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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

Algo novo, Sofia, fico à espera




Oh, Sofia. Começou tão bem a nossa relação, ao fazer da Kirsten Dunst uma das actrizes mais promissoras da sua geração (que ela viria a confirmar na vossa segunda colaboração, injustamente mal amada). Lá conseguiste a estatueta por um filme que, não importa o que fizeres mais na tua carreira, será para sempre lembrado e adorado. Nesse, além de mostrares ao que vinhas, pegaste numa actriz ensossa como a Scarlett e fizeste-nos pelo menos pensar, já lá vão dez anos, que ela conseguia ser uma actriz a sério. O problema foi que voltaste com tanta promessa e o que deste foi muito pouco. A variação entre temáticas e atmosfera dos teus filmes não mudou. Hollywood está à espera de ver que mais sabes fazer. Será desta? Ou teremos que aceitar de vez que Sofia Coppola, a filha do lendário Francis Ford Coppola, não herdou nem 10% da versatilidade do pai? Fico à espera, Sofia, fico à espera.

MY WEEK WITH MARILYN (2011)




Little girls shouldn't be told how pretty they are. They should grow up knowing how much their mother loves them.


A 15 de Janeiro de 2012, precisamente cinquenta anos depois, o nome de Marilyn Monroe volta a ser mencionado numa cerimónia de entrega de prémios. Michelle Williams vence a categoria de Melhor Actriz - Comédia/Musical pela sua interpretação como Marilyn Monroe em "MY WEEK WITH MARILYN", relembrando - e bem - no seu discurso que vencera o prémio que o astro que interpretou havia vencido também (aliás, o único prémio que a indústria cinematográfica lhe conferiria) em 1960, por "Some Like It Hot". O que é, para mim, mais peculiar é que Michelle Williams tenha vencido o troféu cinquenta anos depois da última aparição ao vivo de Marilyn Monroe, que recebeu o Globo de Ouro para Melhor Estrela Feminina do Cinema, um prémio nos dias de hoje extinto. Monroe viria, de forma infame, a falecer cinco meses depois, em Agosto de 1962. Tinha 36 anos. Não conseguiria imaginar uma forma mais bonita de Monroe ser homenageada do que esta, se bem que acredito que tenha sido acidental.


Voltando ao filme. Foi dito que ninguém conseguiu, consegue ou conseguirá encarnar Marilyn Monroe. É, de facto, uma tarefa hercúlea, efectuar o malabarismo entre a doçura, a sensualidade, a graciosidade, a ingenuidade, o brilho, o talento e a beleza, todas as qualidades que compunham Marilyn Monroe. Ninguém será mais bonito que ela, ninguém alguma vez será mais sensual. Não há no cinema outra como ela - e nunca mais irá haver. Marilyn Monroe surgiu e pereceu como um astro cintilante, um cometa que nos veio iluminar esta Terra por um muito curto espaço de tempo. Com o seu falecimento, o mito permaneceu. Contudo, o que é de valorizar em Marilyn Monroe - e que muito poucos, no seu tempo ou mesmo contemporaneamente, se lembram - é que Monroe era uma representação, um último acto da peça que narrava a vida de uma jovem, Norma Jean, que se entretinha a fingir que era outra pessoa, esta Marilyn Monroe, uma deusa do amor e da sexualidade, que por sua vez decidiu entreter-se a fingir que era uma talentosa actriz, capaz de desaparecer no papel quando a personagem era certa. Assim, retratá-la torna-se impossível. Ou quase. Porque aqui se introduz na equação Michelle Williams, uma das maiores (quiçá a maior) actriz da sua geração, uma mestra na incorporação dos papéis que aceita, um verdadeiro camaleão que habita o íntimo das suas personagens e as faz brilhar. E, tal como a original, a sua Marilyn Monroe brilha. Aliás, ela cega com o seu brilho. Williams pode não ter o andar correcto, pode não ter as formas corporais exactamente iguais, mas a sua Marilyn é indubitavelmente tão ou mais carismática e impressionante quanto a original. A sua interpretação não parece nem um pouco forçada. Claro que ajuda que Williams esteja na verdade a mostrar-nos não como Marilyn era mas a forma como o seu mito é projectado nas nossas mentes nos dias de hoje; ela mostra-nos, essencialmente, como Colin Clark a via (e, por consequência, como a grande maioria de nós a vê, com uma presença tão forte, charmosa e constante que é não dá para nos rendermos a ela). É por isto também que a abordagem de Williams aos momentos de insegurança, de raiva, de angústia de Marilyn Monroe são tão poderosos. Desumanizando a personagem nos momentos mais icónicos, mas cobrindo-a de uma fragilidade e sensibilidade muito palpáveis nos momentos em que ela se encontra mais só, Williams mostra-nos que finalmente chegou a um patamar de excelência só ao nível das maiores actrizes de sempre, como Meryl Streep, Katharine Hepburn, Bette Davis ou Ingrid Bergman.



Para nossa infelicidade, é uma pena que o filme não perdure tão bem na memória quanto a interpretação da sua protagonista. Tal como a própria Marilyn Monroe, "MY WEEK WITH MARILYN" não sabe muito bem o que quer, alternando entre o inconsequente melodrama, a comédia leve e o romance histórico, sem qualquer rumo e fio narrativo, conferindo muito pouco background às personagens para podermos expressar qualquer emoção acerca do que lhes acontece. O filme é baseado no livro de memórias de Colin Clark (Eddie Redmayne, um actor a quem reconheço talento mas que me incomoda solenemente, aqui traído pela parca profundidade que a sua personagem tem), que trabalhou como assistente de produção para "The Prince and the Showgirl", um filme realizado e protagonizado por Sir Lawrence Olivier (Kenneth Branagh, num casting óbvio mas que resulta na perfeição) e para o qual convidou, sem dúvida para trazer mais reconhecimento à produção, Marilyn Monroe (Williams) para ser sua co-protagonista, um filme que assim juntaria a mais famosa estrela de cinema do mundo e aquele que era reconhecido como o maior actor de então.

O filme, famigerado por imensos problemas de produção, ficou também famoso pela dificuldade de entendimento entre Olivier e Monroe, ora porque o primeiro não entendia o propósito do Método - Monroe, quando se apresentava no set, era acompanhada pela sua professora de representação, Paula Strasberg (Zoe Wanamaker), esposa do inventor do Método, que constantemente alterava ordens dadas por Olivier - ora porque Monroe não era, digamos, a maior profissional. Entre inúmeros ataques de raiva, sessões de choro, indisposições e fugas, Monroe enfureceu Olivier a ponto de este querer cancelar a rodagem do filme. Por entre as gravações, vamos sendo dados a conhecer mais e mais sobre quem era esta famosa mulher que tinha o mundo aos pés e vamos percebendo que a vida galante dela não correspondia bem ao que ela esperava. O elenco inclui ainda Julia Ormond no papel de Vivien Leigh (pouquíssimo impressionante, ainda para mais se tivermos em conta o quão fascinante era a original Leigh), Judi Dench como Sybil Thorndike (nada a acrescentar sobre o papel, tão pouco marcante que é) e Emma Watson como uma costureira por quem Colin sente grande afecto.



Apesar das muitas falhas e problemas que a película de Simon Curtis tem, chegamos a um ponto em que falar de "MY WEEK WITH MARILYN" é falar de Kenneth Branagh e Michelle Williams. Se desta última já falámos imenso, há que discutir os méritos do primeiro. Uma interpretação notável de Branagh, que apesar de não ter o estóico aspecto de Olivier compensa pela vitalidade e voluptuosidade que confere à personagem, copiando a voz cortante e ríspida, conseguindo ao mesmo tempo reter a elegância e o ar irresistível do original, personificando sem mácula o desespero e esgotamento de um homem - só por acaso a maior lenda do cinema britânico - testado por uma novata ainda por deixar a sua marca no mundo do cinema e, pior do que isso, imune ao seu charme. Soberbo. Olivier, claro, detestaria esta representação. Duas nomeações aos Óscares bastante merecidas e, na verdade, o prémio merecido para este filme, que pouco mais almejava. Não apresenta nada de novo sobre o ícone, mantendo apenas viva a ideia do mito de Monroe. Há que lhe agradecer por mais uma grandiosa interpretação de Williams. E isso, para mim, já é mais que suficiente.




Nota Final:
C+

Informação Adicional:
Ano: 2011
Realização: Simon Curtis
Argumento: Adrian Hodges
Elenco: Michelle Williams, Kenneth Branagh, Eddie Redmayne, Judi Dench, Emma Watson, Julia Ormond, Toby Jones, Dougray Scott
Banda Sonora: Conrad Pope (e Alexandre Desplat - "Marilyn's Theme")
Fotografia: Ben Smithard

HARRY POTTER AND THE DEATHLY HALLOWS, PART II (2011)



"I never wanted any of you to die for me."

O fim de uma era. É o que todos sentimos quando entrámos no cinema para ver a última e derradeira parte da saga do feiticeiro mais conhecido de todos os tempos, a história do rapaz que sobreviveu. "HARRY POTTER AND THE DEATHLY HALLOWS, PART II" vem encerrar com chave de ouro uma das mais lucrativas franchises de sempre e um fenómeno sem precedentes quer a nível da literatura, quer a nível das suas adaptações cinematográficas. Ajuda também que este último filme providencie uma conclusão satisfatória e que cumpre as expectativas dos milhões de fãs em todo o mundo.


Neste último capítulo, Harry Potter (Daniel Radcliffe) vê finalmente chegar o momento que tentou evitar uma vida inteira: o frente-a-frente com Lord Voldemort (Ralph Fiennes). Antes disso, de acordo com as instruções que lhe havia deixado Albus Dumbledore (Michael Gambon), ele necessita de destruir os restantes Horcruxes do vil rival juntamente com Ron (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) para, de uma vez por todas, o poder derrotar. Não querendo ser mais detalhado que isto, acho que é suficiente dizer que a grande maioria das inolvidáveis personagens dos anos anteriores de Harry em Hogwarts estarão todos de volta, incluindo Professor McGonagall (Maggie Smith), Draco Malfoy (Tom Felton), Hagrid (Robbie Coltrane), Neville Longbottom (Matthew Lewis), Ginny Weasley (Bonnie Wright), Luna Lovegood (Evanna Lynch), Remus Lupin (David Thewlis), Professor Snape (Alan Rickman), Professor Flitwick (Warwick Davis), Professor Trelawney (Emma Thompson), Professor Slughorn (Jim Broadbent), Molly e Arthur Weasley (Julie Walters e Mark Williams), Bellatrix Lestrange (Helena Bonham-Carter), Lucius e Narcissa Malfoy (Jason Isaacs e Helen McCrory), Ollivander (John Hurt), Fred e George Weasley (Oliver and James Phelps), Nymphadora Tonks (Natalia Tena), Fleur Delacour (Clémence Poésy), entre muitos outros, todos de volta para uma das cenas mais formidáveis de toda a saga, de uma pujança inacreditável nos livros, bem transportada para o ecrã pelas mãos de David Yates: a batalha de Hogwarts. 


Depois das experiências bem sucedidas em "Order of the Phoenix" e "Half-Blood Prince" e do pequeno percalço chamado "Deathly Hallows: Part I", um filme que para mim nunca devia ter existido, especialmente no tamanho gigante em que foi produzido, Yates explora bem os pontos fortes do argumento de Steve Kloves e esconde as suas fraquezas, bem auxiliado por uma fotografia de altíssimo nível de Eduardo Serra (se bem que menos impressionante em comparação com o seu trabalho na primeira parte deste último filme), uma direcção artística exímia do colaborador habitual (e três vezes nomeado pela saga) Stuart Craig e um imperial Alexandre Desplat, de novo em topo de forma, produzindo uma banda sonora capaz de num momento acelerar a nossa pulsação e no outro nos deixar de rastos, à beira do choro. Quanto ao elenco em si, como de costume, são os personagens secundários que brilham. O trio principal é, uma vez mais, competente, nada de mais. Cumprem bem a sua função como alavancas motoras da narrativa, dando oportunidade a Maggie Smith, Matt Lewis, Helena Bonham-Carter, Michael Gambon e especialmente Ralph Fiennes e Alan Rickman de brilhar. Durante toda a saga, Alan Rickman (que interpreta Snape) foi consistentemente o melhor de cada um dos filmes e também aqui não foi excepção, aproveitando ao máximo uma cena improvisada de flashbacks (muito diferente da original publicada no livro, mas ainda sim contendo a mesma força e potência) para mostrar porque é, ainda hoje, um dos artistas mais valiosos do Reino Unido. Já quanto a Ralph Fiennes, só neste filme é que reparei o quão cheia de nuance e personalidade é a sua interpretação de Voldemort. Parecendo estar genuinamente a divertir-se na pele do vilão, Fiennes é electrizante - e relembrou-me os velhos tempos em que ele a paixão que exibia enquanto uma das maiores estrelas a agraciar o grande ecrã.


O maior elogio que se pode fazer a este filme - e a toda a saga, já agora - é nunca se ter desviado do concepção original de J.K. Rowling, tendo respeitado os fãs e os livros do princípio ao fim, fazendo jus ao mundo mágico e à frutífera imaginação da sua criadora. As cenas finais deste "Harry Potter and the Deathly Hallows, Part II" são particularmente impressionantes, decorrendo com enorme fluidez, com um diálogo inteligente e sem pressa, proporcionando-nos uma despedida sentida e adequada deste grupo de personagens que aprendemos a amar incondicionalmente ao longo dos anos. Da minha parte, ficarei para sempre grato que a Warner Brothers tenha decidido arriscar e transformar obras pelas quais nutro tanto carinho uma série de filmes de que o estúdio - e todo o mundo - se possa orgulhar. Será um deleite daqui a uns anos, seguramente, rever estes filmes todos em conjunto. Hogwarts é, afinal, uma casa à qual somos todos bem-vindos (como J.K. Rowling muito eloquentemente afirmou na estreia mundial do filme).

Nota:
B

A Saga Inteira:
B+

Ficha Técnica:
Realização: David Yates
Argumento: Steve Kloves
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Alan Rickman, Helena Bonham-Carter, Ralph Fiennes, Michael Gambon, Maggie Smith, Matt Lewis, Bonnie Wright, Evanna Lynch, Julie Walters, David Thewlis, Tom Felton
Música: Alexandre Desplat
Fotografia: Eduardo Serra
Ano: 2011

HARRY POTTER AND THE DEATHLY HALLOWS - PART 1 (2010)




Eu detesto aqueles fãs de Harry Potter que vão para o cinema com o livro todo decorado a contar o que está e o que não está nos filmes. O que está como não está no livro, o que não está e tinha que estar. Eu detesto esse tipo de fanatismo. Detesto, porque um filme não é um livro e, como tal, a sua adaptação tem que ser, obviamente, fiel mas também prática e adaptada às capacidades de um filme.

Dito isto, penso que neste último filme essa crítica recorrente não se poderá aplicar. A divisão em duas partes foi, claramente, uma óptima escolha da equipa de David Yates. Nunca um filme de Harry Potter foi tão profundo de pormenores e tão fiel à história de um livro.

Considero importante referir que é muito mais um filme de graúdos do que um filme de miudos. Por força das circunstâncias da história, o novo filme de HP tem um lado muito intenso de suspense bem conseguido e com alguns momentos que farão, certamente, muita gente saltar na cadeira. É um filme muito negro, muito sombrio e que faz justiça aos tempos de desordem e terror vividos na história do sétimo livro de HP.


Daniel Radcliffe é (e sempre será) um péssimo actor e continua a ser, como em quase todos os filmes, a pior parte deste bom filme. O rapaz não nasceu para ser actor, não nasceu para representar um papel intenso e com tanta personalidade como o de Harry Potter. Emma Watson e Rupert Grint também não são fantásticos, mas sempre trazem algo de positivo para o trio que monopoliza toda a história desta primeira parte, que nos fala das aventuras dos três feiticeiros na busca de um dos quatro últimos horcruxes que é necessário destruir para matar de vez Lord Voldemort (Ralph Fiennes). O final foi bem escolhido e não me deixou aquela mágoa pelo filme estar dividido ou vontade de querer de imediato ver a segunda parte. Gostei.


No entanto, "Harry Potter and the Half-Blood Prince" continua a ser o meu favorito desta saga e, sinceramente, não acredito que a segunda parte deste ultimo capítulo me consiga fazer mudar de opinião. Confesso que tenho algum receio que a obcessão de transformar a segunda parte numa disputa titânica entre Harry Potter e Voldemort e que tudo gire à volta dessa ideia. Se a parte dois estiver ao nivel da parte um, David Yates deu um final muito digno a toda esta aventura.


Nota Final:
B

Trailer:



Informação Adicional:
Realização: David Yates
Argumento: Adaptação de Steve Kloves
Ano: 2010
Duração: 146 minutos