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DIAL P FOR POPCORN

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EASTER PARADE (1948)



Nos anos 40 e 50, os musicais eram um dos géneros cinematográficos mais populares e mais requisitados juntos dos grandes estúdios. Muitas grandes estrelas desse tempo entraram ou fizeram carreira em musicais e foram estes que imortalizaram estrelas de cinema tão grandes como Judy Garland, Gene Kelly, Fred Astaire ou Ginger Rogers. Infelizmente, quantidade não equivale a qualidade e por cada dez musicais produzidos nessa época, um ou dois tinham sucesso, invariavelmente aqueles que tinham uma boa história ou, melhor que isso, onde entravam as maiores estrelas de cinema musical de então. Como este "EASTER PARADE", um musical muito divertido e alegre, com números musicais agradáveis e luminosos engrandecidos pela presença da parelha Garland e Astaire que infelizmente não almejam a mais que um bom filme graças à falta de originalidade e fraqueza da narrativa.


Hoje em dia, é engraçado pensar que este par esteve para não acontecer. Gene Kelly era o escolhido para protagonista masculino, mas devido a uma perna partida, teve que ser substituído. O próprio propôs Fred Astaire que, apesar de aparentemente reformado na altura, abraçou a oportunidade de trabalhar com Judy Garland. Ele não o sabia então, mas foi este filme que lhe reacendeu a carreira, dando-lhe mais dez anos de ouro com a MGM. Judy Garland foi sempre a única escolha para o papel feminino, mas ela vinha de uma experiência profissional complicada com o seu marido Vicente Minnelli (filmaram juntos "The Pirates" um ano antes) que o obrigou mesmo a passar a realização deste filme, que era para ser realizado por si também, para Charles Walters. Além disso, os problemas de Garland com a depressão, o excesso de trabalho, o alcoolismo e o abuso medicamentoso - que culminaram numa tentativa falhada de suicídio - estavam a tomar o melhor dela. Ela mal recuperou para filmar "Easter Parade", tendo que ser internada numa clínica de reabilitação logo depois. Desde essa altura que Garland nunca mais se recompôs e "Easter Parade" tornou-se não só o seu último filme com a MGM como também um dos seus últimos filmes de sempre. Também Ann Miller teve sorte, porque o seu papel era originalmente de Cyd Charisse. Entretanto, a actriz torceu um ligamento e foi obrigada a ser trocada. O casting de Miller provou ser um sucesso, uma vez que a actriz é o ponto alto da película.


"EASTER PARADE" narra a história de Don Hewes (Fred Astaire), um dançarino de excelência que, em conjunto com a formosa e talentosa Nadine Hale (Ann Miller), forma o duo "Hale & Hewes". Quando Hale o troca pela chance de ter o seu próprio espectáculo no Ziegfeld Follies, num misto de raiva e bebedeira, Hewes escolhe à sorte a sua próxima parceira de entre as dançarinas do bar que frequenta. A escolhida foi a cintilante Hannah Brown (Judy Garland), que se revela um óptimo complemento - e também um belo sarilho - para o 'comandante' Hewes. Embora a sua parceria no início deixe muito à imaginação, aos poucos e poucos os dois entendem-se e com o tempo ganham bastante sucesso. O que fica por contar é que ao mesmo tempo que a sua parceria profissional floresce, também os sentimentos que nutrem um pelo outro crescem, mas ambos recusam teimosamente dizer o que sentem.

 
É esta a simplista história de "Easter Parade", que pega nos habituais clichés de filmes como "A Star is Born" - rapariga simpática tornada estrela por homem mais experiente - e nos lugares comuns das comédias românticas - Hannah (a rapariga boa) gosta do Don; o Don gosta da Nadine (a rapariga má que o rejeita e o humilha); Nadine gosta de Jonathan; o Jonathan gosta da Hannah - e cria um twist final para fazer avançar a história, levando os dois parceiros a desvendar o que sentem um pelo outro.


Com uma banda sonora do Oscarizado Irving Berlin, que compôs novas canções para este filme e uma fotografia impressionante do veterano Harry Stradling, Jr. (o mesmo que filmou "A Streetcar Named Desire", "Funny Girl", "My Fair Lady", "Gypsy" e muitos outros títulos), "EASTER PARADE" é, mesmo com as suas falhas (e são muitas, especialmente no argumento horrendo de Hackett e Goodrich, reescrito por Sheldon), um dos musicais mais infecciosamente alegres e entretidos que já vi e qualquer cena com Garland e Astaire é incandescente e colorida. Os seus passos de dança são verdadeiramente espectaculares (como no número "Drum Crazy") e a voz cheia de alma e vida dela é, como sempre, fenomenal.



Ann Miller está óptima também, sendo a grande revelação do filme. Um dos problemas que tive com o filme foi mesmo o de não perceber como alguém trocaria - que Deus me perdoe, mas é verdade - Miller por Garland. À pessoa que faz 'aquilo' em "Shaking the Blues Away" eu dava tudo, mesmo que me tratasse mal e humilhasse, para vocês verem o quão extraordinária é Miller nas suas poucas cenas.



Apesar de ser uma pena, de facto, ter ficado a pensar que o filme poderia ter sido bem melhor, algo mesmo muito especial, não nos podemos queixar. Afinal, como pode alguém queixar-se quando passa duas horas na companhia inolvidável de Astaire, Miller e Garland? Não podemos, como é óbvio.



Nota:
B

Informação Adicional:
Realização: Charles Walters
Argumento: Sidney Sheldon, Frances Goodrich, Albert Hackett
Elenco: Judy Garland, Fred Astaire, Ann Miller, Peter Lawford
Fotografia: Harry Stradling, Jr.
Música: Irving Berlin e Conrad Salinger
Ano: 1948



Hit Me With Your Best Shot: EASTER PARADE (1948)

Este artigo faz parte da minha participação na rubrica do The Film Experience Blog de Nathaniel Rogers, "Hit Me With Your Best Shot", na qual é-nos requerido escolhermos uma imagem icónica do filme em discussão nessa semana e justificar a nossa opinião. Fazemos sempre um duplo artigo, bilingue, com a versão inglesa em primeiro lugar e a tradução no português logo de seguida. Não pudemos participar nas duas primeiras sessões da terceira temporada, mas para esta semana estamos a postos e o filme em discussão é... EASTER PARADE (Walters, 1948), o último musical de Judy Garland na sua imortal casa, a MGM.



During the 1940s and 1950s, the musical genre was one of the most popular and on-demand kind of pictures that Hollywood could produce. Many great stars of that era got a start or an upwards push from appearing in one of these musicals and those were the movies that immortalized outstanding actors and actresses such as Judy Garland, Gene Kelly, Fred Astaire or Ginger Rogers. Unfortunately, given the immense quantity of musicals produced each year, back in the day, only a few of them found moderate success. Usually, the ones with these big stars would thrive. Such is the case of "EASTER PARADE", a musical with a slim and cliché'd narrative, with very little story to tell but one that is compensated by swoony and joyful song-and-dance numbers that survive because of the excellent pairing of Judy Garland and Fred Astaire.

It's fun to look back and remember that this pairing almost didn't happen. Gene Kelly was the actor first cast in the male lead role. However, a broken leg pave way to Fred Astaire, nominally retired at the time. He didn't know it then, but this musical would reignite his career at MGM. Judy Garland was the first and only choice to star in the movie, but her struggle with overwork, depression, alcoholism and addiction to prescription drugs - which led to an unsuccessful suicide attempt the year before - were destroying her. She barely recovered to film "Easter Parade", which would end up being her last film with MGM and one of the last movies of her career. Even Ann Miller got lucky, because her part was to be played by Cyd Charisse. Nevertheless, the actress tore a ligament on the rehearsals and had to be replaced. Miller's casting proved to be tremendously spot-on, as she is the true highlight of the movie.


"EASTER PARADE" tells the story of Don Hewes (Fred Astaire), a theatre performer known for his extraordinary song-and-dance numbers alongside Nadine Hale (Ann Miller), who form the famous duo "Hale & Hewes". When Hale leaves to star in her own show in the Ziegfeld Follies, Hewes, in a spur of anger and drunkness, picks one of the dancers performing at a bar to be his next partner. The girl turns out to be the fantastic Hannah Brown (Judy Garland) and although their partnership in the beginning leaves much to be desired, after a while they start to become a huge hit. Moreover, despite loving each other, Hannah and Hewes try to maintain their relationship strictly professional. This is the simplistic plot behind "Easter Parade". It's a very straightforward story - Hannah loves Don; Don loves Nadine; Nadine loves Jonathan (Peter Lawford); Jonathan loves Hannah - until the story twists and the two big movie stars finally discover their true feelings for one another.

With old and new songs by Oscar winner Irving Berlin, "EASTER PARADE" is, even with all its flaws (its screenplay by Hackett and Goodrich, rewritten by Sheldon, is horrendous), one of the most entertaining, cheerful musicals I've seen and every scene with Garland and Astaire is bright and colourful. His dance moves are really spectacular (as exemplified in the "Drum Crazy" number) and her vibrato, soulful voice is always amazing ("Better Luck Next Time", y'all! Love it). Ann Miller was, for me, the true revelation from the movie. One of the issues I had with the movie was how someone could turn down this person who sings and dances beautifully (besides looking pretty as hell) in "Shaking the Blues Away" and prefer Judy Garland (and I love Judy Garland), so I have to ask: am I crazy to think this, especially given how badly Nadine treated Don? Probably. But Miller was nothing short of brilliant in her few scenes. 


 
A Diva is a Diva, even in 1912.

It's sad that the movie is not more original; however, how can one complain when he's being entertained by Garland, Miller and Astaire's singing and dancing moves? One cannot, obviously. 


As for Best Shot... 

I had a hard time picking one single moment as it's not a very memorable movie. But seriously, how can you deny Judy Garland for this SINGLE MOMENT OF AWESOMENESS?


Also, there's this:


And this:


You're such a genius, woman!