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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

EMMY 2011: Melhor Série - Comédia

 

MELHOR SÉRIE - COMÉDIA

THE BIG BANG THEORY
GLEE
MODERN FAMILY
THE OFFICE
PARKS & RECREATION
30 ROCK

Uma categoria sem grande história esta, com os regressos (todos esperados) de "30 Rock", que continua uma das séries favoritas da indústria, com 13 nomeações para a sua quinta temporada, "Modern Family" que é a nova coqueluche, premiada o ano passado com o Emmy de Melhor Comédia e este ano aumentou o seu total de nomeações para 17, o que só pode significar maior aprovação para a comédia que este ano levou com algumas críticas mas que continuou quase tão engraçada como na primeira temporada, "The Office", que está aqui, muito provavelmente, pela ainda grande fidelidade que a Academia tem a Greg Daniels e a Steve Carell, que está a despedir-se da televisão, para já e finalmente "Glee", que se tem tornado tão falada que até quase já mete impressão. A segunda temporada não foi assim tão boa, com altos e baixos, mas continua a não haver nada como a série em televisão e só por isso merece ser nomeada. A estas juntou-se finalmente (!) "Parks & Recreation", a melhor comédia em televisão hoje em dia e "The Big Bang Theory", que anda a ser prevista nesta categoria há três anos e só agora, à quinta tentativa, conseguiu ser nomeada. É, das seis, a série com mais seguidores, mais fãs e mais audiências.


Quem ficou de fora:
Acho que só "The Big C" se pode queixar de ter sido ignorado, porque esperava-se que conseguisse ser nomeado. "Nurse Jackie", nomeado o ano passado, também pode ter fãs queixosos. Já outros - fãs de "Community", "Cougar Town", "Chuck", "Raising Hope" ou "Bored to Death" - devem sentir-se felizes por conhecerem séries tão boas ou melhores até que a maioria dos nomeados e que a Academia teima em nomear. Os Emmys não são, no fim de contas, assim tão importantes.
Quem devia ganhar:
"Parks & Recreation", a melhor comédia na televisão.

Quem vai ganhar: 
Este ano é ainda mais certo que em 2010: "Modern Family" vai coleccionar mais uns troféus este ano.


Lista de episódios submetidos:

THE BIG BANG THEORY
"The Herb Garden Germination" e "The 21-Second Excitation"
"The Justice League Recombination" e "The Engagement Reaction "
"The Love Car Displacement" e "The Agreement Dissection"

GLEE
"Audition" e "Silly Love Songs"
"Original Song" e "The Substitute"
"Duets" e "Never Been Kissed"

MODERN FAMILY
"Old Wagon" e "Someone to Watch Over Lily"
"Mother's Day" e "Caught in the Act"
"Manny, Get Your Gun" e "The Kiss"

THE OFFICE
"Andy's Play" e "China"
"PDA" e "Threat Level Midnight"
"Garage Sale" e "Good-Bye Michael" 

PARKS AND RECREATION
"Flu Season" e "Ron and Tammy: Part Two
"Fancy Party" e "Harvest Festival"
"The Fight" e "Li'l Sebastian"

30 ROCK
"When It Rains, It Pours" e "Live Show (West Coast)"
"Reaganing" e "Double-Edged Sword"
"Operation Righteous Cowboy Lightning" e "TGS Hates Women"

EMMY 2011: Actriz Secundária - Comédia e Drama



Melhor Actriz Secundária - Drama:




Christine Baranski, "The Good Wife"
Michelle Forbes, "The Killing"
Christina Hendricks, "Mad Men"
Kelly MacDonald, "Boardwalk Empire"
Margo Martindale, "Justified"
Archie Panjabi, "The Good Wife"




Quem ficou de fora: Só por não se terem esquecido de Margo Martindale nem merecem que eu me queixe. Penso também que não houve nenhuma exclusão gritante, se bem que adeptos de "Treme" poderão queixar-se por Khandi Alexander, adeptos de "Southland" por Regina King, adeptos de "Parenthood" por Mae Whitman e Monica Potter e os fãs de "Game of Thrones" por Emilia Clarke e Maisie Williams. Sinceramente, a omissão que mais me incomoda é a de Kiernan Shipka ("Mad Men") porque apesar de eu amar Christina Hendricks de coração foi Shipka que mais adicionou à série esta temporada. Que prodígio esta actriz infantil.

Quem devia ganhar: Não há grande discussão a haver aqui, pois Margo Martindale e Archie Panjabi estão bem acima das restantes nomeadas. E mesmo entre as duas, a interpretação de Martindale é colossal demais para estar em competição com alguém. Foi a melhor performance do ano em qualquer categoria, masculina ou feminina.

Quem vai ganhar: Para mim, é uma clara luta a três. Penso que Hendricks (escolheu "The Summer Man"), mesmo tendo vencido o Critics' Choice este ano, vai ter que esperar mais algum tempo para triunfar nesta categoria. O mesmo terá que ser dito de Baranski (optou por "Silver Bullet") que a juntar ao pouco tempo de ecrã não tem muito a fazer quando a câmara se foca nela. Depois temos Forbes, finalmente nomeada ao fim de tantos anos de trabalho de qualidade em televisão, que escolheu o piloto de "The Killing". Numa categoria mais fraca - sem Martindale, portanto - seria uma ameaça a temer. Assim sendo... O rótulo de novidade vai inteirinho para Margo Martindale (seleccionou "Brother's Keeper") que consegue, com a sua interpretação da sinistra e mafiosa Mags Bennett, ser temerosa e temerária, vulnerável e implacável, tudo em simultâneo. Brilhante. Se Martindale não vencer, será Panjabi, em princípio, que coleccionará novo Emmy. Ninguém apostava nela o ano passado e ela venceu. Este ano, o caso é bem diferente, pois é ela a favorita e a sua escolha de episódio ("Getting Off") comprova-o. E depois temos o curioso caso de Kelly MacDonald que quando a sua série terminou em Novembro era a favorita a vencer. Até chegar Martindale. Ainda pode ganhar, até porque o seu episódio é excelente e beneficia-a imenso ("Family Limitation") e ela até é anterior vencedora mas eu diria que Martindale roubou o buzz que tinha.

Assim, Margo Martindale é a minha previsão, com Archie Panjabi bem perto como outsider para vencer.


Melhor Actriz Secundária - Comédia:


Julie Bowen, "Modern Family"
Jane Krakowski, "30 Rock"
Jane Lynch, "Glee"
Sofia Vergara, "Modern Family"
Betty White, "Hot in Cleveland"
Kristen Wiig, "Saturday Night Live"

Quem ficou de fora: Bem sei que era impossível excluir Betty White da lista e consigo encontrar razões para Krakowski (que eu adoro) e Wiig lá estarem também, mas alguém sinceramente acha que elas são das melhores actrizes secundárias de comédia em televisão? Ninguém vê "Cougar Town", "Parks & Recreation" e "Community"? E "The Big Bang Theory"? Tem mais de doze milhões de espectadores por episódio! Já nem falo de "Hung" ou até "Happy Endings" ou "Raising Hope". Ou até mesmo "Glee". Há gente de valor em "Glee", mais até que Chris Colfer! Enfim. Tão simples que era: Busy Philips, Aubrey Plaza, Alison Brie. E tudo mudava para melhor.

Quem devia ganhar: Uma coisa complicada de definir. Se me perguntam quem tem mais qualidade, eu diria Wiig ou Krakowski. Se me perguntam em termos de temporada, Sofia Vergara. Mas se formos pelo episódio, Julie Bowen. Que também teve uma óptima temporada. E por isso devia ganhar.

Quem vai ganhar: Tragicamente, teremos a interpretação menos cómica da categoria a levar o troféu. De novo. Por um episódio bem fraco. Falo, claro, de Jane Lynch. Se em "Funeral" lhe é permitido mostrar a sua qualidade como actriz dramática, Kristen Wiig decidiu dar uma ajuda e, ao submeter o episódio de "SNL" apresentado por Lynch, apresenta uma perspectiva totalmente diferente da actriz de "Glee", verdadeiramente divertida e enérgica. Além do mais, ela apresenta os Emmys este ano. Fácil de fazer cálculos, não é? Se ela não ganhar, Betty White - que era, até ao dia de hoje, a minha prevista vencedora - é quem vai coleccionar mais um troféu. White - de longe a melhor coisa que saiu de "Hot in Cleveland" - submeteu "Free Elka", onde ela envergonha a também anterior vencedora - e célebre actriz - Mary Tyler Moore. O 'cavalo negro' da categoria é Julie Bowen. Seria Sofia Vergara - se esta soubesse escolher episódios (voltou a optar, tal como fez em 2010, por um episódio em que a sua personagem não só é insuportável, mas também pouco cómica). Este ano, teve ainda a particularidade de com  o seu episódio ("Slow Down Your Neighbours") ajudar a colega Bowen a fazer boa figura, ela que já tinha impecavelmente escolhido "Strangers on a Treadmill" para avaliação pela Academia. De resto, não me parece que os quase cinco minutos de tempo de ecrã de Jane Krakowski em "Queen of Jordan" e a qualidade habitual de Wiig - que, indiscutivelmente, tem demasiado talento para esse medíocre programa - sejam ameaça à favorita, Jane Lynch.

EMMY 2011: Actor Secundário - Drama e Comédia



Com a cerimónia dos Emmys a ocorrer mais logo (1 da manhã no AXN/Sony Entertainment), vamos tentar abordar as principais categorias e fazer algumas previsões, tal como já fizemos há uma semana para as categorias de Actor e Actriz Convidado (acertei 3 em 4, falhando apenas Loretta Devine).


Primeiro vamos falar da categoria de Melhor Actor Secundário - Drama.


Andre Braugher, "Men of a Certain Age"
Josh Charles, "The Good Wife"
Alan Cumming, "The Good Wife"
Peter Dinklage, "Game of Thrones"
Walton Goggins, "Justified"
John Slattery, "Mad Men"


Quem ficou de fora: Uma lista de nomeados de respeito, todos merecedores da nomeação, sem dúvida. Ainda assim, não percebo como a Academia, que concede 17 nomeações a "Boardwalk Empire", entre elas duas nomeações para actores, não consiga encontrar lugar para Michael Shannon ou Michael Pitt. Também o elenco masculino de "Parenthood" poderia ter merecido aqui alguma menção - e quem diz "Parenthood" diz "Southland", "Treme", "Sons of Anarchy" ou mesmo "True Blood". Agora há duas omissões que não posso perdoar: é muito lindo nomear Mireille Enos para Melhor Actriz, mas será que a Academia não viu o óbvio - e por óbvio quero eu dizer Joel Kinnaman, que é de longe o melhor intérprete da série? A outra omissão que me choca até me custa mencionar, tal é o número gritante de pessoas que passa a vida a queixar-se disso. Contudo, realmente, não havia lugar para John Noble ("Fringe") mas há para Andre Braugher? Por favor.

Quem devia ganhar: De entre os nomeados, eu teria que dizer ou Walton Goggins que teve uma temporada fenomenal ou Alan Cumming, que aproveita todos os minutos de tempo de ecrã que tem em "The Good Wife" para roubar cenas a Chris Noth ou a Julianna Margulies.

Quem vai ganhar: Andre Braugher tinha melhores hipóteses de vencer pelo episódio do ano passado, é verdade, mas tendo em conta que a sua série acabou, que ele é muito querido na indústria e é um anterior vencedor e que no seu episódio ("Let the Sunshine In") ele é espectacular, não me surpreenderia se vencesse. A sua situação, aliás, relembra-me a de Kristen Chenoweth em 2008, quando venceu por "Pushing Daisies". Em ambos os casos, eram a grande nomeação das suas respectivas séries, que tinham sido canceladas - para ira de muitos fãs - no ano anterior. Depois de o ano passado ter sido injustamente esquecido, Josh Charles beneficiou da subida de qualidade da sua série para conseguir uma nomeação este ano. O seu episódio é o menos fabuloso de entre os nomeados ("Closing Arguments"), não pela sua qualidade (porque o episódio é muito bom), mas porque lhe dá muito pouco que fazer. Já Alan Cumming, por exemplo, tem um episódio que o beneficia imenso ("Silver Bullet"). Ele é claramente o grande bónus da série, transformando momentos de drama pesado de "The Good Wife" com alguns toques de humor e comédia nunca perdendo a intensidade dramática. Tem boas hipóteses de ganhar, embora eu pense que o mais provável é que perca para um dos três senhores seguintes. John Slattery foi o claro favorito à vitória o ano todo e tido como coisa certa. Matthew Weiner proporcionou-lhe o seu melhor episódio até à data ("Hands and Knees") e Slattery não desaponta. Ainda acredito na sua vitória, embora agora pense que fica a perder quando comparado com estes próximos dois senhores. Peter Dinklage ("Game of Thrones") é o 'cavalo negro' da categoria. Tivesse escolhido outro episódio e eu dar-lhe-ia a vitória de caras. Não que em "Baelor" ele não seja impressionante à mesma, porque é; contudo, não é um episódio em que ele exiba várias das qualidades que tornaram Tyrion Lannister tão querido e tão amado pelos fãs. Chegamos, pois, finalmente a Walton Goggins. Se houvesse alguma justiça, o seu tresloucado e irresponsável Boyd era de longe o vencedor. Ele tem o melhor episódio ("The I of the Storm") e o que me dá esperança, acima de tudo, numa vitória dele é o facto do largo apoio da Academia à segunda temporada da sua série. Veremos o que acontece nesta categoria bem imprevisível.

Sem certezas, aposto em Peter Dinklage mas qualquer um dos seis pode vencer.



Abordando agora a categoria de Melhor Actor Secundário - Comédia:


Ty Burrell, "Modern Family"
Chris Colfer, "Glee"
Jon Cryer, "Two and a Half Men"
Jesse Tyler Ferguson, "Modern Family"
Ed O'Neill, "Modern Family"
Eric Stonestreet, "Modern Family"


Quem ficou de fora: Não querendo bater no ceguinho, sinto-me quase insultado que a Academia tenha optado por não se decidir quanto a quem expulsar dos actores de "Modern Family" e nomeado todos. Mais Jon Cryer que só cá está porque teve que aturar Charlie Sheen e ameaças de desemprego. E Chris Colfer que não tem um minuto de comédia em todas as suas cenas do episódio escolhido. E magoa-me quando penso que nesta categoria podiam estar Peter Facinelli ("Nurse Jackie"), Garrett Dillahunt ("Raising Hope"), Ian Gomez, Brian van Holt e Josh Hopkins ("Cougar Town"), John Benjamin Hickey e Oliver Platt ("The Big C"), John Krasinski, Ed Helms e Rainn Wilson ("The Office"), Ted Danson e Zack Galifianakis ("Bored to Death"), Danny Pudi, Chevy Chase e Daniel Glover ("Community"), Josh Cooke e Kurt Fuller ("Better with You"), Neil Patrick Harris e Jason Segel ("How I Met Your Mother"), Simon Helberg e Kunal Nayyar ("The Big Bang Theory") e sobretudo Adam Scott, Aziz Ansari e Nick Offerman ("Parks & Recreation"). Aliás, a exclusão de Ron Swanson é das piores decisões da Academia desde que me lembro. O que me vale é que provavelmente  o próprio Swanson cuspiria no troféu. De qualquer forma, dá para ver o quão ridícula eu acho que é a composição desta categoria.

Quem devia ganhar: Ty Burrell. Não há sequer outra opção. Eric Stonestreet virou tão ou mais caricatura que Sue Sylvester (Jane Lynch) em "Glee", Ed O'Neill não tem piada e Jesse Tyler Ferguson tem os seus momentos. Que são muito poucos. O que não quer dizer que os três não sejam eficientes nos seus papéis, que são. Mas nenhum deles tem o talento de Burrell que para mim já o ano passado devia ter vencido. Para meu pesar, aposto que esta categoria vai rodar pelo elenco de "Modern Family", cada um vencendo num ano diferente.

Quem vai ganhar: Esta categoria é muito fácil de explicar. Ed O'Neill vence se a Academia achar que foi vergonhoso demais ter-se esquecido dele o ano passado, já depois de uma dezena de anos a ignorá-lo por "Married with Children" (o seu episódio escolhido, "The Kiss", pertence mais a todos do que a ele, logo não será por aí que ele há-de ganhar). Chris Colfer vence se a Academia ficar impressionada pelo seu talento vocal (em "Grilled Cheesus", não há um pingo da sua interpretação que seja engraçada, sendo até bastante pesarosa e deprimente com a sua personagem a preocupar-se com a morte do seu pai e, num dos melhores momentos da temporada da série, a cantar-lhe uma canção agarrando a sua mão) e pelo melodrama que imprime na série. Eric Stonestreet vence se Ty Burrell não conseguir vencer, tal como o ano passado. Stonestreet escolhe bem episódios (este ano escolheu "Mother's Day"), ao contrário de Burrell ("Good Cop, Bad Dog") o que lhe pode valer novo Emmy, caso a Academia não nutra o mesmo amor por Burrell que a maioria dos fãs da série sente. Jon Cryer não vai vencer, apesar de ser bastante impressionante no seu episódio, "The Immortal Mr. Billy Joel". Finalmente, Jesse Tyler Ferguson é, se formos a ver pelos episódios, o favorito a vencer (ele escolheu "Hallowe'en"), embora seja também o menos interessante dos seis personagens adultos da série.

Assim sendo, aposto que Ty Burrell ganha, uma vez que mesmo não tendo escolhido um bom episódio, surge em bom plano nos cinco episódios escolhidos pelos seus colegas, todos nomeados, o que o poderá beneficiar imenso. A minha dúvida reside só e apenas na distinta possibilidade de os quatro actores de "Modern Family" poderem repartir os votos e acabar por ser Chris Colfer a triunfar.


Discutindo os Emmy 2011: Melhor Actor e Melhor Actriz - Comédia

A contar os dias para o anúncio dos nomeados para os Emmy 2011 - que ocorrerá esta quinta-feira 14 de Julho, venho oferecer a minha opinião sobre quais os candidatos mais fortes nas principais corridas e tentar a minha sorte no jogo preditivo, tal e qual como faço para os Óscares. Para concluir, deixo-vos ficar com a minha opinião sobre Melhor Actor e Melhor Actriz - Comédia.

MELHOR ACTOR - COMÉDIA



PREVISÃO:
Alec Baldwin, 30 Rock
Steve Carell, The Office
Rob Lowe, Parks & Recreation
Joel McHale, Community
Matthew Morrison, Glee
Jim Parsons, The Big Bang Theory


A categoria menos interessante de prever e seguir, dada a falta de candidatos para os seis nomeados, é mesmo Melhor Actor - Comédia. Não é portanto surpreendente que a grande maioria de nós que prevê os Emmy esteja a apostar que quatro dos seis nomeados do ano passado retorne; os dois lugares que faltam terão de ser ocupados por novos nomeados uma vez que Shalhoub terminou a sua cruzada em "Monk" e "Curb Your Enthusiasm" não emitiu episódios em 2010 para Larry David poder submeter.
Steve Carell encerrou a sua última temporada em "The Office" em grande, gerando grande buzz para finalmente clamar vitória ao fim daquela que será a sua sexta nomeação consecutiva. Alec Baldwin ("30 Rock") e o vencedor de 2010, Jim Parsons ("The Big Bang Theory"), continuam tão ou ainda mais populares que o ano passado e portanto é certíssimo que vão amealhar a sua quinta e terceira nomeações, respectivamente. A eles se deve juntar Matthew Morrison ("Glee") não pela qualidade da sua interpretação mas sobretudo pela falta de alternativas viáveis ao lugar. Apesar disso, tal como a sua proeminência na série, também aqui há uma franca possibilidade de Morrison ficar de fora em detrimento de alguém que é um verdadeiro protagonista.

O mesmo problema terá Rob Lowe em "Parks & Recreation", ele que nem sequer é o actor secundário com maior tempo de ecrã. Contudo, a jogada inteligente de se submeter em Melhor Actor e não em Melhor Actor Secundário, onde enfrentaria competição dura - até da sua própria série - pode ser um sucesso. Esta seria uma boa oportunidade da Academia premiar "Parks & Recreation", mesmo que não seja propriamente merecida. Além disso, funcionou para Lowe em 2001 quando fez o mesmo em "The West Wing". Outros dois antigos nomeados que poderão estar de volta são os dois "Friends", Matt LeBlanc ("Episodes") e Matthew Perry ("Mr. Sunshine"). O segundo não terá grandes hipóteses, até porque a sua série foi cancelada (nem vamos voltar a esse assunto; só dizer que eu acho que foi o melhor actor em comédia em 2010-2011). Já o primeiro... Troquei-o agora à última da hora por Joel McHale, o que diz tudo sobre aquilo que penso das suas possibilidades. Embora nunca tenha percebido bem como, a Academia adorava Joey Tribbiani, tendo dado a LeBlanc três nomeações (2002-2004) e portanto é bem capaz de lhe dar outra por interpretar uma versão exagerada dele próprio. No entanto, não estou a ver outras categorias em que "Episodes" possa ter impacto, o que me leva a pensar que também ele será esquecido.

Devendo ter ficado mesmo à beira de uma nomeação em 2010 e com a sua série a atingir níveis ainda maiores de sucesso crítico, Joel McHale ("Community") é a minha última aposta para a lista dos nomeados. A sua popularidade vem a crescer e muita gente considerou injusto a sua exclusão em 2010, ainda para mais com ele a apresentar os nomeados. Tudo isto a juntar a uma categoria fraca de qualidade... Dará nomeação. Provavelmente. Ou então não. A série não é propriamente fácil de digerir e não é sem dúvida para qualquer pessoa. Na mesma situação de McHale está outro homem que muitos julgavam ser possível ver nomeado em 2010, Thomas Jane ("Hung"), que voltou a ser nomeado para o Globo de Ouro mas que provavelmente se vai voltar a ver ignorado pela Academia.

Das séries estreantes, há que ter um olho em cima de Louie C.K. ("Louie"), Billy Gardell ("Mike & Molly") e Lucas Neff ("Raising Hope"). Só o primeiro me parece ter possibilidade de ser nomeado mas nunca se sabe.

Com hipóteses mais remotas temos Johnny Galecki ("The Big Bang Theory"), sempre na sombra do mais ousado Jim Parsons na série; o polémico Danny McBride ("Eastbound and Down"); Neil Flynn ("The Middle"); Josh Radnor ("How I Met Your Mother"); Jason Schwartzmann ("Bored to Death") e Zachary Levi ("Chuck"). E claro que nunca podemos excluir David Duchovny ("Californication") da conversa, até porque ele tem quatro nomeações anteriores - se bem que nenhuma por esta série, pela qual contudo ele venceu dois Globos de Ouro.




MELHOR ACTRIZ - COMÉDIA




PREVISÃO:
Toni Collette, United States of Tara
Edie Falco, Nurse Jackie
Tina Fey, 30 Rock
Laura Linney, The Big C
Martha Plimpton, Raising Hope
Amy Poehler, Parks & Recreation


Edie Falco ("Nurse Jackie", 2010), Toni Collette ("United States of Tara", 2009) e Tina Fey ("30 Rock", 2008), as últimas três vencedoras da categoria, estarão certamente de volta ao certame este ano. Da restante lista de nomeados, resta-nos Julia-Louis Dreyfus cuja série foi cancelada o ano passado e portanto novo nomeado terá que ser encontrado, Lea Michele ("Glee") e Amy Poehler ("Parks & Recreation"). Estas duas últimas têm boas possibilidades de repetir a nomeação, embora tal possa não acontecer. Eu aposto que a última repetirá quase de certeza, até porque a sua série só melhorou ainda mais (ao contrário de "Glee"), a sua interpretação ainda é mais admirada (ao contrário da de Michele, excepto o trabalho vocal que sim é impressionante) e a sua série tem muito para crescer ainda (ao contrário da de Michele, que conseguiu dezassete nomeações em 2010). Por tudo isto, Amy Poehler deve-se juntar às outras três acima (claro que Michele também o poderá fazer; é, neste momento, para mim, o sétimo lugar da tabela).


Quem também tem lugar garantido - e até previsivelmente a vitória - é Laura Linney, que decidiu este ano voltar à televisão para protagonizar "The Big C", que fala de Cathy, que descobre que tem uma forma terminal de cancro e que tem apenas um ano para aproveitar a vida que lhe resta. Material irresistível para os ouvidos e olhos da Academia, pois claro.

Depois, na luta pelo sexto lugar com a supra-mencionada Michele, temos duas veteranas que tiveram este ano um surpreendente sucesso com as suas respectivas séries - Martha Plimpton ("Raising Hope") e Melissa McCarthy ("Mike & Molly"). Eu aposto na primeira, que anda há muito a tentar a transição entre o teatro (onde é uma estrela) e a televisão (onde é consideravelmente reconhecida mas nunca totalmente abraçada pelos seus pares) e que finalmente consegue um papel no qual brilha, numa série quirky de um criador que já trouxe a uma antiga colaboradora (Jaime Pressly, "My Name Is Earl") um Emmy e num canal que conseguiu, com "Raising Hope", voltar ao estilo das boas comédias familiares perdido com o fim de "Malcolm in the Middle". A última tem a seu favor o facto da sua série ser um sucesso de audiências (o que na CBS não é, contudo, grande feito), ter tido uma onda de sucesso recente (efeito "Bridesmaids") e o bónus de ir apresentar os nomeados hoje - embora não tenha surtido efeito para Joel McHale o ano passado, sete dos últimos 8 apresentadores (portanto desde 2008) foram nomeados também nesse ano. Será, portanto, pelo menos de desconfiar a inclusão de McCarthy aqui, até porque Joshua Jackson, o outro apresentador, não terá hipótese de figurar nos nomeados da sua categoria (Melhor Actor - Drama).

A competir com estas três temos outras três actrizes no topo da sua forma, criticamente aclamadas e consideravelmente respeitadas no seio da Academia. Courteney Cox é a única dos "Friends" que nunca foi nomeada e infelizmente continuou essa senda em 2010, com "Cougar Town" a ser ignorada pela Academia. Em 2011 parece continuar a ser essa a sua sina, por muito merecida que já seja essa maldita primeira nomeação. Também Patricia Heaton foi ignorada o ano passado, ela que já tem dois galardões em casa por "Everybody Loves Raymond". "The Middle" gerou de facto mais interesse este ano e solidificou a sua posição na quarta-feira de comédia da ABC, a ponto de ter sido logo renovada para uma terceira temporada. Acredito que ela terá votos, mas serão eles suficientes? Não me parece. Finalmente, a terceira actriz que quero referir é Kaley Cuoco, para muitos o segundo maior talento comédico a sair de "The Big Bang Theory" (após Jim Parsons, claro) e que tem muito crédito por parte dos seus pares. Infelizmente, ninguém dessa série salvo Parsons tem conseguido uma nomeação e parece que a tendência é para continuar. Com muita pena minha.

Outras possibilidades incluem Jennifer Finnigan ou a Joanna Garcia, embora "Better With You" tenha sido cancelada, "Better With You" poderá trazer a nomeação e Billie Piper, que pode finalmente receber a nomeação há muito merecida agora que "Secret Diary of a Call Girl" terminou. Também há ainda que ter em conta as senhoras de "Desperate Housewives" e Mary Louise Parker ("Weeds"), antigas nomeadas, se bem que as suas séries parecem ter definitivamente saído do radar.


Discutindo os Emmy 2011: Melhor Série - Comédia


A contar os dias para o anúncio dos nomeados para os Emmy 2011 - que ocorrerá esta quinta-feira 14 de Julho, venho oferecer a minha opinião sobre quais os candidatos mais fortes nas principais corridas e tentar a minha sorte no jogo preditivo, tal e qual como faço para os Óscares. A próxima: Melhor Série - Comédia.

MELHOR SÉRIE - COMÉDIA


PREVISÃO:
"30 Rock"
"Glee"
"Hot in Cleveland"
"Modern Family"
"Nurse Jackie"
"The Office"

Esta categoria tem dois nomeados fortíssimos, cada um por razões diferentes mas independentemente disso seguros que irão conseguir a sua segunda nomeação: "Glee" e "Modern Family". Também será entre estes dois que a luta decorrerá para vencer. A eles se deve juntar "30 Rock" que irá para a sua quinta nomeação consecutiva e que, após três vitórias consecutivas, cedeu o ano passado o título a "Modern Family" e tem vindo a cair ligeiramente em popularidade e "The Office", que pelo menos este ano ainda deverá constar da lista dos nomeados, naquele que foi o ano de despedida da sua estrela, Steve Carell.

"Curb Your Enthusiasm" não emitiu episódios este ano e por isso alguém novo terá de entrar para o seu lugar. O sexto nomeado em 2010 foi "Nurse Jackie", que terá bastante dificuldade em repetir o feito, dado o facto da sua segunda temporada ter decaído um pouco em qualidade em relação à primeira. Ainda assim, estou a prever que se mantenha, sobretudo porque a concorrência, embora de peso, não é bem tida em conta na Academia.

"The Big Bang Theory" ocupa a linha da frente para ser nomeado há já três anos, desde que o buzz que paira sobre a série vem aumentando de forma ensurdecedora. Ainda assim, perdeu o lugar para "How I Met Your Mother" em 2009 e para "Nurse Jackie" em 2010, algo que ninguém previa em ambas as ocasiões. Assim não dá para não desconfiar que será este ano que finalmente será nomeada - embora seja bastante possível que aconteça. O mesmo se passa com "Parks & Recreation", que apesar de merecer já o ano passado constar dos seis nomeados, só Amy Poehler é que conseguiu a nomeação para Melhor Actriz. Todo o mundo espera que este ano a série se safe melhor - até porque é, para muitos (incluindo eu), a melhor comédia na televisão actual. A elas se junta "Community", a série mais criticamente aclamada dos últimos dois anos, que muita gente admira mas que não conseguiu favores o ano passado na Academia - e da qual se espera mais em 2011. Veremos.

Entre os nomeados anteriores que entretanto saíram da lista, não há nenhum que me pareça talhado a regressar, embora tenham que ser tidos em conta à mesma: afinal, "Entourage" sempre conseguiu três nomeações e "Weeds" duas e mesmo "Family Guy" e "How I Met Your Mother" surgiram em 2009 batendo adversários de grande peso, tornando-se a primeira série animada e a primeira série de duas câmaras a serem nomeadas em muito tempo.

Das novas séries, há duas que merecem que se preste atenção: "The Big C" tem muito buzz para a sua estrela, Laura Linney, que pode trazer atrás de si nomeações extra, como muita gente pensa ter sucedido com Edie Falco e "Nurse Jackie" o ano passado, curiosamente também da Showtime; e "Hot in Cleveland", de regresso ao tradicional formato de sitcom com laugh track e com actrizes de renome, lideradas pela carismática Betty White de regresso de forma regular à televisão. Suspeito que esta combinação de tradição com o peso dos nomes do elenco será impossível de resistir à Academia, apesar de não me surpreender se for outro o sexto nomeado. "Raising Hope", "Mike & Molly", "Louie" e "Episodes" são outras séries novas que têm possibilidade de serem tidas em consideração, embora eu não tenha muita esperança que sejam. A elas se juntam "The Middle", que até potencialmente merecia um lugar entre os seis nomeados, mas que a Academia ignorou em 2010 apesar de ter Patricia Heaton, duas vezes vencedora do Emmy por "Everybody Loves Raymond", no elenco.

Discutindo os Emmy 2011: Melhor Actor Secundário e Actriz Secundária - Comédia

A contar os dias para o anúncio dos nomeados para os Emmy 2011 - que ocorrerá esta quinta-feira 14 de Julho, venho oferecer a minha opinião sobre quais os candidatos mais fortes nas principais corridas e tentar a minha sorte no jogo preditivo, tal e qual como faço para os Óscares. Pego agora em Melhor Actor Secundário e Melhor Actriz Secundária em Comédia.

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIA - COMÉDIA


PREVISÃO:
Julie Bowen, Modern Family
Jane Krakowski, 30 Rock
Jane Lynch, Glee
Sofia Vergara, Modern Family
Betty White, Hot in Cleveland
Kristen Wiig, Saturday Night Live 

Do grupo de nomeadas do ano passado, Sofia Vergara e Julie Bowen ("Modern Family") e a vencedora Jane Lynch ("Glee") irão certamente repetir a nomeação, até porque as suas séries continuam populares e as suas interpretações ainda são agradavelmente relembradas. Jane Lynch tem ainda como bónus o facto de ser a apresentadora da cerimónia deste ano, algo que só a fará ganhar mais votos e reconhecimento. A elas deve-se juntar a rejuvenescida Betty White que, aos oitenta e nove anos, monta um comeback que só tem paralelo com o de Meryl Streep na sétima arte. "Hot in Cleveland" pode não ser para todos, mas o seu estilo tradicional e o facto de ter no seu elenco Betty White, um dos pilares da televisão das últimas quatro décadas, ajuda. Além disso, o resto do elenco também é bastante reconhecido, daí que não me surpreendia se mais alguém conseguisse ser nomeada; provavelmente a mais forte candidata será Wendie Malick, mas Jane Leeves e Valerie Bartinelli também são possibilidades.

Estou a arriscar um pouco nas restantes previsões ao apostar que Jane Krakowski ("30 Rock") e Kristen Wiig ("Saturday Night Live") vão manter o seu estatuto de nomeadas por mais um ano quando não é como se "30 Rock" e "Saturday Night Live" - e particularmente o seu papel nelas - tenham ganho fãs. Wiig terá provavelmente mais hipóteses de manter o lugar do que Krakowski, uma vez que a sua incursão mais recente no cinema ("Bridesmaids") foi um sucesso estrondoso e também porque o tempo de ecrã de Krakowski foi bastante reduzido este ano em "30 Rock".

A principal vantagem delas é que as candidatas de luxo desta categoria têm todas handicaps difíceis de combater. Busy Philipps e Christa Miller ("Cougar Town"), Alison Brie e Gillian Jacobs ("Community"), Mayim Blahik ("The Big Bang Theory") e Aubrey Plaza e Rashida Jones ("Parks & Recreation") teriam todas lugar cativo na minha linha da frente de candidatas dado o seu brilhante trabalho esta temporada, mas a verdade é que as suas séries têm mostrado dificuldade em conseguir muitas nomeações (embora estas fossem merecidas) e portanto mais um ano deve passar sem que elas sejam reconhecidas. As maiores candidatas, depois das supra-mencionadas, talvez sejam Phyllis Sommervile ("The Big C"), que está numa série que será definitivamente visionada pela Academia e talvez possa benificiar do estatuto de provável vencedora de Laura Linney na categoria de Melhor Actriz (o mesmo se passa com Oliver Platt) e Vanessa Williams, que decidiu continuar a espalhar a sua diva interior agora pelas ruas de Wisteria Lane em "Desperate Housewives". Outras potenciais candidatas a ter em consideração são Kathryn Joosten ("Desperate Housewives") que já venceu anteriormente por este papel em Melhor Actriz Convidada e que agora é candidata como Melhor Actriz Secundária, Anne Heche, Jane Adams e Rebecca Crestoff ("Hung"), Kaitilin Olson ("It's Always Sunny in Philadelphia"), Merritt Wever ("Nurse Jackie") que não percebo como não foi nomeada o ano passado, ainda por cima com "Nurse Jackie" a conseguir nomeação para Melhor Série,  Allison Janney ("Mr. Sunshine"), Holland Taylor ("Two and a Half Men") e Jenna Fischer ("The Office").

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO - COMÉDIA


PREVISÃO:
Ty Burrell, Modern Family
Chris Colfer, Glee
Neil Patrick Harris, How I Met Your Mother
Ed O'Neill, Modern Family
Oliver Platt, The Big C
Eric Stonestreet, Modern Family
 
Já na categoria de Melhor Actor Secundário, as contas são mais simples. A única coisa que é difícil de estimar é mesmo a proporção do domínio da categoria pelos homens de "Modern Family". Depois das confusões do ano passado, Ed O'Neill deve-se juntar aos seguríssimos Eric Stonestreet e Ty Burrell na categoria, podendo ou não (eis a questão) ter como companhia o também nomeado o ano passado Jesse Tyler Ferguson. A minha aposta é que este fique de fora para dar lugar a O'Neill, apesar de tal poder não acontecer. A questão então seria: quem terá que sair para dar lugar à entrada de O'Neill? 

Chris Colfer ("Glee") não será, até porque a sua personagem é mais popular que nunca e ele é considerado o favorito à vitória, a par de Burrell. Neil Patrick Harris ("How I Met Your Mother") ainda não venceu este troféu nesta categoria, apesar da sua interpretação de Barney Stinson ser das coisas mais lendárias da última década em televisão. Provavelmente manter-se-á na discussão até à última temporada de "How I Met Your Mother" para então ser premiado (ou até a série decair substancialmente em qualidade, o que está prestes a acontecer), portanto penso que deverá manter-se nomeado, embora não me choque se for deixado de fora.

Quem deverá abandonar a lista de nomeados é Jon Cryer ("Two and a Half Men") que, com tudo o que se passou este ano, terá sorte se a sua série, quando voltar, se mantiver com o sucesso de audiências que ainda possuía. Os Emmys não serão o que o preocupa mais - embora esta situação e a boa vontade que daí possa surgir em seu favor o possa de facto beneficiar. Quem também não deverá voltar são os antigos nomeados Rainn Wilson ("The Office"), Jeremy Piven e Kevin Dillon ("Entourage"), Jack McBrayer e Tracy Morgan ("30 Rock").

Um antigo nomeado que estará potencialmente de volta é Oliver Platt, que depois de conseguir duas nomeações consecutivas por "Huff" retorna agora com "The Big C", beneficiando em muito do estatuto de favorita de Laura Linney na categoria de Melhor Actriz, o que vai impulsionar muitos votantes a visionar a série e possivelmente a considerar outras nomeações, como a dele. Também John Benjamin Hickey, de "The Big C", não deve ser posto de parte.

Tal como na categoria de Melhor Actriz Secundária, aqui haviam outros candidatos com bastante qualidade e que mereciam ser incluídos, mas estão em séries que ainda não encontraram favores na Academia, como Danny Pudi, Donald Glover e Chevy Chase ("Community") e Ted Danson ("Bored to Death"). Também Jason Segel ("How I Met Your Mother"), John Krasinki e Ed Helms ("The Office") e Simon Helberg e Kunal Nayyar ("The Big Bang Theory") não têm conseguido buzz pelas suas interpretações, apesar das suas séries serem bem vistas pela Academia e terem inclusive nomeados nas categorias de interpretação, se bem que para os seus elementos mais... impressionantes, digamos. Finalmente, quem devia absolutamente ser tido em conta - e que é o candidato mais forte a ocupar um dos seis lugares depois dos seis que mencionei serem as minhas previsões - é Nick Offerman, que rouba cenas a torto e a direito na melhor comédia do ano ("Parks & Recreation") e que, se houvesse justiça, já tinha sido nomeado o ano passado e era o favorito a vencer neste. Também Aziz Ansari e Chris Pratt, da mesma série, deviam ser tidos em consideração.

Globos de Ouro 2011 - Comentários às Nomeações (Televisão)

Depois de revelados os nomeados, depois de ponderar neles, é tempo de fazer a minha apreciação. Peço desculpa por ter demorado tanto tempo, mas mais vale tarde que nunca.

Começamos pelas categorias de TELEVISÃO:


Melhor Série - Drama
BOARDWALK EMPIRE
DEXTER
MAD MEN
THE GOOD WIFE
THE WALKING DEAD

Comentário: Continuando a tradição de abraçar de peito aberto as novas séries, os Globos decidiram trocar o sobrenatural "True Blood", a decair em popularidade com os Globos de Ouro, pelo sobrenatural "The Walking Dead" (que por só ter meia-dúzia de episódios, pensava que iam considerar em mini-série) e colocar merecidamente "Boardwalk Empire" entre os nomeados, por troca com "House", que finalmente abandona os nomeados. "Dexter" e "Mad Men", séries em topo de forma, seguram o seu lugar e "The Good Wife" vence o braço de ferro com os Globos de Ouro (que o ano passado só tinham "notado" Margulies), com múltiplas nomeações este ano.


Vencedor: "Mad Men" continua tão boa aposta como antes, mas parece-me que este ano passa a pasta para "Boardwalk Empire" ou até "The Good Wife".



Melhor Série - Comédia/Musical
30 ROCK
GLEE
MODERN FAMILY
THE BIG BANG THEORY
THE BIG C
NURSE JACKIE

Comentário: Categoria muito interessante, com "The Office" a ser completamente ignorado este ano, excepção feita a Carell, como sempre. "30 Rock", "Glee" e "Modern Family" retornam com o seu buzz habitual, às quais se junta a nova série comédica do momento, "The Big C" e, algo que igualmente me surpreende e alegra, "Nurse Jackie" e "The Big Bang Theory" a estrearem-se com nomeações de relevo, algo de inédito em particular para o segundo caso, que nem nos Emmy havia logrado tal feito.

Vencedor: Como aqui o vencedor passa normalmente a pasta ("The Office" foi o único que venceu duplamente a categoria esta década, em 2007 e 2008), veremos "Glee" a passar o testemunho a "Modern Family" ou até mesmo "The Big C".


Melhor Actor - Drama
Steve Buscemi, BOARDWALK EMPIRE
Jon Hamm, MAD MEN
Michael C. Hall, DEXTER
Hugh Laurie, HOUSE M.D.
Bryan Cranston, BREAKING BAD




Melhor Actriz - Drama
Katey Sagal, SONS OF ANARCHY
Elizabeth Moss, MAD MEN
Julianna Margulies, THE GOOD WIFE
Piper Perabo, COVERT AFFAIRS
Kyra Sedgwick, THE CLOSER

Comentário: Finalmente os Globos de Ouro a reconhecerem a qualidade de duas séries, "Sons of Anarchy" e "Breaking Bad", mesmo que seja só através dos seus dois actores. Katey Sagal e Bryan Cranston merecem-no. Margulies era óbvio que iria repetir (e é favorita para voltar a vencer), Sedgwick a mesma coisa. Continua a mania de "Mad Men" ter que repartir a riqueza na categoria de Melhor Actriz, seja nos Globos ou nos Emmy, com Elizabeth Moss a ocupar o lugar que por dois anos havia sido de January Jones (injustamente, diga-se, porque esta foi a melhor temporada de Betty Draper) e o voto populista levou a que Piper Perabo, ridiculamente, conseguisse uma nomeação nesta categoria onde todas as outras nomeadas são imensamente superiores. A restante categoria de Melhor Actor não tem outras surpresas, o que não é de admirar - porque estes cinco senhores são similarmente brlhantes, todos eles.

Vencedor: Hugh Laurie ganhou em 2006 (e 2005), Jon Hamm ganhou em 2007, Gabriel Byrne em 2008, Michael C. Hall em 2009 e portanto só resta Steve Buscemi ou Cranston. Como é o primeiro que tem a série em estreia, deve ser ele o vencedor.


Melhor Actriz - Comédia/Musical
Tina Fey, 30 ROCK
Edie Falco, NURSE JACKIE
Toni Collette, THE UNITED STATES OF TARA
Lea Michele, GLEE
Laura Linney, THE BIG C




Melhor Actor - Comédia/Musical
Alec Baldwin, 30 ROCK
Steve Carell, THE OFFICE
Jim Parsons, THE BIG BANG THEORY
Matthew Morrison, GLEE
Thomas Jane, HUNG

Comentário: Nas senhoras, temos todas elas (menos Julia Louis-Dreyfus, cuja série terminou) a repetir a nomeação aqui, depois de terem transitado com sucesso dos Globos de Ouro em 2010 para os Emmy também, com a troca pequena de Courteney Cox (injustamente roubada, uma vez mais, de uma nomeação, tanto aqui como nos Emmy) pela mulher a bater este ano em Comédia - Laura Linney. Nos senhores, os nomeados do ano passado repetem-se todos, promovendo-se só aqui a troca de David Duchovny (a perder gás) por Jim Parsons (imensamente merecida; provavelmente no seguimento da sua vitória nos Emmy).

Vencedor: Por algum motivo é o alvo a abater: Laura Linney chegou, viu e vem para vencer. E nos senhores, depois de quatro anos, se calhar é altura de Baldwin deixar o prémio para mais alguém, possivelmente será Jim Parsons ou (finalmente, até porque vai deixar a série) Steve Carell.


Melhor Actor Secundário
Scott Caan, HAWAII FIVE-0
Christ Noth, THE GOOD WIFE
Eric Stonestreet, MODERN FAMILY
Chris Colfer, GLEE
David Strathairn, TEMPLE GRANDIN



Melhor Actriz Secundária
Jane Lynch, GLEE
Sofia Vergara, MODERN FAMILY
Julia Stiles, DEXTER
Kelly Macdonald, BOARDWALK EMPIRE
Hope Davis, THE SPECIAL RELATIONSHIP

Comentário: Todos os anos acabo por ficar irritado com os Globos de Ouro e as categorias secundárias, pela escolha arbitrária de algumas interpretações e de outras não e pelo facto de colocar todos os actores secundários em dois sacos, só fazendo separação por sexo. Irrita-me isto, até porque na maioria das vezes os secundários são personagens (e interpretações) mais fascinantes que os protagonistas. Mas enfim. Considero que são dois bons grupos de nomeados, o de homens invariavelmente bem mais forte que o das mulheres. As múltiplas menções de Chris Colfer começam a embaraçar-me já, não só porque não acho que o papel seja assim tão complicado de interpretar como e sobretudo por ter sido nomeado na variante de Comédia/Musical, sendo que tudo o que envolve a sua personagem naquela série é Drama, não comédia. Aquilo é uma interpretação dramática. Dito isto, concordo com as menções de Strathairn, Stonestreet e Noth, de longe a personagem mais intrigante de "The Good Wife" (num elenco que poderia todo estar aqui - e seria merecido isso acontecer - nomeado). O voto populista em Scott Caan já é apanágio dos Globos de Ouro, acontecendo todos os anos (ver Simon Baker em 2009/2010 ou Piper Perabo este ano). Nas mulheres, Lynch é a única a repetir a nomeação e Davis é a única a transitar das categorias de Tele-Filmes e Mini-Séries dos Emmy. Vergara (merecidamente) junta-se ao lote de nomeados, que é completado pela decente escolha de MacDonald e pela não tão interessante escolha de Stiles. Baranski ou Panjabi ("The Good Wife") seriam infinitamente melhores escolhas. Ou Hendricks ("Mad Men").

Vencedor: Tendo sido roubada o ano passado, não há dúvidas que Jane Lynch é a favorita, com Sofia Vergara como uma interessante possibilidade. Para Actor Secundário, tudo em aberto, com Eric Stonestreet a ter uma (ligeira) vantagem.


Melhor Telefilme ou Mini-série
THE PACIFIC
CARLOS
TEMPLE GRANDIN
PILLARS OF THE EARTH
YOU DON'T KNOW JACK

Melhor Actor - Telefilme ou Mini-séri
Idris Elba, LUTHER
Ian McShane, PILLARS OF THE EARTH
Al Pacino, YOU DON'T KNOW JACK
Dennis Quaid, THE SPECIAL RELATIONSHIP
Edgar Ramirez, CARLOS

Melhor Actriz - Telefilme ou Mini-série
Claire Danes, TEMPLE GRANDIN
Hayley Atwell, PILLARS OF THE EARTH
Judi Dench, RETURN TO CRANFORD
Romola Garai, EMMA
Jennifer Love-Hewitt, THE CLIENT LIST

Comentário: Só deixar aqui duas notas: "Temple Grandin", "The Special Relationship" e "You Don't Know Jack" continuam a coleccionar prémios há quase mais de um ano. E "Carlos", o (supostamente) excelente filme de Assayas, como não pode ser reconhecido pela HFPA e pela Academia como Filme, ao menos tem ganho reconhecimento pela sua "transformação" televisiva.

Vencedor: Claire Danes para Melhor Actriz, Al Pacino para Melhor Actor e "Carlos" ou "The Pacific" para Melhor Mini-Série/Tele-Filme (se bem que qualquer um dos cinco na lista pode vencer).


EAT PRAY LOVE (2010)


"Attraversiamo". Esta palavra, que é como Liz (Roberts) se auto-define, no final do filme, e que usa para convidar Felipe (Bardem) para com ela atravessar o Pacífico e voltar a Nova Iorque com ela, já havia sido utilizada no início do filme numa cena sem qualquer interesse nem sentido, apenas para ilustrar o quão bonita é a língua italiana.


Infelizmente, "Eat Pray Love" também funciona assim - pega em cenas vindas do nada, atribuindo-lhes depois um significado desmesurado mais à frente no filme, como se fossem "eventos chave" que servirão de aprendizagem para Liz. Sem qualquer profundidade e cheio de futilidade, descreve-nos Itália através da comida e da união familiar, descreve-nos a Índia através da devoção religiosa e da contemplação meditativa e descreve-nos Bali como um eterno paraíso perdido entre as ilhas de Java indonesianas. Pelo meio, tenta manipular-nos com os eternos clichés sentimentalistas dos filmes tipicamente femininos - exactamente como o realizador Ryan Murphy faz na sua série televisiva "Glee" (embora aí a história seja parte menos fundamental que os números musicais, logo não importa muito para os fãs) -, tenta sensibilizar-nos para a experiência que Liz Gilbert vai tendo e tenta provocar em nós a vontade de também nós nos perdermos numa viagem destas. O que fica, duas horas e meia depois, é muito pouco.


Bom, o primeiro passo de Murphy foi conseguido: fazer-me identificar com a protagonista, com a sua auto-análise, fazer-me até concordar que uma mudança radical na sua vida é necessária, mesmo quando ela tem pura e simplesmente a vida que sempre quis, o marido que sempre quis e até a profissão que muitos desejariam ter. Mencionam-se discussões, menciona-se falta de entendimento entre os dois membros do casal, mas isso o filme nunca nos mostra. Ou porque está a querer ser condescendente connosco, ou porque acha que não interessa para nada (não sei, mas talvez me interessasse mais isso do que ver 30 minutos de comida italiana a ser-me atirada para a cara - não sei, talvez ajudasse a construir uma melhor caracterização da personagem principal, talvez desse para perceber o que correu tão mal na vida). Claro que no livro o assunto deve ter sido explorado muito melhor, mas isto é um filme e não é suposto eu ter que ler no subtexto (já nem digo entrelinhas, que este diálogo insípido não tem) coisas que Murphy devia ter-nos contado.


O problema de Murphy (passando agora para o segundo passo) foi não ter antevisto que ao não aprofundar a caracterização de Liz, tornou o personagem desagradável, insuportável e até mesmo detestável em certos momentos (então ela e os homens que lhe surgem, enfim). Julia Roberts trabalhou bem acima do material que lhe foi dado, isso é certo, conseguindo converter esta personalidade horrorosa que o argumento de Murphy lhe conferiu em desespero frântico e desejo de mudar de vida. Well done, cara Julia. Mas este problema de Murphy já não é de agora, como quem acompanha "Glee" e vê Lea Michele não ter pernas para andar com a terrível falta de personalidade da sua personagem, Rachel.


Vamos ao terceiro problema, que para mim é o pior. As personagens secundárias. Nenhuma (e friso o nenhuma), à excepção do texano Richard (Jenkins, numa interpretação cuidada, dedicada e sobretudo subtilmente complicada - isto é, com várias camadas de complexidade) que Liz encontra na Índia, contribui para ampliar a história. O marido Stephen (Crudrup) é puramente unidimensional e inacreditável; a melhor amiga Delia (Davis) de pouco mais serve - parece inicialmente servir de suporte mas não é em dois minutos de tempo de ecrã que conseguimos comprová-lo; David (Franco) é capaz de ser a pior personagem do filme; e Felipe (Bardem, com um brasileiro bacoco e terrível) é usado de todas as piores maneiras possíveis - será possível que alguém assim exista? Duvido muito. Já nem pego nas outras personagens secundárias estrangeiras, porque só servem para provar ao público a bipolaridade (queira-se dizer dualidade, vá) da protagonista.

Único real ponto positivo: a banda sonora. Dario Marianelli é um génio, já se sabe.

Depois de tudo considerado, penso que foi uma óptima oportunidade perdida. Senti-me definitivamente conectado com Liz, senti vontade de partir em viagem pelo mundo como ela e de facto admito que viajar com ela teria sido fabuloso - longe de fabuloso foi ver três horas de filme sobre isso. Que desperdício.



Nota:
B-/C+

Informação Adicional:
Ano: 2010
Realizador: Ryan Murphy
Argumento: Ryan Murphy, Jennifer Salt
Elenco: Julia Roberts, Javier Bardem, Viola Davis, Mike O'Malley, James Franco, Billy Crudrup, Richard Jenkins
Fotografia: Robert Richardson
Banda Sonora: Dario Marianelli

Revisão da Televisão em 2010: Parte 3

A nova temporada televisiva já começou e eu preciso mesmo de arrumar com a minha revisão das temporadas das séries em 2010. Vou então proceder à revisão das séries que vi em 2010 de seguida, em quatro posts (já disponível: #31-40 e #30-21; falta #1-10). Espero que deixem ficar a vossa opinião.


#20. BORED TO DEATH


Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: Ia dizer que era o melhor novo produto da HBO o ano passado mas esqueci-me de "Treme". Bem, posso dizer que é uma das melhores comédias do ano e uma refrescante surpresa. Humor negro q.b. (uma versão mais leve do humor típico de "It's Always Sunny in Philadelphia" e "Curb Your Enthusiasm") que tem realmente piada. Jason Schartzman, Zack Galifianakis e Ted Danson. Três personagens tresloucados, cada um pior que o outro. De que fala a série? De tanta coisa, mas principalmente relata as histórias de um escritor frustrado que decide embarcar na bizarra carreira de investigador privado. Com consequências imprevisíveis (e hilariantes), claro. A única desvantagem: só oito episódios. Mas foi renovada (e já estreou, aliás).

Melhor Episódio: "The Case of the Stolen Sperm" (1.07, B+).
Quem sobressaiu: Parece uma das estrelas do momento e tornou-se fácil referi-lo, mas de facto Zack Galifianakis evoluiu muito desde os dias de "True Calling" e esta personagem é de facto um espanto à custa dele.

#19. COUGAR TOWN



Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: Nunca esperaria eu que depois do fenómeno que é "Modern Family" viesse outra série com tanta qualidade como "Cougar Town" e uma interpretação comédica tão estupenda como a de Courteney Cox como a mãe divorciada e quarentona que tem que suportar os amigos malucos, o marido infantil e o filho único tão peculiar e que para piorar as coisas é tão doida como eles, Jules Cobb. A série começou mal, com uns cinco-seis episódios a gozar com o facto de Jules ter envelhecido, mas levantou-se depressa e logo que começou a focar-se mais no facto de Jules se encontrar agora, vinte anos depois, a descobrir de facto a vida, a série melhorou imenso. Diria até que nem parece a mesma. E este B+ poderia bem ser um B se eu fosse muito racional, mas "Cougar Town" não é racional. É divertido, é uma série que se pode ver com amigos, é uma série para apreciar, com o seu leve (e nada subtil) jeito de fazer rir.

Melhor Episódio: São tantos, mas "Finding Out" (1.24, B+) resume tudo aquilo que é Cougar Town: emoção, alma e amor.
Quem sobressaiu: Courteney Cox e Busy Phillips. É um empate. São as duas brilhantes. E já agora, um recado para a Academia: seis anos depois e mesmo assim ainda não há nomeação para Cox? Incrível.


#18. JUSTIFIED


Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: Além da excelência no diálogo, além das incrivelmente profundas caracterizações das personagens, além das magníficas escolhas de casting (Olyphant é perfeito para o protagonista Raylan, Carter e Searcy são excepcionais nos seus respectivos papéis também), além da história em si ser sensacional e sobretudo além da direcção, da fotografia, da música e da realização serem extremamente cuidadas, há só a dizer mais uma coisa: é uma série com a marca FX. Sim, a estação que nos trouxe "The Shield" e que hoje em dia nos dá "Sons of Anarchy". Portanto, selo de qualidade indiscutível.

Melhor Episódio: O piloto foi absolutamente sensacional (1.01, A).
Quem sobressaiu: Há séries que são brilhantes pura e simplesmente por causa do protagonista. É o caso desta. Timothy Olyphant foi roubado de uma nomeação nos Emmy este ano. Continuará a ser?


#17. FRINGE


Temporada: 2
Nota: B+

Crítica: Quem acompanha "Fringe" desde o início sabe que esta série não é nada convencional, sabe que se tem que ser mesmo fã e confiar nos argumentistas e sabe que se tem que ter paciência. Felizmente, a série contém tanto detalhe e tantas pequenas pérolas escondidas que é um prazer segui-la. Mais uma temporada volvida, de novo um início péssimo mas com melhorias evidentes no pós-ano Novo. Os novos segredos descobertos, as incursões pelo mundo alternativo e as novas referências mitológicas introduzidas são fascinantes e espera-se que ainda continue tanto por descobrir. Novamente temos John Noble brilhante mas Joshua Jackson e Anna Torv sofríveis e não me venham dizer que a culpa é dos personagens - os actores é que não têm, pura e simplesmente, qualidade suficiente para os papéis. E outra coisa que me irritou na série este ano: a constante angariação de fãs de outras séries de culto e de ficção científica (a Ana Alexandre fala disso mesmo na sua crítica no Split-Screen, se não me engano). "Fringe" é "Fringe", não é "X-Files" e não é "Torchwood".

Melhor Episódio: O trio final de episódios: "Northwest Passage" e o duplo episódio "Over There" (1.21, 1.22, 1.23, B+).
Quem sobressaiu: Mas haverá dúvidas que John Noble também já merecia alguma espécie de consideração? Será que algum dia os Emmy vão abrir-se para esta série?



#16: WHITE COLLAR


Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: A USA tem-me surpreendido com algumas das séries que escolhe produzir. "Burn Notice", "Covert Affairs", "Royal Pains", "Psych" e "Monk têm todas qualidades que as recomendam mas todas elas têm algo que eu não consigo deixar passar. Esse não é o caso com esta "White Collar", que tem sido transmitido insistente e repetidamente pela FOX portuguesa. A problemática relação entre o criminoso (que decide negociar com a polícia a sua prisão, oferecendo em troca a prisão de vários colegas criminosos e alguns  cúmplices) Neal Caffrey e o duro polícia Peter Burke, duas pessoas tão diferentes em personalidade e em abordagem à vida, é entretidíssima. Caffrey tem um carisma e Burke tem uma rudeza que dão um certo charme a ambas as personagens. Este jogo do gato e do rato podia esgotar-se rápido e tornar-se aborrecido, é verdade, mas a escrita e sobretudo o aparecimento de novas personagens não deixa isso acontecer. Uma temporada curiosamente bastante agradável de seguir e uma segunda temporada que promete (e que volta em Janeiro de 2011).

Melhor Episódio: Os episódios a meio da temporada, "Free Fall" e "Hard Sell" (1.07 e 1.08, B+).
Quem sobressaiu: Se bem que na segunda temporada esteve abaixo das expectativas, nesta temporada, Matthew Bomer foi demais.



#15: TREME


Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: Lembram-se do nome David Simon? Não? Mas talvez se lembrem da sua última série, "The Wire", que é reconhecida como a melhor série dramática de sempre da televisão? Pois. Ele este ano voltou à HBO com "Treme" e qual foi o resultado? O mesmo de "The Wire". Aclamada pela crítica, passou despercebida pelo público em geral e os Emmy olharam-na de lado, dando-lhe pouquíssimas nomeações e em categorias que quase não interessam. E, a comparação que mais me dói, é uma série quase tão boa como "The Wire" era. "Treme" conta a história de Nova Orleães no pós-furacão Katrina. Mas mais do que contar a história da cidade, conta a história de pessoas, pessoas normais como nós, pessoas que foram profundamente afectadas pela tragédia. E no meio disto tudo cria uma série sensacional de seguir e experienciar. Pena que pouca gente tenha notado.

Melhor Episódio: O piloto e o final, "I'll Fly Away" (1.01 e 1.10, A- ambos).
Quem sobressaiu: O elenco é que importa, mas tenho que realçar Khandi Alexander, tão longe dos seus dias de CSI (e tão merecedora de um Emmy... mas claro que nem nomeada foi) e John Goodman, tão diferente das personagens que ele costuma interpretar (e tão merecedor de um Emmy... mas claro que nem nomeado foi) .



#14. BETTER OFF TED


Temporada: 2
Nota: B+

Crítica: A melhor comédia do ano que ninguém viu. É, de facto, a melhor definição que podia dar à série. Interessante, divertida, cerebral, com um humor bastante peculiar (não chega a ser humor negro mas é humor intelectual, sem dúvida), uma comédia com cabeça, tronco e membros, com um elenco bestial, liderados pelos fabulosos Jay Harrington e Portia De Rossi, ambos fenomenais (em interpretações que mereciam Emmy, pois são incrivelmente melhores que os actuais vencedores, Parsons e Falco) e com uma escrita que muitos argumentistas sonhavam possuir, "Better Off Ted" tinha tudo para dar certo. Então, por que razão não resultou? Bem: o horário não ajudava; as audiências não eram boas; e a ABC não tem paciência para comédias inteligentes; e o público também não. Enfim.

Melhor Episódio: A série não chegou a acabar (faltavam 2 episódios para o fim) portanto não sei bem se seria a minha escolha, mas dos que foram transmitidos, "Lust in Translation" (2.10, A-) é o melhor. 
Quem sobressaiu: Portia De Rossi está uma grande comediante, coisa que se adivinhava desde "Ally McBeal" mas ninguém queria apostar.



#13. GLEE

Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: De vez em quando, surge na televisão uma série que põe toda a gente maluca. Foi assim com "Arrested Development", foi assim com "The Sopranos", foi assim com "Friends", com "Cheers" e por aí fora. E foi assim também que começou o fenómeno à escala mundial conhecido por "Glee", que curiosamente retrata a vida de um grupo de estudantes do coro escolar, apropriadamente (ou não) definidos como "a classe mais baixa da grande cadeia alimentar que é o ensino secundário" por Sue Sylvester, a horrorosa, rude e histriónica treinadora da claque do liceu. O que há em "Glee" para não se gostar? Alegria contagiante, grandes números musicais, personagens com os quais todos nos sentimos ligados, seja por que razão for (todos já fomos menosprezados e maltratados por alguém superior, não é verdade?) e diversão pura às mãos de Jane Lynch, que interpreta a maldosa treinadora da claque que acima já referimos. Além da série ser toda ela muito cómica, completamente abismal nalgumas histórias e de ter que ser vista de forma muito especial, porque algumas das coisas que lá ocorrem nunca se passariam da mesma forma na realidade. Mas porque é "Glee", a gente aguenta.

Melhor Episódio: O meu principal problema com "Glee" é o declínio que a série sofreu desde o seu trio inicial de episódios, o piloto (1.01, B+), "Showmance" (1.02, A-) e "Acafellas" (1.03, B+), embora "Vitamin D" (1.06, B+) tenha estado perto.
Quem sobressaiu: Esta é claramente uma série que dá primazia ao elenco, mas Jane Lynch é a grande estrela (Lea Michele seria uma boa segunda escolha, não fosse pelo facto da sua personagem estar a tornar-se completamente detestável).


#12. TRUE BLOOD

Temporada: 2
Nota: B+

Crítica: Alan Ball é um Deus. Consegue ser brilhante em termos de escrita, dinamismo e aproximação à história quer pegue em famílias aparentemente perfeitas à superfície mas que estão na verdade à beira do abismo, famílias à beira da ruína que cuidam de uma funerária ou vampiros amorais e hiperssexualizados que espalham o pânico no tranquilo deserto texano. "True Blood" não pode nunca ser levado muito a sério como drama, mas com certeza não é também essa a sua intenção. É uma série para se saborear, de uma tremenda qualidade, é certo, mas cujo objectivo é que os espectadores se envolvam, se deixem levar, se deixem contagiar. E não é uma série para todos. Depois de uma primeira temporada fantástica e de um final estrondoso, esta segunda temporada correspondeu às expectativas gigantes dos seus fãs (nos quais me incluo) com histórias fascinantes e com alguns desenvolvimentos que não estava nada a prever. Claro que quem é fã já viu a terceira temporada toda, mas isso fica para discussão daqui a mais algum tempo, sim?

Melhor Episódio: "Never Let Me Go" e "Release Me" (1.06 e 1.07, B+ ambos).
Quem sobressaiu: Deborah Ann Wool. Assustadora.


#11. COMMUNITY


Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: Que bela surpresa me reservou a NBC no seu famoso line-up de quinta-feira, que é como se sabe o lugar das suas comédias de excelência (das quatro, só uma, a que tem mais fãs, "The Office", é que eu não suporto; as outras são todas minhas predilectas). Desconfiei desta série desde o momento em que vi a (pouca) publicidade que ela teve, mas sem qualquer razão. "Community" é, em poucas palavras, genialidade e entretenimento. Todos os personagens parecem frescos, bem desenvolvidos e com capacidade para crescimento. Todos os argumentos parecem extremamente bem pensados e são o sonho de qualquer fã de cinema, de BD, de televisão e até de literatura, com inúmeras referências culturais, coisa que me agrada numa série. E mesmo o intelectualismo comédico presente é logo rebaixado pela comédia física o mais marada possível. É uma série com um elenco de luxo, com um criador que sabe do que fala (até porque é a sua história de vida) e com uma equipa de roteiristas que sabe o que faz. E uma emissora que soube ter paciência para ver a série evoluir e florescer.

Melhor Episódio: Não há forma de eu fugir ao episódio da guerra de paint-ball, pois não? Óbvio - "Modern Warfare" (1.23, A).
Quem sobressaiu: Alison Brie, Chevy Chase ou Danny Pudi, façam vocês a escolha. Para mim, os três são bestiais.

Vídeo promocional da nova temporada de "Glee"!

Eventualmente, farei uma colheita pela Internet dos promos todos da nova temporada televisiva. Provavelmente vou ter de o fazer antes de terminar com a minha revisão da última temporada televisiva, até porque a nova temporada já começou - se bem que as estreias em grande só são dentro de quinze dias. Mas vocês já sabem que de vez em quando, para uma ou outra série que me surpreenda com novidades, eu abro excepção e coloco logo no blogue. É este o caso.


Deixo-vos ficar com o vídeo promocional do ensaio fotográfico para os posters da nova temporada do hit comédico-musical da FOX, "Glee", que conseguiu 19 nomeações para os últimos Emmy e que saiu da cerimónia com dois prémios de relevo, Melhor Actriz Secundária (Lynch) e Melhor Realização (Murphy):


Por muito over-the-top e overrated que seja, por muito ridículas que algumas storylines sejam, por muito sem sentido que alguns desenvolvimentos que avançam e páram e que se anteriormente são tratados como se tivessem grande importância, são posteriormente ignorados por completo e afins e sobretudo por muito que esta série tenha atingido estatuto de culto por culpa da febre que tem invadido o mundo todo e que tenha colocado o raio da série num pedestal de onde esta parece confortável em estar (infelizmente, pois tornou-se grande demais para o seu bem), esta parece ser de longe a série de televisão onde os actores e todo o staff da equipa parecem divertir-se mais à grande. E este vídeo arrancou-me vários sorrisos.

Vá, então, um desejo: que esta segunda temporada de "Glee" volte aos bons velhos tempos dos primeiros episódios e que melhore substancialmente em tudo aquilo que fez errado, mantendo o que estava bem: os números, as músicas, a alegria e a inspiração.

A segunda temporada de "Glee" estreia 21 de Setembro na FOX.