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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

HUGO (2011)



Provavelmente não estava com a melhor das disposições quando vi este filme. Hugo não é um mau filme. Mas também não me empolgou. É uma história bonita, óptima para mostrar às crianças, mas acho que, para mim, fica por aí. Não está no melhor que vi este ano e fiquei um pouco desiludido. No combate directo com o Artista, para os prémios finais da Academia, fica claramente atrás. E é também facilmente ultrapassado pelo óptimo The Descendants.


Hugo (Asa Butterfield) é uma criança orfã que vive sozinho numa estação da Paris da década de 30, dividindo o seu dia-a-dia entre os vários relógios que mantém a funcionar irrepreensivelmente e a procura de materiais para concertar uma misteriosa máquina (com uma peculiar forma humana) que lhe foi oferecida pelo seu pai, pouco tempo antes da sua morte. Hugo trabalha pela paixão que tem pelas máquinas, característica que herdou do seu pai, e com o objectivo de descobrir qual a mensagem que a mesma esconde. Um dos locais que frequenta com regularidade na "sua estação", é a loja relógios e raridades de Georges Méliès (Ben Kingsley), onde sorrateiramente vai roubando algumas peças importantes para a reconstrução da sua máquina. Até que um dia é apanhado em flagrante por Georges que se vinga confiscando-lhe o precioso caderno mágico onde Hugo apontara todas as alterações necessárias para o funcionamento das suas máquinas.


Decidido em recuperar o seu caderno, Hugo segue Georges até casa e acaba por conhecer Isabelle (Chloë Grace Moretz), uma jovem curiosa e perspicaz que vive sob a tutela de Georges e que rapidamente se transforma na sua grande companheira de aventuras. Juntos exploram todos os recantos da estação e a sua curiosidade leva-os a descobrir um fantástico segredo, que para sempre irá mudar as suas vidas e a daqueles que os rodeiam.


Nota Final:
B-


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Martin Scorsese
Argumento: John Logan (screenplay), Brian Selznick (book)
Ano: 2011
Duração: 126 minutos.

THE IRON LADY (2011)


"It used to be about trying to do something. Now it's about trying to be someone."

Duvido que em 2011 exista alguma interpretação deste nível. Meryl Streep é, sem dúvidas, para muitos dos amantes do cinema, uma das mais carismáticas e completas actrizes da história do cinema. É difícil sair-se mal e é frequente vê-la a ser brilhante. Num mundo justo, esta seria a interpretação vencedora da estatueta dourada para Melhor Actriz. É arrebatador o seu trabalho.



Quanto ao filme, a história é outra. Saiu mal. A intenção foi a melhor (percebe-se isso, pela forma cuidada como se envolve a atmosfera à volta da personagem de Meryl Streep) mas não era assim que o filme deveria ter sido reproduzido. Está tudo errado infelizmente. Pegou-se numa Margaret Thatcher decadente, decrepita, senil e completamente acabada e, a espaços, foi-se reconstruíndo o seu passado, sem lógica e praticamente sem qualquer critério. Para os mais desatentos, The Iron Lady, um filme que tinha tudo para nos contar uma história apaixonante, inspiradora e emotiva, transforma-se num filme cansativo, pachorrento e maçador. Não existe o enorme sentimento de glória, confiança e carisma que se viu na mulher que liderou uma nação. Não é transmitida a sua verdadeira história, não é transmitido o carisma e a força desta mulher de ferro.



Foi pena terem entregue este projecto a Phyllida Lloyd. Margaret Thatcher, a Grã-Bertanha, a interpretação de Meryl Streep mereciam algo melhor. Algo muito melhor. Mereciam, pelo menos, um filme que acompanhasse a qualidade da interpretação da maior diva viva do cinema. Em The Iron Lady, há muita Meryl Streep para tão pouco cinema.


Nota Final:
D+



Trailer:





Informação Adicional:
Realização: Phyllida Lloyd
Argumento: Abi Morgan
Ano: 2011
Duração: 105 minutos.










THE MUPPETS (2011)





Vai ser complicado falar deste filme sem me empolgar. Foi sem dúvida um dos momentos mais agradáveis que já tive numa sala de cinema. Os Marretas é um filme espectacular! Resume-se numa palavra. Espectacular. Do início, ao final (incluindo os créditos!).



Começamos pelo princípio. Walter é um boneco. Gary (Jason Segel) um jovem. Crescem e vivem como dois irmãos. São os melhores amigos, inseparáveis e companheiros para todos os momentos e aventuras. Partilham, entre outros, uma enorme admiração pela série infantil Os Marretas, um hábito e um interesse que cultivaram durante todo o seu crescimento. Quando Gary decide fazer uma viagem romântica com a sua noiva Mary (Amy Adams), não resiste em convidar o seu eterno amigo. Juntos visitam os antigos estúdios onde a sua série favorita foi gravada e rapidamente Walter percebe que algo de errado se passa com o local que produziu toda a magia que durante tantos anos o maravilhou.


O plano maquiavélico do magnata Tex Richman, que pretende transformar os velhos estúdios numa lucrativa exploração de petróleo é o ponto de partida para uma aventura incrível. Walter decide visitar o Sapo Cocas e convence-o a reunir toda a equipa dos Marretas e juntos trabalham na organização de um mega espectáculo que lhes permita reunir o dinheiro suficiente para recuperarem os velhos estúdios e garantirem que os sonhos e as ilusões dos seus fans para sempre terão um local de culto, onde a realidade se misturará com a ficção.


Inteligentíssimo, feito para enternecer miúdos e graúdos, com uma base muito sólida e construído com muita inteligência (é perfeitamente compreensível para qualquer pessoa que nunca tenha visto qualquer episódio das séries originais, graças ao enorme trabalho de selecção de cenas-chave, que definem e caracterizam cada um dos bonecos da série), Os Marretas é um filme para o qual todos os adjectivos serão brandos. Divertido, hilariante e completamente imprevisível. É rir do princípio ao fim, literalmente. Que fantástico argumento aqui está. E uma banda-sonora tão cativante e viciante, que ainda hoje a ouço com imenso prazer.


Uma óptima escolha para ver em família, com a namorada ou com os amigos. Os Marretas é um dos meus filmes favoritos deste ano.



Nota Final:
A
-



Trailer:





Informação Adicional:
Realização: James Bobin
Argumento: Jason Segel e Nicholas Stoller
Ano: 2011
Duração: 103 minutos

MISSION: IMPOSSIBLE - GHOST PROTOCOL



Ethan Hunt (Tom Cruise) regressou ao grande ecrã, cinco anos depois da desilusão com o terceiro filme da saga, para demonstrar que está vivo e de muito boa saúde. Começo por vos informar que Missão Impossível é um filme, no meu entender, muito direccionado para o público-alvo, para o adepto do género, do conceito e da personagem. Não recomendaria este filme a uma pessoa que não tenha gostado de nenhum dos filmes anteriores porque, se há coisa que sabe bem em Ghost Protocol, é repararmos que, ao fim de tantos anos, Ethan Hunt e a sua equipa regressam às origens e satisfazem a nossa nostalgia pela acção impossível, pelas cenas impossíveis e pela história impossível.


Tudo no filme é irreal e até o mais acérrimo dos fans consegue aceitar e perceber isso. Mas, se nos deslocamos à sala para ver uma Missão Impossível, sabemos para o que vamos e sabemos aquilo que esperamos. E é partindo desta ideia basilar, que fomenta o filme e as personagens, que nascem algumas incongruências e algumas debilidades que fragilizam o filme e que levam um apreciador de cinema a ficar de pé atrás, relutante em aceitá-lo como um filme bem conseguido. Se partir do princípio que Ghost Protocol é um filme do vale tudo, então aceito que a cabeçada monumental que Ethan Hunt dá contra a estrutura do edifício Burj Khalifa (numa das cenas mais intensas e bem conseguidas de todo o filme) não lhe cause um único arranhão. Se quiser analisá-lo de um ponto de vista racional, lógico e puramente cinematográfico (algo que penso ser desadequado), então temos aqui um filme bem conseguido que acaba, as espaços, por ser manchado por alguns erros clamorosos no que toca a segurança e razoabilidade das situações.


Quanto à história, se o leitor tiver visto algum dos filmes anteriores facilmente percebe que, sendo Ghost Protocol (e nisso, honra lhe seja feita) um filme que satisfaz por completo os fans do conceito inicial e regressa às origens do grande sucesso dos primeiros dois filmes, Tom Cruise e a sua equipa (Simon Pegg, William Brandt e Jane Carter) participam num filme carregado de cenas de acção, que se baseia nas sempre intrigantes teorias da conspiração, que motivam não só os personagens, como o espectador, a viver com intensidade as cenas que se desenrolam até ao clímax de toda a novela.

Nota Final:
C+


Trailer:





Informação Adicional:
Realização: Brad Bird.
Argumento: Josh Appelbaum e André Nemec.
Ano: 2011.
Duração: 133 minutos.

LA PIEL QUE HABITO (2011)


"The things the love of a mad man can do"

Há, para mim, poucos prazeres na vida e no cinema, que se equiparem ao prazer de ver um filme de Almodóvar. Mesmo aqueles de que não gostei (porque a história me pareceu mal preparada e às vezes incoerente), se tornam diferentes dos demais, pela marca pessoal a partir da qual Almodóvar define as suas longas-metragens, e que o tornaram um realizador, para muitos, de culto.


E La Piel Que Habito é seguramente o seu melhor filme desde os tempos áureos de Hablé con ella e Todo sobre mi madre, com um dos argumentos mais arriscados, delicados e controversos da sua carreira. Os elogios à pelicula são naturais e compreensíveis, e tornam-se ainda mais claros quando temos a oportunidade de ver o filme.



Robert Ledgard (Antonio Banderas) é um bem sucedido cirurgião plástico, especializado em cirurgias de redesignação sexual, que vive uma vida solitária, soturna e melancólica, ensombrado por um passado doloroso, marcado pela perda da sua esposa e da sua filha. Na sua gigantesca mansão, onde gasta grande parte das suas horas em pesquisas laboratoriais e onde, inclusivamente, se dá ao luxo de poder realizar operações plásticas, Robert controla com especial interesse a evolução de Vera Cruz (Elena Anaya), uma paciente que passa os dias entregue à solidão, à leitura e ao yoga. Sem contacto directo com nenhum dos empregados da casa (de onde se destaca, Marilia (Marisa Paredes), a mordoma com quem apenas fala por intercomunicador e que lhe satisfaz todos os caprichos), Vera é uma personagem misteriosa e o grande quebra-cabeças de todo o filme.


A história, que nos vai sendo contada de uma forma gradual, com visitas ao passado e regressos ao presente, é como um novelo que se desenrola lentamente e nos permite perceber o porquê da solidão, mágoa e dor que se vive na casa e na vida de Robert. É um filme brilhante, com uma banda sonora envolvente, uma fotografia que se destaca, não pela beleza das fotografias, mas pelo envolvimento natural e coerente com a atmosfera do filme. Tudo em La Piel Que Habito foi pensado, amadurecido, melhorado e aperfeiçoado. É Pedro Almodóvar no seu melhor.

Nota Final:
A-


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Pedro Almodóvar
Argumento: Obra de Thierry Jonquet, adaptada por Pedro Almodóvar
Ano: 2011
Duração: 117 minutos

50/50 (2011)


"A Tumor? Me? That doesn't make any sense though. I mean... I don't smoke, I don't drink... I recycle..."


Acabado de sair da sala de cinema, posso-vos dizer que gostei muito, diverti-me imenso e fiquei surpreendido com a qualidade cinematográfica de 50/50. Vamos por partes então.

Joseph Gordon-Levitt, no papel de Adam, interpreta o jovem querido e adorável que derrete o coração das espectadoras do sexo feminino. É impossível não apreciar a qualidade deste jovem actor, a consolidar a sua carreira já com uma mão cheia de papéis cativantes e muito bem recebidos pelo público. Adam, um jovem de vinte e sete anos que trabalha como jornalista numa rádio de Seattle, descobre que sofre de um raro cancro das células de Schwann, maligno e muito invasivo, que coloca a sua vida em risco. Decidido a curar-se, começa os tratamentos de quimioterapia, primeiro passo para a sua reabilitação.


Apoia-se no seu grande amigo Kyle, papel interpretado por Seth Rogen, do qual é impossível perceber o limite onde acaba a personagem e começa o actor. Ele nasceu para fazer o papel do tipo relaxado, consumidor de drogas leves e admirador do sexo feminino. Porque isso foi a imagem que Seth Rogen tão bem criou e cultivou em Hollywood. E neste papel, ele é garantidamente o melhor do mercado americano. Juntos, com a ajuda da terapeuta Katherine (Anna Kendrick), formam um elenco extremamente simpático e empático, do qual se gosta naturalmente.


50/50 é um filme feito para o grande público (ok, concordo que exista um certo limite para a sensibilidade e a capacidade de encaixe das piadas mais mórbidas e negras do filme, o que pode criar uma certa tensão numa sala onde os risos de uns se confundem com a indignação de outros), é um filme que vale mesmo a pena ver, que diverte e alegra o espectador, que transmite uma mensagem forte de uma forma tão natural quanto inteligente, com uma banda-sonora muito bem escolhida e um ambiente feliz. 50/50 é daqueles que se pode ver vezes sem conta. E que a televisão vai explorar até ao último cêntimo.

Nota Final:
B+



Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Jonathan Levine
Argumento: Will Reiser
Ano: 2011
Duração: 100 minutos

THE ADVENTURES OF TINTIN (2011)



Tenho que ser sincero. Tintin é um filme realmente engraçado, divertido, empolgante e cativante. Um "Two Thumbs Up!". Um sucesso. Não esperava admiti-lo, principalmente depois de saber que era Spielberg quem o iria realizar e depois de um trailer tão pouco convincente.


Mas, paradoxalmente, sempre desconfiei que Tintin me poderia surpreender. Em primeiro lugar, o trio de argumentistas que adaptaram a história de Hergé é bastante bom. Steven Moffat? Criador de Coupling, Sherlock e Doctor Who. Edgar Wright? Criador de Spaced, Shaun of Dead, Hot Fuzz e Scott Pilgrim. Joe Cornish? Criador do grande sucesso inglês do ano, Attack the Block. Em segundo lugar, porque as histórias de Hergé são, por si só, dotadas de um enorme potencial que, embora precisem de ser exploradas com alguma inteligência e sagacidade, podem facilmente garantir o sucesso de um filme. E por último porque foi depositada em Peter Jackson a tarefa de "criar" Tintin. E, algo que quero salientar, é a qualidade das imagens (em 2D) do filme. Graças às potencialidades da equipa de Jackson, o espectador tem a oportunidade de entrar dentro do desenho animado, de ver uma banda desenhada, no seu verdadeiro signficado, projectada numa película de cinema.


Por fim, a história, emocionante, consegue cativar o espectador sem grandes dificuldades. A cumplicidade de Tintin (Jamie Bell) e Milu é muito bem explorada, a personagem do Capitão Haddock (Andy Serkis) completamente hilariante e só fiquei com uma pontinha de desilusão devido às parcas aparições dos sempre divertidos irmãos Dupond e Dupont. Tudo gira à volta da miniatura de um barco que Tintin adquire numa feira de antiquidades por mera curiosidade. O assalto à sua casa, onde o pequeno barco é roubado, e a insistência de um estranho coleccionador em o adquirir, são o ponto de partida para mais uma aventura perigosa e atribulada desta personagem e do seu eterno companheiro.




Se quiser, Spielberg tem aqui uma mina de ouro para se encher de dinheiro para si e para as suas próximas quatro ou cinco gerações. Representar Tintin no cinema, com esta qualidade de imagem e efeitos especiais, é um sucesso garantido.

Nota Final:
A-/B+



Trailer:





Informação Adicional:

Realização:
Steven Spielberg
Argumento: Joe Cornish, Edgar Wright, Steven Moffat
Elenco: Jamie Bell, Daniel Craig, Andy Serkis, Nick Frost, Simon Pegg
Fotografia: Janusz Kaminski
Banda Sonora: John Williams
Ano:
2011
Duração:
107 minutos