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DIAL P FOR POPCORN

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Falemos da Pixar (uma vez mais)


Amanhã vou ver "Monsters University". Um frio peculiar sobe-me à espinha sempre que penso nisso - já assim foi com "Brave" - porque a Pixar já não é tão infalível como outrora. O que será que vou encontrar? As críticas já vão dando um indício - um bom filme, todas o dizem, não dos melhores da Pixar mas dos mais entretidos. Já o antecessor, "Monsters, Inc." o fora. E definitivamente muito melhor que "Cars" ou "Cars 2", o que chega para me deixar descansado. Veremos no que dá.

Entretanto, lembrei-me de desenterrar, agora que estão volvidos três anos (!) desde a estreia de "Toy Story 3" e, antes de acrescentar a nota de "Monsters University" (em 2010 decidi acrescentar "Toy Story 3" à lista; talvez não o devesse ter feito, porque acho que a visualização mais recente influenciou algumas posições na lista), aproveito para rever as escolhas de então e actualizar a lista com "Brave" e "Cars 2".

Em 2010, o melhor filme da Pixar para mim era "Wall-E", seguido pelo então acabadinho de estrear "Toy Story 3" (que infamemente foi batido por "How To Train Your Dragon" para melhor filme animado desse ano cá nos DAFA) e por "Finding Nemo" e "Ratatouille". "Up", para muitos o melhor filme da Pixar, era o meu quinto favorito, com "Monsters, Inc" logo atrás. Na cauda vinham os óbvios "Cars" e "A Bug's Life", largamente considerados dos piores do estúdio, acompanhados um pouco acima por "Toy Story 2" e "The Incredibles". 

Em 2013...


#13 CARS 2 (Lasseter, 2011) [em 2010: -]
#12 CARS (Lasseter, 2006) [11]

Sem sombra de dúvida os únicos filmes da Pixar sobre os quais só tenho quase coisas negativas a dizer. Por sinal, a sua franchise mais lucrativa (boys will be boys e gostarão sempre de carros). A sequela, por sinal, inspira em mim cada sentimento mais odioso...

#11 A BUG'S LIFE (Lasseter e Stanton, 1998) [10]

Mediocridade. Um bom avanço tecnológico para a altura e o primeiro filme Pixar a criar um microcosmos. Pouco mais que isso. 

#10 TOY STORY 2 (Lasseter, Unkrich e Brannon, 1999) [9]

Merecia mais, mas é da trilogia aquele que menos aprecio. Uma pena, porque para muitos é o favorito. Talvez deva tentar uma nova visualização, afinal já não o vejo há uns bons anos. De qualquer forma, para mim 1999 em animação resume-se a "The Iron Giant". Um dos grandes filmes animados de sempre. De sempre.


#9 BRAVE (Chapman e Andrews, 2012) [-]

Não percebo o ódio. É por a Pixar tentar um conto de fadas, uma especialidade mais adequada à casa mãe Disney? É por ser uma rapariga? É porque decidem passar um filme todo com duas personagens, duas mulheres, se bem que uma delas é um urso? Não entendo. Talvez o Pixar com o melhor e mais complexo protagonista.

#8 UP (Docter, 2009) [5]

E pensar que já achei este o melhor filme da Pixar... Mentira, nunca achei O melhor. Mas sempre esteve nos meus mais cotados. O problema é que retira-se a sequência de "Married Life" que serve de prelúdio à narrativa e o que temos? Um filme muito oco, desengonçado e que não sabe que mais fazer quando a história mais importante do filme foi contada nos primeiros dez minutos. De qualquer forma, muito mérito para o primeiro filme da Pixar a introduzir um protagonista de certa idade. Um risco curioso.

#7 TOY STORY (Lasseter, 1995) [7]

O primeiro. O que abriu a porta à revolução. O filme que mudou a face da animação. Merecia estar mais alto, possivelmente merecia até o primeiro lugar, mas o meu apego é maior aos seis "clientes" acima.


#6 THE INCREDIBLES (Bird, 2004) [8]

Fazer um filme de superherói melhor do que qualquer um que se consiga produzir com actores reais? Podem apostar. E o único Pixar do qual eu gostava de ver uma sequela. O Brad Bird é um enorme cineasta. Edna Mole anyone?

#5 TOY STORY 3 (Unkrich, 2010) [2]

O filme que fecha a trilogia com chave de ouro (uma tristeza que tenham logo ressuscitado as personagens para uma curta; nem um ano durou a retirada!). Era impossível pedir algo mais perfeito.

#4 MONSTERS, INC. (Docter, Unkrich e Silverman, 2001) [6]

Não estaria tão alto não fosse ter apanhado uma transmissão televisiva há pouco tempo. Por acaso fiquei a ver. Não me lembrava de gostar tanto do filme, dos seus temas, da sua simplicidade, da sua ternura e felicidade. É um feito gigante de entretenimento, uma criação muito original e um mundo tão incrível, peculiar e fascinante que nos apresenta. Não tem a perfeição de "Toy Story 3" ou a imensidão de "Finding Nemo" mas é dos mais completos da Pixar.


#3 FINDING NEMO (Stanton, 2003) [3]

Antes de John Carter, eu achava impossível que Stanton fizesse um filme que não fosse impressionante. Errei. Ele também. Somos humanos. Mas as suas duas criações em singular para a Pixar são espantosas obras-primas tanto em escala, como em ambição, como em conteúdo. Vão tão além do que um filme animado se propõe a fazer que é um milagre que por duas vezes a Pixar lhe tenha confiado rédeas para fazer o que ele quis. Da primeira vez, saiu isto.


#2 RATATOUILLE (Bird, 2007) [4]

Bird, outra vez. O melhor Pixar. A todos os níveis. Combina tudo aquilo que a Pixar faz de melhor com o que o cinema de Bird tem de melhor. Extremamente original e divertido e refrescante sem forçar a piada fácil. Não é a minha escolha pessoal para melhor de sempre mas se a razão mandasse mais que o coração, este seria o topo da lista...


#1 WALL-E (Stanton, 2008) [1]

... Todavia estas listas são pessoais e o meu cunho pessoal tinha que se revelar nesta primeira escolha. "Define Dancing". "Wall-E" tem uma segunda parte muito pior que o seu primeiro acto, quase imaculado, é verdade. Não é imune a críticas - a maioria delas eu até as percebo. Mas aos detractores só tenho a perguntar: vocês estão a ver bem ao que é que Stanton e C.ª se propôs, os temas maiores que o filme cobre, o desafio que é para ele - e a Pixar - ter como protagonista (e principal atractivo para o seu público-alvo) um robô que não fala? Lightning in a bottle. A Pixar agora pode fazer as sequelas todas que quiser. Treze anos depois de "Toy Story", atingiu o seu pico criativo (pelo menos para já). Quando dentro de cinquenta anos se fizer uma retrospectiva do melhor cinema de animação de sempre, este (e "Ratatouille" e obviamente "Toy Story", penso eu) serão os três filmes da Pixar mais relembrados.

Especial Animação: Randy Newman

A acompanhar os sete artigos dos nossos convidados para a nossa Semana de Apreciação à Animação, vamos ter outros artigos especiais dedicados ao tema, que se debruçarão sobre diversos componentes que fazem da animação dos géneros mais excitantes do cinema contemporâneo. Hoje, como começámos por "Monsters, Inc." e pelos estúdios Pixar, vamos ter alguns artigos dedicados a esse grande estúdio de animação e aos fantásticos filmes que nos proporcionaram.



Um dos primeiros nomes que se começou a associar à Pixar, desde muito cedo, foi o de Randy Newman. O compositor e músico estreou-se na colaboração com a Pixar em 1995, no seu filme de estreia, "Toy Story", para o qual, além de compôr a banda sonora, contribuiu com o tema de abertura e encerramento, "You've Got A Friend in Me", uma das músicas mais icónicas da história do cinema e que lhe deveria ter valido a primeira vitória nos Óscares.

Uma música alegre, espirituosa e fantasiosa, que combina muito bem com a mensagem sobre a amizade e o companheirismo do filme e que acompanha duas sequências lindíssimas a abrir e a terminar o filme. Seria esta música - e este filme - que iriam marcar para sempre a carreira de Randy Newman, tornando-o uma lenda em Hollywood. De tal modo o marcou profundamente que viria a colaborar com a Pixar mais três vezes, além dos filmes da trilogia "Toy Story".

"You've Got A Friend In Me" - "Toy Story"


A sua segunda colaboração com a Pixar, em "A Bug's Life", não foi tão frutífera, com o filme a sair-se bem - e a valer nova nomeação para o Óscar a Newman -  mas a não atingir o nível de sucesso do predecessor, "Toy Story". Mas Newman e a Pixar não esmoreceram e voltaram em grande em 1999, com "Toy Story 2" a bater recordes de bilheteira para um filme de animação. A canção "When She Loved Me", interpretada por Sarah McLachlan desse filme, foi nomeada para Óscar, mas Randy Newman viria a perder. Uma balada potente, que varia delicadamente entre o suave e o melancólico, bem apropriada para o final do filme.

Seria à sua quarta colaboração com a Pixar que o ouro finalmente chegaria a Randy Newman, à sua décima quarta nomeação (em conjunto com a nomeação para Melhor Banda Sonora). A sua música original "If I Didn't Have You", irreverente, refrescante e divertida, para "Monsters, Inc", que funciona como uma espécie de dueto em formato de declaração de admiração entre os dois protagonistas, Mike e Sulley, não é, ao contrário do que poderia parecer, nada particularmente especial. Felizmente, a sorte estava do lado de Newman desta vez e um ano mais fraco em termos de competição ajudou-o a vencer. Também o facto de ser há muito merecido - e de ter perdido injustamente por "You've Got a Friend in Me" - deve ter impulsionado a vitória.

"If I Didn't Have You" - "Monsters, Inc."


A terceira música que destaco da filmografia conjunta de Newman e da Pixar é a que lhe proporcionou a sua segunda vitória, este ano. "We Belong Together", a música dos créditos finais de "Toy Story 3", propositadamente alegre, divertida, esperançosa e sonhadora, depois de um final mais nostálgico e de despedida. Não era a melhor música entre os nomeados, mas era aquela que reunia o maior consenso em termos de qualidade. E por isso ganhou.

"We Belong Together" - "Toy Story 3"



Deixo cá ficar outras duas músicas das restantes colaborações de Randy Newman com a Disney/Pixar: "Our Town" da banda sonora de "Cars" e "Almost There", uma das sete músicas que Newman escreveu para a banda sonora de "Princess and the Frog" (que não é da Pixar mas da Disney; de qualquer forma decidi incluir) - e uma das duas que foi nomeada para o Óscar. 



E vocês: que pensam do contributo de Randy Newman para os vários filmes da Pixar ao longo dos anos?

Especial Animação: A magia de MONSTERS, INC. (10º Aniversário)

Nesta semana especial, que abre o mês de festividades, pedimos a amigos próximos e colaboradores de outros blogues que nos ajudassem a abordar um dos nossos temas preferidos: a animação. Todos eles foram limitados a um máximo de dez imagens ou um vídeo para a sua tarefa. Sete dias, sete colaboradores, sete títulos que festejam este ano o início de uma nova década de vida. Muita diversão, emoção e magia é prometida. A ver se cumprimos. A abrir as hostes, temos a Joana Vaz, a maior comentadora cá da casa e grande amiga, que se propôs a explicar um pouco por detrás da magia de MONSTERS, INC., que celebra a 28 de Outubro deste ano 10 anos de vida. É a ela então que passamos a palavra:

"Antes de mais, gostaria de vos dar os parabéns pelo primeiro aniversário do blogue que muito aprecio e de vos agradecer o convite para participar na vossa comemoração.

Tive assim o prazer de poder escrever sobre um dos meus filmes de animação favoritos – “Monsters, Inc”. Na minha opinião, este é um dos filmes do género mais comoventes e completos, recheado de momentos ternurentos e peculiares. Deste modo, reduzir a minha escolha a apenas algumas imagens do filme que mais me tivessem impressionado não foi tarefa fácil. Depois de difíceis decisões, aqui fica a minha selecção final.


A primeira imagem apresenta-nos os dois melhores amigos, Sulley e Mike, num momento de sucesso. Um instante que capta perfeitamente a personalidade de cada um. Sulley, o grande, forte e corajoso protagonista e Mike, o irreverente, vaidoso e divertido companheiro. Ambos formam uma dupla invejável.


Esta imagem regista a primeira vez que vimos Boo no ecrã. O seu olhar de curiosidade, esplendor e encanto cativa-nos em segundos. E a sua admiração perante o “monstro” é desde logo evidente.


Esta cena representa para mim uma das características mais fascinantes do filme. Inicialmente poderíamos supor que apenas as crianças teriam medo dos monstros que saem à noite do armário, mas a verdade, é que o inverso também ocorre. Como é que algo tão grande e “assustador” pode recear uma figurinha humana tão pequena e insegura? Parece-nos impossível, mas acontece. O facto de não conhecermos outras realidades faz-nos por vezes temer desnecessariamente o desconhecido, o que nem sempre nos leva a adoptar as melhores atitudes.


  
As diferentes expressões de Boo ao longo do filme são de uma riqueza inegável. A menina, que praticamente não fala, usa sobretudo os olhos como arma da comunicação. Aqui é claro o temor que ela sente em relação a Randall. É fabuloso como ela transmite o que sente sem usar palavras.


Esta imagem mostra-nos o enorme mundo da fábrica dos gritos e as milhares de portas que fazem com que os dois universos se possam cruzar.


Para mim, este é o melhor momento de todo o filme. Penso que a imagem nem precisa de grandes explicações. O abraço enternecedor na inevitável despedida comove qualquer um... E a banda sonora que a acompanha é igualmente brilhante. É sem dúvida das cenas mais tocantes da Pixar...


Nesta cena, Mike mostra a surpresa que preparou ao melhor amigo, a reconstrução da porta do guarda-fatos de Boo. Falta apenas uma peça para completar a porta, a peça que Sulley guarda juntamente com o desenho pitoresco feito por Boo... A luz a iluminar a porta que dá acesso ao mundo da menina antecipa um final expectante... A excitação e curiosidade invocadas no público crescem a cada minuto... E assim termina este magnífico filme, com o enorme sorriso de Sulley. Não nos desvendam mais nada, mas penso que nenhum de nós precisava de ver mais."


Agradeço à Joana Vaz pela colaboração e por um belo artigo! Espero que gostem!