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DIAL P FOR POPCORN

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Crítica Dupla: MONEYBALL (2011)

Bem-vindos ao Crítica Dupla, um segmento que fazemos algo irregularmente aqui no Dial P For Popcorn, em que eu e o João nos debruçamos sobre um filme sobre o qual estamos bastante divididos, sobre um filme e a sua sequela, sobre um filme e o seu remake... Bem, penso que já perceberam. O objectivo é proporcionar uma discussão saudável, sem controvérsia, dos méritos do filme (ou dos filmes) de acordo com cada um de nós. Esta semana, o filme em foco é "MONEYBALL", de Bennett Miller, que originou opiniões bastante díspares cá no DPFP.





MONEYBALL, por Jorge Rodrigues:


"MONEYBALL" poderia tentar ser mais um filme sobre o triunfo no desporto, cheio de grandes cenas inspiradoras e elevadoras do espírito humano, que culminaria com uma enorme vitória ou abundante prosperidade ou uma lição de vida aprendida. Os grandes filmes que envolvem desporto (desde "The Fighter" a "Rocky", de "Field of Dreams" a "Remember the Titans") são todos assim. Felizmente, "MONEYBALL" optou simplesmente por ser uma poética homenagem a Billy Beane e aos Oakland Athletics, que independentemente de terem vencido ou perdido, contrariam o ditado que para a história só ficam os vencedores, deixando uma marca indelével, revolucionária, no jogo que tanto amam. Além disso, "MONEYBALL" procura contar ainda uma história mais particular, a da forma como Billy Beane consegue reinventar o jogo que ele era suposto ter dominado, vinte anos antes, e provar a todos que um jogador é mais que um número, é mais que estatística.


Com um diálogo absolutamente vívido e electrizante, igual partes profundo e inteligente - ou não fosse este mais um produto das mãos de Aaron Sorkin, contratado para polir o argumento escrito pelo também Oscarizado Steven Zaillian - que coloca - e bem - o foco não no desporto em si mas nas pessoas que o fazem, com caracterizações muito autênticas que ganham colorida vida nas mãos do talentoso elenco que Bennett Miller tem à disposição, desde um cintilante Philip Seymour Hoffman, uma elegante Robin Wright, uma encantadora Kerris Dorsey, um divertido Jonah Hill e, sobretudo, um extraordinário Brad Pitt, o verdadeiro coração do filme. A auxiliar o poderoso argumento está uma fotografia exemplar de Wally Pfister e uma edição brilhante de Christopher Tellefsen, que condensa o filme de forma exímia, conferindo-lhe um ritmo excitante de seguir. Há que elogiar ainda o trabalho de Bennett Miller ("Capote"), que contribui imenso para o sucesso do filme embora quase não se note, sendo que é nos pequenos detalhes que se nota o seu trabalho. É um trabalho ingrato enquanto realizador, ter que mostrar e não deslumbrar. Mas era o que o filme aqui precisava. E ele cumpriu na perfeição.

Finalmente, toda a gente sabe que Brad Pitt é um dos melhores actores americanos das últimas décadas, arrancando excelentes interpretações de quase todos os seus papéis. Infelizmente, a sua beleza, carisma e a sua fama acabam por ofuscar um pouco o seu talento. Em "MONEYBALL", não há essa preocupação. Despido de quaisquer preconceitos em ser visto como um zé-ninguém (algo que Pitt já não se deve lembrar de ser, dado o seu estatuto de mega-celebridade) derrotado pela vida, o seu Billy Beane sabe, melhor do que ninguém, o risco que corre ao apostar em Peter Brand (Hill), que nunca sequer praticou basebol na vida, para ajudá-lo a dar a volta à injustiça que é o jogo, contratando jogadores que nenhuma equipa queria e, através de um sofisticado sistema estatístico, ganhar pontos através de habilidades particulares que cada jogador tem. Estas decisões controversas e polémicas garantem-lhes a fúria de todos, incluindo a sua equipa de observadores, os comentadores de televisão e da rádio e o treinador, Art Howe (Hoffman), um homem da velha guarda. Pitt desaparece no papel - em 2011 fê-lo novamente noutro papel, em "The Tree of Life" - conferindo a Billy Beane uma graciosidade, um genuíno e humano sentido de estar na vida que é incomum nas suas outras interpretações. Este Billy Beane é uma criação completa, cheia de alma, força e coração (reunindo todas as qualidades de Brad Pitt enquanto actor num só indivíduo).


Um filme tão irreverente como o seu protagonista, "MONEYBALL" não busca respostas, nem procura fazer o espectador sentir-se melhor pessoa por ter visto o filme. Não é um filme com um final feliz. É um filme com um final real. Billy Beane seguiu o seu instinto - aquela palavra que tanto o perturbava inicialmente - como se soubesse que esta revolucionária mudança que estava a tentar implementar fosse realmente a sua última oportunidade de glória. O seu sucesso não foi total - não conseguiu mudar a face do jogo para sempre. Ainda assim, provou que com pouco se pode fazer muito, transformando a sua equipa, das mais pobres da Liga, numa força a ter em conta pelas equipas ricas, basicamente ignorando tudo aquilo que até então lhe tinham ensinado sobre o jogo e as suas regras. Um filme a espaços emocionante, a espaços reflexivo, meditativo, "MONEYBALL" foi uma das boas surpresas do ano, rico, substancial e profundo, a história de um homem imperfeito que só agora descobre finalmente o seu rumo. Mais vale tarde que nunca.



Nota Final:
A-

MONEYBALL, por João Samuel Neves:



Previsível e entediante. Assim é "MONEYBALL". Provavelmente fazendo justiça ao desporto que representa (o basebol) onde só quem gosta percebe o sentido do jogo e saboreia cada um dos seus demorados momentos (desde os preparativos às jogadas propriamente ditas). Podia pontuá-lo com uma nota pior, sem dúvida, mas há pontos positivos que vale a pena ressalvar e que merecem ser tidos em conta. Desde logo, o ambiente do filme. Foi aquilo de que mais gostei e o que me permitiu aguentar o filme até ao seu final. Sente-se a excitação e a intensidade de quem é amante deste desporto. Percebe-se porque é que o desporto é pensado e encarado com enorme responsabilidade e profissionalismo, dá-nos um cheirinho do trabalho hercúleo de gestão e organização de um equipa de alto nível. Coloca-nos dentro da acção e junto dos seus protagonistas.


Desse ponto de vista, "MONEYBALL" é um bom filme. Tem também boas interpretações, com Brad Pitt e (especialmente) Jonah Hill que apimentam a história e lhe dão mais alegria, vida e realismo. Mas depois tem alguns aspectos menos positivos. É tremendamente previsível. É possível perceber-se, desde os primeiros 10 minutos, aquilo que será o filme. E isso, para mim, é algo muito negativo, em especial num filme sobre desporto, em que a emoção e a imprevisiblidade nos alimentam até ao clímax final. A própria história em si (um manager de uma equipa com dificuldades que consegue, graças a um inovador esquema informático, revolucionar a forma como se encara e pensa o jogo) é algo que cativa pouco quem não gostar realmente deste jogo. No final, "MONEYBALL" é um filme jeitoso de 2011. Mas não vai entrar no meu top-10. Nem sequer no meu top-20. 


Nota Final:
C
  


Informação Adicional:

Ano: 2011
Realizador: Bennett Miller
Argumento: Steven Zaillian, Aaron Sorkin
Elenco: Brad Pitt, Jonah Hill, Chris Pratt, Robin Wright, Philip Seymour Hoffman
Banda Sonora: Mychael Danna
Fotografia: Wally Pfister

 

THE IDES OF MARCH (2011)



"Get out, now. Or otherwise you end up being a jaded, cynical asshole, just like me."

Mesmo falhando na sua análise crítica às maquinações e jogadas de bastidores por detrás de uma campanha política, deixando tudo muito no ar, numa área cinzenta que não compromete nem provoca grande fricção, "THE IDES OF MARCH" é, ainda assim, um thriller político de inequívoca qualidade, sabendo ser inteligente e sagaz na forma como intersecta a vida pessoal, a vida familiar, a vida profissional e a vida política deste grupo de indivíduos sem complicar muito, como procura momentos de tensão e aparente ameaça sem sair forçado e conseguindo capturar o interesse do espectador e a sua atenção para as respostas que tenta encontrar, metaforicamente, para o panorama político-social ficcional - e o actual, real.


Baseado na peça "Farragut North" de Beau Willimon (por sua vez livremente inspirada na campanha falhada de Howard Dean em 2004), que a estreou off-Broadway em 2008 em altura de grande esperança para o povo americano, com a vitória de Obama fresca na memória, "THE IDES OF MARCH" surge agora três anos depois, quando a desilusão e o desapontamento com a governação de Obama cresce dia após dia e numa altura em que a crise económica ameaça ser notícia por mais algum tempo, parecendo aparecer na altura ideal para explorar assuntos tão coloridos como políticas de bastidores, tácticas de corrupção, manipulação e jogo sujo que mancham a campanha até do mais nobre e leal dos candidatos. Com um olhar cínico e desaprovador, Clooney e o seu fiel colaborador Heslov juntam-se para adaptar o texto original de Willimon, conferindo-lhe uma voz mais específica, mais contemporânea, mais pró-activa e moralista. O resultado não é fabuloso e tão pouco subtil, mas funciona. Apesar de algumas situações em que Clooney parece projectar o seu idealismo e activismo político na fachada do seu protagonista, transformando a cena em algo mais ou menos aplausível, ingénuo e irrealista, o argumento é especialmente incandescente nas cenas de maior tensão, absorvente e criminalmente divertido quando os políticos entram em confronto.


A história abre com um pequeno monólogo de Stephen Meyers (Ryan Gosling), que afirma: “I’m not a Christian. I’m not an atheist. I’m not a Muslim. I’m not Jewish. I believe in the American constitution.” Uma pequena hesitação da sua parte parece-nos querer levar a alguma revelação ou segredo escondido, mas nada. Momentos depois apercebemo-nos que Stephen está apenas a testar o som da sala onde o governador Mike Morris (George Clooney), seu patrão e candidato à presidência dos Estados Unidos da América, irá discursar mais tarde e assim este pequeno exercício de retórica acaba de fazer todo o sentido. Estamos nas primárias no estado de Ohio, onde Mike Morris procura vencer e ultrapassar o seu competidor directo, o senador Pullman (Michael Mantell), cuja campanha está a ser organizada por Tom Duffy (Paul Giamatti), rival pessoal do organizador de campanha de Morris, Paul Zara (Philip Seymour Hoffman), na corrida pelo voto democrático. Para Mike Morris trabalha também a interna Molly Stearns (Evan Rachel Wood) que procura dar os seus primeiros passos no mundo obscuro da política.

O elenco do filme acaba mesmo por ser o seu ponto forte, com um soberbo Ryan Gosling a aguentar-se no frente-a-frente com George Clooney, Paul Giamatti e Philip Seymour Hoffman. Gosling, que está a ter um ano enorme (com "Crazy, Stupid, Love" e "Drive"), tem aqui a sua interpretação mais rigorosa, mais clara e definida. O argumento não ajuda, no entanto, a pintar um retrato fiel e completo de Stephen, nunca permitindo penetrar fundo na sua personalidade e na sua psique, deixando-nos com um retrato superficial e desonesto de um personagem a quem é pedido para ser simultaneamente cínico e honrado, justo, convicto. A pessoa que merece ressalva do restante elenco é, sem dúvida, Evan Rachel Wood, a igualar o nível de brilho que nos mostrou recentemente em "Mildred Pierce" e no longínquo "thirteen" (que lhe devia ter garantido a sua primeira nomeação para os Óscares). Desde cedo a personagem mais promissora da trama, Wood não nos desilude, aproximando-se do espectador com o seu jeito despreocupado mas afectuoso, dando humanidade e vida a esta personagem emocionalmente ressonante mas que é ridiculamente descartada por Clooney e Cª por capricho da narrativa. Um último elogio para Seymour Hoffman, que habitualmente me faz ranger os dentes à custa da forma muito emotiva e aberta (à falta de melhor palavra) como aborda as suas personagens, conferindo-lhes uma personalidade impulsiva e intempestiva que nem sempre é o que é necessário. Está muito bem e cumpre a sua função. Se há alguém que é nomeado deste filme, é ele. Tirando o elenco, o filme está muito bem servido de banda sonora (uma vez mais, não há como errar com o sublime Alexandre Desplat) e de realização. Se com "Good Night and Good Luck" me surpreendeu, aqui George Clooney deixou-me boquiaberto. Uma realização de luxo, a revelar que o actor realmente tem inúmeros talentos e recursos ao seu dispor.


Um filme que resolve terminar como começou, sem nos dar grandes respostas nem revelações e à espera que  as peças tenham todas encaixado, acaba por nos deixar um grande amargo de boca em vez de nos procurar questionar e fazer reflectir. Eloquente mas inconsequente, ambicioso mas vaidoso, "THE IDES OF MARCH" compõe uma intriga curiosa e atraente que não resiste, infelizmente, à sua mania de superioridade e dono da razão (a ponto de para o fim o cínico quase parecer irónico) e opta por não se comprometer, ao alcançar uma conclusão amoral de que todos temos que nos adaptar e sobreviver para podermos subir na vida, precisamente o tipo de mensagem cliché e limitada que o próprio filme tanto procura desconstruir. É uma pena que o filme acabe por ser uma espécie de embuste, por tanto prometer expor e por tão pouco se conseguir retirar de pertinente. 


Nota Final:
B/B+

Informação Adicional:

Realização: George Clooney
Argumento: George Clooney, Grant Heslov, Beau Willimon
Elenco: George Clooney, Ryan Gosling, Evan Rachel Wood, Philip Seymour Hoffman, Marisa Tomei, Paul Giamatti
Fotografia: Phedon Papamichael
Banda Sonora: Alexandre Desplat
Ano: 2011 

Trailer:

ÚLTIMA HORA: Trailer e Poster de THE IDES OF MARCH




Um dos grandes candidatos aos Óscares deste ano e pronto para abrir o Festival de Veneza (passando depois pelo TIFF e por Telluride), "THE IDES OF MARCH" é realizado por George Clooney (que realizou anteriormente o criticamente aclamado "Good Night and Good Luck") e conta com um elenco impressionante - Ryan Gosling, George Clooney, Philip Seymour Hoffman, Marisa Tomei, Jeffrey Wright, Evan Rachel Wood e Paul Giamatti. Baseado na peça de teatro "Farragut North", que por sua vez havia sido baseada nas primárias da corrida presidencial de Howard Dean em 2004, "The Ides of March" vê o idealista Steven Myers (Gosling) ter de enfrentar o melhor e o pior quando a sua vida pessoal e a sua vida profissional colidem, enquanto ele navega as águas tempestuosas de uma campanha política quando descobre que o seu candidato, o Governador Mike Morris (Clooney), não é assim tão inocente.





Um trailer que promete e - sobretudo - mais um filme que vem contribuir para que este ano seja realmente o Ano do Gosling ("Crazy, Stupid Love"; "Drive"; "The Ides of March").

THE SAVAGES (2007)


Foi ao ver o mais recente filme de Woody Allen que me lembrei deste óptimo filme. The Savages é uma história muito bem contada. É um filme inteligente, bem trabalho, com um óptimo leque de actores. Entre eles, um dos meus favoritos: Philip Seymour Hoffman.

Hoffman é um actor peculiar. Nada bonito, nada sensual, nada charmoso, pouco fotogénico. Por isso mesmo, a sua figura em Hollywood é impar. Tal como a sua qualidade. Acho mesmo que é um actor de extremos: ou se adora, ou não se gosta (penso ser dificil detestar Hoffman). Eu adoro a personalidade que o tipo tem. A sua pose no ecrã, o carisma com que trabalha cada personagem. The Savages foi o filme em que me rendi por completo.


Os Savages são uma família completamente destroçada. Lenny Savage, o chefe de família (Philip Bosco), conseguiu afastar os seus filhos devido ao seu mau carácter e egoismo, nunca cultivando o espirito de união e sacrifício entre todos. Tal atitude, levou a que Jon (Philip Seymour Hoffman), um bem sucedido professor universitário e Wendy (Laura Linney), uma aspirante a escritora que procura ainda o seu espaço na área do teatro, se separem-se, e uma família desse origem a três solitários indivíduos.


A nossa história começa com a morte de Doris, companheira de Lenny. Devido debilidades físicas do seu pai, Wendy decide pôr de lado o seu orgulho e tentando ajuda-lo. Para tal, precisa da força do seu irmão, que fechado no seu mundo dos livros e das teorias filosóficas, acaba por ceder ao convite de Wendy. É a doença do seu pai que os une, passado muitos anos, e que os leva a reflectir sobre as atitudes do passado, o egoísmo em que viviam e o real valor que a família tem.


The Savages é um filme intemporal. É um filme do século XXI, das novas famílias, do resultado das exigências do mundo actual. É também um filme que analisa a problemática do envelhecimento. Das pessoas que, no final de uma vida, se vêem sozinhas, abandonadas, desprezadas. Uma mensagem forte, num filme duro e sentimental. É um filme que nos acompanha por muitos dias, que dificilmente se consegue esquecer.

Nota Final: B+

Trailer:



Informação Adicional:
Realização: Tamara Jenkins
Argumento:
Tamara Jenkins

Ano:
2007

Duração:
114 minutos

Maratona Meryl Streep: Especial Grandes Divas do Ecrã

Este artigo faz parte da nossa semana especial dedicada a Meryl Streep, intitulada apropriadamente Maratona Meryl Streep by Dial P For Popcorn. Vamos analisar os títulos mais importantes da sua filmografia e vamos tentar perceber como foi a sua carreira, como foi cada uma das suas nomeações aos Óscares e como é, portanto, a pessoa, a actriz, a mulher que se chama Mary Louise Streep.






 

"Look at that. You've blown out my light."


Esta tirada, de um timing comédico impressionante num filme dramático com um argumento com bastante subtexto e humor negro, mostra bem o que Meryl Streep sabe fazer melhor (e, já agora, Amy Adams não está também nada mal nesta cena). 

Conseguem imaginar uma interpretação tão deliciosamente malévola quanto autoritária? Tão benfeitora quanto rude, Sister Aloysius é um poço de força, personificando o poder da Verdade em "Doubt", adaptado da Broadway pelo seu encenador, John Patrick Shanley e protagonizado por Meryl Streep, Viola Davis, Amy Adams e Philip Seymour Hoffman. Pelo meio, os tiques de Diva fazem o resto e quando nos damos conta, não podemos desviar o olhar do que Streep faz no ecrã. É impressionante.

 

25TH HOUR (2002)


Depois da sugestão deixada aqui pelo José Neves, decidi ver este filme que (até aqui) apenas conhecia de nome. E fiquei rendido! Tanto ao filme, como ao papelão de Edward Norton! Ele nasceu para fazer papéis como este!

25th Hour decorre num período de pós 11 de Setembro, em que a memória sobre os atentados ainda está muito fresca e a América tenta ainda recompor-se do abanão que havia sofrido. Monty Brogan (Edward Norton) é um traficante de droga com algum sucesso, que devido aos rendimentos do seu "trabalho" leva uma vida folgada ao lado da sua namorada Naturelle Riviera (Rosario Dawson) e do seu cão Boyle. É um homem de 30 anos, feliz e bem sucedido.


Até ao dia em que a polícia entra em sua casa e descobre o local onde este guardava a droga, e o acusa de ser traficante. Tal descoberta vale-lhe 7 anos de prisão. 25th Hour retrata então o ultimo dia de liberdade de Monty Brogan, onde este tentará aproveitar os seus ultimos momentos com a sua namorada e com os seus companheiros de longa data, Frank (Barry Pepper) e Jacob (Philip Seymour Hoffman), numa jornada onde esta personagem, cujo o carácter e personalidade são de uma dureza impressionantes, nos deixa muitas mensagens reveladoras da sua maneira de pensar e encarar a realidade que o rodeia. Monty é um homem desiludido e revoltado. É um homem com uma bomba nas mãos que irá explodir no amanhecer do dia seguinte. Terá que viver 7 anos em apenas 24 horas.


Um filme que me encheu as medidas e onde Spike Lee voltou a não me desiludir. Embora fosse dificil fazer um mau filme com um argumento tão bom (A-) e com actores com tal qualidade, Spike Lee manteve a consistência e sai com uma nota bastante positiva.

Nota Final: B+

Trailer:



Informação Adicional:
Realização: Spike Lee
Argumento: David Bienoff
Ano: 2002
Duração: 135 minutos