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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

Parece que foi ontem, mas já passaram dez anos



Gostava de dizer que não, que sou um crítico sério mas tem um enorme blind spot para esta comédia romântica de Richard Curtis, que depois "produziu" aquela terrível espécie de sequela à Hollywood chamada "Valentine's Day" de Garry Marshall (e pior, a sequela disso, "New Year's Eve") que nem consegue limpar os pés do original - que conta com um fantástico elenco (Hugh Grant no auge, Emma Thompson, Bill Nighy e Liam Neeson de volta, Laura Linney, Colin Firth e Alan Rickman sólidos e Keira Knightley, Andrew Lincoln e Chiwetel Ejiofor em ascensão e entre eles a portuguesa Lúcia Moniz e o brasileiro Rodrigo Santoro) e com o selo britânico a credibilizar o que de outro modo é uma narrativa bastante errática, desorganizada e mal desenvolvida. 

Claro que as repetidas sessões televisivas, todos os santos natais, dificultam uma apreciação positiva à película, mas o seu charme, mesmo dez anos depois, permanece intacto. De Colin Firth a arranhar português a Laura Linney a abandonar Rodrigo Santoro na sua cama para socorrer o irmão, de Andrew Lincoln a dizer à Keira Knightley que ela é perfeita a Emma Thompson a esconder a descoberta da traição do marido, com o miúdo a correr pelo meio do aeroporto, "Love  Actually" tem um polvilhado de momentos encantadores que compensam a falta de coesão do resto do filme. É impossível que não haja uma cena do filme que não vos comova. Ou ainda há por aí quem estoicamente não se impressione?

Que memórias guardam do filme?

Previsões Óscares 2013 (I): Actriz Secundária



Já falamos da questão Meryl Streep aqui, quando abordamos as candidatas a melhor actriz. Não vale a pena demorar-me de novo no assunto - se a Academia ceder e nomear a actriz nesta categoria, será uma forte candidata a vencê-la (o mesmo aconteceria se nomeada para actriz principal). O problema da colocação de Streep acaba é por complicar a campanha de outras actrizes do elenco do seu filme, à cabeça Margo Martindale, Juliette Lewis, Abigail Breslin e Julianne Nicholson, o que é injusto, especialmente no caso da veterana actriz, vencedora recente do Emmy, que poderia ter aqui outro momento para brilhar. Outro ponto de interrogação na categoria é a colocação de Amy Adams por "American Hustle", podendo-se passar o mesmo que Streep. Seria outra forte candidata a vencer (sobretudo se Streep não fosse nomeada aqui e se Jennifer Lawrence não roubar o holofote pelo mesmo filme e conseguir a nomeação ao invés de Adams). Adams tem mesmo outra grande possibilidade de nomeação, pelo novo filme de Spike Jonze, "Her". Uma dupla nomeação (e finalmente uma vitória para a actriz) não me parece uma hipótese tão remota assim de acontecer. A terceira grande candidata da categoria é Oprah Winfrey, de volta à representação em "The Butler" de Lee Daniels que, apesar das críticas medianas do filme, tem obtido excelentes elogios à sua prestação, sendo quase ponto assente que a actriz é um dos nomes fortes para nomeação - o problema é também a sua colocação, num papel que muitos consideram maior demais para consideração como actriz secundária. Até ver, é aqui que os Weinstein a querem colocar, mas com as vicissitudes da corrida, quem sabe não mudam de ideia...


Quem também conseguiu boas críticas pela sua prestação foi Carey Mulligan, que em Cannes recebeu os típicos louros por mais uma interpretação feliz em "Inside Llewyn Davis". Algum dia ela terá de regressar ao Dolby - será este ano, depois de ignorada por forte trabalho em "Never Let Me Go" e "Shame"? Também por Cannes passou June Squibb, com boas críticas pela sua prestação em "Nebraska" de Alexander Payne - se o filme pegar entre os membros da Academia e conseguir várias nomeações, a nomeação desta veterana pode ser uma delas. Mais duas actrizes já tiveram os seus filmes vistos e o seu trabalho bem recebido: Octavia Spencer em "Fruitvale Station" e Sally Hawkins em "Blue Jasmine". A primeira parece-me ter tudo para conseguir mais uma nomeação; já a segunda, depois de ignorada por "Happy-Go-Lucky" e "Made in Dagenham" há alguns anos atrás, apoia uma interpretação de alto calibre de Blanchett, sendo obrigada a ser ofuscada durante a maioria da sua película. Muitas vezes este é o tipo de performance mais difícil de executar bem e talvez por isso acabe de novo fora das nomeadas.


A época dos festivais trará mais interpretações a jogo, entre elas a de Cate Blanchett em "The Monuments Men" (a ter, aparentemente, um óptimo ano, deverá ser por "Blue Jasmine" que o reconhecimento virá mas uma dupla nomeação como conseguiu em 2007 não se pode descartar, a Academia quando gosta dela, gosta mesmo dela), a de Penelope Cruz e Cameron Diaz (particularmente esta; o papel é supostamente fantástico) em "The Counselor", Nicole Kidman em "The Railway Man" (também a jogo por "Grace of Monaco" como melhor actriz e com melhores probabilidades lá), Laura Linney em "The Fifth Estate" (um filme que dará que falar, uma actriz triplamente nomeada), Naomie Harris por "Mandela: A Walk to Freedom" (resta saber se é co-protagonista ou mesmo actriz secundária), Kristin Scott-Thomas por "The Invisible Woman", Jennifer Garner em "Dallas Buyers Club" (outro filme que, à custa de McConaughey, vai estar debaixo de todos os olhares) e Lupita Nyong'o em "12 Years a Slave" (uma das grandes apostas do ano). Também no final do ano mais três candidatas de peso poderão revelar-se: Vanessa Redgrave em "Foxcatcher", Julianne Moore por "Carrie" e Catherine Keener por "Captain Phillips". E depois há a questão Viola Davis: a Academia deverá ter vontade, digamos, de corrigir a nega que deram à actriz em 2010. Até agora a actriz manteve-se em low profile - e fez ela bem, voltando este ano com dois bons papéis, em "The Disappearance of Eleanor Rigby" e "Prisoners". Será que algum deles lhe trará a glória? Ou pelo menos mais uma nomeação?


Muitas candidatas, cinco lugares apenas. Os festivais diminuirão a lista significativamente, até ficarem sete a dez nomes plausíveis para a época das festividades reduzir para seis, sete candidatas - como de costume. A surpresa o ano passado, como já é hábito há muitos anos, foi pouca. Como eu vejo a corrida agora, serão estas as candidatas mais fortes...

Previsão das nomeadas:
Amy Adams, "Her"
Cameron Diaz, "The Counselor"
Margo Martindale, "August: Osage County"
Octavia Spencer, "Fruitvale Station"
Oprah Winfrey, "The Butler"


"The Fifth Estate" ganha trailer e sobe-me as expectativas...


Com um elenco de luxo - Benedict Cumberbatch, Daniel Brühl, Stanley Tucci, Laura Linney, Alicia Vikander, David Thewlis, Anthony Mackie, Carice van Houten e Dan Stevens - e um bom realizador (Bill Condon, conhecido pelo fantástico "Gods and Monsters") e especialmente uma boa história para contar, "The Fifth Estate" prometia introduzir-se na corrida aos Óscares deste ano. 


O trailer, acabado de lançar, não defrauda as previsões. Aliás, posso dizer que até me aumentou as expectativas. A narrativa, que segue a ascensão de Julian Assange e de WikiLeaks, vai certamente pôr muita gente a falar. Esperemos para ver se vai atrair também a Academia a um tema que não é propriamente o seu cup of tea (mas "The Social Network" já provou que não são totalmente resistentes). E vamos ver se finalmente Benedict Cumberbatch se adapta confortavelmente à maior relevância internacional que o seu talento e estatuto, nos últimos anos, têm adivinhado (com "Star Trek: Into Darkness" já estreado internacionalmente e com isto, "August: Osage County", "12 Years a Slave" e a segunda parte de "The Hobbit" aí a chegar).

EMMY 2011: Actor e Actriz - Comédia


 

Melhor Actriz - Comédia


Edie Falco, "Nurse Jackie"
Tina Fey, "30 Rock"
Laura Linney, "The Big C"
Melissa McCarthy, "Mike & Molly"
Martha Plimpton, "Raising Hope"
Amy Poehler, "Parks & Recreation"

Quem ficou de fora: Embora não seja uma comédia, o trabalho de Toni Collette esta temporada foi superior ao de todas estas actrizes - se bem que devia ser premiado na categoria de drama, não aqui. Como o ano passado, as duas roubadas são Patricia Heaton ("The Middle") e Courteney Cox ("Cougar Town"). Se a primeira não me chateia, até porque tem três Emmys já, a segunda é de me trespassar o coração. Vinte anos a trabalhar na indústria, duas séries de sucesso (uma de imenso sucesso) e continua a ser das poucas grandes actrizes da televisão sem uma nomeação no seu currículo.

Quem devia ganhar:Amy Poehler,  que é absolutamente brilhante e inesquecível como Leslie Knope sem nunca chegar a ser insuportável, algo que o seu tipo de personagem tende a ser.

Quem vai ganhar: Não há sequer outra possibilidade (a haver seria um dos mais gigantescos upsets da história da Academia) além de Laura Linney que com o piloto da sua série apresenta a personagem, deixa-nos entrar nas suas emoções e na sua dor e permite-nos avaliar, em primeira mão, o seu enorme talento enquanto actriz. Se formos pelo episódio em si, seria Martha Plimpton ("Say Cheese") ou Amy Poehler ("Flu Season") a vencer. A nomeação de Edie Falco (escolheu "Rat Falls") e Tina Fey (optou por "Double Edged-Sword"), tendo em conta o seu pedigree na indústria, não surpreende ninguém, pois são comodidades tidas em muita consideração e finalmente um prémio curioso para Melissa McCarthy (escolheu "First Date"), esta nomeação, pelo high-profile que a actriz teve todo o Verão à custa da sua série, do seu papel em "Bridesmaids" e do facto de anunciar as nomeações deste ano. Tudo isto culminou na sua nomeação e eu, que me recordava com alegria dela em "Gilmore Girls", fico feliz.

Melhor Actor - Comédia:


Alec Baldwin, "30 Rock"
Louis C.K., "Louie"
Steve Carell, "The Office"
Johnny Galecki, "The Big Bang Theory"
Matt LeBlanc, "Episodes"
Jim Parsons, "The Big Bang Theory"

Quem ficou de fora: Não sei que mais tem Matthew Perry ("Mr. Sunshine") de fazer para voltar a se estabelecer na televisão. Similarmente, qual é o problema da Academia com Jeff McHale? E só mais uma coisa: Matt LeBlanc? A sério? E Stephen Mangan, o verdadeiro protagonista da série, mil vezes melhor? Não? Já nem falo de Zachary Levi ("Chuck")...

Quem devia ganhar: Jim Parsons ou Louis C.K., os únicos verdadeiros comediantes da categoria. Se formos pelo episódio e mesmo até pela temporada, eu diria que Steve Carell merece ganhar.

Quem vai ganhar: Desde o momento que Steve Carell anunciou o seu fim em "The Office" e submeteu para avaliação "Goodbye, Michael" que o Emmy é dele.