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DIAL P FOR POPCORN

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12 anos depois, Baz volta a abrir Cannes



Há doze anos, "Moulin Rouge!" abria então a secção competitiva do Festival de Cannes de 2001. Depois de críticas mornas, estreou nos Estados Unidos com maior entusiasmo e construiu a sua base de fãs para conquistar oito nomeações aos Óscares, vencendo duas estatuetas.


É bom ver então Baz Luhrmann de volta ao certame francês uma dúzia de anos depois para apresentar o seu novo filme, "The Great Gatsby", que tem incitado grande expectativa (afinal, é a adaptação de uma das maiores obras literárias de sempre pelo realizador mais artístico e criativo do cinema moderno). Temo que o resultado final nunca agradará à crítica especializada que se desloca ao festival, mais dada a cinema de autor e ao triunfo do conteúdo sobre a apresentação - uma fina linha que Luhrmann nunca soube navegar, dado que os seus filmes são sempre melhores espectáculos audiovisuais do que propriamente excelentes narrativas - e "Gatsby" acabará por sofrer, tal qual como sofreu "Australia" (eu bem me lembro de como os críticos desfizeram a película - tudo bem, Luhrmann e a sua megalomania mereceram - e arrumaram com qualquer buzz que pudesse originar). Bem, para já, esperemos pelo melhor. 


Pelo menos, mais não seja, Cannes garante um filme de alto nível de prestígio para abrir o seu festival, com um rol de estrelas de Hollywood - DiCaprio, Mulligan, Maguire, Fisher, Edgerton - para abrilhantar a passadeira vermelha.

Em Sundance começou a corrida aos Óscares de 2014


Há minutos foram revelados os vencedores da edição de 2013 do Festival de Sundance, certame que decorre nas planícies do Utah no princípio de cada ano e que se dedica especialmente a filmes alternativos, independentes, com o objectivo de lhes trazer maior visibilidade. 


Com "Fruitvale" de Ryan Coogler (adquirido dias após a sua exibição pela titã The Weinstein Company, peritos da corrida aos Óscares) a vencer não só o Grande Prémio do Júri - Drama (sucedendo a "Beasts of the Southern Wild" e juntando-se a vencedores ilustres deste troféu como "Winter's Bone" ou "Precious") como o Prémio da Audiência - Drama (sucedendo a "The Sessions", sendo que "Precious" também venceu este prémio no seu ano), parece-me que temos aqui o primeiro candidato à corrida aos Óscares de 2014. Protagonizado por Michael B. Jordan ("Parenthood", "The Wire", "Friday Night Lights") e Octavia Spencer (vencedora do Óscar por "The Help"), "Fruitvale" conta a história verídica das últimas horas de vida de Oscar Grant.


Tendo em conta as críticas (vão clicando e vendo, se quiserem: Indiewire; Shadow and Act; Twitch; The Hollywood Reporter; Collider; Thompson on Hollywood) não me restam grandes dúvidas: contem com este filme para os prémios de fim de ano (até Tom Rothman o disse na entrega do prémio do júri). 

De Sundance fico com vários outros filmes na retina para acompanhar ao longo do ano (de "Prince Avalanche" de David Gordon Green a "The Spectacular Now") e, essencialmente, com esta senhora (não me importam as críticas, estou morto por ver):



Os restantes vencedores AQUI.

[ÚLTIMA HORA] Vencedores do Festival de Veneza


Os grandes vencedores do Festival de Veneza acabaram de ser anunciados, numa cerimónia que sucedeu a sessão de encerramento do festival, que ficou a cargo de "Damsels in Distress" de Whit Stillman. Mais logo viremos analisar como decorreu o festival e os títulos que de lá saíram que poderão fazer mossa na campanha aos Óscares do outro lado do Atlântico. Para já, cá ficam os vencedores, uma lista muito diversa com grande - e curiosa - predominância asiática e com um vencedor bastante polémico e inesperado:


Leão de Ouro:
  "Faust", Alexander Sukurov

Leão de Prata (Melhor Realizador):
  Shangjun Cai, "People Mountain, People Sea"



Copa Volpi para Melhor Actor:
Michael Fassbender, "Shame"

Copa Volpi para Melhor Actriz:
  Deanie Yip, "A Simple Life"

Grand
e Prémio do Júri:
  "Terraferma", Emmanuele Crialese

Prémio Marcelo Mastroianni (Melhor Novo Actor ou Actriz):
Shota Sometami, Fumi Nikaido, "Himizu"

Osella para Melhor Argumento:
Yorgos Lanthimos, "Alps"

Osella para Melhor Fotografia:
Robbie Ryan, "Wuthering Heights"

Prémio FIPRESCI:
  Em Competição (Venezia 68): “Shame”
Fora de Competição: “Two Years”

Prémio SIGNIS:
“Faust”
Menção Honrosa: “A Simple Life”

Leão de Ouro do Futuro:
“Là-Bas”

Prémio Cinema Europeu - Fora de Competição:
“Présumé Coupable (Guilty)”

Prémio Pequeno Leão de Ouro (Leoncino d’Oro Agiscuola):
“Carnage

Prémio UNICEF:
“Terraferma”

Prémio Francesco Pasinetti (SNGCI):
“Terraferma

Prémio Brian:
“The Ides of March”

Prémio Leão Queer (Melhor Filme LGBT):
“Wilde Salome

Prémio Arca CinemaGiovani:
  “Shame” e “L’ultimo terrestre

Prémio CinemAvvenire:
“Shame”

Prémio Inovação Digital:
“Faust”
Menção Honrosa: “Kotoko”

Prémio Rato de Ouro:
“Killer Joe”
Rato de Prata: “Kotoko”

SECÇÃO ORIZZONTI:

Premio Orizzonti
(Longa-Metragem):
"Kotoko"

Prémio do Júri (Longa-Metragem):
"Whores’ Glory"

Prémio Orizzonti (Meia-Metragem):
"Accidentes Gloriosos" 

Prémio Orizzonti (Curta-Metragem):
"In attesa dell'avvento"

Menções Especiais:
"The Orator"
"All The Lines Flow Out"


Leão de Ouro de Carreira:
Marco Bellocchio

Prémio Jaeger-LeCoultre:
Al Pacino

De olhos postos em Veneza

Antes de mais, queria pedir desculpa pela minha ausência relativamente prolongada das lides do blogue. Penso contudo que não ficaram mal abandonados porque o Samuel esteve por cá e continuou com o nosso mês especial de celebração do nosso primeiro aniversário com a excelência do costume. Cabe-me a mim continuar agora, que ele também tirou uns dias para descansar.

A época balnear está praticamente a acabar e, com ela, a quietude e os projectos cinematográficos de largo orçamento que populam os nossos Verões - habitualmente uma mistura de comédias e filmes de acção e de super-heróis - esvaem-se da nossa mente para dar lugar àquela que é, afinal, todos os anos a nossa razão de acompanhar a corrida aos Óscares: a silly season, ou, se quisermos, a época dos festivais. Veneza, Telluride, Toronto e Nova Iorque estão aí à porta e todos prontos para iniciar campanhas, desvendar obras-primas, destruir esperanças e sonhos e, acima de tudo, proporcionar uma primeira visualização dos grandes títulos dos candidatos deste ano.

Confesso que este ano decidi deixar para bem mais tarde do que o costume as minhas primeiras previsões aos Óscares. Está a ser um ano difícil de desvendar e, ao contrário do que me é habitual, não tenho mais do que uma ou duas certezas por categoria. São dúvidas a mais para estar a vislumbrar sem ter visto os filmes e são demasiados projectos de prestígio inegável para me estar a multiplicar em contas e raciocínios sem fim. Decidi esperar pelo final de Veneza e Telluride e antes do início de Toronto para acertar os meus cálculos e redigir as minhas primeiras impressões ao que poderá ser a corrida deste ano.


Do que 2011 já nos trouxe, penso que só quatro filmes, até agora, se poderão considerar verdadeiros candidatos a nomeações nas principais corridas: o madrugador e envolvente "Jane Eyre" de Cary Fukunaga, a brilhante ressurgência de Woody Allen com "Midnight in Paris", a nova tese experimental de Terrence Malick - e vencedor da Palma de Ouro do mais recente Festival de Cannes, "The Tree of Life" e a improvável história de sucesso que Tate Taylor tem em "The Help". Obviamente que fãs dedicados dirão que "Bridesmaids", "Harry Potter and the Deathly Hallows: Part II", "Rise of the Planet of the Apes" ou "Super 8" têm argumentos para competir em Dezembro. Sendo realistas, penso que a sua melhor hipótese é uma ou outra nomeação em categorias técnicas. Pouco mais. O que temos depois, de resto, são muitas suposições. Não custa a ninguém dizer que Clint Eastwood, Alexander Payne, David Cronenberg, George Clooney, Steven Spielberg, Stephen Daldry, David Fincher e Roman Polanski, entre outros, serão nomes a temer na corrida deste ano. O que é difícil é que cada um dos filmes destes magníficos realizadores atinja o sucesso que deles é esperado. Comprovar as expectativas é o que todos eles desejam - mas a época de festivais não costuma ser sinónimo de felicidade para todos.


É por isso, então, que todos os olhos estão a partir de hoje postos em Veneza, nas belas praias do Lido, no festival mais antigo do Mundo, onde reina o glamour e o charme de Hollywood sem se esquecer que o importante é o Cinema. Amanhã (hoje, aliás, já passa da meia-noite em território português), dia 31 de Agosto, o Festival de Veneza abre com o seu maior trunfo: a estreia mundial de "The Ides of March", produzido, escrito e realizado por George Clooney, que também protagoniza ao lado de Ryan Gosling e secundado por um elenco impressionante onde se contam os nomes de Marisa Tomei, Philip Seymour Hoffman e Paul Giammati, entre outros. Se o filme for tão bom quanto as expectativas que projecta, será indubitavelmente um dos nomes a marcar presença entre os nomeados para os Óscares deste ano. Frederick Wiseman tem o seu documentário "Crazy Horse" a estrear também no primeiro dia de festival.

Catherine Deneuve na passadeira vermelha antes de "Black Swan", o filme de abertura de 2010


Na quinta-feira, 1 de Setembro, será a vez de Roman Polanski desfilar na carpete vermelha com Kate Winslet, Christoph Waltz, Jodie Foster e John C. Reilly para a estreia mundial de "Carnage". Também a presença de Madonna será sem dúvida marcante, ela que vem a Veneza apresentar o seu novo filme, "W. E.", baseado na história de amor entre o Príncipe Edward e Wallis Simpson, protagonizado por Abbie Cornish, James D'Arcy e Andrea Riseborough. A interpretação desta última tem gerado grande entusiasmo nos bastidores de Hollywood e muitos garantem que uma nomeação para Actriz Secundária é garantida.

Darren Aronofsky, o presidente do Júri da edição de 2011, na estreia mundial de "Black Swan" em 2010


A sexta-feira (2 de Setembro) traz-nos outro dos títulos mais antecipados do ano: Keira Knightley, Viggo Mortensen e Michael Fassbender virão abrilhantar a carpete vermelha e promover a estreia mundial do novo filme do enorme David Cronenberg, que aborda a relação peculiar entre Carl Jung e Sigmund Freud em "A Dangerous Method". Outro grande destaque do dia vai para a exibição integral da mini-série da HBO protagonizada por Kate Winslet e realizada por Todd Haynes: "Mildred Pierce". É também na sexta-feira que o português "Palácios de Pena" de Abrantes e Schmidt faz a sua estreia em Veneza, no mesmo dia em que Philippe Garrel vem mostrar o seu "Un Eté Bruliant" e Ross McElwee vem apresentar o seu mais recente filme, "Photographic Memory".

O dia 3 de Setembro, sábado, traz-nos a estreia do novo filme dos realizadores de "Persepolis", "Chicken with Plums", protagonizado por Mathieu Amalric e Maria de Medeiros, o filme que Giorgos Lanthimos escolheu para suceder a "Dogtooth", "Alps", o documentário "Sal", de James Franco, sobre o ídolo gay adolescente dos anos 50, Sal Mineo e "La Follie Almayer" de Chantal Akerman. Porém, o grande destaque do dia é a estreia do primeiro de dois filmes que Steven Soderbergh tem em contenção este ano, o filme de acção com toques apocalípticos "Contagion", com um elenco de requinte composto por Kate Winslet, Jude Law, Gwyneth Paltrow, Matt Damon, Lawrence Fishburne e Marion Cotillard. Será um óptimo dia para os paparazzi, obviamente, com tantas estrelas de Hollywood a passar pela Biennale.

Nicholas Hoult na estreia mundial de "A Single Man" em 2009


O dia de domingo, 4 de Setembro, vem com um filme de potencial absolutamente explosivo que não será, todavia, do agrado de todos. Michael Fassbender volta à carpete vermelha, juntando-se desta vez a Carey Mulligan e a Steve McQueen na estreia mundial de "Shame", que aborda a relação tempestuosa entre dois irmãos, um deles viciado em sexo. Outros destaques do dia: a estreia de "Wilde Salome" de Al Pacino, que realiza e protagoniza a película ao lado de Jessica Chastain (que continua a aparecer em todo o lado este ano) e "We Can't Go Home Again" de Nicholas Ray.

A primeira semana de festival fecha na segunda-feira, dia 5 de Setembro, com a estreia mundial de "Tinker, Taylor, Soldier, Spy", uma das grandes incógnitas do ano, de quem se espera tudo. Um elenco bestial, de Tom Hardy a Gary Oldman, de Colin Firth a John Hurt, dirigido pelo sueco Thomas Alfredson ("Let the Right One In") e adaptado de um romance de John Le Carré, o potencial deste filme é inegável. Será que tal se vai traduzir em ouro... ou vai-se desfazer em cinzas? É também na segunda-feira que Todd Solondz volta a Veneza (onde foi feliz em 2009 com "Life During Wartime") para a estreia do seu "Dark Horse" e que Jonathan Demme surge com o seu documentário "I'm Carolyn Parker".

Da segunda semana falaremos precisamente na próxima segunda, em que analisaremos quais os filmes que colocaram a crítica e a imprensa especializada que se deslocou a Veneza em estado de ebulição e quais aqueles que os fizeram entrar num quadro profundo de depressão e começaremos a avaliar, mais a sério, as hipóteses destes filmes em estreia na primeira semana na caça aos Óscares. De relembrar que a segunda semana traz mais candidatos e de diversos tipos, desde o novo filme de Andrea Arnold, "Wuthering Heights", à procura de alcançar o mesmo sucesso que obteve com "Fish Tank", o novo Alexander Sukurov, "Faust" e novas películas de Mary Harron, William Friedkin, Abel Ferrara, Pietro Marcello, entre outros e ainda o português "Cisne", de Teresa Villaverde. Promete.

Vencedor da Copa Volpi em 2009, "Lebanon"

Veneza pode não ter o estatuto de festival propício a campanha para os Óscares (esse é, invariavelmente, Toronto), mas compensa largamente a sua falta de pedigree com uma mostra de fazer inveja a meio mundo. Nos últimos anos emergiu sempre um grande candidato aos prémios da Academia de Veneza - "Black Swan" em 2010, "A Single Man" em 2009, "The Hurt Locker" e "The Wrestler" em 2008 (depois da estreia em Veneza o filme de Kathryn Bigelow viria a ser comprado para distribuição em 2009), "Atonement" e "Michael Clayton" em 2007, "The Queen" em 2006, "Brokeback Mountain" e "Good Night and Good Luck" em 2005, "Vera Drake" em 2004, entre outros exemplos. Outros títulos de destaque no certame italiano dos últimos anos são, por exemplo, "Rachel Getting Married", "Burn After Reading", "Shirin", "Ponyo", "35 Shots of Rum", "Les Plages d'Agnès", "White Material", "The Road", "Soul Kitchen", "Lola", "The Informant!", "Somewhere", "Meek's Cutoff", "The Town", "Machete", "The Constant Gardener", "Cinderella Man", "Corpse Bride", "I'm Not There", "In the Valley of Elah", "The Darjeeling Unlimited", "Lust, Caution", "REC", "Children of Men", "The Fountain", "The Devil Wears Prada", "Inland Empire" e "Lebanon". 

Como se vê, muitos bons filmes têm surgido em Veneza ao longo dos anos. Quais serão os destaques deste ano?

Festivais: TIFF (Toronto) e Biennale (Veneza)


Para ajudar a limpar o paladar de tanto artigo sobre animação, decidi oferecer a minha opinião sobre a lista dos filmes a competição nos dois festivais que mais aprecio, a Biennale de Veneza e o Festival de Toronto (TIFF).


Como eu gosto da época de festivais. O primeiro local de passagem dos grandes candidatos aos Óscares, salvo algumas (raras - e cada vez mais o são) excepções. Local de destruição de sonhos, de construção de campanhas, de origem de algumas das mais bem sucedidas Oscar stories dos últimos anos. Veneza foi onde Colin Firth, em 2009, começou, de forma algo surpreendente, a sua corrida a Melhor Actor por "A Single Man". Em 2010 foi em Toronto e Telluride que o mesmo viria a repetir esta mesma campanha, desta feita sorrindo a ele a sorte no final. Foi em Veneza o ano passado também que Natalie Portman iniciou a sua trajectória de sucesso. A Biennale premiou apenas Mila Kunis mas "Black Swan" viria a conquistar o mundo, conquistando oito nomeações. Toronto é habitualmente lugar onde os filmes independentes dão à costa. "Juno" e "Little Miss Sunshine" foram destaques em 2007 e 2006, respectivamente, levando as audiências ao rubro - e obviamente a Academia também. Já Veneza é mais local de prestígio para desfile de estrelas e de grandes realizadores. E este ano, uma vez mais, não é excepção - cada um apresenta um pouco do mesmo de outros anos, numa tentativa de agradar tanto a quem os visita pela mostra cinematográfica, como quem se desloca aí para ver as estrelas e como quem só quer passar um bom bocado dentro de uma sala de cinema. Vejamos a programação de cada.

VENEZA

 
O Festival de Veneza é o primeiro a abrir, a 31 de Agosto, estendendo-se até 10 de Setembro, três dias após a abertura do Festival de Toronto. Pelo meio ainda há Telluride. Veneza abre com um filme carregado de estrelas: o thriller político "The Ides of March", realizado por George Clooney, que deverá garantir sala esgotada e público ao rubro para aplaudir Clooney, Gosling, Seymour Hoffman, Tomei, Giammati e Wood. A constelação de estrelas deve continuar com a estreia de "Contagion", que trará Steven Soderbergh, Matt Damon, Kate Winslet, Marion Cotillard e Gwyneth Paltrow a Itália. Os outros três grandes títulos do ano que Veneza vai estrear são, indubitavelmente, três grandes pontos de interrogação. "Carnage", de Roman Polanski, conta com Kate Winslet, Jodie Foster, John C. Reilly e Christoph Waltz no elenco, o que, em teoria, seria garantia de sucesso. A ver vamos. "A Dangerous Method" é o primeiro filme prestige de David Cronenberg e conta com Michael Fassbender, Keira Knightley e Viggo Mortensen nos principais papéis. Contudo, Cronenberg já avisou que não é para todos os gostos e que é um trabalho bem experimental. O que só me excita mais, embora acredito que para a Academia a reacção seja oposta. Finalmente, teremos ainda um ar de sua graça com "Tinker, Taylor, Soldier, Spy" de Thomas Alfredson ("Let the Right One In"), que poderá trazer a Gary Oldman o seu primeiro Óscar - e, dizem as primeiras críticas, a Colin Firth o seu segundo.

 
Outros filmes que me suscitam grande interesse são o novo projecto de Yorgos Lanthimos ("Dogtooth"), intitulado "Alps"; a nova incursão de Madonna pela sétima arte, na forma de "W. E."; o novo trabalho de Satrapi e Paronnaud, "Chicken with Plums", responsáveis pela maravilhosa "Persepolis"; o novo filme do grande Steve McQueen, "Shame", que o reúne com Michael Fassbender depois de "Hunger"; e a surpreendente Andrea Arnold que, depois de "Fish Tank", se propôs a adaptar "Wuthering Heights" para os tempos modernos.

O resto das estreias mundiais de Veneza são um misto de grandes autores - Alexander Sukurov ("Faust"), Abel Ferrara ("Last Day on Earth"), William Fredkin ("Killer Joe"), Todd Solondz ("Dark Horse"), Mary Harron ("The Moth Diaries") e Jonathan Demme ("I'm Caroline Parker: The Good, the Mad and the Beautiful") - ilustres quase-desconhecidos como Chantel Akerman ("La Folie Almayer"), Philippe Garrel ("A Burning Hot Summer"), Eran Korilin ("The Exchange"), Ami Canaan Mann ("Texas Killing Fields"), Wei Te-Sheng ("Seediq Bale"), Sion Sono ("Himizu") e realizadores italianos como Cristina Comencini ("Quando La Notte"), Gipi ("L'ultimo Terrestre") e Emanuele Crialese ("Terraferma"). E James Franco ainda arranja tempo no meio de tanto projecto para realizar "Sal".

De notar ainda a presença de duas películas portuguesas nas secções fora de competição: a longa-metragem "Cisne" de Teresa Villaverde e a meia-metragem "Palácios da Pena", de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, ambos na secção Horizontes.

O festival é encerrado por "A Damsell in Distress" de Stillman. Podem consultar o programa na íntegra AQUI.



TORONTO



O Festival de Toronto, por sua vez, abre a 8 de Setembro. Muito mais habituado que o seu congénere italiano a ser um autêntico íman para estreias mundiais e norte-americanas dos grandes candidatos aos Óscares (a par com o seu companheiro do Colorado, o Telluride Film Festival, que começa dias antes), o Festival de Toronto gera, de facto, muito maior apetência só pelo potencial (em bruto) da sua programação. Este ano é ainda melhor do que o ano passado em termos de estreias e fará, sem dúvida, as delícias de quem se deslocar a território canadiano.


Toronto decidiu abrir as hostes em modo low profile, com "From the Sky Down", um documentário de David Guggenheim sobre os U2, embora tenha em "Moneyball" de Bennett Miller, que conta com Brad Pitt, Jonah Hill e Philip Seymour Hoffman o seu título de maior peso. Contudo, o grande aperitivo do festival, pelo menos a meu ver, é o novo filme de Alexander Payne, "The Descendants", protagonizado por George Clooney. A última vez que Payne realizou um filme - e o estreou em Toronto e Telluride - foi "Sideways" e toda a gente sabe como isso acabou, por isso a expectativa sobre este "The Descendants" é enorme.



Toronto vai ser também o palco da primeira ronda da batalha hercúlea entre Meryl Streep e Glenn Close pelo troféu de Melhor Actriz, com a estreia mundial de "Albert Nobbs". Visto que "The Iron Lady" não deverá surgir em nenhum festival até ao seu dia de estreia norte-americana nos cinemas, Glenn Close poderá aqui ganhar uma preciosa vantagem junto da crítica e gerar buzz importante que a impulsione para a frente da corrida. Entre as restantes estreias mundiais temos os novos projectos de dois enormes realizadores ("Twixt" de Francis Ford Coppola e "The Lady" de Luc Besson), "Take This Waltz" de Sarah Polley, "The Eye of the Storm" de Fred Schepisi e "The Deep Blue Sea" de Terrence Davies à procura de compradores, bem como o novo filme de Fernando Meirelles, "360", que busca redenção após o falhanço de "Blindness". Entre os filmes com enorme buzz que esperam tirar partido de Toronto encontramos "50/50" de Jonathan Levine com Joseph Gordon-Levitt, Seth Rogen, Anna Kendrick e Anjelica Huston, "A Better Life" de Cédric Khan, "Jeff Who Lives at Home" dos irmãos Duplass, "Machine Gun Preacher" de Marc Forster, "Rampart" de Oren Moverman, o brilhante realizador por detrás de "The Messenger", "Salmon Fishing in the Yemen" do amigo da Academia Lasse Hallstrom ("Chocolat", "Cider House Rules"), "Ten Year" de Jamie Linden, "Friends with Kids" de Jessica Westfeldt, "Tyrannosaur" de Paddy Considine, "Burning Man" de Jonathan Teplitzky e o novo filme de Michael Winterbottom ("A Mighty Heart"), "Trishna". Surpreendentemente, a adaptação de Shakespeare por parte de Roland Emmerich, "Anonymous", também arranjou colocação na programação de Toronto.


Como de costume, Toronto também reúne a grande maioria das estreias mundiais de Cannes e Veneza para a sua estreia norte-americana, bem como alguns títulos presentes em Sundance e em Berlim nos festivais do primeiro trimestre de 2011. Assim, "A Dangerous Method", "Chicken with Plums", "Dark Horse", "The Ides of March", "Shame", "W. E." e "Killer Joe" farão a sua estreia em território norte-americano após surgirem no Festival de Veneza.

"Drive" de Winding Refn, "Habemus Papam" (o novo filme de Nanni Moretti que surpreendentemente não surge na programação do festival italiano), "The Artist" de Hazanavicius, "The Woman in the Fifth" de Pawlikowski, "Melancholia" de Lars von Trier, "La Piel Que Habito" de Pedro Almodovar e "We Need to Talk About Kevin" de Lynne Ramsay também reaparecem no circuito de festivais após serem aplaudidos em Cannes.


Ralph Fiennes vem trazer o seu "Coriolanus" a Toronto depois de o fazer estrear em Berlim, juntando-se ainda aos três nomes mais sonantes a sair de Sundance: "Like Crazy", "Martha Marcy May Marlene" e "Take Shelter", que procurarão começar as suas campanhas para Felicity Jones, Elizabeth Olsen e John Hawkes e Michael Shannon e Jessica Chastain, respectivamente.





Para quem quiser consultar a programação completa de Toronto, sugiro que dê uma vista de olhos AQUI.




E a vocês, que vos parecem os Festivais deste ano?

UPDATE: "Somewhere" leva Golden Lion em Veneza!


E numa jogada surpreendente, é "SOMEWHERE", o novo filme de Sofia Coppola sobre a vida em Hollywood (e supostamente baseado em parte na vida com o seu pai, o renomado realizador Francis Ford Coppola), que leva o Leão de Ouro, prémio máximo do Festival de Veneza, para casa. Contrariando as expectativas e as previsões, que tinham escolhido "Black Swan", "Black Venus", "Silent Souls" e "Meek's Cutoff" como grandes favoritos, o filme foi "votado de forma unânime", segundo diz Tarantino, que ainda acrescenta que "o filme encantou-nos logo quando o vimos, mas com o tempo foi crescendo e crescendo nos nossos corações, na nossa análise, na nossa mente e nos nossos afectos". Portanto, nada de insinuar coisas pelo facto de ele ter namorado com Coppola no final dos anos 90. Contudo, não deixa de ser uma escolha nada consensual.

Quem também foi escolhido pelo júri e considerado escolhas algo controversas foram o Melhor Actor e a Melhor Actriz seleccionados pelos jurados do certame. Vincent Gallo chegou mesmo a ser apupado e assobiado. Ariane Labed foi algo completamente imprevisível, até porque todo o mundo apostava que uma das três grandes actrizes presentes em competição, Michelle Williams, Catherine Deneuve e Natalie Portman (todas com extraordinárias interpretações), fosse a vencedora. Bem, será de algum contentamento para "Black Swan" o prémio de Melhor Jovem vencido por Mila Kunis, diria eu. Já não é mau.

Confira a lista de prémios:

LEÃO DE OURO para Melhor Filme:
"Somewhere", by Sofia Coppola

LEÃO DE PRATA para Melhor Realizador:
Alex de la Iglesia for “Balada Triste de Trompeta”

PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI:
“Essential Killing” by Jerzy Skolimowsky

TAÇA VOLPI para Melhor Actor:
Vincent Gallo for “Essential Killing”

TAÇA VOLPI para Melhor Actriz:
Ariane Labed for “Attenberg”

OSELLA para Melhor Argumento:
Alex de la Iglesia for “Balada Triste de Trompeta”

PRÉMIO MARCELLO MASTROIANNI para Melhor Actor/Actriz Jovem:
Mila Kunis for “Black Swan"

OSELLA para Melhor Fotografia:
Mikhail Krichman for “Silent Souls”

LEÃO ESPECIAL:
Monte Hellman

PRÉMIO CINEMA EUROPEU:
“The Clink of the Ice”

LEÃOZINHO DE OURO (Golden Lion Club), prémio atribuído pelos jovens:
“Barney’s Version”

QUEER LION para Melhor Filme Gay:
“In the Future”


Mais prémios:

Prémio UNICEF:
"Miral" de Julian Schnabel

PRÉMIO CONTRAPONTO para Melhor Filme Italiano:

"20 Sigarette" de Aureliano

LEÃO DO FUTURO / Prémio Luigi de Laurentis:
"Cogunluk (Majority)" de Seren Yüce


Secção Horizonte (ORIZONTI) - Realizadores do Futuro:

FILME HORIZONTE:
"Verano de Goliat" de Nicolás Pereda

PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI:
"The Forgotten Space" de Noël Burch e Allan Sekula

MELHOR MÉDIA-METRAGEM:"Tse (Out)" de Roee Rosen

MELHOR CURTA-METRAGEM:
"Coming Attractions" de Peter Tscherkassky

MELHOR CURTA-METRAGEM VENEZA:
"The External World" de David O'Reilly

MENÇÃO ESPECIAL:"Jean Gentil" de Laura Amelia Guzmán e Israel Cárdenas

Música no Cinema: "Never Let Me Go"


Já cá virei mais tarde hoje ou amanhã para falar das críticas e do buzz que resultou dos Festivais de Veneza e Telluride, onde estrearam grande parte dos filmes candidatos a prémios este ano nos Óscares. Ainda faltam o Festival de Toronto e o Festival de Nova Iorque para a campanha terminar e a Oscar season começar a sério, mas Telluride e Veneza reuniram tantos títulos interessantes que vejo-me obrigado a falar mesmo neles. Entre eles, em Telluride, estava "Never Let Me Go", que este blogue se tem fartado de elogiar, protagonizado por Andrew Garfield, Carey Mulligan e Keira Knightley e baseado na obra-prima de Kazuo Ishiguro, também do mesmo nome. Recebeu críticas francamente positivas, mas tem sido muito divisivo, razão pelo qual as suas ambições têm que baixar para a cerimónia dos Óscares em 2011.


Mas antes de falar nesse filme e noutros no post a que já me referi acima, decidi voltar a atenção para outro aspecto deste "Never Let Me Go", que tem sido amplamente elogiado a ponto de ser um dos favoritos à nomeação na sua categoria: a banda sonora belíssima de Rachel Portman (antiga vencedora de um Óscar, em 1996, por "Emma"). 


Esta banda sonora só vai ser lançada no mercado norte-americano no dia 14 de Setembro, um dia antes da estreia a nível nacional do filme, contudo já foi posta para download no iTunes há dois dias. Custa 9,99€ e sinceramente eu aconselho-vos a comprá-la (ou então obtê-la mais tarde por meios ilícitos, vocês é que sabem) porque ela é extraordinária. Mesmo. Alguns dos temas mais poderosos e profundos ("Ruth's Betrayal" ou "The Pier, The Pier"), alguns mais leves e adocicados ("We All Complete" e "Making Tea") e ainda outros emocionantes, intensos, ecoantes (como "The Worst Thing I Ever Did" e "Kathy and Tommy"). Tem de tudo e é brilhante.

Entretanto, se quiserem, podem ouvir pequenos trechos de 30 segundos das músicas (previews) no iTunes: fica aqui o link (aconselho que tenham o QuickTime e o iTunes instalado).

Desafio: Veneza'2011?


Como sabem, começou anteontem o 67º Festival de Veneza e prolonga-se até dia 11, contando entre os filmes presentes no festival grandes filmes em potência como "Black Swan" de Darren Aronofsky, "Miral" de Julian Schnabel, "Somewhere" de Sofia Coppola, "Meek's Cutoff" de Kelly Reichardt, "Barney's Version" de Richard Lewis, "The Town" de Ben Affleck, "Machete" de Robert Rodriguez, "A Letter to Elia", documentário de Martin Scorcese, "I'm Still Here", documentário de Casey Affleck e "The Tempest" de Julie Taymor - deixo-vos em seguida os programas completos da secção Out of Competition aqui e da secção principal, o Venezia 67, aqui. E estes dez títulos que ressalvei seriam provavelmente os filmes que eu procuraria ver se estivesse lá.


Por isso é que deixo aqui um pequeno desafio aos leitores cinéfilos deste blogue... Estou a tentar planear a ida a Veneza, a este festival, em 2011. Aceita-se companhia para a ida ao Lido, a Veneza, à Biennale, para presenciar este magnífico espectáculo que deve ser o Festival de Veneza. E ainda por cima se tiver filmes como "Black Swan" associados ao evento... Deixo-vos aqui os preços dos bilhetes.


Alguém está interessado?