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DIAL P FOR POPCORN

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Previsões Óscares 2013 (I): Actriz Secundária



Já falamos da questão Meryl Streep aqui, quando abordamos as candidatas a melhor actriz. Não vale a pena demorar-me de novo no assunto - se a Academia ceder e nomear a actriz nesta categoria, será uma forte candidata a vencê-la (o mesmo aconteceria se nomeada para actriz principal). O problema da colocação de Streep acaba é por complicar a campanha de outras actrizes do elenco do seu filme, à cabeça Margo Martindale, Juliette Lewis, Abigail Breslin e Julianne Nicholson, o que é injusto, especialmente no caso da veterana actriz, vencedora recente do Emmy, que poderia ter aqui outro momento para brilhar. Outro ponto de interrogação na categoria é a colocação de Amy Adams por "American Hustle", podendo-se passar o mesmo que Streep. Seria outra forte candidata a vencer (sobretudo se Streep não fosse nomeada aqui e se Jennifer Lawrence não roubar o holofote pelo mesmo filme e conseguir a nomeação ao invés de Adams). Adams tem mesmo outra grande possibilidade de nomeação, pelo novo filme de Spike Jonze, "Her". Uma dupla nomeação (e finalmente uma vitória para a actriz) não me parece uma hipótese tão remota assim de acontecer. A terceira grande candidata da categoria é Oprah Winfrey, de volta à representação em "The Butler" de Lee Daniels que, apesar das críticas medianas do filme, tem obtido excelentes elogios à sua prestação, sendo quase ponto assente que a actriz é um dos nomes fortes para nomeação - o problema é também a sua colocação, num papel que muitos consideram maior demais para consideração como actriz secundária. Até ver, é aqui que os Weinstein a querem colocar, mas com as vicissitudes da corrida, quem sabe não mudam de ideia...


Quem também conseguiu boas críticas pela sua prestação foi Carey Mulligan, que em Cannes recebeu os típicos louros por mais uma interpretação feliz em "Inside Llewyn Davis". Algum dia ela terá de regressar ao Dolby - será este ano, depois de ignorada por forte trabalho em "Never Let Me Go" e "Shame"? Também por Cannes passou June Squibb, com boas críticas pela sua prestação em "Nebraska" de Alexander Payne - se o filme pegar entre os membros da Academia e conseguir várias nomeações, a nomeação desta veterana pode ser uma delas. Mais duas actrizes já tiveram os seus filmes vistos e o seu trabalho bem recebido: Octavia Spencer em "Fruitvale Station" e Sally Hawkins em "Blue Jasmine". A primeira parece-me ter tudo para conseguir mais uma nomeação; já a segunda, depois de ignorada por "Happy-Go-Lucky" e "Made in Dagenham" há alguns anos atrás, apoia uma interpretação de alto calibre de Blanchett, sendo obrigada a ser ofuscada durante a maioria da sua película. Muitas vezes este é o tipo de performance mais difícil de executar bem e talvez por isso acabe de novo fora das nomeadas.


A época dos festivais trará mais interpretações a jogo, entre elas a de Cate Blanchett em "The Monuments Men" (a ter, aparentemente, um óptimo ano, deverá ser por "Blue Jasmine" que o reconhecimento virá mas uma dupla nomeação como conseguiu em 2007 não se pode descartar, a Academia quando gosta dela, gosta mesmo dela), a de Penelope Cruz e Cameron Diaz (particularmente esta; o papel é supostamente fantástico) em "The Counselor", Nicole Kidman em "The Railway Man" (também a jogo por "Grace of Monaco" como melhor actriz e com melhores probabilidades lá), Laura Linney em "The Fifth Estate" (um filme que dará que falar, uma actriz triplamente nomeada), Naomie Harris por "Mandela: A Walk to Freedom" (resta saber se é co-protagonista ou mesmo actriz secundária), Kristin Scott-Thomas por "The Invisible Woman", Jennifer Garner em "Dallas Buyers Club" (outro filme que, à custa de McConaughey, vai estar debaixo de todos os olhares) e Lupita Nyong'o em "12 Years a Slave" (uma das grandes apostas do ano). Também no final do ano mais três candidatas de peso poderão revelar-se: Vanessa Redgrave em "Foxcatcher", Julianne Moore por "Carrie" e Catherine Keener por "Captain Phillips". E depois há a questão Viola Davis: a Academia deverá ter vontade, digamos, de corrigir a nega que deram à actriz em 2010. Até agora a actriz manteve-se em low profile - e fez ela bem, voltando este ano com dois bons papéis, em "The Disappearance of Eleanor Rigby" e "Prisoners". Será que algum deles lhe trará a glória? Ou pelo menos mais uma nomeação?


Muitas candidatas, cinco lugares apenas. Os festivais diminuirão a lista significativamente, até ficarem sete a dez nomes plausíveis para a época das festividades reduzir para seis, sete candidatas - como de costume. A surpresa o ano passado, como já é hábito há muitos anos, foi pouca. Como eu vejo a corrida agora, serão estas as candidatas mais fortes...

Previsão das nomeadas:
Amy Adams, "Her"
Cameron Diaz, "The Counselor"
Margo Martindale, "August: Osage County"
Octavia Spencer, "Fruitvale Station"
Oprah Winfrey, "The Butler"


Previsões Óscares 2013 (I): Actriz


Com a peculiar possibilidade que surgiu na imprensa esta passada semana de Meryl Streep estar a planear competir na categoria de melhor actriz secundária aos próximos Óscares por "August: Osage County" (filme, relembre-se, baseado na peça premiada com um Pulitzer de Tracy Letts, na qual a sua personagem, Violet Weston, é claramente uma co-protagonista), lembrei-me que já era tempo de começar a alinhavar qualquer coisa no que a previsões diz respeito. Então cá estão as minhas primeiras previsões aos Óscares de 2013, começando pela categoria de melhor actriz.

MELHOR ACTRIZ


Dos filmes já vistos, um concorrente firme já surgiu: Cate Blanchett em "Blue Jasmine" de Woody Allen conquistou as tão ambicionadas críticas brilhantes que uma interpretação como a sua precisava para vincar a sua posição na corrida. Será uma montanha complicada de trepar, uma vez que só por uma vez o grande Woody Allen conseguiu uma nomeação para uma actriz principal dos seus dramas (a lendária Geraldine Page, por "Interiors"; adenda: eu tive de corrigir para dramas, porque não tinha incluído, como bem me apontaram, a vitória de Diane Keaton por "Annie Hall"; o meu ponto de vista era que em dramas, o velho Woody não tem tanto sucesso na Academia). Outros concorrentes já conhecidos e com alguma - apesar de mínima - hipótese na corrida são a Berenice Bejo por "Le Passé" de Ashgar Farhadi ("A Separation") e a Julie Delpy pela terceira parte da trilogia de Richard Linklater, "Before Midnight". Ambos os filmes parecem mais destinados a nomeações na categoria de melhor argumento original do que aqui, embora se a competição encurtar, os seus nomes provavelmente virão à baila com os críticos e aí, tudo pode acontecer. Em Cannes também a tipicamente excelente Marion Cotillard obteve boas críticas pela sua prestação em "The Immigrant" de James Gray; contudo, apesar da personagem parecer conter traços que a Academia noutro filme festejaria de bom grado, Gray, Phoenix e a própria Cotillard não parecem merecer uma simpatia global capaz de lhe conseguir essa nomeação (se não conseguiu o ano passado por "Rust and Bone", dificilmente o fará este ano). [adenda: esqueci-me de mencionar aqui Adele Exarchopoulos de "Blue is the Warmest  Color" que vários críticos americanos consideram uma fortíssima possibilidade a nomeação]


Diria que as suas hipóteses são mínimas porque com a queda da folha chegam os pesos pesados. À cabeça está Amy Adams, aparentemente transcendente (ainda mais?) em "American Hustle" de David O. Russell. Diz quem sabe que o papel é fantástico, que ela é extraordinária nele, que mostra uma faceta desconhecida do público e da crítica até agora e que será, possivelmente, o melhor O. Russell até agora. Expectativas no alto. Estamos a falar de uma actriz quadruplamente nomeada. Depois temos a situação Meryl Streep. Se a nomeação vier como actriz secundária, a categoria basicamente estará ganha. Mas irá a Academia aceitar esta situação a bem? Veremos. De "August: Osage County" também temos outra candidata de peso: Julia Roberts, de volta aos grandes papéis. Será que a crítica, o público e a Academia se vão voltar a juntar num festival we-love-Julia como em 2000? Os Weinstein parecem estar a apostar grande neste filme. As outras duas grandes jogadas no seu baralho passam pela narrativa "a Judi Dench nunca venceu um Óscar de actriz principal e pode ser esta a sua última oportunidade" - a septuagenária protagoniza o novo filme de Stephen Frears, "Philomena", e parece fabulosa nele - e "a Nicole Kidman é a Grace Kelly". Não há dúvida que no caso desta última parece uma jogada de risco - por cada "The Hours" se faz um "Cold Mountain", não é verdade? A qual dos lados do espectro irá "Grace of Monaco" pertencer? A mesma pergunta se faz sobre Naomi Watts em "Diana", ainda por cima tendo em conta a distribuidora que comprou os direitos do filme e o facto do buzz em Cannes ser inexistente, sendo que seria à partida uma venda fácil.


Provavelmente também não será sensato descartar das contas as duas principais candidatas ao troféu o ano passado, de volta à competição este ano, Jennifer Lawrence em "Serena" da Oscarizada Suzanne Bier ("In a Better World") e Jessica Chastain em "The Disappearance of Eleanor Rigby", um filme bipartido, que conta a história da perspectiva do membro masculino e do membro feminino do casal, o que garantirá à partida alguma curiosidade adicional sobre o projecto. Da faixa etária mais jovem ouvem-se boas coisas sobre a prestação de Brie Larson em "Short Term 12" e de Greta Gerwig em "Frances Ha" de Noah Baumbach, mas será algo sensacional se alguma das duas chegar a fase avançada da corrida. O mesmo diria de Shailene Woodley por "The Spectacular Now" de James Ponsoldt e Felicity Jones no segundo filme de Ralph Fiennes, "The Invisible Woman" (se Vanessa Redgrave foi esquecida por "Coriolanus", que real chance tem Jones?) 


E finalmente falta falarmos de três antigas vencedoras da categoria, de regresso para tentarem mais um prémio: Kate Winslet em "Labor Day" de Jason Reitman é sempre uma aposta segura se o filme tiver boas críticas, Sandra Bullock tenta vencer os críticos mais acérrimos da sua interpretação vencedora em 2009 emparelhando com o reputado visionário Alfonso Cuarón em "Gravity" e a amada Emma Thompson interpreta P.L. Travers, a opinionada escritora de Mary Poppins, em "Saving Mr. Banks", um dos - diz-se - grandes candidatos a mais nomeações no dia do anúncio. 

Por esta altura, então, como ficamos?

Previsão das nomeadas:
Amy Adams, "American Hustle"
Judi Dench, "Philomena"
Meryl Streep ou Julia Roberts, "August: Osage County"
Emma Thompson, "Saving Mr. Banks"
Kate Winslet, "Labor Day"

E o Óscar (não) vai para...



É sempre chato ser o perdedor. Ainda para mais quando se é consecutivamente. Always the bridesmaid, never the bride, como reza a expressão inglesa. Em tempos recentes, Meryl Streep era o exemplo consumado de uma perdedora nos Óscares: dezassete nomeações, venceu à segunda (1979) e terceira vez (a primeira como actriz principal, por "Sophie's Choice", 1982) e apesar de anos e anos de contínua excelência e interpretações de mérito, só trinta anos depois ("The Iron Lady", 2011) a sorte lhe voltou a sorrir. Outro exemplo clássico de tempos recentes foi Jeff Bridges, por muitos considerado o maior actor americano vivo, que recebeu a sua primeira nomeação em 1971 ("The Last Picture Show") e precisou de mais quatro e de chegar ao ano de 2009 para receber a sua primeira estatueta. Mais um exemplo comum é o de Kate Winslet, excelente desde que surgiu em "Heavenly Creatures" no princípio da década de noventa e nomeada pela primeira vez em 1995 por "Sense and Sensibility", levou mais de vinte anos de versatilidade e brilhantismo em diversas interpretações para, à sua sexta nomeação, conquistar o troféu tão ambicionado (2008, "The Reader").


Pego neste tema hoje porque estava a vasculhar artigos antigos que tinha guardado para futura memória e veio-me parar às mãos (metaforicamente, vá, porque no fundo, foi através de um clique de rato) este artigo de 2008 do Nathaniel Rogers do The Film Experience que especulava quem seguiria as pisadas de Kate Winslet a vencer um Óscar há muito já merecido. Adoro como o artigo e os comentários funcionam como uma cápsula do tempo de há cinco anos atrás e como tanta coisa mudou desde então. A lista de 2008 reflectia a proeminência, então, de Johnny Depp, que muitos cotavam como um vencedor óbvio a curto prazo. Também antevia que Streep vencesse novo troféu (o que acabou por acontecer) e a terceira aposta mais popular era curiosamente Ralph Fiennes (estupidamente roubado em 1993 por "Schindler's List"). Bridges era o quinto da lista, liderada no topo por Michelle Pfeiffer, a actriz preferida do Nathaniel, que faz uma defesa bastante fundamentada pelo título de actriz mais negada pela Academia. Curiosamente, da lista de 2008, três actores receberam nomeações (mas não os três que Nathaniel apostou): Bridges (que venceu e ainda conseguiu mais uma nomeação), Streep (que conseguiu um Óscar e outra nomeação) e... Annette Bening, nomeada em 2010 por "The Kids are All Right".


Volvidos cinco anos, é engraçado analisar estas premonições. Depp está a atravessar um momento inigualável de seca criativa na sua carreira, parecendo ter perdido toda a imaginação e originalidade que trespassava para as suas antigas interpretações. Terá estado perto de mais uma nomeação em 2009 por "Public Enemies" mas desde então nunca mais fez nada que merecesse consideração. Em 2009 também sucedeu o último ataque de Pfeiffer à estatueta. "Chéri" não resultou em nada. Fiennes virou entretanto realizador e também pouco mais se viu, desde que em 2008 voltou a ser ignorado tanto por "The Duchess" como por "In Bruges".  Ian McKellen e Joan Allen praticamente já não aparecem em filmes. Sigourney Weaver tentou a rota da televisão ("Political Animals") sem sucesso e continua esporadicamente a surgir aqui e ali, sem nota de destaque. Julianne Moore saltou também para o pequeno ecrã para ganhar um Emmy e um Globo de Ouro ("Game Change"), depois de ser negada mais uma nomeação em 2009 ("A Single Man") e outra em 2010 ("The Kids Are All Right"). Annette Bening é a única a trabalhar consistentemente com qualidade lado a lado com Moore.


Outra curiosidade na lista é de Nathaniel ter mencionado que Glenn Close tinha desistido de caçar um Óscar. Cinco anos decorridos e ela juntou mais uma nomeação ao currículo ("Albert Nobbs", 2011) e parece ter regressado para tentar de novo a sorte. Helena Bonham-Carter foi outra das menções honrosas de Nathaniel que também conseguiu mais uma nomeação ("The King's Speech", 2010) e esteve provavelmente próxima da vencedora (Melissa Leo, "The Fighter"). E da lista dos renegados da Academia ("Oscar poison"), dois conseguiram prémios e ambos na mesma categoria e consecutivamente: Christopher Plummer (2011) e Christian Bale (2010).

Depois desta introdução, expliquemos ao que venho: em 2013, quem seriam as vossas apostas para vencer um Óscar a curto prazo por já ter feito para merecer um? Por outras palavras, quem vai conseguir juntar a trifecta buzz, timing e body of work?

Cá vão as minhas dez escolhas.



Menção Henrosa (porque me esqueci dela):
Michelle Williams
Tem três nomeações, só uma delas por um trabalho Oscar friendly ("My Week with Marilyn"). Eu sou da opinião que ou consegue um papel que torne a vitória inevitável (tipo Natalie Portman, "Black Swan") ou então nunca vai ganhar, tudo porque ela não aceita papéis a pensar em prémios, prefere personagens difíceis e complicadas, o que lhe ganha admiradores fervorosos mas não faz a Academia gostar dela como gosta, por exemplo, de Amy Adams. A verdade é que desde 2005 que a moça trabalha a alta rotação: "Brokeback Mountain", "Shutter Island", "Wendy & Lucy", "Synecdoche New York", "I'm Not There", "Meek's Cutoff", "Blue Valentine", "Take this Waltz", "My Week with Marilyn". Vai ter de aceitar mais papéis como o próximo filme, "Suite Française", para ter possibilidade de vencer.




10. e 9. 
Michael Fassbender / Jessica Chastain
Criei aqui um empate, à batoteiro, para mencionar estes dois casos. O primeiro ainda nem sequer conseguiu uma nomeação, mas em termos de popularidade e aclamação crítica e afirmação no panorama cinematográfico estão, diria, mais ao menos taco a taco. Falemos de Fassbender primeiro. "Hunger" e "Shame" são vergonha suficiente para a Academia nem sequer ter tido lata de o nomear. Então pelo segundo filme é qualquer coisa de incrível. Pelo meio junte-se "Fish Tank", "A Dangerous  Method" e "Jane Eyre". Até filmes de género de qualidade ele fez - "X-Men: First Class" e "Prometheus". Do novo Malick, do novo McQueen ou do novo Ridley Scott há-de sair qualquer coisa, não? Agora Chastain. Duas nomeações em três, quatro anos de trabalho contínuo de grande qualidade (em 2011 tinha mesmo quatro, cinco interpretações dignas de nomeação, de "Take Shelter" a "The Tree of Life", de "The Help" a "Coriolanus"). Perdeu por pouco a corrida nas duas vezes que foi nomeada. É a menina querida dos cineastas "a sério" e junta a isso a admiração dos seus pares. Se continuar a este ritmo, a vitória não tardará muito.



8. Robert Downey, Jr.
Adicionem à mistura os ingredientes "rejuvenescimento", "reinvenção de uma carreira dada como perdida", "reabilitação muito aplaudida", "originador da fortuna recente da Marvel", "Sr. Tony Stark" (tão popular como Jack Sparrow no final da década de 2000), "vencedor do Globo de Ouro por Sherlock Holmes" e "nomeado ao Óscar por Tropic Thunder" e o que temos? Um actor que toda a gente quer ver ter sucesso. Bob, escolhe produzir para ti um filme daqueles em que sabes que podes reinar à grande - e o Óscar é teu. 



7. Viola Davis
Só pela humilhação que a Academia deve ter sentido de ter sido acusada de tirar a Viola Davis o Óscar por "The Help" para dar a Meryl Streep ("The Iron Lady") a mulher tem logo uns 100 pontos de vantagem na próxima vez que voltar à corrida. O difícil será conseguir um papel que a coloque em contenção. Será, contudo, só isso que bastará, porque só com uma interpretação titânica (pensemos Mo'Nique em "Precious") é que lhe vão arrancar o Óscar das mãos.



6. Brad Pitt
Três nomeações ("Moneyball" em 2011, "The Curious  Case of Benjamin Button" em 2008, "Twelve Monkeys" em 1995) não reflectem bem a enorme carreira deste homem. "Fight Club" e "Se7en" são óbvias e imperdoáveis omissões. Juntaria "The Tree of Life" e "Inglorious Basterds" à lista, mas poderia também citar "The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford", "Burn After Reading", "Snatch" e "Thelma and Louise" à lista de interpretações de elite. Brad Pitt pertence ainda a um clube especial da indústria, dos membros mais valorizados, como Clooney, DiCaprio ou até a sua cara-metade, Jolie. Também no caso deste é só preciso surgir um papel. Em 2011 esteve muito perto. Arrisco dizer que se a campanha de Dujardin não tivesse sido tão forte e seria ele e não o francês a roubar o Óscar a Clooney. Julgo que acabará eventualmente por vencer, seja como principal ou secundário.




5. Julianne Moore
"[safe]", "Boogie Nights", "Far From Heaven", "The Hours", "Magnolia", "The Kids Are All Right", "The End of the Affair", "Blindness", "Vanya on 42nd Street", "Saving Grace", "A Single Man", "Crazy, Stupid, Love", "Children of Men", "The Big Lebowski", "Hannibal", "I'm Not There", "The Fugitive", "The Hand that Rocks the Craddle", "Shipping News", "Cookie's Fortune" e "Psycho" de Van Sant. Disto tudo resultaram quatro nomeações. Continua a trabalhar com a dedicação, talento, versatilidade e excelência de sempre. Basta um papel certeiro. I rest my case.



4. Annette Bening
Quatro vezes nomeada, quatro vezes terminou em segundo lugar (não se sabe oficialmente mas suspeita-se). "The Grifters", "American Beauty", "Being Julia", "The Kids Are All Right". Duas vezes batida por escolhas consensuais (Portman em "Black Swan", Swank em "Boys Don't Cry"). E duas vezes batida por escolhas popularistas (Whoopi Goldberg em "Ghost" e Swank - a arqui-inimiga - em "Million Dollar Baby"). Tal como a moça acima, mantém o talento e a ambição intactas e apresenta frequentemente interpretações de luxo. Esperemos que algum ano tenha mais sorte, embora a personalidade distante e fria - de senhora sofisticada - seja um obstáculo difícil de ultrapassar. Os Óscares gostam mais das meninas bonitas e simpáticas. Que o diga Jennifer Lawrence.



3. Joaquin Phoenix
Um dos actores mais entusiasmantes dos dias que correm. Depois do fatídico ano de 2005 ("Walk the Line") e da sua segunda derrota dedicou-se a uma fase da sua vida mais experimental, não sem antes virar musa de James Gray (uma pena a Academia ter ignorado "Two Lovers" e "We Own the Night"). Voltou desse período conturbado com revigorada energia, virando a nova musa de Paul Thomas Anderson, que lhe rendeu nova nomeação e derrota este último ano ("The Master") e com nova produção a caminho ("Inherent Vice"). Este ano volta à corrida por "Her" e "The Immigrant". Será desta? Tal como Christian Bale, será mais um enfant terrible triunfador?



2. Leonardo DiCaprio
O mal amado. Tal como Kate Winslet, algum dia terá que ser a vez dele. E ao contrário de Winslet, o Leonardo sempre vai tentando produzir os seus próprios esforços, nunca se cansa, tem sempre mais que um projecto a sair e não se pode dizer que recorra sempre aos meus realizadores e tipos de papéis (se bem que a saga das personagens consecutivas com mulheres mortas e a atormentá-lo já enjoava). Nos últimos tempos foi de Scorsese para um blockbuster de Christopher Nolan, para um biopic de Clint Eastwood, para o mais recente êxito de Quentin Tarantino, para uma adaptação literária estilosa de Baz Luhrmann e de volta a Scorsese. Se isto não é variedade e pedigree, não sei o que será. Pecou pela juventude das três vezes que perdeu. A que mais doeu foi em 2004 ("The Aviator"). Tinha tudo para ganhar mas a Academia achou Ray Charles mais impressionante. Há-de chegar o dia (embora já me tenha passado pela cabeça que o Leo dava um bom "novo Peter O'Toole").




1. Amy Adams
"Junebug", "Doubt", "The  Fighter", "The Master". Sempre que ela esteve num filme popular com as massas ou com os críticos ou, pelo menos, num filme "à Óscar", ela foi nomeada. Pode-se dizer que foi ignorada por trabalho impressionante em 2007 ("Enchanted") mas a Academia nunca tocaria naquele filme nem por sombras. O amor que a instituição tem por ela, no entanto, bate fundo e parece não ter fim (quatro nomeações em apenas oito anos - 2005-2012 e das quatro vezes conseguidas a muito esforço - duas delas a par com uma actriz do seu filme - ou pelo menos assim parecendo mostram que a Academia gosta dela). Algum dia terá sorte. Será este ano com "American Hustle" ou "Her"? É que mesmo quando a moça tira um ano sabático para ter um filho, consegue manter-se sempre pertinente na indústria ("The Muppets" foi uma das grandes histórias de sucesso de 2011). Com o ritmo de trabalho dela, é uma questão de tempo até... lhe darem um Óscar ou esquecê-la de vez.


E para mais um Óscar, alguma aposta? Acho seguro assumir que Clooney, Streep, Seymour Hoffman, Winslet, Lawrence e Hathaway vão vencer mais Óscares. Mesmo Blanchett, Bale e Kidman, se bem que estes nem sempre façam filmes populares. Firth poderá repetir, dependendo do papel. O mesmo digo de Sean Penn, Russell Crowe, Tom Hanks e Denzel Washington. Dos veteranos, acho que DeNiro terá sempre boas hipóteses se - e é um grande se - quiser voltar aos grandes papéis (como este ano vimos, em "Silver Linings Playbook"), bem como as Dames Judi Dench, Maggie Smith e Helen Mirren porque são britânicas e essas trabalham para sempre. 

Isto, no fundo, não quer dizer nada. De repente, sem ninguém esperar, um actor arranja o papel de uma vida e lá chovem estatuetas e mais estatuetas. Quem diria que chamaríamos àquela simpática senhora nomeada por "Frozen River" em 2008 vencedora do Óscar? E quem apostaria que seria Sandy Bullock a ficar com o prémio de Melhor Actriz em 2009? E que Daniel Day-Lewis iria aproveitar um ano fraco para actores e ganhar um terceiro Óscar de Melhor Actor, juntando três prémios no espaço de 23 anos (1989, 2007, 2012) e pouco mais de dez papéis nesse tempo? E que de França viria um Jean Dujardin bater Pitt e Clooney? Lá está, isto das previsões não querem dizer absolutamente nada. Mas é sempre giro especular.



Parabéns, Mary Louise



O "fenómeno" conhecido por Meryl Streep festeja mais um aniversário. Eu sei, eu sei, passo metade da vida do blogue a falar dela. Mas ela hoje (e sempre, vá) merece. Engraçado, acho que nunca disse cá no cantinho quais as minhas cinco interpretações favoritas desta lendária actriz. 






Poderiam estar entre elas "Bridges of Madison County", "Sophie's Choice" e "Kramer vs Kramer" e na minha mente figuram bem perto entre as melhores interpretações dela, mas não fazem parte das minhas cinco melhores. Porque as minhas cinco interpretações favoritas dela mostram traços únicos que não são vistos em mais nenhuma performance da actriz: o arrojado sentido cómico de "The Devil Wears Prada", uma criação icónica, que ninguém conseguirá imitar tão cedo (basta ver-se o exemplo de Glenn Close em "101 Dalmatians" e o quão ténue é a linha entre a caricatura e a caracterização); a desconstrução de uma mulher simples, banal em "The Hours", que poucas actrizes conseguiriam preencher com tanta alma e sofreguidão como Meryl; a simplicidade com que Meryl incorpora mulheres especiais resignadas a uma vida repleta de caminhos entrecruzados, como em "Postcards from the Edge"; a capacidade extraordinária de reinventar-se uma vez mais e outra e mais outra, como Meryl consegue em "Adaptation"; e a perfeita combinação dos talentos de uma estrela de cinema à escala mundial a desaparecer numa personagem (como recentemente fez Day-Lewis em "Lincoln" ou mesmo Meryl em "The Iron Lady"), que Meryl consegue em "Silkwood"


E um bónus: se "Angels in America" contasse na filmografia oficial, seria a minha segunda interpretação favorita, atrás apenas de "Silkwood", que é para mim uma das - senão a melhor - interpretação feminina da década de 80.

E agora vocês: quais são as VOSSAS interpretações favoritas desta senhora?


Três mulheres, três histórias... Always THE HOURS (2002)


Quão raro é o privilégio de sermos presenteados com um filme que não só reúne três das mais importantes e inspiradoras actrizes da actualidade como lhes dá papéis dignos do seu talento e valor, um filme que não reduz as suas personagens femininas a clichés, a reflexos dos seus pares masculinos ou as trata como figuras reactivas, existindo apenas para completar a caracterização do protagonista masculino, fazendo delas o centro, o prato principal em torno do qual toda a narrativa gira – e os homens, em “The Hours”, são pouco mais que a sobremesa dessa ementa. 

Para começar: “The Hours” junta o génio (génio, não talento, como bem distingue Penelope Cruz em “Vicky Cristina Barcelona”, outro bom exemplo que poderia constar desta rubrica) individual de Meryl Streep, Julianne Moore e Nicole Kidman (premiada com um Óscar precisamente por esta interpretação) a um elenco composto por Claire Danes, Miranda Richardson, Allison Janney e Toni Collette e ainda Ed Harris, Stephen Dillane, John C. Reilly e Jeff Daniels. São duas horas basicamente a assistir todas estas fabulosas actrizes a trocarem cenas entre si, duas horas de depressão, opressão e repressão enquanto estas actrizes e as suas personagens “vivem”, debaixo da alçada da magnífica banda sonora de Philip Glass, com um sentido de urgência no mundano, de assombração por detrás da fachada destas mulheres (aliás, continuem a ler o artigo com isto a tocar no fundo).


Virginia: [escreve] “Mrs. Dalloway said she would buy the flowers herself”


Laura: [lê] “Mrs. Dalloway said she would buy the flowers herself”


Clarissa: Sally, I think I’ll buy the flowers myself.

Um dia na vida de uma mulher – e toda a sua vida nesse dia. É assim que Virginia Woolf (Kidman) abre a sua obra-prima, “Mrs Dalloway”. Numa das muitas líricas e inteligentes sobreposições e paralelismos, a entediada e problemática Virginia Woolf surge-nos em 1921 a escrever aquele que viria a ser o seu mais aclamado romance; em 1951, a belíssima e delicada dona de casa Laura Brown (Moore) embarca na leitura do livro, procurando nele explicações para a sua própria vida, perdida de significado; e em 2001 a nervosa e preocupada Clarissa Vaughn (Streep) encarna a personagem que Woolf narrava oitenta anos antes, preparando uma festa para o seu ex-compaheiro enquanto lida com mais um dos seus conflitos existenciais. Arte criada, experienciada e vivenciada. Michael Cunningham era brilhante.

Três personagens tão diferentes e tão semelhantes entre si. Todas aprisionadas numa vida que não queriam ter. Para Laura Brown, a sua casa é a sua prisão. Quanto não lhe apetecia fugir! Para Virginia Woolf, não é a casa que é a sua prisão, é a sua vida. Da sua casa – como de praticamente tudo o resto – Virginia não se deixa aproximar, preferindo a solidão. Para Clarissa Vaughn, a prisão é ela própria, vivendo no constante medo de deixar os outros entrar e ver o que passa pela sua mente, tentando manter sempre as aparências de que tudo está bem.


A frenética e nervosa energia de Clarissa conta-nos tudo o que precisamos saber sobre a sua implosão interna, quase a ponto de deixar-se-ir, de deixar a sua raiva soltar-se. A cena em que se descai em lágrimas na cozinha é uma excelente forma de mostrar como mesmo a pessoa que nos parece a mais forte e independente, a que toma conta de todos, pode ser a que mais precisa de ajuda. Apanhada desprevenida por uma mescla de emoções, os seus falhanços vêm ao de cima e Clarissa vem-se abaixo. Com Laura Brown sucede exactamente o contrário. Por nunca ter definido a sua personalidade, Laura vê-se sem voz. Enquanto que em Clarissa é nas suas expressões que revela o que não quer, Laura é na voz. Do tom mais decidido ao quase suspiro, com múltiplas reticências, Laura mostra-nos o quão despersonalizada é. Uma personagem propositadamente vaga, ausente, perdida num espaço onde só existe ela e mais ninguém. Finalmente, Virginia. Um poço de fúria, de angústia, de revolta, tudo nos seus olhos. Feroz, determinada e complicada, Virginia não consegue estar satisfeita com a vida que tem. Ela é mesmo o que é – sem tirar nem por – e talvez por isso seja a mais incompreendida das três, arrumada para canto com a desculpa de uma doença mental que ninguém sabe muito bem como diagnosticar.

Muitos preferem ver “The Hours” como um filme que aborda três mulheres à beira do desespero, duas delas tentando mesmo o suicídio e por isso descartam-no como um desvaneio deprimente de um escritor com mania de lírico. Para mim, ao entrecruzar os três ângulos narrativos em paralelo em vez de em sequência, colocando o autor, o alter ego e o leitor no mesmo plano e forçando-nos a partilhar do fragmentado e imperfeito mundo destas três infelizes mulheres, “The Hours” mostra-nos como só o amor e o tempo são ambivalentes, complexos e intemporais. Tudo o resto, como as conexões, a humanidade, a felicidade, se esvai. “Always the love. Always the hours.”


Meryl. Obrigatório, claro.




"August: Osage County" seria sempre um íman de prémios, uma vez que é a adaptação de uma das peças mais criticamente aclamadas dos últimos anos (e premiada com um Pulitzer em 2008). O que torna a coisa mais interessante é que a adaptação foi feita pelo próprio autor, Tracy Letts e terá realização a cargo de John Wells que não provou nada no mundo no cinema ainda ("The Company Men", o seu mais recente filme, foi um aborrecimento) mas em televisão é um senhor (de "E.R." a "Shameless").

Com o elenco que reuniu - Meryl Streep, Julia Roberts, Ewan McGregor, Juliette Lewis, Margo Martindale, Abigail Breslin, Sam Shepard, Chris Cooper, Dermot Mulroney, Benedict Cumberbatch e Julianne Nicholson - difícil é falhar. 

E gente, não se preocupem - o tom da peça é muito deprimente e de certeza o filme assim será; mas convém "vender" bilhetes não é?

Da minha parte, um mandatório sim, até porque a Meryl eu vejo em tudo. E este papel (tal como o da Julia) é qualquer coisa de espectacular.


HOPE SPRINGS (2012)


Deve ser um prazer ter uma intérprete como Meryl Streep a protagonizar uma comédia. A actriz, profissional consumada, exímia no drama e na comédia, eleva qualquer material em que põe as mãos e transforma o que poderia ser uma comédia mediana em algo acima da média. Em "HOPE SPRINGS", mais uma vez a magia de Streep é palpável. Não está, desta vez, sozinha - encontra um oponente à altura em Tommy Lee Jones, rejuvenescido depois de um marasmo de carreira nos últimos anos. O filme é, basicamente, a colaboração dos dois. Tudo o resto é acessório. O realizador David Frankel teve uma decisão simples a tomar: deixá-los fazer o seu trabalho.


O filme começa com a constatação que a vida deste casal está por um fio. Kay (Streep) e Arnold (Jones) são um casal suburbano com problemas no casamento, como tantos outros. A convivência é estarrecedora, com poucas trocas de palavras e apenas gestos rotineiros pelo meio do seu dia-a-dia. E assim avança o tempo. Até que Kay, farta de se sentir solitária e menosprezada, finalmente se presta a dizer basta e sacrifica a sua vida pacata por um acto absolutamente radical - que poderá todavia mudar de uma vez por todas o seu casamento. É nesta primeira metade que é possível apreciar o quanto o talento de ambos os actores contribui para melhorar o filme: a raiva interna de Arnold por ser incapaz de acompanhar o novo estado de espírito de Kay e, ao mesmo tempo, o desespero de Kay por querer simultaneamente que o marido reaja e por estar cansada de esperar que este mude e a deixe de ignorar. Uma cena particularmente tocante ocorre quando o terapeuta - interpretado com uma classe e tranquilidade admiráveis por Steve Carell - lhes propõe um cenário sexual bastante distante do que é hábito do casal. O olhar enternecedor de Meryl, ao ver que Arnold a rejeita, transforma-se de repente num ar de autocomiseração, tristeza e vergonha que é impossível não querer saltar para a tela e, naquele momento, abraçá-la e dizer que tudo vai ficar bem.


Os dois protagonistas merecem elogios pela familiaridade e vulgaridade com que interpretam Kay e Arnold. Streep em particular é impressionante na forma como de novo (já cansa dizer isto) desaparece no papel desta comum e frágil mulher que só deseja voltar a ser amada pelo marido como antes. Perfeita na simbiose com Jones, cujo trabalho na segunda metade do filme é notável, ao ter que deixar a sua zona de conforto e divertir-se um pouco (algo incomum na maioria da filmografia de Tommy Lee Jones), pois para ganhar Kay de volta, Arnold vai ter de arriscar em situações que nunca julgou ser capaz de concretizar.


As sessões com o terapeuta (Carell) são indubitavelmente os momentos mais fortes do filme, particularmente nas primeiras sessões quando demasiadas verdades são lançadas para o ar e nenhum dos dois membros do casal está preparado para encarar a dura realidade que estão há demasiado tempo sem contactarem intimamente um com o outro. Altos e baixos, momentos de felicidade e melancolia, vão-nos informando do quanto este casal mudou com os anos. É nestes momentos que o filme larga o rótulo de comédia romântica e se torna algo mais. Não compensa por algumas partes do filme bem mais ridículas (todas as cenas com Elizabeth Shue são escusadas; e creio que só não foram editadas no final porque Shue é ainda um nome de respeito em Hollywood) mas seguramente que lá estão para nos lembrar, pelo menos numa apreciação geral, que o filme tenta fugir à maioria das convenções - e em parte o consegue. Uma nota ao terrível acompanhamento musical do filme, que rivaliza com "Chéri" na banda sonora mais inadequada que eu me lembro de ouvir num filme. É especialmente confrangedor ver cenas de aparente tristeza acompanhadas por música alegre e esperançosa. Amadorismo.


Incrivelmente especial e honesto, vincando com convicção as apreciações que tem a tecer sobre as dificuldades de um casamento, da intimidade e da sexualidade na flor da meia-idade, com duas interpretações gigantes de Jones e Streep, "HOPE SPRINGS" torna-se muito mais que uma simples comédia romântica. É um filme obrigatório para todos quantos pretendem completar a sua formação cinéfila de 2012. É um dos pequenos grandes filmes do ano. Sem ninguém (friso: ninguém) esperar que o fosse ser.


Nota:
B/B+ (8/10)

Informação Adicional:
Realização: David Frankel
Argumento: Vanessa Taylor
Elenco: Meryl Streep, Tommy Lee Jones, Steve Carell, Elisabeth Shue, Jean Smart
Ano: 2012
Música: Theodore Shapiro

Cinema como Inspiração (II)



"Postcards from the Edge" foi um romance semi-autobiográfico escrito pela actriz Carrie Fisher (que interpretou a famosa Princess Leia na trilogia original Star Wars), que chegou ao cinema adaptado pela própria Carrie Fisher e realizado pelo mestre Mike Nichols, que obviamente quis Meryl Streep para interpretar Suzanne Vale (a personagem baseada em Fisher) - para mim a melhor interpretação de Meryl Streep ao lado de "Silkwood" e "Kramer vs. Kramer". 


Tudo isto para dizer: feliz 56º aniversário, Carrie Fisher! I'm checking out!