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DIAL P FOR POPCORN

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BIUTIFUL (2010)



Assombroso. Nunca esperei escrever ou pensar isto, mas Iñárritu tocou novamente o céu: Biutiful é, para mim, o melhor filme da sua carreira e, dificilmente, algum dia ele conseguirá fazer melhor. É controverso afirmá-lo e certamente muitos vão para sempre considerar Amores Perros como o seu ponto alto. Eu considero Amores Perros um óptimo e brilhante filme, no entanto a minha enorme admiração por histórias deprimentes, contadas de uma forma nua e crua, sem pudores, numa encarnação de sentimentos reais, que nos transportam por o ecrã, que nos fazem compartilhar a dor e o sofrimento de um actor que faz uma das interpretações do século, fala e falará para sempre mais alto. É impossível não lhe fazer esta homenagem.


Desde 2007, quando Daniel Day-Lewis demonstrou a sua classe em There Will Be Blood, que eu não via uma interpretação deste nível. Aceito se disserem que o papel de Javier Bardem tinha tudo para ser um sucesso. Sim, tinha. Um papel assim só pode ser mau se for dado a um azelha. No entanto, só pode ser brilhante, soberbo e inesquecível se for dado a um actor fora de série, com um talento digno dos grandes senhores do cinema. Javier Bardem, em Uxbal, faz um papel digno de colocar Peter Sellers a bater palmas: É um papel tão bom, que os Oscars não são dignos sequer de lhe atribuir o prémio de melhor actor. Penso que pela primeira vez ficarei feliz se não vir um actor e uma interpretação como é a de Javier Bardem, vencer a estatueta de melhor actor. Eu não vi ainda o "Discurso do Rei", mas não acredito que Colin Firth, que certamente estará a um grande nível, consiga alguma vez trazer a emoção, a paixão, a dor, o sofrimento que Iñárritu e Javier Bardem conseguiram colocar em Uxbal.


É muito díficil criar histórias e argumentos sobre temas tão críticos da sociedade como a prostituição, a imigração ilegal, a exploração de homens e crianças, os problemas de familiares. É tão difícil e, por o ser, o cinema dos Estados Unidos, muito rara e pontualmente, consegue produzir algo que me convença. Nesta área, os Asiáticos são verdadeiros mestres, vindo da Europa de Leste algumas boas ideias.


E Alejandro González Iñárritu? A partir da noite de ontem limpou de vez a péssima imagem com a qual Babel me deixou, onde imaginei a sua carreira a perder-se por filmes de menor qualidade, para sempre presos à comparação de um rival sem igual, Amores Perros. No entanto, ao quarto filme, Iñárritu volta a supreender, não só o cinema como a sociedade. Facilmente Biutiful será criticado por muitos dos "super-especializados" críticos de cinema. Mas para mim, é já uma obra-prima, possivelmente o meu favorito do ano e, no caso da interpretação de Javier Bardem, uma das minhas favoritas de sempre, da qual nunca me conseguirei esquecer.


Uxbal é um homem solitário, deprimido e infeliz. Com o dom de falar com os mortos, ganha algum dinheiro em funerais, que lhe permite sustentar os seus dois filhos, com os quais vive separado da sua ex-mulher, Marambra (Maricel Álvarez). Ao descobrir que um cancro na próstata, já profundamente metastizado pelos seus ossos e fígado, lhe dará apenas alguns meses de vida, decide preparar tudo para a sua partida. Uxbal tem apenas um desejo: que os seus filhos fiquem em paz e possam ter uma vida mais feliz do que aquela que Uxbal teve.

No entanto, esta revela-se uma tarefa muito complicada, não só porque o cancro é implacável e, aos poucos, começa a fazer sentir a sua força perante a vontade de Uxbal, mas também porque este tem mil e um negócios, cada um mais problemático que o seguinte e que parecem não ter solução possível.


Biutiful é lindo. Biutiful é uma obra que será lembrada para sempre. Biutiful é mais do que uma simples história, é o relato duro de um povo em sofrimento, que conta a história de muitos rostos desconhecidos, cinzentos e oprimidos. Biutiful é um A, daqueles que me orgulho de atribuir e difundir por quem me quiser ouvir.


Nota Final: A


Trailer:



Informação Adicional:

Realização: Alejandro González Iñárritu
Argumento: Alejandro González Iñárritu
Ano: 2010
Duração: 147 minutos.