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DIAL P FOR POPCORN

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LOS AMANTES PASAJEROS (2013)


Pedro Almodóvar é um dos meus argumentistas de eleição. Depois da assombrosa história de "La piel que habito", de 2011, o realizador espanhol decidiu voltar ao seu estilo característico, que notabilizou o princípio da sua carreira como criador de comédias simples, de um estilo barato, brejeiro e invulgarmente popular. Ainda hoje  "¿Qué he hecho yo para merecer esto!!", de 1984, e "Mujeres al borde de un ataque de nervios", de 1988, são duas das minhas comédias favoritas. 


Mas em Los Amantes Pasajeros foi, talvez, longe demais. Não é fácil caricaturar rótulos, ainda para mais quando falamos de temas tão controversos como a homossexualidade, o sexo, as dependências e os tabus sociais. Meter tudo isto na classe executiva de um avião com destino à Cidade do México e, no final, construir um filme de sucesso, não era tarefa fácil. A reacção na sala de cinema foi positiva (felizmente o novo filme de Tom Cruise tem permitido algum sossego nas restantes salas de cinema) mas acredito que para alguns espectadores, Almodóvar tenha cometido alguns exageros. Eu próprio, que gostei bastante do filme, ao reflectir um pouco no final, penso que o tema da homossexualidade sai ligeiramente denegrido de um filme que, me parece, tinha como propósito libertar mentes e quebrar complexos, no mais informal Almodóvar dos últimos anos.


Num ambiente relaxado, com as caras mais conhecidas dos seus filmes, o espectador atento e interessado, há muito convencido pelo espanhol e disposto a entrar na brincadeira de Almodóvar, não dará pelo tempo passar. A viagem é rápida, divertida e animada. Tem, pelo meio, um minuto de filme verdadeiramente louco (onde a sala de cinema emudeceu perante o choque e a ousadia das cenas) e termina de forma alegre com um tema muito bem escolhido do mais recente álbum da banda inglesa Metronomy. Uma cartada de mestre, a deixar bem claro que, mesmo a brincar, Almodóvar sabe o que está a fazer.


Nota Final 
B+ 
(8/10)


Trailer


Informação Adicional
Realização: Pedro Almodóvar
Argumento: Pedro Almodóvar
Ano: 2013
Duração: 90 minutos

LA PIEL QUE HABITO (2011)


"The things the love of a mad man can do"

Há, para mim, poucos prazeres na vida e no cinema, que se equiparem ao prazer de ver um filme de Almodóvar. Mesmo aqueles de que não gostei (porque a história me pareceu mal preparada e às vezes incoerente), se tornam diferentes dos demais, pela marca pessoal a partir da qual Almodóvar define as suas longas-metragens, e que o tornaram um realizador, para muitos, de culto.


E La Piel Que Habito é seguramente o seu melhor filme desde os tempos áureos de Hablé con ella e Todo sobre mi madre, com um dos argumentos mais arriscados, delicados e controversos da sua carreira. Os elogios à pelicula são naturais e compreensíveis, e tornam-se ainda mais claros quando temos a oportunidade de ver o filme.



Robert Ledgard (Antonio Banderas) é um bem sucedido cirurgião plástico, especializado em cirurgias de redesignação sexual, que vive uma vida solitária, soturna e melancólica, ensombrado por um passado doloroso, marcado pela perda da sua esposa e da sua filha. Na sua gigantesca mansão, onde gasta grande parte das suas horas em pesquisas laboratoriais e onde, inclusivamente, se dá ao luxo de poder realizar operações plásticas, Robert controla com especial interesse a evolução de Vera Cruz (Elena Anaya), uma paciente que passa os dias entregue à solidão, à leitura e ao yoga. Sem contacto directo com nenhum dos empregados da casa (de onde se destaca, Marilia (Marisa Paredes), a mordoma com quem apenas fala por intercomunicador e que lhe satisfaz todos os caprichos), Vera é uma personagem misteriosa e o grande quebra-cabeças de todo o filme.


A história, que nos vai sendo contada de uma forma gradual, com visitas ao passado e regressos ao presente, é como um novelo que se desenrola lentamente e nos permite perceber o porquê da solidão, mágoa e dor que se vive na casa e na vida de Robert. É um filme brilhante, com uma banda sonora envolvente, uma fotografia que se destaca, não pela beleza das fotografias, mas pelo envolvimento natural e coerente com a atmosfera do filme. Tudo em La Piel Que Habito foi pensado, amadurecido, melhorado e aperfeiçoado. É Pedro Almodóvar no seu melhor.

Nota Final:
A-


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Pedro Almodóvar
Argumento: Obra de Thierry Jonquet, adaptada por Pedro Almodóvar
Ano: 2011
Duração: 117 minutos