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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

Porque nunca é demais lembrarmo-nos de IN THE BEDROOM (2001)




Esta crítica, por assim dizer, faz parte da rubrica "O Cinema dos Anos 2000" do Keyzer Soze's Place, na qual participo ao lado de outros porreiríssimos bloggers. Espreitem tudo AQUI. Ao Samuel agradeço o convite, aos bloggers a que me junto agradeço a companhia e, sobretudo, os múltiplos ensinamentos que retiro de cada um dos seus textos.



Através de uma história aparentemente inofensiva, Todd Field cria um drama cruel, onde as revelações são lentas, as emoções turbulentas e não há grande catarse ou final feliz – só feridas abertas, bem vincadas e vidas arrasadas, transformadas de um dia para o outro no seguimento de uma enorme tragédia. Uma tragédia bem familiar e por isso mais temível ainda, que poderia acontecer a qualquer um de nós. Uma situação tão confrontante, que catalisa e impulsiona o filme, mexendo com ele de forma bela e complexa, que transparece o ecrã e nos faz também nós sentir a mudança. Uma mudança permanente, definitiva. 


IN THE BEDROOM fala de amor e saudade, de luto e remorso, de ódio, rancor e vingança. No fundo, o filme fala sobre sobrevivência. Não de um ponto de vista primitivo, real, mas sim em relação à forma de estar no mundo, como se a vida destas personagens dependesse disso, da necessidade em voltar a um normal que conheciam anteriormente e ao qual não há ponto de retorno. Esta é a história deste casal, de Matt e Ruth e da penosa e dolorosa adaptação que a sua relação e o seu mundo vão ter que sofrer. Duas brilhantes interpretações de Sissy Spacek e Tom Wilkinson, que connosco partilham tudo o que sentem e pensam. Emoções tão profundas e internalizadas e ao mesmo tempo tão facilmente acessíveis, mal escondidas por debaixo da superfície aparentemente estoica e firme, duas personagens imperfeitas e reais, gente boa, trabalhadora e gentil, simplesmente a viver a sua vida dia após dia. 


Um dos dramas mais fascinantes do início do século XXI e seguramente um dos melhores da década, IN THE BEDROOM reúne todas as qualidades do cinema independente norte americano – excelente elenco, com muitos actores talentosos subaproveitados pela indústria (como a fabulosa Marisa Tomei), bons valores de produção e um argumento desafiador, fugindo às fórmulas convencionais, tudo a baixo custo – e tem em Field um timoneiro com uma seriedade e certeza pouco comuns num realizador-argumentista à frente do seu primeiro filme. Um caso sério de sucesso, confirmado pela aclamação crítica, pela receita de bilheteira surpreendentemente estrondosa (36 milhões de lucro só nos Estados Unidos da América!) e as cinco nomeações aos Óscares, de visualização obrigatória.


*Uma adenda ao texto: sim, eu teria votado nos três actores (Spacek, Wilkinson, Tomei) nos Óscares. São enormes, cada um deles. E a Sissy Spacek come o cenário, a tela, tudo. Genial.

Três títulos, um realizador, um tema



É a proposta da excelente iniciativa do Caminho Largo, que colocou a blogosfera toda a propor filmes que melhor expressem a noção de amizade - e além disso, o realizador que melhor pôs em tela o tema. Tarefa difícil. Passem pelo blogue para verem todas as participações da iniciativa - tem um pouco de tudo e acima de tudo recomendações para toda a gente - e, claro, espero bem que espreitem as minhas escolhas AQUI

A Angústia do Blogger Cinéfilo conta com DPFP na 2ª edição



Pois é, meus caros, a grande iniciativa A Angústia do Blogger Cinéfilo no Momento do Penalty, do blogue CINEdrio do Luís Mendonça, está de volta para uma segunda edição e, depois de um período de candidaturas e transferências feroz, eis que as equipas se encontram em regime de pré-época antes do início deste belo torneio interblogues.


Nesta segunda edição temos várias caras novas, a começar pelo DPFP, que este ano também entra no certame. Juntamente com a equipa da casa e a do DPFP, temos ainda equipas do Rick's Cinema, do Keyzer Soze's Place, do O Narrador Subjectivo, do A Sombra do Elefante, do Caminho Largo e do Shut Up and Watch the Movies. Podem consultar todas as equipas - bem como o regulamento da competição -  AQUI.

Por cá, a DPFP FC espera contar com o vosso apoio e votos para, com jeitinho, chegar à fase final do torneio e, quem sabe, trazê-lo para terras de Coimbra. Depois da Académica ganhar a Taça de Portugal, por que não sonhar? 

Voltaremos na próxima semana com mais novidades sobre o torneio e, sobretudo, com a lista de confrontos dos oitavos-de-final (sorteio na próxima sexta-feira) e aí faremos uma análise mais detalhada à "concorrência".

Abaixo vos deixo com a constituição da DPFP FC:


Treinador: Luis Buñuel. Não podia ser outro. Para mim, não há melhor treinador que este. Se Mourinho fosse realizador, seria, para mim, este senhor. Provocador e prevaricador por natureza, célebre por não temer criticar a sociedade e a política do seu tempo, nunca se sabe que decisão tomará a seguir. Para muitos um génio, para outros um louco. Controverso e surreal.  Consistente. Completo. Impressionante.

Guarda-Redes: Steven Soderbergh. Uma escolha pouco consensual, que teve um percurso muito auspicioso no início de carreira mas que conseguida a aclamação crítica se deixou relaxar. Apesar de falhar de vez em quando, é fiável e equilibrado, cumprindo sempre. Com uma aposta firme nele, pode ser grande de novo. O meu Van der Sar. 

Lateral Direito: Mike Leigh. Consistente, organizado, de uma categoria e respeito indiscutíveis. Apesar de veterano, qual Javier Zanetti, aguenta-se em campo como poucos devido à sua brilhante ocupação do espaço e qualidade na decisão. 

Lateral Esquerdo: Alain Resnais. Senhor de muitas guerras e com uma carreira bem longa, este continua a ser um dos gigantes do meio futebolístico, que apesar de meio enferrujado continua a merecer temor da oposição. O meu Paolo Maldini. 

Defesas Centrais: Michael Haneke e Lars von Trier. Uma dupla temível, capaz de aterrorizar e torturar qualquer adversário. Sem medo de ir às canelas, de jogar sujo, de fazer doer, que olha nos olhos de qualquer um. Sabem o que fazem em campo e usam bem o seu ar provocador e enigmático para aparecer na grande área contrária a cabecear para golo. Uns centrais a fazer lembrar uma combinação de Cannavaro e Thuram, cada um ao seu estilo, eficazes a limpar, certinhos a defender e ferozes a lançar o ataque. São poucos os que se atrevem a enfrentá-los. Impenetráveis, dão segurança e seguram a equipa. 

Trinco: David Fincher. Eficiente, operático, obsessivo, meticuloso. É o cérebro, o líder que controla as acções da equipa e fá-lo com precisão e detalhe irrepreensíveis. O meu Redondo. 

Médio Box-to-Box: Abbas Kiarostami. A complementar um médio-defensivo daquela categoria, tinha que haver um médio box-to-box igualmente excelente. Passe de fino recorte, o naturalismo e simplicidade com que desempenha o seu papel em campo são marcas distintivas. Acima de tudo, o que mais surpreende é a capacidade de autorreflexão que confere ao seu jogo, que o leva a estar no local certo à hora certa, enchendo o campo. Muito crítico consigo mesmo, nunca fica satisfeito e quer sempre fazer mais. O meu Ballack. 

Médio Ofensivo (nº 10): Paul Thomas Anderson. A minha contratação mais cara, digamos, cujo valor está a subir fruto da aclamação crítica que tem recebido nos últimos anos. Mas penso que vale a pena, pois Anderson, apesar de jovem, é tão-só o jogador mais talentoso da sua geração, exímio e quase perfeito no que faz, como se fosse um profissional com muitos anos de experiência. Ambicioso e destemido, é ele que inspira e empurra a equipa para a vitória, como só ele sabe. É um prodígio e tem tudo para ser um Baggio, um Maradona, um Zidane, um Platini ou um Messi. 

Extremo/avançado, direito: Terry Gilliam. Imaginação, originalidade como poucos, com a dose certa de bizarro e fantástico para confundir mesmo o mais persistente dos adversários. Passa com facilidade pelos defesas (o que o diverte imenso), porque estes nunca sabem o que ele vai fazer a seguir. Pouco valorizado, é a minha arma secreta, o meu Futre. 

Extremo/avançado, esquerdo: Pedro Almodovar. Só o perfume da bota deste senhor diz tudo. Romântico, criativo, poético, Almodovar é como se fosse o meu Figo. Nem sempre agrada a todos, mas uma coisa é certa: que o moço tem um talento inato para encantar o espectador, isso tem. 

Ponta de Lança: Todd Haynes. Pode não ser o ponta-de-lança mais concretizador, pode não ser o mais adorado e pode não ser o que ganha mais dinheiro mas, qual Benzema, mostra uma classe ímpar no seu jogo colectivo e impressiona pela sua irreverência, coragem e criatividade. Os guarda-redes adversários temem-no, porque já sabem que se não marca, ele assiste quem vai marcar.


Há público para nova edição?


Cá no DPFP estamos sempre interessados em repetir iniciativas cujo resultado final nos agrada. Apesar da falta de receptividade, gostávamos de ter mais gente connosco a prever os Óscares, porque só com companhia é que isto se torna divertido. Dito isto...


Lembram-se do 10 FOR THE OSCARS - OSCARS FOR 10?



Pois é, queríamos trazer essa iniciativa de volta, com algumas (bastantes) mudanças e um novo formato... Há interessados?

Podem ver o que se fez na temporada anterior (por assim dizer) AQUI.

Best Shot: Singin' in the Rain


This brief article is part of the weekly series at Nathaniel Rogers' quintessential movie site "The Film Experience", titled "Hit Me With Your Best Shot" (link here to previous entries)

As you know, we've been participating for quite some time. This week, we are focusing on one of my all-time favorites: Donen and Kelly's SINGIN' IN THE RAIN.




I can never explain quite well what watching SINGIN' IN THE RAIN makes me feel. Far from a perfect movie, the Donen/Kelly masterpiece is still as joyous and exciting as it was sixty years ago. It's a unique and powerful experience, and one that even through repeated viewings, never loses its thrill, its emotion, its happiness - the sheer joy is always there. Always. It's no wonder why this movie is considered to be the best musical of all time and is on almost everyone's all-time most beloved movies.


SINGIN' IN THE RAIN is one of my go-to movies when I'm having a bad day or when I'm sad or bored. It never ceases to amaze me how wonderfully simplistic, fun, cheerful and refreshing that movie is, and after watching it I always end up singing its songs for the next two hours, from the classic "Singin' in the Rain" to the more amusing "Good Morning" or the silly "Moses Supposes" (let's not forget the incredible, physically-demanding O'Connor number "Make'em Laugh", which is awesome too).


Despite being lighthearted, SINGIN' IN THE RAIN is a very original product, colourful, energetic and brilliant in its bright, merry way. Most of my admiration goes to its three leads - the dazzling Gene Kelly, the fantastic Donald O'Connor and the formidable Debbie Reynolds, at the time only 19 but more than holding her own against two industry powerhouses (the little girl sings, dances and acts her socks off). They sing and dance (in spectacular fashion, I might add - some of those choreographies are too good to be true, even for 1952!) to make it look so effortless and easy... Oscar-nominated Jean Hagen's Lina Lamont completes the core cast of the movie and although her performance is kind of a one-note joke (she can't act, she can't sing, she can't dance, she's somewhat dim and annoying), it's still a very inspired take on the dumb blonde type. The rest comes from a deceptively simple but clever story about people making movies and their immense love and pride in doing what they do, even if that means having to adapt to fit the new age of an industry always developing and now starting to realise the potential of sound in film (noticing some similarities with 2012's Best Picture winner "The Artist"? Well you should; it's one of the movies that inspired it). It's a good-humored celebration of this famous transition period in Hollywood that happens to use songs to prove its point that art - and people doing it - must evolve, all the while having a blast while doing it.

As for my best shot?




Well, before I even watched the movie again to write this article I knew I'd be picking this one. It's in the final scene of the movie, when Don (Kelly) ingeniously turns the tables on Lina (Hagen) and rushes to announce Kathy (Reynolds) - who's running down the aisle crying - as the real performer. It's one of the most romantic moments in the movies and that close-up on Reynolds' face seals the deal - it gives me goosebumps, it makes me swoon, it makes me teary eyed and gooey all inside. I know it's a little bit sentimental but this truly heartwarming finale - for an already sensational movie - is just what was needed to leave the movie - and you - on a high note for the rest of the day. It's pure magic that never fails. It's just... perfect.

An Ode to one of the most amazing villains ever


 Este artigo faz parte da minha participação na rubrica do The Film Experience Blog de Nathaniel Rogers, "Hit Me With Your Best Shot", na qual é-nos requerido escolhermos uma imagem icónica do filme em discussão nessa semana e justificar a nossa opinião. Fazemos sempre um duplo artigo, bilingue, com a versão inglesa em primeiro lugar e a tradução no português logo de seguida. O filme desta semana: SNOW WHITE AND THE SEVEN DWARVES (1937), "O" clássico que basicamente define o legado de Walt Disney.

It had been more than ten years since I last watched "Snow White and the Seven Dwarves". When I popped the DVD into the DVD player, I assumed I'd be enchanted, sure, that I'd find this an hour and a half properly charming and delightful like I always do whenever I watch an old Disney movie, but it never occurred in my mind that I would end up liking the movie more than I used to like it back when I was a kid. Granted, I'm not - and I never was - this movie's target audience, given than it's a very feminine movie, a typically girly fairytale but still... It was so much fun! I especially didn't remember how clever and amusing Grumpy and the Evil Queen were!  The only thing that I remember that was the same as it ever was: Snow White and Prince Charming are total duds. Seriously. Nothing to cheer for there.


Nevertheless, the movie more than makes up for our investment in the story of Snow White, a beautiful princess whose father and mother passed away and whose stepmother is an evil hag who happens to have both ravishing beauty (on which she takes the greatest pride) and a terrible hatred towards Snow White (who becomes her stepmother's maid), because she fears one day she'll ask her Magic Mirror who's the fairest of them all and the Mirror will gladly tell her than her beauty has been surpassed by Snow White's. And so, evidently, one day that happens, the Evil Queen loses it and tells her Huntsman to kill the princess. As every single person in the universe knows, the Huntsman can't do it, Snow White runs into the woods and finds a new home with the Seven Dwarves. Evil Queen finds out, gets even crazier and in a deliciously wicked twist of events, decides to desguise herself as a peddler and hand Snow White a poisoned apple. I don't think you need further information on the plot since I'm sure everyone knows how this ends. "Someday my prince will come", et cetera, et cetera... It's a Disney fairytale after all.


Despite the story being this simple and, let's face it, kind of boring, Walt Disney and his fantastic group of animators worked wonders to enliven and improve the audience's experience. Smart choices like naming the Dwarves according to individual characteristics, making physical comedy with animals look easy, and even more than that, enormously funny and, most of all, creating a beautiful world which looks realistic and at the same time swoony and dreamy, which for an animated motion picture in 1937 that asks us to believe in fairytales, is in itself a gigantic feat. 

But Walt Disney didn't stop there. Nope. He created, within this movie, two of the most colourful, campy and larger-than-life characters that Disney has in their universe. I'm talking, of course, about Grumpy and the Evil Queen. Two big divas, with two giant egos and with brilliant, acerbic wit. 

 Like a boss.


The Evil Queen in particular is a fascinating character. Her line delivery is remarkable. Her face is magnificently evil. And her voice, icy and powerful, could slice a person in half. I love that Disney embraced how stereotypical and broad this character should be and allowed such a character to exist in a movie made for kids. The Evil Queen, as her name tells it, is supposed to be EVIL. And Evil she is. And bitchy. And harsh. And fierce. And the most pleasant thing of all: she flaunts it like a pro. She's cool and she knows it.




  She gives THE BEST bitchfaces!
 

My best shot:

In that awesome sequence in which the Evil Queen brews the potion that'll allow her to transform her appearance to look like an old lady (full of genius moments, take a bow Walt Disney!), the Evil Queen puts together an absurdly amusing list of ingredients ("an old hag's cackle", "a scream of fright") and then she delivers the ultimate punchline:

"A thunderbolt. To... mix it well".



Hilarious. And awesome. 

The movie? Feh. But the Evil Queen? Yeah, her magic still remains. Disney should make a movie about its villains. How cool would a movie that unites Ursula ("Little Mermaid"), Lady Tremaine ("Cinderella"), Evil Queen ("Snow White"), Maleficient ("Sleeping Beauty") and Cruella ("101 Dalmatians") be?
 

Círculo de Críticos Online Portugueses em funcionamento




Entrou em funções no passado dia 15 de Fevereiro o Círculo de Críticos Online Portugueses, uma ideia implementada em Portugal pelo criador do blogue Split Screen, Tiago Ramos, com base no original brasileiro (a Liga dos Blogues Cinematográficos, no qual ele também participa). 

Dos membros fundadores deste grupo fazem parte nomes incontornáveis da nossa blogosfera, contando com - além do já mencionado Tiago Ramos - o Pedro Ponte e o Gonçalo Trindade (Ante-Cinema), o Nuno Reis (Antestreia), o Samuel Andrade (Keyzer Soze's Place), a Catarina D'Oliveira (Close-Up), a Inês Moreira Santos (Espalha Factos), o João Pinto (Portal Cinema), o Miguel Ferreira (A Última Sessão) e os vossos dois co-criadores aqui do Dial P For Popcorn.

O objectivo do projecto, nas palavras do seu fundador-mor: "O Círculo de Críticos Online Portugueses (CCOP) é um grupo seleccionado de críticos online de cinema portugueses, cuja acção se centra essencialmente na classificação dos filmes estreados mensalmente nas salas de cinema portuguesas, de forma a produzir um conjunto de tops mensais, com oportunos dados estatísticos. O CCOP poderá dedicar-se ainda à elaboração de tops de temáticas especiais (décadas, realizadores, géneros) e um prémio anual (cujo nome será posteriormente definido) dedicado aos melhores filmes do ano. Este projecto nasceu em colaboração com o projecto, de origem brasileira, Liga dos Blogues Cinematográficos."

Para já, podem consultar o primeiro top mensal, que diz respeito ao passado mês de Janeiro, AQUI.

As Escolhas INCONTESTÁVEIS do Dial P For Popcorn


Notícias muito antigas, mas ainda assim penso que é importante divulgar, para quem visita o blogue e não seguiu a iniciativa.


O Cineroad, do amigo Roberto Simões, organizou uma iniciativa neste início de ano intitulada "As Incontestáveis", que pedia a todos os participantes que escolhessem cinco filmes que, para si, representassem obras-primas incontestáveis.

A nata da blogosfera cinéfila portuguesa participou em grande número, incluindo nós os dois. Abaixo vos deixo as ligações para as nossas participações. Sintam-se livres de deixar a vossa opinião, quer seja lá, quer seja cá.

As Incontestáveis #14 - Jorge Rodrigues
As Incontestáveis #16 - João Samuel Neves



PERSONAGENS DA MINHA VIDA #12


Continuamos a caminhar para o fim das "Personagens da Minha Vida" (a ter lugar a 19 de Janeiro) e hoje trazemos a 12ª edição. Dizer só que os vídeos no YouTube têm que ser aprovados, o que demora algum tempo (além do tempo que demora fazer o upload deles todos; conto ter isso arrumado também a tempo de arrumar a rubrica).



"Se a minha vida fosse transportada para o ecrã, que personagem seria eu?"

O objectivo da rubrica é colocar as pessoas a pensar em personagens, tanto cinematográficas como televisivas, que partilhem características, sejam físicas ou psicológicas, com eles.



Desde já agradeço ao ANDRÉ MARQUES (Blockbusters PT) por ter aceite o convite.



- Personagens da Minha Vida #12 -




Passo a palavra ao André, para que ele explique então as suas escolhas:

 
DEXTER:
 
Devido à dualidade na vida existente de Dexter, eu sinto que essa marca forte na personagem se assemelha um pouco comigo em termos psicológicos, porque nunca mostro muito às pessoas como realmente sou (mas não ando para aí a matar pessoas xD).
 
MCLOVIN':
 
Pelo aspecto físico da personagem, porque todas as pessoas que viram o "Superbad" vêm ter comigo depois, e dizem que sou mesmo parecido com ele.
 
STEWIE:
 
Adoro o sarcasmo e o mal estar propositado e até um pouco diabólico do Stewie, e às vezes apetecia-me ser como ele, ou seja, ainda uma criança.
 




(vídeo no YouTube: EM BREVE)


As Personagens voltam amanhã...

PERSONAGENS DA MINHA VIDA #11


E já em contagem decrescente para o fim das "Personagens da Minha Vida" (a ter lugar a 19 de Janeiro, provavelmente, um mês exactamente depois de ter começado), apresento-vos a 11ª edição.



"Se a minha vida fosse transportada para o ecrã, que personagem seria eu?"

O objectivo da rubrica é colocar as pessoas a pensar em personagens, tanto cinematográficas como televisivas, que partilhem características, sejam físicas ou psicológicas, com eles.



Desde já agradeço ao GONÇALO TRINDADE (Ante-Cinema) por ter aceite o convite.



- Personagens da Minha Vida #11 -






Passo a palavra ao Gonçalo, para que ele explique então as suas escolhas:


Explicar estas escolhas é, para mim, um pouco impossível e até um pouco desconfortável. Escolhi um grupo de seis personagens com as quais me identifico a nível pessoal, em termos de personalidade, e colocá-las aqui é, desde logo, dar a entender a todos a forma como eu me vejo a mim mesmo e como imagino que os outros me vêem. Se explicar muito detalhadamente o porquê de me identificar tanto com a personagem A ou B, acabo por me expor um pouco mais do que gostaria. Encarei este desafio a um nível bastante pessoal; todas aquelas são personagens com as quais me identifico a nível pessoal, personagens onde vejo traços da minha personalidade ou da minha história pessoal. Fisicamente, não sou particularmente parecido com nenhuma delas.

Charles Foster Kane pela ambição, pela ambiguidade, pela complexidade inerente a ele, a mim e a qualquer um de nós. Um homem é nada mais nada menos que a soma das suas contradições, e Kane era o exemplo vivo disso. Identifico-me com ele tal como, creio, qualquer um se identificará até certo ponto.


Jesse pela inocência e ingenuidade, pelo ideal da juventude demonstrado tanto por ele como pelo filme em que entra (o primeiro do díptico). Sou jovem, ele é jovem, e identifico-me com muito daquilo que diz e sente. É um ideal com cabeça, tronco e membros, tal como o somos todos nós com esta idade.


Ted Mosby por todo aquele universo que habita, onde as banalidades se transformam em coisas épicas, e onde a cultura pop está ao virar de cada esquina. Tenho com o meu grupo de amigos conversas por vezes bastante parecidas com aquelas que ele tem com o seu. Digo frequentemente que, com as piadas que eu digo e com as conversas que tenho, a minha vida às vezes parece uma sitcom... e é verdade. Além disso, a forma como encara as relações é, até certo ponto, semelhante à minha. Mas não entremos por aí... Basicamente, temos no geral personalidades parecidas, tanto na espontaneidade como aos problemas a que isso por vezes leva, e identifico-me com ele e com o universo que habita.


Inspector Jacques Clouseau porque sou das pessoas mais patetas e desastradas existentes à face da Terra. Quem é meu amigo sabe bem que isto é verdade, e sou uma verdadeira fonte de gargalhadas. Acontece-me frequentemente de tudo desde partir coisas, a ir contra postes, a cair no metro enquanto transportava um pacote de batatas fritas com molho e estas acabarem por me cair em cima (e eventualmente da Pacabei quase decapitado pelas portas da carruagem), a ter saídas tão parvas que parecem, de facto, saídas de um destes filmes do Pink Panther e da sua personagem principal. Até tenho sotaque, como o Clouseau. Só percebe quem me conhecer.


J.D pelo tipo de amizade que tem com o Turk, muito parecida com a que tenho com alguns (poucos) grandes amigos, e também por todo aquele humor cheio de referências e por toda aquela imaginação da personagem que por vezes o faz ficar a olhar para o ar, algo que me acontece mais que o aconselhável. Temos muito o mesmo tipo de humor, e partilhamos certos traços de personalidade. E aquele humor, aquele humor...


William Miller pela relação com a música. Escrevo neste momento para seis locais diferentes (?!), e só num deles (Ante-Cinema) me dedico ao Cinema, sendo este ainda assim o tema sobre o qual tenho mais experiência de escrita. Entrevisto regularmente músicos, vou com muita (demasiada?) regularidade com acreditação a concertos aos quais faço crítica, e vivo em grande parte para escrever sobre e viver essa arte. Gosto tanto de escrever sobre cinema tanto quanto sobre música, claro, mas escrever sobre o segundo é uma experiência mais envolvente (na forma como exige, e não só) e directa; afinal de contas, ver um filme e ir a um concerto são coisas bastante diferentes, tanto a nível físico como psicológico. No ano passado chegou a ser a loucura de ir a cinco ou seis concertos por semana durante meses inteiros, e é sempre muito exaustivo quanto se chega a casa às duas ou três da manhã (ou frequentemente bem mais tarde, dependendo do local onde se foi ver o concerto...*ahem* Musicbox *ahem*) e se tem ainda um texto para escrever durante a noite que tem de estar já publicado na manhã seguinte. Nessas alturas, deitar-me não antes das cinco da manhã é regra, sabendo bem que no dia a seguir me espera um dia de aulas na faculdade. Escrever sobre música é cansativo, envolvente, e viver esse tipo de vida dá uma adrenalina e um prazer enorme. É-me impossível não me identificar com Will, para quem de certa forma a música significa o mesmo que para mim (repito: gosto tanto de escrever sobre cinema quanto sobre música, e até acho que me safo igualmente bem em ambos, mas escrever sobre música e fazê-lo regularmente é uma experiência diferente; mas ambos significam para mim o mesmo, e ser-me-ia impossível escolher entre os dois). Tenho a imensa sorte de poder escrever sobre as duas artes que mais adoro e que tanto me definem, e se em Almost Famous tudo aquilo fosse no meio do cinema, o nome de Will ainda aqui estaria. Mas seria diferente. Bastante diferente. Sou como Will, a experimentar a vida que quero ter, fazendo aquilo que adoro (sem tanta droga e nudez à mistura...). E estou a adorar cada segundo. Não passo, afinal de contas, de um puto que escreve sobre algo que adora, tentando viver isso ao máximo. É, afinal de contas, por isso mesmo que estou agora a escrever isto, aqui.


E que sorte tenho eu por o estar a fazer.






(vídeo no YouTube: EM BREVE


E que sorte temos nós de te ter a escrever. Mais PERSONAGENS aí virão.