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DIAL P FOR POPCORN

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Especial Animação: Pessoas da Década - Hayao Miyazaki

A acompanhar os sete artigos dos nossos convidados para a nossa Semana de Apreciação à Animação, vamos ter outros artigos especiais dedicados ao tema, que se debruçarão sobre diversos componentes que fazem da animação dos géneros mais excitantes do cinema contemporâneo. Hoje é um dia dedicado aos Estúdios Ghibli, da rica animação japonesa e, como tal, vamos ter alguns artigos dedicados aos fantásticos filmes que nos proporcionaram.

Aproveitando a coincidência de hoje ser terça-feira, ressuscitamos uma rubrica adormecida do blogue - que vai voltar a total funcionamento nas próximas semanas: a das Pessoas da Década. Nesta rubrica, como se lembram, discutimos as grande personalidades cinematográficas que se fizeram, que se valorizaram ou que se excederam nesta década passada, sejam actores, realizadores, compositores, fotógrafos, entre outros.


Era fácil imaginar qual a Pessoa da Década em foco, ainda por cima se tivermos a pista de estar relacionado com os estúdios Ghibli. Um homem que é parte indelével dos estúdios que ajudou a fundar, um homem com uma carreira de trinta anos de actividade, um homem que revolucionou a animação japonesa e que inventou novas formas de contar histórias através da animação, um homem que merecidamente venceu o Óscar em 2003 pelo filme já hoje abordado, "Spirited Away". É óbvio que o homem de que falamos é...



Hayao Miyazaki


Hayao Miyazaki, por muitos considerado o "Walt Disney do Japão", teve a sua primeira grande oportunidade quando conseguiu arranjar trabalho nos estúdios de animação Toei, nos anos 60. Aí trabalhou durante quase vinte anos tendo subido na hierarquia dos estúdios, tendo finalmente realizado o seu primeiro filme em 1979, "Lupin III". Com o moderado sucesso deste filme, Miyazaki conseguiu financiar o seu segundo projecto, uma ambiciosa história que eventualmente seria produzida em 1984, nos primórdios daquilo que seria o Studio Ghibli, intitulada "Nausicaä of the Valley of the Wind".
 

A sua grande amizade com Isao Takahata fez então com que ambos se lançassem na criação do seu próprio estúdio de animação e assim nasceu, em 1985, o Studio Ghibli. O primeiro filme produzido pelo Studio Ghibli foi de Miyazaki - "Castle in the Sky". Este filme, que é ainda hoje um dos filmes mais apreciados de sempre dos estúdios japoneses, marcou uma nova era na forma como se fazia animação na altura. "Grave of the Fireflies", de Takahata, lançado dois anos depois, veio só confirmar o que se previa: que estes dois senhores estavam cá para ficar.


A admiração internacional, contudo, só viria a chegar depois de 1997, quando os irmãos Weinstein adquiriram, através da sua subsidiária na Disney, os direitos de distribuição de "Princess Mononoke", o quinto filme de Miyazaki nos estúdios nipónicos (depois de "Castle in the Sky" viria "My Neighbour Totoro", "Kiki's Delivery Service" - o primeiro filme do Studio Ghibli lançado nos Estados Unidos, debaixo do acordo com a Disney - e "Porco Rosso") e que tinha sido um sucesso estrondoso, a ponto de se tornar, na altura, no filme mais rentável de sempre no Japão.


E assim entramos na década passada. Depois de um curto período de reforma, no qual Miyazaki decidiu ingressar para se focar mais na família, ele retorna ao Studio Ghibli com uma ideia tão original quanto bizarra - a de uma menina que vive num mundo espiritual e mágico no qual tem de aprender a sobreviver sozinha. Dessa ideia inicial brotou "Spirited Away", aquele que é, indiscutivelmente, o filme mais admirado de Miyazaki e da história dos estúdios. O filme, que venceu o Urso de Ouro em Berlim, viria a conseguir a qualificação para o Óscar de Melhor Filme Animado (por não ter cumprido o período de elegibilidade em 2001), que viria merecidamente a vencer. Retém, ainda hoje, uma impressionante nota de 94 no Metacritic e um resultado fabuloso de 97% no Rotten Tomatoes. Um filme propositadamente mais escuro e tenebroso, menos alegre e esperançoso e muito mais introspectivo e reflexivo, que representa a passagem da infância para a adolescência e que contém um comentário social muito vincado, "Spirited Away" é imperdível para qualquer pessoa (faz inclusive parte da lista do BFI dos "filmes que uma criança deve ver até perfazer 14 anos").


Apesar do facto de só o ter realizado "Spirited Away" esta década ser suficientemente merecedor para receber uma menção nesta lista, Miyazaki não parou por aqui e ainda nos presenteou mais duas vezes esta década com dois grandes filmes: em 2004 trouxe-nos o mágico e emocionante "Howl's Moving Castle", sobre uma rapariga transformada em bruxa, também nomeado para Óscar em 2005 e em 2008 o alegre e aventureiro "Ponyo", uma história baseada no conto original de Hans Christian Andersen da Pequena Sereia. Estes três títulos de enorme valor, a juntar a uma carreira brilhante, faz, portanto, com que Miyazaki seja de facto uma presença obrigatória na nossa lista de pessoas da década. 


Um génio, um visionário, uma lenda, Miyazaki será sempre alguém que não pára de inovar e surpreender naquilo que faz. Quase sozinho tornou a casa de animação japonesa numa força poderosa, capaz de lutar taco-a-taco com os dois grandes estúdios americanos e até de lhes vencer ocasionalmente. Mas mais do que isso, a animação de Miyazaki pauta-se pelos temas que aborda, pela forma como constrói a narrativa, pela forma rica e detalhada como caracteriza as suas personagens. As suas histórias não são só para crianças - e é isso, acima de tudo, que o faz estar anos-luz à frente das suas congéneres norte-americanas (que só recentemente se começaram a aperceber disso; por alguma razão Lasseter, Stanton e Docter são fãs de Miyazaki e do seu trabalho - também por aqui se explica parte do sucesso da Pixar).


[Disclaimer: Não detemos os direitos de nenhuma das fotos].


Pessoas da Década: Charlie Kaufman

Bem-vindos a uma das rubricas semanais do Dial P for Popcorn, a ter lugar no início da semana (normalmente segunda ou terça-feira). Nesta rubrica vamos discutir as pessoas que se tornaram (ou que continuaram a ser) grandes nomes na década de 2000, sejam actores, realizadores, compositores, fotógrafos, entre outros.


E esta semana vamos virar a nossa atenção para uma classe que muitas vezes não tem o respeito que merece. É que se é verdade que um realizador pode conseguir fazer maravilhas com um argumento mau, imagino que também seja verdade que um realizador pode conseguir uma obra-prima assinalável só porque quem escreveu as palavras que os actores pronunciam redigiu um texto de qualidade impressionante. Os argumentistas são, muitas vezes, os parentes pobres dos realizadores no sentido em que recebem muito menos respeito que o que merecem, uma vez que não há filmes sem gente que os escreva. E se adoram culpar os argumentos quando os filmes são maus (com razão, na maioria dos casos), porque não fazer o mesmo quando o argumento é brilhante mas a realização é um horror? Aí está o problema, é que normalmente é o realizador e não o argumentista que recebe o crédito quando as coisas correm bem.

Este senhor de que vou falar a seguir é, curiosamente, um dos poucos exemplos do contrário. E como foi ele que escreveu o argumento de um dos meus filmes favoritos da década passada - e recebeu mais crédito que o próprio realizador - não podia deixar de estreá-lo nesta rubrica logo que pegasse nos argumentistas. O filme em questão é "Eternal Sunshine of the Spotless Mind" e eu vou falar então de...

Charlie Kaufman


Uma carreira relativamente curta a nível cinematográfico mas com bastante riqueza e qualidade no trabalho até já efectuado. O primeiro filme de Kaufman como argumentista foi o extraordinário case-study de Spike Jonze, "Being John Malkovich", em 1999. Um filme bizarro e maluco a vários níveis mas mesmo assim espectacular. Dois anos mais tarde, em 2001, ele assinou o argumento de "Human Nature" para o realizador Michel Gondry, um filme que falhou em repetir o sucesso do seu primeiro escrito mas que foi, mesmo assim, elogiado pelo estilo evoluído, original e poderoso de escrita. Em 2002 escreveu o argumento de "Confessions of a Dangerous Mind", mais um falhanço menor, que foi no entanto bem recebido pela crítica, também tendo sido ajudado pelo facto de ser o filme de estreia de Clooney a realizador.


Contudo, foi com os dois filmes seguintes e o sucesso que estes trouxeram que este argumentista se tornou dos mais populares em Hollywood. Em 2002 volta a colaborar com Spike Jonze naquele que é o filme mais popular do realizador, o excelente "Adaptation", com Cage, Streep e Cooper (que venceu um Óscar pelo filme) e que funciona como uma espécie de auto-biografia do próprio Kaufman, que se imagina a ele a redigir um argumento baseado na obra de Susan Orlean. Ambos os filmes de Jonze valeram a Kaufman a nomeação para Melhor Argumento Original nos Óscares, tendo perdido as duas vezes. Seria à terceira que ele celebraria, com o que é considerado o melhor argumento original da década, o de "Eternal Sunshine of the Spotless Mind", em 2004, realizado por Michel Gondry e protagonizado por Carrey e Winslet (com Ruffalo, Dunst, Wilkinson e Wood no elenco de suporte).


O filme foi um sucesso estrondoso com a crítica, valeu nomeação a Kate Winslet para Melhor Actriz (que devia ter ganho nesse ano, na minha opinião) e o público também adorou. Esta bela história de um amor desencontrado na vida real que contudo se mantém na mente é sinceramente uma história bastante incrível e original (claro que haverá sempre quem discorde deste meu comentário, é normal devido às gigantes expectativas que se criaram em relação a este filme) e foi bem honrado com a estatueta de Melhor Argumento Original, sendo que é hoje em dia um dos principais termos de comparação para os escritos que o sucederam. E o engraçado mesmo é que Gondry nunca mais na vida fará outro filme tão bom como aquele e provavelmente a sua realização contribuiu largamente para o sucesso do filme, mas é sempre Kaufman que é relembrado quando o filme vem à baila. O argumentista só tem mais um filme na filmografia, que ele escreveu e realizou, o muito incompreendido (e brilhante, há que acrescentar) "Synecdoche, New York" de 2008 onde Seymour Hoffman dá uma extraordinária performance (além do excelente elenco secundário).


Do futuro nada se sabe, pois não existem mais projectos na sua agenda para breve, mas uma coisa é certa: o seu nome já é um marco na história do cinema e basta ele aparecer associado a qualquer filme que é razão suficiente para ficarmos logo excitados. E esse tipo de reacção não é para qualquer um. É só mesmo para quem é formidável no que faz.


Pessoas da Década: Nicole Kidman

Bem-vindos a uma das rubricas semanais do Dial P for Popcorn, a ter lugar todas as terças-feiras. Nesta rubrica vamos discutir as pessoas que se tornaram (ou que continuaram a ser) grandes nomes na década de 2000, sejam actores, realizadores, compositores, fotógrafos, entre outros.


Esta semana tinha focado na minha mente que ia falar de um actor. Pedi sugestões nos comentários mas pelos vistos vocês não estavam muito receptivos a dar a vossa opinião. Não faz mal. Muito provavelmente, eu não iria escolher outra pessoa que não esta. Conseguem pensar noutra actriz que tenha deixado uma marca tão impressionante na década de 2000 como esta? Não me parece.

É, por isso, com muito orgulho, que a minha rubrica "Pessoas da Década" vai abordar esta semana...


Nicole Kidman

A actriz autraliana nascida no Hawai, que perfez 43 anos no passado dia 20 de Junho foi desde sempre a minha primeira escolha para o meu primeiro texto sobre um actor para esta rubrica. É que, se a segunda metade da década deixa a desejar quanto à filmografia de Nicole Kidman diz respeito, entre 2000 e 2005 não houve actor ou actriz que tão alto subisse na memória das pessoas e no estrelato de Hollywood. A nível pessoal, a actriz divorciou-se de Tom Cruise em 2001, mais ou menos na mesma altura em que o seu primeiro grande êxito chegava aos cinemas e encantava meio mundo e casou-se posteriormente com o cantor country Keith Urban, também australiano, em 2006, com quem tem hoje uma filha, Sunday Rose.


A nível profissional, pois se a sua carreira já mostrava sinais de vôos mais altos (como comprovam "To Die For" em 1995, "The Portrait of a Lady" em 1996 e "Eyes Wide Shut" em 1999), entre 2000 e 2009, explodiu consideravelmente.

O início da década foi absolutamente avassalador para Nicole Kidman. Em 2001 começou a consolidar-se como uma das melhores actrizes de Hollywood, mostrando a sua versatilidade, talento e fabulosa expressividade em "Moulin Rouge!" de Baz Luhrmann (onde ainda por cima canta e dança fantasticamente) e em "The Others" de Alejandro Aménabar. Era óbvio que a Academia já estava de olho nela quando nesse mesmo ano lhe deu as boas-vindas ao círculo elitista de nomeados para Óscar pela sua interpretação fenomenal em "Moulin Rouge!", pela qual conquistou imensos prémios, entre eles o Globo de Ouro - Musical/Comédia. Não seria ainda a sua hora de vencer um Óscar (apesar de certamente o merecer mais que a vencedora), pois perdeu para Halle Berry ("Monster's Ball").


Seria no ano seguinte, em 2002, que Kidman iria atingir tal glória, pelo multi-nomeado para os Óscares "The Hours", que contava com Julianne Moore, Meryl Streep e a própria Kidman como protagonistas. Só estrelas, portanto. O seu nariz prostético fez história, até porque na altura de anunciá-la como vencedora da estatueta, Denzel Washington diz "and the winner is, by a nose, Nicole Kidman!", como que a fazer menção ao objecto. A verdade é que foi das interpretações mais curtas para uma Melhor Actriz vencedora de Óscar (28 minutos), tão brilhante foi Kidman no filme, ao dar vida à escritora insatisfeita com a vida Virginia Woolf. E a sua história com os Óscares ficou, para já, por aqui.


A "sequência de ouro" de Nicole Kidman, com "Moulin Rouge!" e "The Others" (2001), "The Hours" (2002), "Dogville" (2003) e "Birth" (2004)


Consagração obtida deveria simbolizar altura de descansar, mas não para Kidman. No dia a seguir à cerimónia ela estava de partida para a Dinamarca para colaborar com Lars von Trier no seu próximo filme, "Dogville", um filme bastante bizarro e repleto de mistério no qual Kidman mais uma vez espantou todos. De notar que a viagem para a Dinamarca em 2003 marcava a primeira vez em 15 anos que voava de avião. Nesse mesmo ano, Kidman também protagonizou, ao lado de Jude Law e Renée Zellweger, "Cold Mountain", mais um titã candidato a vários Óscares, o que acabou por acontecer. Um filme interessante, mas no qual Kidman não conseguiu ser tão extraordinária como noutras ocasiões, tendo-lhe custado provavelmente a nomeação, pois ambos os seus co-protagonistas foram nomeados (e Zellweger ganhou). Em 2003 Kidman foi ainda protagonista de "The Human Stain", baseado no romance homónimo de Philip Roth, para o qual o seu casting foi completamente um erro, como se viria a comprovar com o insucesso do filme.


O ano de 2004 viria a marcar o fim da magia de Nicole Kidman no ecrã, pelo menos por algum tempo. "Birth", de Jonathan Glazer, não parecia, à partida, prometer nada de especial, apesar de toda a gente contar com uma boa prestação da actriz. A verdade é que o filme revelou-se apaixonante de seguir do primeiro ao último minuto, com uma banda sonora sem precendentes de Alexandre Desplat e uma interpretação inconfundível da actriz, talvez a sua melhor de sempre, que é estonteante na película e uma maravilha de apreciar. Infelizmente, a Academia não foi da mesma opinião e tratou bastante mal esta pequena pérola que é "Birth". "The Stepford Wives", também de 2004, começou a anunciar um pequeno declínio na produtividade de Kidman, tendo o filme sido imensamente criticado.



As escolhas de Kidman continuaram algo estranhas e em 2005 ela apareceu em dois filmes que falharam redondamente, a nível do público e da crítica: "Bewitched" foi pálido em comparação com a adorada série de televisão do passado e "The Interpreter" foi uma escolha incomum na restante filmografia da actriz e, se bem que ela dá uma prestação razoável, tal como Sean Penn, o filme não caiu bem à crítica. Desafiando todas as convenções - dado o número de projectos aliciantes que se dizia que a actriz tinha em mão - Kidman opta por surpreender mais uma vez ao escolher "Fur: An Imaginary Portrait of Diane Arbus" para o seu próximo projecto, em 2006. O filme não foi bem recebido mas a sua interpretação encheu o olho de muita gente, incluindo eu próprio, que começava a duvidar da sua qualidade e do seu bom olho para projectos. Nesse mesmo ano, Kidman aceitou emprestar a voz ao filme animado musical "Happy Feet", que venceria o Óscar de Melhor Filme Animado desse ano.



2007 voltou a marcar um retrocesso na sua carreira, com os falhanços sucessivos de "The Golden Compass", a adaptação cinematográfica da excelente saga de Philip Pullman e de "The Invasion", um thriller de ficção científica em que contracenou com Daniel Craig. Em "Margot at the Wedding", todavia, ela concede-nos mais uma performance inesquecível, como a intolerante, sem tacto, opinionada e rude Margot. O filme com que Noah Baumbach seguiu "The Squid and The Whale" não foi tão bem aceite como o antecessor, mas mesmo assim Kidman conseguiu boas críticas.





Em 2008 e 2009 a actriz preferiu dedicar-se mais à maternidade e por isso abrandou o ritmo de trabalho, tendo feito apenas um filme em cada ano. "Australia" era um dos projectos mais ambiciosos de 2008 e voltava a reunir Kidman e Luhrmann, a quem se juntava Hugh Jackman, tendo como pano de fundo o belíssimo outback australiano. Apesar da técnica e da estética do filme serem imaculados, a história não era nada por aí além e nem os dois protagonistas se safaram no meio do marasmo de 2 horas e meia e o filme, que ameaçava fazer estrondo, passou de mansinho. "Nine" perdeu Zeta-Jones e ganhou Kidman assim de rompante, que assinou para um pequeno papel como a musa Claudia. Um musical com grande elenco e grandes expectativas que foi um desastre - bem, nem tanto, mas os críticos e o público norte-americano arrasaram com o filme, de onde só Cotillard e Cruz saíram ilesas (Kidman não tinha muito que fazer, portanto foi quase ignorada).

Contas feitas, Kidman foi a actriz mais arrojada, mais marcante, mais cintilante esta década. Trabalhou com os melhores desde sempre (Van Sant, Campion, Kubrick, Pollack, von Trier, Marshall, Daldry, Luhrmann, Aménabar e Howard) e tem sempre procurado quem tem algo de inovador para oferecer ao cinema. Posso sugerir... Almodovar e Tarantino next?

O futuro?

Bem, em 2010 a actriz tem a sua derradeira chance de redenção a esta série menos positiva com o seu papel principal em "Rabbit Hole" de John Cameron Mitchell, a adaptação de uma peça vencedora de vários Tony, inclusivé o de Melhor Actriz (Cynthia Nixon ganhou na Broadway). Aaron Eckhart e Dianne Wiest juntam-se a ela neste filme que conta a história do luto de dois pais pela morte do seu filho. Deverá ser um dos candidatos a tomar cuidado para os Óscares, sobretudo no que a ela diz respeito. E em 2012 a actriz prepara-se para um dos seus maiores papéis, em "The Danish Girl" de Lasse Hallstrom, que relata a vida do primeiro transsexual do país, Einar Wegener.

Deixo-vos para terminar com um tributo (via YouTube) a esta grande actriz, que reúne cenas de vários filmes da actriz, criado pelo seu grupo de fãs no Fórum Free:


Pessoas da Década: Roger Deakins

Bem-vindos a uma das rubricas semanais do Dial P for Popcorn, a ter lugar todas as terças-feiras. Nesta rubrica vamos discutir as pessoas que se tornaram (ou que continuaram a ser) grandes nomes na década de 2000, sejam actores, realizadores, compositores, fotógrafos, entre outros.


Mais uma vez, parti para esta rubrica com a certeza de que não queria, ainda, ter que pegar num actor. O actor ou actriz há-de vir na próxima semana. Até, se quiserem, deixem sugestões quanto a quem deve ser. Eu tenho uma ideia formada na minha cabeça de quem será, só quero saber se vocês vão de encontro a ela ou se, pelo contrário, talvez esteja enganado e vocês arranjem alguém que melhor represente a década de actores do que quem eu tinha pensado. Mas vamos a esta semana.

Em que decidi pegar numa das persona non grata da Academia. E digo isto porque, com 8 nomeações para Óscar e infindáveis obras-primas de qualidade inegável, este senhor fotógrafo ainda não conseguiu a vitória. Esteve perto em vários anos e todos os anos tem trabalhos dignos de figurarem na lista dos nomeados. Friso o ano de 2007 em que conseguiu 2 nomeações na categoria. Estou a falar, é claro, de...

Roger Deakins 

Havia outros nomes que me vieram à cabeça que vão ter de ficar para futuras edições da rubrica (como Elswitt, vencedor por "There Will Be Blood"; Delbonnel, que fotografou o excelente "Amélie"; Lubezki, que fotografou as inacreditáveis imagens de "Children of Men"; Lesnie, que venceu por "Lord of The Rings", entre outros), mas desde que pensei em Deakins (e foi logo o primeiro que me surgiu) que a escolha me parecia consensual.


É que nesta década, este senhor conseguiu fotografar esta multiplicidade de projectos de distinta variedade, todos com imagens incríveis, de uma beleza fascinante e todos com impressionante detalhe fotográfico. Começou 2000 com os irmãos Coen (clientes habituais, como se perceberá mais à frente) a fotografar "O Brother, Where Art Thou?" e depois pegou em "Thirteen Days". Em 2001 voltou aos irmãos Coen para filmar "The Man Who Wasn't There" e pegou no vencedor do Óscar de Melhor Filme, "A Beautiful Mind" (uma das poucas coisas que gostei no filme foi a fotografia, de facto). Em 2002 esteve em pausa para em 2003 entrar em grande com "Levity", novo filme dos Coen ("Intolerable Cruelty") e, uma das suas melhores produções em fotografia, na minha modesta opinião, "House of Sand and Fog". Jennifer Connelly, Ben Kingsley e Shoreh Aghdashloo nunca pareceram tão belos. 




Em 2004 conseguiu ser a única coisa boa (vá, quase) no primeiro filme do declínio de M. Night Shyamalan, "The Village" e ainda fotografou "The Ladykillers", novamente dos irmãos Coen. "Jarhead" foi o seu único título em 2005, antecedendo mais um ano de pausa antes indubitavelmente do seu melhor ano da década, 2007, onde fotografou o vencedor de Melhor Filme (e que valeu Melhor Realizador aos irmãos Coen) "No Country for Old Men", além de "The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford", nomeado por ambos para o Óscar de Melhor Fotografia (e duas fotografias excepcionais - a de "Assassination", então, é brilhante - e ainda "In The Valley of Elah", outro dos filmes mais em foco do ano. 




Para 2008 ele trouxe-nos mais uma tripleta de trabalhos notáveis, com "The Reader", "Revolutionary Road" e "Doubt". No ano passado, filmou "A Serious Man", mais um filme dos irmãos Coen e em 2010 ele fotografou o mais recente dos mesmos realizadores, "True Grit", além de "The Company Men".



Assim acho que já se percebe a sua colocação nesta rubrica, não é? Pois bem. A Academia tem visto o seu talento, a comprovar as oito nomeações para Óscar, quatro delas por filmes dos irmãos Coen ("Fargo", "O Brother, Where Art Thou?", "The Man Who Wasn't There", "No Country for Old Men") e cinco delas esta década (a juntar às três mencionadas antes - "Fargo" é de 1996 - temos uma por "The Reader" e a outra pelo "The Assassination of Jesse James"). Os outros filmes que lhe valeram nomeação foram "Kundun" de Scorcese e o (praticamente) inigualável "Shawshank Redemption". Contudo, não tem sabido apreciá-lo plenamente, pois nunca venceu (deve ter estado perto em 2007, mas perdeu para Elswitt, muito provavelmente porque as suas duas nomeações repartiram-lhe os votos). De qualquer forma, a este rumo, não faltará muito para ver reconhecido o seu mérito. Ainda bem que nós aqui no "Dial P For Popcorn" já o fizemos. 


Pessoas da Década: Pedro Almodovar

Bem-vindos a uma das rubricas semanais do Dial P for Popcorn, a ter lugar todas as terças-feiras. Nesta rubrica vamos discutir as pessoas que se tornaram (ou que continuaram a ser) grandes nomes na década de 2000, sejam actores, realizadores, compositores, fotógrafos, entre outros.

A escolha desta semana não foi, na minha cabeça, consensual. A ideia inicial que tinha era de falar sobre um realizador. E, depois de analisar, cheguei à conclusão que existiam uns 20-25 realizadores de que queria falar nesta rubrica. E decidi que não podia falar de mais realizadores esta década sem pegar neste (até porque no blogue já falámos bastante de outras três escolhas minhas, Nolan, von Trier e Tarantino, daí que estes hão-de surgir nesta rubrica mais tarde). Então esta semana pegamos em...



Pedro Almodovar

O realizador espanhol de 61 anos é tão sobejamente conhecido do mundo do cinema que dispensa qualquer tipo de apresentações. Atingida a notoriedade nos anos 80 (destacando-se pela sua forma diferente de fazer cinema e pela sua aproximação bastante singular à caracterização das personagens), chegou ao expoente máximo esta década passada, com vários êxitos sucessivos. Eu diria que já possui uma ou duas obras-primas no seu currículo, sendo que para mim (a opinião dos amantes de Almodovar divide-se bastante em quais são os seus melhores filmes) é Hable con Ella (2002) e Todo Sobre Mí Madre (1999), com La Mala Educación (2004) um distante terceiro.


Esta década, Almodovar realizou quatro filmes: Hable con Ella em 2002, La Mala Educación em 2004, Volver em 2006 e Los Abrazos Rotos em 2009, todos sucessos com méritos próprios. Os últimos dois contaram com a sua mais famosa colaboradora, Penélope Cruz, que apareceu em toda a sua glória, juntando estas duas excelentes interpretações às outras duas que teve neste ciclo (2006-2009) de absoluta excelência (em Nine e em Vicky Cristina Barcelona). Curiosamente, parece que as autoridades culturais do seu próprio país não concordam, tendo excluído três dos seus quatro filmes esta década (depois da nomeação de Mujeres Al Borde de un Ataque de Nervios em 1989 e de Todo Sobre Mí Madre ganhar o Óscar em 2000) da candidatura espanhola ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro por três vezes (a reacção da Academia a Hable con Ella foi uma valente chapada na cara dos espanhóis, pois nomearam-no para Melhor Realizador e deram-lhe a vitória por Melhor Argumento Original; em 2004, a Espanha é que viria a ter razão, com Mar Adentro a vencer o prémio - se bem que eu considero La Mala Educación um filme superior; em 2006, a Espanha submeteu Volver, mas não foi nomeado; em 2009 ignoraram Los Abrazos Rotos, que seria provavelmente nomeado). Próximo projecto: nova colaboração com Antonio Banderas (depois de La Ley del Deseo em 1987), em La Piel Que Habito (2011).


Falando só um pouco dos filmes e do que mais gostei deles... Em Hable con Ella ele pega num tema pesado, complicado de lidar e forma uma história simultaneamente tão dramática quanto enternecedora, aliando quatro histórias de vidas solitárias e compelindo-nos a emocionar-nos com ele e com elas. La Mala Educación parece de facto ter algo de autobiográfico, mas este fag noir tão Almodovariano é mais do que isso: é toda uma experiência deliciosa, de nos fascinar por entre o mistério e a beleza. Volver traz-nos Penélope Cruz em toda a sua exuberância, numa interpretação das melhores que vi esta década, num filme que alia a realidade ao sobrenatural, a morte à vida, de forma tão sublime e que é, acima de tudo, uma homenagem às mulheres da vida do realizador, como ele muito bem o definiu. Los Abrazos Rotos é a sua obra mais recente. Cruz de novo extraordinária, emanando uma sensualidade que lhe era reconhecida mas até então nunca bem explorada. Sendo o filme mais pobre da sua filmografia esta década, é no entanto o mais voluptuoso, o que proporciona a maior experiência visual (há que ressalvar aqui o papel fundamental da banda sonora de Alberto Iglesias, companheiro de trabalho de longa data de Almodovar - e da fotografia de Rodrigo Prieto, cujos outros trabalhos incluem Babel, Brokeback Mountain, Amores Perros, 21 Grams, Lust Caution, Frida...).

A coisa que mais adoro em Almodovar? Adoro sobretudo a forma bastante diferente que cada um tem de reagir aos filmes dele. Almodovar é um génio sem par, um provocador por natureza. E conseguir desempenhos tão espectaculares como ele consegue de todo um elenco só é possível quando se é grande. E ter um argumento tão bem detalhado, tão intrinsecamente explorando os traços de personalidade de todas as personagens, só está ao alcance dos melhores. Ter então seis, sete argumentos assim, só um predestinado. Almodovar é esse predestinado. E o mundo está melhor por tê-lo. 

Deixo só ficar o teaser trailer de "Los Abrazos Rotos" que eu acho que define muito bem o que é a experiência de ver um filme de Almodovar:

Pessoas da Década: Alexandre Desplat

Bem-vindos a uma das rubricas semanais do Dial P for Popcorn, que habitualmente terá lugar às terças-feiras mas por eu andar com o horário trocado, só é publicada hoje. Nesta rubrica vamos discutir as pessoas que se tornaram grandes nomes na década de 2000, sejam actores, realizadores, compositores, fotógrafos, entre outros.

E para inaugurar esta rubrica... Eu escolhi alguém que eu penso ser quem mais merece, a todos os níveis, ser a face desta década que passou. Não consigo ninguém tão brilhante, tão audaz, tão produtivo, tão diferente, como este senhor. Um camaleão entre géneros e entre registos. Não fez duas obras iguais e entretanto posso dizer que mais de 90% do seu trabalho esta década foi superior ao dos seus pares. E claro, na boa tradição da Academia, foi dos menos reconhecidos, apesar de ter feito trabalho de qualidade inegável em todos os anos que compuseram os anos 2000. Essa pessoa é, então...


Alexandre Desplat

O francês de ascendência grega Alexandre Desplat é já dos mais profílicos e reconhecidos compositores da história do cinema, tendo apenas 39 anos, o que é bastante jovem para um compositor. E foi crescendo na sua reputação ao longo destes passados 10 anos, tendo conseguido três nomeações para Óscar na segunda parte da década, por The Queen (2006), por The Curious Case of Benjamin Button (2008) e por Fantastic Mr. Fox (2009). Fez composições para mais de 70 filmes em menos de 20 anos de carreira, sentindo-se plenamente à vontade tanto nos dramas como nas comédias, tanto em filmes de prestígio e históricos como em filmes mais leves e modernos.



O que é interessante de ver é que duas das suas três nomeações foram por filmes típicos de Óscar, o que conhecendo a Academia não é de estranhar. Estranho é sim terem-no nomeado pela sua melodiosa e harmoniosa e tão diferente do habitual banda sonora original para o filme animado de Wes Anderson, tão atípico para ser premiado por uma Academia dignamente conservadora, que tinha só em 2009 (!) para escolher, do trabalho de Desplat, três bandas sonoras mais ao seu gosto: Coco Avant Chanel, Julie & Julia e Chéri (além da de Un Prophète e de New Moon). Ainda bem que assim foi.



Percorrendo só para terminar o caminho dele esta década, para que vocês consigam perceber o porquê da minha escolha para abrir esta rubrica... Ele foi o compositor destas bandas sonoras: The Luzchin Defense (2000), Girl with a Pearl Earring (2003), Birth (2004), Hostage (2005), The Upside of Anger (2005), Syriana (2005), The Queen (2006), The Painted Veil (2006), Lust Caution (2007), The Golden Compass (2007), The Curious Case of Benjamin Button (2008), Coco Avant Chanel (2009), Chéri (2009), Un Prophète (2009), Fantastic Mr. Fox (2009), Julie & Julia (2009) e New Moon (2009) -  e estas são somente as que eu destaco. Existem muitas outras.

Em 2010 já produziu mais uma banda sonora espectacular, para The Ghost Writer de Polanski e até ao fim do ano ainda vamos poder ouvir o seu trabalho no que se espera extraordinário Harry Potter and the Deathly Hallows, Parte I, em Tamara Drewe de Stephen Frears (Dangerous Liaisons, Chéri) e ainda, aquela que eu mais antecipo, para o novo filme de Terrence Malick (que, se for o poderio visual a que normalmente ele já nos habituou, terá sido uma inspiração tremenda para a música de Desplat), The Tree of Life.


Das dez bandas sonoras de que eu mais gosto, quatro são dele. Para mim, de todas, a de Birth é inigualável. Mas também, só um ou dois compositores por década é que conseguem atingir tal nível de qualidade. Deixo-vos abaixo algumas das músicas que ele criou para diversos filmes. Tirem as vossas conclusões. O homem é mágico.