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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

Previsões Óscares 2013 (I): Actriz


Com a peculiar possibilidade que surgiu na imprensa esta passada semana de Meryl Streep estar a planear competir na categoria de melhor actriz secundária aos próximos Óscares por "August: Osage County" (filme, relembre-se, baseado na peça premiada com um Pulitzer de Tracy Letts, na qual a sua personagem, Violet Weston, é claramente uma co-protagonista), lembrei-me que já era tempo de começar a alinhavar qualquer coisa no que a previsões diz respeito. Então cá estão as minhas primeiras previsões aos Óscares de 2013, começando pela categoria de melhor actriz.

MELHOR ACTRIZ


Dos filmes já vistos, um concorrente firme já surgiu: Cate Blanchett em "Blue Jasmine" de Woody Allen conquistou as tão ambicionadas críticas brilhantes que uma interpretação como a sua precisava para vincar a sua posição na corrida. Será uma montanha complicada de trepar, uma vez que só por uma vez o grande Woody Allen conseguiu uma nomeação para uma actriz principal dos seus dramas (a lendária Geraldine Page, por "Interiors"; adenda: eu tive de corrigir para dramas, porque não tinha incluído, como bem me apontaram, a vitória de Diane Keaton por "Annie Hall"; o meu ponto de vista era que em dramas, o velho Woody não tem tanto sucesso na Academia). Outros concorrentes já conhecidos e com alguma - apesar de mínima - hipótese na corrida são a Berenice Bejo por "Le Passé" de Ashgar Farhadi ("A Separation") e a Julie Delpy pela terceira parte da trilogia de Richard Linklater, "Before Midnight". Ambos os filmes parecem mais destinados a nomeações na categoria de melhor argumento original do que aqui, embora se a competição encurtar, os seus nomes provavelmente virão à baila com os críticos e aí, tudo pode acontecer. Em Cannes também a tipicamente excelente Marion Cotillard obteve boas críticas pela sua prestação em "The Immigrant" de James Gray; contudo, apesar da personagem parecer conter traços que a Academia noutro filme festejaria de bom grado, Gray, Phoenix e a própria Cotillard não parecem merecer uma simpatia global capaz de lhe conseguir essa nomeação (se não conseguiu o ano passado por "Rust and Bone", dificilmente o fará este ano). [adenda: esqueci-me de mencionar aqui Adele Exarchopoulos de "Blue is the Warmest  Color" que vários críticos americanos consideram uma fortíssima possibilidade a nomeação]


Diria que as suas hipóteses são mínimas porque com a queda da folha chegam os pesos pesados. À cabeça está Amy Adams, aparentemente transcendente (ainda mais?) em "American Hustle" de David O. Russell. Diz quem sabe que o papel é fantástico, que ela é extraordinária nele, que mostra uma faceta desconhecida do público e da crítica até agora e que será, possivelmente, o melhor O. Russell até agora. Expectativas no alto. Estamos a falar de uma actriz quadruplamente nomeada. Depois temos a situação Meryl Streep. Se a nomeação vier como actriz secundária, a categoria basicamente estará ganha. Mas irá a Academia aceitar esta situação a bem? Veremos. De "August: Osage County" também temos outra candidata de peso: Julia Roberts, de volta aos grandes papéis. Será que a crítica, o público e a Academia se vão voltar a juntar num festival we-love-Julia como em 2000? Os Weinstein parecem estar a apostar grande neste filme. As outras duas grandes jogadas no seu baralho passam pela narrativa "a Judi Dench nunca venceu um Óscar de actriz principal e pode ser esta a sua última oportunidade" - a septuagenária protagoniza o novo filme de Stephen Frears, "Philomena", e parece fabulosa nele - e "a Nicole Kidman é a Grace Kelly". Não há dúvida que no caso desta última parece uma jogada de risco - por cada "The Hours" se faz um "Cold Mountain", não é verdade? A qual dos lados do espectro irá "Grace of Monaco" pertencer? A mesma pergunta se faz sobre Naomi Watts em "Diana", ainda por cima tendo em conta a distribuidora que comprou os direitos do filme e o facto do buzz em Cannes ser inexistente, sendo que seria à partida uma venda fácil.


Provavelmente também não será sensato descartar das contas as duas principais candidatas ao troféu o ano passado, de volta à competição este ano, Jennifer Lawrence em "Serena" da Oscarizada Suzanne Bier ("In a Better World") e Jessica Chastain em "The Disappearance of Eleanor Rigby", um filme bipartido, que conta a história da perspectiva do membro masculino e do membro feminino do casal, o que garantirá à partida alguma curiosidade adicional sobre o projecto. Da faixa etária mais jovem ouvem-se boas coisas sobre a prestação de Brie Larson em "Short Term 12" e de Greta Gerwig em "Frances Ha" de Noah Baumbach, mas será algo sensacional se alguma das duas chegar a fase avançada da corrida. O mesmo diria de Shailene Woodley por "The Spectacular Now" de James Ponsoldt e Felicity Jones no segundo filme de Ralph Fiennes, "The Invisible Woman" (se Vanessa Redgrave foi esquecida por "Coriolanus", que real chance tem Jones?) 


E finalmente falta falarmos de três antigas vencedoras da categoria, de regresso para tentarem mais um prémio: Kate Winslet em "Labor Day" de Jason Reitman é sempre uma aposta segura se o filme tiver boas críticas, Sandra Bullock tenta vencer os críticos mais acérrimos da sua interpretação vencedora em 2009 emparelhando com o reputado visionário Alfonso Cuarón em "Gravity" e a amada Emma Thompson interpreta P.L. Travers, a opinionada escritora de Mary Poppins, em "Saving Mr. Banks", um dos - diz-se - grandes candidatos a mais nomeações no dia do anúncio. 

Por esta altura, então, como ficamos?

Previsão das nomeadas:
Amy Adams, "American Hustle"
Judi Dench, "Philomena"
Meryl Streep ou Julia Roberts, "August: Osage County"
Emma Thompson, "Saving Mr. Banks"
Kate Winslet, "Labor Day"

THE IMPOSSIBLE (2012)



Dois rascunhos apagados e terceira tentativa de vos falar sobre The Impossible. Não é fácil escrever que não fiquei particularmente tocado e que não embarquei na onda eufórica de emoção à volta deste filme. E porque o bom do nosso mundo é cada um ter a sua opinião, The Impossible não me entusiasmou. Mas é um filme interessante. Não o nego. E sei que na TVI (ou na SIC) vão esfregar as mãos de contentes por terem mais um filme para passar vezes sem conta no Natal, na Passagem de Ano e nos Domingos à tarde em que não se dedicam a estupidificar o povo português com bailarinas pimba e playbacks dos irmãos Carreira e da família Malhoa (e mesmo quando não estão nesta palhaçada, conseguem escolher os mais insignificantes filmes feitos nos últimos 30 anos, que repetem ano após ano).


É uma história de amor, coragem e persistência que nos faz sentir orgulhosos das capacidades do ser humano. Em situações limite, cada um consegue ir buscar uma força que julgava desconhecida e, no caso do Tsunami do Índico, a provação humana chegou aos seus limites. A coragem dos milhares que, feridos (física e emocionalmente) se ergueram dos escombros e lutaram pela vida e pela dignidade, recebeu com este filme uma meritória homenagem. Embora se centre na história de luta de uma jovem família que decide resistir à separação forçada pela Natureza, todos os que sofreram com esta tragédia, certamente se sentiram reconhecidos nas varias personagens deste filme.


Maria (Naomi Watts) e Henry (Ewan McGregor)  decidem viajar até à Tailândia para um Natal à beira do paradisíaco calor do mar Índico. Juntamente com os seus três filhos, desfrutam das maravilhas de uma estadia de sonho. São felizes. Ali e em qualquer do mundo. Até que o Oceano se revolta perante a felicidade idílica desta família. The Impossible retrata a história, verídica, da luta de cada um dos 5 elementos desta família, e da sua desesperada tentativa de se reunirem. Com dois dos actores mais subvalorizados do cinema (Naomi Watts e Ewan McGregor), The Impossible é uma receita de sucesso. E é fácil perceber o impacto que causou nas salas de cinema.

Nota Final: 
B (7/10)


Trailer:



Informação Adicional:
Realização:  Juan Antonio Bayona
Argumento: Sergio G. Sánchez e María Belón
Duração: 114 minutos
Ano: 2012

YOU WILL MEET A TALL DARK STRANGER (2010)




Eu até percebo a ideia. Mas tenho que vos ser sincero: O novo filme de Woody Allen é um tremendo aborrecimento. É daquele tipo de filmes que conseguem fazer-nos desesperar pelo seu final, pedir por favor para que o tempo passe e, em alguns momentos desabafar: "Isto era tão escusado..."


Nos pontos positivos, os mesmo de sempre e aquilo em que Woody Allen raramente falha: A fotografia e a banda-sonora. O que há de tão pobre em "You Will Meet a Tall Dark Stranger" é exactamente aquilo em que Allen é um senhor: o humor, o argumento, a ideia. É quase tudo medíocre, banal. Não há aqueles momentos de inteligência superior como os de "Whatever Works" ou aquela sabedoria magistral dos triangulos amorosos de "Vicky Cristina Barcelona" (só para recordar os seus mais recentes títulos, claro).




"You Will Meet a Tall Dark Stranger" é uma história sobre a sociedade actual. Eu não condeno o desejo que muitos dos realizadores tiveram, principalmente nesta última década, de explorar as consequências de uma sociedade comandada pelo dinheiro e interesses políticos, em que a grande maioria das pessoas são, e agora utilizo uma frase deste filme, "clichés ambulantes". Aliás, dá-me um grande gozo ver o que cada um consegue fazer com este tipo de história.




Woody Allen tentou abordar um lado que, até agora, ainda não tinha visto noutros realizadores. Neste filme tudo corre mal, está tudo destinado à desgraçada, ao fracasso, à solidão. Os problemas perseguem os protagonistas desta história e, por mais voltas que tentem dar, não conseguem sair do esgoto em que se enfiaram.

Tudo começa com o divórcio de Alfie (Anthony Hopkins) e Helena (Gemma Jones), pais de Sally (Naomi Watts), uma jovem licenciada em arte que casou com um promissor escritor que tinha tudo para lhe dar aquilo com que ela sempre sonhara: um marido culto, bonito, apaixonado e romântico, uma família grande e feliz, uma vida farta e sem problemas. No entanto, aquilo que parecia um conto de fadas, rapidamente se transforma em mais um banal casamento, em que duas pessoas se encontram juntas, limitando-se a esperar que o tempo passe.


Roy (Josh Brolin), que abdicou do curso do medicina para se dedicar à escrita, não passou de mais uma promessa falhada, com um grande sucesso de estreia, que não conseguiu suportar nos seus livros seguintes. Frustrados, Sally e Roy vão perdendo aos poucos a paixão que os une e começam a dirigir a sua atenção para outras pessoas: Roy está fascinado com a sua misteriosa vizinha, Sally encantada com o seu patrão.


Enquanto tudo isto acontece, Alfie apaixona-se por uma jovem prostituta, com a qual pretende casar e ter filhos. Leva uma vida de luxuria que, inevitavelmente, acabará por lhe sair bastante cara. E no meio de tudo isto, ainda levamos com as ideias completamente esquizofrénicas de Helena, que se entregou ao espiritismo após a separação e rege a sua vida pelas cartas de tarot. É uma mulher aterrorizada com a ideia de que o seu fim está próximo, alimentando a esperança de que existe vida para lá daquela em que se encontra.


"You Will Meet a Tall Dark Stranger" é, no fundo, o incansável desejo que muitos têm de procurar sempre algo mais. De nunca estarem satisfeitos, completos e realizados. De sonharem sempre com algo melhor, de sonharem com um futuro mais próspero e risonho. De acreditarem, de arriscarem. É esse o desejo que consome cada uma das personagens deste filme. Uma bonita ideia, num filme mal conseguido.


Nota Final:  
D


Trailer:




Informação Adicional:

Realização: Woody Allen
Elenco: Naomi Watts, Anthony Hopkins, Lucy Punch, Freida Pinto, Josh Brolin, Gemma Jones, Antonio Banderas
Argumento: Woody Allen
Ano: 2010
Duração: 98 minutos


Poster Oficial de "Fair Game"

Lembram-se quando eu disse, na altura em que coloquei aqui no blogue o trailer de "Fair Game" (aqui), que ainda esperávamos o poster oficial? Pois bem, cá está ele e é substancialmente melhor que o anterior, de Cannes:


Esperemos então pelo filme. As críticas não têm sido famosas, excepto quando se fala das interpretações de Watts e Penn.

Trailer de "FAIR GAME" de Doug Liman


Foi lançado ontem na Internet o trailer do novo filme de Doug Liman, que recebeu boas críticas em Cannes e que ganhou imenso buzz para os seus dois protagonistas, Sean Penn e Naomi Watts (que se considera uma das mais fortes candidatas a uma nomeação para o Óscar de Melhor Actriz).


(ainda estamos à espera que saia o poster oficial, este é o de Cannes)

Deixo-vos o trailer de "FAIR GAME" abaixo:



Quanto à minha análise? Parece mais um thriller político como tantos outros e só mesmo com grandes interpretações é que consigo perceber as boas críticas que o filme teve em Cannes. Espero ser agradavelmente surpreendido mas parece-me todavia mais um parente pobre de "Michael Clayton" que se tornou, para mim, no filme a copiar do género.