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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

SNOW WHITE AND THE SEVEN DWARVES (1937)


SNOW WHITE AND THE SEVEN DWARVES ou
Uma Ode a uma das Vilãs mais fascinantes de sempre

Passaram mais de dez anos desde a última vez que eu vi "Snow White and the Seven Dwarves". Lembrava-me de me encantar quando era criança, sim, mas mesmo nessa altura o filme nunca deixou de me parecer muito feminino, muito virado para aquelas raparigas tontas e sonhadoras que tinham infinitos pensamentos do que fariam quando o seu príncipe encantado viesse para as levar. Penso que esta foi uma escolha propositada de Walt Disney para a sua primeira longa-metragem, um filme delicado e sensível, diferente dos filmes que se faziam na altura, mais sérios e preocupados com outros assuntos, um filme leve e empático que encantasse não só a sua geração mas as que a seguiram. Foi assim que em 1937 a Disney produziu "Snow White and the Seven Dwarves" e criou o protótipo de conto de fadas que iria perdurar nas maiores produções cinematográficas do estúdio e que chega até aos dias de hoje, se bem que de forma diferente, na última longa-metragem do estúdio, "Tangled". Em muitas maneiras, "Snow White" é o primordial filme animado, o clássico que define o legado que a Disney e Walt Disney em particular nos deixa.

Voltando à minha visualização do filme. Nunca pensei que fosse gostar mais do filme agora do que quando era mais novo, mas foi o que aconteceu. Não me recordava que fosse tão divertido e charmoso, não me lembrava do quão astuto, perspicaz e sarcástico o Zangado era, ou do quão formidável e melodramaticamente cómica a Rainha Má era. É camp (que traduzido para português dá teatral) no mais puro sentido do termo, mas é uma teatralidade que se aprecia num filme animado que surgiu em 1939. O que infelizmente não divergia das minhas memórias era o quão unidimensional e parolos os personagens Branca de Neve e Príncipe Encantado eram. Que aborrecidos.


O que vale é que o nosso investimento na narrativa principal do filme é extremamente recompensado pela vitalidade que a Rainha Má imprime na história (um excelente desempenho da actriz que lhe empresta a voz e dos desenhadores da Disney que, mesmo em plenos anos 30, já tinham bem noção dos estereótipos vilanescos a evitar e aqueles que deviam enfatizar; já com Maleficient, anos depois, também essa noção me passa como essencial para o sucesso da personagem.). A história de Branca de Neve todo o mundo já conhece, daí que não haja necessidade que eu entre em grandes detalhes.

Branca de Neve (Snow White) é uma bela princesa cujo pai e mãe perecem e ela fica aos cuidados da sua madrasta, a narcisista e egocêntrica Rainha Má (Evil Queen), cuja única preocupação é manter o seu estatuto como mais bela do reino - e a sua beleza é verdadeiramente impressionante. O que muitos não sabem é que a Rainha é também uma brilhante bruxa capaz dos feitiços mais vis e, quando o seu espelho mágico lhe indica que Branca de Neve - entretanto despromovida a mera criada pela malévola madrasta - irá roubar-lhe o título de mais bela, manda o seu Caçador (The Huntsman) assassiná-la e colectar para ela o seu coração como prova do serviço bem prestado. O Caçador, como narra a história, não o consegue fazer e permite que Branca de Neve fuja. Como todo o mundo sabe, a Rainha não desiste e toma medidas pelas suas próprias mãos. Conseguirá alguém salvar Branca de Neve? (olhem para mim a criar suspense) "Someday my prince will come", penso que é isto que precisam de saber. É um conto da fadas da Disney, não é? As coisas não podem acabar mal.

Apesar da história ser tão simples e vá, algo chata, Walt Disney e o seu fantástico grupo de animadores faz maravilhas para melhorar a experiência dos espectadores. Escolhas curiosas como dar nomes de características da personalidade de cada um dos anões, criar comédia física com animais e fazê-lo parecer naturalista e fácil e, acima de tudo, criando um mundo realista parecido com o nosso mas com um aspecto mais etéreo e principesco, onde tudo parece matéria de sonhos, muito bonito e reluzente e mimoso. Um gigante feito para 1937, uma vez mais.

Contudo, Walt Disney não parou aí. Não. Ele originou, dentro deste filme, duas das personagens mais coloridas, deliciosamente teatrais e exageradamente histriónicas que existem no universo Disney. Estou a falar, claro, da Rainha Má e do Zangado, como já tinha referido acima. Duas grandes divas, dois grandes egos, com um genial e crítico sentido de humor.

Like a boss.

A Rainha Má em particular é uma personagem fascinante. Uma entrega de falas e timing de respeito. Um rosto magnificente mas apropriadamente maléfico. Uma voz gélida, de cortar a respiração, poderosa e imperiosa. Adoro que a Disney se tenha permitido a criar uma personagem tão estereotipada e ao mesmo tempo tão indelevelmente real que podia existir no dia-a-dia de cada um de nós e a tenha colocado num filme para crianças. Meninos, vão conhecer gente na vossa vida assim, irremediavelmente má. E a Rainha Má é de facto má. E cruel. E ríspida. E um deleite de ver. Como uma profissional, ela garante um trabalho bem feito. Ela é cool e ela sabe-o.




As melhores caretas alguma vez postas em filme.

Momento de génio:
A poção. "An old hag's cackle. A scream of fright". A thunderbolt. To... mix it well".



Hilariante. O filme? Meh. Mas a Rainha Má? Sim, a sua magia está intocável.


Nota Final:
B+


An Ode to one of the most amazing villains ever


 Este artigo faz parte da minha participação na rubrica do The Film Experience Blog de Nathaniel Rogers, "Hit Me With Your Best Shot", na qual é-nos requerido escolhermos uma imagem icónica do filme em discussão nessa semana e justificar a nossa opinião. Fazemos sempre um duplo artigo, bilingue, com a versão inglesa em primeiro lugar e a tradução no português logo de seguida. O filme desta semana: SNOW WHITE AND THE SEVEN DWARVES (1937), "O" clássico que basicamente define o legado de Walt Disney.

It had been more than ten years since I last watched "Snow White and the Seven Dwarves". When I popped the DVD into the DVD player, I assumed I'd be enchanted, sure, that I'd find this an hour and a half properly charming and delightful like I always do whenever I watch an old Disney movie, but it never occurred in my mind that I would end up liking the movie more than I used to like it back when I was a kid. Granted, I'm not - and I never was - this movie's target audience, given than it's a very feminine movie, a typically girly fairytale but still... It was so much fun! I especially didn't remember how clever and amusing Grumpy and the Evil Queen were!  The only thing that I remember that was the same as it ever was: Snow White and Prince Charming are total duds. Seriously. Nothing to cheer for there.


Nevertheless, the movie more than makes up for our investment in the story of Snow White, a beautiful princess whose father and mother passed away and whose stepmother is an evil hag who happens to have both ravishing beauty (on which she takes the greatest pride) and a terrible hatred towards Snow White (who becomes her stepmother's maid), because she fears one day she'll ask her Magic Mirror who's the fairest of them all and the Mirror will gladly tell her than her beauty has been surpassed by Snow White's. And so, evidently, one day that happens, the Evil Queen loses it and tells her Huntsman to kill the princess. As every single person in the universe knows, the Huntsman can't do it, Snow White runs into the woods and finds a new home with the Seven Dwarves. Evil Queen finds out, gets even crazier and in a deliciously wicked twist of events, decides to desguise herself as a peddler and hand Snow White a poisoned apple. I don't think you need further information on the plot since I'm sure everyone knows how this ends. "Someday my prince will come", et cetera, et cetera... It's a Disney fairytale after all.


Despite the story being this simple and, let's face it, kind of boring, Walt Disney and his fantastic group of animators worked wonders to enliven and improve the audience's experience. Smart choices like naming the Dwarves according to individual characteristics, making physical comedy with animals look easy, and even more than that, enormously funny and, most of all, creating a beautiful world which looks realistic and at the same time swoony and dreamy, which for an animated motion picture in 1937 that asks us to believe in fairytales, is in itself a gigantic feat. 

But Walt Disney didn't stop there. Nope. He created, within this movie, two of the most colourful, campy and larger-than-life characters that Disney has in their universe. I'm talking, of course, about Grumpy and the Evil Queen. Two big divas, with two giant egos and with brilliant, acerbic wit. 

 Like a boss.


The Evil Queen in particular is a fascinating character. Her line delivery is remarkable. Her face is magnificently evil. And her voice, icy and powerful, could slice a person in half. I love that Disney embraced how stereotypical and broad this character should be and allowed such a character to exist in a movie made for kids. The Evil Queen, as her name tells it, is supposed to be EVIL. And Evil she is. And bitchy. And harsh. And fierce. And the most pleasant thing of all: she flaunts it like a pro. She's cool and she knows it.




  She gives THE BEST bitchfaces!
 

My best shot:

In that awesome sequence in which the Evil Queen brews the potion that'll allow her to transform her appearance to look like an old lady (full of genius moments, take a bow Walt Disney!), the Evil Queen puts together an absurdly amusing list of ingredients ("an old hag's cackle", "a scream of fright") and then she delivers the ultimate punchline:

"A thunderbolt. To... mix it well".



Hilarious. And awesome. 

The movie? Feh. But the Evil Queen? Yeah, her magic still remains. Disney should make a movie about its villains. How cool would a movie that unites Ursula ("Little Mermaid"), Lady Tremaine ("Cinderella"), Evil Queen ("Snow White"), Maleficient ("Sleeping Beauty") and Cruella ("101 Dalmatians") be?
 

REALIZADORES/PERSONAGENS DO CINEMA: STEVE MCQUEEN E BOBBY SANDS



Pela primeira vez junto duas das minhas crónicas favoritas numa só. É uma crónica de comemoração, onde presto homenagem a duas das figuras mais brilhantes do cinema em 2011. Sim, a crónica dos Realizadores (em especial essa) serve para homenagear os grandes nomes da realização, é verdade. Nomes com história, com currículo, com filmes suficientes para garantir um lugar entre os melhores e mais marcantes de sempre. Steve McQueen pode não ser ainda tão grande como foram Stanley Kubrick, Alfred Hitchcock, Ingmar Bergman ou Fritz Lang. Mas, verdade seja dita, está numa posição muito privilegiada para fazer parte deste clube de elite.


Quanto a Michael Fassbender, pouco mais há a dizer. Bobby Sands é a mais importante personagem da sua carreira até ao momento (e certamente uma das mais marcantes de todo o seu currículo). Estamos a falar de um actor que conseguiu, em X-Men: First Class, transformar Magneto numa grande personagem. E quando pensamos nisto e olhamos para Bobby Sands, um revolucionário da Irlanda do Norte enclausurado numa prisão sem regras, disposto a morrer pelos seus direitos como prisioneiro político, percebemos a dimensão daquilo que lhe foi posto em mãos.


Estamos a falar de um filme que, a nível técnico, não é tão bem conseguido quanto o foi Shame. Aí, Steve McQueen está melhor. Aprendeu com alguns erros cometidos em Hunger e mostrou uma evolução consistente e admirável. Mas Fassbender mostra porque é que faz as delicias dos amantes do cinema. É uma máquina de representação. A intensidade, a entrega, a concentração, o profissionalismo, actualmente não têm igual. É o melhor actor em actividade. Não sabe fazer mal. Em Hunger, um filme que nos transporta para o inicio da década de 80, altura dos violentos conflitos entre a Irlanda do Norte e a tirana Margaret Thatcher, vivemos o ambiente duro e cruel de uma prisão onde eram calados os presos políticos, os homens que mobilizavam as massas e que, com coragem, desafiavam o sistema e as regras.


É um filme duro. Não se vê com o pacote de pipocas à frente, nem num ambiente festivo. Baseado em factos reais, é uma mensagem sobre a bravura e a coragem de homens que lutaram pelos seus ideais e pelo seu orgulho. Arrojado em todos os aspectos técnicos, com um fantástico take de quase vinte minutos onde Fassbender mostra a sua classe, Hunger foi o primeiro passo de um imberbe Steve McQueen. Com um estilo muito próprio, McQueen é um dos mais promissores realizadores dos nosso dias. E Twelve Years a Slave, esperado para 2013, é já um dos filmes mais aguardados do próximo ano.

Personagens do Cinema - Annie Hall


Dei por mim a pensar que raramente escolho mulheres para fazerem parte desta rubrica. E que a grande parte das escolhidas até este mês (senão todas) foram da exclusiva autoria do Jorge. Por isso, este mês escolho uma mulher. E confesso-vos que a escolha foi difícil. Basta olhar para os melhores filmes do site IMDB.COM (que muitos "críticos" gostam de desprestigiar) e facilmente se percebe a enorme representatividade do sexo masculino no protagonismo desses filmes. É um facto. Por isso demorei-me na escolha. Fácil, seria pegar numa interpretação da Meryl Streep. Mas como já foi bastante dissecada na Maratona Meryl Streep que o Jorge fez no blogue há uns meses, optei por elogiar Woody Allen através daquela que foi a maior musa de toda a sua carreira, num dos mais aclamados e adorados romances da história.


Diane Keaton, em início de carreira, personificou a mulher que fez perder o juízo de um Woody Allen que se confundiu com o comediante Alvy Singer (personagem que encarna neste filme), um homem maduro, divorciado, com uma personalidade complexa (neurótico, obsessivo, impaciente, impulsivo). Todo o filme é marcado pela evolução de uma relação difícil, que se torna difícil pelas constante turbulências que os dois criam, que consomem o coração de Woody Allen. Annie é jovem, livre e com uma personalidade forte. É a típica jovem que, nos anos 70, caminha na dúbia fronteira entre o tradicionalismo e a irreverência. Sabe o que quer e sabe quem procura. E é delicioso todo o texto que se constrói, todas as ideias que se partilham e a forma como Woody Allen transforma uma mulher num marco, e a imortaliza pela sua escrita e pela forma única como nos fala de amor.

Personagens do Cinema - Guido Orefice



"You can lose all your points for any one of three things. One: If you cry. Two: If you ask to see your mother. Three: If you're hungry and ask for a snack! Forget it!"

E depois da ausência do mês passado, está de regresso a mais antiga crónica mensal do Dial P for Popcorn. E para vos falar de uma personagem singular (como todas aquelas que ganham o direito de figurar entre os mais carismáticos da história da sétima arte).

La vita è bella foi um filme que tive a felicidade de ver quando tinha apenas 8 anos. Na altura nada sabia sobre cinema, sobre personagens tocantes, sobre papéis marcantes, sobre argumentos poderosos ou história imortais. Agora continuo a saber pouco mais do que naquela altura, mas olho para trás, para Guido Orefice (Roberto Benigni) e recordo a alegria e a emoção com que o filme me tocou.


La vita è bella é aquele tipo de filmes que um realizador e um actor criam apenas uma vez na vida. Nunca mais Benigni fará algo igual. Ou melhor, até poderá fazê-lo, mas a força com que encarnou a personagem de Guido Orefice e a carga dramática com que carregou La vita è bella, serão impossíveis de apagar da memória daqueles que o reencontram no grande ecrã. O amor de um pai na busca da salvação e do bem estar do seu filho e da sua mulher e o poder demolidor que a guerra e os conflitos bélicos têm na alegria, hamornia e felicidade de uma família, comovem todos os que têm a oportunidade de ver La vita è bella. E a forma como olhamos para o que nos rodeia, para os que nos são mais próximos, acaba por mudar ao fim dos cento e dezasseis minutos do filme.

É por isso que Guido Orefice é uma das mais marcantes e inesquecíveis Personagens do Cinema.

Personagens do Cinema - Travis Bickle


"Thank God for the rain to wash the trash off the sidewalk."

A isto chama-se jogar pelo seguro. Este mês tive algumas dificuldades em encontrar uma Personagem do Cinema, confesso. Por falta de tempo e de paciência, adiei a crónica até aos últimos dias. Mas finalmente consegui encontrar uma personagem incontestável. Travis Bickle é uma das personagens mais replicadas da história do cinema. A sua inesquecível cena com a sua pistola, em frente do espelho será, penso eu, um dos treinos de representação mais clássicos nos workshops de representação (e se não é, devia ser).


Taxi Driver foi o filme que catapultou para a fama, em 1976, Martin Scorsese, Robert De Niro e (uma então inocente) Jodie Foster. Pleno de irreverência, com um argumento duro, trabalhado no risco, sem problemas em tocar nas feridas de uma sociedade em transformação pela chegada de um Novo Mundo, marcado pela modernidade, pela emancipação das mulheres, pela deterioração do papel do homem na sociedade, fragilizado pela Guerra do Vietname, que deixa escapar de forma natural o seu estatuto na família e o seu poder sobre o sexo feminino.


É nesta sociedade em remodelação, em crescimento, em descoberta, que Travis Bickle é lançado, depois de uma traumatizante experiência no Vietname. Arrisca um emprego como taxista e cedo percebe que a noite é um ambiente hostil. É na sequência destes acontecimentos, da necessidade de se proteger (para sobreviver), que aparece a épica cena em que Travis enfrenta a sua imagem no espelho e treina a sua pose para intimidar os criminosos. É uma personagem dúbia, uma personagem intrigante, que se vai revelando ao espectador, como se o mesmo estivesse junto de De Niro e ganhasse a oportunidade de o conhecer melhor. É a grande obra-prima de Scorcese e o início de uma carreira de sonho. Com um Robert De Niro de nível olímpico. Travis Bickle é uma meritória Personagem do Cinema.

PERSONAGENS DO CINEMA - THE TRAMP/CHARLOT




"A day without laughter is a day wasted."


É o regresso da crónica mensal Personagens do Cinema ao Dial P for Popcorn. The Tramp, ou Charlot como sempre me habituei a conhecê-lo, é uma das personagens mais marcantes, simbólicas e eternas da história do cinema. Charlie Chaplin, um ser sem igual, com uma inteligência, um humor, uma originalidade tocantes, transformou-se num ídolo de todas as idades e de todos os tempos.


Charlot será, certamente, a sua personagem mais conhecida. Um perfeito anti-herói, retirado dos clássicos russos e adaptado à sociedade do princípio do século XX, foi o ponto de partida para diferentes histórias, que sempre juntaram o amor platónico, o humor de circunstância e as crises sociais de então, de uma forma bela e harmoniosa. Nos filmes de Charlie Chaplin, tudo acontece de uma forma natural, gradual, sem previsibilidade. Os gestos, os trejeitos, o manejar de uma bengala lendária e o eterno cumprimento com o seu característico chapéu, fazem de Charlot uma figura transversal a todas as gerações e aos amantes de todos os géneros cinematográficos.


Modern Times (o meu favorito), City Lights, The Gold Rush, The Circus e inúmeras curtas metragens, são relatos fantásticos da genialidade de um realizador, escritor, produtor e actor que me recuse a comparar com outros. Charlie Chaplin está no ponto mais alto da história do cinema. E recordá-lo é sempre um prazer.

Especial Animação: Personagens do Cinema - Totoro

A acompanhar os sete artigos dos nossos convidados para a nossa Semana de Apreciação à Animação, vamos ter outros artigos especiais dedicados ao tema, que se debruçarão sobre diversos componentes que fazem da animação dos géneros mais excitantes do cinema contemporâneo. Hoje é um dia dedicado aos Estúdios Ghibli, da rica animação japonesa e, como tal, vamos ter alguns artigos dedicados aos fantásticos filmes que nos proporcionaram.


Uma das personagens mais inesquecíveis, o espírito Totoro, do filme "My Neighbor Totoro" de Hayao Miyazaki, veio a tornar-se um dos seres animados mais adorados pelo mundo inteiro (a ponto de no Japão se fazer fortunas com a merchandising baseada no tão popular ser) e seguramente isso não se deverá apenas ao seu aspecto redondo e fofinho - tipo peluche - mas também à sua enorme e contagiante alegria, ao seu grande carisma e à forma enternecedora como estabelece amizade com as duas crianças.

O contributo das palavras cheias de inteligência e elegância de Miyazaki também é grande no estabelecimento de Totoro como um animal de estimação, um companheiro de sonho. "My Neighbor Totoro" é uma viagem excitante à nossa infância, onde a magia, a emoção, a aventura e, claro, a imaginação à solta estavam sempre presentes, onde fantasmas, dragões, fadas, bruxas, feiticeiros, todos ganhavam vida. Totoro é a representação da inocência, da pureza e deste olhar diferente sobre a vida que todos temos escondido dentro de nós. E todos estes sentimentos e características estão mais do que nunca presentes no ente que Totoro personifica. 

 
Mágico, admirável, inocente e afável, contudo esquecendo a sua mais que profunda humanidade, Totoro é das personagens mais queridas de sempre do mundo do cinema, uma das maiores e melhores fantasias infantis para sempre capturadas em filme. Quem nunca viu não sabe o que perde. "My Neighbor Totoro" é uma viagem alucinante ao melhor e mais primitivo de nós. São duas horas que vale a pena perder à procura do senso de nostalgia inerente de situações evocativas da nossa infância, do nosso passado que já lá vai. E o melhor é que para voltarmos a este mundo perdido no tempo basta só reintroduzirmos o DVD e deixarmo-nos levar. Outra vez. Totoro está à nossa espera.


Personagens do Cinema - Especial Aniversário

O Dial P for Popcorn comemora hoje o seu primeiro aniversário! Numa retrospectiva daquilo que foi o nosso primeiro ano, recordo hoje cada uma das Personagens do Cinema que fizeram a história, não só do cinema, mas também deste primeiro ano de actividade. Uma despedida para férias, com regresso marcado para Setembro.




















Olhando para trás, são muitas as personagens por nós escolhidas. A que mais sucesso teve (e que semanalmente, ainda hoje, é a crónica mais lida de todo o blogue) foi a crónica do Harry Potter. Um repetente, Javier Bardem, resultado da minha enorme admiração pela forma intensa e carismática como interpreta cada uma das personagens, deixando um cunho pessoal muito forte em cada um dos filmes e personagens que representa.

De entre todas, torna-se difícil escolher uma favorita. Com dificuldade, escolheria Jack Torrance (Jack Nicholson) e Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) como as crónicas que mais prazer me deram a escrever e, provavelmente, as minhas favoritas de entre este conjunto de fantásticas interpretações. São dois dos melhores actores de sempre e conceberam, com estas personagens, duas interpretações memoráveis e inesquecíveis na história do cinema.

Por fim, penso que foi feita uma merecida homenagem a Christian Bale, que com uma entrega pessoal sobre-humana em Trevor Reznik, foi o escolhido para iniciar esta série de crónicas, que prometem regressar em Setembro com mais interpretações marcantes, merecedoras de pertencer a esta elenco de luxo que vai sendo construído, aos poucos, neste espaço onde a pipoca é o ponto de partida para a aventura do cinema.

Personagens do Cinema - Ernesto Che Guevara


“It's a sad thing not to have friends, but it is even sadder not to have enemies.”


Uma interpretação emocionante, das mais surpreendentes e aterradoras da década passada, é a eleita para a minha crónica das Personagens do Cinema do mês de Maio. (Tanto eu como o Jorge voltamos a estar afogados em exames e trabalho da Faculdade e o blogue vai acabar por sofrer um pouco com isso. No entanto, continuaremos, o mais assiduamente possível, por aqui.)



A monumental Biopic que Benicio del Toro (um dos meus actores favoritos, dentro da sua geração) e Soderbergh construíram, rapidamente ocupou o seu lugar entre os destaques do ano de 2008 e, sem surpresas, instalou a polémica que desde sempre se associou à figura de Guevara. Não fossem os Estados Unidos a capital da distribuição mundial do cinema mainstream e talvez o papel deslumbrante que Del Toro interpreta neste longo filme tivesse um reconhecimento popular digno do seu assombro trabalho.


Num argumento que demorou vários anos a preparar, com uma investigação minuciosa por parte do próprio Benicio del Toro (e depois de Terrence Malick ter abandonado o projecto na sua fase mais precoce), Soderbergh orientou a criação do mais real documentário sobre os anos mais importantes da vida do lendário guerrilheiro argentino. Devido à dimensão de um argumento trabalho ao mais ínfimo pormenor, a divisão do filme em duas partes revelou-se uma decisão acertada, não só para a exploração cinematográfica das cenas mais marcantes da vida de Ernesto Guevara, como também para uma melhor receptividade do público em geral.


A sua interpretação em Che, valeu a Benicio Del Toro o prémio de Melhor Actor no Festival de Cannes em 2008, o ponto alto de uma carreira marcada por interpretações que demonstram um valor único, mas que rapidamente são apagadas com papéis medíocres em filmes que não se dignam a esse nome. Na personagem da sua vida, no papel para o qual nasceu, Benicio subiu ao patamar dos melhores. E é por isso que está entre as Personagens do Cinema.