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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

Não faço previsões


Mais logo decorre a entrega dos Emmys, os prémios major da televisão americana (como o João já fez questão de relembrar) e para variar, este ano, não faço previsões. Não as faço porque, pela primeira vez desde que comecei a acompanhar atentamente, não vou seguir a cerimónia. 


Ao invés de fazer apostas, vou deixar cá cinco desejos para logo (não interessa se se realizam ou não):


"Mad Men" vence de novo e vira recordista de Emmys para Melhor Drama: olhem, eu sou um confesso admirador de todos os nomeados da categoria (menos "Downton Abbey", que segunda temporada desastrosa!) e até considerava dar o prémio a todos. "Breaking Bad" e "Homeland" são ferozes competidores, de facto, mas o drama de época de Matthew Weiner continua a ser do mais alto quilate de produção televisiva. A quinta temporada é capaz de ser a minha favorita, em pé de igualdade com a enorme terceira temporada e assim sendo não hesito em dar-lhe, mais uma vez, o título de melhor série da televisão norte-americana. Uma achega: "The Good Wife" devia estar entre estes nomeados. Enfim.


Amy Poehler vença algum dos prémios para o qual está nomeada: é assim, eu não sou muito de defender que se apele a factores externos para justificar uma vitória neste tipo de cerimónias, mas se há alguém que merece que se tenha um bocado de pena do que se passa na vida pessoal e se aproveite e se premeie essa pessoa com um troféu, é Amy Poehler. Isto porque na categoria de Melhor Actriz, não há uma concorrente melhor que ela. Sim, também gosto da Julia Louis-Dreyfus no "Veep", mas o episódio que submeteu foi o único em que achei que a usaram no máximo das suas capacidades. A Melissa McCarthy e a Tina Fey estão nas nomeadas para fazer figura (se bem que Tina tem um episódio excepcionalmente bom este ano, fosse para o ano e era ela que vencia, por ser a última temporada de "30 Rock"), a Edie Falco foi nomeada para premiar a melhoria substancial da série dela este ano e a Zooey tem mais anos para ganhar (a isto junta-se o facto que meia Hollywood - aliás, meio mundo - a acha irritante). Portanto resta a Lena Dunham. Pessoal, eu gosto muito de "Girls", é muito bem escrita e realizada, mas a Lena Dunham, apesar de competente, não é das melhores actrizes de sempre. Já na outra categoria a que vai a votos, Poehler só perde para Chris McKenna ("Community"), mas tendo em conta aparentemente que tem vindo a crescer um  movimento anti-"Modern Family" (mais um ano ou dois e a coisa começa a estalar) e um Emmy para "Community" seria quase um sinal do apocalipse, vá lá, se roubarem o Emmy à Amy para Melhor Actriz, ao menos dêem-lhe para Melhor Escrita.


Eu adoro o Jim Parsons, mas por favor não lhe dêem outro Emmy: é assim, o Jim Parsons é bestial e um excelente actor, mas o Sheldon Cooper este ano parecia ter quase saído de um cartoon, de tão estereotipado que é. Salvo um ou outro episódio com alguma profundidade emocional, o Sheldon só apareceu este ano para inúmeras punchlines e ser motivo de risota pelos seus pânicos e medos habituais. Numa categoria que tem o Larry David mais acessível de sempre, um Louis C.K. de luxo e uma estrela de cinema como Don Cheadle numa interpretação bastante curiosa em "House of Lies" (nem peguemos em Jon Cryer e Alec Baldwin), é um insulto que se dê um terceiro Emmy a Parsons (ele que roubou um Emmy a Carell o ano passado) por brincar com um tambor. No. way.


Finalmente, um prémio grande da indústria para Julianne Moore: é um escândalo que esta mulher não tenha um Globo de Ouro, um Óscar, um BAFTA e um SAG com o seu nome gravado por "Far From Heaven". Nem preciso de escrever mais, a sua Sarah Palin vai para a história como uma das grandes interpretações televisivas não só do ano, mas da década. Se a Nicole Kidman lhe rouba o Emmy (ou a Connie Britton, também) por uma interpretação tão hórrida como a dela no telefilme "Hemingway and Gellhorn", lamento dizer que a sanidade da Academia está por um fio.


Proibir mais vitórias de "Modern Family" nas categorias secundárias: olhem, eu gosto de "Modern Family". Não sou o maior defensor da série, é um facto, acho que a terceira temporada foi na maior parte das vezes intragável mas quando a comédia funciona, é do melhor que há em televisão. Dito isto: estou farto que a Academia ache que todos os actores têm que ser nomeados. Não fizeram isso com "Friends", por exemplo. Não fizeram isso com "Sex & the City", "Will & Grace", "Seinfeld", "Cheers"... e a lista continua. O último exemplo recente que me lembro desta situação é o de "Everybody Loves Raymond" e o de "Frasier", que passavam a vida a entupir categorias onde actores muito melhores caberiam. Por favor, quem me disser que a Patricia Heaton mereceu os dois Emmys e as mil nomeações que teve acima da Courteney Cox, por exemplo, que se atire para dentro de um poço e lá fique. Voltando a "Modern Family"... Gente, eu acho que  o Ty Burrell, a Julie Bowen e o Eric Stonestreet merecem ser nomeados. E mereceram as três nomeações e a vitória que conseguiram. A sério que acho. Mas os outros? São típicas nomeações por arrasto. Estou para ver quando vai acabar e que consequências isso tem. Por exemplo, se isto continua mais um ano e "Parks & Recreation" for cancelado para o ano, vamos ter uma das personagens mais extraordinárias da televisão actual - Ron Swanson - completamente ignorado pela Academia, que preferiu abrir umas vagas para mais uns tristes de "Modern Family" não se sentirem excluídos? Santa paciência! Por tudo isto, eu peço à Academia que se lembre de dar o prémio ao Max Greenfield (era tão lindo!) e à Kristen Wiig. Os dois merecem. Muito. E são as melhores interpretações das suas categorias. Provavelmente ganharão de novo Ty e Julie, o que para mim também está muito bem.


E vocês: que cinco desejos esperam ver cumpridos na noite de hoje? Alguma surpresa que prevêem?




EMMY 2011: Melhor Série - Comédia

 

MELHOR SÉRIE - COMÉDIA

THE BIG BANG THEORY
GLEE
MODERN FAMILY
THE OFFICE
PARKS & RECREATION
30 ROCK

Uma categoria sem grande história esta, com os regressos (todos esperados) de "30 Rock", que continua uma das séries favoritas da indústria, com 13 nomeações para a sua quinta temporada, "Modern Family" que é a nova coqueluche, premiada o ano passado com o Emmy de Melhor Comédia e este ano aumentou o seu total de nomeações para 17, o que só pode significar maior aprovação para a comédia que este ano levou com algumas críticas mas que continuou quase tão engraçada como na primeira temporada, "The Office", que está aqui, muito provavelmente, pela ainda grande fidelidade que a Academia tem a Greg Daniels e a Steve Carell, que está a despedir-se da televisão, para já e finalmente "Glee", que se tem tornado tão falada que até quase já mete impressão. A segunda temporada não foi assim tão boa, com altos e baixos, mas continua a não haver nada como a série em televisão e só por isso merece ser nomeada. A estas juntou-se finalmente (!) "Parks & Recreation", a melhor comédia em televisão hoje em dia e "The Big Bang Theory", que anda a ser prevista nesta categoria há três anos e só agora, à quinta tentativa, conseguiu ser nomeada. É, das seis, a série com mais seguidores, mais fãs e mais audiências.


Quem ficou de fora:
Acho que só "The Big C" se pode queixar de ter sido ignorado, porque esperava-se que conseguisse ser nomeado. "Nurse Jackie", nomeado o ano passado, também pode ter fãs queixosos. Já outros - fãs de "Community", "Cougar Town", "Chuck", "Raising Hope" ou "Bored to Death" - devem sentir-se felizes por conhecerem séries tão boas ou melhores até que a maioria dos nomeados e que a Academia teima em nomear. Os Emmys não são, no fim de contas, assim tão importantes.
Quem devia ganhar:
"Parks & Recreation", a melhor comédia na televisão.

Quem vai ganhar: 
Este ano é ainda mais certo que em 2010: "Modern Family" vai coleccionar mais uns troféus este ano.


Lista de episódios submetidos:

THE BIG BANG THEORY
"The Herb Garden Germination" e "The 21-Second Excitation"
"The Justice League Recombination" e "The Engagement Reaction "
"The Love Car Displacement" e "The Agreement Dissection"

GLEE
"Audition" e "Silly Love Songs"
"Original Song" e "The Substitute"
"Duets" e "Never Been Kissed"

MODERN FAMILY
"Old Wagon" e "Someone to Watch Over Lily"
"Mother's Day" e "Caught in the Act"
"Manny, Get Your Gun" e "The Kiss"

THE OFFICE
"Andy's Play" e "China"
"PDA" e "Threat Level Midnight"
"Garage Sale" e "Good-Bye Michael" 

PARKS AND RECREATION
"Flu Season" e "Ron and Tammy: Part Two
"Fancy Party" e "Harvest Festival"
"The Fight" e "Li'l Sebastian"

30 ROCK
"When It Rains, It Pours" e "Live Show (West Coast)"
"Reaganing" e "Double-Edged Sword"
"Operation Righteous Cowboy Lightning" e "TGS Hates Women"

EMMY 2011: Actriz Secundária - Comédia e Drama



Melhor Actriz Secundária - Drama:




Christine Baranski, "The Good Wife"
Michelle Forbes, "The Killing"
Christina Hendricks, "Mad Men"
Kelly MacDonald, "Boardwalk Empire"
Margo Martindale, "Justified"
Archie Panjabi, "The Good Wife"




Quem ficou de fora: Só por não se terem esquecido de Margo Martindale nem merecem que eu me queixe. Penso também que não houve nenhuma exclusão gritante, se bem que adeptos de "Treme" poderão queixar-se por Khandi Alexander, adeptos de "Southland" por Regina King, adeptos de "Parenthood" por Mae Whitman e Monica Potter e os fãs de "Game of Thrones" por Emilia Clarke e Maisie Williams. Sinceramente, a omissão que mais me incomoda é a de Kiernan Shipka ("Mad Men") porque apesar de eu amar Christina Hendricks de coração foi Shipka que mais adicionou à série esta temporada. Que prodígio esta actriz infantil.

Quem devia ganhar: Não há grande discussão a haver aqui, pois Margo Martindale e Archie Panjabi estão bem acima das restantes nomeadas. E mesmo entre as duas, a interpretação de Martindale é colossal demais para estar em competição com alguém. Foi a melhor performance do ano em qualquer categoria, masculina ou feminina.

Quem vai ganhar: Para mim, é uma clara luta a três. Penso que Hendricks (escolheu "The Summer Man"), mesmo tendo vencido o Critics' Choice este ano, vai ter que esperar mais algum tempo para triunfar nesta categoria. O mesmo terá que ser dito de Baranski (optou por "Silver Bullet") que a juntar ao pouco tempo de ecrã não tem muito a fazer quando a câmara se foca nela. Depois temos Forbes, finalmente nomeada ao fim de tantos anos de trabalho de qualidade em televisão, que escolheu o piloto de "The Killing". Numa categoria mais fraca - sem Martindale, portanto - seria uma ameaça a temer. Assim sendo... O rótulo de novidade vai inteirinho para Margo Martindale (seleccionou "Brother's Keeper") que consegue, com a sua interpretação da sinistra e mafiosa Mags Bennett, ser temerosa e temerária, vulnerável e implacável, tudo em simultâneo. Brilhante. Se Martindale não vencer, será Panjabi, em princípio, que coleccionará novo Emmy. Ninguém apostava nela o ano passado e ela venceu. Este ano, o caso é bem diferente, pois é ela a favorita e a sua escolha de episódio ("Getting Off") comprova-o. E depois temos o curioso caso de Kelly MacDonald que quando a sua série terminou em Novembro era a favorita a vencer. Até chegar Martindale. Ainda pode ganhar, até porque o seu episódio é excelente e beneficia-a imenso ("Family Limitation") e ela até é anterior vencedora mas eu diria que Martindale roubou o buzz que tinha.

Assim, Margo Martindale é a minha previsão, com Archie Panjabi bem perto como outsider para vencer.


Melhor Actriz Secundária - Comédia:


Julie Bowen, "Modern Family"
Jane Krakowski, "30 Rock"
Jane Lynch, "Glee"
Sofia Vergara, "Modern Family"
Betty White, "Hot in Cleveland"
Kristen Wiig, "Saturday Night Live"

Quem ficou de fora: Bem sei que era impossível excluir Betty White da lista e consigo encontrar razões para Krakowski (que eu adoro) e Wiig lá estarem também, mas alguém sinceramente acha que elas são das melhores actrizes secundárias de comédia em televisão? Ninguém vê "Cougar Town", "Parks & Recreation" e "Community"? E "The Big Bang Theory"? Tem mais de doze milhões de espectadores por episódio! Já nem falo de "Hung" ou até "Happy Endings" ou "Raising Hope". Ou até mesmo "Glee". Há gente de valor em "Glee", mais até que Chris Colfer! Enfim. Tão simples que era: Busy Philips, Aubrey Plaza, Alison Brie. E tudo mudava para melhor.

Quem devia ganhar: Uma coisa complicada de definir. Se me perguntam quem tem mais qualidade, eu diria Wiig ou Krakowski. Se me perguntam em termos de temporada, Sofia Vergara. Mas se formos pelo episódio, Julie Bowen. Que também teve uma óptima temporada. E por isso devia ganhar.

Quem vai ganhar: Tragicamente, teremos a interpretação menos cómica da categoria a levar o troféu. De novo. Por um episódio bem fraco. Falo, claro, de Jane Lynch. Se em "Funeral" lhe é permitido mostrar a sua qualidade como actriz dramática, Kristen Wiig decidiu dar uma ajuda e, ao submeter o episódio de "SNL" apresentado por Lynch, apresenta uma perspectiva totalmente diferente da actriz de "Glee", verdadeiramente divertida e enérgica. Além do mais, ela apresenta os Emmys este ano. Fácil de fazer cálculos, não é? Se ela não ganhar, Betty White - que era, até ao dia de hoje, a minha prevista vencedora - é quem vai coleccionar mais um troféu. White - de longe a melhor coisa que saiu de "Hot in Cleveland" - submeteu "Free Elka", onde ela envergonha a também anterior vencedora - e célebre actriz - Mary Tyler Moore. O 'cavalo negro' da categoria é Julie Bowen. Seria Sofia Vergara - se esta soubesse escolher episódios (voltou a optar, tal como fez em 2010, por um episódio em que a sua personagem não só é insuportável, mas também pouco cómica). Este ano, teve ainda a particularidade de com  o seu episódio ("Slow Down Your Neighbours") ajudar a colega Bowen a fazer boa figura, ela que já tinha impecavelmente escolhido "Strangers on a Treadmill" para avaliação pela Academia. De resto, não me parece que os quase cinco minutos de tempo de ecrã de Jane Krakowski em "Queen of Jordan" e a qualidade habitual de Wiig - que, indiscutivelmente, tem demasiado talento para esse medíocre programa - sejam ameaça à favorita, Jane Lynch.

EMMY 2011: Actor Secundário - Drama e Comédia



Com a cerimónia dos Emmys a ocorrer mais logo (1 da manhã no AXN/Sony Entertainment), vamos tentar abordar as principais categorias e fazer algumas previsões, tal como já fizemos há uma semana para as categorias de Actor e Actriz Convidado (acertei 3 em 4, falhando apenas Loretta Devine).


Primeiro vamos falar da categoria de Melhor Actor Secundário - Drama.


Andre Braugher, "Men of a Certain Age"
Josh Charles, "The Good Wife"
Alan Cumming, "The Good Wife"
Peter Dinklage, "Game of Thrones"
Walton Goggins, "Justified"
John Slattery, "Mad Men"


Quem ficou de fora: Uma lista de nomeados de respeito, todos merecedores da nomeação, sem dúvida. Ainda assim, não percebo como a Academia, que concede 17 nomeações a "Boardwalk Empire", entre elas duas nomeações para actores, não consiga encontrar lugar para Michael Shannon ou Michael Pitt. Também o elenco masculino de "Parenthood" poderia ter merecido aqui alguma menção - e quem diz "Parenthood" diz "Southland", "Treme", "Sons of Anarchy" ou mesmo "True Blood". Agora há duas omissões que não posso perdoar: é muito lindo nomear Mireille Enos para Melhor Actriz, mas será que a Academia não viu o óbvio - e por óbvio quero eu dizer Joel Kinnaman, que é de longe o melhor intérprete da série? A outra omissão que me choca até me custa mencionar, tal é o número gritante de pessoas que passa a vida a queixar-se disso. Contudo, realmente, não havia lugar para John Noble ("Fringe") mas há para Andre Braugher? Por favor.

Quem devia ganhar: De entre os nomeados, eu teria que dizer ou Walton Goggins que teve uma temporada fenomenal ou Alan Cumming, que aproveita todos os minutos de tempo de ecrã que tem em "The Good Wife" para roubar cenas a Chris Noth ou a Julianna Margulies.

Quem vai ganhar: Andre Braugher tinha melhores hipóteses de vencer pelo episódio do ano passado, é verdade, mas tendo em conta que a sua série acabou, que ele é muito querido na indústria e é um anterior vencedor e que no seu episódio ("Let the Sunshine In") ele é espectacular, não me surpreenderia se vencesse. A sua situação, aliás, relembra-me a de Kristen Chenoweth em 2008, quando venceu por "Pushing Daisies". Em ambos os casos, eram a grande nomeação das suas respectivas séries, que tinham sido canceladas - para ira de muitos fãs - no ano anterior. Depois de o ano passado ter sido injustamente esquecido, Josh Charles beneficiou da subida de qualidade da sua série para conseguir uma nomeação este ano. O seu episódio é o menos fabuloso de entre os nomeados ("Closing Arguments"), não pela sua qualidade (porque o episódio é muito bom), mas porque lhe dá muito pouco que fazer. Já Alan Cumming, por exemplo, tem um episódio que o beneficia imenso ("Silver Bullet"). Ele é claramente o grande bónus da série, transformando momentos de drama pesado de "The Good Wife" com alguns toques de humor e comédia nunca perdendo a intensidade dramática. Tem boas hipóteses de ganhar, embora eu pense que o mais provável é que perca para um dos três senhores seguintes. John Slattery foi o claro favorito à vitória o ano todo e tido como coisa certa. Matthew Weiner proporcionou-lhe o seu melhor episódio até à data ("Hands and Knees") e Slattery não desaponta. Ainda acredito na sua vitória, embora agora pense que fica a perder quando comparado com estes próximos dois senhores. Peter Dinklage ("Game of Thrones") é o 'cavalo negro' da categoria. Tivesse escolhido outro episódio e eu dar-lhe-ia a vitória de caras. Não que em "Baelor" ele não seja impressionante à mesma, porque é; contudo, não é um episódio em que ele exiba várias das qualidades que tornaram Tyrion Lannister tão querido e tão amado pelos fãs. Chegamos, pois, finalmente a Walton Goggins. Se houvesse alguma justiça, o seu tresloucado e irresponsável Boyd era de longe o vencedor. Ele tem o melhor episódio ("The I of the Storm") e o que me dá esperança, acima de tudo, numa vitória dele é o facto do largo apoio da Academia à segunda temporada da sua série. Veremos o que acontece nesta categoria bem imprevisível.

Sem certezas, aposto em Peter Dinklage mas qualquer um dos seis pode vencer.



Abordando agora a categoria de Melhor Actor Secundário - Comédia:


Ty Burrell, "Modern Family"
Chris Colfer, "Glee"
Jon Cryer, "Two and a Half Men"
Jesse Tyler Ferguson, "Modern Family"
Ed O'Neill, "Modern Family"
Eric Stonestreet, "Modern Family"


Quem ficou de fora: Não querendo bater no ceguinho, sinto-me quase insultado que a Academia tenha optado por não se decidir quanto a quem expulsar dos actores de "Modern Family" e nomeado todos. Mais Jon Cryer que só cá está porque teve que aturar Charlie Sheen e ameaças de desemprego. E Chris Colfer que não tem um minuto de comédia em todas as suas cenas do episódio escolhido. E magoa-me quando penso que nesta categoria podiam estar Peter Facinelli ("Nurse Jackie"), Garrett Dillahunt ("Raising Hope"), Ian Gomez, Brian van Holt e Josh Hopkins ("Cougar Town"), John Benjamin Hickey e Oliver Platt ("The Big C"), John Krasinski, Ed Helms e Rainn Wilson ("The Office"), Ted Danson e Zack Galifianakis ("Bored to Death"), Danny Pudi, Chevy Chase e Daniel Glover ("Community"), Josh Cooke e Kurt Fuller ("Better with You"), Neil Patrick Harris e Jason Segel ("How I Met Your Mother"), Simon Helberg e Kunal Nayyar ("The Big Bang Theory") e sobretudo Adam Scott, Aziz Ansari e Nick Offerman ("Parks & Recreation"). Aliás, a exclusão de Ron Swanson é das piores decisões da Academia desde que me lembro. O que me vale é que provavelmente  o próprio Swanson cuspiria no troféu. De qualquer forma, dá para ver o quão ridícula eu acho que é a composição desta categoria.

Quem devia ganhar: Ty Burrell. Não há sequer outra opção. Eric Stonestreet virou tão ou mais caricatura que Sue Sylvester (Jane Lynch) em "Glee", Ed O'Neill não tem piada e Jesse Tyler Ferguson tem os seus momentos. Que são muito poucos. O que não quer dizer que os três não sejam eficientes nos seus papéis, que são. Mas nenhum deles tem o talento de Burrell que para mim já o ano passado devia ter vencido. Para meu pesar, aposto que esta categoria vai rodar pelo elenco de "Modern Family", cada um vencendo num ano diferente.

Quem vai ganhar: Esta categoria é muito fácil de explicar. Ed O'Neill vence se a Academia achar que foi vergonhoso demais ter-se esquecido dele o ano passado, já depois de uma dezena de anos a ignorá-lo por "Married with Children" (o seu episódio escolhido, "The Kiss", pertence mais a todos do que a ele, logo não será por aí que ele há-de ganhar). Chris Colfer vence se a Academia ficar impressionada pelo seu talento vocal (em "Grilled Cheesus", não há um pingo da sua interpretação que seja engraçada, sendo até bastante pesarosa e deprimente com a sua personagem a preocupar-se com a morte do seu pai e, num dos melhores momentos da temporada da série, a cantar-lhe uma canção agarrando a sua mão) e pelo melodrama que imprime na série. Eric Stonestreet vence se Ty Burrell não conseguir vencer, tal como o ano passado. Stonestreet escolhe bem episódios (este ano escolheu "Mother's Day"), ao contrário de Burrell ("Good Cop, Bad Dog") o que lhe pode valer novo Emmy, caso a Academia não nutra o mesmo amor por Burrell que a maioria dos fãs da série sente. Jon Cryer não vai vencer, apesar de ser bastante impressionante no seu episódio, "The Immortal Mr. Billy Joel". Finalmente, Jesse Tyler Ferguson é, se formos a ver pelos episódios, o favorito a vencer (ele escolheu "Hallowe'en"), embora seja também o menos interessante dos seis personagens adultos da série.

Assim sendo, aposto que Ty Burrell ganha, uma vez que mesmo não tendo escolhido um bom episódio, surge em bom plano nos cinco episódios escolhidos pelos seus colegas, todos nomeados, o que o poderá beneficiar imenso. A minha dúvida reside só e apenas na distinta possibilidade de os quatro actores de "Modern Family" poderem repartir os votos e acabar por ser Chris Colfer a triunfar.


EMMY 2011: Melhores Actor e Actriz Convidados - Comédia



Com a cerimónia dos Emmy a ocorrer em breve (dia 18 de Setembro), chega a hora de eu abordar finalmente as principais categorias a prémio e discutir os méritos dos nomeados, de quem ficou de fora e quem terá maiores probabilidades de vencer.

As quatro categorias de hoje serão as de Actor e Actriz Convidado, Drama e Comédia. Decidi começar por estas pois os seus vencedores serão revelados já hoje nos Creative Arts Emmys. Depois de abordarmos as duas categorias dramáticas, é a vez das comédicas, começando por Melhor Actor Convidado - Comédia.



Will Arnett, "30 Rock"
Matt Damon, "30 Rock "
Idris Elba, "The Big C"
Zach Galifianakis, "Saturday Night Live"
Nathan Lane, "Modern Family"
Justin Timberlake, "Saturday Night Live"


Quem ficou de fora: Ninguém que eu considere gritante, mas sem dúvida que muitos terão ficado surpreendidos por ver Darren Criss ("Glee"), Will Forte e Cheyenne Jackson ("30 Rock") e outros diversos convidados de "Parks & Recreation" e "Modern Family" de fora, como por exemplo Adam Samberg e Matt Dillon.
Quem vai ganhar: A dúvida aqui é se a Academia considera ou não que Justin Timberlake já foi devidamente premiado com o Emmy de 2009 por também então ter apresentado o programa de variedades. Em teoria, ele é o candidato principal à vitória, com Galifianakis e Lane como outras grandes possibilidades. Ainda há que ter em conta que há uma estrela de cinema entre os nomeados (Matt Damon) que pode ser surpreendido com a vitória.

Quem devia ganhar: Esta é uma questão para a qual não tenho bem resposta. Eu vi o episódio de Zack Galifianakis e gostei, não vi o do Timberlake mas sei do que ele é capaz porque vi o de 2009. Parece-me a mim - que vou então descartar o Timberlake - que Nathan Lane é o mais forte competidor (mas não por este episódio, pela sua outra aparição em "Modern Family" na segunda temporada) e a seguir é Matt Damon.

Quem tem o melhor episódio: Idris Elba tem pouco com que trabalhar aqui, ainda para mais comparando com o que fez em "Luther", pela qual também está nomeado este ano. Em "Blue-Eyed Iris", Elba interpreta um homem que se envolve com Cathy e lhe permite perceber que não é uma relação fugaz que ela quer. Will Arnett ("30 Rock") já devia ter vencido antes mas tal não sucedeu. À sua terceira nomeação pelo seu Devon Banks, o imensamente popular actor foi dado pouco com que trabalhar em "Plan B", sendo de qualquer forma bastante divertido na sua interacção com Jack Donaghy (Alec Baldwin). Nathan Lane é propositadamente excêntrico e berrante e exagerado como Pepper, o amigo com uma personalidade bastante peculiar de Cameron e Mitchell. Em "Boys' Night", Lane tem o condão de ocupar o seu espaço e roubar a espaços a cena mas nunca dominando o episódio ou a comédia. É uma performance muito inteligente, ainda melhor na sua primeira aparição nesta temporada do que neste episódio escolhido. Quem tem o melhor episódio, para mim, é Matt Damon, que partilha a narrativa principal do episódio com Tina Fey (Liz Lemon), com quem o seu piloto Carol namora, em "Double-Edged Sword". À custa de uma avaria no motor, enquanto ele tenta acalmar os seus passageiros, ela origina uma espécie de motim, levando ambos a repensar a sua relação. Sendo ele um actor famoso e popular e sendo uma interpretação de qualidade inegável - ainda para mais num programa que mesmo cinco anos desde o seu início continua a merecer rasgados elogios da indústria - é fácil perceber como ele pode ganhar. Falando agora dos dois apresentadores do "Saturday Night Live"... No episódio de Zack Galifianakis, ele é divertido, engraçado, envolve-se bem nas piadas e nos sketches e mantém o pessoal entretido. Justin Timberlake tem a seu favor, além do episódio ser um sucesso (de audiências inclusive), mais duas nomeações para as suas duas músicas escritas por ele e Adam Samberg, o que é sinal que a Academia gostou mesmo do seu episódio. É o favorito à vitória.


Passemos agora à categoria de Melhor Actriz Convidada - Comédia. Quem sucederá a Betty White?



Elizabeth Banks, "30 Rock"
Kristin Chenoweth, "Glee"
Tina Fey, "Saturday Night Live"
Dot Marie Jones, "Glee"
Cloris Leachman, "Raising Hope"
Gwyneth Paltrow, "Glee"


Quem ficou de fora: Quatro nomes destacam-se na minha mente: Cynthia Nixon e Gabourey Sidibe ("The Big C"), principalmente porque as nomeações de Jones e Chenoweth são quase simpáticas demais para serem verdade e porque Idris Elba por muito menos conseguiu ser nomeado; Jennifer Aniston ("Cougar Town"), que obviamente apanhou o mesmo castigo que Courteney Cox e a restante malta da série, que não é de todo aquilo que a Academia aparentemente aprecia; e penso que não há desculpa para Parker Posey ("Parks & Recreation") ter sido esquecida. É um erro inquestionável da parte da Academia. Felizmente fugimos, este ano, a nomeações vindas do nada para Elaine Stricht, Queen Latifah e Susan Sarandon ("30 Rock"), Mary Tyler Moore ("Hot in Cleveland") ou Carol Burnett ("Glee") só porque são famosas. Mas Frances Conroy ("United States of Tara" e "How I Met Your Mother"), Jennifer Morrison ("How I Met Your Mother") e Celia Weston ("Modern Family") podiam ter tido uma palavra a dizer.

Quem devia ganhar: Sem qualquer dúvida, este prémio é de Cloris Leachman que transforma "Raising Hope" sempre que surge em cena, tal e qual Martha Plimpton. Diria Gwyneth Paltrow se ela se só tivesse aparecido aquela vez. A segunda participação na série é um desastre.

Quem vai ganhar: Tenho as minhas dúvidas que Cloris Leachman consiga roubar o ceptro a Gwyneth Paltrow, se bem que devia.

Quem tem o melhor episódio: Gwyneth Paltrow é contagiante e divertida e refrescante e energética em "The Substitute" o que, especialmente se quem votar não acompanhar a série, lhe garante quase de certeza a vitória. Não me lembro de ver Paltrow tão bem nalguma coisa como aqui - e a sua presença e carisma neste episódio fez-me lembrar a interpretação vencedora de Neil Patrick Harris o ano passado pela mesma série. Pena que tenha estragado este estado de graça com uma segunda participação horrorosa. Também em "Glee" mas no episódio "Rumours" surge Kristin Chenoweth, desta vez ainda com menos que fazer do que no episódio pelo qual foi nomeada o ano passado. Mesmo muito popular, é aquela que menos hipóteses tem de vencer. A outra nomeação por "Glee" - que quase parece por simpatia - é a de Dot-Marie Jones, que em "Never Been Kissed" nos permite desvendar um pouco mais por detrás da sua personagem, uma garota frágil e delicada debaixo de um exterior de aço. É honesta e é amigável e fácil de simpatizar com a sua treinadora, mas em termos de actuação não é nada de mais. Depois de ter sido injustamente esquecida o ano passado, é de ficar contente de ver Elizabeth Banks nomeada. A sua performance é engraçada e cheia de charme e, num ano mais favorável, ela poderia mesmo ter ganho. Com Alec Baldwin, compõem o outro fio narrativo do episódio "Double-Edged Sword", quando partem os dois para o Canadá e por acidente a sua filha nasce lá, para terror dos pais. Pela terceira vez que apresenta o "Saturday Night Live", Tina Fey já pouco apresenta de novo. O seu sketch de Sarah Palin teve piada, uma vez mais, mas não foi inovador. Assim sendo, não me parece plausível considerá-la como possibilidade. Assim sendo, só nos resta falar da outra grande competidora de peso e grande , Cloris Leachman. Vinte e duas nomeações no total e um recorde de oito vitórias - duas  nesta categoria por uma personagem igualmente louca e numa situação semelhante em dinâmica familiar em "Malcolm in the Middle" - Leachman nunca pode ser posta fora das contas. Embora o episódio que submeteu seja dos mais fracos da temporada ("Don't Vote for This Episode"), a sua interpretação é ainda assim verdadeiramente impressionante e se houver votantes que tenham acompanhado a série ou que tenham visto outros episódios submetidos para apreciação, as chances dela vencer são ainda maiores. Não sei se suficientemente altas para bater Paltrow, mas se há concorrente capaz de a vencer, é a octagenária Leachman.

E vocês, que pensam disto tudo?

Discutindo os Emmy 2011: Melhor Série - Comédia


A contar os dias para o anúncio dos nomeados para os Emmy 2011 - que ocorrerá esta quinta-feira 14 de Julho, venho oferecer a minha opinião sobre quais os candidatos mais fortes nas principais corridas e tentar a minha sorte no jogo preditivo, tal e qual como faço para os Óscares. A próxima: Melhor Série - Comédia.

MELHOR SÉRIE - COMÉDIA


PREVISÃO:
"30 Rock"
"Glee"
"Hot in Cleveland"
"Modern Family"
"Nurse Jackie"
"The Office"

Esta categoria tem dois nomeados fortíssimos, cada um por razões diferentes mas independentemente disso seguros que irão conseguir a sua segunda nomeação: "Glee" e "Modern Family". Também será entre estes dois que a luta decorrerá para vencer. A eles se deve juntar "30 Rock" que irá para a sua quinta nomeação consecutiva e que, após três vitórias consecutivas, cedeu o ano passado o título a "Modern Family" e tem vindo a cair ligeiramente em popularidade e "The Office", que pelo menos este ano ainda deverá constar da lista dos nomeados, naquele que foi o ano de despedida da sua estrela, Steve Carell.

"Curb Your Enthusiasm" não emitiu episódios este ano e por isso alguém novo terá de entrar para o seu lugar. O sexto nomeado em 2010 foi "Nurse Jackie", que terá bastante dificuldade em repetir o feito, dado o facto da sua segunda temporada ter decaído um pouco em qualidade em relação à primeira. Ainda assim, estou a prever que se mantenha, sobretudo porque a concorrência, embora de peso, não é bem tida em conta na Academia.

"The Big Bang Theory" ocupa a linha da frente para ser nomeado há já três anos, desde que o buzz que paira sobre a série vem aumentando de forma ensurdecedora. Ainda assim, perdeu o lugar para "How I Met Your Mother" em 2009 e para "Nurse Jackie" em 2010, algo que ninguém previa em ambas as ocasiões. Assim não dá para não desconfiar que será este ano que finalmente será nomeada - embora seja bastante possível que aconteça. O mesmo se passa com "Parks & Recreation", que apesar de merecer já o ano passado constar dos seis nomeados, só Amy Poehler é que conseguiu a nomeação para Melhor Actriz. Todo o mundo espera que este ano a série se safe melhor - até porque é, para muitos (incluindo eu), a melhor comédia na televisão actual. A elas se junta "Community", a série mais criticamente aclamada dos últimos dois anos, que muita gente admira mas que não conseguiu favores o ano passado na Academia - e da qual se espera mais em 2011. Veremos.

Entre os nomeados anteriores que entretanto saíram da lista, não há nenhum que me pareça talhado a regressar, embora tenham que ser tidos em conta à mesma: afinal, "Entourage" sempre conseguiu três nomeações e "Weeds" duas e mesmo "Family Guy" e "How I Met Your Mother" surgiram em 2009 batendo adversários de grande peso, tornando-se a primeira série animada e a primeira série de duas câmaras a serem nomeadas em muito tempo.

Das novas séries, há duas que merecem que se preste atenção: "The Big C" tem muito buzz para a sua estrela, Laura Linney, que pode trazer atrás de si nomeações extra, como muita gente pensa ter sucedido com Edie Falco e "Nurse Jackie" o ano passado, curiosamente também da Showtime; e "Hot in Cleveland", de regresso ao tradicional formato de sitcom com laugh track e com actrizes de renome, lideradas pela carismática Betty White de regresso de forma regular à televisão. Suspeito que esta combinação de tradição com o peso dos nomes do elenco será impossível de resistir à Academia, apesar de não me surpreender se for outro o sexto nomeado. "Raising Hope", "Mike & Molly", "Louie" e "Episodes" são outras séries novas que têm possibilidade de serem tidas em consideração, embora eu não tenha muita esperança que sejam. A elas se juntam "The Middle", que até potencialmente merecia um lugar entre os seis nomeados, mas que a Academia ignorou em 2010 apesar de ter Patricia Heaton, duas vezes vencedora do Emmy por "Everybody Loves Raymond", no elenco.

Discutindo os Emmy 2011: Melhor Actor Secundário e Actriz Secundária - Comédia

A contar os dias para o anúncio dos nomeados para os Emmy 2011 - que ocorrerá esta quinta-feira 14 de Julho, venho oferecer a minha opinião sobre quais os candidatos mais fortes nas principais corridas e tentar a minha sorte no jogo preditivo, tal e qual como faço para os Óscares. Pego agora em Melhor Actor Secundário e Melhor Actriz Secundária em Comédia.

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIA - COMÉDIA


PREVISÃO:
Julie Bowen, Modern Family
Jane Krakowski, 30 Rock
Jane Lynch, Glee
Sofia Vergara, Modern Family
Betty White, Hot in Cleveland
Kristen Wiig, Saturday Night Live 

Do grupo de nomeadas do ano passado, Sofia Vergara e Julie Bowen ("Modern Family") e a vencedora Jane Lynch ("Glee") irão certamente repetir a nomeação, até porque as suas séries continuam populares e as suas interpretações ainda são agradavelmente relembradas. Jane Lynch tem ainda como bónus o facto de ser a apresentadora da cerimónia deste ano, algo que só a fará ganhar mais votos e reconhecimento. A elas deve-se juntar a rejuvenescida Betty White que, aos oitenta e nove anos, monta um comeback que só tem paralelo com o de Meryl Streep na sétima arte. "Hot in Cleveland" pode não ser para todos, mas o seu estilo tradicional e o facto de ter no seu elenco Betty White, um dos pilares da televisão das últimas quatro décadas, ajuda. Além disso, o resto do elenco também é bastante reconhecido, daí que não me surpreendia se mais alguém conseguisse ser nomeada; provavelmente a mais forte candidata será Wendie Malick, mas Jane Leeves e Valerie Bartinelli também são possibilidades.

Estou a arriscar um pouco nas restantes previsões ao apostar que Jane Krakowski ("30 Rock") e Kristen Wiig ("Saturday Night Live") vão manter o seu estatuto de nomeadas por mais um ano quando não é como se "30 Rock" e "Saturday Night Live" - e particularmente o seu papel nelas - tenham ganho fãs. Wiig terá provavelmente mais hipóteses de manter o lugar do que Krakowski, uma vez que a sua incursão mais recente no cinema ("Bridesmaids") foi um sucesso estrondoso e também porque o tempo de ecrã de Krakowski foi bastante reduzido este ano em "30 Rock".

A principal vantagem delas é que as candidatas de luxo desta categoria têm todas handicaps difíceis de combater. Busy Philipps e Christa Miller ("Cougar Town"), Alison Brie e Gillian Jacobs ("Community"), Mayim Blahik ("The Big Bang Theory") e Aubrey Plaza e Rashida Jones ("Parks & Recreation") teriam todas lugar cativo na minha linha da frente de candidatas dado o seu brilhante trabalho esta temporada, mas a verdade é que as suas séries têm mostrado dificuldade em conseguir muitas nomeações (embora estas fossem merecidas) e portanto mais um ano deve passar sem que elas sejam reconhecidas. As maiores candidatas, depois das supra-mencionadas, talvez sejam Phyllis Sommervile ("The Big C"), que está numa série que será definitivamente visionada pela Academia e talvez possa benificiar do estatuto de provável vencedora de Laura Linney na categoria de Melhor Actriz (o mesmo se passa com Oliver Platt) e Vanessa Williams, que decidiu continuar a espalhar a sua diva interior agora pelas ruas de Wisteria Lane em "Desperate Housewives". Outras potenciais candidatas a ter em consideração são Kathryn Joosten ("Desperate Housewives") que já venceu anteriormente por este papel em Melhor Actriz Convidada e que agora é candidata como Melhor Actriz Secundária, Anne Heche, Jane Adams e Rebecca Crestoff ("Hung"), Kaitilin Olson ("It's Always Sunny in Philadelphia"), Merritt Wever ("Nurse Jackie") que não percebo como não foi nomeada o ano passado, ainda por cima com "Nurse Jackie" a conseguir nomeação para Melhor Série,  Allison Janney ("Mr. Sunshine"), Holland Taylor ("Two and a Half Men") e Jenna Fischer ("The Office").

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO - COMÉDIA


PREVISÃO:
Ty Burrell, Modern Family
Chris Colfer, Glee
Neil Patrick Harris, How I Met Your Mother
Ed O'Neill, Modern Family
Oliver Platt, The Big C
Eric Stonestreet, Modern Family
 
Já na categoria de Melhor Actor Secundário, as contas são mais simples. A única coisa que é difícil de estimar é mesmo a proporção do domínio da categoria pelos homens de "Modern Family". Depois das confusões do ano passado, Ed O'Neill deve-se juntar aos seguríssimos Eric Stonestreet e Ty Burrell na categoria, podendo ou não (eis a questão) ter como companhia o também nomeado o ano passado Jesse Tyler Ferguson. A minha aposta é que este fique de fora para dar lugar a O'Neill, apesar de tal poder não acontecer. A questão então seria: quem terá que sair para dar lugar à entrada de O'Neill? 

Chris Colfer ("Glee") não será, até porque a sua personagem é mais popular que nunca e ele é considerado o favorito à vitória, a par de Burrell. Neil Patrick Harris ("How I Met Your Mother") ainda não venceu este troféu nesta categoria, apesar da sua interpretação de Barney Stinson ser das coisas mais lendárias da última década em televisão. Provavelmente manter-se-á na discussão até à última temporada de "How I Met Your Mother" para então ser premiado (ou até a série decair substancialmente em qualidade, o que está prestes a acontecer), portanto penso que deverá manter-se nomeado, embora não me choque se for deixado de fora.

Quem deverá abandonar a lista de nomeados é Jon Cryer ("Two and a Half Men") que, com tudo o que se passou este ano, terá sorte se a sua série, quando voltar, se mantiver com o sucesso de audiências que ainda possuía. Os Emmys não serão o que o preocupa mais - embora esta situação e a boa vontade que daí possa surgir em seu favor o possa de facto beneficiar. Quem também não deverá voltar são os antigos nomeados Rainn Wilson ("The Office"), Jeremy Piven e Kevin Dillon ("Entourage"), Jack McBrayer e Tracy Morgan ("30 Rock").

Um antigo nomeado que estará potencialmente de volta é Oliver Platt, que depois de conseguir duas nomeações consecutivas por "Huff" retorna agora com "The Big C", beneficiando em muito do estatuto de favorita de Laura Linney na categoria de Melhor Actriz, o que vai impulsionar muitos votantes a visionar a série e possivelmente a considerar outras nomeações, como a dele. Também John Benjamin Hickey, de "The Big C", não deve ser posto de parte.

Tal como na categoria de Melhor Actriz Secundária, aqui haviam outros candidatos com bastante qualidade e que mereciam ser incluídos, mas estão em séries que ainda não encontraram favores na Academia, como Danny Pudi, Donald Glover e Chevy Chase ("Community") e Ted Danson ("Bored to Death"). Também Jason Segel ("How I Met Your Mother"), John Krasinki e Ed Helms ("The Office") e Simon Helberg e Kunal Nayyar ("The Big Bang Theory") não têm conseguido buzz pelas suas interpretações, apesar das suas séries serem bem vistas pela Academia e terem inclusive nomeados nas categorias de interpretação, se bem que para os seus elementos mais... impressionantes, digamos. Finalmente, quem devia absolutamente ser tido em conta - e que é o candidato mais forte a ocupar um dos seis lugares depois dos seis que mencionei serem as minhas previsões - é Nick Offerman, que rouba cenas a torto e a direito na melhor comédia do ano ("Parks & Recreation") e que, se houvesse justiça, já tinha sido nomeado o ano passado e era o favorito a vencer neste. Também Aziz Ansari e Chris Pratt, da mesma série, deviam ser tidos em consideração.

Globos de Ouro 2011 - Comentários às Nomeações (Televisão)

Depois de revelados os nomeados, depois de ponderar neles, é tempo de fazer a minha apreciação. Peço desculpa por ter demorado tanto tempo, mas mais vale tarde que nunca.

Começamos pelas categorias de TELEVISÃO:


Melhor Série - Drama
BOARDWALK EMPIRE
DEXTER
MAD MEN
THE GOOD WIFE
THE WALKING DEAD

Comentário: Continuando a tradição de abraçar de peito aberto as novas séries, os Globos decidiram trocar o sobrenatural "True Blood", a decair em popularidade com os Globos de Ouro, pelo sobrenatural "The Walking Dead" (que por só ter meia-dúzia de episódios, pensava que iam considerar em mini-série) e colocar merecidamente "Boardwalk Empire" entre os nomeados, por troca com "House", que finalmente abandona os nomeados. "Dexter" e "Mad Men", séries em topo de forma, seguram o seu lugar e "The Good Wife" vence o braço de ferro com os Globos de Ouro (que o ano passado só tinham "notado" Margulies), com múltiplas nomeações este ano.


Vencedor: "Mad Men" continua tão boa aposta como antes, mas parece-me que este ano passa a pasta para "Boardwalk Empire" ou até "The Good Wife".



Melhor Série - Comédia/Musical
30 ROCK
GLEE
MODERN FAMILY
THE BIG BANG THEORY
THE BIG C
NURSE JACKIE

Comentário: Categoria muito interessante, com "The Office" a ser completamente ignorado este ano, excepção feita a Carell, como sempre. "30 Rock", "Glee" e "Modern Family" retornam com o seu buzz habitual, às quais se junta a nova série comédica do momento, "The Big C" e, algo que igualmente me surpreende e alegra, "Nurse Jackie" e "The Big Bang Theory" a estrearem-se com nomeações de relevo, algo de inédito em particular para o segundo caso, que nem nos Emmy havia logrado tal feito.

Vencedor: Como aqui o vencedor passa normalmente a pasta ("The Office" foi o único que venceu duplamente a categoria esta década, em 2007 e 2008), veremos "Glee" a passar o testemunho a "Modern Family" ou até mesmo "The Big C".


Melhor Actor - Drama
Steve Buscemi, BOARDWALK EMPIRE
Jon Hamm, MAD MEN
Michael C. Hall, DEXTER
Hugh Laurie, HOUSE M.D.
Bryan Cranston, BREAKING BAD




Melhor Actriz - Drama
Katey Sagal, SONS OF ANARCHY
Elizabeth Moss, MAD MEN
Julianna Margulies, THE GOOD WIFE
Piper Perabo, COVERT AFFAIRS
Kyra Sedgwick, THE CLOSER

Comentário: Finalmente os Globos de Ouro a reconhecerem a qualidade de duas séries, "Sons of Anarchy" e "Breaking Bad", mesmo que seja só através dos seus dois actores. Katey Sagal e Bryan Cranston merecem-no. Margulies era óbvio que iria repetir (e é favorita para voltar a vencer), Sedgwick a mesma coisa. Continua a mania de "Mad Men" ter que repartir a riqueza na categoria de Melhor Actriz, seja nos Globos ou nos Emmy, com Elizabeth Moss a ocupar o lugar que por dois anos havia sido de January Jones (injustamente, diga-se, porque esta foi a melhor temporada de Betty Draper) e o voto populista levou a que Piper Perabo, ridiculamente, conseguisse uma nomeação nesta categoria onde todas as outras nomeadas são imensamente superiores. A restante categoria de Melhor Actor não tem outras surpresas, o que não é de admirar - porque estes cinco senhores são similarmente brlhantes, todos eles.

Vencedor: Hugh Laurie ganhou em 2006 (e 2005), Jon Hamm ganhou em 2007, Gabriel Byrne em 2008, Michael C. Hall em 2009 e portanto só resta Steve Buscemi ou Cranston. Como é o primeiro que tem a série em estreia, deve ser ele o vencedor.


Melhor Actriz - Comédia/Musical
Tina Fey, 30 ROCK
Edie Falco, NURSE JACKIE
Toni Collette, THE UNITED STATES OF TARA
Lea Michele, GLEE
Laura Linney, THE BIG C




Melhor Actor - Comédia/Musical
Alec Baldwin, 30 ROCK
Steve Carell, THE OFFICE
Jim Parsons, THE BIG BANG THEORY
Matthew Morrison, GLEE
Thomas Jane, HUNG

Comentário: Nas senhoras, temos todas elas (menos Julia Louis-Dreyfus, cuja série terminou) a repetir a nomeação aqui, depois de terem transitado com sucesso dos Globos de Ouro em 2010 para os Emmy também, com a troca pequena de Courteney Cox (injustamente roubada, uma vez mais, de uma nomeação, tanto aqui como nos Emmy) pela mulher a bater este ano em Comédia - Laura Linney. Nos senhores, os nomeados do ano passado repetem-se todos, promovendo-se só aqui a troca de David Duchovny (a perder gás) por Jim Parsons (imensamente merecida; provavelmente no seguimento da sua vitória nos Emmy).

Vencedor: Por algum motivo é o alvo a abater: Laura Linney chegou, viu e vem para vencer. E nos senhores, depois de quatro anos, se calhar é altura de Baldwin deixar o prémio para mais alguém, possivelmente será Jim Parsons ou (finalmente, até porque vai deixar a série) Steve Carell.


Melhor Actor Secundário
Scott Caan, HAWAII FIVE-0
Christ Noth, THE GOOD WIFE
Eric Stonestreet, MODERN FAMILY
Chris Colfer, GLEE
David Strathairn, TEMPLE GRANDIN



Melhor Actriz Secundária
Jane Lynch, GLEE
Sofia Vergara, MODERN FAMILY
Julia Stiles, DEXTER
Kelly Macdonald, BOARDWALK EMPIRE
Hope Davis, THE SPECIAL RELATIONSHIP

Comentário: Todos os anos acabo por ficar irritado com os Globos de Ouro e as categorias secundárias, pela escolha arbitrária de algumas interpretações e de outras não e pelo facto de colocar todos os actores secundários em dois sacos, só fazendo separação por sexo. Irrita-me isto, até porque na maioria das vezes os secundários são personagens (e interpretações) mais fascinantes que os protagonistas. Mas enfim. Considero que são dois bons grupos de nomeados, o de homens invariavelmente bem mais forte que o das mulheres. As múltiplas menções de Chris Colfer começam a embaraçar-me já, não só porque não acho que o papel seja assim tão complicado de interpretar como e sobretudo por ter sido nomeado na variante de Comédia/Musical, sendo que tudo o que envolve a sua personagem naquela série é Drama, não comédia. Aquilo é uma interpretação dramática. Dito isto, concordo com as menções de Strathairn, Stonestreet e Noth, de longe a personagem mais intrigante de "The Good Wife" (num elenco que poderia todo estar aqui - e seria merecido isso acontecer - nomeado). O voto populista em Scott Caan já é apanágio dos Globos de Ouro, acontecendo todos os anos (ver Simon Baker em 2009/2010 ou Piper Perabo este ano). Nas mulheres, Lynch é a única a repetir a nomeação e Davis é a única a transitar das categorias de Tele-Filmes e Mini-Séries dos Emmy. Vergara (merecidamente) junta-se ao lote de nomeados, que é completado pela decente escolha de MacDonald e pela não tão interessante escolha de Stiles. Baranski ou Panjabi ("The Good Wife") seriam infinitamente melhores escolhas. Ou Hendricks ("Mad Men").

Vencedor: Tendo sido roubada o ano passado, não há dúvidas que Jane Lynch é a favorita, com Sofia Vergara como uma interessante possibilidade. Para Actor Secundário, tudo em aberto, com Eric Stonestreet a ter uma (ligeira) vantagem.


Melhor Telefilme ou Mini-série
THE PACIFIC
CARLOS
TEMPLE GRANDIN
PILLARS OF THE EARTH
YOU DON'T KNOW JACK

Melhor Actor - Telefilme ou Mini-séri
Idris Elba, LUTHER
Ian McShane, PILLARS OF THE EARTH
Al Pacino, YOU DON'T KNOW JACK
Dennis Quaid, THE SPECIAL RELATIONSHIP
Edgar Ramirez, CARLOS

Melhor Actriz - Telefilme ou Mini-série
Claire Danes, TEMPLE GRANDIN
Hayley Atwell, PILLARS OF THE EARTH
Judi Dench, RETURN TO CRANFORD
Romola Garai, EMMA
Jennifer Love-Hewitt, THE CLIENT LIST

Comentário: Só deixar aqui duas notas: "Temple Grandin", "The Special Relationship" e "You Don't Know Jack" continuam a coleccionar prémios há quase mais de um ano. E "Carlos", o (supostamente) excelente filme de Assayas, como não pode ser reconhecido pela HFPA e pela Academia como Filme, ao menos tem ganho reconhecimento pela sua "transformação" televisiva.

Vencedor: Claire Danes para Melhor Actriz, Al Pacino para Melhor Actor e "Carlos" ou "The Pacific" para Melhor Mini-Série/Tele-Filme (se bem que qualquer um dos cinco na lista pode vencer).


Revisão da Televisão em 2010: Parte 4

A nova temporada televisiva já começou há quase dois meses, daí que eu precise mesmo de arrumar com a minha revisão das temporadas das séries em 2010.

Vamos à quarta e última parte da minha revisão (partes anteriores em #31-40, #30-21 e #20-11 e este, #10-1) Espero que deixem ficar a vossa opinião.



10. PARKS AND RECREATION

Temporada: 2
Nota: B+

Crítica: Depois de uma primeira temporada interessante, a comédia que era suposto ser um parente pobre de "The Office" deu um salto substancial em qualidade. Muito mais engraçada, muito mais madura, com piadas muito mais eficientes e muito menos ilógicas, como algumas das storylines do ano transacto. E enquanto Leslie Knope (Amy Poehler) continuou nos seus devaneios do costume, as verdadeiras estrelas do show apareceram, desculpe-me Tom (Aziz Ansari) que parece ser de quem toda a gente gosta, são April (Aubrey Plaza) e Ron (Nick Offerman), que é uma versão bastante mais aprimorada do sr. Michael Scott. Parabéns a uma série que consegue ter tanta riqueza e extrair tão bom potencial para histórias a partir dos seus personagens secundários como esta. Estaria mais alto não fosse o facto de ainda assim continuar a ter alguns episódios em que escapa para a piada fácil.

Melhor Episódio: Um empate entre "Sweetums" e "The Stakeout" (2.15 e 2.02, B+).
Quem sobressaiu: Aubrey Plaza. Tudo o que ela disse esta temporada foi mágico.


9. THE GOOD WIFE

Temporada: 1
Nota: B+


Crítica: Se alguém me dissesse que um drama legal muito subtil e ligeiro se fosse tornar na minha série favorita das que estreou na nova temporada, não acreditaria. Mas foi de facto verdade. "The Good Wife" ganhou-me a pouco e pouco e agora é a série que mais falta me faz durante a semana. "Modern Family" é de longe a série que eu mais gostei de acompanhar o ano passado, mas esta é que se tornou das minhas favoritas. Excelentes casos, brilhante a forma como captura o ambiente dos tribunais e ao mesmo tempo tece bem a dicotomia entre a vida profissional e a outra vida, a pessoal, a privada e impecável ao explorar a bipolaridade das personagens, nunca nos emburrecendo, nunca nos tomando como garantidos, sempre surpreendendo sem recorrer a clichés ou a jogadas duplas, como tão frequente é ver neste tipo de séries. E nem vamos falar do valor incalculável deste elenco. Josh Charles e Chris Noth têm pura e simplesmente os papéis de uma vida, Archie Panjabi já levou o Emmy e Christine Baranski é grande candidata a levar o próximo, ainda por cima se continuar assim. E depois disso temos Julianna Margulies. Que interpretação soberba. Sabe quando deve deixar a sua personagem falar por si, sabe quando usar as expressões faciais, sabe quando deve subir o tom e descê-lo. É impressionante. Foi-lhe roubado um Emmy este ano, mas em 2011 não lhe escapa.


Melhor Episódio: "Boom" (1.19, B+) e "Unplugged" (1.21, B+).

Quem sobressaiu: Todos excelentes, mas Julianna Margulies é a MVP da série.


8. FRIDAY NIGHT LIGHTS


Temporada: 4
Nota: A-/B+


Crítica: Que há a dizer de "Friday Night Lights" que ainda já não foi dito? Que é capaz de ser o melhor drama da televisão norte-americana? Sim. Que tem um dos melhores elencos em televisão? Sim. Que tem argumentistas fantásticos que conseguem aliar o drama ao inspiracional e a geniais momentos de comédia? Sim. Que tem em Kyle Chandler e em Connie Britton dois dos melhores actores da sua faixa etária? Sim. Que apesar de falar primariamente em futebol americano pouquíssimo do interesse da série reside no desporto em si? Sim. Que quem vir "The Son", do ano passado, e não passar a seguir a série religiosamente é porque não tem coração? Obviamente. Acho que já disse tudo, portanto.

 
Melhor Episódio: "The Son" (4.05, A) é o melhor episódio dramático do ano passado, só a par do season finale de Mad Men e Breaking Bad.

Quem sobressaiu: Connie Britton continua, ao fim de quatro temporadas, simplesmente espectacular.


7. LOST


Temporada: 6
Nota: A-/B+

Crítica: Esta nota é capaz de ser um pouco alta demais para uma temporada tão confusa e incerta como esta última de "Lost" foi, mas a verdade é que a série terminou em grande, diga-se o que se quiser dizer do episódio final, que iria sempre causar imensa controvérsia. Uns optam por dizer que foi dos piores finais da história, eu opto por dizer que achei o final perfeito e totalmente condizente com o rumo que a série tomou. "Lost" nunca foi apenas uma série de mitologia, nunca foi apenas uma série de ficção científica. "Lost" sempre foi uma série que se focou nas pessoas, focou-se em explorá-las, focou-se em mostrar o seu lado bom e o seu lado mau e focou-se em tentar expô-las a situações que testassem a sua personalidade. Claro que foi fascinante ver algumas questões finalmente resolvidas mas para mim o mais importante foi ver que o desígnio final para as personagens era justo e assentava bem no que tínhamos vindo a conhecer de cada um deles. Admito que me veio lágrimas aos olhos no final. No fim de contas, estamos a falar da série mais icónica da nossa década, da nossa geração até, a terminar.


Melhor Episódio: Vários ao longo da temporada, mas só para ser teimoso, vou realçar o final ("The End: Part 1 and 2", A-).
Quem sobressaiu: Terry O'Quinn. Assombroso.



6. CHUCK


Temporada: 3
Nota: A-/B+


Crítica: Peço desculpa por dizer já isto, mas para quem não gosta de "Chuck", não vale a pena sequer tentar compreender esta nota. Esta é uma nota de uma pessoa que se diverte imenso todas as semanas ao seguir as desaventuras do sr. Chuck Bartowski e Cª. Tenho pena que com esta série só tenha percebido o seu valor muito mais tarde do que a maioria das pessoas. Ainda bem, contudo, que eu ainda cheguei a tempo. A terceira temporada de "Chuck" foi a mais forte até agora, parece-me a mim. Finalmente o nosso herói é treinado para ser espião, finalmente obtivemos uma resolução quanto à relação entre Chuck e Sarah, finalmente Morgan serve para mais do que comic relief e finalmente Ellie e Awesome têm uma participação mais activa na série. A única coisa que não gostei nesta temporada foi a adição de Brandon Routh como o super-espião Shaw. Admito, surpreendeu-me pela positiva inicialmente, todavia com o andar das coisas e as complicações que ele foi aos poucos inserindo na relação de Chuck e Sarah e no treino de Chuck foram demovendo-me da minha apreciação inicial. E depois aqueles seis últimos episódios, com a sua dupla face mostrada... Não há paciência. Foram momentos difíceis para mim sempre que ele surgia no ecrã. De resto, foi um ano bastante bom para a equipa de "Chuck", que manteve as audiências minimamente altas e conseguiu uma renovação completa de 24 episódios. Not bad.


Melhor Episódio: Para mim, "Chuck vs. the Mask" (3.07, B+).
Quem sobressaiu: Acho que esta foi, até agora, a melhor temporada de Joshua Gomez.

 
5. SONS OF ANARCHY

Temporada: 2
Nota: A-


Crítica: É mesmo uma pena que pouca gente dê valor a "Sons of Anarchy", um dos melhores dramas da televisão por cabo nos EUA. É uma série que não respeita convenções e que pisa a linha do inaceitável vezes demais, mas a verdade é que não há outra coisa como ela. Faz-me lembrar algo do género de "Rescue Me", mas mais pesado ainda. Abordar de forma tão brusca e poderosa uma violação, como fez a série o ano passado, não é para todos (viu-se pelo episódio de "Private Practice" esta semana). Felizmente, conta com um elenco fabuloso e com um grupo de argumentistas com muito talento para contar histórias. O que me admira é a falta de amor que os prémios como os Emmy têm pela série. É que por exemplo Katey Sagal teria ganho um Emmy de caras. E já agora, lembram-se de uma série fantástica que passava há uns anos na televisão, chamada "The Shield", que também não tinha sucesso com os Emmy? Pois é, adivinhem quem era o argumentista principal dessa série? O criador desta.


Melhor Episódio: "So" (2.01, A-) e "Service" (2.11, A-).
Quem sobressaiu: Katey Sagal. Aquela cena da violação ainda me está gravada na memória.


4. DEXTER

Temporada: 4
Nota: A-


Crítica: Quando pensamos que "Dexter" não consegue ficar melhor, eis que os argumentistas sobem o nível mais uma vez e nos presenteiam com a melhor temporada da história da série. Uma temporada verdadeiramente excitante, com a adição acertada do extraordinário John Lithgow - finalmente um nemesis à altura de Dexter Morgan - e com um final tão espectacular quanto chocante. Quem poderia prever que seria aquele o destino de Rita? A minha única crítica - e que é recorrente, já não é de agora - é a série não ter mais ninguém com o mínimo interesse, à excepção de Dexter, claro. Não é por culpa dos actores, pois estes desempenham bem os seus papéis. Acho mesmo que é por culpa das personagens e das suas caracterizações, que as tornam muito unidimensionais, além do pouco material que têm os actores secundários para trabalhar.




Melhor Episódio: O final seria óbvio, mas "Hungry Man" é capaz mesmo de ser o melhor (4.09, A).
Quem sobressaiu: John Lithgow e Michael C. Hall.




3. BREAKING BAD


Temporada: 3
Nota: A


Crítica: O primeiro A da minha lista vai para esta brilhante e inovadora série que desafia toda a espécie de lógica ou lei. Não basta dizer só que é inteligente, bem escrita, bem interpretada e interessante. Não. Esta terceira temporada rebentou com todos os fusíveis. Foi excepcional e não houve um episódio que não me tivesse deixado de boca aberta. Ainda por cima, este elenco é fantástico - Bryan Cranston, Anna Gunn e Aaron Paul, o núcleo duro da série, são geniais e todos mereciam um Emmy (só a mulher não levou um Emmy para casa - nem sequer foi nomeada; Paul ganhou o seu primeiro este ano, Cranston vai no terceiro consecutivo) e tem uma química explosiva e é maravilhoso presenciar a transformação que as personagens vêm vindo a sofrer. Finalmente, só uma palavra de apreço para a AMC: obrigado pela boa televisão que nos tem dado. "Mad Men", "Rubicon", "Breaking Bad" e "The Walking Dead"? Obrigado.

Melhor Episódio: o final de temporada, "Full Measure" (3.13, A).
Quem sobressaiu: Aaron Paul ser destacado era merecido, mas como "Peekaboo" já foi a temporada passada, é Bryan Cranston que para mim foi o melhor da série.


2. MODERN FAMILY

Temporada: 1
Nota: A

Crítica: Que lufada de ar fresco foi "Modern Family" no panorama de séries com base situacional (as tais sitcoms)! Um elenco irrepreensível e indubitavelmente talentoso, histórias originais, frescas, bem elaboradas e exploradas (e, muito importante, absolutamente engraçadas), uma direcção cuidada, que deve ter sido crucial para obter tão bons resultados em termos de timing comédico e pronunciação de falas não de um, ou de dois, mas de quatro actores infantis, e uma série que não teve medo de lidar com preconceitos (tem gays; tem estrangeiros; tem um casamento com uma diferença de idades grande) e que vincou bem o seu lugar na temporada televisiva de 2009-2010. Foram tantos e tão saborosos os momentos que me proporcionou que nem dá sequer para singularizar dez, quanto mais só um ou dois. "Modern Family" não promete. Chegou, viu e venceu. Tão simples quanto isso.

Melhores Episódios: Não dá para pegar só num. O piloto, "Fifteen Percent", "Moon Landing", "Fears", "Family Portrait" são alguns que destaco (1.01, 1.14, 1.15, 1.16, 1.24, todos A-).
Quem sobressaiu: Ty Burrell, Sofia Vergara e Eric Stonestreet. Que três.


1. MAD MEN


Temporada: 3
Nota: A+

Crítica: Bem sei que não se deve falar em perfeição porque normalmente esse é um objectivo inatingível, mas a terceira temporada de "Mad Men" foi, sem dúvida, perfeita. Treze episódios fortíssimos, um estilo de escrita ímpar por parte de Weiner e Cª, storylines que mudaram (bem) um pouco o rumo da série e abordam de tudo um pouco, de divórcios a gravidezes a casamentos apresentando-nos sempre mais e mais camadas de complexidade destas personagens que aprendemos a tanto respeitar, um elenco extraordinário, onde não há um ponto fraco - e onde Moss, Hamm e Jones brilham acima de todos os restantes - e uma maravilhosa exploração do dia-a-dia, do ambiente, da história dos anos 60 tornam esta na melhor série dos últimos anos e muito provavelmente na série da década, lado a lado com "The Sopranos", "The Wire" e "Six Feet Under". E se dúvidas haviam da magnitude do calibre de Mad Men, esta temporada deve tê-las aniquilado todas. Esta vai ser uma série que vai ganhar o Emmy de Melhor Drama até ao dia em que decidir terminar.

Melhor Episódio: o trio final, "The Gypsy and The Hobo", "The Grown-Ups" e o soberbo final "Shut the Door, Have a Seat" (3.11, 3.12, 3.13, todos A), a juntar ao espectacular "Guy Walks Into Advertising Agency" (3.06, A-).
Quem sobressaiu: January Jones e Jon Hamm.



E cá está a minha revisão da temporada televisiva passada concluída. Espero que tenham gostado e que não vos tenha maçado muito. Alguma sugestão a como fazer a análise da temporada vindoura será bem-vinda. E obviamente que peço desculpa por ter-me demorado tanto em voltar à escrita no blogue.