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DIAL P FOR POPCORN

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GOSFORD PARK (2001)



"I haven't a snobbish bone in my body!"

A aristocracia britânica nunca teve tanta pinta como no fenomenal "Gosford Park", o penúltimo filme do grande Robert Altman, mestre director de actores, autor consagrado de brilhantes obras-primas como "Nashville", "The Player" ou "Short Cuts". Altman, cujo estilo experimental parecia, à primeira vista, uma combinação desastrosa com o controlado e meticuloso período aristocrático, surpreende todos com um filme que não só é inteligente, audacioso e divertido como também uma análise sofisticada e bastante pejorativa ao sistema de classes hierárquicas britânicos. Pelo meio, Altman reúne um grupo de actores de incontornável talento que só engrandecem ainda mais o resultado final da película. Com Altman, "Gosford Park" não é só o retrato de um homicídio que decorre durante uma festa. É ser convidado para essa mesma festa e poder testemunhar e tirar conclusões por nós mesmos.


"Gosford Park" passa-se então em Novembro de 1932, na luxuosa mansão de Gosford Park, na qual os seus proprietários, Sir William McCordle (Michael Gambon) e Lady Sylvia (Kristin Scott-Thomas) juntaram vários familiares e conhecidos para um fim-de-semana de caça e convívio. Entre os convidados encontrava-se a irmã de William, Lady Constance Trentham (Maggie Smith), uma velha snobe e empertigada com mania de endeusamento que só atura o irmão pela pensão mensal que este lhe dá, o seu primo Ivor Novello (Jeremy Northam), uma estrela de Hollywood que consigo traz o produtor Morris Weissman (Bob Balaban) - que procurava estudar uma família de classe alta britânica como base para o seu próximo argumento - e o seu valete, Henry Denton (Ryan Philippe), as irmãs de Lady Sylvia, Lady Louisa (Geraldine Sommerville) e Lady Lavinia (Natasha Wightman), casadas respectivamente com Commander Anthony Meredith (Tom Hollander) e Lord Raymond Stockbridge (Charles Dance), nenhuma das duas - tal como a irmã - casou por amor mas sim por dinheiro.


Entretanto, no andar de baixo, os criados e servos da casa procuravam acomodar os serviçais que acompanhavam os respectivos convidados, tratados pelo nome do seu patrão, "de acordo com os velhos costumes que a casa segue". Assim, Henry passa a ser tratado por Mr. Weissman e conhecemos ainda a novata e inexperiente nestas lidas Mary , entretanto renomeada Miss Trentham (Kelly Macdonald) e Robert Parks Mr. Stockbridge (Clive Owen), que travam conhecimento com o pessoal da casa, liderado pela governanta, Mrs. Wilson (Helen Mirren), pelo mordomo Mr. Jennings (Alan Bates), pela chefe das camareiras, Elsie (Emily Watson), pela cozinheira Mrs. Croft (Eileen Atkins), pelo chefe dos valetes, Probert (Derek Jacobi) e por Mr. Croft, o faz-tudo (Richard E. Grant). Confuso com tanta personagem? Não há confusão possível - porque Altman nunca nos permite saber mais do que é necessário para apreciar a personagem. Aqui não é preciso compreender os seus motivos - é só deixar-se levar pelos incidentes. E há, de facto, diversos incidentes ao longo das duas horas de enredo. Como já mencionei, Sir William, um homem desprezível e rude, de quem depende (ingratamente) toda a família, é assassinado após o jantar, quando se retira para a sua biblioteca para descansar em paz depois de um jantar algo enervante. 


O filme flui de forma impressionante, sem momentos aborrecidos e envolvendo-nos e tornando-nos cúmplices das histórias e das vidas de cada uma destas pessoas. Faz-nos sentir que nos encontramos realmente a jantar com a nata da aristocracia britânica ao mesmo tempo que parecemos sentir-nos em casa no andar de baixo, a ouvir detrás das portas e a guardarmos os segredos tanto dos patrões do andar de cima como dos serventes do andar de baixo. Toda a gente tem segredos ("Everybody has something to hide", como muito bem diz Probert) - mas, curiosamente (e Altman usa e abusa ironicamente deste pormenor), ninguém tem vida própria. Todos os empregados parecem satisfeitos e contentados com a vida que têm e todos os aristocratas do andar de cima se sentem felizes com esta vida de fingimento e de secretismo na qual tudo o que parece não é. Uns com problemas financeiros, outros com traições e adultério, todos à sua maneira têm problemas. Até o par de investigadores que vem resolver o crime parece saído de um folhetim ou telenovela: o investigador Thompson (Stephen Fry) é o típico chefe incompetente, mais preocupado em passear o seu pomposo ar e fumar o seu chique cachimbo do que procurar por pistas, cometendo até o faux pas de se virar para os empregados da casa e dizer "não se preocupem, ninguém do andar de baixo me interessa, não são ninguém importante". Já Dexter, o seu assistente, aponta incessantemente potenciais pistas em busca de ser elogiado mas acabando sempre ignorado.


Servido com um sentido de humor apudaríssimo a puxar o sardónico, a imaginativa e inteligente construção da narrativa de "Gosford Park" é um verdadeiro testemunho à qualidade do argumento de Julian Fellowes e à visão de Robert Altman, que criou esta ideia com Balaban e explorou a fundo as suas potencialidades. Este filme, que quase se pode considerar (erradamente, aviso) uma versão cinematográfica do grande jogo de tabuleiro Cluedo, é uma autêntica lufada de ar fresco no género de prestige/pedigree britânico que tipicamente nos oferecem as terras de Sua Majestade todos os anos. O revolucionário Altman não deixa que isso aconteça, criando faísca e mobilidade em todas as suas cenas, acompanhando vários personagens ao mesmo tempo, de forma fluída e confiante, como se realmente estivesse na sala com elas e nos estivesse meramente a mostrar o que observa.


Um enorme director de actores, Altman pega no potencial talento em bruto que tem e faz magia. Ninguém consegue convincentemente retratar aristocratas com ironia ácida e pedantes rabugentos como Maggie Smith, da mesma forma que ninguém expressa tão bem uma resposta torta como Maggie Smith - o interlúdio entre ela e quem está sentado à sua mesa, enquanto Novello toca piano, é genialmente cómico; a forma como ela numa primeira fase inocentemente diz "Do you think he'll take just as long as he usually is?" e, mais tarde, quando o aplaudem ela veementemente diz "Don't encourage him!" é tudo o que precisamos saber da personagem. Aliás, as interacções entre ela e Novello são dos momentos mais hilariantes de toda a trama, com ela, que não suporta o charme e a presunção dele, a pô-lo no seu lugar relembrando os seus últimos filmes como fracassos e, à mesa, referindo que ninguém dali veria os seus filmes, portanto não haveria porquê discuti-los com eles. Helen Mirren, Kristin Scott-Thomas, Emily Watson, Michael Gambon, Clive Owen e Kelly Macdonald cumprem imaculadamente os seus papéis e até Ryan Philippe me surpreende pelo à vontade e pela lata do seu personagem. Contudo, sendo este um largo elenco e todos com oportunidades de brilhar, é um grande desserviço estar a seleccionar uns e não outros. Maggie Smith é claramente o destaque - mas não é a única. A fotografia e a banda sonora são sumptuosas e delicadas, tal como a película requeria, todavia aqui o verdadeiro herói - em termos técnicos - é Squyres, o editor, que cola na perfeição todas estas interacções e nunca nos faz saltar um batimento.


Labiríntico, claustrofóbico, denunciador, "Gosford Park" é um filme completamente ao estilo de Robert Altman, ainda que não pareça à primeira vista: é um filme bem mais preocupado com as personagens, as situações e os seus sentimentos do que com o fio narrativo. Até o assassinato passa para segundo plano, tal é a diversidade de conversações que podemos presenciar, das confusões que podemos testemunhar, dos segredos que podemos desvendar. 


Nota:
A-

Ficha Técnica:
Realizador: Robert Altman
Ano: 2001
Argumento: Julian Fellowes, Robert Altman, Bob Balaban
Fotografia: Andrew Dunn
Banda Sonora: Patrick Doyle

Críticas Rápidas


Bom, há que explicar primeiro a ideia deste post: uma vez que não tenho tempo para criticar todos os filmes numa razoável extensão, eis que optei por escolher os melhores ou os mais proeminentes e escrever sobre eles e deixar para segundo plano os restantes, pegando neles desta forma. Seguindo o conceito de "crítica rápida", não escreverei mais de duas-três frases por filme, realçando apenas os principais aspectos positivos e negativos de cada um.



ALL GOOD THINGS (B-): Ryan Gosling e Frank Langella um pouco abaixo do que podem fazer, mas Kristen Dunst brilhante. A história não faz muito sentido por vezes, contudo o filme é fascinante. Andrew Jarecki a provar o que os seus dois filmes anteriores adivinhavam: está ali um senhor realizador. 



 
BURIED (B-): Talvez o pior dos nossos pesadelos. Boas decisões do realizador Rodrigo Cortés. Uma interpretação surpreendente de Ryan Reynolds, a demonstrar instinto dramático, se bem que numa personagem francamente limitada.


BURLESQUE (B-): Um filme cheio de disparates e clichés mas, mesmo assim, não tão mau como o pintam (ou estavam à espera que fosse). Gigandet e Aguilera não são bons actores, isso é certo. Bell, Tucci e Cher compensam largamente. E o momento da balada de Cher faz o filme.


EMBARGO (B): Estive imenso tempo para fazer uma crónica completa a este filme e acabei por ficar-me só por isto. "Embargo" é curioso. É o melhor elogio que posso fazer ao filme. O filme de António Ferreira representa um passo em frente no cinema português, fabricando um filme inteligente, divertido e de boa qualidade. 



GET LOW (B): "Get Low" é, acima de tudo, o show de Robert Duvall. Uma interpretação monstruosa. E a cena do discurso... das melhores que vi este ano. Não é um filme genuinamente triste nem inspiracional (como o tentam vender), mas é um filme que vale a pena ver.



GOING TO DISTANCE (B-): Incrível química (óbvio que são namorados na vida real) de Drew Barrymore e Justin Long. Uma comédia que me impressionou devido à inúmera quantidade de clichés e 'plot holes' em que podia ter caído facilmente e aos quais conseguiu fugir. Bravo.


HOWL (B): Alan Ginsberg parece ter sido uma personagem feita à medida de James Franco. Uma brilhante interpretação, num filme recheado de pequenos grandes papéis (Jon Hamm, David Strathairn, Jeff Daniels, Alessandro Nivola, Mary-Louise Parker e Aaron Tveit). Mesmo quando a história foge ao objectivo e perde um pouco a qualidade, Franco é carismático o suficiente para nos agarrar a atenção sempre.



I LOVE YOU PHILIP MORRIS (B): No que poderia parecer à primeira vista uma comédia inapropriada sobre gays, acaba por ser do mais engraçado e agradável que vi nos cinemas este ano. Ewan McGregor e em particular Jim Carrey a trabalhar milhas acima do argumento.



LOLA (B+): Depois de "Kinatay", eis que Brillante Mendoza nos traz mais um grande filme. Esta história de duas avós a lutar pelo que é melhor para os netos apanhou-me de surpresa, porque nunca pensei que um filme com uma história tão simples pudesse ser tão poderoso, tão envolvente, tão especial. Provou-me o contrário.





OF GODS AND MEN (B): Não vou mentir se disser que tinha grandes esperanças neste filme. Afinal, estamos a falar do escolhido francês para seguir os passos de "Entre Les Murs" e "Un Prophète" na corrida aos Óscares. Infelizmente, o filme desiludiu-me. É um grande filme à mesma, mas não é de todo tão interessante ou avassalador como os dois títulos que o precederam. Uma história bem explorada, um elenco de qualidade, contudo parece falhar o objectivo.



RED (B-): Comédia engraçada mas (quase) sem sentido nenhum. Helen Mirren, John Malkovich, Bruce Willis e Morgan Freeman a divertir-se com o peso da idade é sem dúvida interessante, mas de resto... Mais nada salva o filme.


SALT (B-): Importa dizer, desde logo, que este filme tem de ser avaliado como o filme de acção que é. O argumento é curioso (nada de especial, mas para um filme de acção, bem acima da média). Angelina Jolie sente-se como peixe na água (alguém notou a falta do Tom Cruise? Eu não.), dando energia, poder e convicção ao papel e Philip Noyce realiza um filme de acção que de facto se pode orgulhar.





SECRETARIAT (C+): Que dizer mais desta cópia aborrecida do "Seabiscuit" que é tão pretensiosa que nem se apercebe das grandes incongruências da sua história? Querem-me explicar qual o ângulo da "impossible true story" que o poster promete? Será o da doméstica rica que com pouco mais para fazer decide comprar um cavalo, investir num dos maiores treinadores no ramo e fazer uma fortuna quando ele ganha as três provas de maior renome? Deve ser. Uma história impossível E verídica. Enfim. É preciso ter pachorra. Ao menos Diane Lane está razoável. Pena que só lhe dêem papéis destes e um "Unfaithful" surge a cada dez anos.





WHITE MATERIAL (B+): Fiquei enfeitiçado pela filmografia de Claire Denis em 2008 com o formidável "35 Shots of Rum". Surpreendeu-me ainda mais quando vi o "Beau Travail" que é de 1999. Portanto, é óbvio que já estava à espera de boas coisas quando vi "White Material". E não me desapontou. Uma intepretação soberba de Isabelle Huppert transcende o filme, que já por si é brilhante. Claire Denis é, simplesmente, um dos melhores realizadores que por aí anda.



YOU AGAIN! (C+): Novamente Kristen Bell com outras duas veteranas (Weaver e Lee Curtis) a compensar uma parte fraca (continuo a não perceber como Odette Yustman continua a ter trabalho em Hollywood). Uma comédia como muitas outras. A diferença desta está no magnífico elenco que arranjou (a juntar-se às quatro mencionadas temos Garber, White, Chenoweth e o novo achado, James Wolk). Vale a pena, mais não seja para ver Betty White.


E vocês? Viram alguns destes filmes? Que pensam?

Críticas Rápidas

Este é um dos artigos que tenho cá há séculos por despachar. Bom, há que explicar primeiro a ideia deste post: uma vez que não tenho tempo para criticar todos os filmes numa razoável extensão, eis que optei por escolher os melhores ou os mais proeminentes e escrever sobre eles e deixar para segundo plano os restantes, pegando neles desta forma. Seguindo o conceito de "crítica rápida", não escreverei mais de duas-três frases por filme, realçando apenas os principais aspectos positivos e negativos de cada um. 


Dogtooth (B+) : Bizarro, intenso, visualmente impressionante. Uma experiência fascinante com o selo muito pessoal do realizador Lanthimos. Merecedor de todos os elogios que tem recebido e mais alguns. Potencial nomeado para os Óscares se a Academia estiver em dia bom.


Fish Tank (B): Tive imensa pena de não ter apanhado "Fish Tank" aquando do Fantasporto mas acabei por vir a vê-lo mais tarde. Irrepreensível trabalho de Andrea Arnold, uma história simples mas extremamente bem contada e uma excelente interacção entre Fassbender e a brilhante protagonista Katie Jarvis. Numa corrida mais leve, tanto um actor como outro poderiam ter lugar entre os nomeados.


Green Zone (B): Fizeram bem em adiar o filme de Paul Greengrass para 2010, ele que era tido como um dos grandes candidatos a nomeações o ano passado - isto é, até surgir "The Hurt Locker". O pano de fundo é o mesmo, mas o tema e a teia são diferentes. Matt Damon completamente à vontade num papel que lhe assenta particularmente bem e um filme de guerra bem explorado por parte de um realizador que já nos habituou a grandes pequenos feitos (ver: "United 93")


Hachiko: A Dog's Story (C): Possivelmente o filme mais overrated do ano inteiro. Apanharam-me desprevenido e fui obrigado a vê-lo. Demasiado preocupado em busca do sentimentalismo e do cliché, demasiado indiferente a criar um bom enredo e a gestacionar uma boa história. Richard Gere é agradável, tudo o resto - incluindo o cão e (gasp!) Joan Allen - dispensa-se.


I Am Love (B+): Tilda Swinton. Cada vez mais te adoro. Não bastou já teres dado a melhor interpretação, feminina ou masculina, do ano passado ("Julia"), ainda vais a caminho de ser uma das melhores também em 2010. E se relembrarmos que foste brilhante em 2008 ("Burn After Reading" e "The Curious Case of Benjamin Button") e 2007 também ("Michael Clayton") e que tens sido sempre awesome há já vários anos, que mais posso eu te pedir? Fotografia belíssima e uma história exemplar. E Itália. Nunca há que descontar este factor.


Iron Man 2 (B-): Uns furos abaixo do primeiro (mas também como igualar aquilo?) mas com uma qualidade a nível de argumento bastante superior. Scarlett Johansson surpreendeu-me pela positiva, já Mickey Rourke... não. Robert Downey, Jr. com uma exibição bem abaixo da que exibiu no primeiro filme (de novo, também difícil de igualar) mas ainda assim muito satisfatória.


Kick-Ass (B): Difícil de caracterizar. Como adaptação de BD, é excelente. Como filme, é um pequeno falhanço. Em termos de interpretações, um sucesso. Em termos de temas abordados, um desastre. E desculpem-me mas se for por este filme que avaliamos o talento de Chlöe Moretz... Por mim está reprovada. Bem melhores que ela temos a Abigail Breslin, a Dakota Fanning e a Saoirse Ronan. Dito isto, palmas para Matthew Vaughn. Boa realização.


Killers (F): O que é que eu hei-de te fazer, Katherine Heigl? Desperdiçar o teu talento em comédias medianas com realizadores sem qualquer indício de talento comédico? (nem sei como é que dele saiu "Legally Blonde"!) Check. Escolher outro sem talento como o Ashton Kutcher para co-protagonista? Check. Ser completamente obnóxia durante a inteira duração do filme? Check. Queres dar comigo em doido?


Management (B): A primeira boa surpresa do ano de 2010. Jennifer Aniston e Steve Zahn impecáveis nos seus papéis. Boa química. Uma comédia com genuína piada. Um tema ainda pouco explorado nas comédias românticas do tipo trágico. Não exagera na dose.


Me and Orson Welles (B): Christian McKay numa das melhores interpretações de 2010 - um deliciosamente animado Orson Welles. Zac Efron finalmente num papel em que não é insuportável (direi, até, que mostra rasgos de talento). Claire Danes completamente fora de tom. Richard Linklater de volta à forma antiga.


Prince of Persia (C-): Uma perda de tempo absoluta. Não tem qualquer valor, aparte de ter dado a Jake Gylenhaal um gostinho do que é ter uma franchise com relativo sucesso. Conhecendo a Disney, dificilmente não teremos uma sequela.


Red (B-): Como explicar... Helen Mirren com armas de grande porte nas mãos; John Malkovich e a sua loucura e imprevisibilidade à solta; Bruce Willis a fazer o que sabe melhor, juntando-lhe um interessante timing comédico; e um senhor chamado Morgan Freeman. Todos a gozar com a sua velhice, todos a divertirem-se, todos em papéis bastante diferentes do que habitualmente interpretam. Awesomeness.



Robin Hood (B-): Nova parceria de Ridley Scott e Russell Crowe, não tão bem sucedida como a de 2000 e não tão interessante como a de 2008. Cate Blanchett não faz nada de particularmente importante no filme, juntando-se à mediocridade que paira pela película inteira. Um filme engraçadito mas que me deixa com um amargo de boca. Não havia nenhuma necessidade de fazer esse filme.


Shoot Me (D+): Se isto é produto da nova geração de realizadores do cinema português, mais vale resignar-nos a nova década de insignificância. Algumas pechas de real talento na realização, bom enquadramento e ângulos na fotografia, mas péssima direcção de actores (Maria João Bastos numa das piores interpretações da carreira) e uma história ridiculamente básica.


Shutter Island (B): A primeira desilusão de 2010 chegou, inesperadamente, das mãos do fabuloso Martin Scorcese. Um filme que nem parece um filme, soa mais a experiência. E se de facto me entreti nos devaneios da mente do prodigioso realizador, que nos testa os sentidos a cada segundo que o filme se revela, o resultado final é... decepcionante. Leonardo DiCaprio, com uma interpretação razoável mas indigna do seu gigante talento, lidera um elenco de notável e indiscutível qualidade (Patricia Clarkson, Emily Mortimer, Michelle Williams, Ben Kingsley e Mark Ruffalo). Ilógico, confuso, mas visualmente e criativamente inesquecível.


The Box (D): Um desastre de monumentais dimensões, este "The Box". Richard Kelly destrói um filme para o qual eu tinha legítimas aspirações e que falhou redondamente em suscitar em mim qualquer tipo de reacção positiva. O mal já começou no casting (só Langella é opção acertada; Cameron Diaz e James Marsden a milhas do que se pretendia) e continuou nos restantes aspectos do filme. Horrorosa desilusão.


The Switch (B): Nunca conseguiria adivinhar o quanto eu gostei de facto deste filme. Bem, talvez isso tenha ver com três grandes factores: Jason Bateman é o primeiro. Juliette Lewis em versão diva/BFF burra é o segundo. E Jennifer Aniston versão Rachel Green com 40 anos é o terceiro. O facto da história conseguir fugir a todos os clichés das comédias românticas à excepção de um (a que era impossível escapar, na minha opinião) e de conseguir ser engraçada e ao mesmo tempo intelectual são grandes bónus.


Troubled Water (B+): Mais um formidável filme estrangeiro que 2010 (2009?) nos trouxe. O dinamarquês "DeUsynlige" é um belíssimo exemplo do que um drama tipicamente europeu deve ser: extraordinariamente bem fotografado, uma história simples, personagens ricos e complexos, uma excelente reviravolta e uma situação que nos faça pensar, que nos faça colocar no lugar das personagens (Como é possível uma vida reerguida ser destruída em segundos por um segredo terrível do passado? Fascinante).