Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

Previsões Óscares 2013 (I): Actriz


Com a peculiar possibilidade que surgiu na imprensa esta passada semana de Meryl Streep estar a planear competir na categoria de melhor actriz secundária aos próximos Óscares por "August: Osage County" (filme, relembre-se, baseado na peça premiada com um Pulitzer de Tracy Letts, na qual a sua personagem, Violet Weston, é claramente uma co-protagonista), lembrei-me que já era tempo de começar a alinhavar qualquer coisa no que a previsões diz respeito. Então cá estão as minhas primeiras previsões aos Óscares de 2013, começando pela categoria de melhor actriz.

MELHOR ACTRIZ


Dos filmes já vistos, um concorrente firme já surgiu: Cate Blanchett em "Blue Jasmine" de Woody Allen conquistou as tão ambicionadas críticas brilhantes que uma interpretação como a sua precisava para vincar a sua posição na corrida. Será uma montanha complicada de trepar, uma vez que só por uma vez o grande Woody Allen conseguiu uma nomeação para uma actriz principal dos seus dramas (a lendária Geraldine Page, por "Interiors"; adenda: eu tive de corrigir para dramas, porque não tinha incluído, como bem me apontaram, a vitória de Diane Keaton por "Annie Hall"; o meu ponto de vista era que em dramas, o velho Woody não tem tanto sucesso na Academia). Outros concorrentes já conhecidos e com alguma - apesar de mínima - hipótese na corrida são a Berenice Bejo por "Le Passé" de Ashgar Farhadi ("A Separation") e a Julie Delpy pela terceira parte da trilogia de Richard Linklater, "Before Midnight". Ambos os filmes parecem mais destinados a nomeações na categoria de melhor argumento original do que aqui, embora se a competição encurtar, os seus nomes provavelmente virão à baila com os críticos e aí, tudo pode acontecer. Em Cannes também a tipicamente excelente Marion Cotillard obteve boas críticas pela sua prestação em "The Immigrant" de James Gray; contudo, apesar da personagem parecer conter traços que a Academia noutro filme festejaria de bom grado, Gray, Phoenix e a própria Cotillard não parecem merecer uma simpatia global capaz de lhe conseguir essa nomeação (se não conseguiu o ano passado por "Rust and Bone", dificilmente o fará este ano). [adenda: esqueci-me de mencionar aqui Adele Exarchopoulos de "Blue is the Warmest  Color" que vários críticos americanos consideram uma fortíssima possibilidade a nomeação]


Diria que as suas hipóteses são mínimas porque com a queda da folha chegam os pesos pesados. À cabeça está Amy Adams, aparentemente transcendente (ainda mais?) em "American Hustle" de David O. Russell. Diz quem sabe que o papel é fantástico, que ela é extraordinária nele, que mostra uma faceta desconhecida do público e da crítica até agora e que será, possivelmente, o melhor O. Russell até agora. Expectativas no alto. Estamos a falar de uma actriz quadruplamente nomeada. Depois temos a situação Meryl Streep. Se a nomeação vier como actriz secundária, a categoria basicamente estará ganha. Mas irá a Academia aceitar esta situação a bem? Veremos. De "August: Osage County" também temos outra candidata de peso: Julia Roberts, de volta aos grandes papéis. Será que a crítica, o público e a Academia se vão voltar a juntar num festival we-love-Julia como em 2000? Os Weinstein parecem estar a apostar grande neste filme. As outras duas grandes jogadas no seu baralho passam pela narrativa "a Judi Dench nunca venceu um Óscar de actriz principal e pode ser esta a sua última oportunidade" - a septuagenária protagoniza o novo filme de Stephen Frears, "Philomena", e parece fabulosa nele - e "a Nicole Kidman é a Grace Kelly". Não há dúvida que no caso desta última parece uma jogada de risco - por cada "The Hours" se faz um "Cold Mountain", não é verdade? A qual dos lados do espectro irá "Grace of Monaco" pertencer? A mesma pergunta se faz sobre Naomi Watts em "Diana", ainda por cima tendo em conta a distribuidora que comprou os direitos do filme e o facto do buzz em Cannes ser inexistente, sendo que seria à partida uma venda fácil.


Provavelmente também não será sensato descartar das contas as duas principais candidatas ao troféu o ano passado, de volta à competição este ano, Jennifer Lawrence em "Serena" da Oscarizada Suzanne Bier ("In a Better World") e Jessica Chastain em "The Disappearance of Eleanor Rigby", um filme bipartido, que conta a história da perspectiva do membro masculino e do membro feminino do casal, o que garantirá à partida alguma curiosidade adicional sobre o projecto. Da faixa etária mais jovem ouvem-se boas coisas sobre a prestação de Brie Larson em "Short Term 12" e de Greta Gerwig em "Frances Ha" de Noah Baumbach, mas será algo sensacional se alguma das duas chegar a fase avançada da corrida. O mesmo diria de Shailene Woodley por "The Spectacular Now" de James Ponsoldt e Felicity Jones no segundo filme de Ralph Fiennes, "The Invisible Woman" (se Vanessa Redgrave foi esquecida por "Coriolanus", que real chance tem Jones?) 


E finalmente falta falarmos de três antigas vencedoras da categoria, de regresso para tentarem mais um prémio: Kate Winslet em "Labor Day" de Jason Reitman é sempre uma aposta segura se o filme tiver boas críticas, Sandra Bullock tenta vencer os críticos mais acérrimos da sua interpretação vencedora em 2009 emparelhando com o reputado visionário Alfonso Cuarón em "Gravity" e a amada Emma Thompson interpreta P.L. Travers, a opinionada escritora de Mary Poppins, em "Saving Mr. Banks", um dos - diz-se - grandes candidatos a mais nomeações no dia do anúncio. 

Por esta altura, então, como ficamos?

Previsão das nomeadas:
Amy Adams, "American Hustle"
Judi Dench, "Philomena"
Meryl Streep ou Julia Roberts, "August: Osage County"
Emma Thompson, "Saving Mr. Banks"
Kate Winslet, "Labor Day"

CARNAGE (2011)




Adaptado de uma peça de sucesso da Broadway, Carnage foi uma arriscada investida de Roman Polanski. Aquilo que vemos no ecrã é uma tentativa arrojada. Não é fácil pegar numa peça de teatro, ainda por cima tão redutora e simplista em cenários, e reproduzir um filme atraente para o espectador. O segredo? Claro, as interpretações. E são interpretações de um bom nível, em especial a das mulheres e em especial a de Kate Winslet que fazem a diferença, transformando Carnage num filme interessante, diferente e agradável.



Tudo começa com uma briga de crianças. O filho do casal Cowan agride o filho mais velho do casal Longstreet, e ambos os casais se reúnem para esclarecer o sucedido. Michael Longstreet (John C. Reilly) é um descontraído chefe de família num casamento feliz com a histérica Penelope Longstreet (Jodie Foster). Recebem na sua residência um casal em desarmonia, onde Alan (Christoph Waltz) se distancia, desde o princípio, da briga dos miúdos e se foca unicamente no seu telemóvel e nos seus problemas profissionais. Abandonada e carente, Nancy (Kate Winslet) vai-se descompondo, derrotada por todas as acusações e discussões do encontro.


Um filme que tem algumas dificuldades em ultrapassar as limitações de uma peça de teatro, acaba por levar a alguma impaciência por parte dos espectadores que sejam adeptos de filmes mais directos. Enrola um pouco e vive de uma história que, tal como um novelo, se vai desenrolando, lentamente, com pormenores e atitudes que são um requinte de representação, uma demonstração de qualidade e competência de um grupo de actores de elite, que se juntam para celebrar o currículo e a qualidade da carreira de Roman Polanski. Algo de novo, algo de diferente. Agradável.

Nota Final:
B


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Roman Polanski
Argumento: Yasmina Reza
Ano: 2011
Duração: 80 minutos









Uma lista de 11 para o dia 11/11/11

Como saberão, esta sexta-feira é dia de palíndromo (um palíndromo imperfeito, mas ainda assim). Às 11:11 horas deste dia 11/11/11, assistimos a um fenómeno que só ocorrerá novamente daqui a cem anos. Uns dizem que esse momento leva a grandes decisões e mudanças na vida, dado o misticismo em volta da dada e superstições populares, para outros é apenas mais um minuto do seu dia.  Posso dizer que a essa hora estava bem ferrado no sono.

De qualquer forma, referi isto por que razão, perguntam-me vocês. Pois bem, em resposta ao curioso desafio do Nathaniel Rogers no seu The Film Experience, aqui estão as minhas onze coisas favoritas de hoje. Ou, já que é de cinema que se fala nesse site e neste, os meus onze actores (e actrizes) favoritos de hoje em dia. Claro que se excluem aqui as grandes glórias como Meryl Streep, Al Pacino, Jack Nicholson, Dustin Hoffman, Julianne Moore, Michael Caine, Robert DeNiro, Daniel Day-Lewis, Brad Pitt, George Clooney, Judi Dench, Emma Thompson, Anjelica Huston, Sissy Spacek, entre outros. Estamos a falar de actores e actrizes que não são (ainda) lista-A em Hollywood apesar da grande maioria deles estar bem lá perto (e Kate Winslet, quer se queira quer não, não gosta de ser considerada como lista-A).


Cate Blanchett | Christian Bale | Ewan McGregor


 James McAvoy | Kate Winslet| Marion Cotillard


 Michael Fassbender | Michelle Williams | Nicole Kidman


Ryan Gosling | Tilda Swinton


Quais são os vossos? (Ou, se preferirem, vão ao The Film Experience deixar outra lista; há lá várias listas curiosíssimas).

CONTAGION (2011)






"It's figuring us out faster than we're figuring it out."

Começo por dizer que Steven Soderbergh é dos realizadores americanos que mais admiro. Só ele para construir uma carreira que alterna entre filmes de largo orçamento, produzidos pelos grandes estúdios de Hollywood, e pelos pequenos filmes independentes que, numa fase inicial, lhe ditaram o futuro na profissão. Durante uns tempos, Soderbergh tentou conciliar ambos, realizando dois filmes no espaço de um ano e lançando-os quase ao mesmo tempo. De repente, cansou-se e parou. E o mundo do cinema despedia-se não só de um dos seus autores mais profícuos, mas também um dos mais irreverentes e talentosos. E se bem que ele nunca há de voltar aos níveis de genialidade atingidos com o seu auspicioso início "Sex, Lies and Videotape", vencedor da Palma de Ouro em Cannes em 1998, é sempre bom tê-lo de volta ao que melhor faz: filmes. E 2011 oferece-nos dois filmes dele, ainda por cima.

O primeiro desses a ser lançado é este "CONTAGION", que reúne um elenco impressionante de brilhantes e talentosos actores para contar a história de como uma simples infecção viral pode provocar, de forma estrondosa, uma revolução no mundo inteiro, na tentativa de mostrar que, ao contrário do que muitos pensam, o real perigo do fim do mundo pode não estar em terramotos ou dilúvios ou outros desastres naturais, mas sim numa pandemia microbiológica multirresistente, capaz de ceifar a vida a milhões de pessoas enquanto semeia o pânico e a guerra entre pessoas, entre nações, entre o mundo.



A narrativa de "Contagion" é algo que já foi contado várias vezes, por diversas perspectivas, mas sempre da mesma forma. O que faz o filme de Soderbergh tão diferente dos outros (para melhor) é o facto de abordar a situação do ponto de vista de cada personagem, da forma menos sensacionalista e mais realista possível. O filme parece funcionar até como uma espécie de documentário, tal é a sua vontade de ser levado a sério e a sua precisão a nível científico (algo que é de louvar). Comporta-se como um thriller adulto que tenta fazer passar uma amálgama de mensagens, algumas políticas, outras sociais, acerca da forma como a sociedade actual reage a este tipo de acontecimento. Procura ser minimamente assustador e impressionante. Contudo... a não ser que seja um verdadeiro misofóbico (que tem horror a germes) - que eu sou, já agora - penso que não deve recear ver este filme. Se os germes o assustam... Bem, prepare-se. O filme não ajuda nada.



O filme abre então com a chegada de Beth Emhoff (Gwyneth Paltrow) a casa, onde encontra o seu marido Mitch (Matt Damon) e o seu filho Clark, já visivelmente debilitada e doente depois de uma visita de negócios a Hong Kong. A sua doença, aparentemente, não é um caso isolado, pois acontece o mesmo a uma top model ucraniana de regresso a Londres, um empregado de mesa chinês e um homem de negócios japonês. Partindo destas primeiras pessoas infectadas, a película observa o desenrolar cronológico da progressão do vírus, apresentando-nos, além de mais indivíduos que contraem a doença, o grupo de pessoas responsáveis por parar a proliferação da infecção, entre eles médicos - Dr. Orantes, especialista da OMS (Marion Cotillard), Dr. Mears (Kate Winslet), Dr. Hextall (Jennifer Ehle), Dr. Eisenberg (Demetri Martin), Dr. Sussman (Elliot Gould) e Dr. Cheever (Lawrence Fishburne), responsáveis do CDC - e figuras governamentais (Bryan Cranston, Enrico Colantoni) e ainda nos introduz uma questão pertinente sob a forma de Alan Krumwiede (Jude Law), um oportunista blogger australiano que pretende lucrar com a crise e que cria teorias da conspiração em que menciona documentos que teriam sido ocultados pelo governo acerca do vírus e do seu tratamento.



Algo a admirar em "Contagion" é a forma surpreendentemente vivaz e empolgante com que se desenrola o filme, não deixando lugar para o aborrecimento durante as suas quase duas horas de duração. Também há que elogiar Soderbergh por nunca deixar que a história de uma das personagens se sobreponha às outras, dando tempo a todas sem nunca permitir que uma ganhe proeminência. Claro que o elenco é seu aliado, pois tanta gente com talento nunca poderia dar mau resultado. Não há um ponto fraco, tal como não há (por razões óbvias, como já expliquei) ninguém que se destaque. Scott Z. Burns e Steven Soderbergh mantêm o argumento o mais simples, plausível e directo possível, sendo que o único detalhe que me recorde incomodar-me é o facto de praticamente nenhuma das personagens ter grande profundidade - algo que neste tipo de filme não choca ninguém também, por isso penso que esse será um mal menor. A banda sonora electrizante de Cliff Martinez, a edição impecável de Stephen Mirrione e a fotografia sumptuosa - a cargo do próprio Soderbergh - ajudam a manter as coisas interessantes.



O final deixa as coisas irremediavelmente resolvidas e, com tantas personagens para nos despedirmos e vermos a sua história ser encerrada, permite-se entrar em alguns clichés desnecessários e que teriam ficado melhor fora do ecrã mas, ainda assim, é um dos filmes imperdíveis do ano e uma fonte de entretenimento garantido, mais não seja porque o seu objectivo é maior do que contar uma simples história: "Contagion" tenta colocar-nos a discutir e a questionar tudo aquilo que nos foi mostrado.


Nota Final:
B

Informação Adicional:

Realização: Steven Soderbergh
Argumento: Scott Z. Burns
Elenco: Marion Cotillard, Bryan Cranston, Matt Damon, Jennifer Ehle, Lawrence Fishburne, Jude Law, Demetri Martin, Gwyneth Paltrow, Kate Winslet
Fotografia: Steven Soderbergh
Banda Sonora: Cliff Martinez
Ano: 2011


Trailer:

ÚLTIMA HORA: Trailer e Poster de CARNAGE



Baseado na peça "God of Carnage" de Yasmina Reza, vencedora do Tony para Melhor Peça, que foi aclamada criticamente por onde passou (tendo também Marcia Gay Harden vencido o Tony de Melhor Actriz pela sua interpretação na Broadway), "CARNAGE" é o novo filme do grande Roman Polanski, que reuniu os vencedores de Óscar Jodie Foster, Christoph Waltz, Kate Winslet e o nomeado para o Óscar John C. Reilly para interpretar os dois casais que se encontram uma tarde para discutir a indisciplina dos seus filhos e, pelo meio, abandonando o seu aspecto cuidado e civilizado e transformando o seu encontro numa chuva de insultos, agressões e discussões, decidem abordar várias questões, enfrentando os seus demónios pessoais e as suas fraquezas enquanto casais e enquanto educadores na nossa sociedade. Uma peça verdadeiramente tragico-cómica, que explora a ira e o desabafo enquanto meios de catarse e que faz uma análise sociológica bastante acutilante e pertinente, parece ser um desafio à altura de um dos maiores autores com que o cinema nos agraciou, um drama cheio de tensão mas igualmente entretido. Se vai ser candidato aos Óscares? Bem, é muito cedo para o dizer. Fiquem então com o trailer acabado de ser lançado na Twitch e com o poster, que já circula a Internet há alguns dias.


Entretanto, para mais imagens do filme, podem consultar este artigo do Split Screen. "CARNAGE" estreia nos Estados Unidos a 16 de Dezembro, com estreia mundial marcada para Setembro no Festival de Veneza.

MILDRED PIERCE (2011) [HBO]


Numa altura em que a HBO se prepara para iniciar três projectos excitantes com três das maiores actrizes do cinema actual - Gwyneth Paltrow viu finalmente a HBO dar luz verde ao seu tele-filme de 2 partes sobre a vida de Marlene Dietrich; Nicole Kidman está neste momento a filmar o seu tele-filme baseada no casamento de Ernest Hemingway e Martha Gellhorn, com estreia para 2012; e Julianne Moore também vai ver a sua mini-série baseada no livro "Game Change", que relata a campanha presidencial de 2008, estrear provavelmente em 2012, na qual ela interpretará Sarah Palin - acabei por decidir que ia criticar em pleno as cinco partes da mais recente incursão de uma grande actriz de Hollywood nos projectos da HBO: o remake de Todd Haynes de MILDRED PIERCE, com Kate Winslet como o personagem titular.


E penso que será precisamente o facto de ser um remake e ter que se comparar à fabulosa versão de 1945 protagonizada por  Joan Crawford que funciona como a grande desvantagem desta mini-série. Claro que um filme de duas horas é completamente diferente de uma mini-série de mais de cinco. É óbvio. Contudo, a experiência será sempre diferente para quem já viu o filme e para quem não viu. É inevitável comparar - e é inevitável, no fim de contas, decidir a favor do antecessor. Joan Crawford e Ann Blyth são anos-luz melhores que Winslet e Wood, a história é muito mais interessante, muito mais absorvente e atraente e o final é plenamente mais satisfatório que o da mini-série. Infelizmente, é verdade. E custa-me mesmo muito admitir isto, tendo em consideração que sou um adepto fervoroso dos anteriores trabalhos do extraordinariamente dotado realizador Todd Haynes (Velvet Goldmine, Far From Heaven, I'm Not There) - desta vez o resultado final foi-me totalmente indiferente. Não me apaixonou, não me convenceu, não me surpreendeu de nenhuma maneira. Isto não quer dizer, no entanto, que não ache que a mini-série é boa. É. Qualquer produto HBO tem o seu selo de qualidade. O que quero dizer com isto é que não esbocei qualquer reacção à série, algo que me é anti-natura quando vejo um filme de Haynes.


Apesar disto, nem tudo é menos mau. O guarda-roupa de Ann Roth é divino (um trabalho bestial, como de costume), a banda sonora de Carter Burwell é, mais uma vez, deslumbrante (também já é habitual) e o elenco desempenhou as suas funções na perfeição, com classe e estilo, o que também não surpreende dado o talento dos envolvidos. Apesar de bastante diferente da Mildred Pierce confiante e sobrenaturalmente forte de Crawford, Kate Winslet consegue dar-lhe um toque muito pessoal à sua Mildred, transformando-a em mais uma vítima do que uma sobrevivente, criando sempre tensão em cada uma das suas cenas mais tocantes e mostrando sempre bem delineado a luta interna de Mildred entre a sua vida profissional e a pessoal, entre o seu desejo de independência e sucesso e o rebaixamento que a sua filha Veda lhe institui. Melissa Leo e Mare Winningham estão soberbas como Lucy e Ida, confidentes de Mildred, sempre prontas a bem aconselhar e a emprestar uma mão. São papéis pequenos, mas nos quais elas brilham. Já do elenco masculino... Dado o ódio que Guy Pearce me instigou durante toda a mini-série, penso que cumpriu o seu trabalho. Não achei que lhe tivesse sido dado muito que fazer, mas também ele não se esforçou para mais. Brian F. O'Byrne, por seu lado, fez muito com o pouco que lhe foi dado, sendo mesmo, para mim, a melhor interpretação de entre o elenco todo. Falta uma palavra meiga para Evan Rachel Wood e Morgan Turner, as duas intérpretes de Veda Pierce, que jogaram muito bem com os tiques de uma e outra, que fizeram a personagem evoluir de maneira inesperada mas muito madura e matreira e que, cada uma à sua forma, a tornaram muito mais importante do que ela é na história original. 


O que acaba por se notar mais em termos de desfasamento em relação ao original é o cunho muito próprio do realizador. Várias decisões inteligentes acabam por transformar o ritmo do filme, mais lento, mais contemplativo, mais introspectivo, mais intimista. O estilo e a qualidade de Haynes, em comunhão com o seu excelente fotógrafo Edward Lachman (também seu colaborador em Far From Heaven e I'm Not There) fazem o resto. Parecem pintar uma tela belíssima, reluzente, memorável e atrevida nos seus pequenos detalhes, de uma indubitável preciosidade. MILDRED PIERCE de Todd Haynes, tal como TRUE GRIT dos irmãos Coen deste ano, parece funcionar como um santuário, uma dedicatória apaixonada de um realizador talentoso que, fascinado pelo texto quase sagrado em mãos e pela sua pautável admiração pelo seu antecessor, decide criar um projecto de cinco horas em que possa experimentar enquanto realizador ao mesmo tempo que manifesta a sua mais profunda devoção.


MILDRED PIERCE, ao contrário do que possa parecer pela minha crítica, não é mau. É bom. Até muito bom, por vezes. Nunca chega a atingir uma altura em que eu pudesse dizer "adorei isto" mas é, sem qualquer dúvida, um sucesso a todos os níveis. Para quem não viu o filme, então, será sem dúvida apaixonante descobrir e desvendar a cada hora que passa este maravilhoso projecto cinematográfico maduro e curioso. Deixar-se envolver pelas personagens, cujas intenções e história desconhece. Deixar-se levar pelos cenários maravilhosamente voluptuosos, fascinantes, fabulosos. Deixar-se apaixonar pelo talentoso elenco e pelo inequívoco valor e qualidade da produção. Certamente irá ganhar uma montanha de Emmy quando chegarmos a Agosto porque foi feito exactamente para isso. Tem algum propósito para além dos que eu mencionei? Penso que não. Valeu a pena existir? Penso que sim. Haveria necessidade de ter existido? Parece-me que não.

Nota Final:
B

Notas Parciais:
Parte 1 - B
Parte 2 - B-
Parte 3 - B+
Parte 4 - B-
Parte 5 - B+


Revisão da Década: Melhores Actrizes da Década (2000-2009)

Estes três artigos seguidos fazem parte da minha Revisão da Década em Cinema, que comecei no meu antigo blogue "O Mundo Está Perdido" e retomei aqui no "Dial P For Popcorn". Por uma questão meramente prática, decidi passá-los para este blogue também e deste modo reabrir esta discussão.


São 50 interpretações, também podem ser papéis secundários ou principais, o que interessa é a sua qualidade. A verde estão marcadas as interpretações que estão nas fotos.


Aqui vos deixo ficar as minhas 50 performances femininas preferidas desta década:



Amy Adams, Junebug
Anne Hathaway, Rachel Getting Married
Annette Bening, Being Julia
Audrey Tautou, Amélie
Björk, Dancer in the Dark
Carey Mulligan, An Education
Cate Blanchett, I’m Not There
Cate Blanchett, The Aviator
Diane Lane, Unfaithful
Ellen Burstyn, Requiem for a Dream
Evan Rachel Wood, Thirteen
Holly Hunter, Thirteen


Imelda Stauton, Vera Drake
Isabelle Huppert, The Piano Teacher
Joan Allen, The Upside of Anger
Judi Dench, Notes on a Scandal
Julia Roberts, Erin Brokovich


Julianne Moore, Far From Heaven
Julianne Moore, The Hours
Julie Christie, Away From Her
Julie Delpy, Before Sunset
Kate Winslet, Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Keira Knightley, Pride and Prejudice
Kristin Scott-Thomas, Il y a Longtemps que Je t’Aime
Laura Dern, Inland Empire


Laura Linney, The Savages
Laura Linney, You Can Count on Me
Maggie Gylenhaal, Sherrybaby
Maria Bello, A History of Violence
Melissa Leo, Frozen River
Meryl Streep, Adaptation

Meryl Streep, The Devil Wears Prada
Michelle Williams, Wendy and Lucy
Mo’Nique, Precious
Naomi Watts, Mulholland Dr.
Nicole Kidman, Birth
Nicole Kidman, Moulin Rouge!
Nicole Kidman, The Others
Patricia Clarkson, Far From Heaven
Penélope Cruz, Vicky Cristina Barcelona
Penélope Cruz, Volver
Rachel Weisz, The Constant Gardener



Reese Witherspoon, Walk the Line
Sally Hawkins, Happy-Go-Lucky
Samantha Morton, Movern Callar
Tilda Swinton, Julia
Tilda Swinton, Michael Clayton




Uma Thurman, Kill Bill Vol.1 e 2
Virginia Madsen, Sideways



E as minhas 10 favoritas interpretações são (destas 10, 5-8 são sólidas e não mudam, em princípio; as últimas duas/três são as que estão mais sujeitas a variações, ):

1. Julianne Moore, Far From Heaven
2. Nicole Kidman, Moulin Rouge!
3. Kate Winslet, Eternal Sunshine of the Spotless Mind
4. Meryl Streep, The Devil Wears Prada
5. Uma Thurman, Kill Bill Vol. 1 e 2
6. Tilda Swinton, Julia
7. Isabelle Huppert, The Piano Teacher
8. Björk, Dancer in the Dark
9. Imelda Stauton, Vera Drake
10. Naomi Watts, Mulholland Dr.



E para vocês, quais são as melhores interpretações femininas da década?