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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

O perigo de ser número 1


Notícia antiga, eu sei, mas ainda não tinha sido discutida aqui no blogue, portanto cá estamos. 


Ao fim de cinquenta anos de reinado no topo da lista, a obra-prima de Orson Welles (discutível, eu sei) "Citizen Kane", universalmente considerado o melhor filme da história do cinema, é destronado na lista de 2012 da revista Sight & Sound. O novo número um da lista é, (pouco) surpreendentemente, "Vertigo" de Alfred Hitchcock, que há dez anos atrás tinha ficado a escassos cinco votos de ultrapassar "Citizen Kane". A lista dos realizadores, contabilizada à parte da lista dos críticos e também ela liderada anteriormente por "Citizen Kane", tem também um novo líder: "Tokyo Story" de Yasujiro Ozu (espero ansiosamente pelo lançamento da revista para depois cá discutir algumas listas, de Scorsese a Allen, de Mann - que adora "Avatar" a Del Toro).


De resto, a lista dos críticos sofreu pouquíssimas flutuações, algo estranho ainda por cima tendo em conta o aumento substancial no número de contribuidores para a lista deste ano, em relação à de 2002. "Battleship Potemkin" de Einsenstein dá lugar a "Man with a Movie Camera" de Vertov, da mesma época. O emparelhamento de "The Godfather" e "The Godfather: Part II" de Coppola, muito contestado aquando da lista anterior, foi desfeito e, com os votos separado, os críticos não chegaram a um consenso em relação a um dos filmes e, por isso, abandonam a lista por troca com "The Searchers", por muitos considerado o melhor filme de John Ford e John Wayne. Finalmente, "The Passion of Joan of Arc" de Dreyer retorna à lista depois de ter aparecido pela última vez na lista de 1992. Infelizmente, o excelente "Singin' in the Rain" de Gene Kelly é empurrado, assim, para fora dos dez primeiros. "2001: A Space Odyssey" de Kubrick é o filme mais recente da lista, datado de 1968, uma lista que em comparação com a de 2002 até regrediu em idade média das películas nos dez primeiros lugares, com o maior número de filmes mudos desde a primeira lista, de 1952. Nos primeiros cinquenta lugares encontram-se apenas dois filmes do novo século e entre eles não está a escolha que muitos apontavam ("There Will Be Blood") como certa: "In the Mood for Love" e "Mulholland Drive" foram as duas escolhas.


Começo desde logo por afirmar que eu sou um acérrimo defensor de "Citizen Kane" como melhor filme da história do cinema. Não propriamente pela sua qualidade (que tem), pela revolução que provocou na época (que de facto provocou) ou pelo estatuto de obra-prima que adquiriu ao longo dos anos (que é merecido), mas porque é, para mim, um exemplo perfeito daquilo que o nosso ideal de cinema deve ser e é, acima de tudo, uma introdução mais que especial aos aprendizes cinéfilos que têm em "Citizen Kane" um fio condutor para o que cinema de qualidade deve ser e a partir deste adquirir o gosto pela sétima arte. "Citizen Kane" mostra o melhor que o cinema tem para oferecer, mantendo-se como um clássico incontestável com pinceladas de modernismo e vibrante estilo e estética. Contudo, há também vantagens em "Citizen Kane" deixar de ser o número um. O consenso em torno do seu rótulo de "melhor filme de sempre" estava a começar a atingir níveis de saturação. Toda a gente sabe que é um dos filmes mais influentes do cinema moderno, toda a gente reconhece o seu valor e qualidade - mas cada vez mais surge mais gente que não percebe o que tem "Citizen Kane" de tão especial para ser colocado em tão alto pedestal, em tão alto nível de sacrilégio e santificação. Idealmente, trocaria este por "2001: A Space Odyssey", que é para mim (um cinéfilo ainda em treino) a obra mais transcendente e imaculadamente perfeita que o cinema me apresentou. Apesar da lista soar a antiga, qualquer um destes dez filmes merece o seu lugar. São películas revolucionárias, que quebraram convenções e ideologias do que o cinema é suposto ser. São adorados e glorificados por alguma razão, ainda que me custe ver gente como Allen, Almodovar, Altman, Buñuel, Bertolucci, Cassavetes, Coppola, Fassbinder, Haneke, Kieslowski, Malick, Ophuls, Powell e Pressburger, Polanski, Resnais, Ray, entre outros, sem um filme sequer nos cinquenta primeiros lugares (não que eu não ache que Godard não mereça as quatro presenças na lista, mas seguramente que outros grandes realizadores poderiam ocupar o lugar de um ou dois desses).


É, então, em "Vertigo" que recai o peso de ser considerado o melhor filme de sempre. E é uma opção que merece bastante admiração da minha parte. "Vertigo" era um dos filmes favoritos de Hitchcock, sem dúvida um dos maiores cineastas da história do cinema. Fora muito mal recebido na altura, tendo levado até à disrupção da frutífera colaboração entre James Stewart e Alfred Hitchcock, que nunca mais fariam outro filme juntos. Foi subindo de reputação com o tempo, com repetidas visualizações e após surgir em 11º lugar na lista de 1972, foi ganhando mais admiradores e mais votos e, em 2002, parecia já que o futuro primeiro lugar lhe pertenceria. É hoje em dia largamente considerado o trabalho mais completo, mais maduro, mais inteligente e mais pessoal de Hitchcock e, por isso, a sua obra-prima. 

Uma escolha popular para número 1, com certeza. Aliando à sua habitual atmosfera de mistério e suspense temas mais românticos de obsessão e paranóia na busca da perfeição, do ideal, de uma realidade que já não existe (e talvez nunca tenha existido), "Vertigo" é o ideal representante da relação de Hitchcock com a sua arte e de nós próprios com o cinema, que com os filmes também somos observadores, perseguidores de mil histórias sem fim na busca que o mundo que vive na nossa imaginação e na tela comungue com o mundo real e se funda num só. Em última instância, a fantasia nunca alcança a realidade. Longe de ser um filme perfeito, "Vertigo" acaba por ser o filme ideal para um crítico de cinema, uma escolha emocional baseada na nossa própria relação intoxicante com os filmes e com o cinema. Um filme para sonhadores, um filme que seduz e encanta e nos faz perder, vezes sem conta.


O tempo dirá se esta mudança será para manter. Para já, tem dois grandes benefícios: muitos irão reapreciar o cânone que o enorme Alfred Hitchcock deixou para trás e irão redescobrir pérolas como o brilhante "Psycho" (o meu Hitchcock favorito), "Rear Window", "North by Northwest", "Rebecca", "The 39 Steps", "Rope", "Dial M For Murder", entre muitos outros. E o outro grande benefício é que fará também muitos espreitar de novo "Citizen Kane", agora sem o peso - e o pó acumulado - de ser a maior obra-prima desta sétima arte e poderão também encontrar novos detalhes, novas cenas, novas nuances que os encantem de novo e façam regressar o amor que nutrem por este filme.

PSYCHO (1960)


Este artigo faz parte da minha participação na rubrica do The Film Experience Blog de Nathaniel Rogers, "Hit Me With Your Best Shot", na qual é-nos requerido escolhermos uma imagem icónica do filme em discussão nessa semana e justificar a nossa opinião. Esta semana a película em análise é um dos filmes mais reconhecidos universalmente, a fantástica obra-prima de Hitchcock, PSYCHO. Espero que gostem, de qualquer forma e que se juntem à conversação - e que vos incite a ver o filme. AVISO: Pode conter 'spoilers' uma vez que não é bem uma crítica mas uma análise ao filme.




O pormenor que considero mais fascinante em torno de PSYCHO é a minha firme crença de que o seu realizador, Alfred Hitchcock, soube desde sempre que este filme, cinquenta anos após a sua produção, iria estar tão enraizado na cultura popular que nunca mais ninguém iria olhar para filmes de terror, para cenas de chuveiro e para o matricídio da mesma forma. PSYCHO é, na sua mais pura essência, uma experiência aterrorizante, excitante, envolvente, que nunca perde o seu poder e potência seja esta a primeira vez que o vemos ou a décima.

 
Quando vemos a mulher à janela na mansão assustadora e de aspecto  decrépito e misterioso onde vivem os Bates pela primeira vez, não podemos deixar de ponderar na sua possível omnipresença na trama daqui para a frente. A expressão de estranheza, de curiosidade leve e cautelosa (tendo em conta o que sabemos hoje em dia de vultos em janelas sombrias no meio da noite, não seria a nossa expressão facial também parecida?) no rosto de Marion Crane (uma interpretação imensamente detalhada por parte da talentosa Janet Leigh), que havia fugido de Phoenix com 40,000 dólares roubados e que, em direcção a Fairvale para se encontrar com o seu amante Sam, por se encontrar cansada e assustada da viagem, decide pernoitar no Motel Bates, é também ela denunciadora. 

 
Mal sabia Marion que se encontrava a meros minutos de sofrer uma das mortes mais infames da história do cinema; no entanto, parece que ela adivinhava que, depois de todas as tribulações e confusões na viagem (uma das grandes delícias da sua interpretação são as diversas expressões faciais que exibe enquanto é perseguida pela polícia e quando está a abandonar a cidade e o seu patrão a vê de relance, denunciando o seu crime), seria esta a mulher que lhe iria trazer o seu triste fim.


Antes de morta, porém, Marion trava conhecimento com Norman Bates (Anthony Perkins), o responsável pelo motel. Bates é um sujeito invulgar. Tenta fazer passar-se o máximo por uma pessoa normal e quase consegue - isto é, até ao momento que Marion começa a fazer-lhe perguntas pessoais. A psique de Bates é uma coisa fascinante de se observar - a forma despreocupada com que fala do seu dia-a-dia, da sua solidão, da sua paixão pela taxidermia, é trocada de repente por gélidos olhares, fala entredentes, sorrisos nervosos e confusão e incongruência no discurso. Impressionante é ver que Janet Leigh consegue usar esses traços de personalidade de Bates para contar mais acerca da sua própria personagem: as dentadas nervosas que dá na sanduíche, os olhares de soslaio que faz, o contacto íntimo que procura até perceber que falou demasiado... Muito perspicaz.


Eventualmente, como em qualquer filme do senhor Alfred Hitchcock, temos que chegar à parte dos assassinatos. E falando de mortes... Esta é uma daquelas que impressiona. Para azar e infortúnio de Marion Crane, a sua jornada acaba aqui - este é o seu destino - e parece-nos a nós que sempre o fora desde o momento em que ela pôs os pés neste motel. A inocente e ingénua Marion toma despreocupadamente banho de chuveiro quando tudo acontece. O resto, é história. A banda sonora de Herrmann alterna entre a melodia sombria e arrepiante que pauta toda a película para uns sons mais estridentes e assustadores. Um vulto aproxima-se por detrás da cortina, segurando uma faca. Marion grita. Ninguém ouve. Repetidas facadas são vistas (como se sabe, Hitchcock decidiu filmar esta cena sem que uma facada ou jorro de sangue se visse, porque achava que o público da altura não suportava ver grande quantidade de sangue) e o fim prematuro de Marion chegou. Num último movimento, ela puxa a cortina da banheira. Simbolicamente, sangue a jorrar da vítima  é lavado pela água do chuveiro e ambos rodopiam pelo cano abaixo. Um close-up final do olho cintilante, sem vida de Marion é-nos proporcionado.


Quando Bates (ouvimos) descobre a mãe coberta de sangue, corre até à cabana procurando impedir o pior, mas este já está feito - e quando ele a desvenda, não há como não ficar horrorizado pelo cenário atroz e macabro. Atrás de Marion já anda meio mundo e dias depois é a ver de Arbogast (Martin Balsam), um investigador privado, chegar ao Motel Bates. Também ele iria ser surpreendido pela Morte, pouco depois de ter informado Lila Crane (Vera Miles), a irmã, e Sam Loomis (John Garvin), o amante, que ela teria aí sido vista pela última vez. Quando ele não regressa, não havia como Lila e Sam ficarem desconfiados e procurarem fazer justiça pelas próprias mãos.


É nestas cenas de busca dos dois na casa dos Bates que dá para ver melhor aquilo que eu mais gosto nos filmes de Hitchcock - a forma como testa o índice de medo da audiência, a forma ilimitada com que aborda os nossos medos mais primários, mais básicos, mais fundos da nossa alma. O jogo de espelhos que tanto aterroriza Lila numa cena funciona de forma semelhante às várias vezes que Marion, mais cedo na película, olha para o espelho para conferir se alguém a segue, e depois quando o polícia surge em repetidas frames à porta da loja de carros usados.  Este estudo do comportamento e da natureza humana que Hitchcock faz em todos os seus filmes é notável - quem diria que nos podemos assustar tanto com algo tão elementar como a ideia de termos alguém a perseguir-nos quando fazemos algo de errado? E a situação em que Lila se encontra - ela que anda a bisbilhotar uma casa que não é sua, a invadir a privacidade de outrem - e ainda por cima numa casa tão mal iluminada, tão assustadora, tão estranha e peculiar - e que a qualquer momento pode ser apanhada... é perfeitamente natural que se tenha assustado ao ver o seu reflexo no espelho por trás dela, pensando que era outra pessoa. Quem é que nunca experienciou sentimentos semelhantes? Certamente já se passou com todos nós. Todos nós já fizermos algo que sabemos que era errado e tememos ser apanhados por fazê-lo.


Mas o que tema ela em concreto? Desde o primeiro momento que surge no grande ecrã que se torna bastante claro que no fim tudo iria girar em torno de Norman Bates. Anthony Perkins interpreta-o de forma magnífica, transformando o que já era uma personagem complexa no papel numa verdadeira sombra humana. Variando entre a personalidade jovem, enternecedora e divertida de algumas cenas e a tristeza, melancolia, dúvida e mistério que pairam no seu rosto noutras, o seu Norman Bates é claramente alguém que não dá para confiar a sério. A forma como pronuncia algumas falas é brilhante. E é fantástico, como disse acima, vê-lo perder-se totalmente quando se aborda assuntos muito pessoais. Ele escapa para outro mundo. Parece ter a cabeça na lua. Perde-se na coerência do seu discurso. Ri-se nervosamente. Fala entre dentes. E perde completamente as estribeiras e a polidez por alguns momentos.  Apesar de achar que o filme dispensava  as cenas com o psiquiatra, sendo que para mim devia ter terminado logo após a mãe ter sido revelada, esta última cena, frente a frente com o assassino, de olhar frio e cruel, de sorriso ironicamente satisfeito, qual louco envolvido pelo seu próprio delírio, é absolutamente preciosa, como que a lembrar-nos de que nem sempre o demónio está nos sítios mais óbvios. Norman Bates tinha uma alta doce e gentil. É pena que esta estivesse consumida e destruída.

No fim de contas, PSYCHO é um melodrama/thriller de grande qualidade e efeito, recheado de interpretações curiosas e poderosas mas onde o realizador é que é a verdadeira estrela. Desde os close-ups do ponto de vista da personagem (em particular a visão dentro do carro), da forma desconcertante de introduzir ironia nos diálogos mais sérios, da surpreendente lata de fazer as personagens sorrir nas situações mais inapropriadas, da extraordinária direcção artística (pássaros assustadores empalhados, anyone?) e escolhas de casting (todos os actores são aquilo que as suas personagens precisavam - mesmo em termos físicos; não há escolhas ao acaso aqui) e a edição perfeita, PSYCHO é realmente uma obra emblemática, uma sinfonia estrondosa de horror e suspense; numa frase, é tudo aquilo que os grandes filmes esperam ser: um filme para todo o sempre, um  filme que resista ao teste do tempo, um filme que desafie e estimule a audiência e, sobretudo, um filme que tenha o orgulho e prazer de se auto-intitular como um dos melhores já alguma vez feitos.

Nota Final:
A

Informação Adicional:
Realização: Alfred Hitchcock
Elenco: Janet Leigh, John Gavin, Vera Miles, Anthony Perkins
Fotografia: John L. Russell
Banda Sonora: Bernard Herrmann
Duração: 109 minutos
Ano: 1960

Trailer:

"Hit Me With Your Best Shot": PSYCHO (1960)


Este artigo faz parte da minha participação na rubrica do The Film Experience Blog de Nathaniel Rogers, "Hit Me With Your Best Shot", na qual é-nos requerido escolhermos uma imagem icónica do filme em discussão nessa semana e justificar a nossa opinião. Esta semana a película em análise é um dos filmes mais reconhecidos universalmente, a fantástica obra-prima de Hitchcock, PSYCHO. Uma vez que esta rubrica é feita para um sítio inglês, o artigo tem que ser colocado nas duas línguas. Espero que gostem, de qualquer forma e que se juntem à conversação - e que vos incite a ver o filme. [N.B.: O texto tem 'spoilers']. 




What strikes me as the most fascinating about PSYCHO is how I believe its director Alfred Hitchcock knew that one day, fifty years after its release, that movie would have become such an indelible part of pop culture that no one would ever look at horror films, shower scenes and sons damaged by overbearing mothers the same way again. PSYCHO is, at its core essence, an amazing, thrilling experience, one that never loses its power whether you are watching it for the first time or if you have already watched it too many times for your own good. This, however, creates a huge problem for me: how to select only one image as strikingly iconic enough to represent a whole two hours' worth of pure entertainment - and not going for the shower scene?

 
When we first see this woman by the window, in that creepy-looking manor next to Bates Motel, one can't help but wonder about the possible omnipresence it may have on the story development. The facial expression on Marion Crane (an immensely detailed performance by Janet Leigh), our protagonist, that has fled Phoenix with 40,000 $ she stole from her boss and in her way to Fairvale, to meet her lover Sam, after seeing that image is so curious, judgemental yet ambiguous, unaffected but scared, that I couldn't help but to be drawn to it. Hardly does she know she's only mere minutes away from being murdered in one of the most famous scenes in cinematic history; however, it's as if she knew that the woman she saw would spell trouble for her along the way.


Speaking of murder... This is an impressive one. Misfortunately, Marion Crane meets her fate and ends her journey here. What a way to go. After a creepy, bizarre conversation with the motel owner, Norman Bates (an outstanding Anthony Perkins), Marion unknowingly decides to take a shower. The rest, you already know. Bernard Herrmann's delightfully suspenseful score sets the perfect mood for this untimely end. A shadow holding a knife creeps in. Marion screams loudly and  is repeatedly stabbed. In one last movement, she pulls the shower curtains. Symbolically, blood and water spin down the drain and the camera cuts to a close-up of Marion's unmoving eye. When Bates sees her, he (and we) can't help but to be sickened of the whole gruesome picture.


My favorite shot. After her disappearance has been known, a private detective, Arbogast (Martin Balsam) is hired to discover evidence on her whereabouts. He will eventually end up being murdered at the Bates's, not long after he informs her sister, Lila Crane (Vera Miles) and her lover Sam Loomis (John Garvin) that she stayed in that motel on her way to Fairvale. When they didn't hear from him the next few days, Lila and Sam decide to take matters into their own hands and search for her inside the house. Here lies what I believe to be Hitchcock's greatest skill: he worked with our primal fears and keeps testing them every time. It's amazing what frightening feelings he can pull off a car chase by a policeman (that repeated image of Marion looking into the rear mirror and afterwards of the policeman parked outside the used cars department reads as a pitch-perfect notion of human nature - when we do something bad, we are always glancing over our shoulders, almost anticipating that someone will come and be suspicious and reveal that they had known all along what we have done). This is why I love this shot so much. It plays so obvious that Lila would be terrified to see herself in the mirror, mistaking it for somebody else. In an ominous, creepy house like that and taking into account the purpose and the illegality of her presence there, who wouldn't be scared? It's something we all can relate to. Who hasn't been caught in a situation like that before? Who hasn't been caught sneaking up on something when we know we aren't supposed to?


From the first moment when he appears on screen, it's pretty clear that in the end it would all come down to Norman Bates. Anthony Perkins plays him in excellent fashion, transforming a complex character on paper into a doubtful shadow of a person. He conveys that boyish, "joie de vivre" kind of personality perfectly while still managing to sound mysterious and creepy through his line reading of some pivotal sentences. And it's fantastic to see him let go of his grip when things start to get personal. He evades. He giggles nervously. He loses track of his speech. He is not to be trusted. To Hitchcock's credit, although I feel that he should have ended the movie right after the scene where the mother's identity is revealed, this last scene which ends with the imposition of a skeleton over Norman's face is absolutely brilliant (The psychiatrist's lecture? Not so much), as if to remind us that sometimes the devil is in the unlikeliest of places. Norman Bates had one gentle soul. He just happened to have a broken one.


PSYCHO is an effective, full-blown melodrama, filled with interesting performances but where the director is the true star. From the close-ups from the character's point of view, the unsettling way of creating irony in a serious dialogue, the joyful thrill of having your characters smile in the most innapropriate of settings,  the spot-on art direction (stuffed birds, anyone?), casting choices (every actor is everything, physically, which the character requires them to be) and perfect editing, PSYCHO is truly an emblematic masterpiece, a mindblowing symphony of horror and suspense; in a sentence, it is everything the great movies hope for: a movie for the ages, that stands the test of time, that defies and challenges the audience, a movie that can proudly call itself one of the best ever made.

Nota Final:
A

Informação Adicional:
Realização: Alfred Hitchcock
Elenco: Janet Leigh, John Gavin, Vera Miles, Anthony Perkins
Fotografia: John L. Russell
Banda Sonora: Bernard Herrmann
Duração: 109 minutos
Ano: 1960

Trailer:

Grandes Posters: the Hitchcock edition


Há muito tempo que não pegava na nossa rubrica de Posters e fazia uma edição baseada nas principais obras de um realizador. Depois de analisar Malick e Cameron, exemplos claros de realizadores com filmes brilhantes que conseguem sucesso mesmo com fraco merchandising, vamos pegar num expoente claro do contrário: excelentes peças de arte que atiçam ainda mais a nossa atenção para os filmes em questão.

Dos muitos filmes da vasta filmografia de Alfred Hitchcock, resolvi ressalvar estes. Alguns antiquados, é certo, mas há que perceber que para os anos 40 e 50 estes posters estavam já muito à frente do que se fazia na época. Há por aqui um ou outro poster que é na verdade de uma edição comemorativa, portanto bem mais recente, mas na maioria o que dá para perceber é que as imagens que Hitchcock usava nos posters dele são todas muito inventivas, muito curiosas, apelando à nossa atenção, normalmente focando-se em expressões faciais ou gestuais das personagens. Senão vejamos:


The Lady Vanishes (1938) / Rebecca (1940)

  
Shadow of a Doubt (1943) / Notorious (1946)


Rope (1948) / Strangers on a Train (1953) 



Dial M For Murder (1954) / Rear Window (1954)


To Catch a Thief (1955) / The Man Who Knew Too Much (1956)


Vertigo (1958) / North By Northwest (1959)


Psycho (1960) / The Birds (1963) 



Além de vários posters que aprecio, outra coisa fica-me bem clara. Haverá outro realizador com uma filmografia tão rica? E vocês, que pensam?