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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

A música e a fotografia de 2012


Este artigo faz parte dos:


Uma versão abreviada dos meus habituais (será que se pode dizer habituais a prémios que, apesar de dar todos os anos, só por um ano foram cá abordados por extenso no blogue?) prémios de fim de ano (dados sempre por altura da Primavera, quando tudo de interesse já estreou por cá), também chamados DAFA ou Dial A For Awards.

A fotografia...


 "Anna Karenina"


"Life of Pi"


"Tabu"


"The Master"



"Skyfall"


A música...






Quentin Tarantino: Inglourious Basterds


O mais recente dos filmes de Tarantino (e embora eu ainda não fosse gente em 1994 ou não fizesse a mais pequena ideia do que era Cinema e Tarantino aquando da saída de Kill Bill), penso que Inglourious Basterds terá sido o filme com maior divulgação, box office e aceitação pelo público em geral. Na análise a este filme, penso que obtemos duas opiniões um pouco distintas: Para os mais fervorosos fans de Tarantino, Inglourious Basterds é visto como um belo filme, mas a satisfação que se retira não será a mesma de um Pulp Fiction ou de um Reservoir Dogs (nem penso que poderia ser). Para os fans dos filmes mais mainstream, principalmente aqueles para quem Inglourious Basterds é o primeiro contacto que têm com Tarantino, este é tido como um grande filme, dos melhores de 2009. São duas opiniões que respeito e compreendo.


No meu entender, Inglourious Basterds é um filme com grandes interpretações (como é o caso de Christoph Waltz, um desconhecido que limpou tudo o que era troféu desde Cannes até aos Óscars com uma das grandes interpretações da última década) e com pequenos momentos de uma genialidade enorme, ao melhor nivel de Tarantino, como a cena inicial em que Coronel Hans Landa (Christoph Waltz) captura, com uma enorme classe, uma família de Judeus (ou não fosse a sua alcunha, que ostenta com orgulho, "Jew Hunter").


Inglourious Basterds é um filme dividido em 5 capítulos e que conta a história de um grupo (posso dizer, "heterogéneo") de Judeus, liderado por Aldo Raine (Brad Pitt) e que se orgulha de fazer frente ao regime Nazi, de uma forma tão eficaz, cuja fama se espalha pela Europa e leva a que, o próprio exército Nazi sinta receio destes guerrilheiros. A acção começa quando este grupo decide eliminar o Coronel Hans Land e este prova ser um osso muito duro de roer!

É um filme que mistura o melhor humor negro de Tarantino, com empolgantes cenas de acção e suspense. Toda a excitação (acho que foi o maior empurrão para tal) à sua volta levou-o a conseguir 8 nomeações na ultima edição dos Oscars, tendo garantido a inevitável estatueta para o papel de Melhor Actor Secundário que, no meu entender, seria criminoso caso não acontecesse.


Nota Final: B+

Trailer:


Informações Adicionais:
Realização: Quentin Tarantino
Argumento: Quentin Tarantino
Ano: 2009
Duração: 153 minutos

Retrospectiva Óscares: 2006

Como sabem, a rubrica semanal "Retrospectiva dos Óscares" vai servir para fazer um pequeno balanço das cerimónias, do ano mais recente (2009) para trás, avaliando os seus pontos bons e as coisas mais fracas. Esta semana pegamos em 2006, portanto na cerimónia que teve lugar a 25 de Fevereiro de 2007.


2006

A Surpresa: a surpresa, essa, foi mesmo nos nomeados. Filmes de grande nome que foram deixados de fora da luta pela maioria das categorias, como "The Painted Veil" e "The Fountain", um dos favoritos dos críticos "Bobby" e um dos favoritos do público, o filme de estreia de Reitman, "Thank You For Smoking", todos foram ignorados. O choque foi mesmo no aparecimento, no dia do anúncio dos nomeados, de "Letters from Iwo Jima" na lista dos cinco candidatos a Melhor Filme, enquanto um filme que era tido como certo, "Dreamgirls", não constava (situação algo semelhante à de "The Dark Knight" em 2008). Além disso, muitas outras surpresas apareceram noutras categorias - a que mais me apetece relevar é a ausência de "Volver" para Melhor Filme Estrangeiro, que até hoje não consigo entender.


A Inclusão / A Exclusão: parece-me claramente que a inclusão mais significativa foi aquela que eu referi já acima, com "Letters from Iwo Jima", o filme complementar a "Flags of Our Fathers" do ano anterior, realizados ambos por Clint Eastwood, que não era suposto ter surgido na corrida, sendo falado maioritariamente em língua estrangeira e, apesar da crítica ter gostado bem mais deste do que do predecessor, os prémios que antecederam os Óscares não lhe tinham sido favoráveis, daí que foi com algum choque que as pessoas encararam a sua nomeação sobre um dos favoritos, "Dreamgirls", que tinha ganho vários prémios e conseguiu, mesmo assim, 8 nomeações e 2 vitórias.


A Vitória Mais Merecida: não há como fugir a isto: todo o mundo ficou satisfeito de ver finalmente Martin Scorcese levantar o troféu de Melhor Realizador. Para tal circunstância, até os produtores do evento trouxeram a cavalaria pesada para apresentar o momento: George Lucas, Steven Spielberg e Francis Ford Coppola vieram entregar o prémio ao amigo. E se muita gente acha que talvez não tenha sido o filme pelo qual ele mais merecia (alguns acham que devia ter ganho em 2004 por "The Aviator", quando Eastwood lhe roubou o prémio por "Million Dollar Baby", alguns até mais cedo... é capaz de ser, com o terceiro (futuramente, espero eu) de Meryl Streep, o Óscar mais devido de sempre) toda a gente concorda: it's about time!

A Vitória Mais Surpreendente: a maioria das categorias estavam decididas desde o início da corrida a sério aos Óscares, mas não há como entender como é que "Cars", sendo ainda assim um dos filmes mais fracos da Pixar, tenha perdido o Óscar para "Happy Feet" depois de ter ganho todos os precursores. Mas o filme sobre os pinguins dançantes lá conseguiu.

A Vitória Mais Significativa: a Academia podia ter escolhido outro vencedor, mas o facto que ela escolheu "An Inconvenient Truth" de Guggenheim, estrelado por Al Gore, simboliza qual a posição que toma no duelo Bush-Gore e, acima de tudo, funciona como um passo em frente dado pela indústria na luta por um meio ambiente melhor, como Gore bem frisou no discurso.


A Categoria Mais Renhida: se formos a ver as categorias com melhor qualidade de nomeados, essas serão a de Fotografia e a de Actriz. Helen Mirren tinha que ganhar (sabíamos disso desde o início) mas isso não invalida que ela seja, na minha opinião, a mais fraca das cinco nomeadas, pois na categoria estava uma impecável Kate Winslet em "Little Children", uma extraordinária Judi Dench em "Notes on a Scandal", uma transcendente Penélope Cruz em "Volver" e uma lendária Meryl Streep em "The Devil Wears Prada". Na de fotografia, excluindo talvez "The Black Dahlia", temos também quatro belíssimos nomeados: Pfister por "The Prestige", Lubezki por "Children of Men", Pope por "The Illusionist" e o vencedor, Navarro por "Pan's Labirynth". Se pegarmos na categoria mais renhida propriamente dita, essa é a de Actor Secundário, que falaremos mais abaixo em O Duelo da Noite.

A Desgraça: que esta semana também é O Pesadelo, pois não há assim grande coisa com que discorde, foi para mim a categoria de Melhor Filme Animado. Horrorosa. E é o melhor que lhe posso chamar. Dois filmes fraquíssimos ("Cars" e "Happy Feet") de estúdios com ofertas tipicamente mais interessantes, com a agravante da ausência da Walt Disney Pictures da corrida, nomeado normalmente certo e com o melhor filme, "Monster House", a não ser sequer tido em conta na corrida. Ganhou "Happy Feet", o que piora ainda mais a situação.


O Desnecessário e O Imerecido: não há assim nada que seja propriamente imerecido mas um segundo Óscar a Gustavo Santaolalla, à 2ª nomeação, mesmo que seja até compreensível, soa a algo desnecessário, se considerarmos que temos na categoria quatro outros nomeados extraordinários (Desplat, Navarrete, Glass e Newman) sem vitórias ainda. Também podemos falar da vitória de "The Departed" em Melhor Argumento Adaptado que, sem dúvida correcta, podia ter ido para "Borat", premiando a originalidade louca de Sascha Baron Cohen e companhia.

O Duelo da Noite: há dois com algum significado. O primeiro, Melhor Filme Animado, já foi falado acima, com "Happy Feet" a surpreender e a sobrepor-se a "Cars" na luta pelo prémio mais cobiçado (ficou "Cars" com a consolação de uma grande receita de bilheteira, a aclamação nos Annie Awards e mais prestígio para a Pixar). O segundo teve lugar na categoria de Melhor Actor Secundário. Eddie Murphy ("Dreamgirls") limpou uma boa parte dos prémios, deixando o resto maioritariamente para Alan Arkin ("Little Miss Sunshine"), tornando-se os dois candidatos principais à estatueta. Murphy tinha, à partida, a vantagem, mas o momento era todo de Arkin, que muitos pensavam já merecer ter ganho um Óscar. E na hora da verdade, foi mesmo o veterano que triunfou. Consolação para Murphy? Não houve nenhuma, a não ser que contemos as 2 vitórias de "Dreamgirls", incluindo uma para a colega Jennifer Hudson como Actriz Secundária.


Crítica Final: Uma boa noite em termos de vencedores (os quatro vencedores como Actores não são as minhas escolhas pessoais - essas seriam Streep, Gosling, Sheen e Blanchett - mas tendo em conta os nomeados e tendo em conta como foi a corrida para a cerimónia, agradeço aos Céus terem sido estes), interessante apresentador, uma cerimónia algo aborrecida, com o declínio agravado que se sabe dos últimos anos. Nota: B


Pessoas da Década: Roger Deakins

Bem-vindos a uma das rubricas semanais do Dial P for Popcorn, a ter lugar todas as terças-feiras. Nesta rubrica vamos discutir as pessoas que se tornaram (ou que continuaram a ser) grandes nomes na década de 2000, sejam actores, realizadores, compositores, fotógrafos, entre outros.


Mais uma vez, parti para esta rubrica com a certeza de que não queria, ainda, ter que pegar num actor. O actor ou actriz há-de vir na próxima semana. Até, se quiserem, deixem sugestões quanto a quem deve ser. Eu tenho uma ideia formada na minha cabeça de quem será, só quero saber se vocês vão de encontro a ela ou se, pelo contrário, talvez esteja enganado e vocês arranjem alguém que melhor represente a década de actores do que quem eu tinha pensado. Mas vamos a esta semana.

Em que decidi pegar numa das persona non grata da Academia. E digo isto porque, com 8 nomeações para Óscar e infindáveis obras-primas de qualidade inegável, este senhor fotógrafo ainda não conseguiu a vitória. Esteve perto em vários anos e todos os anos tem trabalhos dignos de figurarem na lista dos nomeados. Friso o ano de 2007 em que conseguiu 2 nomeações na categoria. Estou a falar, é claro, de...

Roger Deakins 

Havia outros nomes que me vieram à cabeça que vão ter de ficar para futuras edições da rubrica (como Elswitt, vencedor por "There Will Be Blood"; Delbonnel, que fotografou o excelente "Amélie"; Lubezki, que fotografou as inacreditáveis imagens de "Children of Men"; Lesnie, que venceu por "Lord of The Rings", entre outros), mas desde que pensei em Deakins (e foi logo o primeiro que me surgiu) que a escolha me parecia consensual.


É que nesta década, este senhor conseguiu fotografar esta multiplicidade de projectos de distinta variedade, todos com imagens incríveis, de uma beleza fascinante e todos com impressionante detalhe fotográfico. Começou 2000 com os irmãos Coen (clientes habituais, como se perceberá mais à frente) a fotografar "O Brother, Where Art Thou?" e depois pegou em "Thirteen Days". Em 2001 voltou aos irmãos Coen para filmar "The Man Who Wasn't There" e pegou no vencedor do Óscar de Melhor Filme, "A Beautiful Mind" (uma das poucas coisas que gostei no filme foi a fotografia, de facto). Em 2002 esteve em pausa para em 2003 entrar em grande com "Levity", novo filme dos Coen ("Intolerable Cruelty") e, uma das suas melhores produções em fotografia, na minha modesta opinião, "House of Sand and Fog". Jennifer Connelly, Ben Kingsley e Shoreh Aghdashloo nunca pareceram tão belos. 




Em 2004 conseguiu ser a única coisa boa (vá, quase) no primeiro filme do declínio de M. Night Shyamalan, "The Village" e ainda fotografou "The Ladykillers", novamente dos irmãos Coen. "Jarhead" foi o seu único título em 2005, antecedendo mais um ano de pausa antes indubitavelmente do seu melhor ano da década, 2007, onde fotografou o vencedor de Melhor Filme (e que valeu Melhor Realizador aos irmãos Coen) "No Country for Old Men", além de "The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford", nomeado por ambos para o Óscar de Melhor Fotografia (e duas fotografias excepcionais - a de "Assassination", então, é brilhante - e ainda "In The Valley of Elah", outro dos filmes mais em foco do ano. 




Para 2008 ele trouxe-nos mais uma tripleta de trabalhos notáveis, com "The Reader", "Revolutionary Road" e "Doubt". No ano passado, filmou "A Serious Man", mais um filme dos irmãos Coen e em 2010 ele fotografou o mais recente dos mesmos realizadores, "True Grit", além de "The Company Men".



Assim acho que já se percebe a sua colocação nesta rubrica, não é? Pois bem. A Academia tem visto o seu talento, a comprovar as oito nomeações para Óscar, quatro delas por filmes dos irmãos Coen ("Fargo", "O Brother, Where Art Thou?", "The Man Who Wasn't There", "No Country for Old Men") e cinco delas esta década (a juntar às três mencionadas antes - "Fargo" é de 1996 - temos uma por "The Reader" e a outra pelo "The Assassination of Jesse James"). Os outros filmes que lhe valeram nomeação foram "Kundun" de Scorcese e o (praticamente) inigualável "Shawshank Redemption". Contudo, não tem sabido apreciá-lo plenamente, pois nunca venceu (deve ter estado perto em 2007, mas perdeu para Elswitt, muito provavelmente porque as suas duas nomeações repartiram-lhe os votos). De qualquer forma, a este rumo, não faltará muito para ver reconhecido o seu mérito. Ainda bem que nós aqui no "Dial P For Popcorn" já o fizemos.