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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

INSIDE OUT, de Pete Docter e Ronaldo Del Carmen

Não sou adepto de filmes de animação. O último que vi foi o Wall-E sei lá há quantos anos. Mas o cartaz de cinema está uma bosta e até Outubro tudo o que vem à rede é peixe.

 

Pixar Post - Inside Out characters closeup.jpg

 

Então lá me meti na sala de cinema para ver a versão original de Inside Out. Assim que a Amy Poehler começou a falar senti que as coisas podiam correr bem. E o argumento do filme é realmente vencedor, tanto para miúdos como para graúdos. Enquanto simplifica coisas tão naturais como os sentimentos ou as reações infantis, constrói um poderoso e complexo universo de pequenas criaturas, cada uma com o seu caderno de encargos sentimentais, que habitam no centro sistema nervoso das personagens.

 

Neste pequeno (grande) filme de bonecada há de tudo. Desde o mais primário dos sentimentos (o amor incondicional que nasce com uma criança) até às reações explosivas do principio da adolescência. E passa pela guerra dos sexos enquanto o desafia esterótipos. Tudo isto sem esquecer, claro, a qualidade técnica do filme - será que algum dia a Pixar vai parar de melhorar?

Falemos da Pixar (uma vez mais)


Amanhã vou ver "Monsters University". Um frio peculiar sobe-me à espinha sempre que penso nisso - já assim foi com "Brave" - porque a Pixar já não é tão infalível como outrora. O que será que vou encontrar? As críticas já vão dando um indício - um bom filme, todas o dizem, não dos melhores da Pixar mas dos mais entretidos. Já o antecessor, "Monsters, Inc." o fora. E definitivamente muito melhor que "Cars" ou "Cars 2", o que chega para me deixar descansado. Veremos no que dá.

Entretanto, lembrei-me de desenterrar, agora que estão volvidos três anos (!) desde a estreia de "Toy Story 3" e, antes de acrescentar a nota de "Monsters University" (em 2010 decidi acrescentar "Toy Story 3" à lista; talvez não o devesse ter feito, porque acho que a visualização mais recente influenciou algumas posições na lista), aproveito para rever as escolhas de então e actualizar a lista com "Brave" e "Cars 2".

Em 2010, o melhor filme da Pixar para mim era "Wall-E", seguido pelo então acabadinho de estrear "Toy Story 3" (que infamemente foi batido por "How To Train Your Dragon" para melhor filme animado desse ano cá nos DAFA) e por "Finding Nemo" e "Ratatouille". "Up", para muitos o melhor filme da Pixar, era o meu quinto favorito, com "Monsters, Inc" logo atrás. Na cauda vinham os óbvios "Cars" e "A Bug's Life", largamente considerados dos piores do estúdio, acompanhados um pouco acima por "Toy Story 2" e "The Incredibles". 

Em 2013...


#13 CARS 2 (Lasseter, 2011) [em 2010: -]
#12 CARS (Lasseter, 2006) [11]

Sem sombra de dúvida os únicos filmes da Pixar sobre os quais só tenho quase coisas negativas a dizer. Por sinal, a sua franchise mais lucrativa (boys will be boys e gostarão sempre de carros). A sequela, por sinal, inspira em mim cada sentimento mais odioso...

#11 A BUG'S LIFE (Lasseter e Stanton, 1998) [10]

Mediocridade. Um bom avanço tecnológico para a altura e o primeiro filme Pixar a criar um microcosmos. Pouco mais que isso. 

#10 TOY STORY 2 (Lasseter, Unkrich e Brannon, 1999) [9]

Merecia mais, mas é da trilogia aquele que menos aprecio. Uma pena, porque para muitos é o favorito. Talvez deva tentar uma nova visualização, afinal já não o vejo há uns bons anos. De qualquer forma, para mim 1999 em animação resume-se a "The Iron Giant". Um dos grandes filmes animados de sempre. De sempre.


#9 BRAVE (Chapman e Andrews, 2012) [-]

Não percebo o ódio. É por a Pixar tentar um conto de fadas, uma especialidade mais adequada à casa mãe Disney? É por ser uma rapariga? É porque decidem passar um filme todo com duas personagens, duas mulheres, se bem que uma delas é um urso? Não entendo. Talvez o Pixar com o melhor e mais complexo protagonista.

#8 UP (Docter, 2009) [5]

E pensar que já achei este o melhor filme da Pixar... Mentira, nunca achei O melhor. Mas sempre esteve nos meus mais cotados. O problema é que retira-se a sequência de "Married Life" que serve de prelúdio à narrativa e o que temos? Um filme muito oco, desengonçado e que não sabe que mais fazer quando a história mais importante do filme foi contada nos primeiros dez minutos. De qualquer forma, muito mérito para o primeiro filme da Pixar a introduzir um protagonista de certa idade. Um risco curioso.

#7 TOY STORY (Lasseter, 1995) [7]

O primeiro. O que abriu a porta à revolução. O filme que mudou a face da animação. Merecia estar mais alto, possivelmente merecia até o primeiro lugar, mas o meu apego é maior aos seis "clientes" acima.


#6 THE INCREDIBLES (Bird, 2004) [8]

Fazer um filme de superherói melhor do que qualquer um que se consiga produzir com actores reais? Podem apostar. E o único Pixar do qual eu gostava de ver uma sequela. O Brad Bird é um enorme cineasta. Edna Mole anyone?

#5 TOY STORY 3 (Unkrich, 2010) [2]

O filme que fecha a trilogia com chave de ouro (uma tristeza que tenham logo ressuscitado as personagens para uma curta; nem um ano durou a retirada!). Era impossível pedir algo mais perfeito.

#4 MONSTERS, INC. (Docter, Unkrich e Silverman, 2001) [6]

Não estaria tão alto não fosse ter apanhado uma transmissão televisiva há pouco tempo. Por acaso fiquei a ver. Não me lembrava de gostar tanto do filme, dos seus temas, da sua simplicidade, da sua ternura e felicidade. É um feito gigante de entretenimento, uma criação muito original e um mundo tão incrível, peculiar e fascinante que nos apresenta. Não tem a perfeição de "Toy Story 3" ou a imensidão de "Finding Nemo" mas é dos mais completos da Pixar.


#3 FINDING NEMO (Stanton, 2003) [3]

Antes de John Carter, eu achava impossível que Stanton fizesse um filme que não fosse impressionante. Errei. Ele também. Somos humanos. Mas as suas duas criações em singular para a Pixar são espantosas obras-primas tanto em escala, como em ambição, como em conteúdo. Vão tão além do que um filme animado se propõe a fazer que é um milagre que por duas vezes a Pixar lhe tenha confiado rédeas para fazer o que ele quis. Da primeira vez, saiu isto.


#2 RATATOUILLE (Bird, 2007) [4]

Bird, outra vez. O melhor Pixar. A todos os níveis. Combina tudo aquilo que a Pixar faz de melhor com o que o cinema de Bird tem de melhor. Extremamente original e divertido e refrescante sem forçar a piada fácil. Não é a minha escolha pessoal para melhor de sempre mas se a razão mandasse mais que o coração, este seria o topo da lista...


#1 WALL-E (Stanton, 2008) [1]

... Todavia estas listas são pessoais e o meu cunho pessoal tinha que se revelar nesta primeira escolha. "Define Dancing". "Wall-E" tem uma segunda parte muito pior que o seu primeiro acto, quase imaculado, é verdade. Não é imune a críticas - a maioria delas eu até as percebo. Mas aos detractores só tenho a perguntar: vocês estão a ver bem ao que é que Stanton e C.ª se propôs, os temas maiores que o filme cobre, o desafio que é para ele - e a Pixar - ter como protagonista (e principal atractivo para o seu público-alvo) um robô que não fala? Lightning in a bottle. A Pixar agora pode fazer as sequelas todas que quiser. Treze anos depois de "Toy Story", atingiu o seu pico criativo (pelo menos para já). Quando dentro de cinquenta anos se fizer uma retrospectiva do melhor cinema de animação de sempre, este (e "Ratatouille" e obviamente "Toy Story", penso eu) serão os três filmes da Pixar mais relembrados.

Especial Animação: Randy Newman

A acompanhar os sete artigos dos nossos convidados para a nossa Semana de Apreciação à Animação, vamos ter outros artigos especiais dedicados ao tema, que se debruçarão sobre diversos componentes que fazem da animação dos géneros mais excitantes do cinema contemporâneo. Hoje, como começámos por "Monsters, Inc." e pelos estúdios Pixar, vamos ter alguns artigos dedicados a esse grande estúdio de animação e aos fantásticos filmes que nos proporcionaram.



Um dos primeiros nomes que se começou a associar à Pixar, desde muito cedo, foi o de Randy Newman. O compositor e músico estreou-se na colaboração com a Pixar em 1995, no seu filme de estreia, "Toy Story", para o qual, além de compôr a banda sonora, contribuiu com o tema de abertura e encerramento, "You've Got A Friend in Me", uma das músicas mais icónicas da história do cinema e que lhe deveria ter valido a primeira vitória nos Óscares.

Uma música alegre, espirituosa e fantasiosa, que combina muito bem com a mensagem sobre a amizade e o companheirismo do filme e que acompanha duas sequências lindíssimas a abrir e a terminar o filme. Seria esta música - e este filme - que iriam marcar para sempre a carreira de Randy Newman, tornando-o uma lenda em Hollywood. De tal modo o marcou profundamente que viria a colaborar com a Pixar mais três vezes, além dos filmes da trilogia "Toy Story".

"You've Got A Friend In Me" - "Toy Story"


A sua segunda colaboração com a Pixar, em "A Bug's Life", não foi tão frutífera, com o filme a sair-se bem - e a valer nova nomeação para o Óscar a Newman -  mas a não atingir o nível de sucesso do predecessor, "Toy Story". Mas Newman e a Pixar não esmoreceram e voltaram em grande em 1999, com "Toy Story 2" a bater recordes de bilheteira para um filme de animação. A canção "When She Loved Me", interpretada por Sarah McLachlan desse filme, foi nomeada para Óscar, mas Randy Newman viria a perder. Uma balada potente, que varia delicadamente entre o suave e o melancólico, bem apropriada para o final do filme.

Seria à sua quarta colaboração com a Pixar que o ouro finalmente chegaria a Randy Newman, à sua décima quarta nomeação (em conjunto com a nomeação para Melhor Banda Sonora). A sua música original "If I Didn't Have You", irreverente, refrescante e divertida, para "Monsters, Inc", que funciona como uma espécie de dueto em formato de declaração de admiração entre os dois protagonistas, Mike e Sulley, não é, ao contrário do que poderia parecer, nada particularmente especial. Felizmente, a sorte estava do lado de Newman desta vez e um ano mais fraco em termos de competição ajudou-o a vencer. Também o facto de ser há muito merecido - e de ter perdido injustamente por "You've Got a Friend in Me" - deve ter impulsionado a vitória.

"If I Didn't Have You" - "Monsters, Inc."


A terceira música que destaco da filmografia conjunta de Newman e da Pixar é a que lhe proporcionou a sua segunda vitória, este ano. "We Belong Together", a música dos créditos finais de "Toy Story 3", propositadamente alegre, divertida, esperançosa e sonhadora, depois de um final mais nostálgico e de despedida. Não era a melhor música entre os nomeados, mas era aquela que reunia o maior consenso em termos de qualidade. E por isso ganhou.

"We Belong Together" - "Toy Story 3"



Deixo cá ficar outras duas músicas das restantes colaborações de Randy Newman com a Disney/Pixar: "Our Town" da banda sonora de "Cars" e "Almost There", uma das sete músicas que Newman escreveu para a banda sonora de "Princess and the Frog" (que não é da Pixar mas da Disney; de qualquer forma decidi incluir) - e uma das duas que foi nomeada para o Óscar. 



E vocês: que pensam do contributo de Randy Newman para os vários filmes da Pixar ao longo dos anos?

Especial Animação: A música de UP!

A acompanhar os sete artigos dos nossos convidados para a nossa Semana de Apreciação à Animação, vamos ter outros artigos especiais dedicados ao tema, que se debruçarão sobre diversos componentes que fazem da animação dos géneros mais excitantes do cinema contemporâneo. Hoje, como começámos por "Monsters, Inc." e pelos estúdios Pixar, vamos ter alguns artigos dedicados a esse grande estúdio de animação e aos fantásticos filmes que nos proporcionaram. 

"Up!", o primeiro dos dois filmes da Pixar nomeados para Melhor Filme (o outro sendo "Toy Story 3", o ano passado), que acabou vencedor de dois prémios, o de Melhor Filme Animado (pois claro) e o merecidíssimo prémio de Melhor Banda Sonora Original. Michael Giacchino, frequente colaborador da Pixar (que compôs a banda sonora não só para este "Up!" mas também de "Ratatouille" - pelo qual já devia ter vencido - e "The Incredibles") finalmente vencia o Óscar há muito ambicionado por uma banda sonora que, não sendo a melhor dele, tem momentos de absoluto espanto.

Começamos pela sequência mais famosa do filme, "Married Life". Giacchino dá um contributo ímpar para o sucesso da cena, com a sua transcendente partitura que começa alegre e esperançosa, melodiosa e harmoniosa e que depois decai para o melancólico e soturno. Brilhante na composição e na colorida palete de sons que aborda de início, retumbante na segunda metade, a providenciar um bom pano de fundo para os sentimentos que transparecem do ecrã. "Married Life" acompanha, em poucos minutos, a vida de um casal, Ellie e Carl, desde o momento em que iniciam a sua vida de casados, cheios de sonhos e projectos, até ao momento em que Carl se despede tristemente da sua colega de aventuras, no seu leito de morte. É enternecedor, é deprimente, é um turbilhão de emoções sublime em que nos carrega Giacchino com a sua música, obrigando-nos a sorrir, a rir e a entristecer e a chorar. A comoção e o choro aqui não são puxados - o sentimentalismo é-nos inerente.


 

O outro trecho da banda sonora que queria aqui ressalvar, para provar a minha opinião, é o que toca durante os créditos finais do filme, "Up with End Credits", que faz uma espécie de ressalva às músicas mais tocantes de várias partes do filme (desde "Carl Goes Up" até "Memories Can Weigh You Down"), funcionando com um medley. Deixa-nos com um ar renovado e refrescado depois de ouvirmos esta música, suave, enérgica e emotiva.

 

Vá, fazendo uma pequena excepção, coloquei aqui mais uma tema, a pedido - e de facto eu não me devia ter esquecido de a colocar cá. É a poderosa, nostálgica e melancólica "The Ellie Badge".


E vocês, que pensam do contributo de Giacchino para o sucesso de "Up!"?

Especial Animação: O Cinema Numa Cena de WALL-E

A acompanhar os sete artigos dos nossos convidados para a nossa Semana de Apreciação à Animação, vamos ter outros artigos especiais dedicados ao tema, que se debruçarão sobre diversos componentes que fazem da animação dos géneros mais excitantes do cinema contemporâneo. Hoje, como começámos por "Monsters, Inc." e pelos estúdios Pixar, vamos ter alguns artigos dedicados a esse grande estúdio de animação e aos fantásticos filmes que nos proporcionaram. 

Como sabem já, "O Cinema Numa Cena" tenta mostrar uma cena fora-de-série que englobe algo que nos extasie, que nos fascine e que nos faça amar ainda mais o filme.



Não faço segredo, como sabem, da minha profunda e irremediável admiração por "Wall-E", aquele que é invariavelmente considerado o maior feito cinematográfico da Pixar, a par da trilogia Toy Story. Muito haveria a dizer sobre vários dos pormenores que compõe o brilho de "Wall-E" e que o tornam uma animação tão especial, desde a caracterização riquíssima por detrás dos dois protagonistas, Wall-E e Eve, que mesmo sem falarem conseguem passar aos espectador um espectro emocional bastante alargado, passando pela cuidada direcção artística e consistente fotografia, que nos proporcionam momentos de beleza absoluta, pela banda sonora sublime de Thomas Newman e terminando no argumento e na realização de mestria do enorme Andrew Stanton.

De qualquer forma, só podia escolher uma coisa a que me dedicar e decidi-me pela simplicidade: através da sequência definitiva do filme, 'Define Dancing', o espectador pode ver o culminar de todas estas partes acima mencionadas a trabalhar para o mesmo fim: a sumptuosa música de Newman, a belíssima fotografia e moderna direcção artística e os dois curiosos protagonistas todos reunidos para elevar o nível desta cena e torná-la, diria mesmo, icónica. Esta cena poderia servir de exemplo para qualquer aprendiz ou estudante de animação sobre como atingir todos os pontos certos em termos de emotividade e espectáculo e saber aproveitar o que cada um dos contribuintes tem de melhor.

É brilhante, é soberba, é maravilhosa. É o pináculo daquilo que a Pixar sabe fazer de melhor. É mais uma amostra da qualidade de Andrew Stanton tanto como contador de histórias como um verdadeiro visionário.



Especial Animação: A magia de MONSTERS, INC. (10º Aniversário)

Nesta semana especial, que abre o mês de festividades, pedimos a amigos próximos e colaboradores de outros blogues que nos ajudassem a abordar um dos nossos temas preferidos: a animação. Todos eles foram limitados a um máximo de dez imagens ou um vídeo para a sua tarefa. Sete dias, sete colaboradores, sete títulos que festejam este ano o início de uma nova década de vida. Muita diversão, emoção e magia é prometida. A ver se cumprimos. A abrir as hostes, temos a Joana Vaz, a maior comentadora cá da casa e grande amiga, que se propôs a explicar um pouco por detrás da magia de MONSTERS, INC., que celebra a 28 de Outubro deste ano 10 anos de vida. É a ela então que passamos a palavra:

"Antes de mais, gostaria de vos dar os parabéns pelo primeiro aniversário do blogue que muito aprecio e de vos agradecer o convite para participar na vossa comemoração.

Tive assim o prazer de poder escrever sobre um dos meus filmes de animação favoritos – “Monsters, Inc”. Na minha opinião, este é um dos filmes do género mais comoventes e completos, recheado de momentos ternurentos e peculiares. Deste modo, reduzir a minha escolha a apenas algumas imagens do filme que mais me tivessem impressionado não foi tarefa fácil. Depois de difíceis decisões, aqui fica a minha selecção final.


A primeira imagem apresenta-nos os dois melhores amigos, Sulley e Mike, num momento de sucesso. Um instante que capta perfeitamente a personalidade de cada um. Sulley, o grande, forte e corajoso protagonista e Mike, o irreverente, vaidoso e divertido companheiro. Ambos formam uma dupla invejável.


Esta imagem regista a primeira vez que vimos Boo no ecrã. O seu olhar de curiosidade, esplendor e encanto cativa-nos em segundos. E a sua admiração perante o “monstro” é desde logo evidente.


Esta cena representa para mim uma das características mais fascinantes do filme. Inicialmente poderíamos supor que apenas as crianças teriam medo dos monstros que saem à noite do armário, mas a verdade, é que o inverso também ocorre. Como é que algo tão grande e “assustador” pode recear uma figurinha humana tão pequena e insegura? Parece-nos impossível, mas acontece. O facto de não conhecermos outras realidades faz-nos por vezes temer desnecessariamente o desconhecido, o que nem sempre nos leva a adoptar as melhores atitudes.


  
As diferentes expressões de Boo ao longo do filme são de uma riqueza inegável. A menina, que praticamente não fala, usa sobretudo os olhos como arma da comunicação. Aqui é claro o temor que ela sente em relação a Randall. É fabuloso como ela transmite o que sente sem usar palavras.


Esta imagem mostra-nos o enorme mundo da fábrica dos gritos e as milhares de portas que fazem com que os dois universos se possam cruzar.


Para mim, este é o melhor momento de todo o filme. Penso que a imagem nem precisa de grandes explicações. O abraço enternecedor na inevitável despedida comove qualquer um... E a banda sonora que a acompanha é igualmente brilhante. É sem dúvida das cenas mais tocantes da Pixar...


Nesta cena, Mike mostra a surpresa que preparou ao melhor amigo, a reconstrução da porta do guarda-fatos de Boo. Falta apenas uma peça para completar a porta, a peça que Sulley guarda juntamente com o desenho pitoresco feito por Boo... A luz a iluminar a porta que dá acesso ao mundo da menina antecipa um final expectante... A excitação e curiosidade invocadas no público crescem a cada minuto... E assim termina este magnífico filme, com o enorme sorriso de Sulley. Não nos desvendam mais nada, mas penso que nenhum de nós precisava de ver mais."


Agradeço à Joana Vaz pela colaboração e por um belo artigo! Espero que gostem!

Especial Aniversário: Semana de Apreciação à Animação


Como aperitivo para um mês especial de comemoração do aniversário do blogue, no qual nos vamos dedicar a analisar apenas filmes que celebrem uma nova década de aniversário este ano, pedimos a amigos e colaboradores em outros blogues de cinema e televisão que se juntassem a nós e que participassem numa semana especial. Como sabem, o Dial P For Popcorn sempre teve a animação como um dos géneros favoritos e somos dos maiores defensores dela enquanto género cinematográfico de excelência dentro da sétima arte. 


Assim, decidimos dedicar esta primeira semana de celebração à animação. Eis-nos, portanto, prestes a iniciar uma Semana de Apreciação à Animação. Nesta semana, pedimos aos nossos sete honrosos colaboradores que falassem um pouco da magia de sete títulos facilmente reconhecíveis - e cada um deles com bastantes admiradores - que celebram o seu aniversário este ano (três de 2001, um de 1991, um de 1961, um de 1951 e um de 1941). Pelo meio, teremos artigos dedicados a diversos filmes de animação que para mim são dos maiores representantes do género, dos três grandes estúdios (Pixar, Dreamworks, Disney) e não só, além das críticas aos três mais recentes filmes de animação nas salas de cinema ("Rio", "Kung Fu Panda 2" e "Cars 2"), entre outras coisas. 


Espera-se uma semana muito divertida e também muito emotiva. Espero que nos acompanhem e que gostem. Aproveito desde já para agradecer aos sete magníficos que prontamente se ofereceram para colaborar connosco. Que eles - e eu! - consigamos mostrar a todos a magia que a animação nos traz aos nossos corações.

De Toy Story a Toy Story: o meu top da Pixar

Concluída então que (finalmente) está a minha crítica ao "Toy Story 3", torna-se para mim essencial fazer uma espécie de balanço. Devia até tê-lo feito quando muitos o fizeram, em 2009, quando a Pixar atingiu a dezena de filmes com "Up!". Contudo, optei por só fazê-lo agora, primeiro por considerar que não há qualquer hipótese de eu vir remotamente a gostar de "Cars 2" que é o filme que a Pixar lançará no mercado em 2011 e depois porque tive um ano para maturar a minha opinião sobre "Up!" que, diga-se, é bastante mais amado do que o que devia ser. Continua, todavia, a ser adorável e fantástico à mesma.


E o que é se entende por balanço? Pois bem, vou pegar nos onze filmes da Pixar e ordená-los em função da minha preferência por cada um. Claro que sendo uma lista bastante pessoal irão haver imensas opiniões contrárias à minha, mas no entanto desafio-vos a colocarem aqui nos comentários as vossas sugestões e a complementarem a minha (se tiverem blogues, façam-no nos vossos blogues que eu aqui inserirei a hiperligação para o vosso post).


Vamos então partir para a hercúlea tarefa de ordenar os onze filmes da Pixar:

#11

CARS / CARROS (2006)

Invariavelmente, eu tinha que pegar neste. É o único espinho encravado da Pixar. Um filme sem rumo, engraçado e até entretido por vezes, mas muito bizarro e completamente fora de tom com toda a restante filmografia da Pixar. Ainda para mais com John Lasseter a realizar, não percebo como este projecto foi dado como finalizado quando havia ainda tanto a melhorar no filme. (Nota: B-)


#10


A BUG'S LIFE / UMA VIDA DE INSECTO (1998)

O filme de estreia de Andrew Stanton como realizador (bem, co-realizador, com Lasseter) tinha a pesada tarefa de igualar ou superar as expectativas criadas após "Toy Story". E não se pode dizer que tenham sido defraudadas, apesar da qualidade do argumento ser claramente mais baixa, do filme ter sido bem menos sucedido e da ideia ter vindo numa má altura, estreando no mesmo ano de "AntZ", também sobre formigas, da rival Dreamworks. Ainda assim, excelente a nível estético, com cenários lindíssimos gerados em CGI. (Nota: B)


#9

TOY STORY 2 / TOY STORY 2 - EM BUSCA DE WOODY (1999)

A sequela de "Toy Story" tinha uma grande herança para aguentar. Sendo que conseguiu ser um extraordinário sucesso e superar as expectativas iniciais, o filme é invariavelmente menos poderoso emocionalmente que o primeiro e indubitavelmente menos inesquecível que o terceiro. É, contudo, uma excelente história e contém uma poderosa mensagem de amizade, de coragem e de nunca desistir dos outros. (Nota: B+)


#8

THE INCREDIBLES / OS INCRÍVEIS (2004)

Para mim, este filme merece mais crédito que o 8º lugar. Mas não consigo encontrar forma de o subir na lista, não depois de ter revisto "Toy Story" e "Monsters, Inc." que eram os dois filmes que estavam abaixo deste na minha lista provisória. Enfim. Diria de qualquer forma que este e os dois filmes acima estão em pé de igualdade na minha mente. Brad Bird já tinha realizado "The Iron Giant" em 1999, o que já me dava certa confiança na qualidade deste filme. Mas quando eu vi o que ele tinha planeado para nós... Este é pura e simplesmente um dos melhores filmes de super-heróis de sempre. E é um filme animado. Que pega numa família ordinária, igual a tantas outras e a transforma em tanto mais. E consegue não cair no ridículo de ser uma caricatura rasca de "Fantastic Four" ou "X-Men". (Nota: B+)


#7


TOY STORY / TOY STORY - OS RIVAIS (1995)

Admito que este poderá ser o lugar mais discutível da minha lista. É, no final de contas, de um filme que muitos consideram perfeito que estamos a falar. Para mim, não é perfeito. Gosto muito do filme, mas nunca senti tão grande apego às personagens como outras pessoas. Achei que o argumento era fantástico, a caracterização das personagens muito sólida, a banda sonora genial (talvez a única vez que eu não ache Randy Newman irritante - "You've Got a Friend in Me" é lendária) e mesmo a ideia é refrescante, mas ainda assim não me enche tanto as medidas como os filmes acima e por isso mesmo a sua colocação neste lugar. Aberta a discussão, como é óbvio. (Nota: B+)


#6


MONSTERS, INC. / MONSTROS E COMPANHIA (2001)

Quis por tudo colocar este filme (ainda) mais alto, mas mais alto que isto, com a concorrência que ele tem acima, não consegui. Será, por ora, aquele que muita gente colocaria mais abaixo. Mas eu não posso. Eu adoro este filme. Além de ser, na minha opinião, a ideia mais original da Pixar, é inacreditável como duas personagens como Sulley e Mike são portadoras de tanta humanidade (para isso ajuda também o facto de Billy Crystal e John Goodman serem vozes que assentam como uma luva em Mike e Sulley, respectivamente). Ainda por cima, é de longe o filme mais divertido da lista. E é aquele que as pessoas mais desprezam. É uma jóia à espera de ser revisitada. Façam-no e depois discutam comigo. (Nota: B+)


#5


UP! / UP! - ALTAMENTE (2009)

Adorei o filme quando o vi, apesar das suas falhas me terem obviamente irritado um pouco. Repetindo a visualização... é menos impressionante. A sequência da vida do casal ao som de "Married Life" é possivelmente das melhores cenas de cinema de sempre e devia ser estudado por todo e qualquer estudante da arte que se preze. É assim tão fenomenal. Felizmente, o filme não perde fulgor após essa cena e é todo ele uma maravilha de se experienciar. E embora merecidamente nomeado para Melhor Filme, não se deve esquecer que só o foi porque não um mas dois filmes antes, bastante mais merecidamente, não o foram. (Nota: A-)


#4


RATATOUILLE / RATATUI (2007)

Cá está um dos filmes a que me referi anteriormente. O cenário de Paris é só por si idílico, a personalidade criada por Brad Bird para o protagonista, o rato Remy, condiz com a personagem na perfeição, a banda sonora torna o filme uma experiência transcendente e as frequentes referências a comida, a bebida e à vida tornam-no uma obra magistral. Num ano de 2007 exemplar em como fazer bom cinema, a Academia teria beneficiado imensamente do que só aceitou fazer em 2009, aumentando para dez nomeados. E a Pixar começava, por esta altura, a tornar-se marca indelével de qualidade. (Nota: A-)


#3


FINDING NEMO / À PROCURA DE NEMO (2003)

A minha admiração por Andrew Stanton é conhecida e tudo começou em 2003, com o que é largamente considerado "o" sucesso da Pixar. Para criar "Finding Nemo", Stanton dá largas à imaginação e, com a ajuda dos excelentes actores que dão as vozes às personagens (tendo aqui que particularizar, obviamente, Ellen DeGeneres), cria uma obra intemporal que faz as delícias de todas as pessoas que a vêem. A juntar a isto, temos um tema imensamente original, um argumento soberbo, uma banda sonora excepcional, fortíssima caracterização das personagens e cenários magníficos. Como não poderia dar certo? (Nota: A-)


#2


TOY STORY 3 (2010)

O filme mais recente. Pode ser uma consideração prematura da minha parte, mas acho claramente que é o lugar que ele merece. Crítica aqui. (Nota: A-)


#1


WALL-E (2008)

Provavelmente a Pixar nunca fará um filme que chegue ao nível deste. Rotulado de overrated mais vezes que posso contar, criticado e ostracizado por ditos experts de animação (cuja vida se resume a ver filmes Disney todos os dias), o filme animado que ousou ser diferente é de uma magnificência tal que nunca vai ser esquecido. Um filme quase sem diálogo, que busca a emoção no nosso coração, que recorre a expressões e pensamentos genuinamente humanos tidos por robôs, um filme que é de facto notoriamente quase arruinado na sua segunda parte à custa da introdução dos humanos (irónico, não?), mas baseado num argumento poderosíssimo que merecia ter ganho Melhor Argumento Original, de tão impressionante que é e realizado por um génio cujo lugar na história já estará marcado, Andrew Stanton. A cada momento que surge no ecrã, Wall-E vai abrindo, pouco a pouco mais, a nossa alma, expondo-a à sua alegria, à sua tristeza, à sua frustração, ao seu desespero. Quem diria que um robô, algo inanimado e incapaz de se expressar (ou assim se pensaria), poderia fazer algo assim?  "Wall-E" é definitivamente uma estrela brilhante no céu e traz-me novos prazeres e deleites a cada vez que eu o coloco no DVD para o ver de novo. E de novo. E de novo. Não me consigo cansar. Ele é assim TÃO bom (e tão bom é que a Academia, à custa dele e "The Dark Knight", mudou Melhor Filme para dez nomeados). (Nota: A/A-)

TOY STORY 3 (2010)

«O nosso cérebro é o melhor brinquedo já criado: nele se encontram todos os segredos, inclusive o da felicidade» - C. Chaplin

Se a frase de Chaplin é, por si só, verdadeira, sê-lo-á muito mais quando falamos dos argumentistas e realizadores da Pixar. Que grupo de homens de expecional talento e de ainda mais extraordinário sentido de contar histórias. E histórias que não são só para crianças, que abordam assuntos do quotidiano, problemas da vida adulta.


E quando eu pensava que "Up!" tinha encerrado um ciclo fabuloso de grandes filmes em sucessão ("Ratatouille" em 2007, "Wall-E" em 2008 e "Up!" em 2009 - que ainda por cima não foi o primeiro destes ciclos para Pixar, que já tinha tido um semelhante anteriormente - "Monsters, Inc." em 2001, "Finding Nemo" em 2003 e "The Incredibles" em 2004 - e que teria chegado imaculado até aos dias de hoje não fosse o fracasso de "Cars" em 2006), eis que a Pixar saca do chapéu mais uma obra-prima, surpreendendo-me principalmente porque não achava possível dar novo ar a uma franchise cuja história me parecia, até ver, satisfatoriamente encerrada. Contudo, é óbvio que John Lasseter e a Pixar a ela voltariam, uma última vez.



Como muitos, já tinha dado como certo que "Inception" seria o recipiente do título de Melhor Argumento Original do ano. Depois de ver este "Toy Story 3", acho que vai ser uma luta renhida. Além da brilhante (e já característica) forma de revelar o enredo da história, muito simplificada, sem grandes reviravoltas, sem criar grandes tensões no desenvolvimento das personagens, com uma reduzidíssima quantidade de diálogo e bastante acção. As cenas mais interessantes do filme processam-se de facto a grande velocidade e sem recorrer a muito diálogo, residindo a sua essência nas expressões das personagens e no grande trunfo que a saga Toy Story tem sabido manter e aproveitar: a nossa familiaridade com as personagens. Personagens que conhecemos há década e meia atrás, personagens que abandonámos há onze anos, mas que, não sei como (sem dúvida um dos trunfos deste argumento) nos parecem tão frescas e tão vivas como em 1999, mas rejuvenescidos, amadurecidos, evoluídos. O que é impressionante. Mesmo a apresentação de novas personagens parece-nos tão natural e tão desafiante que não admira o sucesso que o estúdio de facto tem. É que tudo parece tão fácil e tão simples num filme deles. E depois claro, todas as personagens foram alvo de uma caracterização na mouche, conferindo-lhes uma personalidade que poucos julgariam identificar-se com o aspecto exterior (veja-se o exemplo do Ken) e uma originalidade que só pode ter a marca Pixar.


E para este filme a Pixar guardou o que melhor aprendeu a fazer com as experiências passadas de "Wall-E", "Ratatouille" e "Up!" - vários verdadeiros "socos no estômago", momentos dramáticos que nos reviram as entranhas e nos fazem sentir o pior dentro de cada um de nós. Começamos por encarar a dura realidade: Andy tem que abandonar os seus brinquedos. Quem nesse momento não começou a pensar nos seus antigos brinquedos e onde os tem arrumados e não se sentiu mal por os ter esquecido. Depois, o que fazer com eles: mais cenas enternecedoras - e ver a união que se criou, perante os nossos olhos, entre aqueles brinquedos, é desconcertante. Andy escolhe o sótão em vez do lixo, mas num acaso do destino (como não podia deixar de ser, obviamente), os brinquedos acabam todos numa creche. Sunnyside aparenta ser o paraíso e todos os brinquedos, excluindo o sempre desconfiado (mas bem intencionado) Woody, se sentem maravilhados com tudo o que vêem.  Depois de sermos introduzidos às novas personagens, novo soco no estômago: elas não são tão boazinhas como parecem e os nossos brinquedos sofrem cruelmente nas mãos das crianças mais novas (enquanto os outros brinquedos novos a que fomos apresentados se divertem na outra sala, a das crianças da pré-escola, mais velhas. Woody consegue fugir mas, como seria (de novo) de esperar, parte em auxílio dos seus companheiros. Após uma incrível cena de fuga, o impensável acontece (e novo momento fulcral no filme, de uma intensidade dramática incrível - de vir lágrimas aos olhos): os nossos brinquedos vão ter um fim antecipado num aterro sanitário. 


O que se seguiu foi... indescritível (é inacreditável como a saga Toy Story mexe tanto com as nossas emoções, explorando um ponto que nos é a todos comum, que é do mais inerente do nosso ser: a compaixão por aqueles brinquedos, pois todos os tivemos e, de uma forma ou outra, os fomos abandonando). Os brinquedos safam-se e terminam assim a sua jornada, num lugar onde finalmente se sentem pertenças de alguém, de novo. E eu, que não era um apaixonado pela saga, fiquei irremediavelmente perdido de amores. E saí do cinema numa sensação de extasia e alegria tal que jurei chegar a casa e também eu pegar de novo, uma última vez, nos meus antigos brinquedos. E assim fiz. Este rol de cenas, bastante provocador e, claro, manipulativo, serve como uma espécie de janela ao nosso passado, isto é, permite-nos ver o nosso passado, as nossas memórias de infância, com olhos de adulto (claro que só será assim para quem foi crescendo acompanhando os filmes Toy Story, como é o meu caso). E isso é algo deste filme que eu vou guardar para sempre com carinho.


E, por muito difícil que tenha sido para Andy abandonar estes seus brinquedos (tendo-nos presenteado com uma introdução, nas suas palavras, a cada um deles), não nos será menos a nós. Quinze anos volvidos, a história de brinquedos mais famosa de sempre chega a um fim. E nós... temos que  nos sentir simplesmente honrados por termos sido escolhidos para vivenciar tão grande aventura.

Nota: A-

Certamente quem viu o filme vai perceber a piada deste vídeo:

Estreia da Semana / Antevisão: Toy Story 3



Quinze anos depois do início de uma história feliz, eis que o ciclo dos brinquedos mais famosos do mundo chega ao fim com este terceiro filme da saga. A história da Pixar não se pode contar sem mencionar Toy Story, tal é a ligação que ambos os nomes têm um com o outro. Muito do sucesso e da evolução que a Pixar demonstrou na década passada resultou muito do que foi a recepção da crítica e do público ao seu primeiro filme, uma história modesta sobre brinquedos, uma história diferente contudo de todas as outras que a sua casa-mãe Disney fazia, pois esta era, mais que um filme animado, um estudo comportamental. Os filmes da Pixar são bastante distintos dos da Walt Disney Pictures e dos da rival Dreamworks precisamente neste aspecto: lidam com personagens adultas, completamente formadas, baseados em situações reais do dia-a-dia, falam de emoções e de problemas e questões importantes, sem nunca esquecer que o seu dever principal é entreter a audiência.

Se houve alguém com papel fundamental no desenvolvimento da marca Pixar, esse alguém é John Lasseter. Foi um dos fundadores da empresa e foi o seu principal impulsionador, mesmo dentro da Disney, de tal forma que ele é hoje em dia o criador-executivo das duas casas, da Pixar Animation Studios e da Walt Disney Animation Studios. E foi ele quem em 1995 envisionou, com o seu grupo restrito de colaboradores (mais tarde todos realizadores e argumentistas da Pixar, Andrew Stanton, Pete Docter, Brad Bird e  Lee Unkrich, o realizador de Toy Story 3, bem como Joss Whedon e Joel Cohen), a primeira longa-metragem da Pixar, Toy Story, que pegava um pouco nos elementos vencedores da sua curta-metragem vencedora do Óscar, Tin Toy.

Além do espectacular argumento, os actores que deram as vozes ao filme também tiveram o seu papel no sucesso. Tom Hanks e Tim Allen couberam que nem uma luva nas suas personagens e tornaram o Woody e o Buzz não só imortais nos nossos corações mas também na história do cinema. Como o importante do filme eram, sobretudo, as personagens, era vital que os actores que lhes emprestavam as vozes conseguissem transmitir a emoção e expressividade necessária. E nisso os actores e os animadores estão de parabéns. Nunca um filme animado tinha tido caracterizações tão completas e tão complexas, tão intrinsecamente exploradas como em Toy Story. A humanidade de personagens como Woody, Buzz, Rex, Mr. Potato Head e Slinky Dog é tão real que até assusta. Finalmente, a música é o terceiro MVP do filme. Randy Newman, de quem nunca fui muito fã, consegue aqui um bom equilíbrio musical e cria uma música intemporal, para todo o sempre, "You've Got a Friend in Me" (aliás, os filmes da Pixar sempre tiveram óptimos compositores).

Depois, o resto é história. O filme seria, como se sabe, o primeiro filme animado em CGI da história, seria o primeiro filme animado a ser nomeado para Melhor Argumento Original, seria um dos filmes mais bem sucedidos de sempre da Disney-Pixar, com 361 milhões de dólares de receita de bilheteira em todo o mundo. Lasseter viria a fazer a seguir A Bug's Life, também bem sucedido e a primeira sequela, Toy Story 2, que renderia mais ainda que o seu predecessor e voltaria em 2006 para o indubitavelmente menos sucedido dos filmes da Pixar, Cars (que vai ter honra de sequela em 2011). Aos poucos na década passada, foram entrando em cena os seus discípulos: Andrew Stanton realizou os que são para mim os dois melhores filmes da Pixar de sempre, Finding Nemo em 2003 e Wall-E, em 2008; Brad Bird, que havia realizado The Iron Giant em 1999, entrou na Pixar para realizar The Incredibles em 2004 e Ratatouille em 2007; e Pete Docter viria a realizar Monsters, Inc. em 2001 (egregiamente roubado do Óscar de Melhor Filme Animado, que foi para Shrek; também vai ganhar uma sequela em 2012) e agora em 2009 Up!, o segundo filme animado de sempre a ser nomeado para Melhor Filme.



Assim eis que chegamos a 2010 e a este Toy Story 3. Os antigos personagens estão todos de volta, Andy vai a caminho da universidade e novos sarilhos avizinham-se para os "nossos" companheiros brinquedos, que se vêm perdidos num infantário, onde conhecem novos personagens, incluindo um muito ilustre Ken (Michael Keaton é quem lhe dá a voz na versão original). Estou ansioso por vê-lo. E vocês?

Deixo-vos aqui ficar com um tributo à Pixar e com alguns links para outros sites com artigos de antevisão:



Antevisão ao Toy Story 3 - Ante-Cinema
Antevisão do Toy Story 3 - Cinema Blend
Uma breve história da Pixar - Ante-Cinema
Estreia recomendada da semana - O Cinema
Estreia da semana - Split-Screen
Crítica de Nathaniel Rogers (The Film Experience) - Towleroad (NSFW)
Crítica do filme - Stale Popcorn
Crítica do filme - Cinema Blend
Conseguirá 'Toy Story 3' um lugar nos dez nomeados para Melhor Filme? - Cinema Blend
Curta de Toy Story a surgir em 2011 - Cinema Blend
Nos bastidores de Toy Story 3 - Cinema Blend
Pixar animators = Renaissance masters - In Contention
Acerca do consenso da crítica - In Contention



TOY STORY 3 - Trailer PT
Via: Ante-Cinema