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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

Previsões Óscares 2013 (I): Actor Secundário


Como habitualmente, esta promete ser uma categoria difícil de resolver (no que a nomeados diz respeito) mas fácil de premiar (o vencedor é - excepção feita ao ano passado - alguém que costuma fazer uma limpeza geral aos prémios todos do circuito). A categoria do ano passado, apesar de excitante de seguir pelo fluxo de gente a entrar e a sair a cada conjunto de nomeações e prémios anunciados e pelos múltiplos vencedores que foi tendo ao longo da época de premiações, acabou por reunir uma colecção de antigos galardoados com o prémio algo enfadonha, quando um bocadinho de colorido aqui e ali - McConaughey ("Magic Mike"), Samuel L. Jackson ou Leonardo DiCaprio ("Django Unchained") ou Javier Bardem ("Skyfall") - traria mais alguma diversidade e interesse à corrida. A vitória sorriu a Christoph Waltz, que reciclou para "Django Unchained" a sua personagem Hans Landa de "Inglorious Basterds". Pronto, o homem dá-se bem com diálogos do Tarantino - e daí? Quer dizer que o homem ganha um Óscar basicamente sempre que lhe apetece fazer por isso? Daqui a pouco é o novo Daniel Day-Lewis (já não falta muito, só mais uma estatueta).


Muitos dos homens mencionados acima voltam à corrida este ano. Matthew McConaughey terá uma temporada de campanha em cheio, porque seja como actor principal ("Dallas Buyers' Club") seja como actor secundário ("Mud" e "Wolf of Wall Street", provavelmente este último será a sua melhor hipótese, embora terá também que lutar internamente contra Jonah Hill, nomeado em 2011 e que poderá ter possivelmente nova hipótese), tem várias oportunidades para tentar a nomeação. Outro actor roubado de uma nomeação o ano passado  (podemos falar de duas consecutivas, contando com "Shame" o ano antes também) foi Michael Fassbender. O homem regressa à competição tanto em actor principal ("The  Counselor") como em actor secundário - e deverá ser nesta última que terá mais hipóteses, por "12 Years a Slave" de Steve McQueen. O papel clama atenção da Academia (vilão, crueldade para os escravos, filme de época, actor no timing certo - tudo aquilo que eles gostam nesta categoria). Veremos se pega. 


Um recente nomeado de volta é Mark Ruffalo por "Foxcatcher", o novo filme de Bennett Miller que promete fazer estrago na corrida - é um projecto pessoal do próprio (que conseguiu nomeações para filme, actor e um dos seus actores secundários para os seus dois primeiros filmes, "Capote" e "Moneyball"), é uma história verídica perturbante e conta com um elenco fantástico (liderado por Carell - já falado em actor principal, Ruffalo e Channing Tatum, outro com possibilidade de nomeação aqui). Ruffalo é querido pela indústria, já conseguiu o mais difícil - ser nomeado (2010), que parecia que nunca iria acontecer - e portanto pode pensar (o papel também ajuda) em repetir o feito. Outros nomeados recentes a ter em conta também são Bradley Cooper e Jeremy Renner pelo novo filme de O. Russell (se "American Hustle" provar ser tão diverso e dar tanto que fazer como os filmes prévios de O. Russell, é de esperar que algum dos actores secundários - entre Renner, Lawrence e Cooper - consiga um bom papel e respectiva nomeação), Matt Damon ou George Clooney (falta sabermos quem é o real protagonista de "The Monuments Men" e se haverá mais alguém do elenco secundário a roubar cenas, como Bob Balaban ou Bill Murray por exemplo) e Javier Bardem (que já venceu a categoria, tal como Clooney) e Brad Pitt por "The Counselor" de Ridley Scott. George Clooney tem ainda um papel secundário que desperta muita curiosidade em "Gravity" de Alfonso Cuarón (temo que este filme não vá resultar ou não vá ser do agrado da Academia, à la "Children of Men", mas Clooney e Bullock são mel para a crítica e para o grande público por isso pode ser que se dê bem) e Jeremy Renner obteve ainda boas críticas pela sua prestação em "The Immigrant" de James Gray, já discutido previamente. Também falado anteriormente em melhor actor mas de nota aqui é a interpretação de Josh Brolin em "Labor Day" de Jason Reitman - isto porque a interpretação pode tão facilmente ser considerada principal como secundária, como penso que irá acontecer - o que o fará (tendo em conta o papel), se o filme tiver sucesso, um dos favoritos a vencer.


Além da grande percentagem de regressos que comummente pautam as listas de nomeados aos Óscares todos os anos, constam sempre nomes novos (não o ano passado mas, como já referido, foi uma excepção).  Tony Danza ("Don Jon") numa espécie de prémio por uma carreira relevante na indústria (e parcialmente porque toda a gente gosta do homem), Will Forte ("Nebraska") se o filme cativar muitos membros da Academia e arrastar consigo algumas nomeações menos óbvias para lá de argumento, realizador, filme e actor - o mesmo é aplicável a Jared Leto ("Dallas Buyers Club"), Daniel Brühl ("Rush") porque todos os anos há sempre um actor com uma transformação física espantosa na conversação, Tim Roth ("Grace of Monaco") pelas mesmas razões de Will Forte só que muda actor para actriz - o mesmo se aplica a Steve Coogan ("Philomena") e a Benedict Cumberbatch ("August: Osage County"), se bem que este tem ainda o bónus adicional de estar no momento exacto e na transição para A-List para esta premiação suceder. Falta ainda referir o homem camaleão, um dos verdadeiros character actors da actualidade, que surge em vários filmes por ano e em todos é bom mas acaba sempre por não obter reconhecimento - será este o ano de John Goodman? E por que filme? "Saving Mr. Banks", "Inside Llewyn Davis" (pelas críticas, o mais provável) ou "The Monuments Men"?

Pergunta final: e começar a montar uma campanha para Ewan McGregor ser nomeado por "August: Osage County"? É que não é só "Moulin Rouge!", "Trainspotting", "Velvet Goldmine", "Shallow Grave", "Big Fish", "Young Adam"... Já vai numa sequência seguida de grandes interpretações - "I Love You Philip Morris", "The Ghost  Writer", "Beginners", "The Impossible"... Quanto mais tempo demorarem, Academia, maior é a vergonha...


Previsão dos nomeados:
Javier Bardem, "The Counselor"
Bradley Cooper, "American Hustle"
Michael Fassbender, "12 Years a Slave"
Matthew McConaughey, "Wolf of Wall Street"
Mark Ruffalo, "Foxcatcher"

"The Monuments Men" de Clooney ganha primeiro trailer...



E enganem-se os que pensavam que ia ser um dos grandes candidatos aos Óscares. Acho muito duvidoso e, depois do que já tinha ouvido da promoção, com este trailer, faz sentido. Penso que teremos uma boa história (como "The Ides of March"), com um bom elenco - "The Monuments Men" conta com George Clooney, Matt Damon, Bill Murray, John Goodman, Cate Blanchett e Jean Dujardin nos principais papéis - (como "The Ides of March"), que vai à procura do mesmo público-alvo de "Argo" (também produzido pela dupla George Clooney - Grant Heslov e, como se sabe, vencedor do Óscar de Melhor Filme o ano passado). Óscares? Só se o filme se tornar demasiado popular para ser ignorado. A ver vamos.

Admirando MARGARET (2011)



Como um fã absoluto do filme de estreia do dramaturgo Kenneth Lonergan, “You Can Count On Me”, podem contar que estava esperançado que a sua obra seguinte, “Margaret”, fosse igualmente excelente. Não me desiludiu. É definitivamente uma pena – e uma vergonha para distribuidores pelos Estados Unidos da América fora – que este filme tenha passado quase despercebido do público, tendo aparecido e saltado fora dos cinemas norte-americanos num piscar de olhos. Não fosse o aviso da Boston Society of Film Critics e este filme tinha-me passado completamente ao lado.


Passo a explicar: o filme passou por infernais problemas de desenvolvimento, com guerras entre distribuidoras, com a distribuidora do filme a falir, com anos e anos a passar até que Lonergan conseguisse juntar dinheiro suficiente para reaver o filme e com a problemática mania de perfeição de Lonergan a meter-se ao barulho também, editando o filme vezes sem conta. Scorsese, amigo pessoal de Lonergan, viu uma versão antecipada do filme - chegou até a trazer Thelma Schoonmaker com ele para ajudar a editar a película - e ficou maravilhado, considerando-o uma obra-prima perfeita. Lonergan não era da mesma opinião e editou. E editou de novo. Tanto editou que o filme falhou o prazo imposto pela editora – que o queria lançar nos festivais o ano passado – e acabou esquecido por todos. Felizmente, conto-me entre os sortudos que viu o filme – e que o admira por tudo aquilo que tenta ser e sentir, mesmo que não suceda na sua plenitude. É um filme de uma beleza sem precedentes, de uma pureza e sentimento ímpares, de um poder difícil de explicar.  “MARGARET” é único.


Com uma interpretação fantástica de Anna Paquin – a sua Lisa é ao mesmo tempo irreverente, destemida, precipitada, instintiva e desesperante, personificando o volátil estado de espírito de alguém que não é já uma jovem, contudo não é ainda também uma mulher. Lisa é filha de pais divorciados, uma mãe actriz com quem não tem grande conexão e um pai que adora, mas que não lhe dá a devida atenção e prefere manter distância. Lisa é, apesar de rebelde, uma jovem inteligente e interessada no mundo que a rodeia, que surpreendentemente se vê de repente a mãos com um evento traumatizante, que desperta na outrora despreocupada adolescente um misto de luto e revolta que a faz pensar para onde caminha a sua vida – e a vida de todos à sua volta, numa Nova Iorque pós-11 de Setembro onde o trágico incidente ainda faz sentir a sua marca. 


O acontecimento – que engloba para além de Lisa um condutor interpretado soberbamente com igual parte confusão e esternecimento por Mark Ruffalo e uma pobre pedestre interpretada por Allison Janney – leva Lisa a embarcar numa jornada para que seja feita justiça, empurrada pela consciência de que o que se sucedeu partiu dela, apesar da culpa não ser propriamente da mesma. O problema é que Lisa nunca consegue encontrar uma resolução satisfatória que a faça sentir melhor com ela própria e por isso assume uma personalidade alternativa proporcional à raiva que sente. O filme é um estudo interessantíssimo de como a nossa consciência individual do mundo em que existimos é o que faz girar o próprio mundo. E é acima de tudo pertinente na medida em que se propõe a analisar o que está de errado no mundo da perspectiva de uma adolescente de 17 anos, marcando bem a diferença entre ser jovem e ser jovial. A inocência de Lisa vai sendo destruída pouco a pouco, à medida que o mundo que Lisa achava que conseguiria subverter à sua vontade e empenho vai sucumbindo aos poucos e poucos. No final, a nossa adolescente, com uma vida confortável e simpática, sem grandes problemas, assume que a sua vida nunca mais vai ser a mesma. Como recuperamos de uma situação destas? “Margaret” é isto. É um filme que dá voltas e voltas a um ritmo incomum (correndo o risco de se tornar até redundante), fortalecendo cada camada de narrativa com mais complexidade e beleza, tentando explicar como às vezes o que sucede na vida de uma pessoa não tem sentido nenhum, mas ainda assim as coisas acontecem e como a mais insignificante das acções pode ter imprevisíveis consequências. 


Trágico e profundo, o argumento de Lonergan pega nas nossas noções de sociedade, de família, de relações, de maturidade, de compaixão, de responsabilidade e transcende-as num filme que é mais peça de arte que um sucesso cinematográfico. Lonergan não pretende fazer cinema. O próprio sabe que este o resultado final deste filme nunca o deixará satisfeito. Porque o que o filme pretende alcançar é muito maior do que uma simples película. É o universo, é a vida, concentrada numa história, numa experiência vulgar como tantas outras. As suas melhores cenas são viscerais, cruas, reais, filosóficas, inesquecíveis. Entre elas encadeiam-se muitos momentos que não funcionam muito bem (alguns deles, nada bem, como um encontro romântico entre Lisa e o seu professor, interpretado por Matt Damon), mas por cada dez cenas dispensáveis, temos uma cena como a discussão entre Lisa e a mãe (a extraordinária J. Smith-Cameron) que fazem o filme parecer tão melhor do que realmente é. O final catártico e eléctrico vende bem o filme. E assim, sem esperarmos, voltamos a apaixonar-nos pelo filme no seu todo. E as falhas perdoam-se. Não é uma obra-prima, mas Lonergan sim, é um mestre.

Nota:
A-/B+ (9/10)

Informação Adicional:
Realização: Kenneth Lonergan
Argumento: Kenneth Lonergan
Elenco: Anna Paquin, Jeannie Berlin, J. Smith-Cameron, Matt Damon, Mark Ruffalo, Matthew Broderick, Jean Reno, Kieran Culkin, Allison Janney, Kenneth Lonergan, Krysten Ritter, Rosemarie DeWitt
Fotografia: Ryszard Lenczewski
Música: Nico Muhly
Ano: 2011 (não comercializado em Portugal)



CONTAGION (2011)






"It's figuring us out faster than we're figuring it out."

Começo por dizer que Steven Soderbergh é dos realizadores americanos que mais admiro. Só ele para construir uma carreira que alterna entre filmes de largo orçamento, produzidos pelos grandes estúdios de Hollywood, e pelos pequenos filmes independentes que, numa fase inicial, lhe ditaram o futuro na profissão. Durante uns tempos, Soderbergh tentou conciliar ambos, realizando dois filmes no espaço de um ano e lançando-os quase ao mesmo tempo. De repente, cansou-se e parou. E o mundo do cinema despedia-se não só de um dos seus autores mais profícuos, mas também um dos mais irreverentes e talentosos. E se bem que ele nunca há de voltar aos níveis de genialidade atingidos com o seu auspicioso início "Sex, Lies and Videotape", vencedor da Palma de Ouro em Cannes em 1998, é sempre bom tê-lo de volta ao que melhor faz: filmes. E 2011 oferece-nos dois filmes dele, ainda por cima.

O primeiro desses a ser lançado é este "CONTAGION", que reúne um elenco impressionante de brilhantes e talentosos actores para contar a história de como uma simples infecção viral pode provocar, de forma estrondosa, uma revolução no mundo inteiro, na tentativa de mostrar que, ao contrário do que muitos pensam, o real perigo do fim do mundo pode não estar em terramotos ou dilúvios ou outros desastres naturais, mas sim numa pandemia microbiológica multirresistente, capaz de ceifar a vida a milhões de pessoas enquanto semeia o pânico e a guerra entre pessoas, entre nações, entre o mundo.



A narrativa de "Contagion" é algo que já foi contado várias vezes, por diversas perspectivas, mas sempre da mesma forma. O que faz o filme de Soderbergh tão diferente dos outros (para melhor) é o facto de abordar a situação do ponto de vista de cada personagem, da forma menos sensacionalista e mais realista possível. O filme parece funcionar até como uma espécie de documentário, tal é a sua vontade de ser levado a sério e a sua precisão a nível científico (algo que é de louvar). Comporta-se como um thriller adulto que tenta fazer passar uma amálgama de mensagens, algumas políticas, outras sociais, acerca da forma como a sociedade actual reage a este tipo de acontecimento. Procura ser minimamente assustador e impressionante. Contudo... a não ser que seja um verdadeiro misofóbico (que tem horror a germes) - que eu sou, já agora - penso que não deve recear ver este filme. Se os germes o assustam... Bem, prepare-se. O filme não ajuda nada.



O filme abre então com a chegada de Beth Emhoff (Gwyneth Paltrow) a casa, onde encontra o seu marido Mitch (Matt Damon) e o seu filho Clark, já visivelmente debilitada e doente depois de uma visita de negócios a Hong Kong. A sua doença, aparentemente, não é um caso isolado, pois acontece o mesmo a uma top model ucraniana de regresso a Londres, um empregado de mesa chinês e um homem de negócios japonês. Partindo destas primeiras pessoas infectadas, a película observa o desenrolar cronológico da progressão do vírus, apresentando-nos, além de mais indivíduos que contraem a doença, o grupo de pessoas responsáveis por parar a proliferação da infecção, entre eles médicos - Dr. Orantes, especialista da OMS (Marion Cotillard), Dr. Mears (Kate Winslet), Dr. Hextall (Jennifer Ehle), Dr. Eisenberg (Demetri Martin), Dr. Sussman (Elliot Gould) e Dr. Cheever (Lawrence Fishburne), responsáveis do CDC - e figuras governamentais (Bryan Cranston, Enrico Colantoni) e ainda nos introduz uma questão pertinente sob a forma de Alan Krumwiede (Jude Law), um oportunista blogger australiano que pretende lucrar com a crise e que cria teorias da conspiração em que menciona documentos que teriam sido ocultados pelo governo acerca do vírus e do seu tratamento.



Algo a admirar em "Contagion" é a forma surpreendentemente vivaz e empolgante com que se desenrola o filme, não deixando lugar para o aborrecimento durante as suas quase duas horas de duração. Também há que elogiar Soderbergh por nunca deixar que a história de uma das personagens se sobreponha às outras, dando tempo a todas sem nunca permitir que uma ganhe proeminência. Claro que o elenco é seu aliado, pois tanta gente com talento nunca poderia dar mau resultado. Não há um ponto fraco, tal como não há (por razões óbvias, como já expliquei) ninguém que se destaque. Scott Z. Burns e Steven Soderbergh mantêm o argumento o mais simples, plausível e directo possível, sendo que o único detalhe que me recorde incomodar-me é o facto de praticamente nenhuma das personagens ter grande profundidade - algo que neste tipo de filme não choca ninguém também, por isso penso que esse será um mal menor. A banda sonora electrizante de Cliff Martinez, a edição impecável de Stephen Mirrione e a fotografia sumptuosa - a cargo do próprio Soderbergh - ajudam a manter as coisas interessantes.



O final deixa as coisas irremediavelmente resolvidas e, com tantas personagens para nos despedirmos e vermos a sua história ser encerrada, permite-se entrar em alguns clichés desnecessários e que teriam ficado melhor fora do ecrã mas, ainda assim, é um dos filmes imperdíveis do ano e uma fonte de entretenimento garantido, mais não seja porque o seu objectivo é maior do que contar uma simples história: "Contagion" tenta colocar-nos a discutir e a questionar tudo aquilo que nos foi mostrado.


Nota Final:
B

Informação Adicional:

Realização: Steven Soderbergh
Argumento: Scott Z. Burns
Elenco: Marion Cotillard, Bryan Cranston, Matt Damon, Jennifer Ehle, Lawrence Fishburne, Jude Law, Demetri Martin, Gwyneth Paltrow, Kate Winslet
Fotografia: Steven Soderbergh
Banda Sonora: Cliff Martinez
Ano: 2011


Trailer:

INSIDE JOB (2010)



Provavelmente, o melhor documentário de 2010. Seguramente, um dos melhores filmes de 2010.

Inside Job é o resultado de um longo e complexo trabalho de investigação, com uma construção de contra-argumentos brilhantes que conseguiram desarmar todos aqueles que se tentaram desculpabilizar dos resultados de uma crise que, resultado da ganância de uma centena de ladrões, se tornou num problema global, arrastando milhares para a desgraça e pobreza.


É triste perceber que a nossa sociedade se encontra tão capitalizada e corrompida, ao ponto dos verdadeiros culpados de toda a crise conseguirem sair desta história, não só inocentes como ridiculamente ricos. E o Mr. Obama, com todas as suas larachas de salvador da pátria, de "Yes We Can" e de galvanizador da prosperidade (que no final da história caíram todas em saco roto e se transformaram num dos grandes flops dos últimos anos), não teve qualquer problema em nomear para a sua direcção alguns dos principais responsáveis de toda esta desgraça. No seu lugar eu sentir-me-ia humilhado depois de ver este documentário.


Inside Job explica-nos como tudo começou. Aponta-nos os culpados, justifica as suas acusações e cala aqueles que tentam encontrar desculpas onde elas não existem. Infelizmente, o documentário peca pela falta de relatos na primeira pessoa, uma vez que a grande maioria dos culpados recusou ser entrevistado para o documentário (Já o povo dizia, Quem tem cu, tem medo!).


No entanto, Inside Job não se limita a explicar. Inside Job dá-nos o prazer de ridicularizar todos os responsáveis pela criação da enorme bolha que rebentou com o sistema económico americano e, consequentemente, com o sistema económico mundial. Narrado por Matt Damon, dirigido por Charles Ferguson e escrito por Chad Beck e Adam Bolt, Inside Job é um dos meus favoritos de 2010. É um documentário obrigatório, que não deixará ninguém indiferente. (Uma última referência para a Banda-Sonora: Excelente!)


Nota Final:
A-



Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Charles Ferguson
Argumento:
Chad Beck e Adam Bolt
Ano: 2010
Duração: 120 minutos

THE ADJUSTMENT BUREAU (2011)



"All I have are the choices I make"


Aparentemente, segundo os Agentes do Destino, não é bem assim. THE ADJUSTMENT BUREAU é a mais recente adaptação cinematográfica do legado de Philip K. Dick (baseado no seu conto "The Adjustment Team"), chegando-nos às mãos desta vez por George Nolfi, o argumentista de "Bourne Ultimatum". Narra a história do romance entre David Norris (Matt Damon), um político jovem com má fama que vê a sua campanha para o senado norte-americano ruir ao mesmo tempo que encontra o amor da sua vida, Elise Selas (Emily Blunt), uma bela e talentosa bailarina com um futuro risonho pela frente. Este romance, contudo, assume proporções de thriller de ficção científica quando entram em acção os Agentes do Destino, um grupo misterioso de homens cuja função é monitorizar certas pessoas a toda a hora e fazer pequenos "ajustes" na sua vida, para que esta decorra segundo o plano que nos é destinado. O que esta organização não esperava, no entanto, era que David e Elise se revoltassem contra o plano estabelecido e buscassem, contra tudo e contra tudos, ficar juntos. 


Um filme agradável, com dose moderada de suspense e romance, como se quer num filme mainstream de qualidade, engrandecido pela enorme química entre Matt Damon e Emily Blunt (já nem se fala do talento dos dois actores pois esse nem se põe em causa) e pela presença ameaçadora de John Slattery e Terrence Stamp, tem em Anthony Mackie a verdadeira estrela. Desempenhando o seu papel com total eficácia e capacidade, ainda tem tempo para lhe acrescentar uma profundidade emocional e ambiguidade que certamente não estava no argumento. E digo isto porque o argumento é a grande falha do filme. Tenta torná-lo naquilo que não é, por vezes, tenta inventar explicações e associações com base na religião que não eram de todo necessárias e acaba por retirar potência a algumas cenas que mereciam mais rasgo e risco por parte do argumentista e também realizador. Com alguém mais reputado e experienciado, esta ideia genial de Dick poderia ter sido melhor explorada e extrapolada. O risco poderia valer a pena; ou então talvez não. A fotografia de John Toll, impressionante, sai beneficiada pelo realismo, pois todas as cenas foram filmadas mesmo em Nova Iorque, o que se torna divertido de observar por entre o abrir e fechar de portas.


Inesperadamente, o que mais me fascinou no filme, tirando a realização muito cuidada de alguém que ainda se está a iniciar nestas andanças - e que promete - foi a banda sonora brilhante de Thomas Newman. Alguém que já escutou os seus trechos musicais para "American Beauty", "Wall-E" e "Angels in America" vai ficar deliciado com alguns sons que estas partilham com esta banda sonora. Uma sonoridade celestial, pura e bela, que complementa tão bem a acção no ecrã (um bom exemplo aqui).

Nada muito cerebral, complexo ou sofisticado, uma abordagem interessante às temáticas e ao estilo de cinema de suspense e ficção científica de hoje, este é sobretudo um bom filme, que proporciona entretenimento de boa qualidade. Inspiracional e triunfante q.b., THE ADJUSTMENT BUREAU passa-nos uma curiosa mensagem sobre a imprevisibilidade, o destino, a perseverança perante a inevitabilidade e o valor do amor sobre todas as outras coisas que a vida tem para oferecer.



Nota Final:

B/B+

Trailer:


Informação Adicional:

Realização: George Nolfi
Argumento: George Nolfi
Elenco: Matt Damon, Emily Blunt, Anthony Mackie, Terrence Stamp, John Slattery 
Fotografia: John Toll
Banda Sonora: Thomas Newman
Ano: 2011 

HEREAFTER (2010)



Ver Hereafter foi um dos maiores sacrifícios cinematográficos que fiz em nome do blogue. É complicado falar-vos bem do que acabei de ver. Muito complicado, mesmo.

Clint Eastwood pôs a pata na poça. E enterrou-a tão fundo que J. Edgar, o seu próximo filme (previsto para 2012), tem obrigatoriamente que recuperar este grande realizador para o patamar que tanto merece e onde, por mérito próprio, conseguiu um confortável lugar. Eastwood é um dos mais regulares realizadores da actualidade. Mas, como errar é humano, Hereafter é a prova de que Clint Eastwood também se engana, também erra. E tem todo esse direito.


Hereafter é um filme sobre os medium e as experiências de quase-morte. George Lonegan (Matt Damon) é um operário, que após sofrer uma grave infecção na sua infância e depois de ter sido sujeito a uma longa cirurgia durante a qual diversas complicações obrigaram os médicos a reanimá-lo por inúmeras vezes, apercebe-se de uma invulgar capacidade de observar e conversar com as pessoas que já se encontram mortas. Esta comunicação privilegiada transporta-o para um sucesso inesperado e, após enriquecer com o seu "dom", decide largar tudo e viver uma pacata vida como operário fabril.


Marie Lelay
(Cécile De France), uma famosa jornalista francesa, encontra-se no meio de um tsunami numa paradisíaca ilha do pacífico. Depois de ser arrastada pelas águas é encontrada por dois locais que a tentam reanimar, com sucesso. Durante o período em que está morta, Marie vive uma experiência única e visita um espaço desconhecido. Meses mais tarde percebe que teve uma experiência de quase morte e decide então colocar a sua carreira em jogo e falar abertamente ao mundo, usando a sua elevada reputação, para dar a conhecer um mundo completamente obscuro para os comuns mortais.


Marcus e Jason são dois irmãos gémeos, cúmplices e unidos que, mesmo com uma mãe drogada, ausente e irresponsável, conseguem sobreviver e ser felizes no meio da infeliz desgraça à qual foram parar. Subitamente, Jason (o mais velho e responsável dos dois irmãos) morre vítima de uma atropelamento. Sozinho no mundo, Marcus procura o seu irmão. Procura uma mensagem, procura um modo de tentar encontrar Jason.


E pronto, Hereafter é um filme sem nexo nenhum. Três histórias, bastante desinteressantes, que no meio de um conjunto de acasos mal arranjados, acabam por se encontrar. Desde bem cedo se percebe qual o propósito do filme. Clint Eastwood não precisava era de duas horas para chegar lá. Dois minutos bastavam.


Nota Final:
D


Trailer:



Informação Adicional:
Realização: Clint Eastwood
Argumento: Peter Morgan
Ano: 2010
Duração: 129 minutos

TRUE GRIT (2010)


Juntar os irmãos Coen a um Western é o equivalente a colocar uma cereja no topo de um enorme e delicioso bolo. Para mim, esta combinação é o equivalente a um sonho que se torna realidade. Já o disse aqui, por diversas vezes, que estes são os meus realizadores favoritos, em actividade, e como tal, sendo eu um fan de Westerns, vê-los a colocar a sua magia num género cada vez mais esquecido e ostracizado, deixa-me indescritivelmente feliz.


Saí feliz, contente, realizado e convencido da sala de cinema. Todos os actores de True Grit estão a um nível altíssimo: Jeff Bridges espalha charme e versatilidade pelo ecrã, numa prestação de grande qualidade e que, infelizmente, não será devidamente recompensada com o Óscar de melhor actor; Hailee Steinfeld, justifica a nomeação e deixa no ar a perspectiva de uma grande carreira, com uma natural propensão para papéis carismáticos e intensos; Matt Damon, certamente num dos papéis mais divertidos de toda a sua carreira, o meu favorito deste filme, e a prova de que os Coen fazem o que querem de um actor; Por fim, Josh Brolin, com apenas 10 ou 15 minutos de protagonismo, num papel diferente daquele a que nos habituou, mas pleno de oportunismo e extremamente bem aproveitado.


Ora bem, fui ao cinema sem sequer ver o trailer de True Grit. E fiquei, como já vos disse, verdadeiramente agradado. Não existisse uma obra-prima chamada Biutiful, e True Grit seria certamente o meu favorito deste ano.


Adaptado do livro de Charles Portis, Ethan e Joel Coen não deixam os créditos por mãos alheias. A magia de um filme dos Coen é a imprevisibilidade dos acontecimentos. A qualquer momento, uma cena emocionante de verdadeira partilha de amor entre duas pessoas, pode natural e espontaneamente, dar lugar a uma cena do humor negro e ácido com que os Coen me conquistaram.


A base da história, vou tentar resumi-la em poucas linhas: Ao ver o seu pai ser assassinado às mãos do cruel oportunista Tom Chaney (Josh Brolin), Mattie Ross (Hailee Steinfeld) decide vingar a morte do seu progenitor e partir à procura do responsável pela sua morte. Para a ajudar, contrata um temível e impiedoso Marshal, Reuben J. "Rooster" Cogburn (Jeff Bridges) e partem no encalço de Chaney. Cedo percebem que não são os únicos a quererem a cabeça do fora-de-lei: LaBoeuf (Matt Damon), um Ranger do Texas, persegue o mesmo assassino há diversos meses a mando de uma abastada família do Texas. Juntos, partem numa atribulada aventura, onde serão diversos os obstáculos a ultrapassar e constantes as dificuldades com as quais se irão deparar.


True Grit é um filme cheio de garra, cheio de personalidade, cheio dos Coen, cheio de humor negro, cheio de carisma, cheio de momentos únicos. True Grit é um filme que os fans dos Coen vão amar. True Grit é a prova de que os Coen nunca falham: são uma máquina de fazer cinema com qualidade, um fenómeno da sétima arte e uma das poucas razões pelas quais ainda vale a pena ver o Cinema produzido nos Estados Unidos.

Notal Final: A-

Trailer:



Informação Adicional:
Realização: Joel e Ethan Coen
Argumento: Adaptação de Joel e Ethan Coen, a partir do livro de Charles Portis
Ano: 2010
Duração: 110 minutos.

Críticas Rápidas

Este é um dos artigos que tenho cá há séculos por despachar. Bom, há que explicar primeiro a ideia deste post: uma vez que não tenho tempo para criticar todos os filmes numa razoável extensão, eis que optei por escolher os melhores ou os mais proeminentes e escrever sobre eles e deixar para segundo plano os restantes, pegando neles desta forma. Seguindo o conceito de "crítica rápida", não escreverei mais de duas-três frases por filme, realçando apenas os principais aspectos positivos e negativos de cada um. 


Dogtooth (B+) : Bizarro, intenso, visualmente impressionante. Uma experiência fascinante com o selo muito pessoal do realizador Lanthimos. Merecedor de todos os elogios que tem recebido e mais alguns. Potencial nomeado para os Óscares se a Academia estiver em dia bom.


Fish Tank (B): Tive imensa pena de não ter apanhado "Fish Tank" aquando do Fantasporto mas acabei por vir a vê-lo mais tarde. Irrepreensível trabalho de Andrea Arnold, uma história simples mas extremamente bem contada e uma excelente interacção entre Fassbender e a brilhante protagonista Katie Jarvis. Numa corrida mais leve, tanto um actor como outro poderiam ter lugar entre os nomeados.


Green Zone (B): Fizeram bem em adiar o filme de Paul Greengrass para 2010, ele que era tido como um dos grandes candidatos a nomeações o ano passado - isto é, até surgir "The Hurt Locker". O pano de fundo é o mesmo, mas o tema e a teia são diferentes. Matt Damon completamente à vontade num papel que lhe assenta particularmente bem e um filme de guerra bem explorado por parte de um realizador que já nos habituou a grandes pequenos feitos (ver: "United 93")


Hachiko: A Dog's Story (C): Possivelmente o filme mais overrated do ano inteiro. Apanharam-me desprevenido e fui obrigado a vê-lo. Demasiado preocupado em busca do sentimentalismo e do cliché, demasiado indiferente a criar um bom enredo e a gestacionar uma boa história. Richard Gere é agradável, tudo o resto - incluindo o cão e (gasp!) Joan Allen - dispensa-se.


I Am Love (B+): Tilda Swinton. Cada vez mais te adoro. Não bastou já teres dado a melhor interpretação, feminina ou masculina, do ano passado ("Julia"), ainda vais a caminho de ser uma das melhores também em 2010. E se relembrarmos que foste brilhante em 2008 ("Burn After Reading" e "The Curious Case of Benjamin Button") e 2007 também ("Michael Clayton") e que tens sido sempre awesome há já vários anos, que mais posso eu te pedir? Fotografia belíssima e uma história exemplar. E Itália. Nunca há que descontar este factor.


Iron Man 2 (B-): Uns furos abaixo do primeiro (mas também como igualar aquilo?) mas com uma qualidade a nível de argumento bastante superior. Scarlett Johansson surpreendeu-me pela positiva, já Mickey Rourke... não. Robert Downey, Jr. com uma exibição bem abaixo da que exibiu no primeiro filme (de novo, também difícil de igualar) mas ainda assim muito satisfatória.


Kick-Ass (B): Difícil de caracterizar. Como adaptação de BD, é excelente. Como filme, é um pequeno falhanço. Em termos de interpretações, um sucesso. Em termos de temas abordados, um desastre. E desculpem-me mas se for por este filme que avaliamos o talento de Chlöe Moretz... Por mim está reprovada. Bem melhores que ela temos a Abigail Breslin, a Dakota Fanning e a Saoirse Ronan. Dito isto, palmas para Matthew Vaughn. Boa realização.


Killers (F): O que é que eu hei-de te fazer, Katherine Heigl? Desperdiçar o teu talento em comédias medianas com realizadores sem qualquer indício de talento comédico? (nem sei como é que dele saiu "Legally Blonde"!) Check. Escolher outro sem talento como o Ashton Kutcher para co-protagonista? Check. Ser completamente obnóxia durante a inteira duração do filme? Check. Queres dar comigo em doido?


Management (B): A primeira boa surpresa do ano de 2010. Jennifer Aniston e Steve Zahn impecáveis nos seus papéis. Boa química. Uma comédia com genuína piada. Um tema ainda pouco explorado nas comédias românticas do tipo trágico. Não exagera na dose.


Me and Orson Welles (B): Christian McKay numa das melhores interpretações de 2010 - um deliciosamente animado Orson Welles. Zac Efron finalmente num papel em que não é insuportável (direi, até, que mostra rasgos de talento). Claire Danes completamente fora de tom. Richard Linklater de volta à forma antiga.


Prince of Persia (C-): Uma perda de tempo absoluta. Não tem qualquer valor, aparte de ter dado a Jake Gylenhaal um gostinho do que é ter uma franchise com relativo sucesso. Conhecendo a Disney, dificilmente não teremos uma sequela.


Red (B-): Como explicar... Helen Mirren com armas de grande porte nas mãos; John Malkovich e a sua loucura e imprevisibilidade à solta; Bruce Willis a fazer o que sabe melhor, juntando-lhe um interessante timing comédico; e um senhor chamado Morgan Freeman. Todos a gozar com a sua velhice, todos a divertirem-se, todos em papéis bastante diferentes do que habitualmente interpretam. Awesomeness.



Robin Hood (B-): Nova parceria de Ridley Scott e Russell Crowe, não tão bem sucedida como a de 2000 e não tão interessante como a de 2008. Cate Blanchett não faz nada de particularmente importante no filme, juntando-se à mediocridade que paira pela película inteira. Um filme engraçadito mas que me deixa com um amargo de boca. Não havia nenhuma necessidade de fazer esse filme.


Shoot Me (D+): Se isto é produto da nova geração de realizadores do cinema português, mais vale resignar-nos a nova década de insignificância. Algumas pechas de real talento na realização, bom enquadramento e ângulos na fotografia, mas péssima direcção de actores (Maria João Bastos numa das piores interpretações da carreira) e uma história ridiculamente básica.


Shutter Island (B): A primeira desilusão de 2010 chegou, inesperadamente, das mãos do fabuloso Martin Scorcese. Um filme que nem parece um filme, soa mais a experiência. E se de facto me entreti nos devaneios da mente do prodigioso realizador, que nos testa os sentidos a cada segundo que o filme se revela, o resultado final é... decepcionante. Leonardo DiCaprio, com uma interpretação razoável mas indigna do seu gigante talento, lidera um elenco de notável e indiscutível qualidade (Patricia Clarkson, Emily Mortimer, Michelle Williams, Ben Kingsley e Mark Ruffalo). Ilógico, confuso, mas visualmente e criativamente inesquecível.


The Box (D): Um desastre de monumentais dimensões, este "The Box". Richard Kelly destrói um filme para o qual eu tinha legítimas aspirações e que falhou redondamente em suscitar em mim qualquer tipo de reacção positiva. O mal já começou no casting (só Langella é opção acertada; Cameron Diaz e James Marsden a milhas do que se pretendia) e continuou nos restantes aspectos do filme. Horrorosa desilusão.


The Switch (B): Nunca conseguiria adivinhar o quanto eu gostei de facto deste filme. Bem, talvez isso tenha ver com três grandes factores: Jason Bateman é o primeiro. Juliette Lewis em versão diva/BFF burra é o segundo. E Jennifer Aniston versão Rachel Green com 40 anos é o terceiro. O facto da história conseguir fugir a todos os clichés das comédias românticas à excepção de um (a que era impossível escapar, na minha opinião) e de conseguir ser engraçada e ao mesmo tempo intelectual são grandes bónus.


Troubled Water (B+): Mais um formidável filme estrangeiro que 2010 (2009?) nos trouxe. O dinamarquês "DeUsynlige" é um belíssimo exemplo do que um drama tipicamente europeu deve ser: extraordinariamente bem fotografado, uma história simples, personagens ricos e complexos, uma excelente reviravolta e uma situação que nos faça pensar, que nos faça colocar no lugar das personagens (Como é possível uma vida reerguida ser destruída em segundos por um segredo terrível do passado? Fascinante).