Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

BIRDMAN, de Alejandro González Iñárritu

Ainda ouço a contagiante e inebriante batida que marca o passo de Birdman. Uma bateria frenética que transborda as emoções das personagens, que nos coloca dentro do carrocel criado por Iñarritu para transportar para a grande tela o fernesim do teatro, o rebuliço das cenas, a troca constante de personagens e de sensações, o sobe e desce, os dias em que lutamos por mais, queremos mais e conseguimos mais.

 

 

Quando a câmara se liga em Birdman, não mais volta a parar. Está comprometida com a história, comprometida com Riggan (Michael Keaton) e com o seu sonho. Tal como Michael Keaton, Riggan é uma velha porcelana de Hollywood, eclipsada, ultrapassada e esquecida após a intrepertação de um super-herói no princípio da década de 90. Keaton foi Batman, Riggan foi Birdman. Uma personagem da qual nunca se conseguiu desfazer, que o acompanha e atormenta diariamente, que o inferioriza e reprime. Que o rotula. Que o incomoda. Que o deprime. Que o enloquece.

 

 

Ladeados de um excelente elenco, onde Edward Norton se destaca com uma eloquência e um carisma há muito perdidos, Iñarritu e Keaton inventam cinema. Keaton é assombroso, num déjà vu daquilo que vimos com Mickey Rourke em 2008 (terá sido, também para ele, um last goodbye?). Quanto a Iñarritu, depois de me ter oferecido o meu filme favorito de 2010, Biutiful, muitos anos após me ter surpreendido com a energia mágica de Amores Perros, volta a enfeiticar-me. É preciso ver Birdman para perceber o importante caminho que Iñarritu está a percorrer no cinema moderno. E é obrigatório fazê-lo numa grande sala. 

MOONRISE KINGDOM (2012)



Ando há semanas para vos falar de Moonrise Kingdom. Mas a falta de tempo para, com calma e prazer, vos escrever sobre este delicioso filme, têm afastado esta crítica do Dial P for Popcorn. A mais recente referência que o Jorge fez ao filme aqui no blogue foi o empurrão que me faltava. Em primeiro lugar, dispo-me de fanatismos e créditos, e como humilde espectador de cinema, digo-vos que Moonrise Kingdom foi o primeiro filme de Wes Anderson que tive o prazer de ver. Não tinha noção do pedaço de génio que este rapaz é, confesso. Mas com Moonrise Kingdom, conseguiu convencer-me. Wes Anderson é grande. E daqui a uns anos vai ser enorme. E, com sorte, no final da sua carreira, vai ser imortal.


Começa pela forma como utiliza câmara de filmar. A fotografia de Moonrise Kingdom é uma delícia. Indescritível, charmosa, elegante. A característica do filme que mais me empolgou. Um argumento muito bem escrito, que se percebe, foi tranquilamente amadurecido, conta-nos uma história de um amor proibido, quando a tenra idade ainda justifica actos impulsivos e inconsequentes. A paixão obsessiva que une estes dois jovens é a força motriz de toda a acção. Sam é um rapaz ostracizado pelo seu grupo de escuteiros, que se apaixona por Suzy ao primeiro olhar. Suzy, uma rapariga incompreendida dentro de uma família disforme, aceita o convite de Sam e, juntos, decidem partir para, longe de complexos, julgamentos e preconceitos, viverem de forma intensa o amor que os une.


Nesta história de amor, Wes Anderson consegue colocar Bruce Willis e a Edward Norton em personagens que, não sendo de uma exigência técnica extrema, conseguem ser marcantes nas suas longas carreiras. E percebe-se facilmente a influência do realizador na forma harmoniosa como as suas personagens encaixam no elenco infantil. Moonrise Kingdom é um presente que Wes Anderson embrulha com requinte antes de o entregar ao espectador. Tem o potencial para se transformar, dentro de alguns anos, numa obra de culto. Aceitam apostas?

Nota Final:
A-


Trailer:



Informação Adicional:
Realização: Wes Anderson
Argumento: Wes Anderson
Ano: 2012
Duração: 94 minutos

O Cinema Numa Cena

Bem-vindos a mais uma rubrica semanal aqui no Dial P for Popcorn - "O Cinema Numa Cena" tenta mostrar as nuances de uma interpretação fora-de-série numa cena pivotal do seu filme.

Aproveitando a embalagem do post anterior e porque quero evidenciar esta cena, sem a misturar na crónica sobre o filme e assim acabar por perder a importância que considero que tem, aproveitei esta rubrica para vos deixar aqui este vídeo de uma das cenas mais poderosas do filme 25th Hour (2002).


Nela temos um retrato da sociedade Nova Iorquina, onde a ironia e o sarcasmo são tão intensos que não poderia haver melhor forma de vos demonstrar aquilo de que vos falei na crónica anterior sobre Monty Brogan. Revoltado com a sociedade que o rodeia, Monty ferve em pouca água e um simples "Fuck You" no espelho de um WC faz com que este atire em todas as direcções, numa forma de culpar todos os que o rodeiam pela sua actual situação. Um aperitivo que espero vos convença a verem o filme!



25TH HOUR (2002)


Depois da sugestão deixada aqui pelo José Neves, decidi ver este filme que (até aqui) apenas conhecia de nome. E fiquei rendido! Tanto ao filme, como ao papelão de Edward Norton! Ele nasceu para fazer papéis como este!

25th Hour decorre num período de pós 11 de Setembro, em que a memória sobre os atentados ainda está muito fresca e a América tenta ainda recompor-se do abanão que havia sofrido. Monty Brogan (Edward Norton) é um traficante de droga com algum sucesso, que devido aos rendimentos do seu "trabalho" leva uma vida folgada ao lado da sua namorada Naturelle Riviera (Rosario Dawson) e do seu cão Boyle. É um homem de 30 anos, feliz e bem sucedido.


Até ao dia em que a polícia entra em sua casa e descobre o local onde este guardava a droga, e o acusa de ser traficante. Tal descoberta vale-lhe 7 anos de prisão. 25th Hour retrata então o ultimo dia de liberdade de Monty Brogan, onde este tentará aproveitar os seus ultimos momentos com a sua namorada e com os seus companheiros de longa data, Frank (Barry Pepper) e Jacob (Philip Seymour Hoffman), numa jornada onde esta personagem, cujo o carácter e personalidade são de uma dureza impressionantes, nos deixa muitas mensagens reveladoras da sua maneira de pensar e encarar a realidade que o rodeia. Monty é um homem desiludido e revoltado. É um homem com uma bomba nas mãos que irá explodir no amanhecer do dia seguinte. Terá que viver 7 anos em apenas 24 horas.


Um filme que me encheu as medidas e onde Spike Lee voltou a não me desiludir. Embora fosse dificil fazer um mau filme com um argumento tão bom (A-) e com actores com tal qualidade, Spike Lee manteve a consistência e sai com uma nota bastante positiva.

Nota Final: B+

Trailer:



Informação Adicional:
Realização: Spike Lee
Argumento: David Bienoff
Ano: 2002
Duração: 135 minutos

Personagens do Cinema - Derek Vinyard


O ponto alto da carreira de Edward Norton. Um actor que nos ultimos anos tem andado desaparecido dos grandes papeis (o Ilusionista terá sido o seu ultimo filme digno de registo), mas cuja prestação neste filme fortíssimo lhe valeu a nomeação para melhor actor principal nos Oscars de 1999 (perdendo a estatueta dourada para o, também ele, grande papel de Roberto Benigni em A Vida é Bela).



Derek Vinyard é uma personagem ambígua. É uma personagem que assuma um papel e uma personalidade opostas. Inicialmente é um elemento da extrema direita, defende fervorosamente os ideiais em que acredita, até que um dia se excede e os seus actos (uma das cenas mais memoráveis do cinema) acabam por o levar à prisão. Aí Derek sofre e enfrenta uma realidade diferente daquela a que estava habituado.


Passado 3 anos, é um homem novo. Decidido a evitar que o seu irmão mais novo, Danny Vinyard (Edward Furlong), acabe por levar a vingança da prisão de Derek longe demais, este sente pela primeira vez o reverso de uma medalha que julgava dominar perfeitamente. Ao longo de um filme extremamente comovente, Derek luta com todas as armas para transformar Danny num rapaz diferente daquele em que, ele próprio, haveria moldado anos antes.

Derek Vinyard é O papelão de Edward Norton! Uma oportunidade unica numa carreira, que Edward agarrou com unhas e dentes e lhe permitiu um lugar de destaque, para sempre, na história do cinema.