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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

Previsões Óscares 2013 (I): Actor Secundário


Como habitualmente, esta promete ser uma categoria difícil de resolver (no que a nomeados diz respeito) mas fácil de premiar (o vencedor é - excepção feita ao ano passado - alguém que costuma fazer uma limpeza geral aos prémios todos do circuito). A categoria do ano passado, apesar de excitante de seguir pelo fluxo de gente a entrar e a sair a cada conjunto de nomeações e prémios anunciados e pelos múltiplos vencedores que foi tendo ao longo da época de premiações, acabou por reunir uma colecção de antigos galardoados com o prémio algo enfadonha, quando um bocadinho de colorido aqui e ali - McConaughey ("Magic Mike"), Samuel L. Jackson ou Leonardo DiCaprio ("Django Unchained") ou Javier Bardem ("Skyfall") - traria mais alguma diversidade e interesse à corrida. A vitória sorriu a Christoph Waltz, que reciclou para "Django Unchained" a sua personagem Hans Landa de "Inglorious Basterds". Pronto, o homem dá-se bem com diálogos do Tarantino - e daí? Quer dizer que o homem ganha um Óscar basicamente sempre que lhe apetece fazer por isso? Daqui a pouco é o novo Daniel Day-Lewis (já não falta muito, só mais uma estatueta).


Muitos dos homens mencionados acima voltam à corrida este ano. Matthew McConaughey terá uma temporada de campanha em cheio, porque seja como actor principal ("Dallas Buyers' Club") seja como actor secundário ("Mud" e "Wolf of Wall Street", provavelmente este último será a sua melhor hipótese, embora terá também que lutar internamente contra Jonah Hill, nomeado em 2011 e que poderá ter possivelmente nova hipótese), tem várias oportunidades para tentar a nomeação. Outro actor roubado de uma nomeação o ano passado  (podemos falar de duas consecutivas, contando com "Shame" o ano antes também) foi Michael Fassbender. O homem regressa à competição tanto em actor principal ("The  Counselor") como em actor secundário - e deverá ser nesta última que terá mais hipóteses, por "12 Years a Slave" de Steve McQueen. O papel clama atenção da Academia (vilão, crueldade para os escravos, filme de época, actor no timing certo - tudo aquilo que eles gostam nesta categoria). Veremos se pega. 


Um recente nomeado de volta é Mark Ruffalo por "Foxcatcher", o novo filme de Bennett Miller que promete fazer estrago na corrida - é um projecto pessoal do próprio (que conseguiu nomeações para filme, actor e um dos seus actores secundários para os seus dois primeiros filmes, "Capote" e "Moneyball"), é uma história verídica perturbante e conta com um elenco fantástico (liderado por Carell - já falado em actor principal, Ruffalo e Channing Tatum, outro com possibilidade de nomeação aqui). Ruffalo é querido pela indústria, já conseguiu o mais difícil - ser nomeado (2010), que parecia que nunca iria acontecer - e portanto pode pensar (o papel também ajuda) em repetir o feito. Outros nomeados recentes a ter em conta também são Bradley Cooper e Jeremy Renner pelo novo filme de O. Russell (se "American Hustle" provar ser tão diverso e dar tanto que fazer como os filmes prévios de O. Russell, é de esperar que algum dos actores secundários - entre Renner, Lawrence e Cooper - consiga um bom papel e respectiva nomeação), Matt Damon ou George Clooney (falta sabermos quem é o real protagonista de "The Monuments Men" e se haverá mais alguém do elenco secundário a roubar cenas, como Bob Balaban ou Bill Murray por exemplo) e Javier Bardem (que já venceu a categoria, tal como Clooney) e Brad Pitt por "The Counselor" de Ridley Scott. George Clooney tem ainda um papel secundário que desperta muita curiosidade em "Gravity" de Alfonso Cuarón (temo que este filme não vá resultar ou não vá ser do agrado da Academia, à la "Children of Men", mas Clooney e Bullock são mel para a crítica e para o grande público por isso pode ser que se dê bem) e Jeremy Renner obteve ainda boas críticas pela sua prestação em "The Immigrant" de James Gray, já discutido previamente. Também falado anteriormente em melhor actor mas de nota aqui é a interpretação de Josh Brolin em "Labor Day" de Jason Reitman - isto porque a interpretação pode tão facilmente ser considerada principal como secundária, como penso que irá acontecer - o que o fará (tendo em conta o papel), se o filme tiver sucesso, um dos favoritos a vencer.


Além da grande percentagem de regressos que comummente pautam as listas de nomeados aos Óscares todos os anos, constam sempre nomes novos (não o ano passado mas, como já referido, foi uma excepção).  Tony Danza ("Don Jon") numa espécie de prémio por uma carreira relevante na indústria (e parcialmente porque toda a gente gosta do homem), Will Forte ("Nebraska") se o filme cativar muitos membros da Academia e arrastar consigo algumas nomeações menos óbvias para lá de argumento, realizador, filme e actor - o mesmo é aplicável a Jared Leto ("Dallas Buyers Club"), Daniel Brühl ("Rush") porque todos os anos há sempre um actor com uma transformação física espantosa na conversação, Tim Roth ("Grace of Monaco") pelas mesmas razões de Will Forte só que muda actor para actriz - o mesmo se aplica a Steve Coogan ("Philomena") e a Benedict Cumberbatch ("August: Osage County"), se bem que este tem ainda o bónus adicional de estar no momento exacto e na transição para A-List para esta premiação suceder. Falta ainda referir o homem camaleão, um dos verdadeiros character actors da actualidade, que surge em vários filmes por ano e em todos é bom mas acaba sempre por não obter reconhecimento - será este o ano de John Goodman? E por que filme? "Saving Mr. Banks", "Inside Llewyn Davis" (pelas críticas, o mais provável) ou "The Monuments Men"?

Pergunta final: e começar a montar uma campanha para Ewan McGregor ser nomeado por "August: Osage County"? É que não é só "Moulin Rouge!", "Trainspotting", "Velvet Goldmine", "Shallow Grave", "Big Fish", "Young Adam"... Já vai numa sequência seguida de grandes interpretações - "I Love You Philip Morris", "The Ghost  Writer", "Beginners", "The Impossible"... Quanto mais tempo demorarem, Academia, maior é a vergonha...


Previsão dos nomeados:
Javier Bardem, "The Counselor"
Bradley Cooper, "American Hustle"
Michael Fassbender, "12 Years a Slave"
Matthew McConaughey, "Wolf of Wall Street"
Mark Ruffalo, "Foxcatcher"

SKYFALL (2012)


Uma grande desilusão. Um filme banal. Um James Bond (Daniel Craig) completamente patético. Uma angustiante sombra do herói de Casino Royale. Uma experiência falhada. Sam Mendes não mereceu o voto de confiança. Skyfall é um filme sobre M (Judi Dench) e sobre o vilão Silva (Javier Bardem). Não é um filme sobre James Bond. E tudo isto é um enorme balde de água fria para os admiradores da série (e do protagonista), habituados a ver um herói corajoso e obstinado com o seu trabalho. O James Bond de Sam Mendes é um homem no fim da linha, sem forças, arrastado à força para a acção, sobrevivendo graças à sorte e à boa-vontade dos seus inimigos, que se passeia pelo filme de forma ingénua, apática e desorientada.


Sem querer contar-vos muito da história, tudo começa com a suposta morte de James Bond em mais uma missão na Turquia. Uma metáfora fantástica para resumir todo este filme. Sam Mendes conseguiu (propositadamente ou não) matar a figura de James Bond (em especial a de Daniel Craig) que apaixonou os fans do agente secreto nos últimos anos. A partir deste momento, vemos um James Bond que claudica, com dúvidas e dramas pessoais que o alimentam durante todo o filme e que o limitam na sua actividade. Ao mesmo tempo, um secreto inimigo começa a provocar M e inicia uma demanda para conseguir a sua destruição. Silva, antigo agente secreto do MI6, está disposto a vingar a sua ruína e a destruir M, num diabólico e monumental projecto. A grande estrela deste filme (que reduz James Bond a uma piedosa insignificância) demonstra, mais uma vez, porque é um dos mais carismáticos actores da última década (e que, mais uma vez, consegue repetir um penteado ridículo).


Num jogo do gato e do rato, o vencedor é previsível e natural. Mas se é difícil ter Javier Bardem num filme sem que este concentre toda a atenção na sua figura, era também obrigação de Sam Mendes (e dos argumentistas deste filme) dar espaço à imagem de James Bond. Foi um fracasso do princípio (onde as cenas dos duplos são demasiado óbvias) ao fim. O meu conselho. Se o leitor gosta de ver explosões na sala de cinema, se gosta dos efeitos especiais numa tela grande e em alta definição, vale a pena arriscar e ver o filme no cinema. Mas se for um fan de James Bond, o bilhete de cinema vai ser caro demais para a desilusão com que vai sair da sala de cinema.

Nota Final: 
C-


Trailer:



Informação Adicional:
Realização: Sam Mendes
Argumento: John Logan
Ano: 2012
Duração: 143 minutos

BIUTIFUL (2010)



Assombroso. Nunca esperei escrever ou pensar isto, mas Iñárritu tocou novamente o céu: Biutiful é, para mim, o melhor filme da sua carreira e, dificilmente, algum dia ele conseguirá fazer melhor. É controverso afirmá-lo e certamente muitos vão para sempre considerar Amores Perros como o seu ponto alto. Eu considero Amores Perros um óptimo e brilhante filme, no entanto a minha enorme admiração por histórias deprimentes, contadas de uma forma nua e crua, sem pudores, numa encarnação de sentimentos reais, que nos transportam por o ecrã, que nos fazem compartilhar a dor e o sofrimento de um actor que faz uma das interpretações do século, fala e falará para sempre mais alto. É impossível não lhe fazer esta homenagem.


Desde 2007, quando Daniel Day-Lewis demonstrou a sua classe em There Will Be Blood, que eu não via uma interpretação deste nível. Aceito se disserem que o papel de Javier Bardem tinha tudo para ser um sucesso. Sim, tinha. Um papel assim só pode ser mau se for dado a um azelha. No entanto, só pode ser brilhante, soberbo e inesquecível se for dado a um actor fora de série, com um talento digno dos grandes senhores do cinema. Javier Bardem, em Uxbal, faz um papel digno de colocar Peter Sellers a bater palmas: É um papel tão bom, que os Oscars não são dignos sequer de lhe atribuir o prémio de melhor actor. Penso que pela primeira vez ficarei feliz se não vir um actor e uma interpretação como é a de Javier Bardem, vencer a estatueta de melhor actor. Eu não vi ainda o "Discurso do Rei", mas não acredito que Colin Firth, que certamente estará a um grande nível, consiga alguma vez trazer a emoção, a paixão, a dor, o sofrimento que Iñárritu e Javier Bardem conseguiram colocar em Uxbal.


É muito díficil criar histórias e argumentos sobre temas tão críticos da sociedade como a prostituição, a imigração ilegal, a exploração de homens e crianças, os problemas de familiares. É tão difícil e, por o ser, o cinema dos Estados Unidos, muito rara e pontualmente, consegue produzir algo que me convença. Nesta área, os Asiáticos são verdadeiros mestres, vindo da Europa de Leste algumas boas ideias.


E Alejandro González Iñárritu? A partir da noite de ontem limpou de vez a péssima imagem com a qual Babel me deixou, onde imaginei a sua carreira a perder-se por filmes de menor qualidade, para sempre presos à comparação de um rival sem igual, Amores Perros. No entanto, ao quarto filme, Iñárritu volta a supreender, não só o cinema como a sociedade. Facilmente Biutiful será criticado por muitos dos "super-especializados" críticos de cinema. Mas para mim, é já uma obra-prima, possivelmente o meu favorito do ano e, no caso da interpretação de Javier Bardem, uma das minhas favoritas de sempre, da qual nunca me conseguirei esquecer.


Uxbal é um homem solitário, deprimido e infeliz. Com o dom de falar com os mortos, ganha algum dinheiro em funerais, que lhe permite sustentar os seus dois filhos, com os quais vive separado da sua ex-mulher, Marambra (Maricel Álvarez). Ao descobrir que um cancro na próstata, já profundamente metastizado pelos seus ossos e fígado, lhe dará apenas alguns meses de vida, decide preparar tudo para a sua partida. Uxbal tem apenas um desejo: que os seus filhos fiquem em paz e possam ter uma vida mais feliz do que aquela que Uxbal teve.

No entanto, esta revela-se uma tarefa muito complicada, não só porque o cancro é implacável e, aos poucos, começa a fazer sentir a sua força perante a vontade de Uxbal, mas também porque este tem mil e um negócios, cada um mais problemático que o seguinte e que parecem não ter solução possível.


Biutiful é lindo. Biutiful é uma obra que será lembrada para sempre. Biutiful é mais do que uma simples história, é o relato duro de um povo em sofrimento, que conta a história de muitos rostos desconhecidos, cinzentos e oprimidos. Biutiful é um A, daqueles que me orgulho de atribuir e difundir por quem me quiser ouvir.


Nota Final: A


Trailer:



Informação Adicional:

Realização: Alejandro González Iñárritu
Argumento: Alejandro González Iñárritu
Ano: 2010
Duração: 147 minutos.

Personagens do Cinema - Ramón Sampedro


Javier Bardem é o primeiro actor a repetir a sua presença na minha crónica sobre as personagens mais marcantes da história do cinema. O valor deste papel é muitíssimo superior ao de um banal filme ou até ao de um filme vencedor de dezenas de prémios pelo mundo fora. Mar Adentro é um filme que retrata a vontade de todas as pessoas que, sentindo a dor e as dificuldades da doença, decidem pôr termo à vida, de uma forma tranquila, como forma de alivar para sempre o seu sofrimento.


Um acto tantas vezes condenado e debatido por quem não tem, nem voto na matéria nem conhecimentos suficientes para perceber o sofrimento pelo qual muitos dos doentes estão a passar, sem terapêutica que lhes permita alivar a dor ou melhorar a sua condição, torna-se, no meu ponto de vista, numa prova clara do egoísmo presente na nossa sociedade. Mar Adentro foi um filme que deu muito que falar e Javier Bardem, com a paixão imensa que atribui a esta personagem, emocionou todos quantos viram o filme e mudou, certamente, muitas mentalidades.


Mar Adentro fala-nos da história verídica de Ramón Sampedro, um pescador da Galiza que aos 25 anos ficou quadraplégico depois de um mergulho mal calculado no mar. Tal acidente tornou-o para sempre dependente da sua família e amarrou-o a uma cama. Desiludido com o seu destino e sem perspectivas de um futuro melhor, Ramón demonstra uma frieza digna de um homem iluminado e agraciado de uma inteligência impar.


Decide então pôr termo à vida, mas esta decisão acaba por não ser aceite pelos diversos tribunais a que recorre, arrastando-o numa luta que durou cerca de vinte e oito anos, altura em que Ramón desiste de vez de tentar obter uma eutanásia legal e, com o auxílio de uma amiga, ingere cianeto, concretizando o seu desejo.

Revisão da Década: Melhores Actores da Década (2000-2009)

Estes três artigos seguidos fazem parte da minha Revisão da Década em Cinema, que comecei no meu antigo blogue "O Mundo Está Perdido" e retomei aqui no "Dial P For Popcorn". Por uma questão meramente prática, decidi passá-los para este blogue também e deste modo reabrir esta discussão.

Agora, vamos aos actores. Optei por só escolher 50 - e esteve difícil de reduzir! Todavia, lá consegui. Como não atino bem com a ordem (se fosse outro dia, muito provavelmente a ordem seria outra), vou colocar os nomes por ordem alfabética, tal como fiz com os filmes, só que desta vez deixo-vos no final com o meu top 10 de interpretações masculinas do século.

Avisar também que eu não distingo uma performance de um actor principal ou de um secundário. Se for boa o suficiente, mesmo sendo de um actor secundário, cá constará. A verde estão assinaladas as interpretações das fotos que acompanham a lista.


Aqui vão as minhas 50 interpretações masculinas preferidas esta década:



Adrien Brody, The Pianist
Andy Serkis, The Lord of the Rings: The Two Towers
Ben Kingsley, Sexy Beast
Bill Murray, Lost in Translation
Casey Affleck, The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford
Chris Cooper, Adaptation
Christian Bale, American Psycho
Christoph Waltz, Inglorious Basterds
Colin Farrell,
In Bruges
Colin Firth, A Single Man



Daniel Day-Lewis, There Will Be Blood
David Strathairn, Good Night and Good Luck
Denzel Washington, Training Day
Ed Harris, Pollock
Ewan McGregor, Moulin Rouge!
Forrest Whitaker,
The Last King of Scotland
Gael García Bernal, Amores Perros



Gael García Bernal, La Mala Educación
George Clooney, Michael Clayton
George Clooney, Up in the Air
Heath Ledger, Brokeback Mountain
Heath Ledger, The Dark Knight
Hugh Jackman, The Fountain
Ian McKellen, The Lord of The Rings: Fellowship of the Ring
Jack Nicholson, About Schmidt
Jake Gylenhaal, Brokeback Mountain
Javier Bardem, Before Night Falls
Javier Bardem, No Country for Old Men
Jeff Bridges, Crazy Heart
Jeff Bridges,
The Door in the Floor
Jeff Daniels,
The Squid and The Whale



Jim Broadbent, Moulin Rouge!
Jim Carrey, Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Joaquín Phoenix, Walk the Line
Johnny Depp, Pirates of the Caribbean: Curse of the Black Pearl
Jude Law, I Heart Huckabees
Mark Ruffalo, You Can Count on Me
Mathieu Amalric, The Diving Bell and the Butterfly
Michael Fassbender,
Hunger
Mickey Rourke, The Wrestler
Paul Giamatti, Sideways
Peter Sarsgaard,
Shattered Glass
Philip Seymour Hoffman,
The Savages
Richard Jenkins, The Visitor
Ryan Gosling, Half Nelson

Sean Penn, Milk
Sean Penn, Mystic River
Tom Wilkinson, In The Bedroom
Viggo Mortensen, A History of Violence
Viggo Mortensen, Eastern Promises





As minhas dez interpretações favoritas seriam (de notar que as primeiras 8 em princípio não mudam, as últimas duas são variáveis - dependem do dia):

1. Daniel Day-Lewis, There Will Be Blood
2. Gael García Bernal, La Mala Educación
3. Christian Bale, American Psycho
4. Heath Ledger, Brokeback Mountain
5. Mickey Rourke, The Wrestler
6. Chris Cooper, Adaptation
7. Viggo Mortensen, Eastern Promises
8. Sean Penn, Milk
9. Adrien Brody, The Pianist
10. Javier Bardem, No Country for Old Men



E para vocês, quais são as melhores interpretações masculinas da década?

 

Personagens do Cinema - Anton Chigurh


Anton Chigurh é um dos grandes personagens da última década.

Aliás, o ano de 2007 ficou marcado nos Oscars como um dos (poucos) anos onde existiu uma unânime aclamação relativamente à estatueta de Melhor Actor Principal e Melhor Actor Secundário. Num ano que ficou marcado por uma forte disputa entre No Country for Old Men (dos Irmãos Coen) e There Will Be Blood (de Paul Thomas Anderson) pelas estatuetas douradas, 2007 é recordado como um dos melhores anos da ultima década (para mim, talvez o melhor) a nível cinematográfico!


O papel que deu a Javier Bardem o reconhecimento há muito merecido (um dos melhores actores que a Espanha, e a própria Europa, produziu até hoje) garantiu uma reviravolta na sua carreira, tornando-o actualmente num dos mais conceituados e desejados actores para alguns dos melhores realizadores (desde Iñarritu até Woody Allen).

No papel de um serial-killer implacável que impressiona pela frieza e prazer com que executa os seus actos, fica para sempre marcado como um dos mais originais (e estranhos) penteados da história do cinema. Em relação a este, o próprio Javier Bardem no discurso após receber o Oscar de Melhor Actor Secundário, se referiu a ele e aos Irmãos Coen com a frase: "Obrigado aos irmãos Coen por serem loucos o suficiente para acreditarem que eu seria capaz de fazer este papel e me terem colocado na cabeça um dos cortes de cabelo mais horríveis que já tive."


Memorável é também a cena em que Anton Chigurh, com uma frieza e tranquilidade impressionantes, demonstra uma inesperada compaixão por um vendedor de gasolina e decide dar-lhe uma chance para viver, através de uma curiosa aposta com uma moeda. Esta cena que aqui vos deixo, para além de inesquecível é sem dúvida o ponto alto do filme, onde Anton demonstra o completo desprezo que sente pelos restantes seres vivos e de como se sente muito superior em relação a todos eles. Esta irónica compaixão não é mais do que a auto-satisfação do próprio ego, de uma forma original.