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DIAL P FOR POPCORN

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OS MELHORES DE 2012, por João Samuel Neves

Numa lista um pouco condicionada por alguns filmes que ainda não tive oportunidade de ver porque apenas vão estrear em Portugal nas próximas semanas (casos de Mud, The Hunt e de No, que aguardo com enorme expectativa), aqui vai a lista completa dos meus filmes, realizador, argumento e actores favoritos em 2012!

 Os Melhores de 2012


Melhor Filme - Amour, de Michael Haneke

2.º - Django Unchained, de Quentin Tarantino

3.º - The Master, de Paul Thomas Anderson

4.º - Moonrise Kingdom, de Wes Anderson

5.º - Argo, de Ben Affleck

6.º - Tabu, de Miguel Gomes

7.º - Searching for Sugarman, de Malik Bendjelloul

8.º - The Imposter, de Bart Layton

9.ºSilver Linings Playbook, de David O. Russell

10.º - Les Misérables, de Tom Hooper



Melhor Realizador - Wes Anderson por Moonrise Kingdom



Melhor Argumento - Quentin Tarantino por Django Unchained



Melhor Actor - Joaquin Phoenix, em The Master



Melhor ActrizEmmanuelle Riva, em Amour

MELHOR ACTOR 2012

Começo hoje a divulgação daqueles que foram os meus favoritos desta Temporada que agora termina. A poucos dias dos Oscars, aqui ficarão, até ao próximo sábado, os Melhores de 2012.


E o prémio de Melhor Actor de 2012 não vai para Daniel Day-Lewis no papel de Lincoln. Aliás, é este o maior elogio que se pode fazer à monstruosa e intemporal interpretação de Joaquin Phoenix em The Master: É, a grande distância e sem contestação, o Melhor, num ano em que Day-Lewis foi novamente fenomenal. Interpretando o papel de um ex-soldado, Freddie Quell é um exemplo de livro sobre os efeitos traumáticos de uma Grande Guerra. Alcoólico, Psicótico, Paranóico e Ninfomaníaco. Um homem completamente perdido, a viver de forma intensa e irracional todos os momentos, que busca uma voz de comando. Uma assombrosa interpretação.

E, ao que tudo indica, o Oscar de Melhor Actor Principal cairá para Day-Lewis.

O MELHOR DE 2011 - OS FILMES

Em 2011, o cinema foi insípido. Passei todo o ano à espera do filme que me arrebatasse (tal como, em 2010, me aconteceu com o Biutiful e o I Saw the Devil) e acabei por ficar desiludido. Houve bons filmes, como sempre, mas nenhum recebeu a minha pontuação máxima. Daí que, este ano, tenha optado por fazer uma selecção mais simples com apenas 10 filmes (ao contrário do ano passado, onde facilmente consegui um grande grupo de 20 filmes). Encerro o Ano de 2011 com a certeza de que 2012 será melhor. Enquanto os novos filmes não chegam, aqui vos deixo as minhas escolhas para Melhores Filmes de 2011:



1.º Beginners





2.º Tinker Tailor Soldier Spy




3.º Shame


4.º Take Shelter

5.º Tyrannosaur

6.º A Separation

7.º Melancholia

8.º Drive

9.º The Muppets

10.º The Artist












O MELHOR DE 2011 - PRÉMIOS INDIVIDUAIS

O meu atraso na publicação destas listas é justificável. Tal como no ano passado, optei por fazer uma reunião tendo por base o ano em que os filmes aparecem identificados no site IMDb. Sendo assim, e como alguns dos melhores filmes do ano só estreiam em Portugal na altura dos Oscars, as minhas listas surgem um pouco mais tarde.

Pela primeira vez, arrisco-me nos prémios individuas (A lista com os Melhores Filmes será publicada amanhã.). De forma tímida, apenas com cinco categorias. Há sempre filmes que não tenho oportunidade de ver e não gosto de ser injusto. Mas penso que fiz uma escolha séria e ponderada e que aqui estão realmente aqueles que, para mim, foram os melhores em 2011. Pode ser que em 2012, com mais experiência (tanto cinematográfica como blogosférica, me consiga atrever a algo mais arrojado como são, por exemplo, os Dial A for Awards do Jorge. Posto isto, os vencedores de 2011 são:


Melhor Actor: Michael Shannon (Take Shelter)






Melhor Actriz: Meryl Streep (Iron Lady)






Melhor Realizador: Steve McQueen (Shame)






Revelação Masculina do Ano: Michael Fassbender (Shame, A Dangerous Method, X-Men: First Class)






Revelação Feminina do Ano: Jessica Chastain (Take Shelter, The Tree of Life, The Help)


INCENDIES (2010)

Aproveitando a Estreia Nacional de um dos Melhores Filmes de 2010, decidi recuperar a crónica que escrevi, há uns meses atrás, sobre Incendies, o nosso Filme da Semana.




"Dead is never the end of history"


Um dos meus filmes favoritos de 2010 merece, aqui, todos os meus elogios. É uma história criada com criatividade e ambição. Misturar temas tão controversos com aqueles que sustentam o argumento de Incendies, não é fácil e demonstra uma grande coragem por parte de toda a equipa que imaginou, criou e produziu este filme.



Tudo começa com a morte de Nawal Marwan (Lubna Azabal). Na leitura do seu testamento, os seus filhos gémeos Jeanne (Mélissa Désormeaux-Poulin) e Simon (Maxim Gaudette), são confrontados com uma dupla surpresa: Jeanne deverá entregar uma carta ao seu pai, que ambos julgavam falecido, e Simon deverá entregar uma carta ao seu irmão, do qual ambos nunca tinham ouvido falar.


Encarando aquele como apenas mais uma ideia lunática da sua mãe, Simon recusa-se a cumprir o último desejo da sua mãe. Apenas Jeanne aceita o desafio. Com base numa fotografia muito antiga da sua mãe e, graças ao auxílio do seu professor de matemática, parte em direcção ao médio oriente, local onde a sua mãe nasceu e cresceu, e onde uma dura e inesperada verdade a espera.
Ao mesmo tempo, vai-nos sendo contada a história da vida de Nawal Marwan. Uma mulher de ideais fortes, de uma coragem inabalável, que luta contra as su as adversidades, contra a injustiça enraizada na sua sociedade e que está decidida a encontrar o seu filho, que se vira forçado a abandonar enquanto jovem, devido a uma paixão proibida que desgraçara a sua vida e a sua família.


Numa edição perfeita, em que três tempos cinematográficos se misturam e envolvem com mestria e intenção, é nos contada esta apaixonante história, que nos prende às suas personagens, aos seus sentimentos e às suas vivências. Com uma banda sonora de apenas três músicas, nunca Radiohead se encaixou tão bem num filme.


Nota Final:
A-



Trailer:





Informação Adicional:
Realização: Denis Villeneuve
Argumento: Denis Villeneuve
Ano:
2010
Duração:
130 minutos

TROPA DE ELITE 2 - O INIMIGO AGORA É OUTRO (2010)



“Vocês engordaram o porco, agora nós vamos assar!”


Raras são as sequelas que superam os seus antecessores. No caso de Tropa de Elite 2, acredito estarmos perante um filme mais bem conseguido, trabalhado, elaborado e consistente do que o filme que em 2007 surpreendeu o público brasileiro com um retrato fiel da vida de um BOPE no combate ao tráfico e ao crime nas favelas do Rio de Janeiro.


Coronel Roberto Nascimento (Wagner Moura) regressa para o combate de um crime muito mais sofisticado, complexo e poderoso do que aquele que derrotou em Tropas de Elite. Como o título sugere, agora o inimigo é outro e a luta, que antes de caracterizava pelas intensas cenas de tiroteio nas poeirentas favelas, é transportada para as estratégias dos bastidores, para as jogadas de escritório, para o crime em grande escala. Neste filme, o grande inimigo do BOPE e do Coronel Nascimento é a corrupção. Desde os polícias de favela aos mais altos cargos políticos, a corrupção ataca a credibilidade de um estado que se quer justo e responsável e a luta de um só homem contra um império inviolável, preparado e profundamente difundido pela sociedade brasileira, transforma-se numa desigual luta de David contra Golias.


Diogo Fraga (Irandhir Santos) é um ativista brasileiro, popular no Brasil pela sua defesa em prol de um Brasil justo e igual, crítico feroz da violência praticada pela política em relação aos mais desfavorecidos. Casado com a ex-mulher de Roberto Nascimento, rapidamente se transformou numa das mais populares vozes contra as medidas de Nascimento, levando a que o mesmo acabasse despedido da direcção do BOPE depois de um mal sucedido trabalho na Prisão de Bango 1.


Arrastado para fora do trabalho (que se tornou inevitavelmente a sua vida), sozinho, abandonado, Roberto Nascimento recebe um convite do Governador do Rio de Janeiro (o mesmo que havia despedido) para ingressar no Departamento de Segurança Interna e, com a entrega e dedicação pela justiça que o levaram a liderar uma das forças policiais mais mortíferas do mundo, rapidamente promove alterações no seu Departamento e inicia a sua perseguição aos criminosos da cidade.


Aos poucos, Roberto começa a perceber o significado da sua demissão. Começa a perceber o significado de duvidosas promoções. Começa a perceber a verdadeira utilidade que as favelas têm e, aos poucos, a função dos pequenos traficantes de rua que o BOPE prende às centenas e que parecem nunca acabar. Roberto começa, aos poucos, a perceber a verdadeira lei das favelas. Juntamente com Diogo Fraga, começam uma batalha que tem tudo para ser inglória. Uma batalha que, vista de fora, muitos rejeitariam e ignorariam, pela estrondosa dificuldade de combater uma rede criminosa tão poderosa. Mas felizmente para o Brasil que a personagem de Roberto não se fica pelo ecrã de cinema. Tropa de Elite 2 levanta-nos o véu de algo que ultrapassa a nossa imaginação. De algo tão enraizado na sociedade brasileira que, só muito tempo, dedicação e coragem conseguirão destruir. É um filme trabalhado ao pormenor, revelador de uma dedicação e coragem enormes por parte de quem o escreve, realiza, produz e edita. E Wagner Moura revela-se muito mais do que um grande actor. A personagem do Coronel Nascimento é a personificação de um homem de ideais, cujo exemplo certamente impulsionará o combate ao crime organizado no Brasil.


Nota Final: B+



Trailer:




Informação Adicional:
Realização: José Padilha
Argumento:
José Padilha
Ano: 2010
Duração:
116 minutos

Os Melhores de 2010, por João Samuel Neves

Antes da publicação daqueles que, para mim, são os melhores filmes do ano de 2010, informo apenas que o atraso na divulgação desta lista se deveu unicamente ao facto de alguns filmes que são registados como pertencentes a 2010 (segundo o site imdb.com) se encontrarem, muitas das vezes, indisponíveis para visualização durante o referido ano. Aquilo que aqui vos deixo é uma opinião pessoal, e como tal, perfeitamente discutível.



1 - Biutiful A

2 - I Saw The Devil A

3 - Incendies A-
4 - True Grit
A-
5 - The Fighter
A-
6 - Four Lions A-

7 - Haevnen A-
8 - Inception
B+
9 - Another Year B+
10 - Blue Valentine
B+
11 - The Social Network B+
12 - Inside Job
A-
13 - The Man From Nowhere B+
14 - Tropa de Elite 2
B+
15 - Confessions
B+
16 - 127 Hours
B+
17 - I’m Still Here
B
18 - Kick-Ass
B
19 - The King Speech
B
20 - Black Swan B

Os Melhores de 2010, por Jorge Rodrigues

Ainda nem a meio vamos dos prémios que tenho andado a atribuir aos melhores do ano passado (espero tê-los concluído nos próximos dias) - os Dial A For Awards (DAFA) 2010; contudo, uma vez que já passou da altura de vos revelar quais são, para mim, os melhores filmes de 2010, vou fazê-lo - mas ordenados alfabeticamente. Assim retém-se o suspense para quando revelar as minhas categorias de Melhor Filme.


Finalistas:

Esta lista de filmes que aqui segue são de filmes que gostei muito mas que não consegui incluir entre os meus vinte melhores. "Exit Through The Gift Shop" poderia ser um dos vinte, mas optei por não incluir documentários porque penso que a minha avaliação deles é muito subjectiva e nunca os sei comparar bem com longas-metragens. O mesmo tenho a dizer, em menor grau, de "Last Train Home", "Wasteland", "Gasland", "Joan Rivers: A Piece of Work", "Restrepo", "Inside Job" e "Catfish". "Biutiful", "Copie Conforme", "The Edge", "In A Better World" , "Dogtooth" e "Incendies" são todos filmes estrangeiros que apreciei bastante, cada um à sua maneira, mas que também não têm qualidade suficiente para eu os colocar dentro dos meus vinte melhores. Também "Fish Tank" e "Winter's Bone" ficaram perto de entrar na lista, mas no fim de conta eu percebi que o meu amor pelos seus intérpretes é bem maior do que o filme no seu todo. Ainda assim, das melhores surpresas que o ano me trouxe. Uma obra-prima visual, "I Am Love" falha um pouco a nível da sua história, mas tem em Tilda Swinton um timoneiro de excelência. Assim, também neste caso optei por premiar a intérprete e os aspectos técnicos em prol do filme em si. "Kick-Ass" também ficou perto, mas no caso de Matthew Vaughn a verdade é que não fiquei tão enfeitiçado como outros. Gostei do que vi, mas esperava mais. Dos melhores eu espero sempre mais. O mesmo posso dizer de "Made in Dagenham", "Somewhere" e de "Never Let Me Go", que também têm diversos aspectos merecedores de elogio mas outros bem em défice. E finalmente: "The King's Speech". Era o meu #21 da lista. Foi difícil cortá-lo. Mas tive de o fazer. É deste modo que vos apresento... 


Os meus melhores filmes de 2010:
(ordenados alfabeticamente)


ANIMAL KINGDOM (r. Michod)

Uma história fascinante, personagens frescos e originais, uma família que impõe respeito e tresanda a segredos e traições. Um filme irreverente, belíssimo e um grande começo para David Michod. Jacki Weaver entrega-se por completo a 'Smurf' Cody, a matriarca desta horripilante família, um monstro com cara angelical, uma mulher que não é de confiança, uma predadora incessante. Uma formidável descoberta.

ANOTHER YEAR (r. Leigh)

Por esta altura, já estamos habituados a que tudo o que Mike Leigh faça, faça bem. Este "Another Year" volta a trazer-nos uma proeminente interpretação feminina, por uma actriz até então pouco conhecida do grande público. Lesley Manville incendeia a tela - e o espectador fica-lhe eternamente grato.
 
BLACK SWAN (r. Aronofsky)

Finalmente, um Aronofksy que vem rivalizar, em termos de popularidade, com a sua indiscutível obra-prima, "Requiem for a Dream". Sem atingir o nível deste, contudo, "Black Swan" é do mais envolvente que esteve nas salas de cinema este ano; brilhante, ousado, invulgar, com uma Natalie Portman em topo de forma, foi um prazer de ver, escutar, sentir. Vibrante, trágico, aterrorizador, louco e tóxico, "Black Swan" é imperdível.

BLUE VALENTINE (r. Cianfrance)

Mexe com as nossas emoções em sítios muito pessoais, põe-nos face a face com uma situação que decerto todos já passámos. Williams e Gosling formam um par inesquecível - que espero que se repita no futuro. Um filme surpreendente - pela positiva, claro.



FOUR LIONS (r. Morris)

Já é costume sermos todos os anos maravilhados por uma pérola cómica britânica. Depois do fabuloso "In The Loop" em 2009, este ano trouxe-nos o primeiro trabalho de Chris Morris, "Four Lions". Irreverente, irrepreensível, sem medo de desafiar convenções ou fazer troça de pré-conceitos, é uma obra-prima de desatar a rir.

HOW TO TRAIN YOUR DRAGON (r. Sanders, DuBois)

Qual não foi a minha surpresa quando me vi irremediavelmente apaixonado por este filme? Integralmente dedicado a despertar o nosso amor pelos nossos próprios animais domésticos, "How To Train Your Dragon" é mesmo o melhor filme que a Dreamworks já produziu para rivalizar com a Pixar. Inteligente, carinhoso, bonito, com cenas de acção impressionantes e muito bem executadas, com uma banda sonora de sonho, é um filme animado a sério, não só para os amantes da animação mas para todos aqueles que pretendem um grande filme.

INCEPTION (r. Nolan)

Neste momento, penso que Hollywood já aprendeu a lição: querem um blockbuster inteligente que não tem medo de desafiar a sua audiência? Chamem o Christopher Nolan. Depois de consolidar o seu valor como um mestre contador de histórias depois da sua estreia com "Memento" e depois de revitalizar de forma extraordinária uma franchise que estava em águas mortas, eis que a sua grande oportunidade de realizar algo que ele queria surge: e ele acerta em cheio. "Inception" é, em suma, uma ideia francamente original, brilhantemente explorada por um dos senhores da sétima arte no momento.

L'ILLUSIONISTE (r. Chomet)

Por vezes, a beleza das coisas está no quão singelo um momento consegue ser capturado. Chomet já o fez antes em "Les Triplets de Belleville" e volta a realizá-lo em "L'Illusioniste". Os últimos momentos do filme, em que seguimos um desapegado mágico sem nada que o prenda à sua vida antiga deixar tudo e todos e partir com fim incerto, abandonando assim subitamente a arte que tanto promoveu por tantos anos, são de trespassar o coração com uma faca. O resto do filme não é igualmente fácil de engolir - uma incrível metáfora de como tudo na vida, inclusive os gostos e as pessoas, mudam; só Chomet é que não muda o seu modo tão pouco usual de fazer animação. Um filme mais para adultos do que para crianças, mas que irá pôr todos, de igual modo, a chorar.



 LOLA (r. Mendoza)

Uma história de luta, de sobrevivência, "Lola" é mais uma peça inolvidável que Brillante Mendoza nos traz. A história de duas avós a combater para defender os seus netos é do mais precioso e enternecedor (e também triste, diga-se) que 2010 nos ofereceu. As feridas profundas nunca fecham - e a nossa mente, depois de ver este filme, também não.

MONSTERS (r. Edwards)

Fiquei estupefacto ao ver este filme. Fiquei chocado como um realizador estreante, com apenas 500,000 $ de orçamento e dois actores, decidiu filmar ilegalmente em vários países um filme artístico de ficção científica e ainda editá-lo, tratar da sua fotografia e direcção artística e pagar integralmente os custos extra de produção e ter isto como resultado. Um mundo rica e vividamente criado (uma experiência sensorial levada ao extremo), com personagens complexas e completas, que aborda uma história fascinante. Bónus: uma das melhores bandas sonoras do ano, a cargo de Jon Hopkins.


RABBIT HOLE (r. Cameron Mitchell)

Ao contrário do que meio mundo pensa, a melhor interpretação feminina do ano não está em "Black Swan". Infelizmente, como em tudo na carreira de Nicole Kidman, a sua interpretação em "Rabbit Hole" junta-se a mais uma daquelas dela que são impressionantes e inesquecíveis mas que aparentemente não são boas o suficiente para merecerem ser devidamente premiadas. Que o elenco secundário a suporte de tão brilhante forma é só mais um testemunho à qualidade que o fantástico John Cameron Mitchell juntou para o filme mais invulgar da sua filmografia até agora. Um primor. Um dos melhores filmes do ano. E que lida com um dos piores assuntos da vida humana da melhor maneira possível - a honesta.

SCOTT PILGRIM vs THE WORLD (r. Wright)

Sinceramente, depois de "Hot Fuzz" e "Scott Pilgrim vs. The World", como é que Edgar Wright não tem todos os estúdios a bater-lhe à porta e a oferecer-lhe mundos e fundos? Um realizador sempre à procura de se reinventar, buscou inspiração na banda desenhada canadiana de sucesso internacional e disto resultou o filme mais distinto, original e inventivo que eu alguma vez vi. Com algumas falhas? Decerto. Incrível de qualquer forma? Sem dúvida.



TANGLED (r. Howard, Greno)

Não era suposto eu ter gostado tanto deste novo conto de fadas da Disney, mas enfim, cá o temos. A fugir às antiquadas convenções sobre princesas em perigo, ousa ser diferente e mais divertido, com dois dos melhores parceiros de aventura que uma história destas podia ter - Maximus e Pascal - e com uma das cenas mais belas de sempre da animação e do cinema, a rivalizar com a cena da dança de "Beauty and the Beast", o clamor de Ariel em "The Little Mermaid", a introdução de "The Lion King" ou a definição da dança em "Wall-E" (estou a falar da cena das lanternas, claro), "Tangled" cumpriu o seu grande propósito: encantar.

THE FIGHTER (r. O. Russell)

Repleto de coração e humanidade num filme que fala de força e perseverança (atributos de qualquer bom filme de boxe), este está mais preocupado em focar-se nas pessoas do que no desporto em si. Ainda bem. Não dá para seleccionar só um momento deste filme que mais parece um documentário, tal é o realismo criado nas situações e nas relações. Uma enorme interpretação de Christian Bale, auxiliado por um nobre elenco de grandes actores, proporciona-nos uma das mais interessantes surpresas do ano.

THE GHOST WRITER (r. Polanski)

Como que a mostrar que o mestre do drama, Roman Polanski, está de volta, "The Ghost Writer" é, de longe, o trabalho recente que mais próximo fica das suas obras-primas dos anos 70, como "Chinatown" e "Rosemary's Baby". Uma obra estrategicamente explorada, explorada até à exaustão do mínimo detalhe, com memoráveis e sinistros cenários, que avança de forma intrigante mas excitante para um fim absolutamente tremendo: um último grande acto, uma demonstração do que vinha sendo, desde o início, inevitável: o Fantasma não é mais do que isso, uma sombra, um vulto; tão importante é que facilmente se prescinde dele. E foi isso que Polanski fez.

THE KIDS ARE ALL RIGHT (r. Cholodenko)

Um filme que surpreende pela sua familiaridade, pela generosidade com que aborda os defeitos das nossas complicadas personagens e pela forma fácil como nos proporciona uma agradável e satisfatória resolução emocional ao mesmo tempo que não foge a mostrar-nos quão adversas as circunstâncias da vida podem ser. Um elenco notável, uma realização cuidada e talentosa e uma história intrincada, pessoal e muito divertida. Uma excelente combinação.



THE SOCIAL NETWORK (r. Fincher)

"The Social Network" é, para mim, a epítome de tudo aquilo que um grande filme representa. Nos seus melhores momentos, explora quem somos enquanto pessoas, a forma como nos interrelacionamos e a forma como hoje em dia deixámos a socialização para o meio digital e que explora, particularmente, como o criador desta ferramenta magnífica que nos aproximou dos nossos amigos optou por se afastar dos dele. É um filme que usa a sua curiosidade pela tecnologia para contar uma história nada ou praticamente nada relacionada com o desenvolvimento tecnológico. As suas personagens são diferentes das de qualquer mero filme; não são movidas por um objectivo vulgar, como dinheiro ou vingança ou ganância - o seu objectivo é escapar à mediocridade, ficar na história graças à sua ideia genial, buscar a aceitação do mundo. Isto não seria possível se toda a equipa por trás, do realizador ao argumentista, dos compositores aos editores, não estivesse a trabalhar no topo da sua forma. É, por isso, que "The Social Network" é muito mais do que um simples filme; é um clássico dos tempos modernos, um ensaio exemplar da vida dos nossos dias.

TOY STORY 3 (r. Unkrich)

Em "Toy Story 3", uma história que esteve mais de dez anos em gestação culmina não explosivamente, carregada de grandes efeitos especiais ou através de uma enorme batalha, mas da forma mais perfeita que se poderia esperar: numa expressão perfeita de amor e carinho. O filme coloca os nossos conhecidos heróis em risco atrás de risco, fá-los atravessar a sua própria jornada de sofrimento e dúvida para no fim nos arrancar as entranhas e fazer-nos sentir pena e compaixão de objectos inanimados como estes brinquedos. Nunca pensei sentir-me assim. Nunca pensei que poderia manifestar estes sentimentos para com algo que não é humano; pior - para com algo que não é humano e que está no grande ecrã. Mas sentimos. E choramos. E arrepiamo-nos. E ficamos com um grande buraco no sítio onde o nosso coração costuma estar quando nos temos que despedir para sempre. Woody, Buzz, vocês são eternos. São mais do que brinquedos, mais do que personagens. Fazem o meu coração querer explodir do meu peito. São companheiros na minha jornada, na minha vida, como que a lembrar-me de maravilhosos tempos que já lá vão.

TRUE GRIT (r. irmãos Coen)

Um western puro, bem escrito, bem realizado, bem fotografado e bem editado, como já é apanágio. A juntar a isto, está uma infusão do familiar humor e ironia sarcástica que os irmãos Coen emprestam ao fabuloso romance de Charles Portis, transformando uma história curiosa de perseguição e vingança numa aventura épica ímpar, que nos relembra o quão divertido pode ser um western se bem feito, mas que também nos mostra as verdadeiras consequências de uma disputa sangrenta. Bónus: excelentes interpretações dos protagonistas Jeff Bridges, Matt Damon e Hailee Steinfeld (esta, um belo achado; a ver no que dá a seguir).

WHITE MATERIAL (r. Denis)

Isabelle Huppert como força indomável. Claire Denis, uma das maiores e melhores realizadoras da actualidade, tem de novo em suas mãos um portentoso argumento e espreme-o ao máximo. Não é tão desconcertante como "Beau Travail" ou tão desconfortável como "35 Shots of Rum", contudo é um filme magnífico por si só. Paisagens apaixonantes, mensagem apolítica, enigmática e bizarra película. Mesmo pairando a sensação de perigo eminente e revolução, Isabelle Huppert aí continua, firme, serena e impávida, como se nada a deitasse abaixo. Um filme extraordinário. Uma interpretação prestigiosa.


E agora é com vocês, caros leitores... Que filmes vos impressionaram? Que filmes pensam que deixei escapar? Que filmes acham que não lhes foi dado o merecido valor?