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DIAL P FOR POPCORN

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BRITISH TV - The Office

A British TV vai de férias. A crónica regressará em Setembro, mantendo o mesmo formato, para acompanhar o início da nova época das séries televisivas. Aguardo com especial interesse as novas produções de Sherlock, Misfits e Merlin.



Para a despedida, escolhi uma série que já gerou bastante controvérsia e discussão entre os diversos fans deste formato. Para mim, trata-se de uma escolha óbvia. O The Office inglês, o verdadeiro, aquele que foi copiado para ser recriado numa amostra mal amanhada do seu original, é, a toneladas de anos-luz, muitíssimo melhor do que a sua versão americana.

Confesso que, com o passar dos anos e dos consecutivos tiros ao lado que Ricky Gervais tem dado, me sinto cada vez mais desiludido com aquele que era, para mim, um dos mais promissores criadores da Inglaterra. Bem, quem cria uma série como este The Office tem, inevitavelmente, que ser um tipo especial, com imaginação, humor e rebeldia suficiente para se arriscar num formato que, na altura, caiu como uma lufada de ar fresco na televisão inglesa. Mas alguns projectos que assumiu desde então (em especial o The Office americano) foram uma autêntica decepção para mim. Especialmente no cinema.


The Office, é uma série baseada nos dramas, ambições e histórias (quase) insignificantes de um grupo de empregados liderados por um homem peculiar: David Brent (Ricky Gervais) é uma das mais complexas e misteriosas personagens que já vi numa série televisiva. Digo-vos isto porque, desde o primeiro ao último episódio, a minha opinião sobre Brent foi-se refazendo, sucessivamente e, ainda hoje, não consegui chegar a uma conclusão sobre quem era e o que realmente pretendia David Brent.


Com um elenco de luxo, The Office conta ainda com as participações de Martin Freeman (actualmente uma das estrelas da televisão britânica com a série Sherlock) como Tim Canterbury, um empregado subserviente, simples, pacato e bondoso cuja paciência é, diariamente, levada ao limite, não só pelas diabruras dos colegas como também pelos avanços e recuos na relação de amizade que tenta manter com Dawn Tinsley (Lucy Davis), o seu eterno amor platónico.


A estes junta-se Mackenzie Crook, no papel de Gareth Keenan, a minha personagem favorita desta série e a grande revelação de toda esta história. Um tipo completamente desconcertante, certamente resultado de uma combinação de mentes negras e cruéis, que o transformaram num verdadeiro sucesso. Um individuo cuja imagem aparenta de imediato estarmos perante uma pessoa especial, revela-se, com o evoluir de toda a história, numa intrigante personagem que se transforma, de uma forma quase imperceptível, num dos grandes pílares desta história, tendo, aquando do seu término, um papel chave e de inesperado destaque.


Com apenas duas temporadas e um fabuloso episódio (possivelmente o melhor de toda a série) comemorativo durante a época de natal, esta é mais uma prova clara e evidente de que os ingleses estão muitos degraus acima daquilo que se faz na América. E felizmente para nós, eles sabem aquilo que estão a fazer. A British TV regressa em Setembro com o melhor das séries inglesas.



BRITISH TV - Sherlock


Tenho vindo a adiar a escolha de Sherlock para a minha crónica da British TV desde o início da rubrica. É chegada a sua hora aqui no Dial P for Popcorn. A vitória nos BAFTA TV Awards na passada semana, na categoria de Melhor Série de Drama, bem como a vitória de Martin Freeman para Melhor Actor Secundário (à qual, penso justo juntar, a nomeação de Benedict Cumberbatch para Melhor Actor Principal), não podem ser ignoradas.


Justíssimo. Merecidíssimo. Sherlock é actualmente, com todo o mérito, uma das mais interessantes séries da televisão em Inglaterra. De uma inteligência invulgar e de uma originalidade viciante, a adaptação que Mark Gatiss e Steven Moffat (autor de Coupling e colaborador de Doctor Who) fizeram da obra Sir Conan Doyle é a prova viva de que a Inglaterra se sabe reinventar a cada ano que passa.


Sherlock Holmes (Benedict Cumberbatch) é uma personagem mesmo bem conseguida. Presunçoso, arrogante e detentor de uma auto-estima inabalável, sabe que é o melhor detective da Londres e que ninguém o consegue enganar. Viciado em quebra-cabeças e crimes misteriosos, utiliza de forma deliciosa o seu humor corrosivo para humilhar aqueles que considera insultuosamente inferiores, instalando a controvérsia entre os espectadores mais sensíveis. Pessoalmente, adoro o aproveitamento que fizeram da sua personagem, mesmo sendo perceptível que Benedict Cumberbatch não é um actor brilhante. Quanto a Martin Freeman (que tanto admiro pelo que fez em The Office), interpreta o papel do lendário médico John Watson, eterno companheiro de Sherlock e a única pessoa com paciência para aceitar com naturalidade o ego do caprichoso detective.


Muito distinto daquilo que Guy Ritchie fez na sua longa metragem, esta série é claramente resultado de cabeças inteligentes, que sabem pensar e criar com astúcia e perspicácia. Com apenas uma temporada (já exibida no canal 2 da RTP) de três episódios de noventa minutos, esta é uma série obrigatória para qualquer amante da investigação criminal. O futuro será seguramente brilhante para esta promissora série. E o BAFTA, um prémio que reconhece toda a sua qualidade.