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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

Previsões Óscares 2013 (I): Actor Secundário


Como habitualmente, esta promete ser uma categoria difícil de resolver (no que a nomeados diz respeito) mas fácil de premiar (o vencedor é - excepção feita ao ano passado - alguém que costuma fazer uma limpeza geral aos prémios todos do circuito). A categoria do ano passado, apesar de excitante de seguir pelo fluxo de gente a entrar e a sair a cada conjunto de nomeações e prémios anunciados e pelos múltiplos vencedores que foi tendo ao longo da época de premiações, acabou por reunir uma colecção de antigos galardoados com o prémio algo enfadonha, quando um bocadinho de colorido aqui e ali - McConaughey ("Magic Mike"), Samuel L. Jackson ou Leonardo DiCaprio ("Django Unchained") ou Javier Bardem ("Skyfall") - traria mais alguma diversidade e interesse à corrida. A vitória sorriu a Christoph Waltz, que reciclou para "Django Unchained" a sua personagem Hans Landa de "Inglorious Basterds". Pronto, o homem dá-se bem com diálogos do Tarantino - e daí? Quer dizer que o homem ganha um Óscar basicamente sempre que lhe apetece fazer por isso? Daqui a pouco é o novo Daniel Day-Lewis (já não falta muito, só mais uma estatueta).


Muitos dos homens mencionados acima voltam à corrida este ano. Matthew McConaughey terá uma temporada de campanha em cheio, porque seja como actor principal ("Dallas Buyers' Club") seja como actor secundário ("Mud" e "Wolf of Wall Street", provavelmente este último será a sua melhor hipótese, embora terá também que lutar internamente contra Jonah Hill, nomeado em 2011 e que poderá ter possivelmente nova hipótese), tem várias oportunidades para tentar a nomeação. Outro actor roubado de uma nomeação o ano passado  (podemos falar de duas consecutivas, contando com "Shame" o ano antes também) foi Michael Fassbender. O homem regressa à competição tanto em actor principal ("The  Counselor") como em actor secundário - e deverá ser nesta última que terá mais hipóteses, por "12 Years a Slave" de Steve McQueen. O papel clama atenção da Academia (vilão, crueldade para os escravos, filme de época, actor no timing certo - tudo aquilo que eles gostam nesta categoria). Veremos se pega. 


Um recente nomeado de volta é Mark Ruffalo por "Foxcatcher", o novo filme de Bennett Miller que promete fazer estrago na corrida - é um projecto pessoal do próprio (que conseguiu nomeações para filme, actor e um dos seus actores secundários para os seus dois primeiros filmes, "Capote" e "Moneyball"), é uma história verídica perturbante e conta com um elenco fantástico (liderado por Carell - já falado em actor principal, Ruffalo e Channing Tatum, outro com possibilidade de nomeação aqui). Ruffalo é querido pela indústria, já conseguiu o mais difícil - ser nomeado (2010), que parecia que nunca iria acontecer - e portanto pode pensar (o papel também ajuda) em repetir o feito. Outros nomeados recentes a ter em conta também são Bradley Cooper e Jeremy Renner pelo novo filme de O. Russell (se "American Hustle" provar ser tão diverso e dar tanto que fazer como os filmes prévios de O. Russell, é de esperar que algum dos actores secundários - entre Renner, Lawrence e Cooper - consiga um bom papel e respectiva nomeação), Matt Damon ou George Clooney (falta sabermos quem é o real protagonista de "The Monuments Men" e se haverá mais alguém do elenco secundário a roubar cenas, como Bob Balaban ou Bill Murray por exemplo) e Javier Bardem (que já venceu a categoria, tal como Clooney) e Brad Pitt por "The Counselor" de Ridley Scott. George Clooney tem ainda um papel secundário que desperta muita curiosidade em "Gravity" de Alfonso Cuarón (temo que este filme não vá resultar ou não vá ser do agrado da Academia, à la "Children of Men", mas Clooney e Bullock são mel para a crítica e para o grande público por isso pode ser que se dê bem) e Jeremy Renner obteve ainda boas críticas pela sua prestação em "The Immigrant" de James Gray, já discutido previamente. Também falado anteriormente em melhor actor mas de nota aqui é a interpretação de Josh Brolin em "Labor Day" de Jason Reitman - isto porque a interpretação pode tão facilmente ser considerada principal como secundária, como penso que irá acontecer - o que o fará (tendo em conta o papel), se o filme tiver sucesso, um dos favoritos a vencer.


Além da grande percentagem de regressos que comummente pautam as listas de nomeados aos Óscares todos os anos, constam sempre nomes novos (não o ano passado mas, como já referido, foi uma excepção).  Tony Danza ("Don Jon") numa espécie de prémio por uma carreira relevante na indústria (e parcialmente porque toda a gente gosta do homem), Will Forte ("Nebraska") se o filme cativar muitos membros da Academia e arrastar consigo algumas nomeações menos óbvias para lá de argumento, realizador, filme e actor - o mesmo é aplicável a Jared Leto ("Dallas Buyers Club"), Daniel Brühl ("Rush") porque todos os anos há sempre um actor com uma transformação física espantosa na conversação, Tim Roth ("Grace of Monaco") pelas mesmas razões de Will Forte só que muda actor para actriz - o mesmo se aplica a Steve Coogan ("Philomena") e a Benedict Cumberbatch ("August: Osage County"), se bem que este tem ainda o bónus adicional de estar no momento exacto e na transição para A-List para esta premiação suceder. Falta ainda referir o homem camaleão, um dos verdadeiros character actors da actualidade, que surge em vários filmes por ano e em todos é bom mas acaba sempre por não obter reconhecimento - será este o ano de John Goodman? E por que filme? "Saving Mr. Banks", "Inside Llewyn Davis" (pelas críticas, o mais provável) ou "The Monuments Men"?

Pergunta final: e começar a montar uma campanha para Ewan McGregor ser nomeado por "August: Osage County"? É que não é só "Moulin Rouge!", "Trainspotting", "Velvet Goldmine", "Shallow Grave", "Big Fish", "Young Adam"... Já vai numa sequência seguida de grandes interpretações - "I Love You Philip Morris", "The Ghost  Writer", "Beginners", "The Impossible"... Quanto mais tempo demorarem, Academia, maior é a vergonha...


Previsão dos nomeados:
Javier Bardem, "The Counselor"
Bradley Cooper, "American Hustle"
Michael Fassbender, "12 Years a Slave"
Matthew McConaughey, "Wolf of Wall Street"
Mark Ruffalo, "Foxcatcher"

"The Monuments Men" de Clooney ganha primeiro trailer...



E enganem-se os que pensavam que ia ser um dos grandes candidatos aos Óscares. Acho muito duvidoso e, depois do que já tinha ouvido da promoção, com este trailer, faz sentido. Penso que teremos uma boa história (como "The Ides of March"), com um bom elenco - "The Monuments Men" conta com George Clooney, Matt Damon, Bill Murray, John Goodman, Cate Blanchett e Jean Dujardin nos principais papéis - (como "The Ides of March"), que vai à procura do mesmo público-alvo de "Argo" (também produzido pela dupla George Clooney - Grant Heslov e, como se sabe, vencedor do Óscar de Melhor Filme o ano passado). Óscares? Só se o filme se tornar demasiado popular para ser ignorado. A ver vamos.

THE DESCENDANTS (2011)



"Paradise? Paradise can go fuck itself."


"Citizen Ruth". "Election". "About Schmidt". "Sideways". Este é o pesado legado que "The Descendants" teria de enfrentar e, como é óbvio, era impossível que fosse corresponder às expectativas de alguém que tem Alexander Payne em elevadíssima consideração e que toma todos os seus filmes como quase perfeitos no conceito e na execução.

"THE DESCENDANTS" conserva, ainda assim, alguns dos toques mágicos de Payne, saindo-se bastante bem com o local escolhido para a rodagem do filme (fotografia excepcional de Phedon Papamichael), com lindas e exóticas planícies havaianas, impacto auxiliado por uma banda sonora absolutamente inspirada que nos transporta facilmente para o ambiente acolhedor, pacato, quente dos trópicos. As interpretações são também bastante sólidas, se bem que estereotipadas: a personagem de Shailene Woodley nunca consegue soar a honesta ou genuína, a personagem de George Clooney tem graves problemas de caracterização - e, por muito que eu admire a qualidade e o talento de Clooney, resta-me sonhar com o que seria esse papel com um actor diferente, porque estou francamente farto que Clooney empreste fragmentos da sua verdadeira personalidade fora dos ecrãs aos filmes que faz - e mesmo Judy Greer tem de emprestar credibilidade a um dos piores personagens secundários que há memória este ano em filmes candidatos aos Óscares.


O problema principal do filme reside no seu argumento, uma pálida comparação em relação aos anteriores filmes de Payne: um argumento confuso, que não sabe bem o que quer, que nem é inteligente nem emocionante, que soa mais a pretensioso do que a autêntico, que transforma quase todas as personagens em indivíduos unidimensionais terrivelmente irritantes e insuportáveis, que espuma falsidade e procura, em vão, um equilíbrio (inexistente) entre o melodrama e a comédia. Preza-se - merecidamente, diga-se - Payne por criar situações e problemas intelectualmente estimulantes dos eventos mais banais do nosso dia-a-dia e com isso construir filmes dotados de razão e empatia, comédias para adultos que sabem conservar bem o toque dramático para deixar uma impressão final memorável do filme.


Em vez disto, em "The Descendants", o que temos é uma rábula de um homem de meia-idade - Matt King (Clooney) - em crise depois de ser informado que a sua mulher, em coma, será desligada das máquinas e que é obrigado a lidar com os diversos membros da família e providenciar suporte, de várias formas, a todos. Pelo meio, descobre a infidelidade da mulher através da filha mais velha, Alex (Woodley) e parte em busca do paradeiro do homem com quem a mulher o traiu, Brian Speer (Matthew Lillard), com a família toda atrás - a filha mais nova, Scotty (Amara Miller) e o abominável namorado da filha mais velha, Sid (Nick Krause). Consequentemente, arrasta para a confusão a mulher de Speer, Julie (Greer), tudo isto enquanto tenta resolver um negócio que tornará a sua família milionária.



A começar pela inglória e horrorosa narração de Clooney que empresta ao filme, logo nos minutos iniciais, toques de falsa emoção, continuando com o diálogo enfadonho e exageradamente melancólico ou irónico, consoante o caso, com personagens mal escritas que não parecem nunca pessoas verdadeiras, com problemas reais com os quais seja fácil criarmos empatia e familiaridade, com uma história que decide que o seu impacto emocional deve residir no desvendar da infidelidade e na forma como Matt lida com a situação, sem nunca nos dar qualquer hipótese de perceber como era o relacionamento dele com a mulher antes do coma, portanto nunca proporcionando forma de o espectador investir nessa relação, esperando somente que simpatize com o protagonista quando este, numa das últimas cenas, chora ao despedir-se da mulher e terminando na tentativa ridícula de santificação do protagonista ao longo de todo o filme através desta jornada de suposta auto-realização, luto e convalescença que este atravessa, nunca perdendo uma oportunidade de apontar todos os erros que a mulher cometeu mas esquecendo-se que na narração inicial Matt é o primeiro a admitir que cometeu muitos erros no seu casamento.


É realmente um testemunho à qualidade de Clooney como actor que ele saia deste filme intocável e com a melhor interpretação da carreira, cheia de nuance e personalidade, mesmo que não resista em imprimir o seu cunho pessoal na personagem (à semelhança do que fez em "Michael Clayton", "Up in the Air", "The Ides of March", "Ocean's Eleven" e muitas outras das suas personagens Clooneyescas), finalmente mostrando mais abertura e complexidade emocional do que é costume. Shailene Woodley deixou-me de água na boca, pois está muito bem, trazendo mais ao filme do que a sua personagem merecia, tal como Judy Greer, da qual sou enorme admirador há muitos anos (desde "15 Going on 30"), que arrasa a sua grande cena. Robert Forster e Nick Krause cumprem eximiamente os seus papéis de antagonistas do filme, um como o inexorável adolescente idiota e desbocado e outro como o velhote reformado, teimoso e de língua afiada.


Apesar de tudo, tal como o outro produto de George Clooney deste ano ("The Ides of March"), "THE DESCENDANTS" tem muito a recomendar. É um filme modesto e generoso sobre a fragmentação da família, sobre o valor do amor fraterno e paternal, sobre a forma como reagimos às adversidades na vida. É, no fundo, uma celebração da nossa humanidade, dos nossos erros e imperfeições. Se bem que as falhas o deixam, no fundo, saber a pouco, é um filme que em nada compromete a excelente carreira de Alexander Payne, um filme com alguns bons momentos e que, mais não seja, proporciona uma simpática sessão de cinema a quem o for ver.



Nota Final:
B-/C+

Informação Adicional:
Realização: Alexander Payne
Argumento: Jim Rash, Alexander Payne, Nat Faxon
Elenco: George Clooney, Shailene Woodley, Judy Greer, Robert Forster, Beau Bridges, Matthew Lillard, Amara Miller, Nick Krause
Ano: 2011

E os Links o Vento Levou


Na senda de outros blogues e sítios, penso que vou começar a fazer uma recolha de notícias, artigos e especiais que ocorrem durante a semana e que, não tendo eu tempo para fazer um realce apropriado, vou cá juntar nesta rubrica semanal de links. Agradecia que me dessem as vossas próprias sugestões, que juntarei aqui se considerar apropriado.

  • "Mistérios de Lisboa" consegue três nomeações nos Golden Satellite Awards, para Melhor Guarda-Roupa, Melhor Direcção Artística e Melhor Filme Estrangeiro. Mesmo que se tenha que relembrar que os Satellites nomeiam quase toda a gente, é uma honra que tenham escolhido o filme português para nomeado. Outra nota de valor: Raul Ruiz ganha postumamente um prémio especial dos Críticos de Cinema de Nova Iorque (NYFCC). [SIC Notícias]
  • Uma lista com alguma idade já mas que vale sempre a pena realcar. No Narrador Subjectivo, podem encontrar a lista dos dez filmes preferidos do Roger Ebert, um dos maiores (quiçá o maior) crítico de cinema da actualidade. [Narrador Subjectivo]
  • Esta semana foram finalmente divulgados mais detalhes sobre a promissora banda sonora de Trent Reznor e Atticus Ross para "The Girl With the Dragon Tattoo" de David Fincher, incluindo a sua curiosa colaboração com Karen O na cover de "Immigrant Song" dos Led Zeppelin. Além do trailer aumentado (8 minutos!), podem aceder a uma 'amostra' de 35 minutos de várias músicas da banda sonora, que ao todo tem três horas. Abaixo vos deixo o meu trecho favorito. [The Film Stage]
 
  • Colin Firth recebeu o seu enésimo prémio por "The King's Speech" nos European Film Awards 2011, que consagrou "Melancholia" como Melhor Filme de 2011, sucedendo a "The Ghost Writer" mas que decidiu cometer a blasfémia de nomear Suzanne Bier o Melhor Realizador de 2011. Não é que a dinamarquesa seja boa - que é - mas na categoria estavam nomes como Kaurismaki, von Trier e Tarr, todos realizadores bem mais arrojados e merecedores de premiação. Tilda Swinton ("We Need to Talk About Kevin") venceu Melhor Actriz, os irmãos Dardenne ("Le Gamin au Vélo") Melhor Argumento e Ludovic Bource ("The Artist") para Melhor Banda Sonora. O que me choca, no fundo, é que alguém tenha achado que Tariq Anwar fez um bom trabalho na edição de "The King's Speech". Que horror. O que compensa: "Chico e Rita" ser Melhor Filme Animado. Muito bem. [Indiewire]
  • No The Parade, confira a lista dos 100 filmes que George Clooney considera seus favoritos. Penso que não ficarão surpreendidos pelo seu excelente gosto cinematográfico. O seu favorito de todos é "All The President's Men". [The Parade]
  • Dois excelentes artigos sobre Meryl Streep, que está na corrida pela sua 17ª nomeação aos Óscares. Um de Nathaniel Rogers, do The Film Experience, que aborda os papéis pelos quais Meryl Streep não foi nomeada aos Óscares; [The Film Experience]
  • E outro de Glenn Dunks, do Stale Popcorn, no rescaldo da vitória da actriz para o Círculo de Críticos de Nova Iorque (NYFCC), que pede a Meryl Streep que opte por ousar mais nas suas escolhas e prefira trabalhar com realizadores mais adequados ao seu enorme talento. [Stale Popcorn]
  • Ainda acerca de Meryl Streep, aqui ficam dois jogos online relacionados com a actriz. Conseguem resolvê-los? O primeiro sobre as nomeações da actriz aos Óscares (aqui) e o segundo (aqui) sobre as actrizes que a bateram. [Sporcle]
  • Já no TVDependente, é altura das "machadadas de Natal". Boas sugestões da equipa do TVDependente em relação a quais séries valem a pena ver e de quais séries mais valia abdicarem. Não concordo com todas e com a disposição de algumas nas categorias, mas na maioria eles têm razão. Depois de mais um ano a ver mais de quarenta séries, além de mais de cem filmes, decidi que metade tinha de ser 'cortada' da minha vida. Mas quando falarmos dos prémios em televisão abordo esse tema. Posso dizer-vos, de qualquer forma, que a série que mais anda na corda bamba para ser 'machadada' cá para estas bandas é "Dexter". A milhas do que já deu. [TV Dependente]
  • Falou-se muito das trocas de apresentador e de produtor para a cerimónia dos Óscares (saiu Brett Ratner e Eddie Murphy, entrou Billy Crystal e Brian Grazer), tem-se falado imenso da regra dos 5 a 10 nomeados para Melhor Filme, mas sobre o que ninguém tem reflectido é sobre a mudança ao anúncio das nomeações: este ano, os filmes nomeados não são anunciados alfabeticamente como é apanágio, com o objectivo de nos apanhar de surpresa. A Sasha Stone abordou o assunto há algum tempo. [Awards Daily]
  • Também via Awards Daily, recomendo que leiam as mesas-redondas dos Óscares. O parente rico do "10 for the Oscars, Oscars for 10", ao que parece. Mesas redondas estão na moda. [Awards Daily]
  • Com algumas semanas de existência nas redes sociais e na Internet mas ainda a tempo de cá vir figurar no blogue: 13 modas de posters que estão para ficar. Algumas merecem crítica; outras nem por isso.  [Oh No They Didn't!]
  • Outra história já com alguns meses: o documentário do making-of dos momentos finais de filmagem da saga Harry Potter. "When Harry Left Hogwarts". Vou querer ver, claro. [Close Up]
  • Finalmente, como é hábito no The Hollywood Reporter, voltamos a ter as entrevistas com actores, actrizes, realizadores e argumentistas. A de actores conta com Clooney, Nolte, Oldman, Plummer, Brooks e Waltz. Um excelente grupo de actores, que discute temas desde a morte, o desemprego e a fama. A de actrizes é composta por Williams, Theron, Spencer, Davis, Mulligan e Close e é de longe a mais interessante, colorida e divertida. Charlize Theron, em particular, está a começar a assumir lugar preponderante no meu coração. Genial. O grupo de realizadores é formado por Jason Reitman, Bennett Miller, Michel Hazanavicius, Alexander Payne, Steve McQueen e Mike Mills. O de argumentistas ainda não tem vídeo completo. Quando tiver, cá o colocarei. [The Hollywood Reporter]





    THE IDES OF MARCH (2011)



    "Get out, now. Or otherwise you end up being a jaded, cynical asshole, just like me."

    Mesmo falhando na sua análise crítica às maquinações e jogadas de bastidores por detrás de uma campanha política, deixando tudo muito no ar, numa área cinzenta que não compromete nem provoca grande fricção, "THE IDES OF MARCH" é, ainda assim, um thriller político de inequívoca qualidade, sabendo ser inteligente e sagaz na forma como intersecta a vida pessoal, a vida familiar, a vida profissional e a vida política deste grupo de indivíduos sem complicar muito, como procura momentos de tensão e aparente ameaça sem sair forçado e conseguindo capturar o interesse do espectador e a sua atenção para as respostas que tenta encontrar, metaforicamente, para o panorama político-social ficcional - e o actual, real.


    Baseado na peça "Farragut North" de Beau Willimon (por sua vez livremente inspirada na campanha falhada de Howard Dean em 2004), que a estreou off-Broadway em 2008 em altura de grande esperança para o povo americano, com a vitória de Obama fresca na memória, "THE IDES OF MARCH" surge agora três anos depois, quando a desilusão e o desapontamento com a governação de Obama cresce dia após dia e numa altura em que a crise económica ameaça ser notícia por mais algum tempo, parecendo aparecer na altura ideal para explorar assuntos tão coloridos como políticas de bastidores, tácticas de corrupção, manipulação e jogo sujo que mancham a campanha até do mais nobre e leal dos candidatos. Com um olhar cínico e desaprovador, Clooney e o seu fiel colaborador Heslov juntam-se para adaptar o texto original de Willimon, conferindo-lhe uma voz mais específica, mais contemporânea, mais pró-activa e moralista. O resultado não é fabuloso e tão pouco subtil, mas funciona. Apesar de algumas situações em que Clooney parece projectar o seu idealismo e activismo político na fachada do seu protagonista, transformando a cena em algo mais ou menos aplausível, ingénuo e irrealista, o argumento é especialmente incandescente nas cenas de maior tensão, absorvente e criminalmente divertido quando os políticos entram em confronto.


    A história abre com um pequeno monólogo de Stephen Meyers (Ryan Gosling), que afirma: “I’m not a Christian. I’m not an atheist. I’m not a Muslim. I’m not Jewish. I believe in the American constitution.” Uma pequena hesitação da sua parte parece-nos querer levar a alguma revelação ou segredo escondido, mas nada. Momentos depois apercebemo-nos que Stephen está apenas a testar o som da sala onde o governador Mike Morris (George Clooney), seu patrão e candidato à presidência dos Estados Unidos da América, irá discursar mais tarde e assim este pequeno exercício de retórica acaba de fazer todo o sentido. Estamos nas primárias no estado de Ohio, onde Mike Morris procura vencer e ultrapassar o seu competidor directo, o senador Pullman (Michael Mantell), cuja campanha está a ser organizada por Tom Duffy (Paul Giamatti), rival pessoal do organizador de campanha de Morris, Paul Zara (Philip Seymour Hoffman), na corrida pelo voto democrático. Para Mike Morris trabalha também a interna Molly Stearns (Evan Rachel Wood) que procura dar os seus primeiros passos no mundo obscuro da política.

    O elenco do filme acaba mesmo por ser o seu ponto forte, com um soberbo Ryan Gosling a aguentar-se no frente-a-frente com George Clooney, Paul Giamatti e Philip Seymour Hoffman. Gosling, que está a ter um ano enorme (com "Crazy, Stupid, Love" e "Drive"), tem aqui a sua interpretação mais rigorosa, mais clara e definida. O argumento não ajuda, no entanto, a pintar um retrato fiel e completo de Stephen, nunca permitindo penetrar fundo na sua personalidade e na sua psique, deixando-nos com um retrato superficial e desonesto de um personagem a quem é pedido para ser simultaneamente cínico e honrado, justo, convicto. A pessoa que merece ressalva do restante elenco é, sem dúvida, Evan Rachel Wood, a igualar o nível de brilho que nos mostrou recentemente em "Mildred Pierce" e no longínquo "thirteen" (que lhe devia ter garantido a sua primeira nomeação para os Óscares). Desde cedo a personagem mais promissora da trama, Wood não nos desilude, aproximando-se do espectador com o seu jeito despreocupado mas afectuoso, dando humanidade e vida a esta personagem emocionalmente ressonante mas que é ridiculamente descartada por Clooney e Cª por capricho da narrativa. Um último elogio para Seymour Hoffman, que habitualmente me faz ranger os dentes à custa da forma muito emotiva e aberta (à falta de melhor palavra) como aborda as suas personagens, conferindo-lhes uma personalidade impulsiva e intempestiva que nem sempre é o que é necessário. Está muito bem e cumpre a sua função. Se há alguém que é nomeado deste filme, é ele. Tirando o elenco, o filme está muito bem servido de banda sonora (uma vez mais, não há como errar com o sublime Alexandre Desplat) e de realização. Se com "Good Night and Good Luck" me surpreendeu, aqui George Clooney deixou-me boquiaberto. Uma realização de luxo, a revelar que o actor realmente tem inúmeros talentos e recursos ao seu dispor.


    Um filme que resolve terminar como começou, sem nos dar grandes respostas nem revelações e à espera que  as peças tenham todas encaixado, acaba por nos deixar um grande amargo de boca em vez de nos procurar questionar e fazer reflectir. Eloquente mas inconsequente, ambicioso mas vaidoso, "THE IDES OF MARCH" compõe uma intriga curiosa e atraente que não resiste, infelizmente, à sua mania de superioridade e dono da razão (a ponto de para o fim o cínico quase parecer irónico) e opta por não se comprometer, ao alcançar uma conclusão amoral de que todos temos que nos adaptar e sobreviver para podermos subir na vida, precisamente o tipo de mensagem cliché e limitada que o próprio filme tanto procura desconstruir. É uma pena que o filme acabe por ser uma espécie de embuste, por tanto prometer expor e por tão pouco se conseguir retirar de pertinente. 


    Nota Final:
    B/B+

    Informação Adicional:

    Realização: George Clooney
    Argumento: George Clooney, Grant Heslov, Beau Willimon
    Elenco: George Clooney, Ryan Gosling, Evan Rachel Wood, Philip Seymour Hoffman, Marisa Tomei, Paul Giamatti
    Fotografia: Phedon Papamichael
    Banda Sonora: Alexandre Desplat
    Ano: 2011 

    Trailer:

    Trailer de THE DESCENDANTS, de George Clooney




    Pela mão de Alexander Payne, realizador de Sideways (2004) e About Schmidt (2002) - dois filmes que recomendo vivamente ao leitor, chega-nos um dos mais badalados e esperados filmes norte-americanos do ano. Confesso que a mim, tanto o trailer como a descrição do imdb.com

    A land baron tries to re-connect with his two daughters after his wife suffers a boating accident.

    não me convenceram. O papel de George Clooney, considerado um dos mais fortes para a estatueta dourada de Melhor Actor Principal, é o género de interpretações que lhe fazem falta na carreira: o do homem solitário que carrega os males de uma vida plena de injustiças e momentos amargos. Não é o registo em que mais gosto de o ver (continuo a achar que nasceu para dizer "Nespresso, What Else?"), mas o passado de Alexander Payne obriga-me a dar-lhe uma oportunidade.

    ÚLTIMA HORA: Trailer e Poster de THE IDES OF MARCH




    Um dos grandes candidatos aos Óscares deste ano e pronto para abrir o Festival de Veneza (passando depois pelo TIFF e por Telluride), "THE IDES OF MARCH" é realizado por George Clooney (que realizou anteriormente o criticamente aclamado "Good Night and Good Luck") e conta com um elenco impressionante - Ryan Gosling, George Clooney, Philip Seymour Hoffman, Marisa Tomei, Jeffrey Wright, Evan Rachel Wood e Paul Giamatti. Baseado na peça de teatro "Farragut North", que por sua vez havia sido baseada nas primárias da corrida presidencial de Howard Dean em 2004, "The Ides of March" vê o idealista Steven Myers (Gosling) ter de enfrentar o melhor e o pior quando a sua vida pessoal e a sua vida profissional colidem, enquanto ele navega as águas tempestuosas de uma campanha política quando descobre que o seu candidato, o Governador Mike Morris (Clooney), não é assim tão inocente.





    Um trailer que promete e - sobretudo - mais um filme que vem contribuir para que este ano seja realmente o Ano do Gosling ("Crazy, Stupid Love"; "Drive"; "The Ides of March").

    Personagens do Cinema - Chad Feldheimer


    É inevitável. Tinha que voltar aos irmãos Coen e a mais uma das suas criações. Uma surpreendente, inesperada, viciante e genuína personagem. É aquelas personagens que marcam a diferença entre um bom realizador e um realizador de classe. É por personagens assim que eu me perco em palavras quando falo sobre eles e é por personagens assim que, para mim, tudo o que vem dos irmãos Coen, vem com selo de qualidade. Eu, pessoalmente, conto as horas para ver True Grit. Falta cada vez menos para o dia 17 de Fevereiro.



    Sobre Chad Feldheimer, o que vos posso dizer é que é um palhaço. Desde a ponta dos cabelos até à unha do polegar do pé. Um azeitolas, um bimbo, um parolão. É toda aquela personagem que caminha por este mundo com uma auto-estima interminável e sem preocupações sobre as opiniões que os outros possam retirar da sua figura.


    Como não podia deixar de ser, e vejam bem a sua figura, é um autêntico cobardolas. Técnico de ginásio, musculado, com uma aparência vistosa e um porte elegante, foge à primeira ameaça e implora perdão ao primeiro sinal de perigo.


    E é toda esta combinação, à qual se junta um disco externo com informação ultra confidencial da CIA e um elenco de luxo (George Clooney, John Malkovich, Frances McDormande Tilda Swinton), que torna Burn After Reading umas das melhores comédias da década. Perdi-me de riso e tive pena que tivesse que acabar. Burn After Reading é Irmãos Coen em modo light. E é tão bom!

    Revisão da Década: Melhores Actores da Década (2000-2009)

    Estes três artigos seguidos fazem parte da minha Revisão da Década em Cinema, que comecei no meu antigo blogue "O Mundo Está Perdido" e retomei aqui no "Dial P For Popcorn". Por uma questão meramente prática, decidi passá-los para este blogue também e deste modo reabrir esta discussão.

    Agora, vamos aos actores. Optei por só escolher 50 - e esteve difícil de reduzir! Todavia, lá consegui. Como não atino bem com a ordem (se fosse outro dia, muito provavelmente a ordem seria outra), vou colocar os nomes por ordem alfabética, tal como fiz com os filmes, só que desta vez deixo-vos no final com o meu top 10 de interpretações masculinas do século.

    Avisar também que eu não distingo uma performance de um actor principal ou de um secundário. Se for boa o suficiente, mesmo sendo de um actor secundário, cá constará. A verde estão assinaladas as interpretações das fotos que acompanham a lista.


    Aqui vão as minhas 50 interpretações masculinas preferidas esta década:



    Adrien Brody, The Pianist
    Andy Serkis, The Lord of the Rings: The Two Towers
    Ben Kingsley, Sexy Beast
    Bill Murray, Lost in Translation
    Casey Affleck, The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford
    Chris Cooper, Adaptation
    Christian Bale, American Psycho
    Christoph Waltz, Inglorious Basterds
    Colin Farrell,
    In Bruges
    Colin Firth, A Single Man



    Daniel Day-Lewis, There Will Be Blood
    David Strathairn, Good Night and Good Luck
    Denzel Washington, Training Day
    Ed Harris, Pollock
    Ewan McGregor, Moulin Rouge!
    Forrest Whitaker,
    The Last King of Scotland
    Gael García Bernal, Amores Perros



    Gael García Bernal, La Mala Educación
    George Clooney, Michael Clayton
    George Clooney, Up in the Air
    Heath Ledger, Brokeback Mountain
    Heath Ledger, The Dark Knight
    Hugh Jackman, The Fountain
    Ian McKellen, The Lord of The Rings: Fellowship of the Ring
    Jack Nicholson, About Schmidt
    Jake Gylenhaal, Brokeback Mountain
    Javier Bardem, Before Night Falls
    Javier Bardem, No Country for Old Men
    Jeff Bridges, Crazy Heart
    Jeff Bridges,
    The Door in the Floor
    Jeff Daniels,
    The Squid and The Whale



    Jim Broadbent, Moulin Rouge!
    Jim Carrey, Eternal Sunshine of the Spotless Mind
    Joaquín Phoenix, Walk the Line
    Johnny Depp, Pirates of the Caribbean: Curse of the Black Pearl
    Jude Law, I Heart Huckabees
    Mark Ruffalo, You Can Count on Me
    Mathieu Amalric, The Diving Bell and the Butterfly
    Michael Fassbender,
    Hunger
    Mickey Rourke, The Wrestler
    Paul Giamatti, Sideways
    Peter Sarsgaard,
    Shattered Glass
    Philip Seymour Hoffman,
    The Savages
    Richard Jenkins, The Visitor
    Ryan Gosling, Half Nelson

    Sean Penn, Milk
    Sean Penn, Mystic River
    Tom Wilkinson, In The Bedroom
    Viggo Mortensen, A History of Violence
    Viggo Mortensen, Eastern Promises





    As minhas dez interpretações favoritas seriam (de notar que as primeiras 8 em princípio não mudam, as últimas duas são variáveis - dependem do dia):

    1. Daniel Day-Lewis, There Will Be Blood
    2. Gael García Bernal, La Mala Educación
    3. Christian Bale, American Psycho
    4. Heath Ledger, Brokeback Mountain
    5. Mickey Rourke, The Wrestler
    6. Chris Cooper, Adaptation
    7. Viggo Mortensen, Eastern Promises
    8. Sean Penn, Milk
    9. Adrien Brody, The Pianist
    10. Javier Bardem, No Country for Old Men



    E para vocês, quais são as melhores interpretações masculinas da década?