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DIAL P FOR POPCORN

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Revisão da Década: Melhores Actrizes da Década (2000-2009)

Estes três artigos seguidos fazem parte da minha Revisão da Década em Cinema, que comecei no meu antigo blogue "O Mundo Está Perdido" e retomei aqui no "Dial P For Popcorn". Por uma questão meramente prática, decidi passá-los para este blogue também e deste modo reabrir esta discussão.


São 50 interpretações, também podem ser papéis secundários ou principais, o que interessa é a sua qualidade. A verde estão marcadas as interpretações que estão nas fotos.


Aqui vos deixo ficar as minhas 50 performances femininas preferidas desta década:



Amy Adams, Junebug
Anne Hathaway, Rachel Getting Married
Annette Bening, Being Julia
Audrey Tautou, Amélie
Björk, Dancer in the Dark
Carey Mulligan, An Education
Cate Blanchett, I’m Not There
Cate Blanchett, The Aviator
Diane Lane, Unfaithful
Ellen Burstyn, Requiem for a Dream
Evan Rachel Wood, Thirteen
Holly Hunter, Thirteen


Imelda Stauton, Vera Drake
Isabelle Huppert, The Piano Teacher
Joan Allen, The Upside of Anger
Judi Dench, Notes on a Scandal
Julia Roberts, Erin Brokovich


Julianne Moore, Far From Heaven
Julianne Moore, The Hours
Julie Christie, Away From Her
Julie Delpy, Before Sunset
Kate Winslet, Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Keira Knightley, Pride and Prejudice
Kristin Scott-Thomas, Il y a Longtemps que Je t’Aime
Laura Dern, Inland Empire


Laura Linney, The Savages
Laura Linney, You Can Count on Me
Maggie Gylenhaal, Sherrybaby
Maria Bello, A History of Violence
Melissa Leo, Frozen River
Meryl Streep, Adaptation

Meryl Streep, The Devil Wears Prada
Michelle Williams, Wendy and Lucy
Mo’Nique, Precious
Naomi Watts, Mulholland Dr.
Nicole Kidman, Birth
Nicole Kidman, Moulin Rouge!
Nicole Kidman, The Others
Patricia Clarkson, Far From Heaven
Penélope Cruz, Vicky Cristina Barcelona
Penélope Cruz, Volver
Rachel Weisz, The Constant Gardener



Reese Witherspoon, Walk the Line
Sally Hawkins, Happy-Go-Lucky
Samantha Morton, Movern Callar
Tilda Swinton, Julia
Tilda Swinton, Michael Clayton




Uma Thurman, Kill Bill Vol.1 e 2
Virginia Madsen, Sideways



E as minhas 10 favoritas interpretações são (destas 10, 5-8 são sólidas e não mudam, em princípio; as últimas duas/três são as que estão mais sujeitas a variações, ):

1. Julianne Moore, Far From Heaven
2. Nicole Kidman, Moulin Rouge!
3. Kate Winslet, Eternal Sunshine of the Spotless Mind
4. Meryl Streep, The Devil Wears Prada
5. Uma Thurman, Kill Bill Vol. 1 e 2
6. Tilda Swinton, Julia
7. Isabelle Huppert, The Piano Teacher
8. Björk, Dancer in the Dark
9. Imelda Stauton, Vera Drake
10. Naomi Watts, Mulholland Dr.



E para vocês, quais são as melhores interpretações femininas da década?

O Cinema Numa Cena

Aqui está o regresso de uma das rubricas semanais mas queridas aqui no Dial P for Popcorn - "O Cinema Numa Cena" tenta mostrar as nuances de uma interpretação fora-de-série numa cena pivotal do seu filme.


Da última vez que tínhamos realizado esta rubrica, tínhamo-nos focado em Anthony Hopkins em "The Silence of the Lambs". Desta vez e porque ainda no post anterior falámos do ano de 2008, pareceu-me bem concentrar a nossa atenção numa das interpretações mais aplaudidas desse ano - e meritória (e óbvia) vencedora do Óscar de Melhor Actriz Secundária. Falo, pois claro, de Penélope Cruz na jóia de filme que é "Vicky Cristina Barcelona", uma semi-obra prima moderna de Woody Allen, muito próximo do valor do seu trabalho de tempos mais áureos (anos 80).


Além de ser pura e simplesmente uma interpretação fenomenal de uma actriz que, até dois anos antes ("Volver"), vinha passando despercebida do grande público apesar de muito elogiada em Espanha (devido a filmes como "Jamón, Jamón" e "Belle Époque"), antes de Pedro Almodovar ter feito dela a sua maior musa, esta é também uma das personagens mais fascinantes da filmografia de Woody Allen (e isto quer dizer alguma coisa, se pensarmos nas fascinantes personagens que vários filmes seus - "Annie Hall", "Manhattan", "Husbands and Wives", "Bullets Over Broadway", "Hannah and Her Sisters", "The Purple Rose of Cairo", entre outros - possuem).


Para que se veja, o filme dura cerca de duas horas, Penélope / Maria Elena só aparece em cerca de vinte, trinta minutos. Quando ela nos surge pela primeira vez, já o filme roda há mais de uma hora, é como se de amor à primeira vista se tratasse. Ela é mencionada várias vezes antes, através das descrições do seu ex-marido Juan Antonio (Bardem) e das suas conversas com Vicky (Hall) e Cristina (Johansson): já sabemos como ela é, já sabemos como ela fala, já sabemos o efeito que tem nas pessoas, mas aquele vislumbre e as primeiras impressões que tiramos da pessoa não são nada comparadas com a realidade.

Penélope Cruz faz questão de tornar a sua Maria Elena incandescente, explosiva, com pavio curto, resmungona, respondona, irritadiça, excêntrica, entusiasmante, apaixonada e apaixonante, com uma força e uma vontade irrepreensíveis, tudo isto demonstrado com apenas algumas cenas e em vinte minutos de tempo de ecrã. É para que se veja a dimensão em que a sua presença domina todo o filme. Não tenham dúvidas, ela é que é a estrela do filme. Mesmo que não se perceba tudo o que ela diz literalmente, a alma, o espírito, as emoções dela, dizem tudo. É uma interpretação sensacional.

Deixo-vos em seguida as melhores cenas dela no filme:

Retrospectiva Óscares: 2006

Como sabem, a rubrica semanal "Retrospectiva dos Óscares" vai servir para fazer um pequeno balanço das cerimónias, do ano mais recente (2009) para trás, avaliando os seus pontos bons e as coisas mais fracas. Esta semana pegamos em 2006, portanto na cerimónia que teve lugar a 25 de Fevereiro de 2007.


2006

A Surpresa: a surpresa, essa, foi mesmo nos nomeados. Filmes de grande nome que foram deixados de fora da luta pela maioria das categorias, como "The Painted Veil" e "The Fountain", um dos favoritos dos críticos "Bobby" e um dos favoritos do público, o filme de estreia de Reitman, "Thank You For Smoking", todos foram ignorados. O choque foi mesmo no aparecimento, no dia do anúncio dos nomeados, de "Letters from Iwo Jima" na lista dos cinco candidatos a Melhor Filme, enquanto um filme que era tido como certo, "Dreamgirls", não constava (situação algo semelhante à de "The Dark Knight" em 2008). Além disso, muitas outras surpresas apareceram noutras categorias - a que mais me apetece relevar é a ausência de "Volver" para Melhor Filme Estrangeiro, que até hoje não consigo entender.


A Inclusão / A Exclusão: parece-me claramente que a inclusão mais significativa foi aquela que eu referi já acima, com "Letters from Iwo Jima", o filme complementar a "Flags of Our Fathers" do ano anterior, realizados ambos por Clint Eastwood, que não era suposto ter surgido na corrida, sendo falado maioritariamente em língua estrangeira e, apesar da crítica ter gostado bem mais deste do que do predecessor, os prémios que antecederam os Óscares não lhe tinham sido favoráveis, daí que foi com algum choque que as pessoas encararam a sua nomeação sobre um dos favoritos, "Dreamgirls", que tinha ganho vários prémios e conseguiu, mesmo assim, 8 nomeações e 2 vitórias.


A Vitória Mais Merecida: não há como fugir a isto: todo o mundo ficou satisfeito de ver finalmente Martin Scorcese levantar o troféu de Melhor Realizador. Para tal circunstância, até os produtores do evento trouxeram a cavalaria pesada para apresentar o momento: George Lucas, Steven Spielberg e Francis Ford Coppola vieram entregar o prémio ao amigo. E se muita gente acha que talvez não tenha sido o filme pelo qual ele mais merecia (alguns acham que devia ter ganho em 2004 por "The Aviator", quando Eastwood lhe roubou o prémio por "Million Dollar Baby", alguns até mais cedo... é capaz de ser, com o terceiro (futuramente, espero eu) de Meryl Streep, o Óscar mais devido de sempre) toda a gente concorda: it's about time!

A Vitória Mais Surpreendente: a maioria das categorias estavam decididas desde o início da corrida a sério aos Óscares, mas não há como entender como é que "Cars", sendo ainda assim um dos filmes mais fracos da Pixar, tenha perdido o Óscar para "Happy Feet" depois de ter ganho todos os precursores. Mas o filme sobre os pinguins dançantes lá conseguiu.

A Vitória Mais Significativa: a Academia podia ter escolhido outro vencedor, mas o facto que ela escolheu "An Inconvenient Truth" de Guggenheim, estrelado por Al Gore, simboliza qual a posição que toma no duelo Bush-Gore e, acima de tudo, funciona como um passo em frente dado pela indústria na luta por um meio ambiente melhor, como Gore bem frisou no discurso.


A Categoria Mais Renhida: se formos a ver as categorias com melhor qualidade de nomeados, essas serão a de Fotografia e a de Actriz. Helen Mirren tinha que ganhar (sabíamos disso desde o início) mas isso não invalida que ela seja, na minha opinião, a mais fraca das cinco nomeadas, pois na categoria estava uma impecável Kate Winslet em "Little Children", uma extraordinária Judi Dench em "Notes on a Scandal", uma transcendente Penélope Cruz em "Volver" e uma lendária Meryl Streep em "The Devil Wears Prada". Na de fotografia, excluindo talvez "The Black Dahlia", temos também quatro belíssimos nomeados: Pfister por "The Prestige", Lubezki por "Children of Men", Pope por "The Illusionist" e o vencedor, Navarro por "Pan's Labirynth". Se pegarmos na categoria mais renhida propriamente dita, essa é a de Actor Secundário, que falaremos mais abaixo em O Duelo da Noite.

A Desgraça: que esta semana também é O Pesadelo, pois não há assim grande coisa com que discorde, foi para mim a categoria de Melhor Filme Animado. Horrorosa. E é o melhor que lhe posso chamar. Dois filmes fraquíssimos ("Cars" e "Happy Feet") de estúdios com ofertas tipicamente mais interessantes, com a agravante da ausência da Walt Disney Pictures da corrida, nomeado normalmente certo e com o melhor filme, "Monster House", a não ser sequer tido em conta na corrida. Ganhou "Happy Feet", o que piora ainda mais a situação.


O Desnecessário e O Imerecido: não há assim nada que seja propriamente imerecido mas um segundo Óscar a Gustavo Santaolalla, à 2ª nomeação, mesmo que seja até compreensível, soa a algo desnecessário, se considerarmos que temos na categoria quatro outros nomeados extraordinários (Desplat, Navarrete, Glass e Newman) sem vitórias ainda. Também podemos falar da vitória de "The Departed" em Melhor Argumento Adaptado que, sem dúvida correcta, podia ter ido para "Borat", premiando a originalidade louca de Sascha Baron Cohen e companhia.

O Duelo da Noite: há dois com algum significado. O primeiro, Melhor Filme Animado, já foi falado acima, com "Happy Feet" a surpreender e a sobrepor-se a "Cars" na luta pelo prémio mais cobiçado (ficou "Cars" com a consolação de uma grande receita de bilheteira, a aclamação nos Annie Awards e mais prestígio para a Pixar). O segundo teve lugar na categoria de Melhor Actor Secundário. Eddie Murphy ("Dreamgirls") limpou uma boa parte dos prémios, deixando o resto maioritariamente para Alan Arkin ("Little Miss Sunshine"), tornando-se os dois candidatos principais à estatueta. Murphy tinha, à partida, a vantagem, mas o momento era todo de Arkin, que muitos pensavam já merecer ter ganho um Óscar. E na hora da verdade, foi mesmo o veterano que triunfou. Consolação para Murphy? Não houve nenhuma, a não ser que contemos as 2 vitórias de "Dreamgirls", incluindo uma para a colega Jennifer Hudson como Actriz Secundária.


Crítica Final: Uma boa noite em termos de vencedores (os quatro vencedores como Actores não são as minhas escolhas pessoais - essas seriam Streep, Gosling, Sheen e Blanchett - mas tendo em conta os nomeados e tendo em conta como foi a corrida para a cerimónia, agradeço aos Céus terem sido estes), interessante apresentador, uma cerimónia algo aborrecida, com o declínio agravado que se sabe dos últimos anos. Nota: B


Pessoas da Década: Pedro Almodovar

Bem-vindos a uma das rubricas semanais do Dial P for Popcorn, a ter lugar todas as terças-feiras. Nesta rubrica vamos discutir as pessoas que se tornaram (ou que continuaram a ser) grandes nomes na década de 2000, sejam actores, realizadores, compositores, fotógrafos, entre outros.

A escolha desta semana não foi, na minha cabeça, consensual. A ideia inicial que tinha era de falar sobre um realizador. E, depois de analisar, cheguei à conclusão que existiam uns 20-25 realizadores de que queria falar nesta rubrica. E decidi que não podia falar de mais realizadores esta década sem pegar neste (até porque no blogue já falámos bastante de outras três escolhas minhas, Nolan, von Trier e Tarantino, daí que estes hão-de surgir nesta rubrica mais tarde). Então esta semana pegamos em...



Pedro Almodovar

O realizador espanhol de 61 anos é tão sobejamente conhecido do mundo do cinema que dispensa qualquer tipo de apresentações. Atingida a notoriedade nos anos 80 (destacando-se pela sua forma diferente de fazer cinema e pela sua aproximação bastante singular à caracterização das personagens), chegou ao expoente máximo esta década passada, com vários êxitos sucessivos. Eu diria que já possui uma ou duas obras-primas no seu currículo, sendo que para mim (a opinião dos amantes de Almodovar divide-se bastante em quais são os seus melhores filmes) é Hable con Ella (2002) e Todo Sobre Mí Madre (1999), com La Mala Educación (2004) um distante terceiro.


Esta década, Almodovar realizou quatro filmes: Hable con Ella em 2002, La Mala Educación em 2004, Volver em 2006 e Los Abrazos Rotos em 2009, todos sucessos com méritos próprios. Os últimos dois contaram com a sua mais famosa colaboradora, Penélope Cruz, que apareceu em toda a sua glória, juntando estas duas excelentes interpretações às outras duas que teve neste ciclo (2006-2009) de absoluta excelência (em Nine e em Vicky Cristina Barcelona). Curiosamente, parece que as autoridades culturais do seu próprio país não concordam, tendo excluído três dos seus quatro filmes esta década (depois da nomeação de Mujeres Al Borde de un Ataque de Nervios em 1989 e de Todo Sobre Mí Madre ganhar o Óscar em 2000) da candidatura espanhola ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro por três vezes (a reacção da Academia a Hable con Ella foi uma valente chapada na cara dos espanhóis, pois nomearam-no para Melhor Realizador e deram-lhe a vitória por Melhor Argumento Original; em 2004, a Espanha é que viria a ter razão, com Mar Adentro a vencer o prémio - se bem que eu considero La Mala Educación um filme superior; em 2006, a Espanha submeteu Volver, mas não foi nomeado; em 2009 ignoraram Los Abrazos Rotos, que seria provavelmente nomeado). Próximo projecto: nova colaboração com Antonio Banderas (depois de La Ley del Deseo em 1987), em La Piel Que Habito (2011).


Falando só um pouco dos filmes e do que mais gostei deles... Em Hable con Ella ele pega num tema pesado, complicado de lidar e forma uma história simultaneamente tão dramática quanto enternecedora, aliando quatro histórias de vidas solitárias e compelindo-nos a emocionar-nos com ele e com elas. La Mala Educación parece de facto ter algo de autobiográfico, mas este fag noir tão Almodovariano é mais do que isso: é toda uma experiência deliciosa, de nos fascinar por entre o mistério e a beleza. Volver traz-nos Penélope Cruz em toda a sua exuberância, numa interpretação das melhores que vi esta década, num filme que alia a realidade ao sobrenatural, a morte à vida, de forma tão sublime e que é, acima de tudo, uma homenagem às mulheres da vida do realizador, como ele muito bem o definiu. Los Abrazos Rotos é a sua obra mais recente. Cruz de novo extraordinária, emanando uma sensualidade que lhe era reconhecida mas até então nunca bem explorada. Sendo o filme mais pobre da sua filmografia esta década, é no entanto o mais voluptuoso, o que proporciona a maior experiência visual (há que ressalvar aqui o papel fundamental da banda sonora de Alberto Iglesias, companheiro de trabalho de longa data de Almodovar - e da fotografia de Rodrigo Prieto, cujos outros trabalhos incluem Babel, Brokeback Mountain, Amores Perros, 21 Grams, Lust Caution, Frida...).

A coisa que mais adoro em Almodovar? Adoro sobretudo a forma bastante diferente que cada um tem de reagir aos filmes dele. Almodovar é um génio sem par, um provocador por natureza. E conseguir desempenhos tão espectaculares como ele consegue de todo um elenco só é possível quando se é grande. E ter um argumento tão bem detalhado, tão intrinsecamente explorando os traços de personalidade de todas as personagens, só está ao alcance dos melhores. Ter então seis, sete argumentos assim, só um predestinado. Almodovar é esse predestinado. E o mundo está melhor por tê-lo. 

Deixo só ficar o teaser trailer de "Los Abrazos Rotos" que eu acho que define muito bem o que é a experiência de ver um filme de Almodovar: