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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

Game on, Leonardo


Pois é, Leonardo, tu bem sabes que eu não tenho ido muito com a tua cara. Andas desde "The Aviator" basicamente a reciclar o mesmo estilo de personagem, a mesma nuance dramática, os mesmos problemas existenciais. Dirão os seus acérrimos (e são mesmo, nunca vi nada que se equivalesse e eu sou um defensor maluco da Meryl Streep, porra!) defensores que é o melhor actor da sua geração e um dos melhores de sempre já. Discordo. Vi pouco ainda em termos de variedade e versatilidade para te compararmos - e só falando dos mais recentes astros - a DeNiro, Nicholson, Day-Lewis e outros que tais. 

Se me encantaste em "Who's Eating Gilbert Grape" e "The Basketball Diaries" foi porque a tua representação tem uma leveza e ingenuidade que não encontra par no imenso calculismo das tuas últimas interpretações. Foi preciso chegar Tarantino para te soltar um pouco. E o Baz (vá, com o Baz surpreendeste-me mesmo a sério). E pareces ter gostado, tendo em conta o trailer em estreia da tua nova colaboração com o Marty, "The Wolf of Wall Street", sobre a qual já afirmaste ser a tua melhor interpretação de sempre (ou a mais completa; alguma coisa parecida a isso).


Cá estaremos para julgar. Para já o trailer surpreendeu-me - não sabia que o Marty agora fazia comédias. Pelo menos tu pareces estar-te a divertir - e o Matthew McConaughey continua a ressurreição mais impressionante de uma carreira em Hollywood que eu vi em tempos recentes. Está um monstro - e quem não concordar, que veja "Killer Joe", "The Paperboy", "Magic Mike" e "Bernie" (e "Mud", a estrear) e depois venha falar comigo.


Deixemos as conversas sobre Óscares para mais tarde - embora admita que gostava de ver ambos com uma linda estatueta dourada, uma que premiasse a consistência e ascensão estratosférica do primeiro ao topo de Hollywood (admito que merece, mesmo eu não sendo o maior fã) e a recuperação fantástica do segundo.

Actividades do CCOP


O Círculo de Críticos Online Portugueses (CCOP) - do qual eu e o João fazemos parte - tem andado ocupado nos últimos tempos com listas especiais, que abordaram três dos maiores realizadores americanos da era moderna: Martin Scorsese, Woody Allen e (acabado de publicar) Ridley Scott.


Espero que tenham gostado tanto quanto eu de ver as pequenas nuances e flutuações de cada top e de compararem com os vossos favoritos pessoais. Posso dizer que fiquei bastante satisfeito com o resultado no top do Ridley Scott, com os meus favoritos (apesar de não na ordem em que votei neles - na minha lista, "Alien" continuaria o primeiro lugar, mas os outros dois trocariam) a figurarem todos no pódio - naturalmente, diria eu, uma vez que são os três filmes de Ridley Scott que reconheço estarem acima da mediocridade habitual dos seus restantes trabalhos (assumo, de qualquer forma, que é um realizador com o qual estou, ainda, pouco familiarizado).


Já no caso de Woody Allen (aviso já que não sou um fervoroso fã dos seus filmes mais recentes, pelo que me considero mais um admirador confesso do que propriamente um devoto seguidor), fiquei satisfeito por ver a minha campanha positiva em relação a três filmes que considero serem a nata da filmografia de Woody Allen - "Hannah and Her Sisters", "Bullets over Broadway" e "The Purple Rose of Cairo" - que são habitualmente postos de lado nestes tops em detrimento dos mais óbvios (mas sim, não menos merecedores) "Annie Hall" e "Manhattan" (fiquei contente por ver os três entre as dez melhores obras - tecnicamente, "Bullets" não é uma das dez melhores, mas está, por empate de vários filmes, no décimo lugar). Devo dizer que achei surpreendente "Interiors" pontuar tão alto, porque não pensava que conseguisse tão boas notas (foi o meu sexto favorito, com nota 9, ainda assim) de toda a gente. Uma frustração pessoal: o exageradamente amado "Midnight in Paris" figurar no top-10. Não consigo entender. Pode ser embirração minha. 


Finalmente, o top que, para mim, mais gozo me deu desvendar: o do inigualável Martin Scorsese. Uma surpresa enorme ver "Hugo" no quinto lugar (a nota não surpreende, dado que é a mesma que lhe tínhamos atribuído num dos tops mensais) e mesmo obras menores como "The Departed" e o ambíguo "Shutter Island" entre as dez mais pontuadas. O dois primeiros lugares do pódio são, para mim, indiscutíveis, sendo "Raging Bull" e "Taxi Driver" duas das obras mais influentes do cinema americano dos últimos cinquenta anos. Já o terceiro lugar merece discussão. Não me entendam mal, eu gosto muito do "Goodfellas" - só acho que "The King of Comedy", "Cape Fear" ou "New York, New York" são melhores (aliás, a todos dei melhor pontuação até que a "Raging Bull", embora perceba que este último é sempre uma escolha óbvia para melhor quando se fala de Scorsese). Para a boa nota de "Goodfellas" pode ter contribuído ter sido um dos quatro filmes que toda a gente do painel viu.

E vocês, já foram espreitar o trabalho do CCOP? Que pensam destas listas?

HUGO (2011)



Provavelmente não estava com a melhor das disposições quando vi este filme. Hugo não é um mau filme. Mas também não me empolgou. É uma história bonita, óptima para mostrar às crianças, mas acho que, para mim, fica por aí. Não está no melhor que vi este ano e fiquei um pouco desiludido. No combate directo com o Artista, para os prémios finais da Academia, fica claramente atrás. E é também facilmente ultrapassado pelo óptimo The Descendants.


Hugo (Asa Butterfield) é uma criança orfã que vive sozinho numa estação da Paris da década de 30, dividindo o seu dia-a-dia entre os vários relógios que mantém a funcionar irrepreensivelmente e a procura de materiais para concertar uma misteriosa máquina (com uma peculiar forma humana) que lhe foi oferecida pelo seu pai, pouco tempo antes da sua morte. Hugo trabalha pela paixão que tem pelas máquinas, característica que herdou do seu pai, e com o objectivo de descobrir qual a mensagem que a mesma esconde. Um dos locais que frequenta com regularidade na "sua estação", é a loja relógios e raridades de Georges Méliès (Ben Kingsley), onde sorrateiramente vai roubando algumas peças importantes para a reconstrução da sua máquina. Até que um dia é apanhado em flagrante por Georges que se vinga confiscando-lhe o precioso caderno mágico onde Hugo apontara todas as alterações necessárias para o funcionamento das suas máquinas.


Decidido em recuperar o seu caderno, Hugo segue Georges até casa e acaba por conhecer Isabelle (Chloë Grace Moretz), uma jovem curiosa e perspicaz que vive sob a tutela de Georges e que rapidamente se transforma na sua grande companheira de aventuras. Juntos exploram todos os recantos da estação e a sua curiosidade leva-os a descobrir um fantástico segredo, que para sempre irá mudar as suas vidas e a daqueles que os rodeiam.


Nota Final:
B-


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Martin Scorsese
Argumento: John Logan (screenplay), Brian Selznick (book)
Ano: 2011
Duração: 126 minutos.

TEMPORADA 2011/2012 - FEVEREIRO


Caros leitores, está de volta a crónica mensal Temporada, para uma edição de Fevereiro carregada de óptimas e muito aguardadas estreias! Mês de Óscares, cinemas ao rubro!





Começamos por aquilo que estreou ontem na salas de cinema portuguesas. E que agradável semana! Destaque, claro, para um dos filmes mais falados de todo o ano, The Artist, que certamente arrecadará uma boa bilheteira durante as semanas em que estiver em exibição (principalmente se aguentar até ao sucesso que certamente lhe estará guardado para a cerimónia dos Óscares). Mas há mais para ver. Young Adult, o regresso de Jason Reitman (muito bem acompanhado por Diablo Cody (com quem trabalhou no filme "Juno")) ao grande ecrã, depois do tremendo sucesso de Up In The Air. Young Adult não conseguiu igual aprovação internacional, mas certamente que será uma agradável e divertida escolha, num filme que conta com Charlize Theron no papel de actriz principal. Mas a semana de 2 de Fevereiro traz-nos ainda o mais inesperado (ou talvez não) sucesso desta temporada natalícia: The Muppets, que marca o regresso do Sapo Cocas e companhia, tem recebido enormes elogios. Com Jason Segel e Amy Adams, este clássico filme para ver com toda a família, é uma das minhas recomendações para o primeiro fim-de-semana deste mês.





E depois de começar em grande, a segunda semana de Fevereiro já não terá tanta e tão boa oferta. O destaque natural irá para Iron Lady, a estreia do bio-pic em que Meryl Streep interpreta uma das mais carismáticas e marcantes governantes europeias do passado século, Margaret Thatcher, numa personagem que tem tudo para que a actriz mostre toda a sua classe e poder enquanto artista. Não sei se irei vê-lo ao cinema, mas é um conselho caso já tenha visto todos os filmes que estreiam durante esta semana e caso, claro, este tema interesse particularmente ao leitor. Esta semana será também marcada pela estreia do filme francês Le Havre, de 2011, mas que não estou certo se estreará em muitas salas. O mais provável será que a estreia se fique por Lisboa e Porto.





Dia 16 de Fevereiro será o dia de Hugo. O novo filme de Martin Scorsese, que venceu prémios por todos os festivais por onde passou, será muito provavelmente o filme que melhor rendimento retirará das suas nomeações para os Óscares. A semana da estreia foi estrategicamente escolhida para arrecadar os frutos da cerimónia (onde é o mais forte candidato à vitória em diversas categorias, a par com O Artista) e, sendo um filme para miúdos e graúdos, facilmente conseguirá uma óptima bilheteira. É o grande filme da semana, e uma forte recomendação que aqui deixo para o leitor. Se preferir um thriller dramático, com uma história dura e tocante, We Need to Talk About Kevin, com uma estrondosa interpretação de Tilda Swinton, será uma óptima escolha.





Para a última semana, será inevitável falar do péssimo War Horse, o novo filme de Steven "sou uma máquina de fazer dinheiro" Spielberg. O trailer bastou-me. Se for fan do realizador, poderá ir até ao cinema para o ver. A sua nomeação para Melhor Filme nos Óscares é uma farsa e só reforça a opinião que já tinha sobre a enorme influência que o nome Spielberg e as grande produtoras americanas têm nas nomeações desta categoria. A nomeação engana os leitores mais distraídos e garante lucros num filme que não devia ter saído da cabeça de Spielberg. Mas nesta semana já tão pobre em estreias (um claro sinal de que a temporada dos Óscares está a terminar), a minha escolha irá cair sobre Bel Ami, um filme baseado no livro de Guy de Maupassant e que conta a história de um rapaz pobre que utiliza a sua beleza, o seu charme e os seus encantos para cativar as mulheres mais poderosas de Paris no final do século XIX.

Personagens do Cinema - Travis Bickle


"Thank God for the rain to wash the trash off the sidewalk."

A isto chama-se jogar pelo seguro. Este mês tive algumas dificuldades em encontrar uma Personagem do Cinema, confesso. Por falta de tempo e de paciência, adiei a crónica até aos últimos dias. Mas finalmente consegui encontrar uma personagem incontestável. Travis Bickle é uma das personagens mais replicadas da história do cinema. A sua inesquecível cena com a sua pistola, em frente do espelho será, penso eu, um dos treinos de representação mais clássicos nos workshops de representação (e se não é, devia ser).


Taxi Driver foi o filme que catapultou para a fama, em 1976, Martin Scorsese, Robert De Niro e (uma então inocente) Jodie Foster. Pleno de irreverência, com um argumento duro, trabalhado no risco, sem problemas em tocar nas feridas de uma sociedade em transformação pela chegada de um Novo Mundo, marcado pela modernidade, pela emancipação das mulheres, pela deterioração do papel do homem na sociedade, fragilizado pela Guerra do Vietname, que deixa escapar de forma natural o seu estatuto na família e o seu poder sobre o sexo feminino.


É nesta sociedade em remodelação, em crescimento, em descoberta, que Travis Bickle é lançado, depois de uma traumatizante experiência no Vietname. Arrisca um emprego como taxista e cedo percebe que a noite é um ambiente hostil. É na sequência destes acontecimentos, da necessidade de se proteger (para sobreviver), que aparece a épica cena em que Travis enfrenta a sua imagem no espelho e treina a sua pose para intimidar os criminosos. É uma personagem dúbia, uma personagem intrigante, que se vai revelando ao espectador, como se o mesmo estivesse junto de De Niro e ganhasse a oportunidade de o conhecer melhor. É a grande obra-prima de Scorcese e o início de uma carreira de sonho. Com um Robert De Niro de nível olímpico. Travis Bickle é uma meritória Personagem do Cinema.

Triologia - INFERNAL AFFAIRS (2002/2003)



"What thousands must die, so that Caesar may become the great."

Adquiri esta triologia numa edição especial que a Fnac lançou há alguns anos (e que penso ultimamente voltou a produzir) cuja informação na capa é "A triologia que inspirou Martin Scorsese, Realizador de "Entre Inimigos"". Ora, isto foi exactamente no ano em que Scorsese deu cabo de toda a concorrência e arrebatou os prémios de melhor Realizador, melhor Filme, melhor Argumento adaptado e melhor Edição.
Foi portanto com bastante interesse e curiosidade que me decidi a descobrir esta pérola vinda do Oriente. Vou dividir a minha crónica fazendo uma apreciação de cada filme, de uma forma sucinta para que não se torne cansativa e demasiado longa.


Infernal Affairs I


O filme que Scorsese copiou. Não me vou colocar com rodeios, pois quem vir este filme e vir The Departed perceberá que as semelhanças são grotescas e que a versão americana, ao ser uma cópia, não é de modo nenhum tão boa quanto o original. Este é sem dúvida o melhor filme da triologia que se baseia nos agentes infiltrados que existem tanto na polícia como na máfia de Hong Kong.


Chan Wing Yan (Tony Leung) é um veterano da polícia, perito em desmantelar redes organizadas e que trabalha no grupo do manfioso Hon Sam (Eric Tsang), sob as ordens do Superintendente Shing (Chau-Sang) que, na sua equipa tem também um infiltrado que trabalha para Hon Sam: Ming (Andy Lau) é para mim a personagem mais complexa, reboscada e intrigante de toda esta história. Infernal Affairs é um verdadeiro jogo do Gato e do Rato, em que só um poderá vencer.

Nota Final: A-

Trailer:




Infernal Affairs II



É um filme complexo. Um filme passado dez anos antes do anterior, conta-nos como começaram Ming e Yan, os heróis do primeiro filme. É um filme que exige atenção por parte do espectador, pois envolve vários espaços temporais, várias personagens que, muitas delas, entram e saem em curtos espaços de tempo sendo complicado fixar todos os nomes, caras e respectivos cargos.



Considero-o um filme muito interessante e que nos demonstra como a aparente tramóia de Infernal Affairs 1 é tão pequena e tão banal quando comparada com toda a organização que envolve o combate entre a polícia e a máfia. Eu gostei bastante, não sendo um filme tão facil quanto o primeiro é um filme que responde a muitas das dúvidas que ficam no ar depois de Infernal Affairs 1.

Nota Final: B+

Trailer:



Infernal Affairs III

O mais fraco dos três filmes, que explora uma ideia já esgotada, mas que surge com a necessidade de fechar o ciclo da grande história criada por Alan Mak e Felix Chong. É um filme confuso, também ele com constantes alterações do espaço temporal e que nos fala dos tempos que antecederam e que precederam a história contada em Infernal Affairs 1. Por isso mesmo há constantes trocas de personagens, entradas e saídas que confundem o espectador e que nos deixam com algumas interrogações. Pessoalmente não gostei tanto quanto gostei dos outros, mas percebo a necessidade do filme.

Nota Final: B-

Trailer:


Evitei contar-vos a história de Infernal Affairs (a grande maioria de vocês conseguem-na deduzir se tiverem visto o filme de Scorsese), principalmente no terceiro filme, pois têm muita influência naquilo que é a grande história de Infernal Affairs (o primeiro filme) e prefiro não vos revelar as surpresas que vão encontrar (sobretudo no segundo filme).


É uma obra fantástica, uma história muito bem pensada e imaginada e que merecia sem dúvida muito melhor tratamento e consideração, tanto por parte da Academia como de Scorsese que precisou de roubar uma ideia para conseguir o Oscar que há tanto perseguia.