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DIAL P FOR POPCORN

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CARNAGE (2011)




Adaptado de uma peça de sucesso da Broadway, Carnage foi uma arriscada investida de Roman Polanski. Aquilo que vemos no ecrã é uma tentativa arrojada. Não é fácil pegar numa peça de teatro, ainda por cima tão redutora e simplista em cenários, e reproduzir um filme atraente para o espectador. O segredo? Claro, as interpretações. E são interpretações de um bom nível, em especial a das mulheres e em especial a de Kate Winslet que fazem a diferença, transformando Carnage num filme interessante, diferente e agradável.



Tudo começa com uma briga de crianças. O filho do casal Cowan agride o filho mais velho do casal Longstreet, e ambos os casais se reúnem para esclarecer o sucedido. Michael Longstreet (John C. Reilly) é um descontraído chefe de família num casamento feliz com a histérica Penelope Longstreet (Jodie Foster). Recebem na sua residência um casal em desarmonia, onde Alan (Christoph Waltz) se distancia, desde o princípio, da briga dos miúdos e se foca unicamente no seu telemóvel e nos seus problemas profissionais. Abandonada e carente, Nancy (Kate Winslet) vai-se descompondo, derrotada por todas as acusações e discussões do encontro.


Um filme que tem algumas dificuldades em ultrapassar as limitações de uma peça de teatro, acaba por levar a alguma impaciência por parte dos espectadores que sejam adeptos de filmes mais directos. Enrola um pouco e vive de uma história que, tal como um novelo, se vai desenrolando, lentamente, com pormenores e atitudes que são um requinte de representação, uma demonstração de qualidade e competência de um grupo de actores de elite, que se juntam para celebrar o currículo e a qualidade da carreira de Roman Polanski. Algo de novo, algo de diferente. Agradável.

Nota Final:
B


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Roman Polanski
Argumento: Yasmina Reza
Ano: 2011
Duração: 80 minutos









ÚLTIMA HORA: Trailer e Poster de CARNAGE



Baseado na peça "God of Carnage" de Yasmina Reza, vencedora do Tony para Melhor Peça, que foi aclamada criticamente por onde passou (tendo também Marcia Gay Harden vencido o Tony de Melhor Actriz pela sua interpretação na Broadway), "CARNAGE" é o novo filme do grande Roman Polanski, que reuniu os vencedores de Óscar Jodie Foster, Christoph Waltz, Kate Winslet e o nomeado para o Óscar John C. Reilly para interpretar os dois casais que se encontram uma tarde para discutir a indisciplina dos seus filhos e, pelo meio, abandonando o seu aspecto cuidado e civilizado e transformando o seu encontro numa chuva de insultos, agressões e discussões, decidem abordar várias questões, enfrentando os seus demónios pessoais e as suas fraquezas enquanto casais e enquanto educadores na nossa sociedade. Uma peça verdadeiramente tragico-cómica, que explora a ira e o desabafo enquanto meios de catarse e que faz uma análise sociológica bastante acutilante e pertinente, parece ser um desafio à altura de um dos maiores autores com que o cinema nos agraciou, um drama cheio de tensão mas igualmente entretido. Se vai ser candidato aos Óscares? Bem, é muito cedo para o dizer. Fiquem então com o trailer acabado de ser lançado na Twitch e com o poster, que já circula a Internet há alguns dias.


Entretanto, para mais imagens do filme, podem consultar este artigo do Split Screen. "CARNAGE" estreia nos Estados Unidos a 16 de Dezembro, com estreia mundial marcada para Setembro no Festival de Veneza.

THE BEAVER (2011)



"THE BEAVER" não é um filme perfeito. Longe disso. O argumento podia ser bem melhor, as personagens em torno de Walter poderiam ser mais autênticas e genuínas e acho que há situações com o peluche que vão longe demais. Ainda assim, "The Beaver" comove, emociona e leva-nos a pensar no que, de facto, faz a nossa vida ter significado, naquilo que nos faz, todos os dias, levantar da cama e enfrentar as dificuldades do dia-a-dia. E, só por isso, eu agradeço que o filme tenha existido.


"The Beaver" contém, além disso, uma das melhores interpretações do ano. Não fosse a sua ruinosa vida pessoal, Mel Gibson teria instantaneamente garantido uma das cinco vagas na lista de nomeados para o Óscar de Melhor Actor. A efectuar um dos seus melhores trabalhos de sempre, como que a aproveitar os problemas com que lida na sua vida privada para a sua arte, Gibson é excitante e memorável de observar. Desde o primeiro momento que o encontramos na piscina, de braços abertos, com um olhar louco, desesperado e deprimido que sabemos que estaremos perante algo diferente vindo de Gibson. E ele não desaponta. Pelo meio da absurdidade de várias situações envolvendo o Castor e do estado totalmente depressivo - catatónico até - de Walter, Gibson cumpre a sua função de forma soberba, uns bons furos acima do material do argumento.


Voltando à história. "The Beaver" narra a vida de Walter Black (Mel Gibson), presidente de uma empresa de brinquedos em declínio, casado com dois filhos, que sucumbiu à depressão, que tem afectado a sua vida pessoal e profissional, de tal forma que ele não consegue, pura e simplesmente, reagir, tendo alienado a sua família, levado a sua empresa a um estado de quase falência e destruído (ou esquecido) tudo aquilo que o fazia um grande homem. Não é, por isso, grande surpresa que o seu filho mais velho, Porter (Anton Yelchin), o ignore e despreze e a sua mulher, Meredith (Jodie Foster), uma mulher carinhosa mas firme, o expulse de casa e lhe peça o divórcio. Nesta espiral descendente em que Walter se encontra, o rumo surge, inesperadamente, através da ajuda... de um fantoche, o Castor. O Castor assume a voz, a vida e a personalidade de Walter  e no seu lugar consegue, de uma assentada só, reabilitar a empresa, a sua vida familiar e a sua relação com a mulher, trazendo de volta o homem que todos conheciam. Todavia, um problema continua a subsistir: apesar de uma reabilitação notável (algo inexplicável até, pelas circunstâncias do argumento), é bastante óbvio que um dia o Castor e Walter terão de se separar. E é aqui que o argumento tenta salvar as suas várias incongruências numa tentativa de resumir tudo isto a uma luta interior e nos passar uma lição de vida sobre nunca abdicar de ver o que há de bom em cada coisa que a vida nos dá.


Kyle Killen, o argumentista, faz um trabalho razoável no seu filme de estreia, oferecendo-nos uma história pertinente com toques de humor negro e descoberta pessoal. Ainda assim, não tem desculpa para toda a narrativa secundária vinda quase do nada envolvendo as frustrações de Porter e da sua namorada, Norah (Jennifer Lawrence) e para a necessidade que teve de criar paralelismos na situação do pai e do filho, na medida em que ambos "desaparecem" no corpo de outras pessoas e na forma como o filho, de certo modo, é também salvo por Norah e salva, ele próprio, Norah do marasmo que pauta a sua vida. Jodie Foster é uma realizadora competente, que de facto faz o que pode para resolver os problemas que o argumento tem e executa bem o seu papel enquanto Meredith, quer em termos de postura, quer em termos de entrega das falas, funcionando como o anti-Walter de certa forma. Anton Yelchin e Jennifer Lawrence são quase prescindíveis na narrativa, a sua importância como fio narrativo secundário só merecendo relevância para que Porter perceba o que vai na mente do pai, permitindo a redenção final de Walter e pouco mais. A música de Marcelo Zarvos foi outro ponto que me fez torcer o nariz ao filme. Era demasiado leve,engraçada e muito mais vocacionada para um filme cómico do que para um filme pesado e sério como este. Ainda assim, tiro-lhe o chapéu à música escolhida para a cena final. Quase que faz o filme parecer dez vezes melhor. Por essa cena individualmente o filme valeria um A. No seu todo... não pode passar de um B.



Nota:
B

Ficha Técnica:
Realização: Jodie Foster
Argumento: Kyle Killen
Elenco: Jodie Foster, Mel Gibson, Anton Yelchin, Jennifer Lawrence, Cherry Jones
Música: Marcelo Zarvos
Fotografia: Haden Bogdanski