mais promissores realizadores dos nosso dias. E
Twelve Years a Slave, esperado para 2013, é já um dos filmes mais aguardados do próximo ano.