Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

NIGHTCRAWLER, de Dan Gilroy

"I'd like to think if you're seeing me you're having the worst day of your life."

 

 

Deixem passar Jake Gyllenhaal. Por favor, deixem-no passar. Depois de me ter desiludido em Enemy (onde nem ele nem Denis Villeneuve perceberam muito bem o que estavam a fazer), o eterno Donnie Darko deixa um sério aviso à concorrência de Hollywood. Está um actor diferente, mais maduro e mais autêntico, parece-me. Uma carreira que esteve a um pequeno passo de cair num abismo sem retorno (lembro-vos que chegou a ser o Principe da Pérsia...) vê-o agora ressurgir com um novo e pungente fôlego, mais corajoso e a abraçar projectos mais ambiciosos.

 

 

Em NightcrawlerJake é a câmara que alimenta o voyeurismo humano pela tragédia, o desejo, quase febril e doentio, de ver o sangue sujar o nosso ecrã de televisão. Sozinho em Los Angeles, Louis Bloom (Jake Gyllenhaal) é um homem sombrio, obsessivo, tenso, com um olhar doentio, que absorve a informação gratuita da internet e procura a sua oportunidade em cada canto obscuro. Capaz de tudo para conseguir aquilo que idealiza, Louis começa a filmar e vender os acidentes mais brutais de LA com uma câmara de qualidade duvidosa, perseguindo o rasto deixado pelo caos e pela desgraça num velho carro a cair aos bocados.

 

 

Começa e não pára. Numa asceção quase meteórica, a ambição de Louis não tem limites. E em Nightcrawler, Dan Gilroy conta-nos como uma sociedade perdida pelo caótico poder do dinheiro e do exibicionismo, premeia e alimenta a obsessão doentia de um homem sem escrúpulos. O que Gyllenhaal dá ao argumento de Gilroy é muito mais do que uma grande interpretação. A força do argumento confunde-se com o poder da personagem e ambos se tornam indissociáveis. Um filme que passou ao lado dos grandes prémios de Hollywood, mas que certamente todos acabaram por espreitar. Tal e qual como o jornalismo voyeur que ninguém admite ver, mas do qual todos sabem sempre qualquer coisa.

SOURCE CODE (2011)


Depois da estreia de Moon, talvez a grande surpresa de 2009, as expectativas sobre o novo filme de Duncan Jones eram demasiado altas. Quem consegue criar um ambiente de suspense como o de Moon e empregar toda a carga dramática numa personagem como a de Sam Rockwell tem, necessariamente, que ser um tipo com talento.


E Source Code até nem é um filme mau de todo. Não acredito que compense o valor do bilhete de cinema, mas também não é uma total perda de tempo. Embora a sua ideia inicial seja bem conseguida, o seu final é totalmente despropositado, destruindo a lógica de um filme, a meu ver, ambicioso. Compreendo a dificuldade de se encontrar um final lógico para um filme assim, mas também acho que cada um só deve fazer aquilo que é capaz. Dar um passo maior do que a perna, acaba quase sempre em asneira.


O Capitão Colter Stevens (Jake Gyllenhaal) vê-se obrigado a viver os últimos oito minutos de vida de Sean Fentress, um Professor de História assassinado poucas horas antes num atentado ao comboio onde seguia com a mulher por quem se apaixonara, Christina Warren (Michelle Monaghan). Tendo como missão descobrir ao autor do massacre, Stevens viaja por diversas vezes até ao ponto inicial de toda a história e, aos poucos, vai organizando as peças de um puzzle que foi obrigado construir.


Durante as várias viagens no tempo, Stevens aproveita para tentar perceber o porquê da sua escolha para um trabalho tão amargo, o significado das conversas com Colleen Goodwin (Vera Farmiga) uma das responsáveis pelo projecto Source Code, que o coordena e orienta nas sua missão. O sucesso desta experiência significará a salvação de centenas de milhares de vidas e, o peso nos ombros de Stevens transforma-o num herói de circunstância, astuto e perspicaz.


Uma ideia interessante, com um péssimo final a lembrar as historias de fábrica feitas em Hollywood. Vale-se, em muito, da enorme qualidade de Jake Gyllenhaal, com uma interpretação de bom nível. Guarde os cinco euros do bilhete para outro filme. Ou então gaste-os em Tropa de Elite 2, seguramente o melhor filme em exposição nos cinemas portugueses.

Nota Final: C


Trailer:




Informação Adicional:
Relização: Duncan Jones
Argumento: Ben Ripley

Duração: 93 minutos

Ano: 2011