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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

As melhores novas séries da temporada chegaram


Volto a este assunto porque, infelizmente, a temporada não tem sido famosa. Das novas estreias, várias já acabaram canceladas - incluindo uma das minhas estreias favoritas, "Last Resort". "Go On" tem vindo a cair a pique nas audiências, o que me assusta, porque embora continue a gostar da série, essa queda associada a um decréscimo da qualidade em alguns episódios coloca-a em perigo de renovação. "Nashville" transformou-se completamente numa telenovela, country-style. "Elementary" já entrou em modo procedural da CBS e com isso o meu interesse tem sido reduzido (junta-se a "Person of Interest" nesse pormenor). Desisti de "The Mindy Project" porque a moça, quantos mais episódios passa, mais irritante fica. E não é irritante de forma positiva, tipo a Lena Dunham em "Girls", é mesmo absolutamente insuportável. E como se previa, uma das melhores estreias, "Ben and Kate", já acabou cancelada.

Resumindo e concluindo... Não estou a acompanhar mais nenhuma das novas séries tirando "Go On". É por isso que saúdo com grande alegria estas três novas ofertas que passaram de muito promissoras a cumpridoras. De um nível excelente as três. 


"UTOPIA" foi a primeira das três a estrear. Série britânica do Channel 4 (o mesmo canal de "Misfits", sim), é impossivelmente bizarra e esquizofrénica, seguramente um dos dramas mais provocantes e inteligentes do novo ano. Aborda um mundo fantástico em que um grupo de pessoas é perseguido por uma organização misteriosa intitulada The Network (A Rede) que pretende reaver uma lendária banda desenhada - The Utopia Experiment - de que se diz ter capacidade de prever eventos futuros. Não é para toda a gente e promete ser bastante violenta (o que poderá afastar alguns espectadores), mas para os apreciadores da televisão britânica é um must-see.


"THE AMERICANS" é mais uma oferta dramática da FX, que se tem tornado aos poucos num dos meus canais favoritos, com programação alternativa mas sempre de qualidade e, mesmo que nem sempre aprecie todos os seus programas em pleno, são sempre fonte de algo interessante para apreciar. "The Americans" parece-me, para já, que se irá juntar aos dramas de topo da estação de cabo, como "The Shield", "Justified" ou "Sons of Anarchy". Contudo, se acabar como "Damages", "Rescue Me" ou mesmo "American Horror Story", também não está mal. Queriam muitos produzir um drama dessa craveira. "The Americans" (criada por Joe Weisberg e Graham Yost, criador de "Justified") narra a história de Philip e Elizabeth Jennings (Jeri Russell e Matthew Rhys, fantásticos protagonistas), dois espiões da KGB que vivem infiltrados em Washington D.C., em plena Guerra Fria. Embora o panorama político não tenha sido ainda bem explorado no piloto, a série parece prometer, sobretudo quando se foca na relação entre Philip e Elizabeth e como tem sido a sua convivência juntos ao longo dos anos. Se esta chegará ao nível de "Homeland" ainda não sabemos; mas o que sei sem dúvida é que estamos perante a melhor estreia da temporada, para mim.

Bónus: os melhores créditos da temporada:


A terceira série estreou ontem - e foi possível acompanhar em estreia mundial no TVSéries (uma boa aposta do canal). "HOUSE OF CARDS" tem mão de David Fincher - que realiza os dois primeiros episódios e fica como produtor executivo - e Beau Willimon (que redigiu "The Ides of March" para George Clooney, que versava sobre temas semelhantes) e é protagonizado por Kevin Spacey e Robin Wright, com Corey Stoll, Kate Mara e Michael Kelly a completar o elenco principal. Armadilhas políticas, sabotagem e jogadas de bastidores são prato forte da série que se foca em Francis Underwood, um político brilhante que julga ter conseguido finalmente a oportunidade que há muito merecia, a nomeação para Secretário de Estado. Negado pelo Presidente, Underwood vai tentar minar o caminho, por dentro, a todos os que ajudou a eleger. Uma interpretação impressionante de Spacey, que adapta o seu sorriso trocista e maldoso na perfeição a Francis, complementado pela gélida e frívola performance de Robin Wright no papel da sua mulher. Mal posso esperar para ver onde a série vai parar.


Uma última sugestão, se me permitem. Depois do sucesso além-fronteiras de "Downton Abbey", as séries de época britânicas voltaram em força este ano, com a estreia de "Mr. Selfridge" com Jeremy Piven no papel principal, "Paradise", "A Young Doctor's Notebook" (com Daniel Radcliffe e Jon Hamm) e "The Parade's End" (com Benedict Cumberbatch e Rebecca Hall, estreada no Reino Unido no Verão do ano passado mas que só agora chega aos Estados Unidos, via HBO). Mas a que mais sucesso tem tido de todas é "CALL THE MIDWIFE", série que relata a vida de uma parteira nos anos 50, que está de volta para uma segunda temporada agora (já foram transmitidos dois episódios). Não percam, se possível. Merece visualização. Mais não seja porque nos mata as saudades de Miranda Hart. O que relembra que a terceira temporada de "Miranda" também já estreou no Reino Unido. Também se aconselha, já agora.



HORRIBLE BOSSES (2011)





"You can't win a marathon without putting some band-aids on your nipples! "


Hilariante, imprevisível e original. Horrible Bosses é uma comédia tipicamente americana, com um nível superior àquilo a que esse país do "cinema" nos habitua anualmente, mas que vale a pena o dinheiro do bilhete do cinema. A boa disposição é garantida, mesmo para os mais cépticos.


Três chefes terríveis, que atormentam os seus funcionários com chantagens e ameaças, são o ponto de partida. Nick Hendricks (Jason Bateman) é um empenhado e eficiente funcionário num dos muitos escritórios deste mundo. Trabalha com afinco, diariamente, para conseguir a tão ambicionada promoção a vice-presidente da sua empresa. Dale Arbus (Charlie Day - a melhor interpretação do filme) é um homem cujo único sonho era o de ser um bom marido. Atingido esse objectivo, empregou-se como ajudante de uma dentista ninfomaníaca que constantemente o convida para aventuras sexuais. Kurt Buckman (Jason Sudeikis) é um homem feliz no seu emprego, até ao dia em que o seu adorado chefe falece e deixa todo o seu legado a um caprichoso e inconsequente filho.


Amigos de longa data, e após várias horas de reflexão com diversa cerveja à mistura, os três companheiros decidem que não têm outra alternativa: terão que matar os seus chefes para poderem garantir alguma sanidade mental. E a partir daí um filme que não parecia nada convidativo, transforma-se numa sucessão de momentos que têm tanto de surpreendente como de divertido, e que eu arrisco escrever, vão também convencer o leitor. A juntar a estes trio de grande nível, Horrible Bosses conta ainda com Kevin Spacey, Jamie Foxx e Colin Farrell em três interpretações bastante singulares. Uma das melhores comédias de 2011.


Nota Final:
B+



Trailer:




Informação Adicional:

Realização:
Seth Gordon
Argumento: Michael Markowitz
Ano: 2011
Duração
: 98 minutos

Personagens do Cinema - Roger "Verbal" Kint



"Who is Keyser Soze? He is supposed to be Turkish. Some say his father was German. Nobody believed he was real. Nobody ever saw him or knew anybody that ever worked directly for him, but to hear Kobayashi tell it, anybody could have worked for Soze. You never knew. That was his power. The greatest trick the Devil ever pulled was convincing the world he didn't exist. And like that, poof. He's gone."



Aceito que alguns considerem esta escolha controversa. Mas eu adoro Kevin Spacey, adoro o filme The Usual Suspects e senti um prazer enorme ao ver Roger Kint enganar-me durante todo o filme e, no final, ainda se rir de mim com toda a categoria.


Num dos grandes filmes da década de 90, vencedor do Oscar para Melhor Actor Secundário (para Kevin Spacey) e de Melhor Argumento Original (Christopher McQuarrie), é nos dada a conhecer a investigação policial levada a cabo por Dave Kujan (Palminteri) após ter sido descoberto um barco destruído na doca de São Pedro, California juntamente com mais de duas dezenas de homens mortos e muitos milhões de dolares desaparecidos.


Apenas se encontram dois sobreviventes junto ao local: Um Hungaro, que identifica Keyser Söze (um conhecido mafioso turco) como sendo o responsável por tal atentado, e Roger 'Verbal' Kint que desde logo se mostra disposto a colaborar com a polícia. Juntamente com outros grandes nomes do cinema (Gabriel Byrne, Stephen Baldwin, Kevin Pollack e Benicio Del Toro) Roger cria uma história fantástica, de uma mestria impressionante nos campos da mentira e da imaginação, arrastando consigo não só Dave Kujan mas também o espectador para um final surpreendente.


Não vos quero revelar muito mais porque o filme é imperdível e vale a pena ser visto sem se saber muito sobre ele. The Usual Suspects é todo ele um sucesso, capaz de fazer as delícias não só dos fans dos thrillers policiais como também dos fans do cinema com qualidade. E se é recordado com saudade e admiração, deve-o totalmente a Roger "Verbal" Kint.